Bem-vinda!!

Bem-vinda ao nosso blog!
Aqui, mamães muito diferentes mas com um único objetivo compartilham suas experiências nesta grande aventura que é a maternidade! Nós queremos, acima de tudo, ser mamães sábias, que edificam seus lares e vivem com toda plenitude o privilégio de sermos mães! Usamos muitos dos princípios ensinados pelo Nana Nenê - Gary Ezzo, assim como outros livros. Nosso objetivo é compartilhar o que aprendemos a fim de facilitar a vida das mamães! Fomos realmente abençoadas com livros (e cursos) e queremos passar isso para frente!


"Com sabedoria se constroi a casa, e com discernimento se consolida.
Pelo conhecimento os seus cômodos se enchem do que é precioso e agradável"
Prov. 24:4,5

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Apagão da família

Texto de Carlos Alberto di Franco, publicado em 20 de agosto de 2012 no Estadão.
Link: http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,apagao--da-familia-,918978,0.htm 

A sociedade assiste, assombrada, a uma escalada de crimes cometidos no âmbito de famílias de classe média. Transformou-se o crime familiar em pauta ordinária das editorias de polícia. O inimigo já não está somente nas esquinas e vielas da cidade sem rosto, mas dentro dos lares. Mudam os personagens, mas as histórias de famílias destruídas pelo ódio e pelas drogas se repetem. A violência não se oculta sob a máscara anônima da marginalidade. Surpreendentemente, vítimas e criminosos assinam o mesmo sobrenome e estão unidos pela indissolubilidade do DNA.

A multiplicação dos crimes em família tem deixado a opinião pública em estado de choque. Paira no ar a mesma pergunta que Federico Fellini pôs na boca de um dos personagens do seu filme Ensaio de Orquestra, quando, ao contemplar o caos que tomara conta dos músicos depois da destituição do maestro, pergunta, perplexo: "Como é que chegamos a isto?". A interrogação está subjacente nas reações de todos nós, caros leitores, que, atordoados, tentamos encontrar resposta para a escalada de maldade que tomou conta do cotidiano.

A tragédia que tem fustigado algumas famílias aparece tingida por marcas típicas da atual crônica policial: uso de drogas, dissolução da família e crise da autoridade. Não sou juiz de ninguém. Mas minha experiência profissional indica a presença de um elo que dá unidade aos crimes que destruíram inúmeros lares: o esgarçamento das relações familiares. Há exceções, é claro. Desequilíbrios e patologias independem da boa vontade de pais e filhos. A regra, no entanto, indica que o crime hediondo costuma ser o dramático corolário de um silogismo que se fundamenta nas premissas do egoísmo e da ausência, sobretudo paterna. A desestruturação da família está, de fato, na raiz da tragédia.

Se a crescente falange de jovens criminosos deixa algo claro, é o fato de que cada vez mais pais não conhecem os seus filhos - e filhos também não se interessam por seus pais e avós. Na falta do carinho e do diálogo, os jovens crescem sem referências morais e âncoras afetivas. Recebem boas mesadas, carros e viagens. Mas, certamente, trocariam tudo isso pela presença dos pais. Sua resposta é uma explosiva combinação de revolta e ódio.

Psiquiatras, inúmeros, tentam encontrar explicações nos meandros das patologias mentais. Podem ter razão. Mas nem sempre. Independentemente dos possíveis surtos psicóticos, causa imediata de crimes brutais, a grande doença dos nossos dias tem um nome menos técnico, porém mais cruel: a desumanização das relações familiares. O crime intra e extralar medra no terreno fertilizado pela ausência. O uso das drogas, verdadeiro estopim da loucura final, é, frequentemente, o resultado da falência da família.

A ausência de limites e a crise da autoridade estão na outra ponta do problema. Transformou-se o prazer em regra absoluta. O sacrifício, a renúncia e o sofrimento, realidades inerentes ao cotidiano de todos nós, foram excomungados pelo marketing do consumismo alucinado. Decretada a demissão dos limites e suprimido qualquer assomo de autoridade - dos pais, da escola e do Estado -, sobra a barbárie. A responsabilidade, consequência direta e imediata dos atos humanos, simplesmente evaporou-se. Em todos os campos. O político ladrão e aético não vai para a cadeia. Renuncia ao mandato. O delinquente juvenil não responde por seus atos. É "de menor".

Certas teorias no campo da educação, cultivadas em escolas que fizeram uma opção preferencial pela permissividade, também estão apresentando um amargo resultado. Uma legião de desajustados, crescida à sombra do dogma da educação não traumatizante, está mostrando a sua face perversa.

Ao traçar o perfil de alguns desvios da sociedade norte-americana, o sociólogo Christopher Lasch (autor do livro A Rebelião das Elites) sublinha as dramáticas consequências que estão ocultas sob a aparência da tolerância: "Gastamos a maior parte da nossa energia no combate à vergonha e à culpa, pretendendo que as pessoas se sentissem bem consigo mesmas". O saldo é uma geração desorientada e vazia.

A despersonalização da culpa e a certeza da impunidade têm gerado uma onda de superpredadores. O inchaço do ego e o emagrecimento da solidariedade estão na origem de inúmeras patologias. A forja do caráter, compatível com o clima de verdadeira liberdade, começa a ganhar contornos de solução válida. A pena é que tenhamos de pagar um preço tão alto para redescobrir o óbvio.

O pragmatismo e a irresponsabilidade de alguns setores do mundo do entretenimento também têm importante parcela de responsabilidade nesse quadro. A valorização do sucesso sem limites éticos, a apresentação de desvios comportamentais num clima de normalidade e a consagração da impunidade têm colaborado para o aparecimento de mauricinhos do crime. Apoiados numa manipulação do conceito de liberdade artística e de expressão, alguns programas de televisão crescem à sombra da exploração das paixões humanas.

As análises dos especialistas e as políticas públicas esgrimem inúmeros argumentos politicamente corretos. Fala-se de tudo. Menos da crise da família e da demissão da autoridade. Mas o nó está aí. Se não tivermos a coragem e a firmeza de desatá-lo, assistiremos a uma espiral de crueldade sem precedentes. É apenas uma questão de tempo.

Já estamos ouvindo as primeiras explosões do barril de pólvora. O horror dos lares destruídos pelo ódio não está nas telas dos cinemas. Está batendo às portas das casas de um Brasil que precisa resgatar a cordialidade captada pela poderosa lente de Sérgio Buarque de Holanda (o pai do Chico) no seu memorável Raízes do Brasil.

*Carlos Alberto Di Franco é Doutor em Comunicação pela Universidade de Navarra, é diretor do Departametno de Comunicação do Instituto Internacional de Ciências Sociais.

domingo, 2 de setembro de 2012

3 anos de Nicole!


A Nicole completou 3 anos esta semana e eu vim contar como estão as coisas já que o último update sobre ela foi publicado há seis meses. Primeiramente, queria dizer que está sendo uma fase deliciosa para mim! As outras também foram, claro, mas parece que esta está ainda mais especial. Deve ser porque sempre que eu imaginava como seria ter filhos, me via justamente com crianças mais ou menos desta idade em que a Nicole está hoje. E aqui vou fazer uma confissão: acreditem se quiser, mas eu nunca sonhei muito com ter e cuidar de um bebezinho recém-nascido, haha! Eu não era como as mulheres que se derretem toda quando veem um bebê e já querem logo pegá-lo no colo. Engraçado, né? Principalmente porque hoje escrevo num blog sobre maternidade que começou com este foco de treinar o bebê desde o primeiro dia!

Vou tentar fazer um breve relato, por partes, daquilo que acho que vale ressaltar:

Sono
As noites têm sido tranquilas (11 horas de sono ininterrupto pelo menos, aproximadamente das 19:00 às 6:00) e, de alguns meses para cá, a frequência das sonecas da tarde diminuiu de todo dia para 4 ou 5 vezes por semana. Há dias em que eu a deixo "pular a soneca" (das 13:00 às 15:00 ou 16:00) e fazer alguma outra atividade mais "tranquila" durante esse período (como assistir a um desenho, ler seus livrinhos, desenhar), pois tenho percebido que ela não está mais precisando dormir tanto. Na maioria das vezes, quando ela insiste muito que não quer dormir, eu estabeleço que ela tem de ficar deitadinha descansando na cama por 40 min a 1 hora e, mesmo que ela não durma, sei que esse tempinho é bom para ela renovar as energias. Como disse acima, isto não acontece sempre, apenas 2 ou 3 vezes por semana (incluindo os domingos).

Alimentação
Ela está se alimentando bem! Com uma mistura de alívio e orgulho em vista do progresso nos últimos 18 meses, arrisco dizer que praticamente superamos a fase "picky eater" da Nicole!! Se quiser saber sobre os problemas que tivemos, leia o post Alimentação a partir dos 12 meses - aprendendo com os erros. Ela continua sendo uma criança relativamente pequena e magra, mas ela come de tudo - legumes e verduras, inclusive (não necessariamente de bom grado toda vez, rs). Uma observação importante é que ela come devagar, beeem devagar, sem pressa alguma! Se deixar, ela fica com a comida na boca sem mastigar um tempão e por isso ainda estamos trabalhando esta dificuldade com ela. Porém, o mais importante e o que eu valorizo muito é que ela conseguiu superar muito de seus "pré conceitos" com relação a qualquer alimento que não seja o arroz/feijão/carne (que ela adora) de todo dia! Sério, ela fazia cara de nojo para qualquer outro tipo de refeição que não fosse essa composição habitual, não gostava de massas, pães, enfim, não queria nem experimentar. Sinto que está cada vez mais facil para ela aceitar (sem reclamar) de que precisa comer um pouquinho de tudo o que eu preparar (isto mesmo: todos os legumes ou verduras/saladas também). Já as frutas nunca foram um problema para ela. Ela come fruta no café da manhã, leva fruta de lanche para a escola e, às vezes, come também de lanche da tarde. Ela gosta de todas!

Comportamento
Meu marido já comentou muitas vezes no último ano como a Nicole não parecia ter somente pouco mais de 2 anos de idade. Há momentos em que ela é tão madura, amável e obediente!! E isto fica ainda mais saliente agora que podemos comparar o seu comportamento com o da irmã (de apenas 1 ano e 2 meses) que está no início deste processo de disciplina e correção (e que resiste a submeter-se à autoridade dos pais). Não posso deixar de pensar como o fato dela ser obediente em 80% (ou mais) do tempo contribui MUITO para curtirmos não somente nossos momentos juntas como mãe e filha - mas, principalmente, os momentos em família e no relacionamento com outras pessoas quando estamos em público. Fico cada vez mais convencida da sabedoria que há nas Escrituras, como o texto de Provérbios 29:15. Sei por experiência o que é passar vergonha em público por algum mau comportamento dela (por exemplo, virar o rosto quando alguém vem todo simpático cumprimentá-la!), mas também já experimentei as alegrias que perseverar em corrigi-la com a vara da disciplina, em amor, trazem! Um dos segredos, sem dúvidas, é aplicar a "educação diretiva", compreendendo o conceito de "criar dentro do funil" (Ezzos). Até hoje, por exemplo, a Nicole não tem permissão de sair da cama sozinha ao acordar. As liberdades nós damos à medida em que ela está pronta para usá-las com responsabilidade, ou seja, quando desenvolveu um nível satisfatório de autocontrole (para ler mais sobre este assunto, clique nos posts: Desenvolvimento do autocontrole, Eduque, não reeduque! e Comportamento e Mobilidade).

Hoje em dia uma das minhas maiores ALEGRIAS como mãe é colher os frutos das boas sementes plantadas (arduamente, devo acrescentar) até aqui! E, acredite, arduamente mesmo! Ser uma mãe proativa é remar contra a correnteza do mais cômodo, é tomar uma postura contra a inércia, é antecipar, prever, planejar. É não ficar parada esperando e apenas reagindo às situações que aparecem. Sim, é um processo árduo, mas também muito recompensador porque não é apenas a criança que se desenvolve e aprende, nós também crescemos e nos tornamos pessoas melhores. Por isso, aqui venho encarecidamente pedir a você, mamãe leitora, de não cair no engano (que é muito comum) de pensar "Ai, como ela é sortuda: a filha dela é boazinha e obedece" ou "Se meu filho também fosse assim seria muito fácil, mas eu não tive a mesma sorte". Não é sorte!! Em vez de pensar assim, corra atrás de conhecimento que possa auxiliá-la na sua tarefa de educar. É difícil, eu sei, mas Deus honra os nossos esforços, renova as nossas forças e nos dá novas estratégias para cada situação porque, afinal, Ele é o maior interessado de nos ver prosperar neste intento de criar filhos segundo o Seu coração e edificar uma família unida. Quem acompanha o blog há mais tempo com certeza já percebeu que eu sou fã do livro do Tedd Tripp chamado "Pastoreando o Coração da Criança" (você encontra resumos dele neste blog) e sabe que eu também recomendo o curso "Educação de Filhos À Maneira de Deus" (que é oferecido pela UDF - saiba mais)!

Linguagem
A fluência da Nicole nos dois idiomas - português e inglês - melhorou muito. Bem, pelo menos na minha concepção, ela fala os dois idiomas muito bem! Estou muito contente por isto. Lembro-me de que, exatamente um ano atrás, eu me sentia desorientada com relação a este processo todo da aquisição de fluência, temendo que ela não fosse aprender direito nem um nem outro porque eu misturava os dois idiomas em casa. Mas não, ela sabe distinguir os dois e já entendeu, inconscientemente, que na igreja e em casa nós nos comunicamos em inglês, mas que na escola e em outros ambientes nós nos comunicamos em português. Isto é especialmente bom porque o fato dela falar bem o inglês vai me ajudar a ensiná-lo à Alícia também.

Como professora de inglês por vocação, esta é uma área que me fascina! Até a chegada das meninas, minha experiência de ensinar inglês sempre fora com o público adulto. Embora esteja sendo uma experiência inusitada para mim, estou descobrindo muitas semelhanças no processo de aquisição da fluência da Nicole e dos alunos com quem tive contato durante os meus quase 15 anos de experiência nesta área! Por isto, apenas para fins de curiosidade, vou registrar alguns erros de estrutura em inglês (e também em português) que a vejo cometer.
  • Não conseguir conjugar os verbos no passado muito bem ainda e confudir os pronomes "he/him" e "she/her". Quando ela quer me dizer que a irmã levantou do berço, por exemplo, em vez de dizer: "She got up", ela diz "Her get up". Eu acho que erros deste tipo (de conjugação) são bem comuns entre crianças que estão aprendendo a falar. E ela faz isto em português também, outro dia mesmo disse: "Eu já bebei, mãe" e esta manhã perguntou: "Onde você fazeu isso, pai?".
  • Ainda falando em pronomes, houve uma época em que, em português, todas as pessoas para ela eram "ELE". Muito curioso! Ela não conhecia ou sabia usar os outros pronomes em português. Quando ela fazia isso, eu brincava que ela era minha "gringazinha", rs.
  • Em inglês percebo que isso ainda acontece quando ela quer dizer "sozinha" e, em vez de dizer "by myself", ela fala "by yourself" (que pra ela serve para todas as pessoas). Deduzo que isto acontece como resultado dela automaticamente reproduzir aquilo que me ouve dizer - por exemplo, quando eu digo "Can you do it by yourself?"- e ela não sabe que tem de mudar a pessoa na hora de responder.
  • Acho muito curioso que quando ela quer dizer "Não consigo fazer" em inglês, ela fala "No can do it" e o "Não quero isso" dela fica "I no want it"! Esses erros seguem a mesma lógica de tradução de alguém que já tem a estrutura da língua bem sendimentada em português usa quando está aprendendo o inglês, rs! Seguindo essa tendência de traduzir ao 'pé da letra', ela diz "Give for me" em vez de "Give it to me". E, ainda, usa o "yet" significando "ainda" no lugar de "still" em frases afirmativas (por exemplo, "I'm eating yet"). Minha teoria é que ela costumeiramente me ouviu fazer perguntas com o "yet" - como por exemplo "Did you finish yet?" - e deduziu que "yet" é "ainda" e pronto.
  • Já em relação à vocabulário, ela sabe bastante coisa e aprende com facilidade - está sempre nos surpreendendo com palavras novas! Geralmente meu marido e eu nos entreolhamos como quem diz "Uau, ela sabe isto!", haha. :) Há outras estruturas que ela domina bem, como o uso do gerúndio e da 3a pessoa no presente (no afirmativo apenas, já ela não domina o uso do auxiliar ainda), o que não deixa de ser algo fantástico.
Emoções
Como já comentei, a fase em que a Nicole está hoje é muito gostosa porque ela consegue conversar e interagir com as pessoas e entende muito mais o que acontece ao seu redor. Acho a lógica do pensamento infantil extraordinária! Quem não se diverte com as perguntas inteligentes ou frases engraçadas que criança nesta idade diz?! Estou amando acompanhar de perto como a capacidade de raciocínio dela se desenvolve, responder às suas muitas dúvidas (ela é uma tagarela!!), perceber quais são suas curiosidades, seus medos, sua relação afetiva com as pessoas, ensiná-la sobre os princípios de Deus para o convívio em sociedade, a bênção da submissão, do respeito e da honra, enfim, ter o privilégio de pastorear o seu coração (suas emoções), ajudando a compreender o que sente e como lidar com todas essas emoções.

Um exemplo de sua sensibilidade para com o que acontece ao seu redor aconteceu hoje. Estávamos saindo da igreja e nos dirigindo ao carro para ir pra casa quando vimos uma moradora de rua deitada na calçada. A Nicole olhou para aquela pessoa ali há alguns metros de nós e foi logo me perguntando quem era aquela pessoa e onde estava a mamãe dela! Falei que ela provavelmente havia perdido sua mamãe e que por isto ela estava ali, e ela pensativa se pôs a me fazer mais perguntas (sobre onde era a casa dela, se ela tinha cama pra dormir, etc). O fato da mulher estar ali naquela condição mexeu com ela! Já reparei também como certas cenas de desenho infantil a comovem ou perturbam. Vou citar dois em particular que me lembro agora, ambos do Veggie Tales. Na história sobre Moisés ainda bebê deixado no rio, ela chora quando a correnteza o leva para longe da irmã. Nessa hora eu normalmente tenho de ficar ali perto dela e abraçá-la, ou simplesmente pulo a cena. Em outra história ela se apavora quando o espírito fantasmagórico da avó de um dos personagens sai de um retrato pendurado na parede (é uma visão que o personagem tem)! Ah, acabei de me lembrar outro desenho - um dia ela estava na casa da minha mãe e estava passando Shrek. Não sei qual cena foi, mas minha mãe contou que ela ficou aflita, apontando para a TV e dizendo que estava com medo.

Outro exemplo de sua sensibilidade está no relacionamento com a irmã. E não posso expressar como ver as duas se dando bem enche meu coração de alegria (Salmo 133)! Claro que já houve momentos tensos de conflito entre elas, mas a Nicole (que antes era muito egoísta e não aceitava dividir seus brinquedos) aos poucos tem aprendido a me imitar no tratamento com a Alícia e a ser carinhosa, protetora, companheira, etc. Ela beija, abraça, cuida e se esforça para fazê-la dar gargalhadas - é muito gostoso de ver! Mesmo contrariada às vezes cede algum brinquedo para dar preferência à irmã e pede desculpas com um beijo quando a machuca (direciono-a a fazer as pazes, mesmo que a Alícia não esteja entendendo nada).

Escola
Como mãe tenho enfrentado um dilema com relação a algumas das atividades especiais que a escola da Nicole organiza. Na verdade, não tenho queixas da escola em si, é um lugar organizado e acolhedor e, embora faça uso de propostas pedagógicas consideradas tradicionais, estou muito satisfeita. Porém, não é uma escola cristã e eu não estou sabendo muito bem como lidar com isto ainda (já que eu estudei num colégio cristão minha vida toda e a escola em que ela estudou no ano passado também era cristã). No início do ano, por exemplo, a escola promoveu uma festinha de carnaval para as crianças e a Nicole não participou. Como pais entendemos que, por mais inocente que esta atividade fosse para as crianças nesta idade, não queríamos "naturalizar" a idéia de uma festa tão contrária aos princípios de Deus (e também morais, de culto ao corpo). Achamos que 'não convinha' ela participar e, portanto, comuniquei a escola com antecedência que ela faltaria neste dia. Para compensar, chamei uma amiguinha da mesma escola (só que mais velha) para vir em casa e as duas brincaram na piscina enquanto nós, mamães, conversávamos, rs. A questão é que quando este evento escolar aconteceu a Nicole era tão nova que ir ou não ir não teve a menor importância para ela! Ela não compreendia o suficiente para saber que tinha perdido uma atividade "legal" com os amigos. E, lembrando agora, na verdade quem "sofreu" mais com isto fui eu quando saíram as fotos do evento no site da escola e minha filha não estava nelas, hehe! Isto foi há mais de seis meses e agora a Nicole já entende muito mais.

E um dia desses ela chegou em casa falando do Parque da Xuxa. Eu não gosto nadinha da Xuxa - mais ou menos pelo menos motivo de não achar o carnaval uma festa inocente: na minha opinião, a Xuxa representa um péssimo modelo a ser seguido, admirado ou valorizado por qualquer sociedade que se preze por seus valores morais!! É tão descarado ela incitando as crianças - principalmente as menininhas - à sensualidade que fico boba que muita gente ache isto normal. Enfim, não é apenas por uma questão cristã, mas moral!! A cena daquelas paquitas dançando e vestidas como prostitutas, na minha opinião, deveria assustar qualquer pai e indigná-lo! Nenhuma mãe deveria permitir que seu filho alimente sua mente e coração com essas ´baixarias´, mesmo as veladas. Bem, mas como dizia, achei esquisito a Nicole falar em Parque da Xuxa, mas só entendi mesmo quando li o comunicado na agenda que dizia que a escola está organizando um passeio para lá. E, por isso, agora estamos num dilema cruel! Não queremos prestigiar a Xuxa investindo dinheiro para que ela fique mais rica do que ainda já é, ou ganhe mais notoriedade. Além disso, há tantos outros parques legais na cidade, tinha de ser justo o da Xuxa?! Outro motivo é que vai ser um passeio de um dia inteiro (das 9:00 às 17:30) e acho cansativo demais para uma criança de apenas 3 anos. Mas, apesar disso, não quero que minha filha se sinta mal no dia seguinte ao evento quando os amiguinhos da escola estiverem comentando a experiência, falando dos brinquedos em que foram, o que comeram, o que fizeram, etc!

É tão difícil saber o que fazer em situações como essas, não é? Se você já passou por alguma experiência semelhante, conte-nos como foi. Quem sabe você me dá uma "luz", rs.

Bem, é isto!

Um abraço, Talita

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

1 ano e 2 meses de Alícia!

Hoje vim falar um pouco sobre os últimos 2 meses da Alícia. Tenho algumas novidades! A primeira é que no mês de julho passamos quase 3 semanas em outra cidade - na casa da minha sogra - porque a nossa casa estava em reforma. Mas, ao retornar para S. Paulo no fim do mês porque as aulas da Nicole recomeçaram, tivemos de passar praticamente mais 1 semana fora - desta vez na minha mãe que mora aqui perto - porque a pintura interna ainda não estava terminada. A segunda novidade é que no mês passado tomei a decisão de parar de trabalhar fora (empresa familiar) e voltar a estudar. Agora passo o dia administrando a minha própria casa (cuidando mais de perto da família) e, à noite, vou para a faculdade. Por esses motivos, os dois últimos meses foram bem diferentes um do outro: o primeiro mês foi em ritmo de férias e flexibilidade na rotina e o segundo foi (e ainda está sendo) de adaptação a uma rotina completamente nova!


Vou descrever abaixo um pouquinho de como tem sido cada etapa da nova rotina com a Alícia.

Hora de Dormir
Não temos tido nenhum problema aqui, graças a Deus! A Alícia continua tirando duas boas sonecas durante o dia (exceto aos domingos e dias atípicos), de 1h30 min a 2h cada. E também dorme a noite inteira tranquilamente (das 19:00, ou antes, direto até 6:00 da manhã). No dia em que ela deu um grande salto em desenvolvimento e ficou toda eufórica praticando a sua recém desenvolvida habilidade (andar!), meu marido contou que a hora de dormir à noite ficou complicada (ela teve dificuldade de se acalmar e o sono ficou perturbado, como se ela estivesse tendo pesadelos). E daí lembramos que o mesmo aconteceu na época da Nicole, engraçado isso!

Uma observação sobre a soneca da tarde é que estou considerando colocar a Alícia e a Nicole para dormir em quartos separados neste horário. A duração da soneca da Alícia não ultrapassa 2h ainda e muitas vezes a Nicole precisa dormir mais (o total de 3 horas), então o que tem acontecido é que a Alícia acorda a irmã. Cheguei à esta conclusão esta semana quando deixei as meninas na casa da minha mãe para ir fazer um exame médico. Colocamos as meninas para dormir em quartos diferentes. Deixei as duas dormindo às 13:00 (ao sair). Quando voltei a Alícia estava acordada mas a Nicole ainda dormindo! E ela só foi levantar às 16:00 porque eu entrei para acordá-la. Achei estranho porque em casa as duas sempre acordavam juntas e foi aí que entendi o que estava acontecendo!

O que acho que vou fazer é deixar a Nicole no quarto das meninas mesmo e colocar a Alícia para dormir no meu quarto (não sei bem como fazer ainda) porque descobri nessas férias o quanto a Alícia está com dificuldade para se adaptar (ficar sozinha) a novos ambientes (me pegou totalmente de surpresa!), por isso ela precisa praticar e eu preciso ser pró-ativa quanto a dar esta oportunidade a ela. A Nicole é mais obediente e não tem problema para dormir em lugares novos, já a Alícia... ultimamente se eu não ficar ali do lado do berço com ela (posso ficar virada de costas para ela fazendo outra coisa, o importante é ela me ver) ela abre o maior berreiro! E como temos por princípio não fazer CIO (=cry it out) quando estamos fora de casa porque, afinal, ninguém tem a obrigação de ficar ouvindo choro de bebê a não ser os próprios pais, eu fico ali do lado dela lendo alguma coisa enquanto ela dorme (geralmente leva uns 10 minutos).

Hora de Comer
Apesar de não ter nenhum dentinho ainda (nem eu estou acreditando!!), a Alícia já come a comida que a família toda come. Tento cortar a carne em pedaços pequenos e ela manda tudo pra dentro com facilidade! Já faz muito tempo que ela perdeu o interesse por papas homogêneas, então eu estava deixando pedacinhos de legumes e folhas sem bater ou então misturava arroz e feijão aos legumes batidos que eu preparava em grande quantidade e congelava em potinhos. Ainda tenho papinhas assim no congelador, mas como ela geralmente queria o que estava no prato da irmã (rsrs), comecei a servir para ela exatamente a mesma comida que preparo para toda a família. E pra mim está uma beleza assim, muito mais fácil!

A Alícia tem grande interesse em aprender a comer sozinha mas, como é de se imaginar para a idade, não tem coordenação motora suficiente para isso ainda. Mas ela tenta! E faz a maior sujeira porque a colher vira antes da hora e cai tudo no chão (ou no "babador pelicano" - nome que inventamos para aquele babador de plástico que tem uma bolsa para reter os alimentos). Com o garfo ela até consegue, eu espeto a fruta ou pedacinho de legume e ela leva o garfo sozinha até a boca. Fica toda feliz! Um princípio que estou ensinando é que ela não pode brincar com a comida - os alimentos são para comer, não para brincar. Mas a tendência natural de toda criança, óbvio, é colocar a mão dentro do prato e espremer a comida para sentir as texturas, ou então bater o prato (ou virá-lo) sobre a bandeja para fazer barulho, enfim... rs. Ela também já aprendeu para que serve o guardanapo, hehe. Sabe limpar a boquinha, uma graça.

A minha maior dificuldade com a Alícia tem sido ser constante em exigir que ela use a linguagem de sinais para se comunicar (não só na hora de comer). Ela já sabe dizer "por favor" e "obrigada" (embora com frequência ainda se confunda e troque os sinais), mas prefere e insiste em usar outros meios inapropriados, como virar o rosto quando não quer mais ou resmungar exigindo algo. Isto me frustra - porque acho feio, claro, mas também porque a Nicole pegou o jeito rápido e gostava de usar os sinais para se comunicar (talvez por causa da chuva de elogios que recebia que funcionavam como reforço positivo). Tenho tentado entender porque está sendo diferente com a Alícia, e sei que além do temperamento dela ser outro (e ainda preciso aprender a conhecê-lo melhor!), é fruto também da minha pressa do dia-a-dia e, portanto, inconstância em não ceder à forma de comunicação que considero inaceitável. Meu objetivo com esse treinamento é ensiná-la desde cedo a submissão à minha autoridade e o respeito pelas pessoas.

É claro que há os dias em que ela está mais receptiva e disposta a colaborar, como neste vídeo (Lily practicing her sign language). Ah, e a Nicole também é uma ótima ajudante, ela observa como eu faço para ensinar a Alícia e me imita segurando o braço da irmã e repetindo o sinal pra ela como se fosse eu fazendo!

Hora de Brincar
Por incrível que pareça, a Hora de Brincar foi a minha área de maior desafio com a Alícia nas últimas semanas! Já com a Nicole nesta idade meu desafio maior era a Hora de Comer, leia aqui: Alimentação a partir dos 12 meses - Aprendendo com os erros! Por ser a segunda filha e ter companhia para brincar quase que 100% do tempo em que está acordada (o que foi intensificado nessas férias!), acho que a Alícia desenvolveu uma espécie de "ansiedade de separação". Eu conheci esse termo lendo um dos livros da Tracy Hogg (A Encantadora de Bebês) alguns anos atrás e confesso que fiquei arrasada por ter falhado e deixado minha filha chegar nesse ponto. Justo eu que li e leio tanto, que procuro seguir uma rotina bem estruturada e ser uma mamãe pró-ativa?! Haha, pois é - apesar dos meus melhores esforços, às vezes eu não sigo meus próprios conselhos, rs. Mas isto acontece nas melhores famílias!!

A minha dificuldade é semelhante a que a Cristine compartilhou recentemente quando falou da importância de ensinar o filho - principalmente o segundo - a brincar sozinho (A importância de ensinar a brincar sozinho e Update - Ensinando o bebê a brincar sozinho). No nosso caso, acho que tantos dias fora de casa no último mês pioraram as coisas e daí, ao voltar, me deparei com uma criança que só queria colo, chorava quando eu saía do ambiente, enfim, não queria brincar ou ficar sozinha de jeito nenhum! Com muito esforço (aturando choro e estabelecendo novamente os horários), consegui reverter o quadro, ufa!

No processo tive dúvida se poderia ou deveria estar tentando algo diferente (além do que eu já estava fazendo) porque a gente sempre fica com receio do que os outros (os vizinhos, né!) vão pensar ao ouvir seu filho chorar alto direto por meia hora! De verdade, não estou exagerando: o primeiro dia foi duro! Ela passou o tempo todo do "Independent Playtime" chorando (quando deu os 30 min que eu estabeleci para este momento, eu entrei lá pra buscá-la), mas no segundo dia ela chorou apenas 10 min e brincou os outros 20 min (eu espiava de vez em quando pela janela). O terceiro dia já foi "quase" um sucesso, pois geralmente é eu colocá-la no cercadinho pra ela já começar a espernear (beeem brava e desesperada mesmo), mas neste dia não! Eu a coloquei sentadinha e ela ficou me olhando e chupando o dedo, a Nicky e eu demos tchauzinho pra ela e saímos fechando a porta do quarto. Ela não deu um pio, acredita?! Eu dei até pulinhos de alegria neste dia, rs. Depois que a Nicole foi pra escola e eu lavei a louça do café, espiei pela janela e ela estava brincando com o brinquedinho "na boa". Ameeei respirando aliviada! Passados quase 30 minutos, ela começou a dar gritinhos me chamando. Resisti à tentação de entrar (esperando dar o tempo) e alguns minutinhos depois entrei. Ela já tinha cansado de brincar (porque não desenvolveu esta capacidade de concentração como a Nicole que ficava 1 hora brincando 2x por dia!!) e tinha jogado quase tudo pra fora do cercadinho, hehe. Mesmo assim fiquei feliz e elogiei-a BASTANTE dizendo como eu estava orgulhosa que ela tinha ficado lá sem chorar!!

Bastaram alguns dias de estresse e muuuito chororô pra ela entender que a mamãe não cede - hora de brincar é hora de brincar e pronto. É assim que vai ser e ela PRECISA se acostumar (para o próprio bem dela). Não quero que ela aprenda que é só berrar muito para conseguir o que quer. Existe uma rotina que ela precisa aprender (hora certa para as coisas) e também há a forma apropriada de se expressar (linguagem de sinais) para ela não ter de ir por esse caminho do choro, da birra (chantagem) ou de manipulação para conseguir o que quer. Esses são hábitos que se desenvolvem na infância, quando as crianças ainda são bem pequenas! Algumas pessoas me acham radical ou podem pensar que seja falta de afeto da minha parte, mas posso garantir que não é! Eu sei o quanto eu amo minhas filhas e só faço o que faço porque penso não somente no que é melhor para elas hoje, mas também para TODA A FAMÍLIA no longo-prazo!!

Por fim, estamos perserverando nesta prática diária do "Independent Playtime". Estou aos poucos aumentando o tempo, já chegamos a 45 minutos que ela consegue brincar bem sozinha. E também estou tentando variar os locais onde coloco o cercadinho - às vezes, no quarto dela, às vezes na sala e às vezes no quintal para ela aproveitar e tomar um solzinho. Ela ainda reluta um pouco (pra ver se consegue que eu mude de ideia e porque não gosta de mudanças), mas eu fico firme. Também estou voltando a treinar com ela o "Blanket Time" (hora do tapete) e ela já entende muito bem o que tem de fazer, mas fica testando os limites para ver como reajo, rs. Acho incrível que nesta idade eles já sejam capazes disto!

Transições de Desenvolvimento e Mudanças na Rotina
- Descartamos a mamadeira poucos dias depois dela completar 1 ano e agora, como a irmã, ela toma leite no copão de transição. A transição foi super simples! Na primeira ou segunda vez, se não me falha a memória, ela "fez que não queria" e não bebeu tudo. Se não me engano, eu acho que até voltei para a mamadeira numa das primeiras tentativas porque ela parecia irritada, apesar disso eu procurava oferecer o leite sempre no copo primeiro. Até que ela aceitou e acostumou, sem maiores dificuldades.

- Vez ou outra, o Douglas ou eu colocamos a Alícia para sentar no vaso sanitário para ela ir acostumando com a sensação de fazer xixi/cocô lá. Como sabemos que ela normalmente faz cocô durante ou logo após o café da manhã, foi facil orquestrar "coincidências" e ela já fez cocô no vaso algumas vezes. Claro que fazemos a maior festa e aplaudimos muito todas as vezes. E estamos, de fato, felizes pois sabemos que este é o início do treinamento rumo ao desfraldamento! Numa outra oportunidade conto mais.

- Com a volta às aulas da Nicole, mudei o horário de almoço da Alícia para 12:00/12:15. Nas férias foi o contrário, era a Nicole quem almoçava no horário de costume da Alícia, às 10:00/10:15 (bem cedo!) já que ela não fazia o lanchinho às 9:00/9:15 como faz quando vai para a escola. Resolvi inverter porque acho importante que as duas almocem juntas, quero estabelecer uma tradição de bons momentos à mesa (ou no caso delas, no cadeirão!) durante as refeições. Outro fator é que a Alícia ama comer e o que estava acontecendo é que ela queria almoçar duas vezes porque ficava com vontade ao ver a Nicole comendo.

- No último post contei que estava dando leite em pó especial para a idade da Alícia (aquele com prebio1) para não correr o risco dela ficar com o intestino preso. Porém, mudei de ideia porque vida com duas filhas é muito corrida, rs. Então preferi optar pela praticidade: as duas tomam o mesmo leite que a família toda toma! Estava ficando complexo demais preparar leites diferentes toda vez e agora está muito melhor! Não houve problemas dela ficar com intestino preso, pois procuro dar a ela uma alimentação saudável.

- Uma curiosidade que gostaria de acrescentar neste item sobre as transições é que, apesar de nenhum dentinho ter despontado ainda, a Alícia ama escovar "os dentes" (leia-se gengivas!) no banho como a irmã faz. Tanto que dispensamos o uso do daquele dedal pra escovar gengiva e demos uma escova só pra ela, rs.

Mobilidade e Desenvolvimento Emocional
Por último, quero falar sobre mobilidade. Engraçado como a gente estimula "menos" (ou seria melhor dizer de forma diferente?) o segundo filho. Estou sentindo muito isso com a Alícia e muitas vezes me sinto culpada porque lembro como foi com a Nicole (um exagero, confesso!). Com a primeira filha eu estimulei e treinei exaustivamente uma infinidade de habilidades, dentre elas andar. Me deliciava com absolutamente tudo, cada novo aprendizado por mais bobo que fosse. E, por um lado, foi bom porque ela foi aprendendo tudo muito rápido (e, com isso, ganhando confiança também). A Alícia está indo mais no ritmo dela, inclusive no que diz respeito a andar e sentir confiança em fazê-lo.

Hoje ela já anda bem (para frente apenas, ainda não sabe virar / fazer curva), mas no começo ela sentia muita insegurança e resistia quando tentávamos "puxá-la" a fazer mais. Como todo bebê nesta fase, é claro, ela ficava eufórica quando alguém a pegava pela mão para ela caminhar, mas ai de quem a soltasse ou tentasse estimulá-la para que ela se equilibrasse sozinha! Ela não queria saber:  flexionava os joelhos e ia para o chão direto para engatinhar, ou então ficava brava mesmo e começava a chorar. Isto apesar de já ter provado que sabia andar (já ficava em pé e dava uns 10 passos sem apoio!); eu dizia que capacidade física para andar ela já tinha desenvolvido, agora faltava apenas a capacidade emocional, hehe.

Bem, por hoje é isso. Vou encerrar este post com um vídeo da Alícia se aventurando a andar sozinha e espero poder voltar em breve para contar mais sobre a rotina e o desenvolvimento dela!

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Hora de dormir!!

Hoje foi mais um dia daqueles! Uma correria total. Cheguei em casa, dei um banho rápido nas crianças (uma delas chorando o tempo todo) e coloquei um desenho para poder fazer a janta. Meu marido chegou e todos comemos. Ultimamente, é bem nesta hora que olho para meu marido com meu olhar que diz "acabou minha pilha...sua vez!" Às vezes ele reclama (afinal, também trabalhou o dia todo!), mas sempre me ajuda. Levou as crianças (4 e 2 anos) pra cima para escovar os dentinhos e colocar na cama.

Enquanto terminava de arrumar a cozinha, comecei a pensar no quanto amo que meus filhos vão dormir cedo. E comecei a ficar com muita dó de outras mamães cujos filhos vão dormir às 21:00, 22:00 e até mesmo 23:00! EU NÃO AGUENTARIA. Aliás, acho que nem teria tido coragem de ter mais um filho. Fiquei com vontade de escrever um post sobre isso novamente, porque sei que se tem algo com o qual temos que ser pró-ativas talvez mais do que qualquer coisa...é com isso!!

Eu sei que muitas mães não fazem por querer...se alguém tivesse avisado de que é possível (e importante!) ensinar horário de dormir, teriam feito! E não é assim com tudo na vida?? Se não aprendermos, não saberemos! Por isso gosto deste blog, porque podemos compartilhar e aprender umas com as outras a sermos pró-ativas e desempenhar nosso papel da melhor maneira possível! Eu sempre digo que para nos tornarmos médicos, psicólogos, arquitetos, professores, etc...estudamos 3, 4, ou 5 anos (ou até mais). Mas para termos FILHOS, que são seres humanos que Deus nos presenteou para cuidarmos, ensinarmos e guiarmos, muitas vezes nem sequer lemos UM livro! Tem algo errado nisso, né?

Enfim...mamães, horário de dormir (assim como de comer, etc....) é você, adulto, que ensina ao seu bebê. Quando o seu bebê está na barriga, ele não tem horário para nada...ele recebe alimento o tempo todo e ele dorme praticamente o tempo todo. Quando o bebê nasce, cabe a nós, adultos que já vivemos num mundo de horários, ensinar o tempo a eles. Por isso o livro Nana Nenê encoraja a rotina de amamentar a cada 3 horas. Aos poucos o bebê vai se acostumando com a rotina e o seu sono, por consequência, também vai cair numa rotina. O livro da Encantadora de Bebês também ensina uma rotina para seguir antes do bebê dormir, para que ele perceba que sempre após esta rotina é hora do sono - dar banho, enrolar na mantinha, cantar uma musiquinha, colocar no berço...etc...seja o que for! Os bebês precisam de rotina, isso dá a eles segurança e minimiza a quantidade de choro (porque se acostumam com os horários e não precisam ficar chorando para nos dizer o que querem). O corpo do seu bebê vai se acostumar com os horários que você estabelecer.

Não estou dizendo que com todos os bebês é fácil. Até porque com meu primeiro filho, o Tiago, não foi tão fácil estabelecer a rotina, e só consegui depois do terceiro mês. Mas não consigo imaginar quantos meses a mais teria demorado se eu não tivesse persistido em ensinar a ele os horários das mamadas. Teria ficado louca amamentando a cada 2 horas!!

Enquanto você acostuma seu bebê com uma rotina de mamar cada 3 horas (mais ou menos), você vai ensinando-o que tem hora de dormir também. O livro Nana Nenê e o livro da Encantadora de Bebês encorajam os pais a terem uma rotina de primeiro amamentar, depois ter um tempinho acordado, e então cochilar. Isso  ajuda o bebê a não depender do peito da mãe (ou mamadeira) para pegar no sono. Nem sempre isso é possível no começo, mas assim que o bebê conseguir ficar um tempinho acordado, tente fazer com que seja depois do mamar (até porque é melhor para sua digestão). Quando ele começar a bocejar ou chorar e demonstrar sinais de sono, coloque o bebê no berço. Sim, NO BERÇO. É o melhor hábito que você pode ensinar a ele ou ela. É muito mais fácil ensinar o bebê a dormir no berço logo no começo do que depois quando já tiver um ano e estiver acostumado a dormir no seu colo! Faça isso cedo pensando no alívio que será mais pra frente quando o mundo ficar muito interessante para o seu bebê querer dormir, e ele ficar resistindo ao sono enquanto você balança ele ou ela durante 1 hora. Comece como você quer terminar. Não pense que vai conseguir quebrar hábitos facilmente quando o bebê for maior. Será mais difícil.

Temos outros posts aqui sobre a rotina e sobre como ensinar o bebê a dormir sozinho (seja qual for a idade do bebê). Se você procurar nos marcadores ao lado, vai encontar bastante coisa sobre o assunto! Também temos uma lista de livro que recomendamos sobre o assunto no menu ao lado.

Seus filhos vão agradecer mais tarde!! Afinal, criança que dorme cedo e dorme bem é OUTRA criança. Menos choro, menos birra e mais saúde! E o seu casamento também vai agradecer! Poder colocar os filhos para dormir às 20:00 e sentar no sofá com o marido para um filminho não tem preço! Seus filhos vão ser mais felizes porque têm um papai e mamãe que se amam, e uma mamãe que não está ficando louca de tão cansada! (rsrs)

Hoje vejo como o esforço valeu a pena. Ambos os nossos filhos vão dormir às 19:30. Simplesmente colocamos eles na cama, oramos e falamos "boa noite". Fechamos a porta e pronto. Silêncio. Eles sabem desde bebês que dormir tem horário. Mesmo que não estejam com sono por qualquer razão sabem que é hora de ficar na cama. Limites somos nós que ensinamos. Eles não nascem sabendo.

Espero ter ajudado alguma mamãe!

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Update - Ensinando o bebê a brincar sozinho

Olá mamães!

No último post que escrevi (veja aqui), falei sobre a necessidade de se ensinar o bebê a ter um tempo de brincar sozinho. Falei que estava vendo que precisava colocar isso em prática com a Larissa, pois não havia visto necessidade já que o irmão mais velho estava sempre a distraindo. Porém, assim que o irmão começou a ir pra escola percebi que errei em não ensiná-la a ter o tempinho dela, pois estava exigindo atenção nossa 100% do tempo, chorando sempre que não déssemos atenção total a ela. Falei que ia começar a colocar em prática o "tempo silencioso" como meu mais velho já tem - um tempo para brincar sozinho no quarto, e voltaria aqui para dar um update!

Então, aqui está o update! A Larissa tem sido um bebê bem fácil de ensinar, graças a Deus! Depois de insistir algumas vezes que aquele era o tempo dela brincar no quarto dela, e do Tiago brincar no quarto dele, ela começou a aceitar e ficar no quarto. Isso a ajudou muito a explorar melhor os brinquedos do quarto e usar a imaginação. Também acabou ensinando pra ela o que queríamos ensinar, que brincar sozinho também é gostoso! Não precisei fazer isso todos os dias, mas alguns dias da semana ao invés de colocá-la na cama para tirar a soneca, coloquei-a no quarto e falei que era o tempo silencioso dela, igual a do Tiago. Depois de uns 15 a 20 minutos falava que agora era hora da soneca e pedia pra ela subir na cama pra "nanar". Ela sobe, coloca a chupeta, pega o ursinho e dorme!! (Como é bom ensinar o bebê a dormir sozinho!!)

Então agora sempre que ela dorme no carro aqueles 5 minutinhos malditos que faz a energia deles voltarem a 100% (rsrs), coloco-a para ter tempo de brincar sozinha no quarto. Às vezes vejo que ela fica com sono e vai pra caminha e dorme. De qualquer forma, é um tempo para a mamãe aqui conseguir respirar fundo e ter uns minutinhos de silêncio!

Com a Larissa não preciso ser constante nisso, posso fazer alguns dias que ela não reclama. Mas com o Tiago já é bem diferente. Tudo tem de ser muito constante e previsível, se não, ele reclama e faz manha. O tempo silencioso dele tem de ser TODO DIA (nem que seja 10 minutos só pra ele sentir que teve) porque se deixo ele pular um dia, no próximo ele lembra e fica reclamando na hora de ir. Acho que quem tem filho de 4 anos entende, né? Eles lembram muito bem das nossas permissões passadas!

Mas não me entenda mal...ele gosta deste tempo dele. Ele brinca com os brinquedos do quarto, às vezes deixo-o assistir a um filminho e às vezes chega até a deitar na cama e dormir (que nem hoje!). Esse tempo é muito importante para minha saúde mental também! (rsrs)

Então agora todos aqui temos tempo brincando juntos, brincando na rua com amigos, brincando com irmão e irmã e brincando sozinho também! Acho que é saudável a criança saber estar sozinha, explorar os brinquedos e usar a imaginação!

Espero ter ajudado a dar algumas ideias pró-ativas, quanto mais cedo começar a ensinar, melhor! Aliás, isso tudo foi só mais uma prova do que o livro Nana Nenê ensina: tudo é uma questão de ensino. Ensine hoje para o seu bebê e você colherá os frutos amanhã! Claro que isso exige paciência, determinação e sacrifícios da nossa parte, mas os frutos valerão a pena!

"Instrua a criança segundo os objetivos que você tem para ela, e mesmo com o passar dos anos não se desviará deles." Provérbios 22:6

Até a próxima! :)




terça-feira, 17 de julho de 2012

Pastoreando o coração - Parte 7 - Adolescência


Depois de quase 4 meses, aqui estou eu para fazer o último post desta série de 7 etapas sobre o livro "Pastoreando o Coração da Criança" do autor Tedd Tripp. Para ler os seis posts anteriores, clique nos links a seguir: Fundamentos, Objetivos e Métodos, Comunicação, Vara e Consciência, Da infância à pré-escolaDa escola à pré-adolescência.

Os últimos dois capítulos do livro falam sobre a fase da adolescência (que é a partir dos 13 anos).

Capítulos 18 e 19 - Adolescência

PRINCIPAIS BASES BÍBLICAS APRESENTADAS:
Provérbios 1:7-19
Três bases para a vida: o temor do Senhor (v. 7), a aceitação da instrução dos pais (v. 8, 9) e o afastar-se dos ímpios (v. 10-19).
Provérbios 1:7
– O temor do Senhor é o princípio do saber, mas os loucos desprezam a sabedoria e o ensino.
Provérbios 1:8-9
– Filho meu, ouve o ensino de teu pai e não deixes a instrução de tua mãe. Porque serão diadema de graça para a tua cabeça e colares para o teu pescoço.
Provérbios 1:10
– Filho meu, se os pecadores querem seduzir-te, não o consintas.
Provérbios 16:21
– O sábio de coração é chamado prudente, e a doçura no falar aumenta o saber.
Provérbios 16:23
– O coração do sábio é mestre de sua boca e aumenta a persuasão nos seus lábios.
Provérbios 16:24
– Palavras agradáveis são como favo de mel: doces para a alma e medicina para o corpo.
Gênesis 2:24
Lembra-nos de que o relacionamento pai-filho é temporário, o relacionamento marido-mulher é permanente.

Neste capítulo, Tripp nos lembra que é comum o adolescente sentir-se inseguro sobre como agir. Nesta fase, ele está procurando sua identidade independente, sua individualidade. A rebeldia na adolescência, nos alerta Tripp, às vezes é a expressão de ira que sentiu quando o filho sofreu as indignidades da repreensão pública na infância. A explicação é que sendo muito novos e totalmente dependentes dos pais, os filhos não têm condições de rebelar-se abertamente, porém ao imaginarem que já têm a capacidade de viverem por si, sem a ajuda dos pais, começam a expressar sua rebeldia. O autor nos lembra também que um adolescente busca companhia rebelde por ser rebelde; ele não se torna rebelde por causa da companhia que tem.

Objetivos de treinamento
O autor propõe três bases para a vida conforme a passagem de Provérbios 1:7-19 para o treinamento dos filhos adolescentes. Veja os principais pontos e a aplicação para cada base.

1. Temor do Senhor (v. 7)
Faça questão de ler todos os profetas maiores e menores com seus filhos durante a adolescência. Isso o confronta com o Deus santo, tremendo e disposto a chamar Seu povo à prestação de contas. Torne seus filhos conscientes de que a terça parte da Bíblia tem o juízo como tema principal.

Com frequência, a maneira mais eficaz de ensinar é compartilhar nossa própria experiência. Por exemplo, o que nos move: a pressão dos colegas (o temor do homem) ou o temor de Deus?

2. Aceitação da instrução dos pais (v. 8 e 9)
Os filhos serão enriquecidos e grandemente abençoados por aderirem aos valores e instrução dos pais. Lembre-se de que seu relacionamento com seus filhos precisa ser honesto. Jamais dê um conselho que se adapta à sua conveniência ou que lhe poupa embaraços ou vergonha. Sejam pais que demonstrem não estarem usando-os de maneira alguma.

O contexto para a instrução é o ambiente comum da vida diária (Deuteronômio 6). Você não precisa ser perfeito, apenas precisa ser uma pessoa de integridade que vive na rica e consistente verdade da Palavra de Deus.

O culto familiar precisa fazer conexão entre a verdade bíblica e as questões da vida.

3. Afastar-se dos ímpios (v. 10)
Atente para a sedução do "pertencer", do companheirismo, que é a necessidade humana de compartilhar mutualidade com os outros. Saiba que os jovens não fogem dos lugares onde são amados e experimentam aceitação incondicional. Eles não fogem de lares em que a família está planejando atividades e fazendo coisas emocionantes juntos.

Conclusão:
Tripp ensina que quando estas três bases para a vida estão presentes e fazem parte dos objetivos de treinamento que temos para o nosso filho adolescente, podemos esperar que o favor do Senhor repousará sobre os nossos esforços. Ele nos lembra que a internalização do Evangelho demanda a obra do Espírito Santo em nossos filhos. Trabalhamos na esperança e de que Deus honra sua aliança e age através dos Seus meios. Podemos batalhar na expectativa de que o Evangelho é poderoso. A internalização ocorrerá   quando nossos filhos chegarem à maturidade como pessoas que conhecem e adoram a Deus.

Muitos pais desesperadamente procuram alguma promessa da Bíblia assegurando-lhes que seus filhos possuirão fé. Tripp não acredita que esta promessa se encontra na Palavra de Deus, mas afirma que temos bons motivos para nutrirmos esperança como pais que desejam ver seus filhos possuírem fé. A esperança é o poder do Evangelho! Ele ressalta ainda que Deus já mostrou grande misericórdia para com nossos filhos, colocando-os em um lar de abundantes privilégios, um lar onde ouviram Sua verdade. Nossa expectativa e oração constante é que o Evangelho lhes sobrepujará a resistência, assim como o fez em nós.

Procedimentos de treinamento
Tripp diz estar convencido haverem poucos momentos em que um pai tem de exigir que seus adolescentes façam ou não façam algo. Ele acredita que os pais que todos os dias estão fazendo exigências e requisições não estão praticando princípios bíblicos.

Ele lembra também que certamente haverá momentos de dúvida e indagações na vida de qualquer jovem, inclusive os que foram criados em um lar cristão. Isso é natural pois parte da internalização do Evangelho é tornar-se consciente da própria fé.  Todo jovem passa por um período em que examina detalhadamente as reinvidicações da fé cristã e tem de lutar com a dúvida de se crê por sim mesmo ou foi induzido pela família - passará por tempos em que questionará a validade das Escrituras. Tripp aconselha que os pais incentivem seu filho a não fugir destas perguntas uma vez que ele crê que a fé cristã é suficientemente robusta para suportar o esquadrinhamento.

Todo pai precisa se lembrar que palavras agradáveis promovem instrução (Prov 16:21, 24) e saber que, no relacionamento adulto, é possível discordarmos uns dos outros e permanecermos amigos. Tripp alerta para não desperdiçarmos nossa influência em coisas sem importância e aponta que os adolescentes não precisam ser cópias dos pais para serem santos! Ele nos instiga a abandonar o desejo de transformar nossos filhos adolescentes naquilo queremos que eles sejam. Segundo ele, nosso papel é ajudá-los a fazerem escolhas que lhes trarão sucesso no que eles pretendem ser.

Por fim, precisamos lembrar que o relacionamento pai-filho é temporário, mas o relacionamento marido-mulher é permanente. A tarefa de ser pai ou mãe chega ao fim. Devemos confiá-los a Deus. Tripp finaliza dizendo que o que eles se tornarão dependerá também da natureza do compromisso deles para com Deus.

sábado, 14 de julho de 2012

A desvalorização da maternidade e o inverno demográfico - existe uma relação?


Cerca de 2 meses atrás, assisti a um documentário de 2008 chamado Inverno Demográfico - o declínio da família humana. Ele me deixou perplexa e me fez refletir sobre alguns dos impactos negativos que os avanços do feminismo e a constante desvalorização da maternidade em nossa sociedade (em detrimento de outras carreiras consideradas superiores) têm sobre todos nós - mulheres e homens. Não quero atacar os movimentos feministas em si e nem ignorar as conquistas positivas que eles nos trouxeram, mas hoje quero falar um pouco sobre o que este filme em particular trata - resumindo os pontos-chaves - e compartilhar brevemente a minha própria opinião e experiência sobre este tão delicado assunto em nossa sociedade.

No documentário, peritos e acadêmicos de diferentes países e diversas áreas de estudo - dentre eles demógrafos, sociólogos, economistas, parlamentares, psicólogos, para citar alguns - apresentam e alertam para um fenômeno conhecido como "inverno demográfico", que é a sensível queda na taxa de natalidade e consequente envelhecimento da população de determinados países.

Esse fenômeno é o resultado da combinação de uma série de fatores (que sintetizo logo abaixo) e o paradoxo é que, paralelamente a tecnologia e conhecimento da medicina terem avançado a passos largos e aumentado em muitos anos a expectativa de vida da população, cada vez mais a taxa de natalidade desses países ricos decresce e a população envelhece. Dentre eles estão muitos países da Europa, o Japão e até os Estados Unidos, para citar apenas alguns. O filme não fala especificamente sobre o Brasil, mas eu vejo que com os avanços econômicos dos últimos anos estamos nitidamente caminhando na mesma direção. Inclusive, depois que assistimos ao documentário, meu marido foi consultar o site do IBGE e ficou surpreso ao ver as estatísticas - a figura abaixo ele publicou no facebook. Notem como de 30 anos para cá, a população de 0 a 14 anos diminui e continua diminuindo.

Acompanhe as linhas do ibge de 0 a 15 anos, todas elas estão descendo! Isso significa que a população está aumentando, mas não porque nasce muita gente é porque estamos morrendo mais tarde.
Adam Smith, o pai da economia moderna que viveu no século 18, já associava crescimento populacional à prosperidade e declínio populacional à depressão. No entanto, o que se observa na atualidade é que com maior prosperidade, as pessoas tendem a ter menos filhos. Curioso, não? O resultado é que quando, ano após ano, a taxa de natalidade de um país fica inferior à taxa de reposição populacional (que é 2,1 filhos por mulher), a população não é reposta e o país regride economicamente em vez de crescer.

Dentre as muitas preocupações, a mais fácil de se compreender é que com uma população envelhecida, vivendo anos e anos sem trabalhar e usufruindo do benefício da aposentadoria - uma vez que a expectativa de vida só tem crescido - como ficará a situação da nova geração de jovens economicamente ativos que terá de trabalhar para pagar os impostos necessários para manter o sistema funcionando? A bomba da previdência e custos com a saúde é apenas um dos aspectos alarmantes do fenômeno do "inverno demográfico", outro é a forma como as crianças de hoje estão sendo educadas (sem a presença dos pais e, sobretudo, da mãe que passa o dia todo fora de casa) e como isso afeta não somente seu desenvolvimento emocional e cognitivo como também seu comportamento ao longo da vida.

Além de apresentar as terríveis consequências do "inverno demográfico", o filme se propõe a analisar o que considera as 5 principais causas deste fenômeno. E é nelas que desejo focar.

Veja quais são:

AS CAUSAS DO INVERNO DEMOGRÁFICO

1. Mulheres no mercado de trabalho.
Crescente valor do tempo de mães instruídas e que trabalham fora. Quanto mais bem sucedidas as mulheres se tornam no mercado de trabalho antes de terem filhos, mais altos os custos para abrirem mão dele quando têm filhos. Nos EUA, por exemplo, as mulheres terem um nível educacional maior do que os homens já é uma realidade.

2. Maior prosperidade.
Há mais dinheiro para ser gasto, é verdade, mas há também maiores aspirações na vida. Como sociedade desejamos mais bens e serviços para nós mesmos e também para os nossos filhos. Ter maior poder aquisitivo não significa apenas que podemos comprar mais com o nosso dinheiro, mas que preferimos nos isolar em vez de viver em grupo (comunidade). Por isso um pensamento muito comum entre casais jovens de hoje em dia é ter menos filhos para poder investir mais (financeiramente) na vida de cada um deles.

3. Revolução sexual.
Estudiosos concordam que a revolução sexual foi o evento mais marcante do século 20 e da história moderna. Com os direitos iguais entre homem e mulher e o controle da natalidade, não foi somente o comportamento das pessoas que mudou, a família também mudou... enfim, o mundo todo mudou! E mudou de forma tão profunda que afetou drasticamente as escolhas que as pessoas fazem com relação a sexo, casamento, filhos e trabalho. Um impacto dessa mudança de comportamento, por exemplo, é que o uso da pílula anticoncepcional diminuiu em 70% a gravidez indesejada entre mulheres casadas. Outro impacto - pouco discutido atualmente, inclusive - é o número crescente de casais amasiados (pessoas que moram juntas mas que não são casadas). Casais que moram junto tendem a ter menos filhos do que casais casados no papel - e essa experiência também retarda a idade em que as pessoas se casam pra ter filhos. Uma das maiores causas para a baixa fertilidade de um país é as pessoas terem filhos cada vez mais velhas.

4. Reforma na lei dos divórcios.
Pesquisas sugerem que a reforma nas leis concernentes ao divórcio resultou num aumento de cerca de 20% de divórcios nos EUA. O risco de que o casamento se desfaça de uma hora para outra (sem um motivo real já que a nova lei facilita a separação) diminui as chances do casal de ter outro filho uma vez que nem o marido ou a esposa tem qualquer garantia de que o cônjuge permanecerá no lar no ano seguinte.

5. Suposições incorretas.
Previsões alarmantes de superpopulação na década de 1970 em que se perguntava se haveria falta de comida no planeta para alimentar uma população que no último século havia quadruplicado. No maior período de crescimento populacional na história humana, a comida se tornou mais barata e abundante. O preço (ajustado internacionalmente) do arroz, trigo e milho caiu em cerca de 70% durante esse período. Essas concepções falsas foram popularizadas por pessoas que não entendiam de demografia.

Conclusão:
Enquanto sociedade, não gostamos de falar sobre as causas do "inverno demográfico" porque não queremos ofender ninguém. Certamente nenhuma dessas causas pode ser contornada facilmente, porém elas apontam para o que somos e o que nos tornamos nesse período pós-moderno!



 MINHA REFLEXÃO SOBRE A DESVALORIZAÇÃO DA MATERNIDADE

Quando me tornei mãe, muitos dos meus pensamentos com relação à maternidade mudaram radicalmente. Este processo foi e ainda é doloroso porque romper com o que é tão fortemente valorizado pela sociedade (e por você mesmo) está longe de ser algo simples. A gente rema contra a maré e recebe muitas críticas (a maioria velada), mas não julgo ninguém por isso porque alguns anos atrás eu mesmo pensava exatamente igual! Quando ouvia dizer de alguma mulher que havia largado o emprego pra ficar em casa criando os filhos, no meu íntimo julgava-a como sendo fraca e completamente retrógrada, imaginando que um dia ela se arrependeria - afinal, como a gente ouve tanto, "a gente se sacrifica pelos filhos, mas eles não dão valor". E vejo hoje como isso é e foi resultado daquilo reforçado pela sociedade o tempo todo de muitas e variadas formas - dentre elas, exemplos de pessoas reais, de pessoas fictícias, de comentários que a gente ouve por aí, daquilo que é idealizado nas propagandas de TV, nos filmes, enfim, são inúmeros os meios. Para ilustrar com um caso real, recentemente ouvi uma pessoa que pretende casar dizer a seguinte frase sobre a futura noiva e os filhos que um dia terão: "Não, coitada, quero que ela trabalhe sim. Já pensou fulana ficar o dia todo presa dentro de casa cuidando de criança?".

Somos bombardeadas com mensagens que insinuam que uma mulher só é bem sucedida se for reconhecida profissionalmente. E como maternidade não é uma profissão, bem... então o jeito é ter pelo menos um filho para se realizar como pessoa (porque há toda uma aura em cima disso também) e depois pagar alguém para cuidar dele pra nós (não sem ser aterrorizada por culpa, é verdade). E, assim, terceirizamos a educação dos nossos bens mais preciosos porque acreditamos que, sendo muito mais capacitadas do que os homens (e nos orgulhamos disso), nós mulheres precisamos sair pra realizar outras conquistas "maiores e melhores".

Tudo bem, posso estar exagerando, sei que não é todo mundo que pensa assim - pelo menos não conscientemente - e sei também que muitas mulheres não têm opção e precisam trabalhar para sustentar ou complementar a renda em casa. Mas a verdade inegável e o meu ponto principal é que em nossa sociedade pós-moderna a maternidade está cada vez menos valorizada. E o resultado disso é desastroso!
Por favor, antes que você fique brava comigo, entenda que não estou dizendo que sou contra a mulher estudar ou trabalhar fora, está bem? Muito pelo contrário - acho importante e muito válido que a mulher faça faculdade, trabalhe, mesmo porque para ela ser uma boa mãe acredito que ela precisa ser uma ótima profissional e, claro, uma pessoa esclarecida! Caso contrário, como ela administrará bem a própria casa?

Aliás, há uma outra propaganda negativa muito forte que na minha opinião depõe contra a maternidade. Os casos de mulheres que ficam em casa com os filhos geralmente não são nada encorajadores. Normalmente, a gente imagina uma mulher acima do peso, totalmente descabelada, com as unhas feias, mal-vestida, na maioria das vezes desinformada ou alienada, e estressada que grita o dia todo com os filhos. Na boa... quem se inspira com um modelo de mãe assim? Eu prefiro a mãe em forma, vestida de terninho, criativa, com unhas impecáveis, maquiagem e cabelo penteado que a gente vê nas cenas de filme! Haha! Você não? Mas eu acredito que esses modelos estão equivocados e por isso este blog existe - para servir de inspiração para outras mamães que entendem que seu papel é muito mais do que apenas dar à luz aos filhos. E para que elas saibam que podem priorizar a família (como Deus quer) sem deixar de lado outros papeis na vida.

A maternidade não precisa ser um martírio. Educar os próprios filhos é uma bênção de valor e resultados INCALCULÁVEIS! Antes de ter filhos, eu acreditava que nunca seria como as mulheres que largam a carreira para ficar com o filho em casa. Mas quando chegou a minha vez, engoli meu próprio orgulho e admiti que eu não poderia deixar para outro fazer o que é minha responsabilidade: educar minha filha. Como mãe de um recém-nascido, a gente enfrenta muita culpa e sentimentos ambíguos sobre o que é mais importante para o nosso filho e família naquele momento. Penso que não somos suficientemente preparadas para a maternidade, infelizmente. Aliás, somos induzidas a pensar que "ser mãe" é apenas mais uma das muitas realizações pessoais que devemos buscar para sermos pessoas felizes, completas e bem-sucedidas. 

Hoje eu não acredito que este seja o propósito final da maternidade. Acho que ser mãe apenas para se realizar pessoalmente, sem entender o propósito de Deus para a família, é errar o alvo.

Sabia que o impacto que você faz na vida do seu filho - seja ele positivo ou negativo - vai perdurar por muitas e muitas gerações, alcançando pessoas da sua descendência (mas não somente elas) quando você não mais existir? Uau, seus filhos fazem parte do seu legado! Eles são o seu bem mais precioso. E como mulher você tem o dom de gerar, mas não somente isso, tem o dom e o chamado de educá-los para a vida, de ensiná-los no caminho em que devem andar, de pastorear seus corações, de apontá-los para Cristo e de, como flechas na mão do guerreiro (Salmo 127:4), enviá-los para cumprir a missão de Deus para eles nesta Terra. Claro que tudo isso com apoio e ajuda do maridão e também com uma boa dose de conhecimento. Há tantos livros e materiais recheados de conteúdos práticos e relevantes para quem quer alcançar o coração dos filhos, estabelecer uma rotina saudável no lar, ajudá-los a desenvolver suas capacidades inatas e educar à maneira de Deus! É só pesquisar um pouquinho que você encontra muita coisa boa.

O fato é que os primeiros anos de vida são os mais importantes para a formação do caráter de uma pessoa e também é o período em que se formam os laços afetivos mais fortes dela. Eu temo pela atual e futuras gerações de crianças criadas em creches e escolas de período integral. Que mensagens elas recebem? Que visão de mundo elas terão? Que valores serão impregnados em suas mentes e corações?


Sei que Deus pode restaurar e curar tudo no futuro, mas isso não nos exime da nossa responsabilidade como mães que entendem que seu primeiro ministério e carreira é para ser exercido dentro do lar. Criar os filhos é por um tempo determinado - tem começo, meio e fim. E os anos que se passam não voltam mais. Depois de criados, quando os filhos deixam de ser crianças e chegam à vida adulta, seu poder de influência diminuirá e eles viverão suas próprias vidas.

Aceitar o desafio de ter filhos e de educá-los conforme os princípios da Palavra de Deus é uma questão de FÉ porque transcende as condições financeiras do casal. Eu imagino que um dos motivos pelos quais casais parem depois do primeiro filho, ou do segundo, ou mesmo nem querem ter filho algum, é não estarem dispostos a abrir mão do conforto material e padrão de vida que alcançaram a sós. Parecem não acreditar no que diz Salmo 127:3 que promete que "os filhos são herança do Senhor, uma recompensa que ele dá". Esse conceito eu ouvi recentemente do pastor de minha igreja e de sua esposa que disseram: "Ultimamente ter filhos é a única bênção que Deus promete dar e que muitos cristãos não querem receber".

Meu marido e eu já sentimos bem esta pressão. Desde o namoro e primeiros anos de casamento sentíamos o desejo de formar uma família grande, com quatro filhos. E toda vez que compartilhávamos essa vontade com alguma pessoa, a piada invariavelmente era algo do tipo: "O quê, vocês são loucos?! Ter tudo isso de filho na época em que vivemos?" ou então "Ah, tá bom... quero só ver. Depois que vocês tiverem o primeiro, a gente volta a conversar". Como casei bem nova (aos 20 anos), me dei ao luxo de esperar bastante antes de começar a ter filhos. Então, aos 27 anos, nasceu a Nicole. E apesar da gestação difícil (9 meses de enjoos e mal-estar) permanecemos firmes no propósito e chamado que acreditávamos que era de Deus, planejando assim a segunda gravidez para logo depois que nossa primogênita completou um ano.

A gestação da Alícia foi igualmente difícil - nove longos e torturantes meses que resultou num parto natural traumatizante. Pra falar a verdade, é algo que eu e nem o meu esposo gostamos de nos lembrar! A diferença foi que da segunda vez, além de ter de aguentar o mal-estar constante (com direito a vômito, azia, fortes dores lombares e hipertensão gestacional), eu ainda tinha uma pequena para cuidar. Foi duro e esta segunda experiência nos fez fraquejar. Depois do nascimento da Alícia, não foram poucas as vezes que meu marido falou de fazer vasectomia para não corrermos qualquer risco de engravidarmos novamente. Ter mais um filho e passar por tudo aquilo novamente (agora com duas pequenas) para ele era algo impensável. E pra mim também. Mas eu pensava: E o nosso sonho de ter quatro filhos? Iríamos simplesmente abrir mão dele e dizer a Deus  "Não, obrigado, não quero esta bênção. Pode passá-la para outro"? Ou ainda, o que dizer da missão que Ele nos deu como casal de formar uma família grande, forte e segundo o coração de Deus - poderíamos simplesmente abdicar dela?

Ainda não sabemos o que acontecerá, mas estamos abertos para Deus nos conduzir e mostrar como Ele quer nos usar para o Seu Reino. Não pensamos em engravidar tão cedo, mas estamos abertos à adoção e, como li num blog de uma mãe adotiva, à "gestação cardíaca" (amei este conceito). Quem sabe Deus nos dê dois irmãozinhos para cuidar daqui a alguns anos? Não sei, é apenas especulação no momento, até porque não temos condição financeira para isso! Ainda mais que pelos próximos 18 a 24 meses eu abri mão do meu trabalho (que corresponde a 50% da nossa atual renda) para poder voltar a estudar e concluir minha faculdade - uma questão de honra! Foi uma decisão difícil, mas acredito que necessária. Não poderia tentar fazer as três coisas e acabar sacrificando o tempo que dedico às meninas, ainda mais nesta fase em que elas estão (Nicole - quase 3 anos, Alícia - quase 1 ano e 1 mês). Sei que independente do caminho pelo qual Deus escolher nos conduzir, Ele irá prover com todo o necessário para realizarmos a missão que Ele colocar em nosso coração - tanto o querer quanto o realizar (Filipenses 2:13).

O curioso é que este conceito de que ter filhos é uma questão de FÉ vai ao encontro do que um dos especialistas do documentário afirma. Em sua opinião, o "inverno demográfico" provavelmente não leve a população humana à extinção porque, de fato, ainda há muitas crianças nascendo. Porém, ele diz, esse número de crianças que nascem é desproporcionalmente maior entre pessoas de fé. Na análise dele (um acadêmico não-religioso, que fique bem claro), isso é verdade seja entre judeus ortodoxos, cristãos fundamentalistas ou muçulmanos fundamentalistas porque em todo o mundo o que se vê é que essas pessoas têm famílias maiores do que seus pares não-religiosos!

Percebe como ter ou não filhos é uma questão muito mais profunda?!