Faz pouco mais de 2,5 anos que eu iniciei a minha jornada de aprendizado sobre homeschooling e quase dois que eu comecei a intencionalmente praticá-lo com as minhas filhas. A caçula tinha acabado de completar 1 ano quando eu pedi demissão da empresa, em julho de 2012, e seis meses depois, ao fim do ano letivo, depois de orar a respeito e conversar com o marido, decidimos tirar a mais velha (na época com quase 3 anos e meio) da escola que ela frequentava em regime de meio-período para experimentar a educação domiciliar.
O que a princípio seria uma experiência de um ano já viraram dois e nós seguimos animados diante das possibilidades que o homeschooling nos traz como família. No post de hoje elegi o que, para nós, representam os 5 pontos mais altos dessa prática na intenção de inspirar mamães, papais e educadores curiosos que estão pesquisando sobre o assunto!
1. POR UMA MAIOR FLEXIBILIDADE NA ROTINA
Nesses dois anos de prática e aprendizado, devido às circunstâncias em que nos encontrávamos, meu marido e eu dividimos a responsabilidade, alternando quem ficava incumbido de conduzir as atividades de ensino em casa. E este é justamente um dos grandes benefícios inerentes à prática da educação domiciliar: a possibilidade de flexibilidade na rotina familiar. Não estamos presos a um calendário escolar, tampouco a uma localização geográfica. As nossas férias não precisam ser na época mais cara do ano para se viajar. O homeschooling nos traz a possibilidade de viver com mais liberdade, de aproveitar oportunidades e de efetivamente perseguir os nossos sonhos.
Vejam como foi o nosso caso nesse período de dois anos:
Nos primeiros 8 meses, eu ficava em casa o dia todo com as meninas e ia para a faculdade à noite enquanto meu marido trabalhava fora. Nos 5 meses seguintes, nos mudamos para o Canadá e, como eu precisava estudar em período integral, ele ficou em casa ensinando as meninas. Durante os 3 meses seguintes tivemos uma fase um pouco diferente já que elas frequentaram uma creche de Montreal em meio-período; o motivo é que meu marido havia conseguido um emprego e as minhas aulas na universidade ainda não tinham acabado. Em seguida, passamos os últimos 3 meses lá curtindo o verão canadense - eu em casa com as meninas enquanto meu marido estava trabalhando fora. Extremamente feliz porque era o que eu queria fazer, pude novamente me dedicar a ensiná-las - nessa época, inclusive, aproveitei para comprar o kit de Pre-Kindergarten do Sonlight.
Quando voltamos para o Brasil, há exatos três meses, retomei meus estudos e estágios para terminar a licenciatura em Pedagogia e, por isso, meu marido novamente assumiu as funções de homeschool. No momento finalizei meu estágio (pelo menos o deste semestre, no próximo tem mais!) e estou em casa boa parte do tempo, indo para as aulas somente 1x por semana. Assim, pretendo aproveitar para colocar em dia algumas leituras e atividades com as meninas, me envolver mais com a comunidade de homeschoolers da minha região e, quem sabe também, eu consiga escrever mais no blog!
2. POR UM ESTILO DE VIDA MENOS COMPLICADO
Para nós fazer homeschooling é mais do que praticar uma modalidade alternativa de ensino que opta pelo lar em vez da escola. Vemos-a também como a opção por um estilo de vida mais simples, um jeito diferente de encarar a vida e de ser feliz com menos, sem os excessos que nos dão uma falsa sensação de preenchimento. E isso porque um dos benefícios que essa opção nos traz é que ela expõe menos a nossa família (principalmente as crianças) a pressões externas de como se vestir, o que comprar, que lugares frequentar, o que assistir... enfim, a padrões pré-estabelecidos de consumo, das últimas tendências da moda, do mundo do entretenimento, etc. Claro que essa pressão ainda existe em outros círculos de amizades, mas tende a ser menor se a frequência de contato não for diária. Se, por um lado, fazer homeschooling para muitas famílias exige um padrão de vida mais humilde porque a renda familiar cai (já que um dos cônjuges precisa parar de trabalhar ou diminuir consideravelmente sua carga horária de trabalho), há de se pensar que, por outro também, economiza-se nas altas mensalidades e outros custos com taxas escolares, materiais, uniformes e alimentação fora de casa. :)
Além disso, a educação domiciliar também propicia um estilo de vida que nos impulsiona para fora da caixa e dos limites que muitas vezes poluem nossa imaginação e cegam nossa perspectiva para o futuro, um estilo de vida que prioriza um viver mais fluido, menos rígido e compartimentalizado por compromissos diários que sobrecarregam a nossa alma e nos fazem desejar ardentemente que o final de semana (ou do ano!) chegue logo. Para a nossa família hoje não existe essencialmente nada que diferencie uma quarta-feira de um sábado, ou um mês de outro. Os ciclos e dias nunca são iguais. Por mais que tenhamos um currículo como referencial e uma estrutura idealizada que gostaríamos de cumprir, não estamos numa corrida de ratos que nos obriga a acordar todo dia no mesmo horário, sair de casa às pressas (muitas vezes enfrentando um trânsito lascado!) para nos conformar a uma agenda fixa, que serve ao coletivo maior. Aqui em casa nós fazemos a nossa agenda, nós delimitamos as nossas prioridades e nós escolhemos o que queremos estudar a cada dia, mês e ano. Não somos reféns do "não tenho tempo" porque em casa temos todo o tempo que quisermos para usar como quisermos. E nós procuramos usá-lo com sabedoria. Se porventura as crianças tiverem alguma idéia brilhante de passeio, experimento ou atividade, ou mesmo certa curiosidade em pesquisarem sobre algo que surgiu do nada, podemos "parar tudo" e dar atenção àquilo, sem crise. Mudanças são permitidas e não acarretam grandes prejuízos como, por exemplo, se um sábado e domingo tiverem sido particularmente puxados, podemos tirar a segunda-feira para descansar e ter um dia menos acelerado. Passeios ao museu, casa da vovó, biblioteca ou praças não precisam ser planejados com muita antecedência. Podem até ser de um dia para o outro!
3. POR UM RELACIONAMENTO FAMILIAR MAIS SADIO
Estou convencida de que eu e meu marido somos as pessoas com quem nossos filhos mais precisam ter contato durante a infância. O convívio dos avós é importante e ter boas amizades também, mas eu acredito que nenhum deles deveria tomar o lugar dos pais na vida de uma criança. Também acho saudável que irmãos amem estar juntos, se ajudem, se defendam e valorizem a companhia um do outro mais do que a de amigos da mesma idade. Com a compartimentalização escolar da vida moderna fica cada vez mais desafiador os pais serem a primeira influência na vida dos filhos e os irmãos, que passam tantas horas do dia em salas diferentes, terem afinidade afetiva e apreço uns pelos outros. Sei que algumas brigas e desentendimentos fazem parte de todo relacionamento (aqui eles também acontecem!), mas acredito que devam ser exceção, não ocorrências constantes.
Para nós um dos benefícios de homeschool é que ele tem nos permitido construir memórias maravilhosas em família. Passamos muitas horas do nosso dia juntos e para mim como mãe é um privilégio imensurável estar disponível para ouvir minha filha quando uma dúvida ou pensamento sobre a vida passa pela sua cabecinha no meio do dia - às vezes durante uma refeição, quando estamos juntas arrumando a cama, guardando brinquedos, recolhendo roupa do varal, ou indo ao banheiro fazer xixi. Uma dúvida talvez que, se ela tivesse na escola, ela não dirigiria a mim, ou mesmo se lembrasse de me contar depois! Esses momentos preciosos ficarão para sempre guardados na minha lembrança, e sei que terão um impacto importante na vida dela também.
Outro aspecto é que diante do tamanho das mudanças pelas quais passamos nos últimos dois anos, o impacto de mudar de país não foi traumático para elas. E eu atribuo isso justamente ao fato de a base de segurança emocional delas ser o LAR, os relacionamentos dentro da família, que não mudaram daqui pra lá e nem de lá pra cá. Por isso, tanto faz se é Brasil ou Canadá, elas estão bem.
4. PELO ENTUSIASMO EM EXPLORAR E CONHECER O MUNDO
Eu acredito que toda criança nasce curiosa e desejosa de aprender, explorar e conhecer o mundo. O problema é que muitas vezes o sistema escolar mata esse desejo! Eu tenho plena consciência de que o mesmo pode acontecer em casa, com uma família que pratica a educação domiciliar, porque não é uma questão de local, mas de imposições e rigidez de expectativas sobre o aprendizado. Nesse sentido, eu sou fã do unschooling, da ideia de um ensino mais livre e que busca explorar a curiosidade natural da criança, que ouve suas perguntas, procura em conjunto respostas para elas e segue um ritmo que respeite sua personalidade. Por essa forma de enxergar, unschooling não tem nada a ver com deixar as crianças completamente soltas e esperar que elas determinem o currículo de estudos. Não é o caso. Meu papel é de instigar sua imaginação por meio de bons livros e de uma rica oralidade: contação de histórias, brincadeiras de advinhas, rimas, encenação, jogos e outras atividades educativas que sejam divertidas. Crianças amam uma boa história e minha casa está cheia de livros! Nós lemos em voz alta para as meninas todos os dias. Pelo menos nesta fase pré-escolar, eu tenho muita preocupação em não pecar pelo excesso, de forçar conteúdos escolares de uma forma maçante. Não tenho, por exemplo, pressa de que elas aprendam a ler. Eu alfabetizo de forma lúdica, mas não forço. Deixo sempre com gostinho de "quero mais" para que elas peçam para a gente fazer mais lição. Não quero privar minhas filhas de ter tempo para brincar e de inventar mil coisas!
E, por falar, em inventar... isso elas fazem de montão e, o melhor, espontaneamente... como deveria ser. Esse final de semana mesmo, voltamos de um casamento com duas pulseiras de neon (daquelas que brilham no escuro para usar em pista de dança) e que fizeram a minha filha de 5 anos pensar em uma armação de óculos. Ela perguntou ao pai como é que poderia fazer um par de óculos de brinquedo e o pai incentivou-a a encontrar uma solução sozinha. Foi um verdadeiro e autêntico projeto de ciências que ela desenvolveu num domingo ensolarado após voltarmos da igreja enquanto eu esfregava roupa no tanque e meu marido preparava o almoço.
Está aqui o resultado: Ela usou três chuquinhas de cabelo e uma tiara para executar sua invenção!
5. PELA LIBERDADE DE EXPERIMENTAR E SE DESENVOLVER EM ARTES VARIADAS
Outro benefício maravilhoso do homeschooling é a possibilidade de experimentar de tudo um pouco. Quando estávamos no Canadá, as meninas fizeram, em momentos diferentes ao longo do ano, aulas de cerâmica, aulas de balé, aulas de artes, aulas de dança, aulas de natação e aulas de piano. Agora, aqui no Brasil, elas estão fazendo ginástica olímpica e eu estou cogitando aulas de pintura em tela (se não derem certo as aulas, eu pretendo comprar o material pra fazer em casa). A Nicole também já me pediu para continuar aprendendo piano. Não pretendo ficar escrava de um número excessivo de aulas durante a semana, mas a idéia é aos poucos irmos descobrindo suas aptidões e talentos - algo que, se estivéssemos presos a uma agenda escolar, sem dúvidas seria muito mais difícil, principalmente numa cidade grande e agitada como a que vivemos em que conciliar horários é sempre um desafio.
Por fim, esses são os cinco principais motivos que nos fazem amar o homeschooling. Há outros que eu não citei aqui, esses são os mais importantes. Para muitos a educação domiciliar ainda é uma prática desconhecida e bastante estranha, mas para nós que estamos experimentando-a há algum tempo é algo que cada vez nos fascina mais! Sei que existem escolas excelentes (embora é evidente que não sejam a maioria e que custem muito dinheiro) e propiciam resultados ótimos também. Eu mesmo estudei numa escola assim, fui privilegiada!! Meu sonho sempre foi colocar meus filhos um dia para estudarem lá, mas parece que os planos do Senhor para nós eram outros.
Como sempre, os planos dEle são superiores aos nossos, como está escrito em 1 Coríntios 2:9 (o versículo que colocamos no nosso convite de casamento quase 12 anos atrás) que diz:
"Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem penetrou em coração humano o que Deus preparou para aqueles que O amam".
Bem-vinda!!
Bem-vinda ao nosso blog!
Aqui, mamães muito diferentes mas com um único objetivo compartilham suas experiências nesta grande aventura que é a maternidade! Nós queremos, acima de tudo, ser mamães sábias, que edificam seus lares e vivem com toda plenitude o privilégio de sermos mães! Usamos muitos dos princípios ensinados pelo Nana Nenê - Gary Ezzo, assim como outros livros. Nosso objetivo é compartilhar o que aprendemos a fim de facilitar a vida das mamães! Fomos realmente abençoadas com livros (e cursos) e queremos passar isso para frente!
Aqui, mamães muito diferentes mas com um único objetivo compartilham suas experiências nesta grande aventura que é a maternidade! Nós queremos, acima de tudo, ser mamães sábias, que edificam seus lares e vivem com toda plenitude o privilégio de sermos mães! Usamos muitos dos princípios ensinados pelo Nana Nenê - Gary Ezzo, assim como outros livros. Nosso objetivo é compartilhar o que aprendemos a fim de facilitar a vida das mamães! Fomos realmente abençoadas com livros (e cursos) e queremos passar isso para frente!
"Com sabedoria se constroi a casa, e com discernimento se consolida.
Pelo conhecimento os seus cômodos se enchem do que é precioso e agradável"
Prov. 24:4,5
Pelo conhecimento os seus cômodos se enchem do que é precioso e agradável"
Prov. 24:4,5
Mostrando postagens com marcador família. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador família. Mostrar todas as postagens
terça-feira, 2 de dezembro de 2014
sexta-feira, 27 de dezembro de 2013
Os primeiros mil dias da criança e a importância dos pais!
Um assunto que sempre chama a minha atenção é a importância dos laços afetivos para a formação emocional saudável de uma criança. Há menos de um ano tive o privilégio de ler um livro que fala justamente sobre isto. Escrito por uma psicanalista e psicoterapeuta de Oxford chamada Sue Gerhardt, ele demonstra através da ciência como as primeiras interações psíquicas e sociais de um bebê afetam a constituição fisiológica do seu cérebro em desenvolvimento. Não é um livro de cunho cristão e acredito que ele ainda não tenha sido traduzido para o português - em inglês o título é Why Love Matters - How Affection Shapes a Baby's Brain - mas se você lê em inglês eu fortemente recomendo a leitura. Ele apresenta evidências científicas interessantíssimas confirmando o que fica cada vez mais claro para mim: a diferença que faz para a educação dos filhos a presença amorosa e diretiva dos pais no dia-a-dia.
Sem querer julgar ninguém por suas escolhas pessoais, até porque vejo que é antes de tudo um problema de políticas públicas, eu admito que tenho dificuldade de engolir o argumento de que o único fator que importa é a qualidade de tempo que se dedica aos filhos. Sim, claro que a qualidade é essencial, mas ela é intimamente ligada ao fator 'tempo'. Como é possível ter qualidade de tempo sem quantidade?? Eu acho bem difícil, ainda mais nos primeiros anos, quando o cérebro da criança ainda está em formação e sendo literalmente marcado para a vida toda, como mostra a autora.
Por isso, hoje venho compartilhar as sábias palavras do pediatra e ex-reitor da UNICAMP, José Martins Filho, que "discute a atual licença-maternidade no Brasil e defende uma mudança na legislação que permita à mãe ficar mais próxima de seu filho nos primeiros anos de vida, sem que tenha que abrir mão do trabalho" (conforme a descrição publicada pelo Instituto Alana no Youtube).
São menos de 4 minutos de entrevista que espero que a ajudem a refletir sobre o seu papel como mãe. Desejo que você seja inspirada ao vislumbrar a diferença que a sua presença faz na vida dos seus pequenos, hoje e amanhã, e o impacto que isto fará na construção de um mundo melhor! E, finalmente, que encontre forças em Deus para não desistir de ficar mais perto deles hoje, apesar das inúmeras dificuldades e resistência que talvez você encontre pelo caminho.
Antes de terminar e seguindo esta mesma linha da importância dos vínculos familiares para a vida social bem sucedida do ser humano, existe um outro livro, escrito pelo psicólogo canadense Gordon Neufeld e o médico húngaro Gabor Maté, que eu também estou muito interessada em ler. O título é Hold On to Your Kids: Why Parents Need to Matter More Than Peers. Na verdade, eu assisti a uma entrevista de 2004 em que o Dr. Gordon Neufeld denuncia a falsa suposição de que quanto mais cedo a criança entrar na escola melhor. Ele mostra que o contrário é verdadeiro e aponta para o perigo da formação precoce de vínculos com os pares (crianças da mesma idade), em vez de com os pais, numa idade em que o que a criança precisa é de amor incondicional e de direção de um adulto. Afinal, salvo minorias exceções de pais abusivos, quem melhor do que mãe e pai para suprir esta necessidade da criança?! Veja a entrevista toda, se souber inglês, e compartilhe com seus amigos. Garanto que serão 26 minutos muito bem investidos!
Aproveito o assunto de hoje para também direcioná-los à leitura de outros posts em que já falei sobre o assunto de maternidade, família, creche e políticas públicas.
Basta clicar nos links abaixo para lê-los.
Creche noturna beneficia a sociedade?
Você concorda com o aumento da jornada escolar?
Eu largar o emprego e depender financeiramente do meu marido? Você só pode estar louca!
Meu bebê nasceu e logo termina minha licença. O que eu faço agora?
Um grande abraço,
Talita
Sem querer julgar ninguém por suas escolhas pessoais, até porque vejo que é antes de tudo um problema de políticas públicas, eu admito que tenho dificuldade de engolir o argumento de que o único fator que importa é a qualidade de tempo que se dedica aos filhos. Sim, claro que a qualidade é essencial, mas ela é intimamente ligada ao fator 'tempo'. Como é possível ter qualidade de tempo sem quantidade?? Eu acho bem difícil, ainda mais nos primeiros anos, quando o cérebro da criança ainda está em formação e sendo literalmente marcado para a vida toda, como mostra a autora.
Por isso, hoje venho compartilhar as sábias palavras do pediatra e ex-reitor da UNICAMP, José Martins Filho, que "discute a atual licença-maternidade no Brasil e defende uma mudança na legislação que permita à mãe ficar mais próxima de seu filho nos primeiros anos de vida, sem que tenha que abrir mão do trabalho" (conforme a descrição publicada pelo Instituto Alana no Youtube).
São menos de 4 minutos de entrevista que espero que a ajudem a refletir sobre o seu papel como mãe. Desejo que você seja inspirada ao vislumbrar a diferença que a sua presença faz na vida dos seus pequenos, hoje e amanhã, e o impacto que isto fará na construção de um mundo melhor! E, finalmente, que encontre forças em Deus para não desistir de ficar mais perto deles hoje, apesar das inúmeras dificuldades e resistência que talvez você encontre pelo caminho.
Antes de terminar e seguindo esta mesma linha da importância dos vínculos familiares para a vida social bem sucedida do ser humano, existe um outro livro, escrito pelo psicólogo canadense Gordon Neufeld e o médico húngaro Gabor Maté, que eu também estou muito interessada em ler. O título é Hold On to Your Kids: Why Parents Need to Matter More Than Peers. Na verdade, eu assisti a uma entrevista de 2004 em que o Dr. Gordon Neufeld denuncia a falsa suposição de que quanto mais cedo a criança entrar na escola melhor. Ele mostra que o contrário é verdadeiro e aponta para o perigo da formação precoce de vínculos com os pares (crianças da mesma idade), em vez de com os pais, numa idade em que o que a criança precisa é de amor incondicional e de direção de um adulto. Afinal, salvo minorias exceções de pais abusivos, quem melhor do que mãe e pai para suprir esta necessidade da criança?! Veja a entrevista toda, se souber inglês, e compartilhe com seus amigos. Garanto que serão 26 minutos muito bem investidos!
Aproveito o assunto de hoje para também direcioná-los à leitura de outros posts em que já falei sobre o assunto de maternidade, família, creche e políticas públicas.
Basta clicar nos links abaixo para lê-los.
Creche noturna beneficia a sociedade?
Você concorda com o aumento da jornada escolar?
Eu largar o emprego e depender financeiramente do meu marido? Você só pode estar louca!
Meu bebê nasceu e logo termina minha licença. O que eu faço agora?
Um grande abraço,
Talita
terça-feira, 2 de abril de 2013
Brasileira que mora nos EUA conta como é a sua rotina diária em casa.
Em resposta ao post Educação domiciliar e a busca por uma "rotina ideal" publicado aqui no blog na semana passada, uma amiga que atualmente mora em Oklahoma, me enviou uma mensagem contando como é a sua rotina doméstica nos EUA. A Mariela é uma pessoa que eu conheço "desde sempre" porque estudamos a vida toda no mesmo colégio e também congregamos na mesma igreja boa parte de nossas vidas. Aos 18 anos, depois de terminar o ensino médio aqui no Brasil, ela foi para os EUA fazer faculdade de Enfermagem. Lá ela conheceu o marido, Garrett, com quem se casou em 2010 e, um ano depois, nasceu a Natalie (hoje com 18 meses), a primeira filha do casal. Atualmente, a Mariela está grávida de novo, com 27 semanas, esperando o segundo bebê, um menininho. Conversamos um pouco pela internet e ela consentiu que eu escrevesse este post contando alguns detalhes da vida dela, na intenção de que a forma como ela estrutura seu dia-a-dia, conciliando os cuidados da casa, o tempo com o marido, com a filha, o cansaço da gestação e ainda um trabalho fora de casa, sirva de inspiração e ajude mamães com ideias de como se organizarem em suas próprias casas!
Descrição da rotina diária da Família Barbosa Hamm
7:00 - Acordamos, tomamos café, nos trocamos, fazemos devocional em família, etc.
8:00 - Meu marido sai para trabalhar e a Natalie e eu vamos para a academia.
Na academia, a Natalie fica com as babás do "nursery", onde ela fica brincando com crianças da mesma idade. Eu consigo ver o que ela está fazendo enquanto estou na esteira, pois são paredes de vidro.
9:15 - Chegamos em casa, tomamos banho e comemos um lanche.
10:00 ou 10:30 (depende do dia) - Atividades especiais fora de casa.
A minha cidade oferece uma série de programações para crianças de várias idades.
Segunda-feira: Dia de biblioteca - um período de leitura e atividades relacionadas à leitura, direcionado a crianças de 12 a 24 meses, que acontece na biblioteca da cidade.
Terça-feira: Dia de ginástica, especial para as mães interagirem com os filhos.
Quarta-feira: Dia de "play date"(com 2 ou 3 amiguinhas) no "Leonardo's", um centro recreativo indoor que oferece atividades variadas (ex. cozinha de brincar, consultório médico, pintura, etc.)
Quinta-feira: Dia de dança "Wee Move With Mommy", para mães e bebês se mexerem e desenvolverem sua musicalidade.
Sexta-feira: "Mom's day out" - um dia na semana para a mãe ficar fora. É um programa cristão que funciona das 9:00 às 15:00. A Natalie começará nele quando voltarmos para casa (porque no momento estamos no Brasil visitando a minha família). Ela ficará numa classe com crianças da mesma idade, terá um currículo bíblico, com várias atividades, inclusive hora da soneca. Esse será o dia que terei para adiantar tudo! Fazer compras, faxina, lavar roupa, manicure, cabelo, etc. seja o que for que precisa ser feito.
11:00-11:30 - Chegamos em casa e meu marido também vem para casa para almoçarmos em família.
12:30 - Eu e a Natalie tiramos a nossa soneca da tarde (antes eu não tirava, mas agora grávida... ai, como eu canso!). Eu só durmo 1 hora e meia, mas a Natalie dorme até 15:00-15:30.
15:00 - Hora do lanche.
15:30 - Hora de dar toda a minha atenção à Natalie - e hora de aprendizado. Por meia hora lemos livros, aprendemos "shapes", "colors", etc. e, por meia hora, brinco com ela de mercado, de boneca, etc.
16:30 - Hora das tarefas de casa.
Para dar conta de tudo, eu divido uma tarefa grande por dia. Por exemplo, se segunda-feira eu lavar os banheiros, então na terça-feira eu aspiro e passo pano na casa, na quarta-feira eu lavo roupa (na verdade, são 2 dias designados para as roupas!) e assim por diante. Isso além das tarefas diárias de ajuntar os brinquedos, esvaziar a lava-louças e etc.. Enquanto faço essas tarefas, a Natalie me "ajuda" - dou um paninho e ela finge que tira pó ou esfrega a parede. Quando estou dobrando as roupas, ela quer fazer igual, entre outras coisas.
17:30 - Preparo o jantar e dou janta para a Natalie. Enquanto preparo a janta, ela assiste a um desenho (como, por exemplo, "Veggie Tales"). Ela janta mais cedo, pois meu marido só chega em casa às 18:30 e aí fica muito tarde para ela jantar.
18:30 - Meu marido chega em casa e prepara a Natalie para dormir (troca, faz uma leitura, ora e coloca ela no berço). Aí sim, ufa... hora de relaxar, jantar, conversar e curtir o maridão! Ah, e uma vez a cada duas semanas, em uma das noites, minha sogra vem e fica em casa para podermos ter um "date night". = )
Bom, mas tudo isso para falar que tempo para cozinhar é muito difícil quando o nosso dia é tão agitado. E realmente é difícil ficar na cozinha cozinhando por uma hora com criança pequena. Por isso, eu pesquisei muito em vários sites e blogs, e no pinterest, e organizei um esquema de "meal planning" para a nossa família, onde já preparo várias refeições e congelo para a semana. Ou escolho receitas em que posso deixar a carne e todos os legumes em um "slow cooker" por 8 horas e na hora da janta já está prontinho!
Esse negócio de "meal planning" requer bastante preparação de antemão, mas vale muito a pena no dia-a-dia! Eu costumava me estressar muito com comida porque nunca sabia o que ia fazer, e aí não tinha certos ingredientes em casa quando queria fazer alguma coisa. Geralmente escolho um dos dias da semana à noite ou de domingo à tarde para preparar as refeições, quando meu marido está em casa porque com ele vai rapidinho. Coloco cada refeição em um "zip-lock bag" grande e congelo. E escrevo com canetinha permanente qual refeição está em cada plástico.
Repito aqui o comentário que escrevi naquele post da Talita. Não tenho empregada doméstica e posso dizer que é sim possível dar conta de tudo e de manter um lar limpinho e organizado quando nos programamos e nos planejamos para isso. No momento, eu ainda trabalho "part-time-per diem", o que significa que eu faço alguns plantões no hospital, mas só quando eu quero (a condição é que eu trabalhe pelo menos dois dias por mês). Dessa maneira, consegui conciliar ser mamãe em tempo integral e também ganhar experiência profissional. Mas quando meu segundo filho nascer, vou parar de trabalhar fora por um tempo. Agora que a Natalie está começando a ter mais e mais atividades durante o dia, tenho trabalhado menos dias fora.
O estabelecimento de uma rotina diária tem sido uma bênção para o bem-estar da nossa família, pois é como a Talita disse: a rotina é só um guia para organizar os nossos dias e conseguirmos ser produtivos, fazendo atividades com conteúdo e aprendizado. Planejamos a rotina, mas também nos adaptamos às circunstâncias e acontecimentos do dia-a-dia. E agora, com um bebezinho chegando, terei de realmente replanejar essa rotina!
É isso, espero ter compartilhado algumas dicas boas!
Mariela Barbosa Hamm
Descrição da rotina diária da Família Barbosa Hamm
7:00 - Acordamos, tomamos café, nos trocamos, fazemos devocional em família, etc.
8:00 - Meu marido sai para trabalhar e a Natalie e eu vamos para a academia.
Na academia, a Natalie fica com as babás do "nursery", onde ela fica brincando com crianças da mesma idade. Eu consigo ver o que ela está fazendo enquanto estou na esteira, pois são paredes de vidro.
9:15 - Chegamos em casa, tomamos banho e comemos um lanche.
10:00 ou 10:30 (depende do dia) - Atividades especiais fora de casa.
A minha cidade oferece uma série de programações para crianças de várias idades.
Segunda-feira: Dia de biblioteca - um período de leitura e atividades relacionadas à leitura, direcionado a crianças de 12 a 24 meses, que acontece na biblioteca da cidade.
Terça-feira: Dia de ginástica, especial para as mães interagirem com os filhos.
Quarta-feira: Dia de "play date"(com 2 ou 3 amiguinhas) no "Leonardo's", um centro recreativo indoor que oferece atividades variadas (ex. cozinha de brincar, consultório médico, pintura, etc.)
Quinta-feira: Dia de dança "Wee Move With Mommy", para mães e bebês se mexerem e desenvolverem sua musicalidade.
Sexta-feira: "Mom's day out" - um dia na semana para a mãe ficar fora. É um programa cristão que funciona das 9:00 às 15:00. A Natalie começará nele quando voltarmos para casa (porque no momento estamos no Brasil visitando a minha família). Ela ficará numa classe com crianças da mesma idade, terá um currículo bíblico, com várias atividades, inclusive hora da soneca. Esse será o dia que terei para adiantar tudo! Fazer compras, faxina, lavar roupa, manicure, cabelo, etc. seja o que for que precisa ser feito.
11:00-11:30 - Chegamos em casa e meu marido também vem para casa para almoçarmos em família.
12:30 - Eu e a Natalie tiramos a nossa soneca da tarde (antes eu não tirava, mas agora grávida... ai, como eu canso!). Eu só durmo 1 hora e meia, mas a Natalie dorme até 15:00-15:30.
15:00 - Hora do lanche.
15:30 - Hora de dar toda a minha atenção à Natalie - e hora de aprendizado. Por meia hora lemos livros, aprendemos "shapes", "colors", etc. e, por meia hora, brinco com ela de mercado, de boneca, etc.
16:30 - Hora das tarefas de casa.
Para dar conta de tudo, eu divido uma tarefa grande por dia. Por exemplo, se segunda-feira eu lavar os banheiros, então na terça-feira eu aspiro e passo pano na casa, na quarta-feira eu lavo roupa (na verdade, são 2 dias designados para as roupas!) e assim por diante. Isso além das tarefas diárias de ajuntar os brinquedos, esvaziar a lava-louças e etc.. Enquanto faço essas tarefas, a Natalie me "ajuda" - dou um paninho e ela finge que tira pó ou esfrega a parede. Quando estou dobrando as roupas, ela quer fazer igual, entre outras coisas.
17:30 - Preparo o jantar e dou janta para a Natalie. Enquanto preparo a janta, ela assiste a um desenho (como, por exemplo, "Veggie Tales"). Ela janta mais cedo, pois meu marido só chega em casa às 18:30 e aí fica muito tarde para ela jantar.
18:30 - Meu marido chega em casa e prepara a Natalie para dormir (troca, faz uma leitura, ora e coloca ela no berço). Aí sim, ufa... hora de relaxar, jantar, conversar e curtir o maridão! Ah, e uma vez a cada duas semanas, em uma das noites, minha sogra vem e fica em casa para podermos ter um "date night". = )
Bom, mas tudo isso para falar que tempo para cozinhar é muito difícil quando o nosso dia é tão agitado. E realmente é difícil ficar na cozinha cozinhando por uma hora com criança pequena. Por isso, eu pesquisei muito em vários sites e blogs, e no pinterest, e organizei um esquema de "meal planning" para a nossa família, onde já preparo várias refeições e congelo para a semana. Ou escolho receitas em que posso deixar a carne e todos os legumes em um "slow cooker" por 8 horas e na hora da janta já está prontinho!
Esse negócio de "meal planning" requer bastante preparação de antemão, mas vale muito a pena no dia-a-dia! Eu costumava me estressar muito com comida porque nunca sabia o que ia fazer, e aí não tinha certos ingredientes em casa quando queria fazer alguma coisa. Geralmente escolho um dos dias da semana à noite ou de domingo à tarde para preparar as refeições, quando meu marido está em casa porque com ele vai rapidinho. Coloco cada refeição em um "zip-lock bag" grande e congelo. E escrevo com canetinha permanente qual refeição está em cada plástico.
Repito aqui o comentário que escrevi naquele post da Talita. Não tenho empregada doméstica e posso dizer que é sim possível dar conta de tudo e de manter um lar limpinho e organizado quando nos programamos e nos planejamos para isso. No momento, eu ainda trabalho "part-time-per diem", o que significa que eu faço alguns plantões no hospital, mas só quando eu quero (a condição é que eu trabalhe pelo menos dois dias por mês). Dessa maneira, consegui conciliar ser mamãe em tempo integral e também ganhar experiência profissional. Mas quando meu segundo filho nascer, vou parar de trabalhar fora por um tempo. Agora que a Natalie está começando a ter mais e mais atividades durante o dia, tenho trabalhado menos dias fora.
O estabelecimento de uma rotina diária tem sido uma bênção para o bem-estar da nossa família, pois é como a Talita disse: a rotina é só um guia para organizar os nossos dias e conseguirmos ser produtivos, fazendo atividades com conteúdo e aprendizado. Planejamos a rotina, mas também nos adaptamos às circunstâncias e acontecimentos do dia-a-dia. E agora, com um bebezinho chegando, terei de realmente replanejar essa rotina!
É isso, espero ter compartilhado algumas dicas boas!
Mariela Barbosa Hamm
quarta-feira, 27 de março de 2013
Educação domiciliar e a busca por uma "rotina ideal".
Nessa busca por uma "rotina ideal" para o nosso lar, que vem sendo alterada e aperfeiçoada com frequência, me deparo, na prática, com aquilo que eu evidentemente já conhecia na teoria (e que todas nós sabemos!): planejamento e flexibilidade andam juntos. Não dá para optar por um ou por outro, tem de ter os dois no balanço, precisa do equilíbrio. E esse conceito, tenho percebido, também é muito pertinente para a educação domiciliar.
Afinal, como anda a nossa rotina aqui em casa?


Não estou me martirizando pelo "fracasso" da minha rotina idealizada, estou olhando pelo lado positivo, pelo lado "construtivista" de nossas atividades improvisadas e descobrindo que "homeschooling" tem muito mais a ver com VIVER A VIDA do que escolarização em si.
No mais, continuamos com os "play dates" quinzenais (uma amiga e suas duas filhas vêm à nossa casa pra passar o dia conosco no Sesc, uma bênção!). E mesmo quando elas não vêm, eu continuo fazendo o passeio ao ar livre só entre nós. Abaixo vejam algumas fotos de um passeio recente que fizemos sozinhas. : )
Afinal, como anda a nossa rotina aqui em casa?
Bem, em janeiro idealizamos um plano (leia aqui), em fevereiro achamos por bem realizar algumas modificações na estrutura do nosso dia (veja figura ao lado) e agora, já em meados de março, estamos vendo que um novo plano haverá de ser elaborado por causa de mudanças em nossa vida e, claro, porque também somos novos nisso e ainda estamos aprendendo o que significa "educar em casa".
A principal mudança na nossa vida doméstica é que a pessoa que vinha uma vez por semana me ajudar com a roupa e com a limpeza da casa descobriu que estava grávida de 7 meses. Ficamos muito felizes por ela, mas também um pouco desorientados com a notícia (além de chocados porque ninguém - nem ela - desconfiou dessa gestação!). Agora preciso aprender não somente a lavar e a passar, mas também a dar um jeito de incluir essas atividades no meu dia-a-dia que, por sinal, já é bem cheio. Confesso que estou apreensiva quanto à minha capacidade de "dar conta".
Mas Deus é BOM! Eu amo o fato de Deus ser didático e, além disso, sei que Ele nunca permite em nossa vida dificuldades ou obstáculos maiores do que podemos suportar ou transpor.
Em retrospectiva, vejo a mão dEle nos preparando para cada mudança. Acompanhe a minha história.
Em agosto do ano passado, parei de trabalhar fora para ficar em casa com as meninas durante o dia e para retomar as aulas na faculdade à noite. Durante todo aquele semestre, a Nicole ainda frequentava a escola pela manhã e foi justamente o tempo que eu precisei para, aos poucos, ir aprendendo a cozinhar e a ganhar prática em fazê-lo (algo que eu quase não fazia antes já que eu, mesmo depois de casada, sempre tive quem cozinhasse pra mim). Hoje tenho prazer em cozinhar para a minha família, mas antes era algo que eu não gostava nem um pouco de fazer - que já era de se esperar já que dificilmente iremos gostar daquilo que não dominamos ou, pelo menos, não conhecemos o suficiente para termos alguma confiança em nós mesmos. Claro, não sou nenhuma expert na cozinha e nem sei cozinhar para muita gente, mas me empenho o suficiente para que as minhas comidas fiquem gostosas (embora simples) e acho que o fato do meu marido me elogiar bastante (principalmente as minhas saladas com frutas que todos aqui em casa gostamos muito), me dá ousadia de experimentar e, de vez em quando, até de inventar pratos diferentes. Não ter um grande repertório de receitas também não é problema, a internet é a minha grande aliada, rs - viva à tecnologia!
Do fim do ano passado para cá, uma nova mudança em nossa vida: dessa vez, tivemos de, como família, aprender e nos habituar a manter a limpeza da casa durante a semana já que, por motivos financeiros (porque parei de trabalhar fora), a pessoa que nos ajudava com os serviços domésticos passou a vir apenas de sábado para fazer a faxina e para cuidar da roupa (antes ela vinha 3x). E isso com a novidade também de que agora as duas crianças ficavam o dia todo comigo em casa. Isso já foi um tremendo desafio pra mim.
Imaginar que, em meio ao tempo que eu ficava na cozinha para preparar as refeições (e depois para limpar toda a bagunça: tirar o lixo, varrer e passar pano no chão, lavar a louça, guardá-la, etc) e também brincando e ensinando as meninas (nossa atividade de homeschooling pela manhã), eu ainda teria de encontrar alguma horinha durante o dia para dar conta de ler os textos da faculdade. E, no fim do dia, quando minha bateria já estivesse quase toda esgotada, lá iria eu pegar o trem para ir assistir aula na faculdade - quatro noites por semana! Um expediente rigoroso de três turnos, não só para mim, mas também para o maridão que assumiria o "turno noturno" da casa (leia-se: lavar toda a louça da janta, colocar as meninas pra dormir e depois ainda pegá-las dormindo, colocá-las no carro pra ir me buscar na faculdade bem tarde da noite - 40 min para ir e 40 min para voltar!). Quase não sobraria tempo para ele descansar também.
Imaginar que, em meio ao tempo que eu ficava na cozinha para preparar as refeições (e depois para limpar toda a bagunça: tirar o lixo, varrer e passar pano no chão, lavar a louça, guardá-la, etc) e também brincando e ensinando as meninas (nossa atividade de homeschooling pela manhã), eu ainda teria de encontrar alguma horinha durante o dia para dar conta de ler os textos da faculdade. E, no fim do dia, quando minha bateria já estivesse quase toda esgotada, lá iria eu pegar o trem para ir assistir aula na faculdade - quatro noites por semana! Um expediente rigoroso de três turnos, não só para mim, mas também para o maridão que assumiria o "turno noturno" da casa (leia-se: lavar toda a louça da janta, colocar as meninas pra dormir e depois ainda pegá-las dormindo, colocá-las no carro pra ir me buscar na faculdade bem tarde da noite - 40 min para ir e 40 min para voltar!). Quase não sobraria tempo para ele descansar também.
Pois eis que de duas semanas para cá, há uma nova tarefa a ser incorporada: aprender a lavar e passar roupa! Ouço com frequência que lavar é moleza, afinal eu tenho máquina e não tem segredo. Eu até acredito, mas como nunca a fiz regularmente (de verdade, admito!) me dá um friozinho na barriga de imaginar como vai ser. Em primeiro lugar, estou ciente de que vou precisar me ORGANIZAR melhor (tem muitos blogs que ajudam e já estou começando a lê-los, além de pedir dicas a amigas que ficam em casa para saber como elas fazem tudo). Também preciso começar a aceitar o fato de que não vou mais ter o privilégio de ver minha casa toda limpinha e organizada no mesmo dia. Recentemente alguém compartilhou no Facebook um texto engraçado com o título "Dez Mandamentos da Maternidade". O 1º. mandamento dizia: "Renunciarás a uma casa limpa". E é bem isso que estou tendo de fazer ultimamente, rs. Vou aprender a me contentar com os banheiros limpos num dia, a roupa lavada no outro (passada então, só muitos dias depois!), os brinquedos organizados no outro, e assim sucessivamente. Mas tudo limpo e organizado no mesmo dia, acho bem difícil daqui pra frente. Em vez de me matar por um ideal que por ora é inatingível, vou aprender a aceitar, com alegria, minha nova realidade.
A maior bênção disso tudo é o meu esposo. Não conseguiria fazer nada disso sem o apoio dele. Ele é do tipo que arregaça as mangas e faz junto, sabe? Não coloca todo o peso sobre os meus ombros. Não tem esse negócio de que ele "trabalha fora" e eu "dentro", ou seja, ele não fica esperando tudo de mão beijada em casa só porque ele é o provedor financeiro da nossa família atualmente e eu fico em casa o dia inteiro. É claro que ele fica feliz quando eu faço as coisas dentro de casa, principalmente para ele (como passar suas camisas), mas não é dependente disso. Ele sabe se virar até melhor do que eu porque já tinha morado sozinho antes de nos casarmos e isso o ajudou bastante. Não me sinto cobrada por ele. Aliás, ele me surpreendeu um dia dizendo que ficava feliz quando chegava em casa e encontrava a garagem revirada de brinquedos porque era sinal de que as meninas haviam se divertido muito ali aquele dia. E eu pensando que o objetivo era deixar tudo guardadinho e organizado para ele não encontrar uma casa caótica, hehe. : )
De qualquer forma, preciso preparar uma nova agenda de atividades para o nosso lar (confesso que não sei quando vou conseguir arrumar tempo para isso!) e, dessa vez, gostaria de aplicar o princípio dos Moores para o homeschooling: estudo, trabalho e serviço. Leia este post para entender um pouco sobre a filosofia de educação domiciliar sobre o qual eles escreveram. Além de incluir à nossa rotina o trabalho da casa (serviços domésticos), dividido em partes para cada dia da semana, e permitir que as meninas participem dele (na medida do possível, de acordo com a idade de cada uma, claro), também quero pensar em formas de serviço à comunidade a nossa volta que minhas filhas e eu podemos gostar de nos envolver, para abençoar o próximo. Esta é uma visão bastante interessante de formação do cidadão (e do cristão) e acho que seremos grandemente abençoadas se isto fizer parte de nossas atividades regulares.
Como vou fazer tudo isso? Bem, isso eu ainda não sei. Mas aceito dicas e sugestões! O que está mais latente para mim no momento é a constatação de que eu vivi a minha vida toda num HOTEL e não sabia, rs. Alguém mais aí? Desde pequena passava quase o dia todo na escola, chegava em casa pra tomar banho, jantar, fazer lição de casa e dormir. Eu sujava as roupas, mas bastava colocá-las no "cesto mágico" e, dentro de poucos dias, elas apareciam limpinhas e cheirosas na minha gaveta novamente. Comida fresca e quentinha também sempre tinha à mesa, em todas as refeições, e eu nem sabia de onde elas vinham e o tempo e o trabalho que dava prepará-las. Sucos? Sempre tinha natural. Nada desse negócio de pozinho. O lençol da minha cama estava sempre esticado apesar de eu sair de manhã e deixá-lo todo embolado. O meu trabalho e obrigação, enfim, eram estudar e ser boa aluna. Tirar boas notas. Apenas isto era cobrado de mim porque, afinal, eu estudava num colégio caro e precisava fazer valer este investimento dos meus pais. Mesmo tendo começado a trabalhar cedo (aos 16), o trabalho era fora, no escritório, não em casa.
Assim, além de manter a organização de meu armário e prateleiras (algo que nem precisava mandar eu fazer), raras vezes precisei ajudar nos serviços domésticos. No domingo, às vezes, minha mãe nos fazia arrumar a própria cama ou distribuía tarefas para agilizar o almoço, uma vez ou outra até falou para meu irmão e eu lavarmos o banheiro. Ela tinha essa noção de que precisávamos aprender, mas as oportunidades não foram tantas a ponto de eu poder dizer que aprendi e, por isso talvez, hoje eu me sinta um tanto incapaz para desenvolver essas tarefas. O resumo da ópera é que meus pais (com todo o amor e entendimento que tiveram na época) tentaram nos poupar e com isso tive uma formação "deficiente" nesse sentido. Mesmo depois de casada, quando eu não tinha condições $$ de pagar alguém para trabalhar para mim, eu mandava roupa suja para a empregada da minha mãe lavar e passar (isto apesar de eu ter máquina em casa!).
Mas, agora que fui "pega com as calças curtas", estou aprendendo a VALORIZAR esse serviço!! Como a Beth conseguia faxinar toda a casa, cozinhar, lavar e passar tudo em um único dia de trabalho está além da minha compreensão, rsrs. Me perguntaram se eu vou querer contratar outra diarista para fazer o que ela fazia. Minha resposta, pelo menos por agora, é não. Por quê? Primeiro pela questão financeira (vou guardar esse dinheiro para outras coisas) e segundo porque por muito tempo ouvi de minha mãe que eu tinha de aprender a fazer o serviço para poder falar como eu queria que fosse feito. Pois é, então se for para eu ter uma diarista de novo algum dia, então primeiro eu tenho de aprender a fazer o serviço!! E fazer bem feito, no capricho. Sabe que se tornou uma questão de honra pra mim? Eu preciso fazer isso por mim mesma, para eu me sentir capaz, para eu saber que consigo me virar sem uma empregada doméstica, que eu não sou incapaz de cuidar da minha própria casa. Eu não sou burra e nem inválida, tenho total condição de aprender. Basta eu querer e me empenhar. E também porque eu quero passar essa filosofia de autonomia para as minhas filhas, quero ajudar a desenvolver isso nelas. Quero que elas saibam se virar, não quero que elas fiquem dependentes de alguém sempre tendo de fazer tudo por eles, com essa sensação de incapacidade que eu estou sentindo. E, em terceiro lugar tem a questão cultural - e se no futuro nossas filhas quiserem morar em outro país? Nunca morei fora, mas já ouvi muito que em outros lugares não é essa mamata que temos aqui em SP, de ter alguém que faça tudo por nós (mão-de-obra barata que, por sinal, está deixando de ficar barata). Lá nos EUA, por exemplo, é muito comum as mulheres fazerem as próprias unhas, escovarem os próprios cabelos, fazerem a própria depilação, cortarem o cabelo dos filhos, limparem a própria casa e muitas, inclusive, ensinam os filhos em vez de enviá-los para a escola!! Os maridos também, até onde eu sei, costumam ser ativos e participativos - alguns constroem a própria casa, fazem mudanças quando preciso, constroem os armários da cozinha (ou outros móveis para a casa), pintam a casa... enfim, se metem a serviços de pedreiro, de marceneiro, de pintor e afins. E tudo isso sem deixar de estudar, fazer faculdade, se especializar, etc. Um conhecimento não precisa desprezar ou excluir o outro, eles se agregam!
A maior bênção disso tudo é o meu esposo. Não conseguiria fazer nada disso sem o apoio dele. Ele é do tipo que arregaça as mangas e faz junto, sabe? Não coloca todo o peso sobre os meus ombros. Não tem esse negócio de que ele "trabalha fora" e eu "dentro", ou seja, ele não fica esperando tudo de mão beijada em casa só porque ele é o provedor financeiro da nossa família atualmente e eu fico em casa o dia inteiro. É claro que ele fica feliz quando eu faço as coisas dentro de casa, principalmente para ele (como passar suas camisas), mas não é dependente disso. Ele sabe se virar até melhor do que eu porque já tinha morado sozinho antes de nos casarmos e isso o ajudou bastante. Não me sinto cobrada por ele. Aliás, ele me surpreendeu um dia dizendo que ficava feliz quando chegava em casa e encontrava a garagem revirada de brinquedos porque era sinal de que as meninas haviam se divertido muito ali aquele dia. E eu pensando que o objetivo era deixar tudo guardadinho e organizado para ele não encontrar uma casa caótica, hehe. : )
De qualquer forma, preciso preparar uma nova agenda de atividades para o nosso lar (confesso que não sei quando vou conseguir arrumar tempo para isso!) e, dessa vez, gostaria de aplicar o princípio dos Moores para o homeschooling: estudo, trabalho e serviço. Leia este post para entender um pouco sobre a filosofia de educação domiciliar sobre o qual eles escreveram. Além de incluir à nossa rotina o trabalho da casa (serviços domésticos), dividido em partes para cada dia da semana, e permitir que as meninas participem dele (na medida do possível, de acordo com a idade de cada uma, claro), também quero pensar em formas de serviço à comunidade a nossa volta que minhas filhas e eu podemos gostar de nos envolver, para abençoar o próximo. Esta é uma visão bastante interessante de formação do cidadão (e do cristão) e acho que seremos grandemente abençoadas se isto fizer parte de nossas atividades regulares.
Como vou fazer tudo isso? Bem, isso eu ainda não sei. Mas aceito dicas e sugestões! O que está mais latente para mim no momento é a constatação de que eu vivi a minha vida toda num HOTEL e não sabia, rs. Alguém mais aí? Desde pequena passava quase o dia todo na escola, chegava em casa pra tomar banho, jantar, fazer lição de casa e dormir. Eu sujava as roupas, mas bastava colocá-las no "cesto mágico" e, dentro de poucos dias, elas apareciam limpinhas e cheirosas na minha gaveta novamente. Comida fresca e quentinha também sempre tinha à mesa, em todas as refeições, e eu nem sabia de onde elas vinham e o tempo e o trabalho que dava prepará-las. Sucos? Sempre tinha natural. Nada desse negócio de pozinho. O lençol da minha cama estava sempre esticado apesar de eu sair de manhã e deixá-lo todo embolado. O meu trabalho e obrigação, enfim, eram estudar e ser boa aluna. Tirar boas notas. Apenas isto era cobrado de mim porque, afinal, eu estudava num colégio caro e precisava fazer valer este investimento dos meus pais. Mesmo tendo começado a trabalhar cedo (aos 16), o trabalho era fora, no escritório, não em casa.
Assim, além de manter a organização de meu armário e prateleiras (algo que nem precisava mandar eu fazer), raras vezes precisei ajudar nos serviços domésticos. No domingo, às vezes, minha mãe nos fazia arrumar a própria cama ou distribuía tarefas para agilizar o almoço, uma vez ou outra até falou para meu irmão e eu lavarmos o banheiro. Ela tinha essa noção de que precisávamos aprender, mas as oportunidades não foram tantas a ponto de eu poder dizer que aprendi e, por isso talvez, hoje eu me sinta um tanto incapaz para desenvolver essas tarefas. O resumo da ópera é que meus pais (com todo o amor e entendimento que tiveram na época) tentaram nos poupar e com isso tive uma formação "deficiente" nesse sentido. Mesmo depois de casada, quando eu não tinha condições $$ de pagar alguém para trabalhar para mim, eu mandava roupa suja para a empregada da minha mãe lavar e passar (isto apesar de eu ter máquina em casa!).
Mas, agora que fui "pega com as calças curtas", estou aprendendo a VALORIZAR esse serviço!! Como a Beth conseguia faxinar toda a casa, cozinhar, lavar e passar tudo em um único dia de trabalho está além da minha compreensão, rsrs. Me perguntaram se eu vou querer contratar outra diarista para fazer o que ela fazia. Minha resposta, pelo menos por agora, é não. Por quê? Primeiro pela questão financeira (vou guardar esse dinheiro para outras coisas) e segundo porque por muito tempo ouvi de minha mãe que eu tinha de aprender a fazer o serviço para poder falar como eu queria que fosse feito. Pois é, então se for para eu ter uma diarista de novo algum dia, então primeiro eu tenho de aprender a fazer o serviço!! E fazer bem feito, no capricho. Sabe que se tornou uma questão de honra pra mim? Eu preciso fazer isso por mim mesma, para eu me sentir capaz, para eu saber que consigo me virar sem uma empregada doméstica, que eu não sou incapaz de cuidar da minha própria casa. Eu não sou burra e nem inválida, tenho total condição de aprender. Basta eu querer e me empenhar. E também porque eu quero passar essa filosofia de autonomia para as minhas filhas, quero ajudar a desenvolver isso nelas. Quero que elas saibam se virar, não quero que elas fiquem dependentes de alguém sempre tendo de fazer tudo por eles, com essa sensação de incapacidade que eu estou sentindo. E, em terceiro lugar tem a questão cultural - e se no futuro nossas filhas quiserem morar em outro país? Nunca morei fora, mas já ouvi muito que em outros lugares não é essa mamata que temos aqui em SP, de ter alguém que faça tudo por nós (mão-de-obra barata que, por sinal, está deixando de ficar barata). Lá nos EUA, por exemplo, é muito comum as mulheres fazerem as próprias unhas, escovarem os próprios cabelos, fazerem a própria depilação, cortarem o cabelo dos filhos, limparem a própria casa e muitas, inclusive, ensinam os filhos em vez de enviá-los para a escola!! Os maridos também, até onde eu sei, costumam ser ativos e participativos - alguns constroem a própria casa, fazem mudanças quando preciso, constroem os armários da cozinha (ou outros móveis para a casa), pintam a casa... enfim, se metem a serviços de pedreiro, de marceneiro, de pintor e afins. E tudo isso sem deixar de estudar, fazer faculdade, se especializar, etc. Um conhecimento não precisa desprezar ou excluir o outro, eles se agregam!
Mas voltando a falar sobre o tema deste post, como vocês perceberam eu ainda não acertei a "rotina ideal" para o nosso homeschooling. Se você olhar para o meu plano de fevereiro (acima), vai ver que ele está lindo. Eu aparentemente pensei em todos os pormenores, me empenhei em preparar algo redondo, coeso. É sempre assim, não é? As teorias, no papel, costumam ser lindas. Eu preparo algo brilhante e "perfeito", mas quando chega a hora de aplicar o plano, bem... nem sempre sai como eu idealizei. No meu caso, posso dizer absolutamente o contrário: nesse último mês os meus dias quase nunca saíram como o idealizado no papel! Um verdadeiro fracasso, se você parar para pensar, rs. Mas tudo bem! Numa palestra a que assisti recentemente, cujo tema era gerenciamento do tempo, fui inspirada por um princípio que deve ser o norteador de nossas escolhas: pessoas, e não coisas, vêm em primeiro lugar. O termo "coisas" neste momento para mim significa o meu plano para a nossa rotina de atividades diárias. : )
E não posso nem botar a culpa na faculdade. Mesmo quando as minhas aulas ainda não tinham começado, foram raros dias que eu consegui seguir o plano das 2 horas de estudo, intercalado os momentos individuais e os momentos com as meninas juntas. Era coisa demais para eu preparar e, no fim, eu acabava improvisando com base no que acontecia. Por outro lado, tivemos experiências riquíssimas! De verdade. Vou dar dois exemplos.
Numa manhã estava eu "lendo" um livro de figuras para a Alícia e, numa das páginas, tinha a foto de uma menininha vestida de rainha, com coroa, manto e moedas simbolizando sua riqueza. A Nicole se interessou muito, começou a fazer perguntas sobre reis e rainhas e fizemos um projeto em cima disso. Peguei uma cartolina e criamos nossas próprias coroas, pintamos as pedras preciosas nelas com cola de diferentes cores e depois brincamos de usá-las.
Outro dia ela ficou falando de binóculos (que tem na mochila da Dora Aventureira) e aproveitei a curiosidade dela para fazer outra atividade artística! Juntei alguns rolos de papel higiênico, os encapamos com papel crepom (que era o que tínhamos em casa) e criamos dois binóculos e um monóculo. Depois procurei na internet fotos de binóculos e monóculos de verdade para ela poder comparar. Ela se divertiu brincando de tentar enxergar pelos binóculos e monóculo que havíamos criado.
Numa manhã estava eu "lendo" um livro de figuras para a Alícia e, numa das páginas, tinha a foto de uma menininha vestida de rainha, com coroa, manto e moedas simbolizando sua riqueza. A Nicole se interessou muito, começou a fazer perguntas sobre reis e rainhas e fizemos um projeto em cima disso. Peguei uma cartolina e criamos nossas próprias coroas, pintamos as pedras preciosas nelas com cola de diferentes cores e depois brincamos de usá-las.
Outro dia ela ficou falando de binóculos (que tem na mochila da Dora Aventureira) e aproveitei a curiosidade dela para fazer outra atividade artística! Juntei alguns rolos de papel higiênico, os encapamos com papel crepom (que era o que tínhamos em casa) e criamos dois binóculos e um monóculo. Depois procurei na internet fotos de binóculos e monóculos de verdade para ela poder comparar. Ela se divertiu brincando de tentar enxergar pelos binóculos e monóculo que havíamos criado.
Não estou me martirizando pelo "fracasso" da minha rotina idealizada, estou olhando pelo lado positivo, pelo lado "construtivista" de nossas atividades improvisadas e descobrindo que "homeschooling" tem muito mais a ver com VIVER A VIDA do que escolarização em si.
No mais, continuamos com os "play dates" quinzenais (uma amiga e suas duas filhas vêm à nossa casa pra passar o dia conosco no Sesc, uma bênção!). E mesmo quando elas não vêm, eu continuo fazendo o passeio ao ar livre só entre nós. Abaixo vejam algumas fotos de um passeio recente que fizemos sozinhas. : )
Está ficando cada vez mais claro para mim que, pelo menos enquanto as crianças forem pequenas e estiverem em casa, essa busca por uma "rotina ideal" se transformará, quase sempre, numa "rotina possível". A cada dia, semana e mês surgem novidades e desafios - novos ou diferentes - para serem superados. Apesar de racionalmente ter consciência desses pontos, confesso que emocionalmente ainda é uma luta!
quinta-feira, 13 de dezembro de 2012
Meu bebê nasceu e logo termina minha licença. O que eu faço agora?
O comentário da Fabi à postagem Eu largar o emprego e depender financeiramente do meu marido? Você só pode estar louca! me inspirou a escrever o post de hoje.
É verdade que embora a renda extra seja um fator importante (e como é!) por causa da instabilidade econômica do país, ela não é o único motivo que leva as mulheres a se apegarem tanto às suas carreiras. Sim, é um tema complexo e, no meu ponto de vista, outro fator de igual peso à independência financeira feminina é a desvalorização da maternidade, assunto sobre o qual tratei aqui cinco meses atrás. Ser mãe hoje em dia não é mais a atividade principal na vida de uma mulher. Desde novas outros sonhos são postos à nossa frente - por meio da mídia, da escola, dos discursos que ouvimos sobre o que é "ter sucesso".
Aspiramos a uma vida profissional bem sucedida, almejamos estudar, conhecer, explorar, crescer, etc. Queremos fazer algo de importante com as nossas vidas, sonhamos em ser reconhecidas pelo nosso conhecimento e pelo trabalho que realizamos, enfim, desejamos fazer algo que de alguma forma impacte e ajude a transformar a sociedade em que vivemos. Esses novos sonhos não são ruins. Pelo contrário! O fato é que, em meio a tantos anseios e objetivos, a maternidade torna-se apenas "mais uma" de uma série de obrigações e responsabilidades que vamos assumindo ao longo de nossas vidas. E acho que posso afirmar com segurança e você há de concordar que, de modo geral, a maternidade deixou de ser prioridade.
E justamente por isso, em meio à toda euforia da gestação e inúmeros preparativos para a chegada do bebê, não pensamos muito em como será a nossa vida (e a do bebezinho que carregamos no ventre) após os 4 meses - ou para algumas privilegiadas, 6 meses - da licença-maternidade. Não é assim? A gente nem imagina como será difícil deixá-lo tão pequeno e indefeso aos cuidados de outra pessoa para retomarmos nossas funções profissionais. Passamos pelo parto e pelo pós-parto, superamos a fase de aprender a cuidar de um recém-nascido, aprendemos a amamentar, nos esforçamos para implementar uma rotina adequada e quando nos damos conta, o tempo acabou! Hora de voltar ao mercado de trabalho. O bebê nem saiu do peito ainda, mal começou a comer sólidos e já precisa passar por uma nova e difícil mudança: a separação da mãe e adaptação ao jeito de fazer as coisas de uma nova pessoa (talvez desconhecida).
E agora, quem vai ficar com o meu bebê para eu voltar a trabalhar? Deixo-o numa creche? Matriculo-o numa escolinha? Se sim, qual? Pago alguém para cuidar dele dentro da minha casa? Ou será que peço favor a algum parente próximo? Parece que dentre as diferentes possibilidades, não cogita-se ficar em casa. Isto mesmo quando o custo da escolinha em tempo integral equipara-se praticamente ao salário da mãe!!
Por isso, diferente da Fabi, eu não tenho receio de orientar mulheres nessa situação a deixarem de trabalhar. Ou de pelo menos ajudá-las a considerar que existe essa alternativa! E que é uma ótima alternativa, diga-se de passagem, uma vez que o comum e o que já está na mente de quase toda mulher (de classe média para cima) é voltar para o emprego!! Como a própria Fabi disse, as mulheres que ela atende como defensora pública são de baixa renda e, na grande maioria dos casos, desqualificadas para as boas posições no mercado de trabalho. Assim, presumo que elas não optaram por dedicar-se às prendas domésticas, mas o fazem porque não há outra saída. "Voltar para o emprego" para elas não era uma opção.
O que quero dizer que é que ficar em casa e ser "apenas mãe" por um tempo maior do que o permitido pela licença-maternidade não é uma opção que passa pela nossa cabeça de "mulher moderna" de classe média. Os contras são muito mais evidentes do que os prós. É o que tenho notado. Com certeza a possibilidade de algum dia ser "exclusiva do lar" não passa pela cabeça de muitas mulheres imersas na carreira antes de engravidar. Na minha não passava. E também não é muito frequente considerarem esta possibilidade após o bebê nascer. Depois que o filho nasce, achamos que temos de ser fortes e prosseguir com a vida como "toda mulher" faz - deixando-o numa escolinha, ou creche, ou com outra pessoa para cuidar dele pra nós.
Claro que o conselho que a gente dá sempre está vinculado à decisão que a gente tomou, mas se a mulher está angustiada porque sente que seu papel principal é estar ali do lado do filho e se vê relutando contra aqueles preconceitos (internos e externos) dos quais falei no último post, então sim eu a aconselharia a dar este passo de fé e abrir mão de sua carreira e independência financeira em prol da educação do seu filho! Pelo menos por um tempo, até ela e o marido sentirem que Deus os está guiando para algo diferente.
Os prós que a Fabi apontou são reais, mas se a mulher prioriza o casamento, penso que ela prioriza os filhos e a família também, até porque está tudo de certa forma interligado. Então eu imagino que se ela cogita essa possibilidade de ficar em casa com os filhos e o marido a apóia, muito provavelmente é porque desfrutam de uma estabilidade conjugal e existe cumplicidade e partilha de objetivos entre o casal. Quanto à instabilidade econômica, acho que ela sempre existiu, no nosso país e em qualquer outro, e todos independente de classe estamos sujeitos a adversidades e infortúnios financeiros de vários tipos (falência, desemprego, etc. mas, sobretudo, se formos mau administradores!). Não creio que faça tanta diferença assim se os dois estão empregados ou se apenas um. Aqui entra a questão de fé - quando estamos no centro da vontade de Deus, não temeremos más notícias pois Ele irá prover tudo o que precisarmos. Nada faltará, pois junto com a missão, Deus dá os recursos!
Com isso estou dizendo que a mãe que fica em casa é melhor do que a que sai para trabalhar? Não. Isso seria generalizar. Há mães que ficam em casa e fazem um péssimo trabalho enquanto outras ralam o dia todo fora e conseguem dar uma ótima educação para os filhos. Meu ponto é que se existe a possibilidade de a mãe ficar mais tempo com a criança e ela aproveita bem esses momentos isso é, sem sombra de dúvida, muito melhor para o estabelecimento de vínculos emocionais com a criança e, portanto, para a família.
No momento estou lendo o livro "Why Love Matters", de Sue Gerhardt, uma psicanalista e psicoterapeuta que fala sobre o papel do afeto no desenvolvimento do cérebro do bebê. O livro está repleto de dados referentes às últimas pesquisas na área da bioquímica, neurologia, psicologia e psicanálise que apontam para a importância dos primeiros dois anos de vida e que como as experiências vividas durante esse curto período refletem, inconscientemente, em nossas ações na vida adulta. Cá entre nós, conquanto haja escolinhas infantis e educadores maravilhosos em muitos cantos desse país, as chances de ter uma bem pertinho de você e que seja acessível ao seu bolso são baixas. E por mais amoroso, dedicado e bem-intencionado que seja o parente ou a babá que você arrumou para ficar com seu filho, dificilmente ele fará o trabalho melhor do que a mãe que o ama incondicionalmente e que, eu creio, é a pessoa ideal para educar e cuidar desta criança. Oras, não dá para ser ingênuo e pensar que a forma como a sociedade está estruturada hoje em dia realmente esteja com os melhores interesses da criança (ou da família) em mente.
O lema "socialização por meio da escola", tão em voga atualmente, foi elaborado para nos fazer crer que não enviar nossos filhos à escola tão cedo quanto possível é fazê-los um mal terrível e privá-los de um direito (que em nome dele, priva-os de outro talvez ainda mais importante, vai entender...) quando sabemos que, por trás dessa bandeira de 'escolarização precoce' está a necessidade de que ambos os pais trabalhem e produzam para a sociedade.
De qualquer modo, é preciso fazer a distinção entre a situação ideal da possível. Nem todas as famílias têm essa possibilidade da mãe pessoalmente cuidar da criança (mesmo que com ajuda em parte do dia). Por isso, se a possibilidade existir, acredito que a mãe (ou pai) deva sim aproveitá-la, atendendo a este chamado como um dos mais importantes da sua vida. Mas, se realmente não houver a possibilidade e o casal entender de Deus que este não é o caminho para sua família, então devem descansar e crer que Ele irá sustentar sua família de outras formas, dando novas estratégias e meios para que possam realizar a missão que Ele lhes deu. Algumas histórias que tenho ouvido têm me enchido de fé. Mulheres que enfrentaram esse dilema, agiram em obediência àquilo que criam ser um princípio da Palavra, apesar dos temores financeiros, e sendo grandemente abençoadas. Quem sabe algumas delas topem escrever para nós a sua história!
Para terminar, gostaria de contar um pouco da minha. Afinal, as nossas escolhas não são à toa, não é mesmo? Sempre tem um porquê por trás que mostra o trabalhar de Deus em nossas vidas.
Como a Fabi, minha mãe era funcionária pública. Até onde eu sei, por muito tempo ela ganhou mais do que o meu pai e, talvez por isso, quando eu e meu irmão nascemos (ele é 2 anos mais novo), ela começou a pagar empregada para ficar em casa com a gente durante o dia. Aos três anos comecei a ir à escola. Nunca conversei com a minha mãe sobre isso, mas hoje que também sou mãe imagino que não tenha sido uma situação fácil para ela. Já ouvi algumas histórias de babá que batia em mim e outros incidentes, como eu ter deslocado o braço aos 7 meses e sofrido uma queimadura grave nas costas com leite fervendo aos 4 anos. Isso deve tê-la deixado angustiada. Talvez culpada? Como ela sempre trabalhou muito longe (no centro da cidade), saía de casa cedinho, antes mesmo de acordarmos de manhã. Era meu pai que nos levava para a escola e eu tenho boas lembranças de conversas com ele dentro do carro. Mas eu via a minha mãe bem pouco durante a semana, pois ela só chegava em casa por volta das 18:00.
Eu e meus irmãos (a mais nova nasceu 9 anos depois de mim) fomos criados por empregadas. Uma delas cuida de mim desde os 7 anos, ela é como minha irmã mais velha. Até hoje está na casa da minha mãe (faz 23 anos!) e me ajuda com os serviços domésticos aqui em casa também. Não posso reclamar porque, como dizem, "tive do bom e do melhor". Fui muito abençoada por estudar num colégio caro e maravilhoso (de onde quase saí várias vezes por causa do alto valor da mensalidade), pelo qual sou eternamente grata! Mas é inegável que minha mãe pagou um alto preço. Um preço que me faz estremecer só de me imaginar na pele dela. Nesse sentido, minha mãe é muito mais forte do que eu! Além de problemas no casamento (lembro que meus pais tiveram crises horríveis e quase se separaram na minha pré-adolescência), o preço mais alto, acredito, foi o vínculo com os filhos. É vergonhoso para eu admitir isso agora depois de adulta, mas gostávamos de brincar e conversar mais com o meu pai do que com ela porque ele tinha mais tempo e paciência para nos ouvir e disposição para brincar. Minha mãe vivia estressada. Também, pudera! E na adolescência, além do meu pai que sempre foi o meu mentor espiritual, eu acabei buscando em outros adultos um referencial com quem eu pudesse me abrir e compartilhar minhas lutas. Eu invejava as meninas que tinham na mãe uma amiga porque com a minha eu não me dava tão bem. Sentia que ela não me entendia, não me conhecia. Confesso que tive muitas resistências a ela por isso. Achava, por exemplo, que ela queria 'me comprar' com os excessivos presentes que ela dava (hoje entendo que essa era a linguagem de amor dela) e somente depois de me casar é que o nosso relacionamento começou a melhorar.
Será que se a minha mãe tivesse optado por ficar em casa nosso relacionamento teria sido melhor - ao ponto de sermos best friends? Talvez sim, talvez não. Não tem como eu saber. Mas suponho que se ela tivesse exonerado o cargo, talvez eu não tivesse estudado na PACA e dificilmente eu teria tido exemplos tão inspiradores de pessoas de Deus com quem eu pudesse me identificar a ponto de desejar seguir na fé em Cristo. Só por isso, eu já tenho motivo de sobra para ser grata à minha mãe pela escolha que ela fez: de ter priorizado a estabilidade financeira da família e me dado esta oportunidade de estudar por treze anos lá. Ou, de igual modo, ela poderia ter exonerado o cargo, ficado sem emprego e Deus abençoado minha família de tal forma que meu pai ganhasse o dobro ou o triplo do que ela?! Haha, não sei... são apenas suposições.
O fato é que não tem como mudar o passado. Apenas olhar para trás e procurar entender como chegamos onde estamos para então decidir que caminho tomar daqui pra frente, pois o que está feito, está feito. Deus foi fiel em tudo, em cada detalhe. Só tenho o que agradecer!
Quando chegou a minha vez de voltar para a empresa, eu fiquei num terrível dilema e a decisão de parar de trabalhar passou por um período de amadurecimento. Como sempre trabalhei em empresa familiar, quando a Nicole nasceu tive a regalia de continuar desempenhando minhas tarefas de casa. Eu trabalhava duro. A levava para a empresa comigo algumas vezes e quando estava em casa aproveitava cada segundo das sonecas dela para dar conta de tudo. Quase não descansava. Quando a Alícia nasceu, por um ano tentei fazer o mesmo esquema, mas com duas era muito mais difícil. Eu me sentia entre a cruz e a espada. Além de terrivelmente exausta, eu vi que não estava fazendo nem um nem outro bem o suficiente. Qualquer coisa estava me irritando e eu descontava tudo no Douglas. Mas parar de trabalhar? Eu passava mal só de pensar na hipótese - pelo financeiro sim, mas principalmente pelo trabalho em si. O depto pedagógico da empresa era o meu xodó!
Enfim, sair da empresa era algo que eu NUNCA me imaginei fazendo e me dava dor de barriga só de pensar. Orei muito. Quando falei para o meu pai o que estava pensando em fazer, ele logo sugeriu que eu pagasse alguém para cuidar das meninas porque a empresa estava precisando de mim. Mas dentro de mim eu sabia que não podia fazer isso! Eu tinha tanto ainda para ensiná-las, não poderia passar essa tarefa para outra pessoa. Era a MINHA responsabilidade e sabia que me arrependeria no futuro se abrisse mão dela. Bem, Deus me conhece e sabe como sou indecisa e bastante insegura para um monte de coisas, então Ele ouviu as minhas súplicas e me deu uma ajudinha. A volta à faculdade foi o empurrão que eu precisava para "sacrificar o meu Isaque (=o trabalho)", porque eu sabia que fazer as 3 coisas bem eu não poderia!
Minha família (a parte que trabalha na empresa) ficou sem acreditar e sem entender também. Minha mãe comenta até hoje que fica abismada com a minha decisão de ficar em casa, porque agora com um salário a menos, precisamos cortar despesas. Um dos cortes foi a escola da Nicole, vou ficar com ela o dia todo em casa no ano que vem. Outro corte é a empregada que passará a vir somente uma vez por semana para fazer a faxina pesada pra mim. A Fabi falou em arrependimento. Acho que é cedo para falar nisso. Mas a esposa do meu pastor, que é uma das pessoas com quem me aconselho, disse que nunca viu uma mãe que optou por ficar em casa se arrepender da decisão (e olha que ela conhece muitos casos!). Estou confiando que sim!
Para terminar (de verdade agora!), preciso fazer uma confissão. Prontas para outra baita revelação sobre a minha pessoa? Um dos meus maiores medos referente à maternidade era ter filha mulher. E olha só hoje eu com duas! Eu achava que eu não seria capaz de ser uma boa mãe de filha mulher. Sério!! Antes mesmo de engravidar, eu já tinha ciúmes do relacionamento de "pai e filha" que meu marido teria com ela(s) - assim como eu tinha com o meu pai - e secretamente sonhava em ter filhos homens para poder ser a 'queridinha' deles. Haha, pois é!! Mas Deus me ajudou a superar esse medo e hoje vejo que não passavam de ilusão! Amo ser mãe de meninas (embora ainda queira meus dois meninos) e estou curtindo muito!
Quais são os seus pensamentos a respeito da mãe colocar a carreira "em espera" (ou abandoná-las de vez) para cuidar dos filhos? Usem o espaço para comentários abaixo e dê sua opinião!
É verdade que embora a renda extra seja um fator importante (e como é!) por causa da instabilidade econômica do país, ela não é o único motivo que leva as mulheres a se apegarem tanto às suas carreiras. Sim, é um tema complexo e, no meu ponto de vista, outro fator de igual peso à independência financeira feminina é a desvalorização da maternidade, assunto sobre o qual tratei aqui cinco meses atrás. Ser mãe hoje em dia não é mais a atividade principal na vida de uma mulher. Desde novas outros sonhos são postos à nossa frente - por meio da mídia, da escola, dos discursos que ouvimos sobre o que é "ter sucesso".
Aspiramos a uma vida profissional bem sucedida, almejamos estudar, conhecer, explorar, crescer, etc. Queremos fazer algo de importante com as nossas vidas, sonhamos em ser reconhecidas pelo nosso conhecimento e pelo trabalho que realizamos, enfim, desejamos fazer algo que de alguma forma impacte e ajude a transformar a sociedade em que vivemos. Esses novos sonhos não são ruins. Pelo contrário! O fato é que, em meio a tantos anseios e objetivos, a maternidade torna-se apenas "mais uma" de uma série de obrigações e responsabilidades que vamos assumindo ao longo de nossas vidas. E acho que posso afirmar com segurança e você há de concordar que, de modo geral, a maternidade deixou de ser prioridade.
E justamente por isso, em meio à toda euforia da gestação e inúmeros preparativos para a chegada do bebê, não pensamos muito em como será a nossa vida (e a do bebezinho que carregamos no ventre) após os 4 meses - ou para algumas privilegiadas, 6 meses - da licença-maternidade. Não é assim? A gente nem imagina como será difícil deixá-lo tão pequeno e indefeso aos cuidados de outra pessoa para retomarmos nossas funções profissionais. Passamos pelo parto e pelo pós-parto, superamos a fase de aprender a cuidar de um recém-nascido, aprendemos a amamentar, nos esforçamos para implementar uma rotina adequada e quando nos damos conta, o tempo acabou! Hora de voltar ao mercado de trabalho. O bebê nem saiu do peito ainda, mal começou a comer sólidos e já precisa passar por uma nova e difícil mudança: a separação da mãe e adaptação ao jeito de fazer as coisas de uma nova pessoa (talvez desconhecida).
E agora, quem vai ficar com o meu bebê para eu voltar a trabalhar? Deixo-o numa creche? Matriculo-o numa escolinha? Se sim, qual? Pago alguém para cuidar dele dentro da minha casa? Ou será que peço favor a algum parente próximo? Parece que dentre as diferentes possibilidades, não cogita-se ficar em casa. Isto mesmo quando o custo da escolinha em tempo integral equipara-se praticamente ao salário da mãe!!
Por isso, diferente da Fabi, eu não tenho receio de orientar mulheres nessa situação a deixarem de trabalhar. Ou de pelo menos ajudá-las a considerar que existe essa alternativa! E que é uma ótima alternativa, diga-se de passagem, uma vez que o comum e o que já está na mente de quase toda mulher (de classe média para cima) é voltar para o emprego!! Como a própria Fabi disse, as mulheres que ela atende como defensora pública são de baixa renda e, na grande maioria dos casos, desqualificadas para as boas posições no mercado de trabalho. Assim, presumo que elas não optaram por dedicar-se às prendas domésticas, mas o fazem porque não há outra saída. "Voltar para o emprego" para elas não era uma opção.
O que quero dizer que é que ficar em casa e ser "apenas mãe" por um tempo maior do que o permitido pela licença-maternidade não é uma opção que passa pela nossa cabeça de "mulher moderna" de classe média. Os contras são muito mais evidentes do que os prós. É o que tenho notado. Com certeza a possibilidade de algum dia ser "exclusiva do lar" não passa pela cabeça de muitas mulheres imersas na carreira antes de engravidar. Na minha não passava. E também não é muito frequente considerarem esta possibilidade após o bebê nascer. Depois que o filho nasce, achamos que temos de ser fortes e prosseguir com a vida como "toda mulher" faz - deixando-o numa escolinha, ou creche, ou com outra pessoa para cuidar dele pra nós.
Claro que o conselho que a gente dá sempre está vinculado à decisão que a gente tomou, mas se a mulher está angustiada porque sente que seu papel principal é estar ali do lado do filho e se vê relutando contra aqueles preconceitos (internos e externos) dos quais falei no último post, então sim eu a aconselharia a dar este passo de fé e abrir mão de sua carreira e independência financeira em prol da educação do seu filho! Pelo menos por um tempo, até ela e o marido sentirem que Deus os está guiando para algo diferente.
Os prós que a Fabi apontou são reais, mas se a mulher prioriza o casamento, penso que ela prioriza os filhos e a família também, até porque está tudo de certa forma interligado. Então eu imagino que se ela cogita essa possibilidade de ficar em casa com os filhos e o marido a apóia, muito provavelmente é porque desfrutam de uma estabilidade conjugal e existe cumplicidade e partilha de objetivos entre o casal. Quanto à instabilidade econômica, acho que ela sempre existiu, no nosso país e em qualquer outro, e todos independente de classe estamos sujeitos a adversidades e infortúnios financeiros de vários tipos (falência, desemprego, etc. mas, sobretudo, se formos mau administradores!). Não creio que faça tanta diferença assim se os dois estão empregados ou se apenas um. Aqui entra a questão de fé - quando estamos no centro da vontade de Deus, não temeremos más notícias pois Ele irá prover tudo o que precisarmos. Nada faltará, pois junto com a missão, Deus dá os recursos!
Com isso estou dizendo que a mãe que fica em casa é melhor do que a que sai para trabalhar? Não. Isso seria generalizar. Há mães que ficam em casa e fazem um péssimo trabalho enquanto outras ralam o dia todo fora e conseguem dar uma ótima educação para os filhos. Meu ponto é que se existe a possibilidade de a mãe ficar mais tempo com a criança e ela aproveita bem esses momentos isso é, sem sombra de dúvida, muito melhor para o estabelecimento de vínculos emocionais com a criança e, portanto, para a família.
No momento estou lendo o livro "Why Love Matters", de Sue Gerhardt, uma psicanalista e psicoterapeuta que fala sobre o papel do afeto no desenvolvimento do cérebro do bebê. O livro está repleto de dados referentes às últimas pesquisas na área da bioquímica, neurologia, psicologia e psicanálise que apontam para a importância dos primeiros dois anos de vida e que como as experiências vividas durante esse curto período refletem, inconscientemente, em nossas ações na vida adulta. Cá entre nós, conquanto haja escolinhas infantis e educadores maravilhosos em muitos cantos desse país, as chances de ter uma bem pertinho de você e que seja acessível ao seu bolso são baixas. E por mais amoroso, dedicado e bem-intencionado que seja o parente ou a babá que você arrumou para ficar com seu filho, dificilmente ele fará o trabalho melhor do que a mãe que o ama incondicionalmente e que, eu creio, é a pessoa ideal para educar e cuidar desta criança. Oras, não dá para ser ingênuo e pensar que a forma como a sociedade está estruturada hoje em dia realmente esteja com os melhores interesses da criança (ou da família) em mente.
O lema "socialização por meio da escola", tão em voga atualmente, foi elaborado para nos fazer crer que não enviar nossos filhos à escola tão cedo quanto possível é fazê-los um mal terrível e privá-los de um direito (que em nome dele, priva-os de outro talvez ainda mais importante, vai entender...) quando sabemos que, por trás dessa bandeira de 'escolarização precoce' está a necessidade de que ambos os pais trabalhem e produzam para a sociedade.
De qualquer modo, é preciso fazer a distinção entre a situação ideal da possível. Nem todas as famílias têm essa possibilidade da mãe pessoalmente cuidar da criança (mesmo que com ajuda em parte do dia). Por isso, se a possibilidade existir, acredito que a mãe (ou pai) deva sim aproveitá-la, atendendo a este chamado como um dos mais importantes da sua vida. Mas, se realmente não houver a possibilidade e o casal entender de Deus que este não é o caminho para sua família, então devem descansar e crer que Ele irá sustentar sua família de outras formas, dando novas estratégias e meios para que possam realizar a missão que Ele lhes deu. Algumas histórias que tenho ouvido têm me enchido de fé. Mulheres que enfrentaram esse dilema, agiram em obediência àquilo que criam ser um princípio da Palavra, apesar dos temores financeiros, e sendo grandemente abençoadas. Quem sabe algumas delas topem escrever para nós a sua história!
Para terminar, gostaria de contar um pouco da minha. Afinal, as nossas escolhas não são à toa, não é mesmo? Sempre tem um porquê por trás que mostra o trabalhar de Deus em nossas vidas.
Como a Fabi, minha mãe era funcionária pública. Até onde eu sei, por muito tempo ela ganhou mais do que o meu pai e, talvez por isso, quando eu e meu irmão nascemos (ele é 2 anos mais novo), ela começou a pagar empregada para ficar em casa com a gente durante o dia. Aos três anos comecei a ir à escola. Nunca conversei com a minha mãe sobre isso, mas hoje que também sou mãe imagino que não tenha sido uma situação fácil para ela. Já ouvi algumas histórias de babá que batia em mim e outros incidentes, como eu ter deslocado o braço aos 7 meses e sofrido uma queimadura grave nas costas com leite fervendo aos 4 anos. Isso deve tê-la deixado angustiada. Talvez culpada? Como ela sempre trabalhou muito longe (no centro da cidade), saía de casa cedinho, antes mesmo de acordarmos de manhã. Era meu pai que nos levava para a escola e eu tenho boas lembranças de conversas com ele dentro do carro. Mas eu via a minha mãe bem pouco durante a semana, pois ela só chegava em casa por volta das 18:00.
Eu e meus irmãos (a mais nova nasceu 9 anos depois de mim) fomos criados por empregadas. Uma delas cuida de mim desde os 7 anos, ela é como minha irmã mais velha. Até hoje está na casa da minha mãe (faz 23 anos!) e me ajuda com os serviços domésticos aqui em casa também. Não posso reclamar porque, como dizem, "tive do bom e do melhor". Fui muito abençoada por estudar num colégio caro e maravilhoso (de onde quase saí várias vezes por causa do alto valor da mensalidade), pelo qual sou eternamente grata! Mas é inegável que minha mãe pagou um alto preço. Um preço que me faz estremecer só de me imaginar na pele dela. Nesse sentido, minha mãe é muito mais forte do que eu! Além de problemas no casamento (lembro que meus pais tiveram crises horríveis e quase se separaram na minha pré-adolescência), o preço mais alto, acredito, foi o vínculo com os filhos. É vergonhoso para eu admitir isso agora depois de adulta, mas gostávamos de brincar e conversar mais com o meu pai do que com ela porque ele tinha mais tempo e paciência para nos ouvir e disposição para brincar. Minha mãe vivia estressada. Também, pudera! E na adolescência, além do meu pai que sempre foi o meu mentor espiritual, eu acabei buscando em outros adultos um referencial com quem eu pudesse me abrir e compartilhar minhas lutas. Eu invejava as meninas que tinham na mãe uma amiga porque com a minha eu não me dava tão bem. Sentia que ela não me entendia, não me conhecia. Confesso que tive muitas resistências a ela por isso. Achava, por exemplo, que ela queria 'me comprar' com os excessivos presentes que ela dava (hoje entendo que essa era a linguagem de amor dela) e somente depois de me casar é que o nosso relacionamento começou a melhorar.
Será que se a minha mãe tivesse optado por ficar em casa nosso relacionamento teria sido melhor - ao ponto de sermos best friends? Talvez sim, talvez não. Não tem como eu saber. Mas suponho que se ela tivesse exonerado o cargo, talvez eu não tivesse estudado na PACA e dificilmente eu teria tido exemplos tão inspiradores de pessoas de Deus com quem eu pudesse me identificar a ponto de desejar seguir na fé em Cristo. Só por isso, eu já tenho motivo de sobra para ser grata à minha mãe pela escolha que ela fez: de ter priorizado a estabilidade financeira da família e me dado esta oportunidade de estudar por treze anos lá. Ou, de igual modo, ela poderia ter exonerado o cargo, ficado sem emprego e Deus abençoado minha família de tal forma que meu pai ganhasse o dobro ou o triplo do que ela?! Haha, não sei... são apenas suposições.
O fato é que não tem como mudar o passado. Apenas olhar para trás e procurar entender como chegamos onde estamos para então decidir que caminho tomar daqui pra frente, pois o que está feito, está feito. Deus foi fiel em tudo, em cada detalhe. Só tenho o que agradecer!
Quando chegou a minha vez de voltar para a empresa, eu fiquei num terrível dilema e a decisão de parar de trabalhar passou por um período de amadurecimento. Como sempre trabalhei em empresa familiar, quando a Nicole nasceu tive a regalia de continuar desempenhando minhas tarefas de casa. Eu trabalhava duro. A levava para a empresa comigo algumas vezes e quando estava em casa aproveitava cada segundo das sonecas dela para dar conta de tudo. Quase não descansava. Quando a Alícia nasceu, por um ano tentei fazer o mesmo esquema, mas com duas era muito mais difícil. Eu me sentia entre a cruz e a espada. Além de terrivelmente exausta, eu vi que não estava fazendo nem um nem outro bem o suficiente. Qualquer coisa estava me irritando e eu descontava tudo no Douglas. Mas parar de trabalhar? Eu passava mal só de pensar na hipótese - pelo financeiro sim, mas principalmente pelo trabalho em si. O depto pedagógico da empresa era o meu xodó!
Enfim, sair da empresa era algo que eu NUNCA me imaginei fazendo e me dava dor de barriga só de pensar. Orei muito. Quando falei para o meu pai o que estava pensando em fazer, ele logo sugeriu que eu pagasse alguém para cuidar das meninas porque a empresa estava precisando de mim. Mas dentro de mim eu sabia que não podia fazer isso! Eu tinha tanto ainda para ensiná-las, não poderia passar essa tarefa para outra pessoa. Era a MINHA responsabilidade e sabia que me arrependeria no futuro se abrisse mão dela. Bem, Deus me conhece e sabe como sou indecisa e bastante insegura para um monte de coisas, então Ele ouviu as minhas súplicas e me deu uma ajudinha. A volta à faculdade foi o empurrão que eu precisava para "sacrificar o meu Isaque (=o trabalho)", porque eu sabia que fazer as 3 coisas bem eu não poderia!
Minha família (a parte que trabalha na empresa) ficou sem acreditar e sem entender também. Minha mãe comenta até hoje que fica abismada com a minha decisão de ficar em casa, porque agora com um salário a menos, precisamos cortar despesas. Um dos cortes foi a escola da Nicole, vou ficar com ela o dia todo em casa no ano que vem. Outro corte é a empregada que passará a vir somente uma vez por semana para fazer a faxina pesada pra mim. A Fabi falou em arrependimento. Acho que é cedo para falar nisso. Mas a esposa do meu pastor, que é uma das pessoas com quem me aconselho, disse que nunca viu uma mãe que optou por ficar em casa se arrepender da decisão (e olha que ela conhece muitos casos!). Estou confiando que sim!
Para terminar (de verdade agora!), preciso fazer uma confissão. Prontas para outra baita revelação sobre a minha pessoa? Um dos meus maiores medos referente à maternidade era ter filha mulher. E olha só hoje eu com duas! Eu achava que eu não seria capaz de ser uma boa mãe de filha mulher. Sério!! Antes mesmo de engravidar, eu já tinha ciúmes do relacionamento de "pai e filha" que meu marido teria com ela(s) - assim como eu tinha com o meu pai - e secretamente sonhava em ter filhos homens para poder ser a 'queridinha' deles. Haha, pois é!! Mas Deus me ajudou a superar esse medo e hoje vejo que não passavam de ilusão! Amo ser mãe de meninas (embora ainda queira meus dois meninos) e estou curtindo muito!
Quais são os seus pensamentos a respeito da mãe colocar a carreira "em espera" (ou abandoná-las de vez) para cuidar dos filhos? Usem o espaço para comentários abaixo e dê sua opinião!
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
Eu largar o emprego e depender financeiramente do meu marido? Você só pode estar louca!
Recentemente em pé numa fila ouvi mãe e filha conversarem bem atrás de mim. Falavam do namorado da filha que, pelo que pude entender, tinha carro e a levava para os lugares onde ela precisava ir. Insatisfeita, a jovem se queixava de que precisava logo arrumar um emprego pra poder ter "as coisas dela". A justificativa, para citar as exatas palavras que ela usou, foi que "não tem nada pior do que depender de homem", ao que a mãe prontamente confirmou: "Ah, isso é. Não tem nada pior mesmo".
Essa conversa imediatamente me fez lembrar de uma matéria publicada em 30/10/2012 no UOL Mulher intitulada "Ao abrirem mão da carreira para serem donas de casa, mulheres sofrem preconceito". A matéria fala de mulheres que estudaram, se especializaram, construíram uma carreira bem sucedida, ganharam dinheiro mas que, "após tantas conquistas, decidiram abrir mão da independência e da autonomia financeira para fazer o caminho inverso" e estão voltando a assumir os cuidados com o lar e as crianças. No caso das duas mamães em foco na matéria, frisou-se que o apoio financeiro e emocional dos maridos foi fundamental.
Eu associei a conversa acima à reportagem justamente por causa da mentalidade de "meu dinheiro" e "seu dinheiro" que está impregnada na mente da maioria das pessoas, infelizmente! Você já deve ter ouvido falar de casais que, em nome da liberdade e individualidade dos cônjuges, um não sabe quanto o outro ganha. Ou então de marido e mulher que fazem 'comprinhas escondidas' para não arrumar confusão em casa. São poucas as famílias que consideram todo dinheiro que entra como "nosso dinheiro" e não dividam as contas que um paga e que outro paga. Penso se, no caso das mulheres "do lar", isso é causado por algum comportamento egoísta do marido - de repente de má vontade para com as necessidades da esposa já que mulher normalmente é vista como 'gastona'? Ou talvez seja coisa da cabeça da esposa mesmo que acredita que precisa do "seu dinheirinho" para se sentir uma mulher independente e "poderosa".
Não sei, mas independente da raiz do pensamento, parece que a mulher DEPENDER do homem é sinal de retrocesso ao movimento feminista que conquistou "direitos iguais" entre os sexos em nossa sociedade, já repararam? E o preconceito contra a mulher que fica em casa (e não ganha salário) não me parece ser exclusividade do público feminino. Muitos homens aderem à apologia da mulher valorosa e poderosa como aquela que está no mercado de trabalho, que ganha e que administra o próprio dinheiro - ainda que secretamente alguns possam desejar algo diferente para suas parcerias, é verdade. No contexto da pós-modernidade intelectual em que vivemos, ai do homem que disser que gostaria que a esposa ficasse em casa e pessoalmente cuidasse da educação dos filhos, não é mesmo! Já imaginou a revolta? Bom, pelo menos na minha faculdade eu sei que esse indivíduo seria ferozmente execrado como machista, dominador e opressor das mulheres! O acusariam ferrenhamente e ainda acrescentariam: "Ah, bonito, então por que não fica em casa você pra limpar, cozinhar, trocar fralda de bebê e cuidar de criança o dia todo já que faz tanta questão assim de não pagar alguém para fazer esse serviço?", indicando nas entrelinhas que dedicar-se aos filhos e à administração do lar não é uma realização muito importante. A supremacia do local de trabalho (ou do estudo) sobre o ambiente familiar está tão impregnada em nós que é que como se ficar em casa fosse sinônimo de emburrecer, de atrofiar o cérebro por falta de uso, de viver uma vida medíocre dependendo de outro (o marido, que é quem desempenha uma atividade que realmente tem relevância para esta sociedade que pouco valoriza a família). Você já percebeu a maneira como consideramos que o bom e saudável para qualquer indivíduo (seja homem, mulher, criança, adulto ou velho) é estar em todo e qualquer lugar que não seja em casa, vivendo a vida comum do lar?
Eu gostei tanto da reportagem porque ela aponta o contrário!
A mulher que fica em casa tem uma nobre missão e um imenso privilégio de ficar perto dos filhos nos anos em que as bases para as suas vidas estão sendo formadas. Primeiro, o fato dela poder escolher ficar em casa e cuidar da prole significa simplesmente isso: que ela tem escolha! Apenas isso. Não significa que ela é menos do que o homem, apenas que ela não precisa vender o seu tempo para outro em troca de dinheiro para conseguir colocar comida na mesa. Significa que o marido ganha suficientemente bem para sustentar toda a família e garantir a ela esse PRIVILÉGIO de ser mãe em tempo integral. Claro que em muitos casos sacrifícios são feitos, grandes sacrifícios até!
No meu caso e no caso de algumas mulheres que eu conheço (e estou cada vez mais surpresa com os depoimentos que ouço!), a opção de ficar em casa foi feita por acreditarem que era o melhor para o bem-estar das suas FAMÍLIAS, que elas decidiram priorizar acima de suas próprias carreiras profissionais. E elas toparam abaixar o padrão de vida (por tempo indeterminado) e abrir mão de certos luxos e/ou regalias e até certas necessidades, em prol desse objetivo. No meu caso, pelo menos, foi o que aconteceu. Cortes substanciais foram feitos no orçamento familiar depois que a renda caiu pela metade quando eu parei de trabalhar fora. Planejamos que aguentaríamos as pontas por 18 meses, que era o tempo previsto para eu terminar a faculdade, mas para ser sincera eu gostaria de ficar em casa com as meninas por mais tempo. Se até lá o salário do meu marido for suficiente para dar conta de nossas despesas, acho que é o que farei. Está sendo muito bom assumir, em tempo integral, a tarefa de ensiná-las a respeito de praticamente tudo no nosso dia-a-dia de vida, tanto em termos de desenvolvimento intelectual, quanto espiritual e físico. Além disso, em casa tenho liberdade para trabalhar em projetos pessoais, a fazer o que gosto no tempo e da maneira que eu quero (ou consigo), sem pressão externa de cumprir horário.
Como a psicóloga da matéria diz, a mulher que não trabalha fora não é menos importante que o homem. Ela está ao lado dele, eles são parceiros nessa empreitada (de construir uma família). E ela também não é pior do que a mulher que passa todos os dias da semana dentro de uma empresa, no ambiente profissional do mercado de trabalho. Percebo que o ponto nevrálgico dessa questão é que o preconceito contra ficar em casa não vem somente de fora. Sim, a sociedade cobra, existem as pressões externas. Mas talvez muito mais fortes sejam as internas, o preconceito que está dentro de nós mesmas. E eu me pergunto por que será que sofremos tanto com este estigma e autoconceito negativo por ficar em casa? De onde vem a vergonha e/ou a culpa por "não estar fazendo nada"? Será que tem a ver que a gente secretamente pensa que tem de ir para o trabalho para fazer algo de útil e importante com as nossas vidas? E essa neura de que não merece gastar "o dinheiro do marido" e sentir que precisa dar um jeito de ter sua graninha por fora, de onde vem? Pode ser mesmo que uma nova fonte de renda seja algo necessário para alcançar os objetivos da família a longo prazo, mas até que ponto também não é fruto do desejo de "contribuir financeiramente" de alguma forma por achar que o que faz em casa (cuidar dos filhos, por exemplo) não é suficiente para torná-la uma mulher de valor? O que alimentou esse pensamento que nos acusa de estarmos sendo folgadas?
Todos os exemplos que eu dei são de preconceitos que eu já presenciei ou mesmo já tive, inclusive contra mim mesma. Mas, puxa, tenho percebido que dizer que a mulher que cuida do lar e dos filhos não trabalha é uma baita inverdade. Nunca trabalhei tanto em minha vida! Claro que eu também cansava quando passava o dia todo fora de casa, mas o cansaço de trabalhar em casa e cuidar dos filhos é um cansaço bem diferente. Exige muitas habilidades ao mesmo tempo, exige atenção redobrada, exige disciplina... e às vezes significa mal ter privacidade pra ir ao banheiro sozinha! Nesse sentido, passar horas sentada na frente do computador escrevendo, criando e resolvendo "pepinos" era menos cansativo. Ficar em casa dá mais trabalho!
Eu associei a conversa acima à reportagem justamente por causa da mentalidade de "meu dinheiro" e "seu dinheiro" que está impregnada na mente da maioria das pessoas, infelizmente! Você já deve ter ouvido falar de casais que, em nome da liberdade e individualidade dos cônjuges, um não sabe quanto o outro ganha. Ou então de marido e mulher que fazem 'comprinhas escondidas' para não arrumar confusão em casa. São poucas as famílias que consideram todo dinheiro que entra como "nosso dinheiro" e não dividam as contas que um paga e que outro paga. Penso se, no caso das mulheres "do lar", isso é causado por algum comportamento egoísta do marido - de repente de má vontade para com as necessidades da esposa já que mulher normalmente é vista como 'gastona'? Ou talvez seja coisa da cabeça da esposa mesmo que acredita que precisa do "seu dinheirinho" para se sentir uma mulher independente e "poderosa".
Não sei, mas independente da raiz do pensamento, parece que a mulher DEPENDER do homem é sinal de retrocesso ao movimento feminista que conquistou "direitos iguais" entre os sexos em nossa sociedade, já repararam? E o preconceito contra a mulher que fica em casa (e não ganha salário) não me parece ser exclusividade do público feminino. Muitos homens aderem à apologia da mulher valorosa e poderosa como aquela que está no mercado de trabalho, que ganha e que administra o próprio dinheiro - ainda que secretamente alguns possam desejar algo diferente para suas parcerias, é verdade. No contexto da pós-modernidade intelectual em que vivemos, ai do homem que disser que gostaria que a esposa ficasse em casa e pessoalmente cuidasse da educação dos filhos, não é mesmo! Já imaginou a revolta? Bom, pelo menos na minha faculdade eu sei que esse indivíduo seria ferozmente execrado como machista, dominador e opressor das mulheres! O acusariam ferrenhamente e ainda acrescentariam: "Ah, bonito, então por que não fica em casa você pra limpar, cozinhar, trocar fralda de bebê e cuidar de criança o dia todo já que faz tanta questão assim de não pagar alguém para fazer esse serviço?", indicando nas entrelinhas que dedicar-se aos filhos e à administração do lar não é uma realização muito importante. A supremacia do local de trabalho (ou do estudo) sobre o ambiente familiar está tão impregnada em nós que é que como se ficar em casa fosse sinônimo de emburrecer, de atrofiar o cérebro por falta de uso, de viver uma vida medíocre dependendo de outro (o marido, que é quem desempenha uma atividade que realmente tem relevância para esta sociedade que pouco valoriza a família). Você já percebeu a maneira como consideramos que o bom e saudável para qualquer indivíduo (seja homem, mulher, criança, adulto ou velho) é estar em todo e qualquer lugar que não seja em casa, vivendo a vida comum do lar?
Eu gostei tanto da reportagem porque ela aponta o contrário!
A mulher que fica em casa tem uma nobre missão e um imenso privilégio de ficar perto dos filhos nos anos em que as bases para as suas vidas estão sendo formadas. Primeiro, o fato dela poder escolher ficar em casa e cuidar da prole significa simplesmente isso: que ela tem escolha! Apenas isso. Não significa que ela é menos do que o homem, apenas que ela não precisa vender o seu tempo para outro em troca de dinheiro para conseguir colocar comida na mesa. Significa que o marido ganha suficientemente bem para sustentar toda a família e garantir a ela esse PRIVILÉGIO de ser mãe em tempo integral. Claro que em muitos casos sacrifícios são feitos, grandes sacrifícios até!
No meu caso e no caso de algumas mulheres que eu conheço (e estou cada vez mais surpresa com os depoimentos que ouço!), a opção de ficar em casa foi feita por acreditarem que era o melhor para o bem-estar das suas FAMÍLIAS, que elas decidiram priorizar acima de suas próprias carreiras profissionais. E elas toparam abaixar o padrão de vida (por tempo indeterminado) e abrir mão de certos luxos e/ou regalias e até certas necessidades, em prol desse objetivo. No meu caso, pelo menos, foi o que aconteceu. Cortes substanciais foram feitos no orçamento familiar depois que a renda caiu pela metade quando eu parei de trabalhar fora. Planejamos que aguentaríamos as pontas por 18 meses, que era o tempo previsto para eu terminar a faculdade, mas para ser sincera eu gostaria de ficar em casa com as meninas por mais tempo. Se até lá o salário do meu marido for suficiente para dar conta de nossas despesas, acho que é o que farei. Está sendo muito bom assumir, em tempo integral, a tarefa de ensiná-las a respeito de praticamente tudo no nosso dia-a-dia de vida, tanto em termos de desenvolvimento intelectual, quanto espiritual e físico. Além disso, em casa tenho liberdade para trabalhar em projetos pessoais, a fazer o que gosto no tempo e da maneira que eu quero (ou consigo), sem pressão externa de cumprir horário.
Como a psicóloga da matéria diz, a mulher que não trabalha fora não é menos importante que o homem. Ela está ao lado dele, eles são parceiros nessa empreitada (de construir uma família). E ela também não é pior do que a mulher que passa todos os dias da semana dentro de uma empresa, no ambiente profissional do mercado de trabalho. Percebo que o ponto nevrálgico dessa questão é que o preconceito contra ficar em casa não vem somente de fora. Sim, a sociedade cobra, existem as pressões externas. Mas talvez muito mais fortes sejam as internas, o preconceito que está dentro de nós mesmas. E eu me pergunto por que será que sofremos tanto com este estigma e autoconceito negativo por ficar em casa? De onde vem a vergonha e/ou a culpa por "não estar fazendo nada"? Será que tem a ver que a gente secretamente pensa que tem de ir para o trabalho para fazer algo de útil e importante com as nossas vidas? E essa neura de que não merece gastar "o dinheiro do marido" e sentir que precisa dar um jeito de ter sua graninha por fora, de onde vem? Pode ser mesmo que uma nova fonte de renda seja algo necessário para alcançar os objetivos da família a longo prazo, mas até que ponto também não é fruto do desejo de "contribuir financeiramente" de alguma forma por achar que o que faz em casa (cuidar dos filhos, por exemplo) não é suficiente para torná-la uma mulher de valor? O que alimentou esse pensamento que nos acusa de estarmos sendo folgadas?
Todos os exemplos que eu dei são de preconceitos que eu já presenciei ou mesmo já tive, inclusive contra mim mesma. Mas, puxa, tenho percebido que dizer que a mulher que cuida do lar e dos filhos não trabalha é uma baita inverdade. Nunca trabalhei tanto em minha vida! Claro que eu também cansava quando passava o dia todo fora de casa, mas o cansaço de trabalhar em casa e cuidar dos filhos é um cansaço bem diferente. Exige muitas habilidades ao mesmo tempo, exige atenção redobrada, exige disciplina... e às vezes significa mal ter privacidade pra ir ao banheiro sozinha! Nesse sentido, passar horas sentada na frente do computador escrevendo, criando e resolvendo "pepinos" era menos cansativo. Ficar em casa dá mais trabalho!
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
Você concorda com o aumento da jornada escolar?
Pois é, aqui estou eu para falar de política novamente. Eu sei, eu sei... não é o propósito primário deste blog, mas parece que ultimamente o assunto está me perseguindo, e como o que vou falar tem a ver com PROPOSTAS DE EDUCAÇÃO, certamente interessa a todas nós!
Na semana passada, antes das eleições, recebi em casa uma correspondência do apóstolo Jesher Cardoso (da Missão Evangélica Shekinah) pedindo meu apoio à candidatura para vereador de São Paulo de Eduardo Tuma, presbítero da Igreja Bola de Neve. Curiosa, fui até o seu site para pesquisar suas propostas e conhecer melhor suas ideias. Fiquei TRISTE de constatar que, apesar de cristão, ele segue princípios seculares de educação semelhantes aos que ouço na USP.
Em resumo, ele parte do pressuposto de que criança precisa passar o máximo de tempo possível - tanto do dia quanto do ano - dentro da escola, e longe de casa, dos pais, dos irmãos, enfim, do convívio familiar! Ele defende e propõe que creches funcionem durante o período de férias e que a jornada escolar do ensino fundamental e também do ENSINO INFANTIL (estamos falando de crianças de 0 a 5 anos!) sejam em período integral. Faço questão de reproduzir abaixo dois trechos de sua fala (transcrevi de um vídeo de campanha eleitoral dele e do seu próprio site):
"Já se comprovou que a ampliação da exposição dos alunos ao professor produz resultados positivos na aprendizagem. Faz-se necessário o aumento do número de dias letivos por ano, combinado com a ampliação da jornada diária. Isso melhoraria muito a educação em São Paulo" (Eduardo Tuma).
“A educação é um dos principais instrumentos para formar não somente o aluno, como também o cidadão paulistano” comenta Eduardo Tuma. “Escola em tempo integral significa educação em tempo integral. Desse jeito, além de contribuir para a formação completa dos alunos, auxilia os pais no cuidado dos filhos. Lugar de criança é na escola e não na rua” (Eduardo Tuma).
Eu fico triste em saber que cristãos estão se conformando com a visão de mundo secular para a educação. Na visão de mundo cristã, não são os interesses da FAMÍLIA que estão no centro de todas as ações? Pois me diga, qual família - pobre ou rica - pode de fato ser beneficiada ou fortalecida quando a educação / formação global dos filhos (que pressupõe inculcação de valores e princípios de vida) é praticamente terceirizada para o Estado e/ou outras instituições? E isso me leva a uma questão ainda mais importante: Como cristãos que creem no fortalecimento dos laços familiares, que tipo de sociedade queremos? Que sociedade é essa que construiremos a partir dessas propostas? Está na hora de pararmos para refletir sobre este assunto. E nos posicionarmos! O risco de aceitarmos inadvertidamente ideias que contrariam os princípios bíblicos é gigantesco.
O pesquisador e escritor cristão Lawrence O. Richards nos alerta: "Secularismo não diz respeito a envolver-se com práticas que são questionadas por alguns. Mas, antes, é adotar, sem reflexão, as perspectivas, valores e atitudes de nossa cultura, sem passá-los pelo crivo da Palavra de Deus. Significa vivermos a nossa vida como se não conhecêssemos a Jesus" (minha tradução).
O que me incomoda nesta visão secular de educação é as escolas - principalmente as públicas, mas em certa medida as particulares também - serem encaradas como "depósitos de crianças". Isso fica claro no vídeo quando Tuma fala: "Sem o serviço de creche, as crianças privam suas mães de trabalhar e ganhar dinheiro para atender as necessidades básicas da família". Imagine - a criança sendo nitidamente enxergada como estorvo para a família! Por quê não propõem políticas para incentivar e equipar as mães a se dedicarem integralmente à educação dos filhos nesses primeiros anos de formação? Não podemos concordar que as crianças sejam culpabilizadas (ou penalizadas) pelas injustiças sociais da humanidade. Não é culpa delas que os pais tenham de passar tantas horas do dia fora do lar trabalhando para terem o que comer e o que vestir.
E olhando por outro ângulo, você já se questionou que visão de mundo cristã é essa que coloca os filhos como impedimento para o progresso da sociedade, enfatizando, por exemplo, que para ser livre e realizada enquanto mulher emancipada, a mãe precisa colocar o próprio estudo e a carreira profissional (ainda que tenha condições de uma vida digna sem o salário adicional) acima dos interesses familiares (casamento e filhos) - ou seja, acima dos interesses coletivos do núcleo familiar? Como cristãos, que valores e prioridades vamos defender? Os bíblicos ou os seculares?
Faço minhas as palavras de meu marido quando comentou sobre esse assunto recentemente na internet: "Numa sociedade em que temos de trabalhar e consumir, não dá para ficar "perdendo" tempo com criança. O mais fácil é mandá-las para a escola para que fiquem o maior tempo possível lá. Muitas mães podem até ter um motivo legítimo para precisar dessa assistência social (mães solteiras que trabalham e estudam), mas certamente não se está pensando no melhor interesse da criança - e uma política pública de INCENTIVO a essa prática, maquiada de "proposta de educação", é que não combina" (Douglas Marsola, grifo meu).
Note que, para Tuma, "educação" e "escolarização" são a mesma coisa - erro fatal! Ah, sim, e de alguma forma ele inclui "assistência social" nessa confusão toda. Para além desse equívoco dos termos, perceba que ele defende que esta política de educação não somente formará bons cidadãos como também melhorará o aprendizado dos alunos. Isto não é verdade! Eu argumento justamente o contrário. Em minhas pesquisas por aí lendo textos de cunho pedagógico e também bíblico, estou cada vez mais convencida de que lugar de criança pequena é em casa, com os pais, o máximo de tempo que for possível - principalmente nos primeiros anos de vida.
Não é difícil de entender porque forçar uma criança de 0 a 5 anos a passar o dia todo fora de casa, 12 meses por ano, NÃO fortalece os laços afetivos da família, não é mesmo? E nem que esse afastamento em tempo integral do lar favorecerá a formação de um cidadão de caráter (solidário, confiante, responsável, dentre outros). Pelo contrário, acredito que contribui para que os laços que unem a família se enfraqueçam, as influências externas (e suas ideologias) prevaleçam e toda sorte de outros possíveis males e perigos para a criança que é ainda tão nova, numa idade em que começa seu processo de formação de identidade e precisa ser protegida e amada como única (não como mais uma em meio a tantos na sala de aula!).
Quero, portanto, questionar o nosso recém-eleito vereador para a cidade de SP, Eduardo Tuma, que estudos são esses que "comprovam" que criança de 0 a 14 anos precisa ficar o dia todo na escola, sem direito a período de férias, para que a educação seja de fato de qualidade! Será que ele pensou em como seriam adequados os períodos de férias dos profissionais dessa escola ou considerou ainda o volume de trabalho e desgaste físico e emocional adicionais que serão colocados sobre os ombros, principalmente, dos professores? Qualquer proposta de reforma da educação precisa ser pensada como um todo, desde à sua raiz. E, pra mim, esta política soa como mais uma tentativa de jogar o complexo problema das desigualdades sociais para a escola resolver, levantando a bandeira de que "a educação escolar é a salvadora da pátria". Eu acho que não é bem assim, o problema é mais embaixo, bem mais embaixo.
Por fim, ainda mais importante de se perguntar é: É verdade mesmo que a criança necessita disso para se formar um cidadão? Esta política atende a alguma suposta necessidade de desenvolvimento da criança? Se sim, quero saber qual porque vejo que há pedagogos e psicólogos dizendo outra coisa! Destaco os trabalhos de Raymond e Dorothy Moore, John Stott e James Dobson que defendem o contrário: quanto mais tardiamente se inicia o processo de escolarização e quanto mais tempo os filhos passam sob a tutela direta de pais dedicados e amorosos, melhor se desenvolve o aprendizado intelectual e emocional deles!!
O PIOR da história toda vem agora. Preparados para algo que entristece ainda mais?
1. Na ocasião em que pesquisei o site de campanha política do então candidato a vereador, cliquei no link "Fale com o Eduardo Tuma", preenchi meus dados e redigi minha mensagem. Ingênua eu. Advinhem? O link é uma farsa, não funciona, em toda a tentativa de 'enviar', a mensagem que aparece é "Failed to send your message. Please try later or contact the administrator by another method". Tentei muitas vezes e nada!
2. Hoje, dois dias após ser eleito, entro novamente no site do Tuma para tentar contato (sempre dou uma 2a chance às pessoas, rs). E tcharã, nova surpresa: Oosite está FORA DO AR!! Isto mesmo, os textos e vídeos que ele usou em sua campanha não estão mais disponíveis. Consta apenas uma mensagem de agradecimento por ter sido eleito. Quando tentei resgatar os links que eu havia divulgado pelo Facebook (justamente os que tratavam dos pontos que coloquei acima), me deparei com uma tela toda em branco com os dizeres "Not Found - The requested document was not found on this server - Web Server at eduardotuma.com.br).
Agora a pergunta que não quer calar: O que você espera de um político cristão? Eu espero transparência, no mínimo. E eu gostaria de saber qual o motivo dele não disponibilizar um canal de comunicação (e não estou falando de redes sociais: twitter, facebook, etc.) com seus eleitores e/ou população da sua cidade. Até porque política é algo tão complexo que requer espaço para debate de ideias! Eu mesmo apontei fragilidades graves na proposta dele (enquanto representante cristão), mas se eu estivesse em seu lugar, como uma vereadora que defende a bandeira de princípios bíblicos, precisaria pensar e estudar muito mais para fazer propostas políticas viáveis e coerentes com esta visão de mundo. Sem dúvidas, uma árdua tarefa!
Bem, sou muito insistente (rs) e de tanto pesquisar, acabei encontrando os vídeos dele no youtube. Assista, reflita e tire suas próprias conclusões.
Eduardo Tuma - Aumento da Jornada Escolar
Eduardo Tuma - Espera por Vagas em Creches
Na semana passada, antes das eleições, recebi em casa uma correspondência do apóstolo Jesher Cardoso (da Missão Evangélica Shekinah) pedindo meu apoio à candidatura para vereador de São Paulo de Eduardo Tuma, presbítero da Igreja Bola de Neve. Curiosa, fui até o seu site para pesquisar suas propostas e conhecer melhor suas ideias. Fiquei TRISTE de constatar que, apesar de cristão, ele segue princípios seculares de educação semelhantes aos que ouço na USP.
Em resumo, ele parte do pressuposto de que criança precisa passar o máximo de tempo possível - tanto do dia quanto do ano - dentro da escola, e longe de casa, dos pais, dos irmãos, enfim, do convívio familiar! Ele defende e propõe que creches funcionem durante o período de férias e que a jornada escolar do ensino fundamental e também do ENSINO INFANTIL (estamos falando de crianças de 0 a 5 anos!) sejam em período integral. Faço questão de reproduzir abaixo dois trechos de sua fala (transcrevi de um vídeo de campanha eleitoral dele e do seu próprio site):
"Já se comprovou que a ampliação da exposição dos alunos ao professor produz resultados positivos na aprendizagem. Faz-se necessário o aumento do número de dias letivos por ano, combinado com a ampliação da jornada diária. Isso melhoraria muito a educação em São Paulo" (Eduardo Tuma).
“A educação é um dos principais instrumentos para formar não somente o aluno, como também o cidadão paulistano” comenta Eduardo Tuma. “Escola em tempo integral significa educação em tempo integral. Desse jeito, além de contribuir para a formação completa dos alunos, auxilia os pais no cuidado dos filhos. Lugar de criança é na escola e não na rua” (Eduardo Tuma).
Eu fico triste em saber que cristãos estão se conformando com a visão de mundo secular para a educação. Na visão de mundo cristã, não são os interesses da FAMÍLIA que estão no centro de todas as ações? Pois me diga, qual família - pobre ou rica - pode de fato ser beneficiada ou fortalecida quando a educação / formação global dos filhos (que pressupõe inculcação de valores e princípios de vida) é praticamente terceirizada para o Estado e/ou outras instituições? E isso me leva a uma questão ainda mais importante: Como cristãos que creem no fortalecimento dos laços familiares, que tipo de sociedade queremos? Que sociedade é essa que construiremos a partir dessas propostas? Está na hora de pararmos para refletir sobre este assunto. E nos posicionarmos! O risco de aceitarmos inadvertidamente ideias que contrariam os princípios bíblicos é gigantesco.
O pesquisador e escritor cristão Lawrence O. Richards nos alerta: "Secularismo não diz respeito a envolver-se com práticas que são questionadas por alguns. Mas, antes, é adotar, sem reflexão, as perspectivas, valores e atitudes de nossa cultura, sem passá-los pelo crivo da Palavra de Deus. Significa vivermos a nossa vida como se não conhecêssemos a Jesus" (minha tradução).
O que me incomoda nesta visão secular de educação é as escolas - principalmente as públicas, mas em certa medida as particulares também - serem encaradas como "depósitos de crianças". Isso fica claro no vídeo quando Tuma fala: "Sem o serviço de creche, as crianças privam suas mães de trabalhar e ganhar dinheiro para atender as necessidades básicas da família". Imagine - a criança sendo nitidamente enxergada como estorvo para a família! Por quê não propõem políticas para incentivar e equipar as mães a se dedicarem integralmente à educação dos filhos nesses primeiros anos de formação? Não podemos concordar que as crianças sejam culpabilizadas (ou penalizadas) pelas injustiças sociais da humanidade. Não é culpa delas que os pais tenham de passar tantas horas do dia fora do lar trabalhando para terem o que comer e o que vestir.
E olhando por outro ângulo, você já se questionou que visão de mundo cristã é essa que coloca os filhos como impedimento para o progresso da sociedade, enfatizando, por exemplo, que para ser livre e realizada enquanto mulher emancipada, a mãe precisa colocar o próprio estudo e a carreira profissional (ainda que tenha condições de uma vida digna sem o salário adicional) acima dos interesses familiares (casamento e filhos) - ou seja, acima dos interesses coletivos do núcleo familiar? Como cristãos, que valores e prioridades vamos defender? Os bíblicos ou os seculares?
Faço minhas as palavras de meu marido quando comentou sobre esse assunto recentemente na internet: "Numa sociedade em que temos de trabalhar e consumir, não dá para ficar "perdendo" tempo com criança. O mais fácil é mandá-las para a escola para que fiquem o maior tempo possível lá. Muitas mães podem até ter um motivo legítimo para precisar dessa assistência social (mães solteiras que trabalham e estudam), mas certamente não se está pensando no melhor interesse da criança - e uma política pública de INCENTIVO a essa prática, maquiada de "proposta de educação", é que não combina" (Douglas Marsola, grifo meu).
Note que, para Tuma, "educação" e "escolarização" são a mesma coisa - erro fatal! Ah, sim, e de alguma forma ele inclui "assistência social" nessa confusão toda. Para além desse equívoco dos termos, perceba que ele defende que esta política de educação não somente formará bons cidadãos como também melhorará o aprendizado dos alunos. Isto não é verdade! Eu argumento justamente o contrário. Em minhas pesquisas por aí lendo textos de cunho pedagógico e também bíblico, estou cada vez mais convencida de que lugar de criança pequena é em casa, com os pais, o máximo de tempo que for possível - principalmente nos primeiros anos de vida.
Não é difícil de entender porque forçar uma criança de 0 a 5 anos a passar o dia todo fora de casa, 12 meses por ano, NÃO fortalece os laços afetivos da família, não é mesmo? E nem que esse afastamento em tempo integral do lar favorecerá a formação de um cidadão de caráter (solidário, confiante, responsável, dentre outros). Pelo contrário, acredito que contribui para que os laços que unem a família se enfraqueçam, as influências externas (e suas ideologias) prevaleçam e toda sorte de outros possíveis males e perigos para a criança que é ainda tão nova, numa idade em que começa seu processo de formação de identidade e precisa ser protegida e amada como única (não como mais uma em meio a tantos na sala de aula!).
Quero, portanto, questionar o nosso recém-eleito vereador para a cidade de SP, Eduardo Tuma, que estudos são esses que "comprovam" que criança de 0 a 14 anos precisa ficar o dia todo na escola, sem direito a período de férias, para que a educação seja de fato de qualidade! Será que ele pensou em como seriam adequados os períodos de férias dos profissionais dessa escola ou considerou ainda o volume de trabalho e desgaste físico e emocional adicionais que serão colocados sobre os ombros, principalmente, dos professores? Qualquer proposta de reforma da educação precisa ser pensada como um todo, desde à sua raiz. E, pra mim, esta política soa como mais uma tentativa de jogar o complexo problema das desigualdades sociais para a escola resolver, levantando a bandeira de que "a educação escolar é a salvadora da pátria". Eu acho que não é bem assim, o problema é mais embaixo, bem mais embaixo.
Por fim, ainda mais importante de se perguntar é: É verdade mesmo que a criança necessita disso para se formar um cidadão? Esta política atende a alguma suposta necessidade de desenvolvimento da criança? Se sim, quero saber qual porque vejo que há pedagogos e psicólogos dizendo outra coisa! Destaco os trabalhos de Raymond e Dorothy Moore, John Stott e James Dobson que defendem o contrário: quanto mais tardiamente se inicia o processo de escolarização e quanto mais tempo os filhos passam sob a tutela direta de pais dedicados e amorosos, melhor se desenvolve o aprendizado intelectual e emocional deles!!
O PIOR da história toda vem agora. Preparados para algo que entristece ainda mais?
1. Na ocasião em que pesquisei o site de campanha política do então candidato a vereador, cliquei no link "Fale com o Eduardo Tuma", preenchi meus dados e redigi minha mensagem. Ingênua eu. Advinhem? O link é uma farsa, não funciona, em toda a tentativa de 'enviar', a mensagem que aparece é "Failed to send your message. Please try later or contact the administrator by another method". Tentei muitas vezes e nada!
2. Hoje, dois dias após ser eleito, entro novamente no site do Tuma para tentar contato (sempre dou uma 2a chance às pessoas, rs). E tcharã, nova surpresa: Oo
Agora a pergunta que não quer calar: O que você espera de um político cristão? Eu espero transparência, no mínimo. E eu gostaria de saber qual o motivo dele não disponibilizar um canal de comunicação (e não estou falando de redes sociais: twitter, facebook, etc.) com seus eleitores e/ou população da sua cidade. Até porque política é algo tão complexo que requer espaço para debate de ideias! Eu mesmo apontei fragilidades graves na proposta dele (enquanto representante cristão), mas se eu estivesse em seu lugar, como uma vereadora que defende a bandeira de princípios bíblicos, precisaria pensar e estudar muito mais para fazer propostas políticas viáveis e coerentes com esta visão de mundo. Sem dúvidas, uma árdua tarefa!
Bem, sou muito insistente (rs) e de tanto pesquisar, acabei encontrando os vídeos dele no youtube. Assista, reflita e tire suas próprias conclusões.
Eduardo Tuma - Aumento da Jornada Escolar
Eduardo Tuma - Espera por Vagas em Creches
sábado, 15 de setembro de 2012
Creche noturna beneficia a sociedade?!
Estamos em época de eleição e por toda a cidade vemos e recebemos panfletos de candidatos que querem o nosso voto. Não vou me deter no fato deles poluírem e enfeiarem nossa cidade, espalhando excessivos cartazes, cavaletes e folhetos pelas praças, calçadas e ruas... e isto em parte, evidentemente, com dinheiro público (meu e seu!) que é destinado aos partidos e que financiam as campanhas políticas. Pois bem, chegando à USP, aproximadamente 10 dias atrás, recebi de um estudante à entrada da minha unidade de ensino (Faculdade de Educação) um material impresso fazendo propaganda para dois candidatos do PSOL, um à prefeito e outro à vereador. Apesar de não gostar de discutir política (talvez por considerar que eu não conheço o suficiente para tanto), sei o quanto é importante lermos materiais como esses e nos inteirarmos sobre as ideias que cada partido e candidato defende para o seu plano de governo, principalmente nesta época de eleição. Somente assim saberemos quem merece ou não o nosso voto e poderemos votar com mais consciência. Bem, foi lendo na íntegra quais eram as propostas de governo desses dois candidatos, que tive a mais absoluta certeza de que NÃO queria votar neles!
Dentre as ideias que me causaram repulsa (como o objetivo, por exemplo, de apoiar as demandas da população LGBT), havia a seguinte proposta de política pública para uma "educação de qualidade" e que me deixou completamente perplexa: "Implantação do período noturno nas creches, valorizando especialmente as mães trabalhadoras e estudantes".
Gente, mais alguém fica transtornado com isto?? Desde quando incentivar a mulher, neste caso evidentemente a mãe trabalhadora não-escolarizada e de baixa renda do nosso país, a colocar mais um peso de obrigação sobre seus ombros (ter de estudar, além de trabalhar, ao ponto de exaustão, ou seja, ficando o DIA TODO fora de casa e longe da família) é valorizá-la? E o que dizer de seus filhos já que sofrem tantas mazelas no dia-a-dia? Já não basta que em nossa cidade muitas crianças, em idade pré-escolar e de classe média inclusive, passam praticamente 12 horas por dia fora de casa? O quê? Estão sugerindo agora que elas fiquem na creche no período noturno também? Não dá para acreditar que chamam isso de valorizar as mães! E sabem o que é mais incrível? Ontem, numa discussão de grupo na faculdade, comentávamos acerca da desumanização que é a educação básica privada se preocupar tanto em preparar os alunos somente para passarem no vestibular, mas que, apesar disto, nenhum de nós provavelmente teria coragem de colocar o próprio filho numa escola pública já que, por mais que crêssemos no potencial da educação, a educação pública no Brasil estava falida. Daí, uma colega de classe defendeu que desde que havia se mudado da capital para o interior (município de Cotia) percebeu alguns pontos positivos nas escolas públicas de lá, um deles sendo a oferta de vagas na creche noturna. Fiquei pasma! Uma estudante de Pedagogia, casada, mãe de um menino de 8 anos (que estuda em escola particular, que fique bem claro) realmente acredita que a creche noturna pode ajudar o país a ir para frente!
Para mim está cada vez mais claro que a educação em geral, mas principalmente a pública, se tornou um "depósito de crianças" para que os pais possam trabalhar e estudar. E os resultados disso, na minha opinião, são trágicos! O Estado se esforça cada vez mais em enfraquecer a família e tirar das mãos dos pais a responsabilidade (e o direito!) de educarem os próprios filhos, segundo seus próprios valores e crenças pessoais - e não conforme a ideologia política do seu país.
Se você acompanha este blog, deve ter lido o texto "Apagão da família" que saiu no Jornal do Estado de São Paulo em 20 de agosto de 2012. Recomendo a leitura. O li e reli algumas vezes e posso dizer que concordo com cada palavra que o colunista Carlos Alberto di Franco escreveu! Ao tentar compreender o porquê de tanta violência, brutalidade e crimes bárbaros a que temos tido notícia diariamente, ele observa um elo comum a todas essas tragédias. Advinha qual? Justamente a desestruturação (ou falência) da família! E ela se dá de várias formas, dentre elas o esgarçamento das relações familiares, a ausência de limites, a crise da autoridade, o prazer como regra absoluta, o marketing do consumo alucinado e a desumanização das relações familiares.
Ao descrever especificamente a triste realidade de muitos jovens da classe média, ele fala aquilo que todos nós de certo modo já sabemos: falta carinho, falta diálogo, faltam referências morais e âncoras afetivas. Estamos falando de jovens que recebem boas mesadas, carros, viagens, mas que "certamente trocariam tudo isto pela presença dos pais. Sua resposta é uma explosiva combinação de revolta e ódio". Embora a fala do autor seja especificamente sobre a realidade da classe média brasileira, creio que o mesmo princípio da ausência paternal (e, se depender de alguns políticos, cada vez mais da ausência maternal também) vale para a classe baixa. Em vez de lutarem a favor da família, no intuito de fortalecê-la, as políticas públicas a destroem. Os valores estão invertidos e muitos ainda não se deram conta disso!
Já percebeu como pregam cada vez mais a diminuição do tempo em que ficamos com a família e nos apresentam isso como algo bom, como o passaporte para uma vida social feliz e bem ajustada? Você já reparou que aumentaram o tempo em que, desde a mais tenra idade, precisamos passar com os nossos pares (pessoas da mesma idade), chamaram isto de "socialização" e apresentaram-na como a forma ideal de convívio em sociedade? Não, isto está errado. E a tragédia a gente vê e sente na pele, nas palavras de Di Franco: "Cada vez mais pais não conhecem seus filhos e filhos não se interessam por seus pais e avós".
Na discussão de ontem, me segurei para não falar tudo o que eu pensava (pois não era o momento), mas o elogio da minha colega de classe para a iniciativa da creche noturna como algo benéfico e a solução para muitos problemas da sociedade (e famílias em geral) não me sai da cabeça! Creche noturna não é solução, é apenas desencadeadora de novos problemas, novos conflitos e mais crise para a população. É uma falsa libertação, pois na verdade prende, esfola, tortura e escraviza a sociedade. Como Di Franco tão bem colocou, quando especialistas e pedagogos formulam suas políticas, eles falam de tudo, menos da crise da família e da ausência de limites. Aliás, em toda minha formação universitária, o que mais ouvi até agora foi um culto à autonomia da criança e isto, infelizmente, às custas da morte da autoridade de pais e educadores. Penso que os pedagogos do nosso tempo entenderam tudo errado! A autoridade, os limites e o exercício do auto-controle não tolem a criança, pelo contrário a libertam para se desenvolver plenamente - física, mental e espiritualmente. Concordo com Di Franco quando ele defende que "a forja do caráter, compatível com o clima de verdadeira liberdade, começa a ganhar contornos de solução válida. A pena é que tenhamos de pagar um preço tão alto para redescobrir o óbvio".
Dentre as ideias que me causaram repulsa (como o objetivo, por exemplo, de apoiar as demandas da população LGBT), havia a seguinte proposta de política pública para uma "educação de qualidade" e que me deixou completamente perplexa: "Implantação do período noturno nas creches, valorizando especialmente as mães trabalhadoras e estudantes".
Gente, mais alguém fica transtornado com isto?? Desde quando incentivar a mulher, neste caso evidentemente a mãe trabalhadora não-escolarizada e de baixa renda do nosso país, a colocar mais um peso de obrigação sobre seus ombros (ter de estudar, além de trabalhar, ao ponto de exaustão, ou seja, ficando o DIA TODO fora de casa e longe da família) é valorizá-la? E o que dizer de seus filhos já que sofrem tantas mazelas no dia-a-dia? Já não basta que em nossa cidade muitas crianças, em idade pré-escolar e de classe média inclusive, passam praticamente 12 horas por dia fora de casa? O quê? Estão sugerindo agora que elas fiquem na creche no período noturno também? Não dá para acreditar que chamam isso de valorizar as mães! E sabem o que é mais incrível? Ontem, numa discussão de grupo na faculdade, comentávamos acerca da desumanização que é a educação básica privada se preocupar tanto em preparar os alunos somente para passarem no vestibular, mas que, apesar disto, nenhum de nós provavelmente teria coragem de colocar o próprio filho numa escola pública já que, por mais que crêssemos no potencial da educação, a educação pública no Brasil estava falida. Daí, uma colega de classe defendeu que desde que havia se mudado da capital para o interior (município de Cotia) percebeu alguns pontos positivos nas escolas públicas de lá, um deles sendo a oferta de vagas na creche noturna. Fiquei pasma! Uma estudante de Pedagogia, casada, mãe de um menino de 8 anos (que estuda em escola particular, que fique bem claro) realmente acredita que a creche noturna pode ajudar o país a ir para frente!
Para mim está cada vez mais claro que a educação em geral, mas principalmente a pública, se tornou um "depósito de crianças" para que os pais possam trabalhar e estudar. E os resultados disso, na minha opinião, são trágicos! O Estado se esforça cada vez mais em enfraquecer a família e tirar das mãos dos pais a responsabilidade (e o direito!) de educarem os próprios filhos, segundo seus próprios valores e crenças pessoais - e não conforme a ideologia política do seu país.
Se você acompanha este blog, deve ter lido o texto "Apagão da família" que saiu no Jornal do Estado de São Paulo em 20 de agosto de 2012. Recomendo a leitura. O li e reli algumas vezes e posso dizer que concordo com cada palavra que o colunista Carlos Alberto di Franco escreveu! Ao tentar compreender o porquê de tanta violência, brutalidade e crimes bárbaros a que temos tido notícia diariamente, ele observa um elo comum a todas essas tragédias. Advinha qual? Justamente a desestruturação (ou falência) da família! E ela se dá de várias formas, dentre elas o esgarçamento das relações familiares, a ausência de limites, a crise da autoridade, o prazer como regra absoluta, o marketing do consumo alucinado e a desumanização das relações familiares.
Ao descrever especificamente a triste realidade de muitos jovens da classe média, ele fala aquilo que todos nós de certo modo já sabemos: falta carinho, falta diálogo, faltam referências morais e âncoras afetivas. Estamos falando de jovens que recebem boas mesadas, carros, viagens, mas que "certamente trocariam tudo isto pela presença dos pais. Sua resposta é uma explosiva combinação de revolta e ódio". Embora a fala do autor seja especificamente sobre a realidade da classe média brasileira, creio que o mesmo princípio da ausência paternal (e, se depender de alguns políticos, cada vez mais da ausência maternal também) vale para a classe baixa. Em vez de lutarem a favor da família, no intuito de fortalecê-la, as políticas públicas a destroem. Os valores estão invertidos e muitos ainda não se deram conta disso!
Já percebeu como pregam cada vez mais a diminuição do tempo em que ficamos com a família e nos apresentam isso como algo bom, como o passaporte para uma vida social feliz e bem ajustada? Você já reparou que aumentaram o tempo em que, desde a mais tenra idade, precisamos passar com os nossos pares (pessoas da mesma idade), chamaram isto de "socialização" e apresentaram-na como a forma ideal de convívio em sociedade? Não, isto está errado. E a tragédia a gente vê e sente na pele, nas palavras de Di Franco: "Cada vez mais pais não conhecem seus filhos e filhos não se interessam por seus pais e avós".
Na discussão de ontem, me segurei para não falar tudo o que eu pensava (pois não era o momento), mas o elogio da minha colega de classe para a iniciativa da creche noturna como algo benéfico e a solução para muitos problemas da sociedade (e famílias em geral) não me sai da cabeça! Creche noturna não é solução, é apenas desencadeadora de novos problemas, novos conflitos e mais crise para a população. É uma falsa libertação, pois na verdade prende, esfola, tortura e escraviza a sociedade. Como Di Franco tão bem colocou, quando especialistas e pedagogos formulam suas políticas, eles falam de tudo, menos da crise da família e da ausência de limites. Aliás, em toda minha formação universitária, o que mais ouvi até agora foi um culto à autonomia da criança e isto, infelizmente, às custas da morte da autoridade de pais e educadores. Penso que os pedagogos do nosso tempo entenderam tudo errado! A autoridade, os limites e o exercício do auto-controle não tolem a criança, pelo contrário a libertam para se desenvolver plenamente - física, mental e espiritualmente. Concordo com Di Franco quando ele defende que "a forja do caráter, compatível com o clima de verdadeira liberdade, começa a ganhar contornos de solução válida. A pena é que tenhamos de pagar um preço tão alto para redescobrir o óbvio".
sexta-feira, 14 de setembro de 2012
Apagão da família
Texto de Carlos Alberto di Franco, publicado em 20 de agosto de 2012 no Estadão.
Link: http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,apagao--da-familia-,918978,0.htm
A sociedade assiste, assombrada, a uma escalada de crimes cometidos no âmbito de famílias de classe média. Transformou-se o crime familiar em pauta ordinária das editorias de polícia. O inimigo já não está somente nas esquinas e vielas da cidade sem rosto, mas dentro dos lares. Mudam os personagens, mas as histórias de famílias destruídas pelo ódio e pelas drogas se repetem. A violência não se oculta sob a máscara anônima da marginalidade. Surpreendentemente, vítimas e criminosos assinam o mesmo sobrenome e estão unidos pela indissolubilidade do DNA.
A multiplicação dos crimes em família tem deixado a opinião pública em estado de choque. Paira no ar a mesma pergunta que Federico Fellini pôs na boca de um dos personagens do seu filme Ensaio de Orquestra, quando, ao contemplar o caos que tomara conta dos músicos depois da destituição do maestro, pergunta, perplexo: "Como é que chegamos a isto?". A interrogação está subjacente nas reações de todos nós, caros leitores, que, atordoados, tentamos encontrar resposta para a escalada de maldade que tomou conta do cotidiano.
A tragédia que tem fustigado algumas famílias aparece tingida por marcas típicas da atual crônica policial: uso de drogas, dissolução da família e crise da autoridade. Não sou juiz de ninguém. Mas minha experiência profissional indica a presença de um elo que dá unidade aos crimes que destruíram inúmeros lares: o esgarçamento das relações familiares. Há exceções, é claro. Desequilíbrios e patologias independem da boa vontade de pais e filhos. A regra, no entanto, indica que o crime hediondo costuma ser o dramático corolário de um silogismo que se fundamenta nas premissas do egoísmo e da ausência, sobretudo paterna. A desestruturação da família está, de fato, na raiz da tragédia.
Se a crescente falange de jovens criminosos deixa algo claro, é o fato de que cada vez mais pais não conhecem os seus filhos - e filhos também não se interessam por seus pais e avós. Na falta do carinho e do diálogo, os jovens crescem sem referências morais e âncoras afetivas. Recebem boas mesadas, carros e viagens. Mas, certamente, trocariam tudo isso pela presença dos pais. Sua resposta é uma explosiva combinação de revolta e ódio.
Psiquiatras, inúmeros, tentam encontrar explicações nos meandros das patologias mentais. Podem ter razão. Mas nem sempre. Independentemente dos possíveis surtos psicóticos, causa imediata de crimes brutais, a grande doença dos nossos dias tem um nome menos técnico, porém mais cruel: a desumanização das relações familiares. O crime intra e extralar medra no terreno fertilizado pela ausência. O uso das drogas, verdadeiro estopim da loucura final, é, frequentemente, o resultado da falência da família.
A ausência de limites e a crise da autoridade estão na outra ponta do problema. Transformou-se o prazer em regra absoluta. O sacrifício, a renúncia e o sofrimento, realidades inerentes ao cotidiano de todos nós, foram excomungados pelo marketing do consumismo alucinado. Decretada a demissão dos limites e suprimido qualquer assomo de autoridade - dos pais, da escola e do Estado -, sobra a barbárie. A responsabilidade, consequência direta e imediata dos atos humanos, simplesmente evaporou-se. Em todos os campos. O político ladrão e aético não vai para a cadeia. Renuncia ao mandato. O delinquente juvenil não responde por seus atos. É "de menor".
Certas teorias no campo da educação, cultivadas em escolas que fizeram uma opção preferencial pela permissividade, também estão apresentando um amargo resultado. Uma legião de desajustados, crescida à sombra do dogma da educação não traumatizante, está mostrando a sua face perversa.
Ao traçar o perfil de alguns desvios da sociedade norte-americana, o sociólogo Christopher Lasch (autor do livro A Rebelião das Elites) sublinha as dramáticas consequências que estão ocultas sob a aparência da tolerância: "Gastamos a maior parte da nossa energia no combate à vergonha e à culpa, pretendendo que as pessoas se sentissem bem consigo mesmas". O saldo é uma geração desorientada e vazia.
A despersonalização da culpa e a certeza da impunidade têm gerado uma onda de superpredadores. O inchaço do ego e o emagrecimento da solidariedade estão na origem de inúmeras patologias. A forja do caráter, compatível com o clima de verdadeira liberdade, começa a ganhar contornos de solução válida. A pena é que tenhamos de pagar um preço tão alto para redescobrir o óbvio.
O pragmatismo e a irresponsabilidade de alguns setores do mundo do entretenimento também têm importante parcela de responsabilidade nesse quadro. A valorização do sucesso sem limites éticos, a apresentação de desvios comportamentais num clima de normalidade e a consagração da impunidade têm colaborado para o aparecimento de mauricinhos do crime. Apoiados numa manipulação do conceito de liberdade artística e de expressão, alguns programas de televisão crescem à sombra da exploração das paixões humanas.
As análises dos especialistas e as políticas públicas esgrimem inúmeros argumentos politicamente corretos. Fala-se de tudo. Menos da crise da família e da demissão da autoridade. Mas o nó está aí. Se não tivermos a coragem e a firmeza de desatá-lo, assistiremos a uma espiral de crueldade sem precedentes. É apenas uma questão de tempo.
Já estamos ouvindo as primeiras explosões do barril de pólvora. O horror dos lares destruídos pelo ódio não está nas telas dos cinemas. Está batendo às portas das casas de um Brasil que precisa resgatar a cordialidade captada pela poderosa lente de Sérgio Buarque de Holanda (o pai do Chico) no seu memorável Raízes do Brasil.
*Carlos Alberto Di Franco é Doutor em Comunicação pela Universidade de Navarra, é diretor do Departametno de Comunicação do Instituto Internacional de Ciências Sociais.
Link: http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,apagao--da-familia-,918978,0.htm
A sociedade assiste, assombrada, a uma escalada de crimes cometidos no âmbito de famílias de classe média. Transformou-se o crime familiar em pauta ordinária das editorias de polícia. O inimigo já não está somente nas esquinas e vielas da cidade sem rosto, mas dentro dos lares. Mudam os personagens, mas as histórias de famílias destruídas pelo ódio e pelas drogas se repetem. A violência não se oculta sob a máscara anônima da marginalidade. Surpreendentemente, vítimas e criminosos assinam o mesmo sobrenome e estão unidos pela indissolubilidade do DNA.
A multiplicação dos crimes em família tem deixado a opinião pública em estado de choque. Paira no ar a mesma pergunta que Federico Fellini pôs na boca de um dos personagens do seu filme Ensaio de Orquestra, quando, ao contemplar o caos que tomara conta dos músicos depois da destituição do maestro, pergunta, perplexo: "Como é que chegamos a isto?". A interrogação está subjacente nas reações de todos nós, caros leitores, que, atordoados, tentamos encontrar resposta para a escalada de maldade que tomou conta do cotidiano.
A tragédia que tem fustigado algumas famílias aparece tingida por marcas típicas da atual crônica policial: uso de drogas, dissolução da família e crise da autoridade. Não sou juiz de ninguém. Mas minha experiência profissional indica a presença de um elo que dá unidade aos crimes que destruíram inúmeros lares: o esgarçamento das relações familiares. Há exceções, é claro. Desequilíbrios e patologias independem da boa vontade de pais e filhos. A regra, no entanto, indica que o crime hediondo costuma ser o dramático corolário de um silogismo que se fundamenta nas premissas do egoísmo e da ausência, sobretudo paterna. A desestruturação da família está, de fato, na raiz da tragédia.
Se a crescente falange de jovens criminosos deixa algo claro, é o fato de que cada vez mais pais não conhecem os seus filhos - e filhos também não se interessam por seus pais e avós. Na falta do carinho e do diálogo, os jovens crescem sem referências morais e âncoras afetivas. Recebem boas mesadas, carros e viagens. Mas, certamente, trocariam tudo isso pela presença dos pais. Sua resposta é uma explosiva combinação de revolta e ódio.
Psiquiatras, inúmeros, tentam encontrar explicações nos meandros das patologias mentais. Podem ter razão. Mas nem sempre. Independentemente dos possíveis surtos psicóticos, causa imediata de crimes brutais, a grande doença dos nossos dias tem um nome menos técnico, porém mais cruel: a desumanização das relações familiares. O crime intra e extralar medra no terreno fertilizado pela ausência. O uso das drogas, verdadeiro estopim da loucura final, é, frequentemente, o resultado da falência da família.
A ausência de limites e a crise da autoridade estão na outra ponta do problema. Transformou-se o prazer em regra absoluta. O sacrifício, a renúncia e o sofrimento, realidades inerentes ao cotidiano de todos nós, foram excomungados pelo marketing do consumismo alucinado. Decretada a demissão dos limites e suprimido qualquer assomo de autoridade - dos pais, da escola e do Estado -, sobra a barbárie. A responsabilidade, consequência direta e imediata dos atos humanos, simplesmente evaporou-se. Em todos os campos. O político ladrão e aético não vai para a cadeia. Renuncia ao mandato. O delinquente juvenil não responde por seus atos. É "de menor".
Certas teorias no campo da educação, cultivadas em escolas que fizeram uma opção preferencial pela permissividade, também estão apresentando um amargo resultado. Uma legião de desajustados, crescida à sombra do dogma da educação não traumatizante, está mostrando a sua face perversa.
Ao traçar o perfil de alguns desvios da sociedade norte-americana, o sociólogo Christopher Lasch (autor do livro A Rebelião das Elites) sublinha as dramáticas consequências que estão ocultas sob a aparência da tolerância: "Gastamos a maior parte da nossa energia no combate à vergonha e à culpa, pretendendo que as pessoas se sentissem bem consigo mesmas". O saldo é uma geração desorientada e vazia.
A despersonalização da culpa e a certeza da impunidade têm gerado uma onda de superpredadores. O inchaço do ego e o emagrecimento da solidariedade estão na origem de inúmeras patologias. A forja do caráter, compatível com o clima de verdadeira liberdade, começa a ganhar contornos de solução válida. A pena é que tenhamos de pagar um preço tão alto para redescobrir o óbvio.
O pragmatismo e a irresponsabilidade de alguns setores do mundo do entretenimento também têm importante parcela de responsabilidade nesse quadro. A valorização do sucesso sem limites éticos, a apresentação de desvios comportamentais num clima de normalidade e a consagração da impunidade têm colaborado para o aparecimento de mauricinhos do crime. Apoiados numa manipulação do conceito de liberdade artística e de expressão, alguns programas de televisão crescem à sombra da exploração das paixões humanas.
As análises dos especialistas e as políticas públicas esgrimem inúmeros argumentos politicamente corretos. Fala-se de tudo. Menos da crise da família e da demissão da autoridade. Mas o nó está aí. Se não tivermos a coragem e a firmeza de desatá-lo, assistiremos a uma espiral de crueldade sem precedentes. É apenas uma questão de tempo.
Já estamos ouvindo as primeiras explosões do barril de pólvora. O horror dos lares destruídos pelo ódio não está nas telas dos cinemas. Está batendo às portas das casas de um Brasil que precisa resgatar a cordialidade captada pela poderosa lente de Sérgio Buarque de Holanda (o pai do Chico) no seu memorável Raízes do Brasil.
*Carlos Alberto Di Franco é Doutor em Comunicação pela Universidade de Navarra, é diretor do Departametno de Comunicação do Instituto Internacional de Ciências Sociais.
terça-feira, 6 de setembro de 2011
Rotina típica - um dia como o nosso!
Alguém já ouviu falar que sair de casa com filhos pequenos dá trabalho? Estou nessa fase da minha vida e agora finalmente posso dizer que sei como é!! Aliás, tenho aprendido ultimamente que há certas situações na vida que só entendemos de verdade quando "sentimos na pele" o que é passar por aquela experiência. E confesso que já julguei muito a vida alheia com base na minha própria e limitada experiência de vida.
Saber de ouvir falar não é o mesmo que saber de viver a situação!
Quero compartilhar um pouco sobre como tenho feito para conciliar a rotina das meninas - a Nicole estando com 2 anos e a Alícia com quase 3 meses de vida. Essa informação pode ser útil a você, não porque o meu modo de fazer as coisas é o melhor do mundo mas porque, como mamães proativas que desejam o melhor para as suas famílias, pesquisar e ler a respeito das experiências de outras mulheres pode ser um bom referencial. Eu faço muito isso, até hoje. A Alícia está em sua 13a semana de vida e, além de "trocar figurinha" com amigas que têm filho em idade próxima da dela, consulto sites e blogs pela internet. O meu predileto é o de uma mamãe que segue os mesmos princípios que eu e que, acredite se quiser, registrou semana a semana o desenvolvimento da filha mais nova! Então eu normalmente vou lá e leio três ou quatro semanas para frente como forma de me "preparar" para o que está por vir. Apesar dessa ser minha segunda experiência como mãe, aprender nunca é demais!
Os nossos dias começam bem cedo, às 6:00. Isso porque conciliar todos os afazeres matinais pra poder sair de casa requer uma verdadeira operação de logística! Agora já estamos ficando craques, mas nos primeiros meses foi barra. Quando estava quase tudo pronto, meu marido e eu olhávamos um para a cara do outro e dizíamos: "Já está na hora de voltar pra cama?" de tão cansados que ficávamos; quase não dava coragem de sair de casa. Ao fim do 1º mês de vida da Alícia, quando a Nicole voltou para a escola, o Douglas voltou para o trabalho e disse "Ufa, acabaram as férias"!
Mas vamos lá à rotina.
Não preciso colocar o despertador para tocar, uma das meninas sempre acorda no horário certinho, rs! Ou então, a menos que tenhamos ido dormir muito tarde na noite anterior e eu estiver pra lá de exausta, eu mesma acordo no horário de levantar. Sempre fui assim. Aliás, essa é uma das vantagens de se manter uma rotina, o nosso metabolismo se acostuma com os horários.
O dia começa com um de nós buscando as meninas e as trazendo para o nosso quarto. A Alícia mama enquanto a Nicole toma o leite no copo e depois vamos os quatro para o banho! Colocamos o trocador dentro do banheiro e, quando está muito frio, ligamos o aquecedor. Às vezes a gente inverte, mas normalmente é o Douglas quem dá banho de chuveiro nas meninas, uma de cada vez, enquanto eu fico com a parte de escolher a roupa, pegar as toalhas e trocá-las (tudo lá dentro do banheiro mesmo). Nunca gostamos de dar banho nas meninas de banheira; usamos a banheira pouquíssimas vezes, normalmente só nos primeiros dias mesmo. Acho mais complicado tentar segurar a bebê com um braço enquanto tento lavar o corpo dela com o outro do que entrar logo no chuveiro de uma vez! É mais prático e também não acho muito higiênico lavá-las com água parada. Parece que o corpinho fica meio oleoso por causa do shampoo ou sabonete líquido que ficou na água. No chuveiro é bom também porque a Nicole já escova os dentes.
A ordem é geralmente esta: A Nicole é a primeira a tomar banho; enquanto eu a visto, o Douglas dá banho na Alícia. Quando terminamos, eu levo a Nicole para ficar assistindo a algum DVD dos Veggie Tales enquanto o Douglas termina o banho dele e eu visto a Alícia. Terminada esta parte, eu coloco a Alícia para o "independent playtime" no cercadinho e vou tomar o meu banho enquanto o Douglas se veste. Eu sou o tipo de pessoa que não gosta de começar uma tarefa sem ter concluído a anterior, por isso tento não entrar no chuveiro enquanto as toalhas não estiverem penduradas no varal, as roupas sujas no cesto e a bolsa com trocas de roupa limpa para a Nicole levar para escola estiver arrumada. Nem sempre dá, mas eu tento.
Bem, isso tudo já levou praticamente uma hora! Como já é por volta das 7:00, o tempo acordada da Alícia chega ao fim e, então, o Douglas a coloca pra dormir enquanto eu me visto e vou terminando de arrumar as coisas no quarto, no banheiro ou na cozinha (por exemplo, lavar a louça da janta do dia anterior!). Ou então a gente troca: eu coloco a Alícia pra tirar a primeira soneca do dia enquanto ele começa a fazer o café, às vezes pica alguma fruta, põe a mesa e já sai para comprar o pão na padaria. Enquanto isso a Nicole ainda está assistindo desenho, ou não... às vezes ela também já desceu da cama e está "zanzando" pela casa. Se eu já não tiver colocado-a para fazer xixi logo após o banho, essa é uma boa hora para fazê-lo! Antes que aconteçam acidentes, como já aconteceu dela molhar a roupa quando estávamos com tudo pronto para sair de casa!
Como você pôde acompanhar, não paramos um minuto! E é quando meu marido volta da padaria que, finalmente, nos sentamos à mesa pra comer. A Nicole ainda usa o cadeirão; ela gosta e eu acho super prático. O café da manhã dura uns 15 a 20 min, então é hora de escovar os dentes e sair. Não sem antes colocar as meninas na cadeirinha do carro e prender o cinto de segurança. A Nicole entra oficialmente na escola às 8:00, mas podemos deixá-la até 30-40 min antes se precisar (raramente conseguimos); o Douglas a deixa lá no caminho para o trabalho.
Algumas vezes por semana, não mais que três, eu vou junto e levo a Alícia comigo. Nos outros dias eu fico em casa com a Alícia e desenvolvo minhas atividades de trabalho pela internet. Nas janelas que sobram, é claro, pois às 9:00 é hora de acordar a Alícia da soneca pra mamar. Em seguida, tem a troca de fralda e o momento dela acordada. O horário de saída da Nicole é logo após o almoço que é às 11 horas, então meu marido também almoça mais cedo e sai da empresa por volta do meio-dia para pegá-la e deixá-la em casa. Mesmo assim, só consegue buscá-la às 12:30, quase uma hora depois do horário oficial. Nos dias em que eu vou junto, ainda amamento a Alícia antes de sair da empresa, às 12:00.
Chegamos em casa perto das 13:00. A rotina da Nicole quando chega em casa é fazer xixi, escovar os dentes, tomar o leitinho e ir direto pra cama. A soneca dela dura de 2 a 3 horas, ou seja, até por volta das 15:00 ou 16:00. A Alícia também - assim que chegamos eu troco sua fralda novamente e a coloco para tirar a soneca (a terceira do dia), só que a dela dura menos, de 1,5 a 2 horas. Às 15:00 ela acorda novamente para mamar (ou eu a acordo quando dá o horário). Já a Nicole, quando acorda, toma um lanche leve - alguma fruta, pedaço de bolo ou então biscoito - pra não "estragar a janta", que é por volta das 18:00, e depois tem um tempinho de interação com a irmã (antes dela ir para a quarta soneca do dia que tem a menor duração de todas, aprox. 40 min).
Enquanto a Alícia dorme, eu normalmente tenho o meu tempinho de interação com a Nicole - fazemos alguma atividade juntas. Às vezes dou um banho, ou brincamos de alguma coisa de que ela goste no chão da sala. A partir das 17:00 a Alícia já está acordada novamente mas não é hora de mamar ainda. Então, alguns dias por semana, descemos as três até a casa da minha avó pra visitá-la. Quando os dias estiverem mais quentes, pretendo levá-las para passear na pracinha ou brincar no quintal.
Nesta hora a Beth sobe pra me ajudar e preparar a janta porque não dá pra dar conta das duas e ainda ficar na cozinha. Eu teria de ser três! Com a Alícia até que é fácil - "tiro de letra" - mas a Nicole é móvel e precisa de supervisão constante. Ainda por cima, está no processo de desfraldamento então tem de sempre levá-la ao banheiro pra fazer xixi (mesmo que ela não queira). Diferente da bebê, ela interage muito mais, fica chamando, quer atenção e, vez ou outra, precisa ser disciplinada porque desobedece ou está manhosa. Não dá pra largá-la e deixá-la fazer o que quiser pela casa. Enquanto a Beth faz a janta, deixo a Nicole ficar na minha cama assistindo desenho enquanto eu amamento a Alícia na poltrona do lado da cama.
Ufa! É nessa hora mais ou menos que o meu marido chega, entre 18:30 e 19:00, quando a Alícia já mamou, está trocada deitada no carrinho "vendo" eu dar a janta para a Nicole (algo que sempre demora 30 minutos pelo menos!!). Ele geralmente assume daí em diante pra me ajudar, ou então janta primeiro porque já está faminto. = )
Então ele fica na cozinha jantando com a Nicole enquanto eu coloco a Alícia no berço, pra depois eu também poder comer. Em seguida, ele leva a Nicole pra fazer xixi, escovar os dentes, colocar o pijama, a fralda e, se der tempo, ele também lê uma historinha pra ela e a coloca pra dormir por volta das 19:30.
Nos melhores dias, o nosso fim de noite é assim, com a casa em silêncio e as duas princesas dormindo em paz. Ah, eu amo o silêncio! Que bênção ter noites como essas! A minha esperança é que com persistência em seguir os princípios de implementar uma rotina previsível e ensinar a Alícia a dormir sozinha, os dias vão ficando cada vez mais tranquilos. Em dias assim, aproveito para tomar banho, relaxar, curtir o meu marido, ler um livro e, raramente, assistir a alguma coisa na TV antes de dar a última mamada do dia para a Alícia (a mamada dos sonhos, geralmente às 22:00, mas que com o tempo devo adiantar até poder eliminar de vez).
Nas piores noites, não. Tem dias que parece que dá tudo errado! Principalmente nesse início de implementação da rotina com a Alícia - nem tudo sai perfeito. A Nicole chega dormindo da escola e não consegue pegar no sono de novo (fica agitada, chorona), a Alícia chora e chora sem parar e inconsolavelmente por causa de alguma dor ou porque quer colo, o choro de uma acorda a outra, a Nicole faz xixi na calça, dentre muitas outras possibilidades que já aconteceram. Não é fácil, tem dias que dá vontade de chorar! Nos dias em que parece que tudo foge do controle, preciso parar, respirar fundo e buscar em Deus força e paciência pra continuar. Preciso fixar os meus olhos no alvo e vislumbrar aquilo que me traz esperança.
Isso é fé segundo Hebreus 11:1, "Ora, a fé é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos".
Bem, por hoje é só.
Um grande abraço!
Saber de ouvir falar não é o mesmo que saber de viver a situação!
Os nossos dias começam bem cedo, às 6:00. Isso porque conciliar todos os afazeres matinais pra poder sair de casa requer uma verdadeira operação de logística! Agora já estamos ficando craques, mas nos primeiros meses foi barra. Quando estava quase tudo pronto, meu marido e eu olhávamos um para a cara do outro e dizíamos: "Já está na hora de voltar pra cama?" de tão cansados que ficávamos; quase não dava coragem de sair de casa. Ao fim do 1º mês de vida da Alícia, quando a Nicole voltou para a escola, o Douglas voltou para o trabalho e disse "Ufa, acabaram as férias"!
Mas vamos lá à rotina.
Não preciso colocar o despertador para tocar, uma das meninas sempre acorda no horário certinho, rs! Ou então, a menos que tenhamos ido dormir muito tarde na noite anterior e eu estiver pra lá de exausta, eu mesma acordo no horário de levantar. Sempre fui assim. Aliás, essa é uma das vantagens de se manter uma rotina, o nosso metabolismo se acostuma com os horários.
O dia começa com um de nós buscando as meninas e as trazendo para o nosso quarto. A Alícia mama enquanto a Nicole toma o leite no copo e depois vamos os quatro para o banho! Colocamos o trocador dentro do banheiro e, quando está muito frio, ligamos o aquecedor. Às vezes a gente inverte, mas normalmente é o Douglas quem dá banho de chuveiro nas meninas, uma de cada vez, enquanto eu fico com a parte de escolher a roupa, pegar as toalhas e trocá-las (tudo lá dentro do banheiro mesmo). Nunca gostamos de dar banho nas meninas de banheira; usamos a banheira pouquíssimas vezes, normalmente só nos primeiros dias mesmo. Acho mais complicado tentar segurar a bebê com um braço enquanto tento lavar o corpo dela com o outro do que entrar logo no chuveiro de uma vez! É mais prático e também não acho muito higiênico lavá-las com água parada. Parece que o corpinho fica meio oleoso por causa do shampoo ou sabonete líquido que ficou na água. No chuveiro é bom também porque a Nicole já escova os dentes.
A ordem é geralmente esta: A Nicole é a primeira a tomar banho; enquanto eu a visto, o Douglas dá banho na Alícia. Quando terminamos, eu levo a Nicole para ficar assistindo a algum DVD dos Veggie Tales enquanto o Douglas termina o banho dele e eu visto a Alícia. Terminada esta parte, eu coloco a Alícia para o "independent playtime" no cercadinho e vou tomar o meu banho enquanto o Douglas se veste. Eu sou o tipo de pessoa que não gosta de começar uma tarefa sem ter concluído a anterior, por isso tento não entrar no chuveiro enquanto as toalhas não estiverem penduradas no varal, as roupas sujas no cesto e a bolsa com trocas de roupa limpa para a Nicole levar para escola estiver arrumada. Nem sempre dá, mas eu tento.
Como você pôde acompanhar, não paramos um minuto! E é quando meu marido volta da padaria que, finalmente, nos sentamos à mesa pra comer. A Nicole ainda usa o cadeirão; ela gosta e eu acho super prático. O café da manhã dura uns 15 a 20 min, então é hora de escovar os dentes e sair. Não sem antes colocar as meninas na cadeirinha do carro e prender o cinto de segurança. A Nicole entra oficialmente na escola às 8:00, mas podemos deixá-la até 30-40 min antes se precisar (raramente conseguimos); o Douglas a deixa lá no caminho para o trabalho.
Algumas vezes por semana, não mais que três, eu vou junto e levo a Alícia comigo. Nos outros dias eu fico em casa com a Alícia e desenvolvo minhas atividades de trabalho pela internet. Nas janelas que sobram, é claro, pois às 9:00 é hora de acordar a Alícia da soneca pra mamar. Em seguida, tem a troca de fralda e o momento dela acordada. O horário de saída da Nicole é logo após o almoço que é às 11 horas, então meu marido também almoça mais cedo e sai da empresa por volta do meio-dia para pegá-la e deixá-la em casa. Mesmo assim, só consegue buscá-la às 12:30, quase uma hora depois do horário oficial. Nos dias em que eu vou junto, ainda amamento a Alícia antes de sair da empresa, às 12:00.
Chegamos em casa perto das 13:00. A rotina da Nicole quando chega em casa é fazer xixi, escovar os dentes, tomar o leitinho e ir direto pra cama. A soneca dela dura de 2 a 3 horas, ou seja, até por volta das 15:00 ou 16:00. A Alícia também - assim que chegamos eu troco sua fralda novamente e a coloco para tirar a soneca (a terceira do dia), só que a dela dura menos, de 1,5 a 2 horas. Às 15:00 ela acorda novamente para mamar (ou eu a acordo quando dá o horário). Já a Nicole, quando acorda, toma um lanche leve - alguma fruta, pedaço de bolo ou então biscoito - pra não "estragar a janta", que é por volta das 18:00, e depois tem um tempinho de interação com a irmã (antes dela ir para a quarta soneca do dia que tem a menor duração de todas, aprox. 40 min).
Enquanto a Alícia dorme, eu normalmente tenho o meu tempinho de interação com a Nicole - fazemos alguma atividade juntas. Às vezes dou um banho, ou brincamos de alguma coisa de que ela goste no chão da sala. A partir das 17:00 a Alícia já está acordada novamente mas não é hora de mamar ainda. Então, alguns dias por semana, descemos as três até a casa da minha avó pra visitá-la. Quando os dias estiverem mais quentes, pretendo levá-las para passear na pracinha ou brincar no quintal.
Nesta hora a Beth sobe pra me ajudar e preparar a janta porque não dá pra dar conta das duas e ainda ficar na cozinha. Eu teria de ser três! Com a Alícia até que é fácil - "tiro de letra" - mas a Nicole é móvel e precisa de supervisão constante. Ainda por cima, está no processo de desfraldamento então tem de sempre levá-la ao banheiro pra fazer xixi (mesmo que ela não queira). Diferente da bebê, ela interage muito mais, fica chamando, quer atenção e, vez ou outra, precisa ser disciplinada porque desobedece ou está manhosa. Não dá pra largá-la e deixá-la fazer o que quiser pela casa. Enquanto a Beth faz a janta, deixo a Nicole ficar na minha cama assistindo desenho enquanto eu amamento a Alícia na poltrona do lado da cama.
Ufa! É nessa hora mais ou menos que o meu marido chega, entre 18:30 e 19:00, quando a Alícia já mamou, está trocada deitada no carrinho "vendo" eu dar a janta para a Nicole (algo que sempre demora 30 minutos pelo menos!!). Ele geralmente assume daí em diante pra me ajudar, ou então janta primeiro porque já está faminto. = )
Então ele fica na cozinha jantando com a Nicole enquanto eu coloco a Alícia no berço, pra depois eu também poder comer. Em seguida, ele leva a Nicole pra fazer xixi, escovar os dentes, colocar o pijama, a fralda e, se der tempo, ele também lê uma historinha pra ela e a coloca pra dormir por volta das 19:30.
Nos melhores dias, o nosso fim de noite é assim, com a casa em silêncio e as duas princesas dormindo em paz. Ah, eu amo o silêncio! Que bênção ter noites como essas! A minha esperança é que com persistência em seguir os princípios de implementar uma rotina previsível e ensinar a Alícia a dormir sozinha, os dias vão ficando cada vez mais tranquilos. Em dias assim, aproveito para tomar banho, relaxar, curtir o meu marido, ler um livro e, raramente, assistir a alguma coisa na TV antes de dar a última mamada do dia para a Alícia (a mamada dos sonhos, geralmente às 22:00, mas que com o tempo devo adiantar até poder eliminar de vez).
Nas piores noites, não. Tem dias que parece que dá tudo errado! Principalmente nesse início de implementação da rotina com a Alícia - nem tudo sai perfeito. A Nicole chega dormindo da escola e não consegue pegar no sono de novo (fica agitada, chorona), a Alícia chora e chora sem parar e inconsolavelmente por causa de alguma dor ou porque quer colo, o choro de uma acorda a outra, a Nicole faz xixi na calça, dentre muitas outras possibilidades que já aconteceram. Não é fácil, tem dias que dá vontade de chorar! Nos dias em que parece que tudo foge do controle, preciso parar, respirar fundo e buscar em Deus força e paciência pra continuar. Preciso fixar os meus olhos no alvo e vislumbrar aquilo que me traz esperança.
Isso é fé segundo Hebreus 11:1, "Ora, a fé é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos".
Bem, por hoje é só.
Um grande abraço!
Assinar:
Postagens (Atom)
