Bem-vinda!!

Bem-vinda ao nosso blog!
Aqui, mamães muito diferentes mas com um único objetivo compartilham suas experiências nesta grande aventura que é a maternidade! Nós queremos, acima de tudo, ser mamães sábias, que edificam seus lares e vivem com toda plenitude o privilégio de sermos mães! Usamos muitos dos princípios ensinados pelo Nana Nenê - Gary Ezzo, assim como outros livros. Nosso objetivo é compartilhar o que aprendemos a fim de facilitar a vida das mamães! Fomos realmente abençoadas com livros (e cursos) e queremos passar isso para frente!


"Com sabedoria se constroi a casa, e com discernimento se consolida.
Pelo conhecimento os seus cômodos se enchem do que é precioso e agradável"
Prov. 24:4,5
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segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Rotina do Vinícius – 1 a 3 meses – Parte 1: O primeiro mês

Ao ser apresentada aos princípios do Nana Nenê e da Encantadora de Bebês, fiquei simplesmente maravilhada - em especial porque admirava muito a forma como a Tine educava o Tiago – e mal podia esperar a Giovanna nascer para aplicá-los (atualmente com quase três anos de idade).

Contudo, depois de uns meses desenvolvi uma verdadeira repulsa a toda essa literatura, não porque duvidava de sua eficácia, mas simplesmente porque não funcionava como no livro. Acho que esse repúdio se deu porque eu tinha certas expectativas que não foram alcançadas e, para piorar, me sentia culpada por acreditar que isso ocorreu por minha incompetência em aplicar o método. Resultado: somando o temor do primeiro filho, com uma depressão leve pós-parto, mais uma choradeira interminável e um resultado que nunca chegava, acabei frustrada e acuada.
Somente depois de abandonar o CIO (deixar chorar) é que consegui reunir forças novamente para me concentrar na minha bebê e aos poucos fui resolvendo as pendências de um modo mais sereno. Consegui me recuperar e a vida seguiu. Meu desabafo pode ser lido em uma das poucas postagens antigas de minha autoria “A vida sem Ezzo ou Tracy Hogg”.
Aí fiquei grávida do meu segundo filho e tinha que decidir o que fazer. Aplicar os princípios? Não aplicar? O que aplicar?
Tornei a ler boa parte dos livros, dessa vez com outros olhos e sem a pressão de querer ser “a mãe perfeita”. Também li outros textos, principalmente na internet. Conversei com meu marido. Pensei nas experiências de outras mães, adeptas e não adeptas dos Ezzos. Lembrei da minha própria experiência, dessa vez com uma reflexão mais fria, mais crítica.
Abaixo compartilho as opções que fizemos em relação ao Vinícius, dispostos em três partes: Alimentação – Atividade – Sono. A Tracy Hogg chama isso de EASY (eat-activity-sleep-you).
1º mês:  
Alimentação:
O Vinícius nasceu prematuro e por problemas respiratórios teve que ficar internado por duas semanas. Na UTI o colocaram em uma rotina de mamadas de três em três horas rigorosa.
Já havíamos decidido aplicar o princípio da AOP (Alimentação Orientada pelos Pais), presente tanto no Nana Nenê quanto no livro “Encantadora de Bebês”. Acredito muito nesse princípio porque ele te permite compreender melhor o choro da criança. A partir do momento que você sabe que horas o bebê mamou, é possível prever, por exemplo, que um choro meia hora depois dificilmente será fome.
Além disso, a mamada espaçada permite ao bebê mamar quando realmente está com fome (não só para se acalmar, por exemplo), o que fará com que ele sugue até chegar à parte gordurosa do leite.
Também existe o ponto emocional. Não acho saudável fazer a associação de que devemos nos acalmar com comida. Peito é só para refeições e ponto final.
Quando chegamos em casa, aplicamos o princípio de imediato. Embora já estivesse acostumado com as três horas, resolvi baixar esse intervalo para 2 e ½ horas. O motivo? Na UTI eles sabem que o bebê mamou bem, porque depois do peito existe um complemento por sonda ou via oral. Além disso, as fraldas são pesadas e o próprio bebê é pesado diariamente. Sem esses recursos, preferi baixar o intervalo e aderi a uma flexibilidade de 30 minutos, tanto para mais, como para menos.
Atividade:
Depois da mamada, se ele dormisse, eu o deixava ereto por um tempo e depois colocava no berço. Se acordasse, tudo bem. Não insistia no período de atividade – afinal, era para ele estar no meu ventre.
Tirando um ou outro dia, ele praticamente mamou e dormiu por três semanas. A atividade principal era o banho e a troca de fraldas, sendo que optei por realizá-las antes das mamadas, para evitar regurgitações. Com a Gi, eu trocava uns 20 minutos depois das mamadas, porque o EASY da Tracy indicam essa como a principal atividade do bebê. Comparando, eis minhas observações:

1. As fraldas vazaram bem menos. Acho que é porque quando trocamos após a mamada, a barriguinha está mais cheia. Conforme vai esvaziando, a fralda fica menos ajustada e o xixi vaza. Trocando antes da mamada, o ajuste fica melhor.

2. Há menos incidentes de xixi no trocador. Trocando antes da mamada, tudo o que o nenê tinha para fazer já foi feito. No caso da Gi, mesmo trocando depois de um intervalo, era quase certo que ela faria mais durante a troca.

3. Diminuição no número de regurgitações. Esse era o único resultado que eu esperava e realmente se confirmou, principalmente no banho. Conto nos dedos as vezes que isso aconteceu e ele nunca golfou. Ressalto que não tive muito problema com a Gi, mas com o Vini foi quase perfeito nesse quesito.

4. Maior dificuldade para trocar. Foi o único ponto negativo que observei. Justamente por estar com fome, o Vini as vezes chorava e se remexia no trocador, fato que praticamente não aconteceu com a Giovanna (que geralmente desmaiava no trocador). Contudo, essa dificuldade aconteceu mais nas duas primeiras semanas. Depois que o Vini pegou o jeito da coisa, passou a se comportar bem e esperar pela troca, sabendo que em seguida ia mamar.
Sono:
Não deixei chorar, nem para sonecas, nem para o sono noturno. Concentrei-me em criar a rotina do sono e me esforcei para que ele dormisse no berço sozinho. Nessa fase é mais fácil, porque eles literalmente capotam, ainda mais o meu sendo prematuro. Tirando algumas poucas vezes em que foi necessário ninar, em boa parte das sonecas ele desmaiava sem qualquer esforço da minha parte.

Com a Gi (minha primeira filha), passei a deixar chorar dez dias após o nascimento. Foi simplesmente o caos. Fico angustiada só de ler meu diário da época. Definitivamente, com o Vini foi bem mais fácil e não acho que ele “perdeu sono”. Ao contrário, ele dormiu bem melhor que ela, que desperdiçou horas chorando ao invés de dormir.

Especulando (sim, porque não dá para saber com certeza), acho que o sucesso dessa primeira etapa se deu principalmente pela minha postura. Claro que a prematuridade é um fator que favorece o sono. Porém, acredito que as mães passam segurança ou insegurança para os filhos. Quando eu ia colocar a Gi no berço, já começava a ficar tensa, pensando no choro que teria que ouvir. Com o Vini tudo era tranquilo. Eu ia para o quarto dele com paz de espírito. Isso na minha opinião, foi um fator decisivo.
Resumindo:
O primeiro mês do meu filho em casa foi de paz e sossego. Ele comeu bem, dormiu bem e minha família idem. Acredito que para minha personalidade e estilo, esse “mix” de princípios serviu e não acredito que ter adiado o “deixar chorar” foi um empecilho para impor uma rotina adequada nessa primeira etapa da vida do Vini.

Contudo, lembro que há tantos fatores que é difícil prever o que acontecerá em cada caso concreto. Talvez para um terceiro filho essa minha opção de agora não seja adequada. Daí a importância de sempre manter a calma e fazer escolhas que funcionem para SUA família.

Aprendi que esse foi meu erro com a Giovanna: acreditar que se eu não conseguisse aplicar os princípios desde logo, teria mais trabalho em fazer isso mais para frente. Obriguei-me a passar por cima dos meus limites e criei um ambiente tenso na minha casa que redundou no fracasso de tudo. Foi só depois de jogar tudo fora e começar do zero que as coisas deram certo.

CIO é bom. Não descartei e vocês verão que passei a usar nos meses seguintes (aguardem as próximas postagens). Mas com a Gi, sinceramente, não achei que valeu a pena nessa fase. Daí minha opção para agora.

Até a próxima.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

O sono do bebê!

Olá! Hoje vim comentar uma matéria de 09/10/2012 publicada pelo UOL Mulher que uma amiga me enviou por e-mail algumas semanas atrás. A matéria chama-se "Dormir bem é um comportamento que você pode ensinar a seu filho recém-nascido" e eu gostei dela porque dá para fazer muitos paralelos com os princípios que o Nana Nenê (Gary Ezzo e Robert Buckman) e A Encantadora de Bebês (Tracy Hogg) ensinam. Gostei principalmente porque, querendo ou não, o fato de existirem especialistas brasileiros que endossem o que cremos sobre o sono do bebê dá mais credibilidade para o nosso blog! A começar pelo próprio título, já podemos extrair muitos princípios:

1º. dormir bem é um comportamento aprendido;
2º. o recém-nascido tem capacidade de aprender este comportamento;
3º. os pais podem ensiná-lo a seu bebê desde os primeiros dias de vida.

Abaixo faço uma relação dos pontos concordantes e divergentes que encontrei durante a leitura. Como vocês poderão notar, há muitos mais pontos concordantes do que divergentes! : )

Pontos concordantes

SOBRE O SONO NOTURNO
- Um recém-nascido triplica o peso com o qual nasce no primeiro ano de vida. Isso requer se alimentar com frequência e muito descanso.

- No geral, os recém-nascidos dormem de 16 a 21 horas por dia, divididas em ciclos de duas a cinco horas.

- Não se deve acordar o bebê para mamar à noite. A criança, geralmente, acorda sozinha. Mas, se estiver ganhando peso e não acordar, deixei-a dormir.

- O ciclo de sono do bebê é regulado, principalmente, pelas sensações de fome e de saciedade, e não pela alternância de claro e de escuro. São os pais que devem ensinar a diferença entre dia e noite para o bebê.

- A evolução do sono no período noturno segue um esquema mais ou menos assim: com seis semanas, o bebê dorme seis horas; com oito semanas, oito horas, e com 12 semanas, 12 horas.

- Muitas mães acreditam que, mesmo depois de crescer um pouco, a criança acorda só por fome. Mas alimentá-la durante a noite pode causar pesadelos e dificultar ainda mais o sono.

Comentário: Sim, os dois livros falam praticamente a mesma coisa (exceto a parte dos pesadelos, mas concordam que dormir de estômago cheio atrapalha o sono e pode intensificar as cólicas). Tanto pelo plano E.A.S.Y da Encantadora quanto pela AOP (alimentação orientada pelos pais) do Nana Nenê, o bebê recém-nascido irá mamar, em média, 8 vezes por dia, em ciclos de 3 em 3 horas. Durante o dia as sonecas do recém-nascido devem ser de até duas horas ao passo que à noite o sono pode durar até cinco horas. Seguindo uma rotina de alimentação orientada pelos pais, o metabolismo do bebê aprende quando é hora de comer e de dormir. O resultado, segundo o Nana Nenê, é que entre o 10º. dia e a 8ª. semana o bebê já deve estar dormindo regularmente (ao menos três dias consecutivos) a noite toda (de sete a oito horas de sono ininterrupto) e, a partir de 12 semanas, muitos bebês já dormem de 10 a 12 horas por noite.

SOBRE AS SONECAS DO DIA
- Deixar a criança acordada por muitas horas gera uma agitação excessiva, que só vai atrapalhar o sono da noite. Garanta que o recém-nascido tire todas as sonecas do dia.

Comentário: Os dois livros enfatizam exaustivamente a importância do bebê tirar boas sonecas entre todas as mamadas durante o dia (sonecas de 30-45 min são insuficientes) e associam mau-humor (choro sem motivo) ou dificuldades para mamar, por exemplo, à falta de descanso ou superestimulação. Para os autores, engana-se quem pensa que muitas sonecas durante o dia atrapalham o sono noturno. A lógica é outra: quanto mais descansado, mais facilidade o bebê tem de pegar no sono. O contrário também é verdadeiro: quanto mais cansado e agitado o bebê estiver na hora de dormir, mais dificuldade ele terá de embarcar no sono.

SOBRE A IMPORTÂNCIA DA ROTINA
- Para que a criança saiba que é hora de dormir, é importante que os pais mantenham uma rotina.

- Para tornar a vida mais fácil para pais e filhos, é preciso ensinar o bebê a dormir corretamente. A questão é criar hábitos saudáveis para que a família toda possa conseguir o descanso necessário.

Comentário: A questão principal é implementar uma rotina que atenda às necessidades de toda família. O Nana Nenê defende um tipo de criação que tira a criança do centro. Todos os membros da família precisam descansar e uma mãe exausta não consegue ser uma boa mãe, para dizer o mínimo. Dentre as dificuldades que podem assolá-la quando ela não descansa o suficiente, as mais óbvias de se perceber são: a sua produção de leite fica comprometida, o seu emocional abalado e, estando muitos e muitos dias privada de sono, a sua capacidade de resposta e análise de situações que exigem sua atenção ficam prejudicadas.

SOBRE COMO ENSINAR O BEBÊ A DORMIR
- O ideal é que os pais aprendam a reconhecer quando o bebê está sonolento e o coloquem no berço antes que ele pegue no sono.

- Não é aconselhável fazer o bebê adormecer no colo com frequência. Se isto acontece, ele aprende que precisa da ajuda dos pais para pegar no sono.

- Coloque o bebê para dormir no próprio quarto. Quanto mais a criança aprender a dormir de forma independente, melhor seu padrão de sono será no futuro.

Comentário: O "Nana Nenê" e "Além do Nana Nenê" (Gary Ezzo e Robert Buckman) enfatizam que os hábitos de sono adquiridos no primeiro ano de vida do bebê influenciam grandemente o padrão de sono dele nos anos futuros e dizem que é cruel não ajudar o bebê a ganhar a habilidade de dormir a noite inteira. Tanto neles, como nos livros da Encantadora de Bebês, você vai encontrar um monte de recomendações sobre o bebê aprender a dormir sozinho (não no colo, não na cama dos pais, não sendo balançado dentro de um carrinho) e concordam que o segredo é manter um ritual para a hora de dormir e aprender a reconhecer os sinais de sono que o bebê dá quando está chegando a hora de dormir. Ambos concordam que os pais levarem o bebê para dormir na cama com eles só atrasa o processo de aprendizado.

SOBRE DEIXAR O BEBÊ CHORAR
- Se o bebê estiver alimentado e de fralda limpa, muitos pediatras orientam os pais a não irem correndo para o quarto do recém-nascido ao sinal de qualquer resmungo. A intenção é deixá-lo aprender a pegar no sono sem ajuda. Segundo essa tesa, deve-se aumentar, gradualmente, o tempo que se leva para atender a criança. Inicialmente, um ou dois min; depois, cinco, dez, 20, deixando-a a chorar por, no máximo, 30 min.

- Embora possa ser considerada por alguns uma técnica que exige sangue frio dos pais, a eficiência da postura de deixar chorar para deixá-lo aprender a pegar no sono sem ajuda foi confirmada por um artigo publicado recentemente pela revista 'Pediatrics', da Academia Americana de Pediatria, baseado em um estudo liderado pela pesquisadora Anna Price, da Universidade de Melbourne, na Austrália.

Comentário: Os dois livros falam das transições do ciclo do sono (a cada 30-45 min) e recomendam que o bebê não seja atendido prontamente quando acorda no meio de uma soneca porque, se deixado só por alguns minutos, ele provavelmente voltará a dormir sozinho. O Nana Nenê ensina que é esperado que o bebê chore momentos antes de dormir (uma manha breve) e confirma que deixá-lo chorar nessas circunstâncias é, muitas vezes, necessário porque faz parte do processo de ensinar a dormir sozinho.

Pontos divergentes

SOBRE O SONO NOTURNO
- Esses períodos de sono noturno [seis semanas: seis horas; oito semanas: oito horas, 12 semanas: 12 horas] não são ininterruptos. O bebê acorda para mamar, pelo menos, uma vez.

- É de se esperar que ele comece a dormir a noite inteira por volta dos seis meses. Mas, mesmo depois dessa idade [6 meses], noites bem dormidas para os pais são um privilégio.

- Há especialistas que defendem que a criança deve ser alimentada até o sexto mês se acordar, outros esticam esse limite até um ano.

Comentário: Tanto a Encantadora quanto o Nana Nenê admitem que, mesmo depois de começar a dormir a noite toda, o bebê pode voltar a acordar para mamar em fases de pico de crescimento (growth spurts), mas ensinam que nesse caso o ideal é ajustar a rotina durante o dia (por 3 a 4 dias) para não começar um mau hábito de mamar à noite. Outros motivos pelos quais o bebê pode ter o sono da noite prejudicado (e que não devem ser atendidos com mamadas noturnas) são: doença, calor/frio e dentição.

SOBRE AS SONECAS DO DIA
- Deixe a criança cochilar durante o dia, mas evite sonecas mais longas do que quatro horas durante o dia.

Comentário: O plano E.A.S.Y da Encantadora e o plano de AOP do Nana Nenê preveem que as sonecas diurnas sejam de 1 h 30 min a 2 horas por ciclo. Esse é o ideal, mas há espaço para flexibilidade na rotina vez ou outra quando, por motivos circunstanciais, a criança estiver mais cansada que o normal. Nesse caso, não deve-se permitir que a criança durma mais do que 3 horas durante o dia por causa da alimentação. Se ela ingerir menos calorias durante o dia poderá acordar com fome de madrugada!

SOBRE DEIXAR O BEBÊ CHORAR
- A técnica de 'deixar chorar' é controversa e considerada radical por alguns especialistas que creem que, se não for atendido quando chorar, o bebê poderá sofrer um trauma psíquico.

Comentário: Em um dos seus livros, a Encantadora de Bebês lista uma série de malefícios que deixar o bebê chorar para dormir pode causar, dentre eles a perda da confiança nos pais. Seus livros detalham uma série de técnicas que ela desenvolveu para não precisar deixar a criança chorar até dormir mas ao mesmo garantir que ela durma sozinha dentro do próprio berço (dentre elas, fazer shhh enquanto bate nas costinhas quando é recém-nascido e o P.U. e P.D. a partir de 4 meses de vida). O Nana Nenê não contempla esta questão diretamente (pelo menos não na edição do livro que li que é bem antiga), mas garante que o que traz confiança e tranquilidade emocional para o bebê não é a proximidade física com os pais (ou outros adultos), e sim o relacionamento com eles e a previsibilidade da rotina.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

6 meses de Alícia!


Faz quase uma semana que a minha caçula completou 6 meses de vida. Como o tempo tem voado! Tenho a impressão de que com o segundo filho tudo passa muito mais rápido. É difícil acreditar que a minha bebezinha que parece que acabou de nascer já está comendo papinha!

Estou de "férias" com a família em Angra há mais ou menos 10 dias. Coloquei férias entre aspas pois estou cada vez mais convencida de que pais de crianças pequenas não entram de férias nunca! Saímos de SP, viajamos para um lugar lindo e tranquilo e nos desligamos um pouco dos negócios (na verdade eu que trabalho pela internet e sem horário fixo apenas diminuí o ritmo), mas continuamos trabalhando muito. Muito mesmo! E ainda bem que posso escrever isso na primeira pessoa do plural - sim, meu marido e eu somos uma equipe. Preparar as refeições, dar comida, estruturar os momentos de brincadeira e aprendizado, dar banho, levar para fazer xixi, trocar a fralda, escovar os dentes, fazer o leitinho, colocar pra dormir, cuidar da roupa e, além de tudo, limpar e ajeitar as coisas pela casa é um trabalho que não tem fim, por isso dividimos todas as tarefas. Quer dizer, nem todas porque é evidente que não pode amamentar no meu lugar, né! Mas de todas as outras ele participa ativamente.

Vamos a um update de como foi o último mês da Alícia:

Amamentação
Posso dizer que superamos completamente a dificuldade decorrente do baixo suprimento de leite que enfrentamos no último mês, ufa! Como a principal causa que levou a esse problema foi fadiga, a solução não podia ser outra: aumentar o tempo de descanso. E não posso deixar de enfatizar que isso só foi possível porque as meninas estão numa rotina estruturada e também porque pude contar com o apoio do meu marido. Após colocar as meninas pra dormir à noite por volta das 19:00/19:30, eu também já me preparava para deitar e descansar. O objetivo era tirar um cochilo de 2-3 horas antes da mamada dos sonhos, por isso eu colocava o despertador para tocar às 23:00. Com isso meu corpo reagiu e a produção de leite aumentou! Em pouco tempo, já estabelecemos uma rotina de mamadas a cada 3,5h a 4h, totalizando 4-5 refeições por dia.

Meus objetivos nessa área para o próximo mês são:
1) eliminar a mamada dos sonhos para que ela possa ter 10-12 hs de sono ininterrupto à noite;
2) treiná-la para usar o copinho infantil já que ela voltou a recusar a mamadeira e acho importante que outra pessoa possa alimentá-la na minha ausência.

Alimentação e Sólidos
Assim como fiz com a Nicole, quando a Alícia estava com aprox. 5 meses e meio, comecei a introduzir sólidos às refeições. Por uma questão de conveniência, o primeiro alimento que dei às duas foi banana. Achei que pudesse ser interessante mostrar a filmagem que fiz das meninas!

Nicole comendo pela primeira vez
Alícia comendo pela primeira vez

Durante esse período de transição, ou seja, até a Alícia completar 6 meses, fiz a introdução de maneira lenta e sem eliminar a mamada (na mesma refeição). Isso significa que eu dava sólidos um dia, ficava dois dias sem dar, depois dava mais uma vez e ficava outro dia sem dar, e assim por diante. Não segui uma regra rígida, apenas fui dançando conforme a música, ou seja, esse intervalo de dois dias me permitia observar se ela teria ou não alguma reação aos novos alimentos ingeridos e, com base nisso, eu decidia como prosseguir. Essa transição gradual também possibilitou que tanto o organismo dela como o meu se acostumassem com as mudanças naturalmente (menos leite por mamada até poder substituí-la de vez por uma refeição sólida).

Nesse período ela comeu cenoura, feijão, beterraba e batata. Eu preparava as papinhas com pouco ou nenhum sal e nunca com mais de dois alimentos por vez (para que ela possa distinguir sabores distintos). Aqui preciso fazer uma confissão: nessa fase com a Nicole eu batia os legumes no liquidificador e os coava de modo que a papinha virava um líquido cremoso. Com a Alícia eu pulei essa fase completamente, comecei direto com os legumes amassados com garfo mesmo! Dá bem menos trabalho e ela aceitou bem. Acho que o maior risco é ela se engasgar com pedacinhos de legumes, mas acredito que se a comida estiver bem amassadinha não há problema.

Rotina
Acredito que possa ser útil a quem está interessada em entender o que é a alimentação orientada pelos pais (AOP) compartilhar com mais detalhe como é o dia da Alícia agora aos 6 meses. Os horários abaixo são aproximados, podendo variar em 30 min pra mais ou pra menos.

Horários de comer (sempre ao acordar)
6:00, 10:00, 14:00, 18:00 e mamada dos sonhos

Horário de dormir (até 2 horas após a refeição/mamada)
8:00, 12:00, 16:00 e 19:00

Os períodos de dormir (sonecas) são idealmente de 2 horas cada, mas às vezes podem ser um pouco mais curtos como um pouco mais longos - depende de como foi a soneca anterior. As palavras-chave aqui são "às vezes" e "um pouco". Vou explicar com um exemplo. Se na soneca anterior ela acordou na transição do sono e não conseguiu voltar a dormir porque estávamos fora de casa, ela quase sempre compensa o sono perdido dormindo mais na soneca seguinte. Via de regra, eu insisto para que ela volte a dormir se acordar após 30-40 min apenas, mas me dou por satisfeita se ela dormiu por pelo menos 1h e 20-30 min. Mesmo quando acorda meia hora antes do horário previsto para comer, quando possível acho prudente deixá-la no berço até o final do período designado para o descanso. Digo quando possível, pois isso não acontece quando estamos fora de casa, por exemplo. A flexibilidade faz parte do programa de AOP!

Os horários acordada são sempre entre uma refeição e o horário de dormir. Um dos benefícios da rotina de AOP é que ela não diz respeito somente ao momento de se alimentar, mas é um programa estruturado que engloba todo o dia da criança. Assim, os pais podem planejar atividades para este período de ficar acordado, mesclando momentos do bebê brincar sozinho e também com outras crianças. Eu acredito (e estudos mostram) que um ambiente com estrutura otimiza o desenvolvimento da crianças, especialmente a capacidade de concentração!

Sono
No último post eu contei como estava exausta e frustrada por voltar a acordar de madrugada para amamentar. Eu não sei como algumas mães conseguem fazer isso por tanto tempo! A Alícia acordava chorando e, por todos os problemas das semanas anteriores, eu ficava com receio de que fosse fome e por isso a acalmava dando de mamar. Mas depois que o meu peito voltou a encher de leite (e e eu tive certeza de que a produção era suficiente para ela mamar durante o dia) chegou o momento de cortar defintivamente qualquer mamada noturna. Alguns hábitos são difíceis de serem quebrados e a amamentação noturna é um deles - tanto para a mãe como para o filho. Como já era de se esperar, a Alícia continuou acordando de madrugada e queria mamar. Eu sabia que a solução rápida - dar o peito - não era uma alternativa sábia. Cada vez que eu cedia (por cansaço físico e emocional mesmo porque é muito difícil ouvir seu bebê chorar bravo!) eu sabia que estava andando em direção oposta ao meu objetivo, objetivo este que eu sabia que era o melhor para toda a família. Os resultados de continuar com esta prática seriam caóticos: nem eu e nem ela teríamos pelo menos 7-8 horas de sono ininterrupto. E o que é pior, ao encher a barriguinha de noite ela começaria a mamar menos de dia, o que sem sombra de dúvidas estaria perpetuando esta prática ao condicionar nosso metabolismo (o meu produzindo leite e o dela querendo mamar).

Analisando friamente, eu sabia que continuar oferecendo o peito para acalmá-la à noite era um caminho tortuoso e provavelmente sem volta, ou pelo menos sem uma volta fácil. Conversei a respeito disso com uma amiga recentemente e falei como sempre há um preço a ser pago, não importa qual a abordagem ou método que se tenha escolhido para criar os filhos. Se alguém prometer uma saída ou fórmula mágica que vá resolver todos os problemas, não acredite! Ela não existe!! Estava refletindo como fui muito mais rígida com a rotina da Nicole. O zelo e a cautela que eu tinha em fazer "tudo certo" eram, até certo ponto, exagerados e isso, é claro, gerava um alto nível de estresse. Isso porque qualquer meta na vida em que se empenhe muito esforço há risco de frustração quando se alimenta expectativas altas demais. Foi bem estressante por um lado, confesso, mas por outro vejo como os frutos positivos vieram mais cedo. Não estou aqui reclamando ou arrependida do que fiz dessa segunda vez, até porque tenho consciência de que mudar a postura para adaptar-se às novas circunstâncias de vida é saudável e necessário.

Bem, tudo isso pra dizer que, de certa forma, o preço que paguei para eliminar essa mamada noturna foi com juros e correção (um choro mais alto, bravo e persistente), se é que podemos fazer esta comparação. Ou seja, de uma forma ou de outra - não tem como fugir - há um preço a ser pago. E esse preço pode ser pago à vista ou a prazo, você é quem decide - fazer um esforço maior no início ou arcar com as consequências de adiar o pagamento, pois é ingenuidade pensar que com o tempo as coisas vão melhorar sozinhas! Eu imagino que chega um ponto que a mãe fica emocionalmente abalada, vê que não aguenta mais e acaba tomando uma providência mais drástica de qualquer forma (que realmente pode ser traumatizante, principalmente para as mães que, depois do primeiro filho, reconsideram se querem mesmo ter mais!).

Por isso, depois dessas últimas semanas voltando a amamentar de madrugada, eu pensei: "Meu Deus, até quando vou ter de continuar amamentando à noite? A minha filha já é mais do que capaz de dormir a noite inteira! Por que ela continua acordando?". Eu sabia a resposta. Lembrei que com 12 semanas a Nicole já dormia por pelo menos 10 horas direto! Admiti que mamar de madrugada tinha se tornado um hábito terrível! Eu precisava fazer alguma coisa, mas sabia que seria muuuuito difícil, então pedi ajuda ao meu marido (achei que o meu cansaço emocional e físico não me permitiriam fazer CIO de madrugada). Teve uma noite que ele ficou 1h30 min com ela chorando brava dentro do closet (para não acordar a Nicole) enquanto eu tentava dormir no quarto do lado. Demorei 40 min pra pegar no sono ouvindo-a chorar e depois só vi quando ele voltou para cama já com a casa em silêncio. Pesadelo, né? Parece filme de terror! Mas quer saber? Funcionou! Ela voltou a dormir a noite inteira, um alívio!! E se acorda (no horário habitual em que antes eu dava mamar), é um resmungo e colocar a chupeta quase sempre resolve.

Por hoje é só, até o próximo update!

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

4 meses de Alícia!


Ontem a Alícia completou 4 meses, ou seja, ela já está com 18 semanas de vida!
E hoje vim postar um update de como foi o último mês!

Hora de Ma
mar
A Alícia continua sendo "fera" em mamar rápido; continuamos com a rotina de 3 em 3 horas em média e ela faz a refeição completa (esvazia o meu seio) em apenas 4 a 8 minutos, raras vezes mais do que isso. Quando demora mais é porque ela não acordou direito e está mamando lentamente. Se eu tento insistir pra ela mamar um pouquinho mais, ela fica brava e começa a chorar. Sinceramente eu acho isso incrível. Como ela pode mamar tão rápido eu não sei! O fato é que eu ouço-a engolindo (o barulho é bem alto, aliás dá até pra ouvir o líquido batendo no estômago dela!) e a cada troca as fraldas estão sempre cheias de xixi (algumas bem encharcadas) então só posso concluir que a ingestão está sendo satisfatória. Além disso, ela está bem bochechuda, com as coxas grossas, ganhando peso etc., não há com o que me preocupar.

Uma ou duas vezes por mês ofereço a ela leite materno expresso na mamadeira. Temos uma bombinha elétrica da Evenflo que o meu marido trouxe do exterior que é prática e muito útil. Em 15 a 20 minutos eu consigo tirar 100 a 120 ml de leite (de um lado só). Com a Nicole eu cheguei a usar a bomba manual e não gostei - além de demorar, é muito dolorido fazer a ordenha manual. Doi as mamas e também as costas por causa da posição que você tem de ficar pra conseguir que míseras gotinhas de leite saiam. Ai, muito sofrido! Na ocasião minha amiga me emprestou a bombinha dela e eu amei, tanto que dessa vez fizemos questão de comprar a nossa. Como disse, não uso-a com frequência mas costumo deixar uma "porção" congelada para eventualidades.

Na última semana meu marido e eu saímos para o nosso monthly date (passeio a sós mensal) e deixamos as meninas com a minha sogra que estava visitando do interior. Deixei 120 ml de leite expresso para ela dar a mamada das 15:00, mas ela disse que a Alícia recusou o bico da mamadeira (daqueles tradicionais que vem com a própria bomba elétrica) e chorava muito quando ela tentava, então ela teve de dar o leite com uma colher. Isso nunca aconteceu antes, das outras vezes ela usou o mesmo bico e mamou sem problemas. Compramos outra mamadeira com bico ortodôntico (o mesmo da chupeta) para a próxima vez, no caso de acontecer novamente.

Em seu livro A Encantadora de Bebês Resolve Todos os Seus Problemas, a autora Tracy Hogg dá uma dica interessante. Ela diz que mamães que pretendem voltar a trabalhar devem acostumar o bebê ao bico da mamadeira um tempo antes de acabar o período de licença-maternidade. Isso faz parte de ser uma mamãe proativa. Por isso ela sugere que ocasionalmente se dê o leite numa mamadeira para evitar "greves de fome" durante o dia quando o bebê estiver sob os cuidados de outra pessoa. Ela alerta, contudo, que essa adaptação seja gradual e só inicie depois que a lactação já estiver estabelecida (se não me engano, isso só acontece a partir da 5a ou 6a semana de vida, meu livro está emprestado então não deu pra consultar). Apesar de trabalhar de casa, eu segui a recomendação dela com as minhas duas meninas.

Por fim, ainda dentro do tema alimentação, a Alícia continua evacuando poucas vezes por semana. Esse ainda é um problema sem solução aqui em casa. Ela passa dias sem evacuar e normalmente do 3º. em diante fica muito chorona, até no colo. É bem difícil. Eu tenho feito uso do supositório de glicerina infantil, mas confesso que estou receosa. Andei pesquisando na internet e li algumas matérias que dizem que é normal bebês que mamam no peito evacuarem com menor frequência porque o leite materno tem menos resíduo do que o leite em pó e, por isso, o corpo absorve quase tudo e não há o que eliminar todo dia. Mesmo assim fico insegura e "com o pé atrás", pois a Nicole não teve esse problema. Ela evacuava no mínimo todo dia, quando não 2x ou 3x por dia. O metabolismo dela sempre foi rápido, de repente por isso também ela é sempre foi magra. Bem, temos consulta com o pediatra das meninas na próxima semana e pretendo conversar melhor com ele sobre esse assunto. Não quero que minha filha fique dependente do supositório para evacuar, mas também não quero vê-la sofrendo desse jeito! Quem sabe quando ela começar a comer sólidos, esse problema desapareça?

Hora de Brincar
O tempo acordada da Alícia continua limitado a 1 hora, às vezes um pouquinho mais. Quando ela está acordada fica bem disposta, é atenta a tudo o que acontece ao redor e distribui alegres sorrisos a quem conversa com ela. Eu faço questão de deixá-la "brincar" sozinha também, pois sei da importância dela desenvolver a habilidade de entreter-se sozinha. São inúmeros benefícios, dentre eles o da capacidade de concentração e criatividade. Tem um post de 2010 em que eu falo exclusivamente sobre isso (procure clicando no marcador "cercadinho" na relação de temas à direita). Para vocês entenderem melhor do que estou falando, compartilho alguns vídeos recentes da Alícia brincando com o "gym" dela e também no cercadinho. Ela está na fase de começar a pegar os objetos e tentar levá-los à boca, hehe! Uma delícia!

Vídeo 1 - Brincando com o peixão colorido.
Vídeo 2 - Brincando com o móbile no cercadinho.
Vídeo 3 - Brincando com o "gym - ocean wonders".

Hora de Dormir
Salvo raras exceções, as sonecas durante o dia estão ótimas, principalmente as duas pela manhã. Ela já aprendeu a adormecer sozinha no próprio berço e, se/quando chora, é raro e dura poucos segundos. Faço uso da chupeta, apesar dos livros que li e que recomendamos neste blog alertarem para o perigo dela tornar-se um acessório para o bebê adormecer. Eu concordo que não é o ideal, mas sinceramente não era uma briga que eu quis comprar. Eu acho a chupeta uma bênção para acalmar o bebê e admito que permiti que minhas duas filhas dependessem dela para adormecer. Pretendo, no entanto, começar o processo de eliminá-la da vida da Alícia (assim como fiz com a Nicole que encontrou no dedão da mão esquerda o substituto para ela) por volta dos 6 meses. Vamos ver como vai ser dessa vez.

A última soneca do dia e também a hora de ir dormir à noite são os meus maiores desafios atualmente. Ela tem dificuldade de dormir e, por causa disso, temos tido episódios de muito choro no fim do dia. É estressante porque é o período do dia em que a casa fica agitada, a Nicole precisando de atenção, fazendo muito barulho (você já percebeu que nessa idade as crianças falam tudo gritando?!), correndo pela casa etc. Não tive muito sucesso ainda em fazer com que as duas vão pra cama à noite juntas (no mesmo quarto e no mesmo horário), mas à tarde (logo após o almoço quando a Nicole chega da escola) graças a Deus sim. Elas vão dormir bonitinhas, e 70 a 80% dos dias sem nem um "pio"!

O que normalmente acontece é a Alícia ir dormir entre 18:30 e 19:00 (como a Nicole fazia quando tinha a sua idade), mas depois de 30 a 45 minutos, justamente no horário da Nicole ir pra cama (provavelmente por causa do movimento dentro do quarto), ela acorda e não quer mais dormir. E chora por muuuuito tempo depois disso. Não consigo lembrar direito se tivemos esse problema com a Nicole, mas eu sei que é o 45-minute intruder. Se bem também que às vezes fico na dúvida se não é alguma dor (por causa do problema citado acima) ou mesmo o "witching hour" como já falei num dos posts. O fato é que ela chora bem brava.

O que acaba acontecendo é que ela só adormece novamente depois da mamada dos sonhos, ou seja, ela faz esta última mamada acordada e é colocada no berço bem sonolenta. Com a Nicole era diferente, ela dormia direto das 18:30/19:00 até 6:00/7:00 da manhã do dia seguinte (10 a 12 horas consecutivas), o que significa que ela fazia a mamada dos sonhos dormindo, exatamente como a Tracy Hogg fala que é pra acontecer. Com a Alícia consegui isso poucas vezes.

Por hoje é só, até o próximo post!

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

3 meses de Alícia!




A Alícia completou 3 meses esta semana. Ela oficialmente deixou de ser um recém-nascido. = )

Uau, foi uma semana agitada por causa das vacinas que ela teve de tomar e também porque a levamos para furar a orelha! Mas não é sobre isso que quero falar, quero contar as novidades do último mês, que foi cheio de novos desafios, e compartilhar os passos que eu dei para superá-los.

Amamentação, Cólica e Noite Alongada
Continuamos com as seis mamadas por dia (6:00, 9:00, 12:00, 15:00, 18:00 e mamada dos sonhos, entre 20:30 e 22:00); em alguns dias são sete, mas somente quando ela está passando por um impulso de crescimento (growth spurt) que, conforme li, ocorre a cada 3 ou 4 semanas. Os horários das mamadas não são exatos, me permito uma variação de até 30 min para mais ou para menos. É o que recomendam os livros: o relógio é apenas um auxílio para nos servir, não é ele quem dita o que vou fazer, e sim o contexto da situação (uma mistura do horário do dia, os sinais que o bebê demonstra, as leituras que fiz e a minha própria experiência e intuição).

A Alícia já está com 14 para 15 semanas de vida e, portanto, na fase da Noite Alongada (9 a 15 semanas de vida), segundo o livro Nana Nenê. A recomendação deles para esta fase é que a mãe lactante fique atenta à sua produção de leite. Caso note uma queda que a preocupe, não deve deixar o bebê dormir por mais do que 10 horas à noite para restar tempo suficiente de dia para uma estimulação adequada. Por alguns dias eu andei notando uma queda na minha produção porque saímos muito da rotina neste último mês (falarei sobre isso mais adiante); a bagunça na rotina durante o dia aliada ao cansaço de noite deu nisso! A Alícia mamava com força e em poucos minutinhos ficava brava, chorando, impaciente porque não estava saindo mais nada. O problema foi rapidamente resolvido: por um ou dois dias deixei-a mamar dos dois lados.

Como vimos, a quantidade de leite que ela ingere durante o dia nesta fase já é suficiente para mantê-la dormindo longas horas à noite. Porém, a Alícia começou a acordar com frequência no meio da noite e apenas colocar a chupeta não estava sendo suficiente para ajudá-la a voltar a dormir. Das primeiras vezes, julguei que fosse fome e por isso amamentei-a, mas ela continuava chorando. E eu também não queria começar um novo hábito noturno! Por isso, tive de vencer o meu próprio cansaço e sono àquela hora da madrugada para investigar a verdadeira causa do problema. Este é o primeiro desafio: deixar de agir "no automático". Ao chorar percebi que ela se contorcia como se estivesse com dor. Bastava eu fazer massagem em movimentos circulares com os joelhos sobre o abdômen dela que ela logo acalmava e adormecia, não antes sem soltar alguns gases. Isso acontecia praticamente todas as noites e estava me incomodando.

O excesso de gases e a dificuldade de liberá-los estava claramente prejudicando o sono da minha filha e eu comecei a imaginar que talvez o uso contínuo da simeticona (de 8h e 8h) pudesse estar causando isso. Na verdade eu tinha duas opções: suspender o uso de vez ou aumentá-lo. Não consultei o pediatra e, como já usava simeticona há muitas semanas e o choro da madrugada parecia estar se agravando com o tempo, optei por suspender o uso por alguns dias e ver o que acontecia. Dentro de uma semana verifiquei um novo problema: ela começou a evacuar dia sim dia não e não mais todos os dias como fazia, e começou a ficar irritada durante o dia também.

Mandei um email ao pediatra para saber se deveria voltar a usar o anti-gases, mas ele disse que não havia relação entre evacuar e o uso da simeticona, e então explicou que nesta idade é comum o bebê ficar um ou dois dias sem evacuar e que eu deveria continuar com as massagens entre as mamadas para ajudá-la a soltar os gases. Passados mais alguns dias, a dificuldade de evacuar se agravou e quando já estava no 5º. dia sem evacuar consultei novamente o pediatra sobre o que deveria fazer. Ele respondeu prontamente que eu deveria colocar um supositório de glicerina infantil. Comprei-o no mesmo dia e o apliquei. Que alívio pra ela!

No dia seguinte o mesmo problema: nada de cocô. Esperei mais dois dias e, como não gosto de vê-la sofrer, usei o supositório de novo, dessa vez sem falar com o médico antes. Ufa, naquele dia ela fez cocô duas vezes - a segunda foi sem ajuda. E na manhã seguinte de novo! Hehe, nunca fiquei tão feliz de limpar uma fralda suja e fedida! Bem, já estamos no segundo dia dela sem evacuar novamente e estou orando para que esse problema se resolva definitivamente. Que Deus me dê sabedoria quanto ao que fazer! Sei que Deus pode curá-la, fazer com que os órgãos dela se desenvolvam adequadamente e funcionem com perfeição.

Quanto aos gases atrapalharem o sono da noite, parece que esta questão está solucionada e, portanto, não vejo mais a necessidade de usar a simeticona. Hoje em dia quando ela acorda de madrugada já consigo diferenciar o tipo de choro e sei que é apenas uma transição do sono (veja o tópico a seguir). Se ela não dividisse o quarto com a irmã e a nossa casa fosse grande o suficiente para que o choro dela não acordasse a família toda, eu a deixaria chorar um pouco no próprio berço até voltar a dormir sozinha. Foi isso que fiz com a Nicole e obtive resultados mais rápidos do que estou tendo hoje com a Alícia (em termos de sleep training: ensinar o bebê a dormir sozinho), porém a situação hoje é outra, preciso ser mais paciente e usar estratégias um pouco diferentes. Primeiro entro rapidamente e coloco a chupeta. Quando não funciona, a saída é tirá-la do quarto e colocá-la para dormir no moisés dentro do nosso closet!

Sono, Rotina e Paternidade Acidental
Se você acompanha este blog sabe como defendemos a implementação intencional de uma rotina previsível para o bebê. Não somos a favor da teoria de deixar o bebê ditar, através do choro, o horário de mamar ou de dormir porque entendemos, em suma, que ele não tem idade pra isso! Primeiro porque bebês não sabem o que é melhor para eles (é pra isso que servem os pais, para guiá-los e ensiná-los no caminho em que devem andar!). E segundo porque se forem criados como o centro das atenções, muito provavelmente terão sérios problemas no futuro (dentre eles, problemas na alma, de insubmissão e de relacionamentos no geral). Isso só pra citar alguns.

Junto com a premissa de que a rotina previsível é necessária para se ter um bebê tranquilo, feliz e bem ajustado à família, enfatizamos também a necessidade de abrir espaço para exceções. Ser flexível. Mas atenção a um perigo: os excessos! A flexibilidade não pode se tornar tão comum a ponto de se tornar o novo padrão, entendem a diferença? Quando lemos sobre o assunto tudo parece lindo e perfeito, mas colocar em prática esses princípios é mais difícil do que esperamos.

Com a Nicole tendi a ser mais rigorosa com os horários e evitei a todo custo fugir da rotina - fruto da insegurança normal de uma mamãe inexperiente, ficava tensa, ansiosa e frustrada quando as coisas fugiam do meu controle. Esta segunda experiência com a Alícia está sendo diferente por isso, mas há sempre o perigo de cair do outro lado do cavalo. É preciso equilibrar a equação! Este mês foi bem assim pra mim, me vi em situações de armadilha, entre intencionalmente planejar e priorizar a rotina da Alícia e "ficar de boa", agindo no improviso e saindo muito da rotina. O problema de ficar tranquila demais, sempre "deixando rolar" e improvisando frente aos desafios me trouxeram alguns problemas. A Tracy Hogg chama isso de paternidade acidental.

De maneira bem simples, paternidade acidental é quando reagimos em vez de agir. O resultado é a formação de hábitos hoje que precisarão ser eliminados amanhã. Para nós foi assim com o sleep training. Como a Alícia andava chorando muito por causa das cólicas, acabamos acostumando-a a dormir no colo. Foi sem querer querendo, como dizia nosso velho amigo Chaves. Às vezes era nas manhãs em que íamos para o trabalho (o Douglas ficava com ela no colo para que o choro dela não atrapalhasse a minha gravação), mas o mais comum era de noite porque não queríamos que o choro dela acordasse a Nicole. Em ambos os casos, segurar no colo era a "solução" mais simples e fácil para o problema em questão. Porém, atalhos normalmente são ilusão, pois o preço tem de ser pago mais cedo ou mais tarde: agora com custo x ou no futuro com custo x ao quadrado!

Experimentei os primeiros frutos ruins deste hábito esta semana e já estou trabalhando para desacostumá-la! O choro de resistência e protesto é inevitável. Ela chora brava e é só pegá-la no colo que ela para de chorar quase que imediatamente. Antes o dormir ou não no colo não causava tanto problema, pois todo recém-nascido dorme muito. Aliás, quanto mais novo mais ele dorme. A Alícia dormia em praticamente qualquer lugar, com barulho ou sem barulho, com luz ou sem luz - quase não fazia diferença, ela não se aguentava e já caía no sono!

Mas a minha "pitchuquinha" cresceu e agora já consegue passar muito mais tempo acordada. Adormecer naturalmente já não acontece com a facilidade de antes e é aí que o treinamento começa, pois dormir é uma habilidade aprendida. É essencial que ela aprenda a dormir sozinha, tanto de dia quanto de noite, para continuar sendo uma bebê calminha e acordando feliz e bem disposta. Reparei que havíamos estabelecido um hábito ruim esta semana quando ela começou repetidas vezes acordar no meio da soneca e aparentemente "não querer" dormir de novo.

Os autores do Nana Nenê alertam para o 45-minute intruder e explicam que o bebê acordar chorando de uma soneca curta é sinal de que ele não dormiu o suficiente. Bebês descansados acordam espertos e felizes, não irritados ou mal-humorados. O que acontece é que o PST (padrão de sono tranquilo) e PSA (padrão de sono ativo) alternam-se a cada 30-45 minutos e parece que nesta fase o bebê acorda justamente nesta transição. Muitas vezes basta esperar uns minutinhos e ele volta a dormir por conta, mas outras vezes não.

Aí é hora de entrar no quarto pra investigar antes de reagir. Eu costumo olhar a fralda, verificar a temperatura do corpo, observo a expressão do rosto e também fico atenta ao tipo de choro antes de tomar alguma decisão. Ah sim, e também vejo o relógio para saber em que ponto estamos na rotina. Se ficar evidente que ela só dormiu os primeiros 30-45 min da soneca, então sei que é hora de ensinar minha bebê a habilidade de voltar a dormir sozinha!

E isso envolve deixar chorar um pouco (CIO = cry it out). Veja bem, há muita polêmica sobre fazer isto ou não e a respeito das consequências negativas que esta prática pode ou não acarretar. Sou a favor de CIO, mas não estou defendendo que você abandone seu bebê aos prantos. Se decidir fazer CIO, o faça com discernimento e responsabilidade. E acho que se decidirem ir por esse caminho, o casal precisa estar plenamente de acordo e trabalhar em equipe. Também não vou tentar maquiar a realidade - é preciso sim muita determinação e força, os pais juntos precisam preparar os ouvidos e ficar calmos para poder passar essa tranquilidade ao bebê.

Vou fazer um breve relato sobre como foi para nós nos últimos dias.

Na última soneca de certa tarde a Alícia acordou chorando por volta das 16:20. Investiguei e verifiquei que a causa era o 45-minute intruder. Fiz o CIO, entrando de tempo em tempo para colocar a chupeta e tentar ajudá-la a voltar a dormir. Não funcionou, deu a hora da próxima mamada e ela ainda não tinha dormido. Então amamentei-a por volta das 17:40, troquei a fralda e a coloquei pra dormir em seguida, às 18:10. Ela adormeceu sozinha desta vez, mas dormiu por apenas 40-45 minutos, ou seja, novamente acordou na transição e começou a chorar, irritada.

Nesta hora meu marido estava em casa e a Nicole na cama deitada prontinha pra dormir, então decidimos levar a Alícia para o closet pra dormir no moisés. Ela continuou chorando. Era choro de resistência mesmo, se a pegássemos no colo ela parava de chorar na hora. Eu estava muito cansada nesta noite; pretendia dormir bem cedo e já tinha colocado o despertador para tocar às 21:30 (horário da mamada dos sonhos). Só que fiquei fazendo CIO até 20:30. Quando percebi que ela poderia estar com fome novamente, pois já haviam passado 2 horas desde a última mamada (e chorar é um baita esforço físico), adiantei o horário da mamada dos sonhos para 20:30. Eu estava exausta física e emocionalmente (a manhã e noite do dia anterior eu tinha feito CIO sozinha), então meu marido continuou com o CIO por mais uma hora até que às 21:30 ela finalmente cedeu e dormiu. Ufa, um verdadeiro alívio. Ela dormiu das 21:30 direto até 5:30.

Antes que você me pergunte se valeu a pena, deixe eu apresentar os resultados: o dia seguinte foi perfeito! Ela conseguiu adormecer sozinha em todas as sonecas, tirou sonecas longas de praticamente 2 horas cada (eu tive de acordá-la para todas as mamadas), acordou feliz depois de todas as sonecas e conseguiu dormir sozinha também à noite (sem dar um pio!). O melhor de tudo: dormiu direto das 18:30 às 5:45, com a mamada dos sonhos às 20:30. Delícia!

Confesso que no meio do processo, depois de muitas horas (ou mesmo minutos!) ouvindo seu bebê chorar passam várias dúvidas na nossa cabeça, a principal delas é: Será que estou fazendo certo? Meu marido chegou a me perguntar isso naquela noite. Confirmei que sim e ele foi fundo. Tinha certeza de que todas as necessidades dela haviam sido satisfeitas e que naquele momento era crucial que ela aprendesse a habilidade de dormir sozinha. Não estava abandonando-a, aliás, amava-a tanto a ponto de fazer algo que, apesar de doloroso, era o melhor para ela.

A minha convicção está baseada no tipo de amor que Deus, como Pai, tem por nós: Ele disciplina seus filhos movido por amor. Seu compromisso não é com a nossa felicidade momentânea. Sim, Ele nos quer ver felizes, mas acho que Ele se preocupa muito mais com o nosso caráter, por exemplo, e por isso nos ensina e nos corrige (Hebreus 12). Ele sabe que há certas lições que precisamos aprender para alcançarmos verdadeira paz e alegria no futuro. Enxergando sob essa perspectiva reter a disciplina seria o mesmo que desprezar seu filho ou não amá-lo de verdade.

Bem, por hoje é só. Para aqueles que ainda estão pesquisando e orando a respeito do assunto de CIO ou não, deixo uma palavra de direcionamento da Bíblia.

Tiago 1:15 - Se algum de vocês tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá livremente, de boa vontade; e lhe será concedida.

Um abraço, Talita

sábado, 20 de agosto de 2011

2 meses de Alícia!


Ontem a Alícia completou 2 meses e sinto-me contente por poder colher cada vez mais o doce fruto de implementar a rotina desde o 1º. dia em que chegamos da maternidade. Não tem quem olhe para a minha bebê e não diga: "Puxa, como você é sortuda, ela é bem tranquila, dorme tanto". Eu aceno com a cabeça que sim, mas é claro que sei que não tem nada a ver com sorte. Foi informação posta em prática, rs! Tem a bênção de Deus também, claro, mas creio que Ele só pode abençoar o trabalho de nossas mãos quando as nossas mãos fazem alguma coisa. Ou seja, precisamos fazer algo (a nossa parte), senão Ele não tem o que abençoar! Neste caso, Deus nos abençoou com informação e também com graça para nos ajudar a colocá-la em prática, principalmente nos dias mais complicados em que estamos confusos e nos sentimos inseguros.

Aliás, dias assim não são poucos. São muitos. O começo é sempre bem difícil. Mesmo esta sendo a minha segunda experiência, confesso que há dias em que ficamos completamente perdidos e nos perguntando o que "deu errado"! Não sei porque isso acontece, mas percebo que a minha mente está sempre atrás de "respostas prontas" que façam tudo ficar perfeito. Tudo tem de ter um porquê, uma explicação, queremos que alguém nos dê uma fórmula simples e rápida para resolver os nossos problemas. E o exemplo clássico é quando o bebê está chorando! Nenhum pai ou mãe quer ouvir o filho chorar. Nos sentimos impotentes diante do choro deles, principalmente quando, ao nosso ver, fizemos tudo o que achamos que poderia ser feito. Ficamos desesperados por uma resposta, queremos conversar com outras pessoas para saber se já passaram por isso. E é natural, e eu diria até saudável, que em momentos assim tenhamos dúvida e reflitamos sobre as estratégias que estamos usando, analisando se vale a pena mantê-las.

Mas como disse no começo deste post, os frutos estão vindo! E como é bom saboreá-los. Depois de praticamente 10 noites seguidas mal-dormidas (tendo de amamentá-la de madrugada porque algo "deu errado" durante o dia), esta última noite foi esplêndia! Vou contar como foi:

O dia todo já tinha sido bem tranquilo, ela até dormiu sem precisar da chupeta em duas sonecas, o que por si só já me surpreendeu porque eu tinha chegado a pensar que tinha falhado permitindo que a Alícia ficasse dependente da chupeta para dormir. Dei a última mamada do dia, às 18:00, e por volta das 19:30, depois de trocar a fralda e deixá-la um pouco acordada, ela foi para o berço. Às 22:30 dei a mamada dos sonhos (com ela dormindo), troquei novamente a fralda e coloquei-a de volta no berço logo em seguida. E assim ela dormiu direto, no mesmo quarto em que a Nicole! Realmente uma vitória ver as duas dormindo profundamente em suas camas. Às 4:50 da manhã ela acordou resmungando. O Douglas foi buscá-la, eram gases. Meu peito já estava bem duro e cheio de leite (na verdade o leite tinha até vazado e eu estava toda molhada!). Quase cedi à tentação de esvaziá-los amamentando-a àquela hora da madrugada como vinha fazendo, mas depois analisei que não quebraria esse hábito sem um pouco de sacrifício. A Alícia não precisava mais daquela mamada e o meu corpo aos poucos iria entender que não precisava produzir leite naquele horário. Então meu marido a colocou no moisés, a trouxe para o nosso quarto (pois não queríamos arriscar acordar a Nicole antes da hora) e deu a chupeta para ajudá-la a entender que ainda era hora de dormir. Deu certo, ela dormiu por mais uma hora! Só então, às 6:00 da manhã, é que acordei-a para a primeira mamada do dia!

Se você é mamãe de primeira viagem ou pela primeira vez está tentando implementar os princípios do Nana Nenê com o seu recém-nascido, quero encorajá-la a perseverar. Os custos valem a pena e é normal sentir-se bem insegura durante o processo. Eu sei que você quer o melhor para o seu filho e para a sua família, por isso não abra mão deste objetivo! Espero que ao ler nosso blog você se sinta fortalecida e compreendida, sabendo que outras já passaram pelo que você está passando. Os princípios que ensinamos são diretrizes, não regras. Use-os a seu favor, não contra você. Eles foram feitos para você e não você para eles, entende a diferença?

Digo isso porque com a minha primeira filha tive momentos de muita tensão emocional. Eu queria seguir tudo à risca e ficava péssima quando as coisas não saíam do jeito que eu tinha idealizado. A Nicole começou a dormir a noite toda exatamente quando completou 8 semanas e depois nunca mais voltou atrás (exceto em dias de doença). Eu era muito rigorosa com a rotina e foi assim "de repente" que os meus esforços produziram o resultado almejado. Já com a Alícia está sendo diferente, ela é um bebê maior e desde o 11º. dia de vida já mostrou ser capaz de dormir de 6 a 8 horas seguidas à noite, porém nunca com constância (eram alguns dias sim e muitos dias não). Pelas novas circunstâncias da minha vida hoje (e também novo entendimento, maturidade, etc.), tenho me permitido maior flexibilidade durante o dia. Estava até comentando isso com o meu marido um dia desses: salvo raríssimas exceções, não ficávamos fora de casa à noite nos primeiros meses de vida da Nicole. Com a Alícia está sendo bem diferente neste ponto, já tivemos de sair algumas vezes à noite. Ainda evito, é claro, mas aceito em alguns casos como exceção à regra e tudo fica bem. Ou seja, de modo geral, a rotina não é tão exata como antes, mas os princípios básicos (e realmente essenciais) eu domino e sigo sempre!

Ok, agora vamos à uma rápida atualização dos principais pontos da rotina:

Amamentação
A Alícia continua mamando rapidinho, em 5 a 10 minutos, apenas um peito por vez. Ela continua golfando bastante, mas o pediatra não ficou preocupado, apenas disse que ela mama demais. Às vezes ainda tento tirá-la do peito na metade da mamada para arrotar antes, mas nem sempre funciona. Ela mama 6 a 7 vezes por dia e está ganhando peso; a fralda P quase não serve mais. Os seis horários fixos das mamadas são: 6:00, 9:00, 12:00, 15:00, 18:00 e 22:30. Às vezes faço o "cluster feeding" (diminuir o intervalo para acrescentar uma 7a mamada no fim do dia), às vezes não. Tudo depende de como foi o dia e se ela parece com mais fome do que o normal.

Atividade
Esta semana a Alícia começou a sorrir mais, está uma graça! O tempo de atividade continua bem curto, não chega a uma hora. Isso inclui o tempo mamando, trocando a fralda e "brincando". Eu pretendo começar a usar o cercadinho em breve, mas por enquanto a atividade limita-se a ela interagir com alguém da família ou então ficar olhando para algum bichinho ou estampa colorida (por exemplo, no tapetinho).

Sono
Como o tempo acordado dura no máximo uma hora, as sonecas são de duas horas pra mais. Ela tira 4 sonecas por dia, sendo que a última normalmente é mais curta. Ainda uso a chupeta para ajudá-la a dormir e, se necessário, também deixo chorar (CIO = cry it out). Como compartilhei acima, tivemos alguns dias e noites bem difíceis em que ela chorou por horas e nada a acalmava, só o colo mesmo. Ela ficava no colo até adormecer (e mesmo assim resmungando de dor), mas bastava a colocarmos no moisés ou no berço e ela voltava a chorar. Continuo dando antigases, eu tinha diminuído para 2x ao dia, mas depois desses episódios voltei a dar 3x ao dia. A chupeta também pode ser uma boa aliada nessas horas em que o bebê sente dor.

Por hoje é só, um abraço e até mais!

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

40 dias de Alícia!


Durante o mês de julho, meu marido ficou em casa quase todas as manhãs para me ajudar a olhar a Nicole enquanto eu cuidava da Alícia e também tentava tirar uma ou duas horinhas para trabalhar (sim, em plena licença-maternidade, rs!), mas agora que as férias da Nicole acabaram, estamos entrando em uma nova rotina! Por isso estou aproveitando esse primeiro dia de nova rotina para contar um pouco sobre como foram os primeiros 40 dias de vida da Alícia.

Bem, estou muito contente com o desenvolvimento até aqui. Com isso não quero dizer que tem sido fácil, pois ter um bebê é sempre difícil e desafiador! Apenas que como é minha segunda experiência, eu estou mais tranquila com relação ao que fazer e ao que esperar de um recém-nascido. Foi muito tenso da primeira vez, pois lá no fundinho eu carregava o receio de estar fazendo algo "errado" e de me arrepender lá na frente. Como li muito e me preparei o máximo que pude antes da Nicole nascer, eu tinha na cabeça um monte de "regras" do que poderia / deveria ou não fazer (quanto à rotina do bebê). O medo era de errar feio e estragar tudo! É, mamães de primeira viagem realmente são exageradas em seus temores, rs!

Mas estamos aqui - todos felizes, sãos e salvos - e me sinto mais confiante com relação à rotina da Alícia. Abaixo descrevo um pouco sobre cada parte da rotina que estou implementando conforme ensina a Encantadora de Bebês (E.A.S.Y.).

Eat (Comer)
A primeira parte da rotina nesta fase é a amamentação. A Alícia mama muito bem. No hospital não fomos tão bem assim. Era alojamento conjunto (o bebê fica no quarto a maior parte do tempo), mas por uma série de fatores - dentre eles as visitas, o meu cansaço e a própria rotina da maternidade que não deu muito apoio com relação a isso - me impediu de amamentá-la a cada 3 horas como deveria ter feito. Pra ser sincera, eu acho que nos dois primeiros dias ela mamou apenas umas 3 ou 4 vezes por dia, o que é bem pouco considerando que um recém-nascido deve mamar no mínimo 7 ou 8! O resultado foi que ela perdeu mais peso do que deveria e, por causa da icterícia, tivemos de ficar um dia a mais na maternidade para ela fazer fototerapia.

Comecei a implementar o E.A.S.Y a partir do 3º. dia de vida. Os primeiros 4 a 5 dias de amamentar a cada 3 horas 24h por dia pra mim são os piores. Doi muito. Mesmo passando a pomada Lansinoh antes e depois das mamadas. A explicação para isso (segundo o Nana Nenê) é que durante esses primeiros dias de vida o bebê mama um líquido grosso, amarelado, rico em anticorpos e com 5x mais proteína do que o leite maduro. Chama-se colostro. Ele tem menos gordura e açúcar do que o leite mas, por ser grosso, exige maior tempo de digestão e deixa os seios doloridos. O bico dos meus seios não chegam a sangrar, porém aparecem bolhas brancas e ficam bem sensíveis ao toque (no banho ardem com a água batendo contra eles). A boa notícia é que isso passa! Antes da Alícia completar uma semana de vida, o meu leite já havia descido e amamentar deixou de doer!

A Alícia suga forte e na maior parte das vezes faz uma refeição completa em menos de 10 minutos. Eu sei que a maioria dos livros diz que o tempo de amamentação, principalmente no primeiro mês, chega a 30 minutos por vez, mas parece que as minhas filhas não precisam de todo esse tempo para mamar. Além disso, sigo a orientação da Encantadora de Bebês e dou apenas um lado por vez. Raras vezes precisei dar o outro lado também. Aprendi com o Nana Nenê que a sucção não-nutritiva não é recomendável e, por não querer virar uma "chupeta humana", tiro-a do peito para arrotar minutos após eu parar de ouvi-la engolir depois de 5 ou 6 sugadas.

Ela também golfa muito. O leite chega a esguichar, às vezes enquanto ela ainda está no peito (talvez porque ela mama rápido demais?) ou quando a coloco sobre o meu ombro para arrotar. A Nicole não golfava tanto leite ou com tanta frequência. Quando golfava normalmente era porque eu havia sem querer apertado a barriguinha dela na hora de trocar a fralda. Com a Alícia já tomei as devidas precauções como inclinar o berço e também não deixá-la em posição totalmente horizontal após as mamadas. Nem sempre funciona. Na verdade eu desconfio de que a posição inclinada não seja tão favorável pois faz a fralda apertar a barriga (principalmente se ambas estiverem cheias). Então tenho invertido a ordem, procuro trocar a fralda antes de mamar e também faço questão de não apertá-la muito na hora de colar o adesivo. Outra ideia que o meu marido teve é de interromper a mamada para fazê-la arrotar antes de prosseguir. Não consegui fazer isto muito bem ainda porque nunca fui muito boa para ajudar o bebê a arrotar (é difícil!).

Por que eu sei que 10 minutos de um seio só está sendo suficiente para alimentá-la? Por uma série de motivos. Primeiro porque li no Nana Nenê que, com a lactação já estabelecida e desde que o bebê sugue com força, é possível esvaziar os seios da mãe num tempo de 7-10 min. Outro motivo é que ela aguenta até a próxima mamada (os intervalos entre uma mamada e outra são de 2,5 a 3 horas). Também sei que ela está mamando o suficiente porque monitoro as fraldas, troco-a 7 a 8 vezes por dia. A lógica é esta: se as fraldas estão frequentemente molhadas e/ou encharcadas é porque a ingestão de líquidos está adequada. Por fim, o indicador mais importante: ela está ganhando peso! Pra falar a verdade, não sei ainda quanto ela ganhou pois a visita ao pediatra está agendada somente para a semana que vem, porém é notável que ela cresceu e engordou bastante!

Aliás, este é um fator interessante e quero aproveitar para fazer uma última observação. A Nicole eu também amamentei a cada 3 h desde o início, mas estabelecer horários fixos de amamentação eu só fui aprender a fazer um tempo depois, acho que no 2º. mês de vida. No início, se em vez de amamentar às 13:00 eu só conseguisse acordá-la e começar a mamada às 13:25, eu acabava considerando o horário de acordá-la novamente para a próxima mamada às 16:25 e não 16:00 como deveria. O problema é que muito provavelmente eu também teria dificuldade de acordá-la e outros 20-30 min se passariam. Assim, a mamada das 16:00 acabava acontecendo às 16:50, ou seja, quase uma hora depois. O atraso de uma mamada se refletia no horário da próxima (efeito dominó) e, por isso, além da rotina não ficar muito previsível, não era sempre possível garantir as 7-8 mamadas do dia (pois o dia só tem 24 horas!). Desta vez eu estabeleci horários fixos desde o início (6:00, 9:00, 12:00, 15:00, 17:00, 20:00, 23:00 e de madrugada quando/se ela acorda), incluindo o cluster feeding, que significa amamentar com intervalo menor entre 2 mamadas no final da tarde para, como diz a Encantadora, "encher o tanque" (a barriguinha do bebê) para ajudá-lo a dormir mais horas seguidas à noite. O Nana Nenê também explica que no fim do dia é normal o suprimento de leite materno ser menor e, por isso, também aconselha diminuir o intervalo entre as mamadas nessa hora do dia. Uma nota com relação à rotina: Depois de 5 semanas mais ou menos de cluster feeding adaptei os horários para conseguir fazer o dream feed (mamada dos sonhos) mais cedo. Não estava gostando de dar a última mamada do dia tão tarde, às 20:00; ela não dormia direito e acabava acordando novamente para a mamada dos sonhos (em vez de mamar dormindo como deveria). Então a rotina hoje está mais ou menos assim: 6:00, 9:00, 12:00, 14:00, 17:00, 19:00, 22:30 e de madrugada.

Activity (Atividade)
A segunda parte da rotina dela é ficar acordada. Para bebês recém-nascidos isso é um verdadeiro desafio. Aliás, tive MUITA dificuldade de acordar a Alícia para as mamadas durante as primeiras semanas de vida. Levantava-a, fazia cócega na orelha, abria o macacão para resfriar um pouco o corpo (pois o calor dá sono) e mesmo assim não funcionava toda vez. Eu chegava a ficar 20-30 min só tentando acordá-la. Às vezes eu queria simplesmente desistir e deixá-la dormir. Mas enfim o esforço valeu a pena pois aos poucos o corpo dela foi se ajustando e hoje em dia é comum ela acordar sozinha perto do horário de mamar. Isto é muito importante e fruto da AOP (alimentação orientada pelos pais) que o Nana Nenê ensina, pois faz parte do processo de "treinar" o metabolismo do bebê para mamar e ficar acordado nas horas certas (de dia!) até ele ser capaz de dormir a noite toda.

Nesta fase a Alícia ainda não consegue ficar acordada por mais de 40-50 minutos, o que inclui o tempo gasto mamando e a troca de fralda/roupa (ou o banho, 1x por dia). Também tomo o cuidado de não ficar com ela no colo durante todo o período acordada. Tanto o Nana Nenê quanto a Encantadora promovem o lema "Comece como quer terminar" (Start as you mean to go).

Sleep (Dormir)
A última parte da rotina nesta fase é dormir. O objetivo é que o bebê aprenda a dormir sozinho e no seu próprio berço e, para isso, às vezes é necessário deixá-lo chorar um pouco. Até o momento não tenho tido grandes dificuldades. Eu uso a chupeta e/ou a seguro (sem balançar) por alguns instantes, mas quando vejo que ela está calminha o suficiente coloco-a no berço ou no moisés para tirar a soneca. Normalmente ela já deu algumas bocejadas e os olhos delas estão fitos em alguma direção. Pra mim são os dois sinais mais claros de que ela já está pronta para embarcar no sono.

Nos dias em que ela está agitada e com dificuldade para dormir (ou quando temo que seu choro irá acordar a Nicole), deixo-a com a chupeta um tempo maior e ela acaba dormindo. No fim das contas ela sempre cospe a chupeta depois que adormece, mas quando dá entro no quarto antes disso acontecer e eu mesmo tiro-a da boca dela (ela resiste sugando-a com mais força!). Estou fazendo isso porque com a Nicole foi um problema; na ânsia por não ouvi-la chorar acabamos tornando-a dependente da chupeta. Tivemos dias e noites difíceis no começo porque toda vez que a chupeta caía da boca ela abria o berreiro!! Era muito estressante entrar no quarto várias vezes (inclusive durante a noite) para repô-la. Não queremos reviver esses episódios, então estou sendo bem mais cautelosa com a chupeta desta vez.

Além do soluço que a Alícia tem em praticamente todas as mamadas (e não sei como fazer para evitar!), ela também tem muitos gases e isso algumas vezes interrompe o seu sono. Como a Nicole fazia, ela se contorce de dor e chora. A diferença é que, além de massagear a barriguinha fazendo pressão com as perninhas dela dobradas, estou dando antigases (simeticona) a cada 8 horas conforme prescrito pelo pediatra. Não sei porque eu não fiz o mesmo com a Nicole! Quer dizer, até sei, eu quis evitar dar medicamento e tentei resolver o problema de outra forma (com massagem, bolsa de água quente e funchicórea), mas desta vez pesquisei melhor sobre a ação do antigases e resolvi dar. Estou vendo resultado, ele realmente a ajuda a eliminar os gases e ela sofre menos. Também verifiquei que a ação dele é cumulativa, então os resultados são melhores se ele é dado com consistência (e não somente quando ela tem dor).

Tivemos alguns dias, entre 18:00 e 22:00, em que a Alícia ficou bem nervosa e chorou além do normal. Num dos dias sabíamos que ela chorava de dor (gases), mas nos outros não sabíamos o que ela tinha. Ela simplesmente esperneava e chorava, por muito tempo! A ponto de pular a soneca. É o que alguns chamam em inglês de witching hour. Não se sabe bem o motivo mas pelo que li é comum bebês chorarem mais no fim do dia. Tivemos umas três ou quatro crises dessa até agora (no mesmo horário) e eu tenho entendido que não é o momento de deixar chorar (CIO = cry it out). Quando a Nicole era pequena eu não era muito flexível com relação a isso, não tive sabedoria para discernir as diferenças. Se não fosse fome, frio, calor, fralda suja ou outro motivo aparente, eu deixava chorar crendo que isso a ajudaria a dormir por conta própria (o grande objetivo). Claro que me partia o coração ouvi-la chorar tanto e por tanto tempo; eu entrava a cada 15 ou 20 min no quarto para tentar acalmá-la e repetir o processo de colocá-la pra dormir na esperança de que ela aprendesse logo. Deu certo, mas foi sofrido e sei que não é qualquer um que aguenta a pressão.

Com relação à tolerância ao choro, percebo que algo mudou em mim. Estou definitivamente mais tranquila. O choro da Nicole me apavorava e eu não conseguia raciocionar direito se ela estivesse chorando. Trinta segundos de choro me pareciam vários minutos!! E às vezes nem choro era, era só um resmungo mesmo, mas acho que os meus ouvidos ampliavam o som. Claro que outras vezes eram choro sim, e bem estridente também! Um dos motivos da mudança, sem dúvidas, é porque já passei por isso uma vez antes e, portanto, estou melhor preparada. Mas outro motivo igualmente relevante é que agora eu tenho de dividir a minha atenção. Não tenho só um bebê recém-nascido em casa, tenho mais uma filha de quase dois anos e que também precisa de mim. Quantas vezes precisei deixar a Alícia chorando por um ou dois minutos porque estava fazendo alguma coisa para/com a Nicole (exemplo, levando-a ao banheiro, dando banho, comida ou escovando os seus dentes)? Há situações em que simplesmente não dá para largar tudo e ir ver o bebê! Não sou duas! E isso é bom, tanto para mim quanto para elas. Quando finalmente consigo chegar até a Alícia para ver o que está acontecendo ela normalmente já "se resolveu" e não está mais chorando. Eu desconfiava mesmo de que em parte a "culpa" pelo fato das crianças serem exigentes fossem das mães que atendem a todos os choros prontamente!

Desta vez estou sendo mais flexível. Como sei que a Alícia já consegue dormir sozinha (porque ela o faz em praticamente todas as sonecas do dia), tenho me dado ao luxo de segurá-la e deixá-la dormir no meu colo nesses períodos tensos de fim dia. Na verdade quem tem feito isso é o meu marido já que nesta hora do dia ele já chegou do trabalho. A Valerie Plowman, do blog Chronicles of a Babywise Mom, estabelece uma hierarquia quanto às prioridades que dizem respeito ao sono do bebê: 1) dormir na hora certa (conforme a rotina), 2) dormir no local certo (no berço), 3) dormir da forma certa (sozinho). Por isso, antes de mais nada, é preciso que a Alícia durma na hora certa, ainda que isso signifique que ela vai dormir no colo. Sei que fazê-lo algumas vezes em situações atípicas como essas não é suficiente para pôr tudo a perder e faz parte da flexibilidade que tanto o Nana Nenê como a Encantadora enfatizam mas que, por algum motivo, mães de primeira viagem como eu não entendem. Isto está muito claro para mim hoje.

Uma surpresa agradável que tive neste primeiro mês da Alícia foram as noites alongadas. O Nana Nenê ensina a não acordar o bebê pra mamar durante a madrugada, mas deixá-lo acordar sozinho pois entre o 10º. dia e a 8a semana de vida ele já seria capaz de dormir a noite toda. A minha teoria é de que isso depende em grande parte do peso do bebê. Quanto menor o bebê mais difícil é porque seu estômago ainda não comporta uma quantidade suficiente de leite para ele ficar tantas horas sem mamar. À noite a Nicole acordava pra mamar após aprox. 5 horas de sono e batalhei bastante para ela finalmente conseguir dormir a noite inteira (de 7 pra 8 horas), o que só foi acontecer com 8 para 9 semanas de vida, ou seja, bem no limite do prazo que o livro havia dado. Já os resultados com a Alícia vieram bem mais rápido: com 11 e 12 dias ela dormiu de 6 a 7 horas seguidas pela primeira vez!! Tomei um susto quando acordei de manhã. Depois com 17 e 18 dias de novo. Que delícia pra mim! Com 24 e 25 dias de vida nova surpresa: foram 7 a 8 horas de sono ininterrupto dessa vez! E ela não tinha completado nem um mês de vida ainda.

Dormir a noite inteira não é uma constante ainda e nunca aconteceu por mais de quatro noites consecutivas. Aconteceu de novo com 33 dias (6 horas), com 38 dias (8,5 horas), com 39 dias (6,5 horas), com 40 dias (6 horas) e com 41 dias (7,5 horas). Mas as demais noites foram somente 5 horas ou menos de sono ininterrupto. Tenho percebido que o "sucesso" à noite varia de acordo com a qualidade das mamadas do dia e também da implementação da rotina. Se, durante o dia, eu consigo fazer todos os ciclos de "comer/ficar acordada/tirar soneca" direitinho e, assim, ela fica acordada o tempo adequado e ingere o suficiente de calorias, os resultados à noite são melhores. Mas com filha pequena e de férias em casa nem sempre é possível seguir a rotina perfeita, por isso fomos bem flexíveis neste primeiro mês.

You (Você)
No livro da Encantadora de Bebês, a Tracy Hogg enfatiza que a mãe separe períodos do dia para cuidar de si e o horário ideal é enquanto o bebê está dormindo. Por isso é tão importante que as sonecas sejam longas, de 1h30 a 2 horas por ciclo. No Nana Nenê e Educação de Filhos à Maneira de Deus, os Ezzos também falam da importância de investir no relacionamento que é a base da família: o relacionamento marido-mulher. Eles dizem que "bons cônjuges produzem bons pais" e eu concordo plenamente! Com dois filhos o desafio de manter o casamento saudável é ainda maior, por isso meu marido e eu já separamos algumas datas de nossas agendas, 1x por mês até o final do ano, para termos o nosso tempo sem as meninas. Ainda não sabemos qual será o programa cada mês, mas vamos "voluntariar" babás para ficarem com elas nesses dias, rs!

Bem, por hoje é só! Vou postando as novidades conforme elas acontecem.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Maternidade é bênção, não martírio.

Vocês já pararam para pensar porque tantas mulheres brasileiras têm um filho só e depois "desistem" da maternidade?

Eu sei que em parte o motivo é financeiro, o salário da mulher brasileira faz falta à renda familiar e por isso ela precisa voltar para o trabalho antes do bebê completar 1 ano, o que eu considero uma realidade muito triste de nosso país. Mas, por outro lado, desconfio que a razão de muitas não quererem ter o segundo, terceiro ou quarto filho é por causa do sufoco e caos que passam nos primeiros meses (e porque não dizer anos?) do bebê, justamente os mais críticos e determinantes para a sua formação e convivência saudáveis dentro e fora do lar!

Pintemos o cenário típico de quem acaba de chegar em casa da maternidade: os hormônios estão alterados, as emoções instáveis, o corpo todo esquisito, as mamas doloridas, os mamilos rachados de amamentar, dormindo quase nada à noite... E no caso de quem passou por uma cesária (no Brasil isso engloba mais de 80% das mulheres no setor privado, mas esse tema vai ter que ficar para uma próxima postagem!), a situação é agravada, pois estamos falando da recuperação de uma cirurgia, o que inevitavelmente envolve repouso, certa dificuldade de mobilidade, dor nos pontos, essas coisas.

Bem, é em meio a esse cenário desastroso (principalmente quando se trata de mamães de 1a viagem), de emoções confusas, dúvidas e muitas incertezas ("será que estou fazendo certo?", é o que normalmente pensamos), hipersensibilidade e choros com ou sem motivo, que pediatras e enfermeiras orientam suas pacientes a amamentararem sempre que o bebê quiser!! Que loucura.

Fico realmente abismada. Será que "esse povo" não enxerga a pressão que coloca sobre nós? Amamentação por livre demanda - é isso mesmo ou será que fui eu que entendi errado?

Imaginem só o que acontece... O bebê mama uns minutinhos e dorme no peito, em menos de 1h ele acorda e chora, então a mãe entende que é fome e dá mamar de novo. Dali umas 2 horas ela novamente o amamenta porque ele acordou, não pára de chorar, então ela pensa "só pode ser fome". Quando dali 40 min ele está aos berros de novo, ela pensa: "fome de novo não pode ser, então será que é cólica?" e decide alimentá-lo porque descobriu que o peito ajuda a acalmá-lo. E assim se perpetua um hábito, o processo se repete o dia todo por dias, semanas e meses. Isso parece estressante pra você também ou será que é só pra mim?

Frustrada e com suas energias esgotadas, a mãe se dá conta que acidentalmente entrou no modo "oferecer o peito toda vez que o bebê chora" e a maternidade então se torna um martírio. O resultado é uma mulher estressada, privada de sono e o que é pior: amamentando o dia todo!!

Sabia que nessa fase inicial (0-3 meses) bebês têm grande necessidade de sucção e que se você não tomar cuidado e entrar nessa onda "alimentação por livre demanda", você se tornará uma chupeta humana?! Ou pior, ele aprenderá que precisa do peito para dormir e ficará dependente de você porque não aprendeu a dormir de outro jeito?

Cá entre nós, vendo por esse lado fica fácil entender porque muitas mães desistem de amamentar logo no 2º. ou 3º. mês e preferem dar fórmula! Porque na boa, quem aguenta? Quem vai querer repetir a dose?

E isso me revolta, pois eu entendo que a maternidade é para ser bênção, não martírio! Seu bebê veio para abençoar e trazer alegria para a sua casa, não para se tornar fonte de incômodo. É por isso que ele precisa sabe do quê? Ele precisa de rotina!! É um absurdo ensinarem o contrário nos cursos para gestantes. Pra mim está claro: você e seu bebê precisam de descanso; é para isso que serve a rotina, ela é essencial nesses primeiros meses de adaptação.

Seu filho precisa dormir (bebês cansados choram muito!!) e ele precisa aprender a fazer refeições completas a cada mamada (não beliscar) para que o seu sistema digestivo possa descansar adequadamente entre uma mamada e outra. Eu acredito na alimentação orientada pelos pais, não pelas exigências do bebê (que nada mais é do que a tal da amamentação por livre demanda).

O Nana Nenê ensina que não se pode confiar no choro do bebê para saber a hora de alimentá-lo. Por dois motivos: primeiro porque ele pode estar com fome e não chorar (alguns bebês são assim) e segundo porque ele pode chorar/espernear e não ser fome. Adianta alimentar um bebê sem fome se ele está chorando de sono, por exemplo? Claro que não! O que acontece é que bebês novinhos costumam mamar por apenas 5-10 minutinhos e depois "capotam" de sono... rsrs!

A Nicole era assim, mas eu fazia o possível para mantê-la acordada até mamar o suficiente. E depois tentava mantê-la acordada por mais um tempinho para fazer a digestão antes de dormir. É como nós adultos, quando comemos muito logo antes de dormir não acordamos meio azedos? Por que seria diferente com bebês?? Aliás, com eles deve ser até pior porque seu sistema digestivo ainda não está maduro, os intestinos estão aprendendo a funcionar (por isso eles sofrem para fazer coco, têm gases, algumas vezes refluxo, etc.). Não é de se admirar que as cólicas sejam agravadas quando o bebê SEMPRE dorme com o estômago cheio.

Em suma, quando o bebê chora é preciso confortá-lo com o tipo de conforto necessário (e não sempre com o peito). Não se pode interpretar todo choro como fome. Lembre-se que bebês choram e essa é a principal forma de comunicação deles. Como mães precisamos observar o nosso bebê e aprender a reconhecer seus diferentes tipos de choro! No começo é difícil, mas com o passar do tempo vamos entendendo as diferentes necessidades que ele está tentando nos comunicar.

Aqui vai o que eu considero o maior benefício da AOP (alimentação orientada pelos pais): ter uma rotina estruturada de alimentação e sono facilitará muito a sua vida e a dele!! Você não precisará ficar advinhando o que ele tem, por eliminação e bom senso você saberá se ele mamou o suficiente, dormiu o suficiente, precisa ser trocado, etc.

Eu acredito que você precisa ter um plano para 24 hs. Não é o seu bebê quem irá determinar a hora de dormir, a hora de comer ou a hora de ficar acordado. Isso cabe a você. Você é o pai, você é o responsável. É você quem precisa orientar seu filho e fixar os padrões de sono e alimentação!!

Nos primeiros 2-3 meses, um intervalo saudável entre o fim de uma mamada e o início da próxima é 2 a 2 horas e meia, ou seja, a rotina deve ser organizada em ciclos de 3 horas. Seu bebê mamará aprox. 8x por dia nas primeiras 8 semanas (depois disso o nº. cai para em torno de 6 mamadas). Uma orientação é dar mamadas robustas ao final do dia (que é geralmente quando o suprimento do leite materno está mais baixo), isso significa encurtar o intervalo entre as mamadas. A última mamada do dia é a mamada dos sonhos (nunca depois das 23:00), em que a mãe deve fazer o possível para não acordar o bebê (amamentá-lo dormindo).

Uma das dicas mais valiosas que recebi quando estava estabelecendo a rotina da Nicole foi a de fixar um horário padrão para iniciar o dia (1a mamada) e montar a agenda a partir disso.

Veja um exemplo em que você o acorda pela manhã às 6:00 e ele vai pra cama à noite às 20:00. Os horários das mamadas ficariam mais ou menos assim:
Mamadas durante o dia == > 6:00 - 9:00 - 12:00 - 15:00 - 17:00 - 19:00
Mamada dos sonhos == > aprox. 22:00
Mamada da madrugada == > o horário em que o bebê acordar (cada vez vai esticando mais)

Como já disse, no início a orientação é se esforçar para manter o bebê acordado até o final de cada mamada. Eu sei que é difícil porque eles mamam um pouquinho e já dormem no peito, mas não deixe seu bebê fazer isso! Outra observação é que talvez seja necessário acordá-lo para os horários das mamadas durante o dia (faça isso), mas NÃO é indicado fazê-lo durante a noite. Não acorde-o para a mamada da madrugada uma vez que o objetivo é estabilizar os ciclos noturnos de sono!!

O Nana Nenê afirma que entre o 10o dia e a 8a semana de vida o bebê já deve estar dormindo regularmente entre 7-8 hs ininterruptas à noite. Parece sonho?! Pra mim e para tantas outras mães que seguiram os princípios do Nana Nenê não é sonho não, é realidade - doce e palpável!!

Para eliminar a mamada da madrugada, continue acordando seu bebê no mesmo horário pela manhã, independente do horário em que ele acordou para mamar de madrugada. Se você notar que ele está mamando bem pouco na mamada da madrugada, então pode ser que ele não precise mais dessa mamada e que esteja acordando por hábito. Se for o caso, em vez de amamentá-lo você pode fazer o teste usando uma chupeta ou ajudando-o a se acalmar para ele voltar a dormir sem precisar comer.

Beijos e até a próxima!

segunda-feira, 29 de março de 2010

Ela é sempre calminha assim?

A pergunta que eu mais ouço das pessoas quando conhecem a Nicole (hoje com 7 meses) é: "Ela é sempre calminha assim?". Quando eu digo "sim", a resposta automática, principalmente daqueles que também têm filho, é: "Puxa, você teve sorte!".

O mais engraçado é que o livro Nana Nenê fala que isso vai acontecer!

Logo no início do livro, Gary Ezzo e Robert Buckman já avisam que as pessoas vão olhar para o seu bebê e dizer: "Puxa, você teve sorte!" quando na verdade o mérito é todo seu por ter se planejado, buscado conhecimento e tido persistência em treinar seu filho desde o primeiro dia. Claro que tem a bênção de Deus nisso tudo também em fazer prosperar o trabalho de suas mãos!

Mas o fato é que quando você aplica os princípios da AOP (alimentação orientada pelos pais) e segue uma rotina estruturada, respeitando a ordem 1) hora de dormir, 2) hora de comer e 3) hora de ficar acordado, o resultado é um bebê descansado, esperto e, por consequência, mais feliz!

Para crescerem saudáveis está mais do que provado que os bebês precisam dormir, dormir e dormir! Li recentemente que crianças que dormem bem são mais inteligentes. Todo bebê pode e deve dormir a noite inteira, além de tirar boas sonecas durante o dia, pois é durante o sono que as novas informações que recebem enquanto estão acordados são processadas, potencializando o aprendizado.

Afinal, qual de nós adultos não funciona melhor estando descansado? Se nós, quando dormimos mal uma noite (ou uma série delas), temos a tendência de ficarmos impacientes, irritados e menos atentos no dia seguinte, imaginem os bebês que estão com seu desenvolvimento físico e intelectual a todo vapor? Não é de se admirar que eles fiquem mesmo chorões e "chatinhos". Também, né, pudera! E a culpa não é deles.

"Ah, mas eu quero que meu bebê durma, o problema é que ele não quer dormir", algumas mamães lendo esse blog podem pensar. Aí é que está o X da questão - é a mamãe, não o bebê, quem decide a hora que o bebê vai dormir à noite e a que horas ele precisa tirar suas sonecas durante o dia. É esse o nosso papel como pais - mostrar o caminho e orientar os nossos filhos!!

Não podemos nos colocar como vítimas do temperamento deles, dos maus hábitos adquiridos ou das situação em que vivemos e, assim, nos omitir quanto à nossa responsabilidade de educá-los de maneira ativa. Precisamos mudar de postura!

E o treinamento começa desde o primeiro dia! Como o ditado em inglês ensina "Start as you mean to go on", não comece hábitos que você não pretende ou deseja manter - como levá-lo para dormir na sua cama, amamentá-lo (ou dar mamadeira) toda vez que ele acordar de madrugada ou mesmo acostumá-lo a dormir no colo ou sendo balançado no carrinho.

Com seu filho descansado, você verá como é possível curtir melhor todas as delícias da maternidade!