Bem-vinda!!

Bem-vinda ao nosso blog!
Aqui, mamães muito diferentes mas com um único objetivo compartilham suas experiências nesta grande aventura que é a maternidade! Nós queremos, acima de tudo, ser mamães sábias, que edificam seus lares e vivem com toda plenitude o privilégio de sermos mães! Usamos muitos dos princípios ensinados pelo Nana Nenê - Gary Ezzo, assim como outros livros. Nosso objetivo é compartilhar o que aprendemos a fim de facilitar a vida das mamães! Fomos realmente abençoadas com livros (e cursos) e queremos passar isso para frente!


"Com sabedoria se constroi a casa, e com discernimento se consolida.
Pelo conhecimento os seus cômodos se enchem do que é precioso e agradável"
Prov. 24:4,5
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quinta-feira, 11 de julho de 2013

Prevenção ao Abuso Sexual Infantil

Estava conversando com amigas queridas esta semana e falamos de vários assuntos, de crianças e suas amizades na rua, da necessidade de discernir entre perigos reais e perigos que nos são vendidos pela "cultura do medo" e, finalmente, do que nós - como mamães proativas - podemos fazer para proteger os nossos filhos do abuso sexual infantil (principalmente daquele cometido por pessoas que não levantam suspeita).

Daí uma delas compartilhou um vídeo excelente que eu achei que merecia vir para o blog!! É um vídeo bem didático que pode ser usado tanto em casa, pela família, como em EBDs e escolas.




Na verdade, acho que a Nicole ainda está muito nova para ver o vídeo. Eu sei como ela é sensível ao sofrimento alheio e acho que as cenas que passam no minuto final do vídeo (sobre escravidão sexual) a deixariam impressionada demais. Pretendo esperar um pouco mais, até sentir que ela está pronta para vê-lo... quem sabe quando ela estiver perto de completar 5 anos (hoje ela está com 3, quase fazendo 4).

Apesar da pouca idade, eu já falo com ela sobre a maldade que há no mundo. Falo do nosso coração duro, desobediente, mau, pecaminoso... digo que, sem Jesus, todos (sem exceção, inclusive papai e mamãe), estão distantes de Deus (que nos ama tanto) e precisam do perdão que Jesus conquistou para nós na cruz.

Além disso, como saio a pé ou de trem (às vezes ônibus) com as duas com alguma frequência, eu preciso alertá-las para os perigos reais que existem nas ruas. A Alícia está com 2 anos e ainda não entende, mas pra Nicole eu digo que há pessoas más que querem roubar crianças de suas mães pra machucá-las e que, por isso, ela e a irmã precisam sempre estar do meu lado ou a alguma distância em que eu consiga vê-las.

A primeira vez que eu falei, a Nicole ficou toda a alarmada olhando ao redor. Até hoje, quando estamos num local público, ela me pergunta: "Mommy, are there bad people here?" (Mamãe, há pessoas más aqui?). Eu digo que não sei porque não dá para saber o que há no coração das pessoas, que precisamos sempre ser gentis e amigáveis com todo mundo, mas a lembro que ela tem de ficar do meu lado porque Deus colocou a mamãe e o papai na Terra para cuidarem e protegerem elas até elas crescerem também.

Bem, esses são os meus pensamentos sobre esse assunto por agora. Tenho certeza de que o vídeo será uma ferramenta extremamente útil para mães, pais e professores a ajudarem a prevenir o abuso infantil!

segunda-feira, 27 de maio de 2013

3 anos e 8 meses de Nicole!

Comecei a escrever o post abaixo há mais de 20 dias, mas não consegui terminá-lo no dia e só estou voltando hoje para terminá-lo. :-(

Apesar de estar me corroendo de culpa por tê-lo deixado inacabado, o que me consola é o provérbio "antes tarde do que nunca". Acrescento que minha lista de temas para postar aqui no blog só aumenta a cada dia... e o que me falta é tempo para conseguir escrever sobre tudo o que quero!

====*====
Com uma semana de atraso (06/05), mas cá estou para contar algumas novidades que selecionei dos últimos 4 meses de vida de minha primogênita.


Para começar, os últimos meses foram cheios de novidades para a Nicole!

Dama de honra
A primeira novidade para ela foi ter sido dama de honra no casamento do meu irmão. E para a nossa surpresa, ela entrou direitinho ao lado do primo! Não tivemos ensaios antes para ela poder praticar e eu estava receosa de que ela fosse se recusar na hora H, mas para ajudar a prepará-la para o que aconteceria no dia, recorri ao youtube e juntas vimos vídeos de outras damas e pagens entrando em casamentos. Deu certo!

Eu escolhi colocar a fotinho à direita para contar que, pouco tempo após ela e o primo entrarem com as alianças, ela começou a acenar para mim que estava com vontade de fazer xixi. Tive de sair com ela para ir ao banheiro no meio da cerimônia! A foto mostra bem como ela me mandou a mensagem, hehe.

Aulas de balé
A outra novidade é que há dois meses ela iniciou suas aulas de balé num estúdio de dança aqui perto de casa. Ela saiu da primeira aula dizendo que não tinha gostado, talvez porque tenha se sentido constrangida de ser a mais nova e mais baixinha da turma. Neste dia só tinha ela e mais duas meninas de 5 anos! Eu pedi a ela que fosse em mais uma aula pelo menos, para a gente avaliar se valia a pena ela continuar indo. Da segunda aula ela já saiu muito mais feliz e assim continuou, intercalando entre episódios de "altos" e "baixos".

Um dos "baixos" foi na aula antes da viagem de uma semana que eu e meu marido fizemos sem as meninas. Do lado de fora eu pude ouvi-la chorando durante a aula. Depois que a aula terminou a professora me chamou para conversar e explicou que ela chamou a atenção da Nicole (por não estar pulando no ritmo das palmas) e que ela começou a chorar, se recusando a participar dos exercícios até o fim da aula. A Nicole olhou para mim com aquela carinha de chateada e disse: "Mamãe, eu estou cansada". E ela fica mesmo, segundas-feiras são os dias mais cansativos para ela.

O outro "baixo" foi na aula seguinte ao episódio anterior. Meu marido e eu estávamos fora e as meninas ficaram uma semana sob os cuidados da vovó. A professora não falou nada para a vovó no dia, mas me contou na semana seguinte que a Nicole não quis participar da aula, ficou apenas sentada assistindo, e que ela preferiu não insistir por saber que a recusa dela poderia ser reflexo da nossa ausência. Eu acho que teve mais a ver com o sentimento de inferioridade da aula anterior, mas não descarto a possibilidade que a professora trouxe e achei que ela agiu bem em deixar a Nicole à vontade.


A partir da aula seguinte, porém, tudo transcorreu bem. Ela voltou a entrar e sair animada das aulas e até recebeu elogios da professora de que estava mais solta na aula e dançando como uma bailarina. Hoje (06/05), em homenagem ao dia das mães, a escola ofereceu uma "aula aberta" para as mães poderem assistir. Tirei muitas fotos da minha bailarina fazendo os exercícios e dançando em aula. Amei!!


Hábito de chupar dedo
A Nicole chupa dedo desde os 6 meses de idade. Aconteceu assim: eu tirei a chupeta e ela encontrou o dedo. Eu nunca liguei muito porque a regra era que ela só poderia chupá-lo na cama, quando fosse dormir. Porém, aos poucos fui baixando a guarda e acabei permitindo que ela o chupasse também quando estivesse vendo desenho na TV ou no ipad. E advinhe? Agora chupar o dedo virou praticamente uma constante para ela, como o problema de roer unhas que ela teve no ano passado (a história toda você pode ler no último update: 3 anos e 4 meses de Nicole!). Ela o faz no automático, sem perceber. Quando se dá conta, o dedão já está dentro da boca! E quem é mãe sabe como é cansativo ficar repetindo a mesma frase o dia todo (no meu caso: "Nicole, please stop sucking your thumb!"). É totalmente contraproducente e mexe com os meus nervos. Esse exemplo mostra claramente que, quando se trata de estabelecer padrões para os nossos filhos, é infinitamente melhor "pagar à vista" do que "a prazo". O post Eduque, não reeduque! fala um pouquinho sobre isso. Eu fiquei desatenta, gradativamente deixei que as circunstâncias baixassem meu padrão e, agora que nos demos conta de onde fomos parar, nós - eu, ela e meu marido! - estamos pagando o árduo preço de erradicar um mau hábito.

Minha estratégia recente tem sido a perda de privilégios, no caso o que ela mais gosta de fazer: ver desenho. Hoje mesmo (06/05) ela está de castigo. Fizemos o combinado que cada vez que eu visse com o dedo na boca ela perderia o privilégio de ver desenho por um dia. É preciso sempre lembrá-la do acordo. E hoje aconteceu duas vezes, quase que seguidas. Portanto, ela só poderá reaver o direito de ver desenho novamente na quarta-feira. Olha, não é fácil manter a firmeza, viu! Ela chorou tão doída hoje quando a informei de que ela tinha perdido o privilégio. Meu coração ficou moído de ouvi-la dizer aos prantos: "Sorry, mommy, I won't do that again. I want to watch TV". Sei que é uma coisa tão boba e confesso que às vezes me sinto "má" de negar a ela o pedido, mas sei que não é maldade. É amor. Já amoleci outras vezes e vi o que aconteceu: ela tornou a chupar o dedo e minha palavra perdeu a credibilidade. Por isso, por AMOR à minha filha, ao seu futuro e à formação do seu caráter, eu olho-a nos olhos com todo o carinho que tem dentro do meu peito e digo: "I forgive you, honey, but you need to learn this lesson. You will only watch cartoon again on ___". Quem disse que ser mãe era moleza??

Sim, por amor a Deus e também a ela, eu preciso fazer valer a minha palavra! Se eu não a amasse tanto, deixaria passar... Ao discipliná-la, meu marido e eu precisamos constantemente nos lembrar que o nosso compromisso não é com o seu choro de agora e que nossa missão, como pais, não é evitar a todo custo que ela se entristeça. Nosso compromisso é com a pessoa que Deus a criou para ser. E o mais lindo é ver como Deus usa isso para nos moldar e aperfeiçoar também, além de confortar nossos corações com esperança e paz inexplicáveis. Creio que o sofrimento (dela e meu!) faz parte do crescimento (o nosso!). Como por exemplo hoje, depois daquela choradeira toda inicial, ela veio perguntar algumas vezes ao longo do dia se já poderia ver TV agora. Eu expliquei que ainda não, que ela ficaria dois dias sem desenho. Mostrei com os dedos como era feita a contagem (hoje é 1, amanhã é 2, no dia 3 pode). Ela suspirou triste, mas demonstrou entender e estava mais conformada. Sem dúvidas, uma lição de paciência também!

Amadurecimento emocional
Queria comentar neste post uma situação que nos ocorreu há poucos dias, mas antes preciso explicar algo. Minhas filhas têm diferentes cor de olhos - a Nicole tem olhos castanhos (como o pai) e a Alícia tem olhos azuis esverdeado (como eu). Desde que a Alícia nasceu e as pessoas começaram a reparar na cor dos olhos dela era muito comum ouvirmos o comentário: "Ai que linda. Olha a cor desses olhos!". Evidentemente as pessoas não falavam isso por mal, mas não percebiam que a Nicole (na época, com seus 2 anos) estava atenta. Muito esperta, ela percebeu que nenhum elogio era dirigido à cor dos olhos dela. E concluiu que ter olhos azuis era o desejável. Para a nossa surpresa, um dia à mesa do jantar ela anunciou para nós que os olhos dela eram azuis como os da mamãe e que os olhos da Alícia eram castanhos como os do papai. E isso se repetiu por algumas vezes, ela sempre insistindo com a questão. Em todas as vezes, meu marido e eu fazíamos questão de dizer a verdade. Para brincar eu dizia que o papai e a Nicky tinham "chocolate-brown eyes" e depois acrescentava "hummmm...". E o papai continuava a brincadeira falando que a mamãe e a Lily tinham "ocean-blue eyes". Fizemos essa brincadeira muitas vezes até ela esquecer o assunto, mas sem saber se a situação estava resolvida ou não para ela.

Para a minha alegria, há poucos dias descobri que ela superou sim a questão de não achar bonita a cor dos seus olhos. Foi assim: Era o nosso momento de leitura e eu estava sentada no tapete da sala ensinando a Alícia enquanto a Nicole "lia" sozinha no sofá. Um dos livros tinha um gatinho de olhos marrons e, como a Alícia está na fase de aprender as cores, pedi para ela apontar onde estavam os olhos do gato e quando ela achou, eu pedi para ela repetir o nome da cor. Poucos minutinhos depois, em outro livro apareceu novamente a foto de um gato - só que este tinha olhos verdes. Eu aproveitei a coincidência e abri novamente o livro anterior para comparar os dois gatos. A Nicole, que estava sentadinha "lendo" mas de ouvidos bem atentos, comenta que o gato x tinha a mesma cor dos olhos da Alícia e da mamãe e o gato y a mesma cor dos olhos dela e do papai. E falou assim, na maior naturalidade, com um sorriso maroto no rosto. Ufa!

Bilinguismo
A Nicole ainda inventa algumas traduções engraçadas (como "the phone is linging" ou "o cachorro está barcando" - frases que ela realmente já disse!) e às vezes mistura os idiomas na mesma frase. Não posso culpá-la porque é muito comum eu fazer o mesmo, mas quando estamos em casa me policio ao máximo para falarmos somente em inglês. Um dia desses a professora dela da igreja me disse que ela tem um inglês bom e eu fiquei muito feliz! Claro, ela comete os mesmos erros que uma criança que aprende inglês como língua nativa comete. Como dizer: "I am getting more bigger". Mas isso a gente releva. :-)

Agora o que eu acho mais curioso e que só reparei recentemente é que, mais do que confusões linguísticas, existem as confusões culturais mesmo, às que dizem respeito ao pensamento por trás da formulação das frases. Por exemplo, um dia meu pai falou com ela por telefone e perguntou: "Nicky, você vai na casa do vovô?". Em vez do habitual "Vou" de qualquer brasileiro, ela respondeu "Sim". Que criança (ou adulto!) brasileiros responde assim? Rsrs. Bem, eu pelo menos achei engraçada essa resposta em português pois não soa natural. As respostas padrão para "Você tem __?", "Você quer ___?", "Você gosta ___?", e assim por diante, sempre é "Tenho", "Quero", "Gosto", etc. E não "Sim"!! E eu também já ouvi a Nicole dizer em português: "Olha aqui, eu vou mostrar você" (sem o "para", tradução literal para o equivalente de "I will show you" em inglês). Uma graça essa minha gringazinha, hehe.

Personalidade
A Nicole é muito ativa fisicamente. Ela ama escalar os móveis, a porta, a janela, enfim, o que puder ser escalado. E ama também pular, correr, dar cambalhota, rolar no chão, chutar a bola, andar de bicicleta... e eu estimulo que ela faça essas coisas. A maioria das coisas que ela já sabe fazer fui eu mesma que ensinei, como pular amarelinha (agora ela já está sabendo pular jogando a pedrinha). Ela aprende rápido e tem uma boa coordenação motora. Faço questão de incluir "educação física" em nosso homeschooling. Primeiro, porque gosto e acho saudável movimentar-se fisicamente e, segundo, porque acho que ela tem potencial para ser atleta. Se ela quiser ir por esse caminho algum dia, essa base de agora vai ajudá-la.

Outra característica da Nicole é que ela é uma criança com grande capacidade de concentração. Parece oposta à característica acima, mas não é. Ela ama folhear os livrinhos e fazer a leitura das imagens. Ela é muito atenta aos detalhes e quer saber todos os porquês. Às vezes ela se cansa de ver só as ilustrações e me pede para ler o livro para ela. Acho que logo logo ela vai estar lendo, apesar de eu estar tentando pegar leve nessa questão da alfabetização (mesmo porque ainda não li nada a respeito disso!). Ela também é muito concentrada quando está na frente de algum filme ou desenho. De verdade, ela fica vidrada. Mal pisca! Os desenhos que ela mais gosta atualmente são: Go Diego Go, Dora Aventureira, Pinky Dinky Doo, Backyardigans e Sid the Science Kid. Ela também gosta de Max & Ruby e Thomas e seus amigos, mas não assiste-os com tanta frequência. Como sabemos que ela tem facilidade com linguagem, às vezes meu marido coloca Pocoyo para ela assistir em espanhol ou em francês. Ela gosta do desafio e ultimamente tem falado "Bonjour" para a gente, rs.

Também acho a Nicole muito imaginativa. Ela gosta de histórias inventadas e de brincadeiras de fantasiar. Hoje mesmo (agora sim, 27/05, rs) ela estava brincando que a minha cama era um foguete que iria levá-la para a lua. Ela gosta de me dar "presentes imaginativos" (ao pé-da-letra mesmo... eu tenho de "pegá-lo" e dizer o que tem dentro do pacote, qualquer coisa que eu inventar na hora, rs). Um dia meu pai entrou na brincadeira dela e deu um presente fictício para ela também. Ela pegou o pacote invisível, fingiu abri-lo e exclamou: "Olha, é uma bicicleta!". Caímos na gargalhada. Outro exemplo de brincadeira criativa dela é à mesa do café da manhã: a cada mordida do pão (ou da panqueca) ela diz o que o pedaço parece (um jacaré, um peixe, um carro, etc).  Um tempo atrás essa onda de fantasiar trouxe situações desagradáveis. Uma amiguinha chamada Nicolly veio brincar em casa e a Nicole fingiu que era a Alícia enquanto a amiguinha era a mamãe. Acredita que ela fez xixi e cocô na calça no meio da sala?? Ela realmente imitou a irmã na época do desfraldamento!!

A Nicole se dá bem com rotina. Quando os dias estão mais bagunçados, ela tem maior dificuldade de obedecer. Claro, como toda criança, ela ainda está aprendendo a esperar e a não repetir a mesma pergunta um monte de vezes, rs. Por exemplo, após o almoço ela sabe que tem 45 minutos de descanso. Nesse tempo ela pode ficar deitada quietinha ouvindo música (se quiser), ou pode ficar vendo livros, desenhando ou pintando, contanto que ela não desça da cama. Há dias em que ela quer que o tempo passe logo (porque sabe que a próxima atividade é usar o ipad!) e me pergunta 'trocentas' vezes: "O alarme já tocou, mãe?". Um exemplo engraçado sobre a rotina diz respeito à nossa alimentação. Em quase toda refeição eu costumo fazer arroz, feijão, carne, legume refogado e salada. Certo dia eu não fiz salada e não é que ela percebeu? Ela olhou para o prato dela e perguntou: "Where's my salad, Mommy?". Hahaha!

Aproveitando, acabei de me lembrar de outro episódio engraçado que minha mãe me contou recentemente e que tem tudo a ver com o perfil da Nicole. Já conversei algumas vezes com ela sobre o cuidado que temos de ter para não jogar lixo no chão, que precisamos cuidar bem das coisas que temos, etc. Acredita que uma vez, quando ela estava com a minha mãe indo fazer uma visita no quarto de uma maternidade, ela viu um papel de salgado no chão do elevador e disse: "Quem jogou isto no chão?". Minha mãe respondeu que não sabia e, para a surpresa geral, ela disse: "As pessoas não pensam...". E agachou para pegar o papel do chão para jogá-lo no lixo! Minha mãe veio me contar depois de queixo caído, rsrs.

Até agora só falei de pontos positivos, mas claro que existem áreas a serem melhoradas também. Às vezes pego a Nicole querendo enganar ou mentir quando não quer fazer algo que eu mandei ela fazer (como lavar as mãos antes de comer ou ir fazer xixi/escovar os dentes). Então eu tenho de ficar em cima para supervisionar. Também já tivemos problema porque ela não quis obedecer outros adultos (na nossa ausência), o que é algo muito chato. Para evitar esses dissabores, meu marido e eu tentamos fazer o combinado antes de sairmos de casa: deixar claro qual é o comportamento que esperamos que ela tenha e qual será a consequência caso ela não obedeça.

Relacionamentos
No geral, a Nicole é uma criança bem relacionada e sabe brincar bem tanto com meninos quanto com meninas. Ela tende a ser afobada (=se desespera facilmente e tende a se exaltar) e mandona (=quer as coisas do seu jeito) e sei que isso pode causar certos problemas, mas o fato de ter uma irmã em casa ajuda muito neste treinamento diário, de ceder em prol do outro (sempre um desafio!).

Tenho visto a Nicole amadurecer na consciência de que precisa ser amável com as pessoas. Vejo como ela se preocupa em ajudar a irmã calçar os sapatos, por exemplo, e isso enche meu coração de alegria. Um dia eu estava na cozinha chorando e conversando com o meu marido enquanto as meninas brincavam na sala. Ela deve ter ouvido eu falando e percebeu que eu estava mal, então foi até o quarto buscar a Nana (sua boneca de dormir) para eu abraçar. Que consolo maravilhoso!

A área de tensão ainda tem sido no "learning time" da Alícia. É muito difícil para a Nicole não ser o centro das atenções. Eu faço perguntas para a Alícia e ela corre na frente para responder, não dando a menor chance para a irmã sequer tentar. Eu estou pegando firme com ela, que ela precisa respeitar a vez da Alícia e esperar a vez dela. O Douglas me deu uma boa ideia ontem que vou tentar aplicar: a de fazer a atividade de modo que a Nicole participe fazendo as perguntas (como se fosse a professora) para a Alícia responder. Muito inteligente esse meu marido... como é que eu não pensei nisso antes? Rsrs.

Outra área tensa no relacionamento com a irmã que desde o início quisemos evitar é não permitir que uma irmã dedure a outra só para vê-la ser disciplinada (porque esta é a tendência natural de qualquer criança, né!). O momento do dia que isto mais "pega" é na hora de dormir porque, como a Alícia não está mais no berço, no início ela desobedecia muito se levantando da cama e pulando para a cama da Nicole. Em vez de dedurar a irmã, ensinamos a Nicole dizer: "Mommy/Daddy, can you come here, please?". Daí já sabemos que a Alícia provavelmente não está mais na cama. É uma frase boa também para substituir "choros inexplicáveis" de criancinhas que tendem a pedir as coisas com aquela voz irritante de choro manhoso, sabe? Tanto meu marido quanto eu somos enfáticos de que não se consegue nada com manha, tem de falar direito.

Homeschooling
Até um ou dois meses atrás, a Nicole ainda dizia que queria ver a Tia Kelly, mas agora parece que ela esqueceu de vez (espero!). Temos feito nossas atividades de homeschooling normalmente quase todo dia, sempre com muita leitura e vivências práticas que fazem parte da vida doméstica comum (arrumação da casa, aguar as plantas, ir ao mercado, cozinhar, aprender a ver as horas, etc.). Fazemos "play dates" com amiguinhas duas a três vezes por mês (quando não mais) e elas têm tido bastante oportunidade de socialização na igreja e nas reuniões de família (além de no balé). Fizemos também uma visita ao museu (mas este assunto vai ficar para outro post!).

Nossa caixa do SONLIGHT (material de homeschooling para trabalhar durante 1 ano) chegou e agora temos muito mais materiais para trabalhar. Eu fiquei impressionada com a qualidade dos livros que eles selecionaram. De verdade! Fiquei com a impressão de que eles realmente pensaram em tudo - matemática, ciências, estudos sociais, geografia, etc. Uau!! Um material melhor do que o outro. Nem consegui ver tudo até agora (porque é muita coisa), mas o que já fizemos foram excelentes!

Veja no vídeo abaixo a Nicole "brincando" com um dos materiais que veio na caixa. Para quem tiver interesse, chama-se Mighty Mind. Vocês vão ver como ele é fantástico.


Para terminar o post, eu queria também indicar os melhores apps para ipad que temos para a idade da Nicole. Sério, se você pensa em homeschool mas teme não ter "qualificação" para isso, seus temores acabarão quando você conhecer (um pouquinho que for!) dos inúmeros recursos à sua disposição. Você só precisa saber procurar e ir testando as versões gratuitas (temos inúmeras instaladas no nosso ipad). Minha gente, tem taaaannta coisa boa pela internet hoje em dia que para seu filho aprender basta você não atrapalhar, rsrs. As crianças aprenderão sozinhas... e brincando!! :-)

FW Deluxe
Endless ABC
ABC Writing
ABC Phonics

Math, age 3-5
Math, age 4-6
Lola's Math
I Spy (Lola)

Eu coloquei apenas recursos visando matemática e alfabetização, mas tem apps de desenho, quebra-cabeça, livros com áudio, músicas.... e muitos muitos outros recursos. Qualquer dia desses peço para meu marido vir escrever um post especialmente sobre isto porque é ele quem encontra esse apps para nós!

Um abraço!
Talita

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Educação domiciliar - as atividades do nosso dia-a-dia

Faz uma semana que escrevi esse post, mas só agora consegui vir publicá-lo!

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Como já falei em posts recentes, este ano vou ficar em casa para experimentar o homeschooling com minhas duas filhas - Nicole de 3 anos e 5 meses e Alícia de 1 ano e 7 meses. Hoje contarei como estou organizando as atividades de nossa rotina diária. Se você ainda não sabe nada (ou quase nada) a respeito  da filosofia do ensino em casa e deseja entender do que se trata, sugiro que visite a página da ANED (Agência Nacional de Educação Domiciliar) e leia os artigos de cunho pedagógico que eles disponibilizam.

Planejando a nossa rotina
Meu marido fez a nossa agenda ilustrada de atividades (veja figura abaixo) e a imprimou em folha A4 para podermos pendurá-la num lugar visível e as meninas acompanharem as atividades (ainda não fizemos, pois faltou comprar papel contact!). Para facilitar, eu também programei o alarme do meu celular (=timer) para nos avisar quando é hora de mudar de atividade. Não quero ficar olhando para o relógio o dia todo - digamos que o alarme (na verdade é um toque bonitinho) acaba funcionando como uma sirene de escola. De  final de semana algumas vezes me esqueço de desativá-lo e meu marido acha insano o despertador tocar tantas vezes, mas a Nicole já acostumou. Em um desses dias atípicos ele tocou e eu estava longe fazendo alguma outra coisa, então a Nicole veio até mim para avisar que estava na hora de fazer "alguma coisa", rs.


Os Horários
Enquanto pensava e orava a respeito dessa agenda de atividades, o meu maior receio era o horário de levantar. Para a manhã render, eu precisaria conseguir acordar antes de todo mundo para poder tomar banho logo cedo. Sou do tipo de pessoa que curte acordar cedo pra aproveitar bem o dia, mas com a condição de que eu durma o suficiente à noite. Não gosto de dormir tarde, mas com a faculdade à noite não tem jeito: vou pra cama muito mais tarde do que gostaria! E às 6:00 da manhã lá estão as meninas acordadíssimas, renovadas, cheias de energia e empolgação para começar o dia... enquanto eu e meu marido estamos esbagaçados, implorando por mais alguns minutinhos de sono profundo!

Com a agitação das férias e o horário de verão, temos abusado um pouco e saído de casa no fim da tarde para algum passeio, visita ou outro compromisso. Isso tem atrasado o horário de dormir das meninas (que é 19:00) e deixado-as beeem mais cansadas do que o normal. Muitas vezes chegamos em casa muito depois das 20:00-20:30 com as duas já capotadas na cadeirinha do carro - a ponto de escovarmos seus dentes, vestirmos o pijama nelas, trocarmos a fralda ou levarmos para fazer xixi no banheiro e às vezes até dar o leitinho com elas dormindo! O bom dessa história é que aos poucos o horário da acordar aqui em casa tem atrasado... para 6:30, 6:40, 7:00, 7:20... ô delícia poder "dormir até acordar"! Se o horário de acordar pela manhã mudar definitivamente para às 7:00, não vou achar nada ruim ter de refazer a nossa agenda de atividades - o farei com todo prazer!

Como ainda estamos no primeiro mês e em fase de experimentação, quando acontece de levantarmos mais tarde do que o previsto, eu adapto a rotina (principalmente quando meu marido está atrasado para o trabalho): às vezes pulamos os banhos (deixo pra dar à tarde), o momento devocional em família fazemos à mesa enquanto terminamos o café da manhã e há dias também em que encurto um pouco o tempo (ou pulo por completo) de algumas atividades. Isso porque os horários que estipulei são apenas diretrizes para me guiar, eles me dão estrutura ao meu dia para eu não ter de improvisar o tempo todo. Uma das grandes vantagens da "escola em casa" é justamente a flexibilidade de ajustar o tempo e atividades de acordo com a necessidade e interesses da criança e também da família como um todo. Posso dançar conforme a música e aproveitar as oportunidades de aprendizado que o dia-a-dia dentro de casa (e também fora!) oferece.

Outra preocupação que eu tive ao planejar esta rotina foi garantir tempo de qualidade e de aprendizado com cada filha, sem privá-las de atividades em conjunto. Como você pode ter notado, esta agenda de atividades na verdade está direcionada para a Nicole porque a Alícia ainda é muito nova. Por isso, eu intercalei as atividades entre momento junto e momento individual. Por exemplo, no "story time", a Alícia mal participa porque ela ainda não consegue se concentrar e prestar atenção ou mesmo entender a história. Já a Nicole ama esta atividade e a cada página me enche de perguntas ou de comentários sobre a história, a ilustração, etc. Como são apenas 15 minutos de leitura, não é muito prejuízo para a Alícia e a Nicole fica satisfeita porque é um momento interativo muito produtivo para ela. Quando sobra um tempinho, ainda pego um livrinho de vocabulário para praticar com a Alícia e a Nicole ajuda participando. A atividade seguinte, o "learning time", é mais longa e feita individualmente com a Nicole. Esse é o momento de brincar independente da Alícia (ainda tenho usado o cercadinho para isso, mas sei que em breve terei de dizer adeus a ele), mas para falar a verdade as duas últimas vezes ela simplesmente dormiu no meio da atividade. Isso me diz que a Alícia ainda está precisando tirar sonecas pela manhã, não são todos dias que ela aguenta ficar acordada até o horário do almoço pra dormir à tarde. Por isso, são 50 min na agenda que podem ser usados para uma soneca pela manhã sem prejuízo da soneca mais longa à tarde. Em seguida vem o "snack time" e o "activity with sibling", duas atividades que elas fazem juntas. Por fim, tem o momento de estudo independente da Nicole - normalmente é o tempo que ela usa para ler silenciosamente e essa meia hora eu aproveito para brincar e estimular a Alícia, dando minha atenção exclusiva a ela. Brincamos com os seus brinquedinhos de encaixar peças, empilhar copos, lemos livrinhos pra treinar as partes do corpo, o nome e som dos animais, as cores, etc., e às vezes uso o ipad com ela também.

A última atividade é o tempo livre delas brincarem juntas enquanto eu preparo o almoço. Essa parte tem sido a mais frustrante para mim - deixá-las a sós para eu poder me concentrar na comida. A Alícia geralmente está cansada e quer colo, fica chorosa, querendo mexer onde não deve, fica o tempo todo vindo até a cozinha pedir alguma coisa. A Nicole brinca sozinha numa boa, mas eu geralmente preciso dar uma bronca na Alícia e determinar onde ela precisa ficar (no tapete da sala) até o almoço ficar pronto. Outro problema é que como deixo as duas brincarem sem supervisão, a cada poucos minutos preciso intervir (leia-se: consolar, orientar, repreender) porque uma ou outra está chorando, por motivos que quem tem filho pequeno conhece muito bem: ou porque caiu, ou porque quer um brinquedo que está com a irmã, ou porque a irmã a machucou, ou uma combinação de dois ou três desses fatores. Às vezes, quando percebo que a situação está tensa e complicada demais, coloco as duas pra ver desenho enquanto corro com a comida, mas quem disse que a Alícia fica mais de 5 min quietinha em frente à TV? Acabo tendo de ir lá acudir a Nicole que estava quietinha prestando atenção porque a irmã está pulando em seu colo tentando abraçá-la!

À tarde é o horário da soneca da Alícia e o descanso da Nicole. Enquanto a Alícia dorme, a Nicole tem permissão para usar o ipad sozinha no sofá, algo que ela absolutamente ama fazer. Se deixar ela fica horas nele porque temos free apps de joguinhos excelentes para a idade dela. Eu gosto de usar esse momento para esticar as pernas e ler a Bíblia ao lado dela no sofá, nem que seja por uma horinha. Ah, é tão bom! Mas nem todo dia consigo me disciplinar para ter esse tempo de descanso - às vezes meu lado neurótica fala mais alto e eu me ponho a trabalhar, organizando as coisas pela casa. O problema é que quando não paro para ter um tempo de tranquilidade à tarde quase sempre me arrependo! O arrependimento bate quando a Alícia acorda às 15:00 cheia de energia e eu sinto que já estou esgotada - no limite do meu cansaço e da minha paciência. E é nessa hora do dia que fico contando os minutos para o meu marido chegar logo do trabalho para assumir o turno dele porque a minha bateria já está no fim. E em pensar que em breve começam minhas aulas e depois do jantar terei de sair às pressas para pegar o trem pra faculdade!

Os Conteúdos
Bem, primeiramente, preciso constantemente me lembrar que a Nicole só tem 3 anos e 5 meses e que nessa idade ela precisa brincar. Ponto. Digo isso porque tenho a tendência de ser acadêmica e de levar as coisas a sério demais e, se eu não tomar cuidado, daqui a pouco terei uma filha precocemente alfabetizada! Percebi isso enquanto fazia o planejamento dos objetivos pedagógicos que tinha para esse ano de homeschooling. Coloquei no papel tudo o que queria trabalhar com ela, veja como ficou:

Matemática e Jogos de Raciocínio
- Contar até 20 (reconhecer os números na ordem)
- Conceitos: menor e maior, antes e depois (usando dados e dominó)
- Fazer conjuntos (usando bolinhas de gude, botões ou outros)
- Conceito de comprar e vender (usando dinheirinho, brincando de supermercado)
- Jogo da memória, quebra-cabeças,dominó, connect four, jogo da velha, jogo de dama
- Somar e subtrair (esse daqui foi meu marido que acrescentou, rs)

Alfabetização - Ler e Escrever
- Música do alfabeto (ela já conhece, falta associar com a letra)
- Reconhecer letras (usando flashcards e letras avulsas)
- O som das vogais, rima de palavras ou tudo o que começa com a letra __.
- Introdução à caligrafia / copiar letras (essa daqui também acho bem precoce, rs)

Artes e Atividades Sensoriais
- Desenhar, pintar com tinta, colorir com lápis de cor, colar adesivos
- Cortar papel usando tesoura, moldar com massinha, traçar pontos
- Colar figuras, colar lantejoulas / glitter, fazer bolinhas com papel crepom
- Atividades com água, arroz cru e afins
- Brincar de adivinhar que alimento é pelo cheiro ou sabor

Movimento Corporal e Musicalização
- Dançar, correr e pular (com dois pés, com um pé, obstáculos, corda, amarelinha)
- Conceitos: direita/esquerda, dentro/fora, ritmo
- Equilibrar, alongar, dar cambalhota, fazer estrela, carrinho de mão
- Bexiga, bambolê, bicicleta, bola (chutar, arremessar, rolar)
- Músicas com gestos, palmas, bater os pés
- Conceitos: alto/baixo, rápido/lento
- Diferentes sons (ex. bater panela ou plástico) e tipos de instrumentos
- Dramatização de historias, usar fantasias para contá-las, fantoche

Ciências e Geografia
- Culinária (real e imaginária): cozinhar/assar, quente/frio
- Estados da água: gelo/líquido/vapor
- Jardinagem (nossa horta): plantar sementes e aguar todos os dias
- Plantas (árvores, flores, frutas, verduras, legumes)
- Animais (aves, peixes e animais terrestres) e insetos (explorar com lupa!)
- Corpo (parte externa e interna, cinco sentidos)
- Céu (nuvens, sol, lua, estrelas, chuva, arco-íris)
- Localização (subida/descida, vale/topo) e proximidade
- Meios de transporte (ônibus, avião, carro, moto, etc.) e semáforo

Parece um pouco exagerado, né? É, talvez. Mas melhor planejar a mais do que a menos, rs. O bom é que tenho para onde recorrer naqueles dias que estou cansada demais para ter boas ideias. O plano serve para eu me lembrar qual o meu objetivo, onde quero chegar porque às vezes me bate uma insegurança por nunca ter trabalhado com crianças em contexto escolar antes. Tenho tentado me inteirar ao máximo e a internet facilita muito. Acho que ideias não vão me faltar, o que eu preciso mesmo é de disciplina para conseguir aplicar todas as que eu já tive!

Vou aproveitar aqui para compartilhar recursos para quem tem filho pequeno e precisa de ideias!

- Antes de se mudar para os EUA, a Cristine (escritora desse blog) me passou dois livros pedagógicos com ideias de atividades para se trabalhar com crianças pequenas. Um chama-se Totline Theme-A-Saurus - The Great Big Book of Mini Teaching Themes e o outro Creative Activities for Young Children. Já andei dando uma olhada e eles têm muita coisa boa.

- Outro recurso valioso que eu já uso há mais ou menos um ano é o site Productive Parenting. Você se cadastra nele colocando nome, idade e interesses de cada filho e recebe por e-mail sugestões de atividades para fazer com eles. No começo eu programei pra receber 4x /sem, mas não estava conseguindo fazer todas (não dava conta), então configurei para uma atividade apenas por semana (pra cada filha). Ficou bem melhor assim. O site é tão prático que você escolhe até o dia da semana que quer receber a atividade!

- Uma pessoa da minha igreja que homeschool me indicou um canal do youtube chamado Childcareland - são mais de 570 vídeos bem curtinhos com ideias de atividades para se fazer com os pequenos. Essa autora também disponibiliza pelo blog materiais gratuitos para serem impressos. Vale a pena conferir!

- Uma outra pessoa me passou um post do blog Simple Little Home em que a autora também homeschool os três filhos e dá 40 ideias muito boas de atividade que você pode dar para seu pequeno fazer enquanto você trabalha com o seu filho mais velho.

Os Materiais
Por ainda não ser uma prática regulamentada no Brasil, não existem aqui materiais didáticos específicos para quem deseja ensinar os filhos em casa como existem lá fora. Como falamos em inglês com as meninas, fiquei interessada em adquirir material que a empresa americana Sonlight comercializa, mas ainda não tive coragem de efetuar a compra por causa do valor do frete. Estou esperando algum amigo norte-americano com considerável espaço na bagagem vir para SP e dizer que pode trazê-los pra mim (talvez isso aconteça só em setembro!). Para vocês terem uma ideia, o preço do pacote completo para 3-4 anos (são 26 itens, sendo a maioria livros com muitas histórias infantis em cada) fica quase 600 reais (269 dólares). O frete para quem reside lá é gratuito, mas para quem mora no Brasil custa 270 reais (127 dólares)!

Apesar de setembro ainda estar bem longe, estou em paz porque sei que é Deus mesmo quem provê os recursos para a missão que Ele nos confia. Eu só preciso arregaçar as mangas para fazer a minha parte e descansar nEle. Senti isso na pele e pude ver a mão do Senhor agindo e confirmando o Seu desejo. Mal iniciamos esta nova fase e Ele já nos abençoou de formas tão lindas e inesperadas. Vou compartilhar algumas bênçãos, pois sei que isso pode ajudar a fortalecer a sua fé de que Ele está trabalhando por nós enquanto descansamos!

- No fim do ano passado uma conhecida que trabalha numa editora cristã que tinha livros em inglês para doar se lembrou de mim e perguntou se eu me interessava em recebê-los. Lógico, né! E então ganhamos oito livrinhos infantis! Apenas alguns dias depois, uma amiga enviou por correio outro livrinho infantil em inglês de presente para as meninas.

- Passado alguns dias, ainda no fim do ano, achei sem estar procurando uma loja com todos os produtos em liquidação porque ia encerrar suas atividades. Aproveitei a pechincha para comprar coisas bem baratinhas para as meninas - alguns brinquedinhos para a cozinha delas e muitos adesivos para as nossas atividades artísticas.

- Por fim, despretensiosamente participei de um concurso da Staedtler pelo facebook - sério, foi tão despretensiosamente que eu nem lembrava que tinha participado quando recebi o comunicado por e-mail que havia sido uma das vencedoras! - e dentro de poucos dias serei premiada com um kit completo de material escolar. Uma ótima surpresa!

Palavra Final
No início do mês passei por aquele momento tão crucial quando tomamos uma decisão muito importante e de repente somos bombardeados de dúvidas. Será que estou fazendo certo? Será que vou me arrepender? Será que entendi direito o que Deus disse? Por que eu fui "inventar para a cabeça" se é tão mais fácil fazer o que todo mundo está fazendo?

Tive momentos de hesitação, confesso. Em meio a lágrimas porque a Nicole começou a pedir com frequência para ir à escola assim que acordava pela manhã, comecei a me questionar se realmente estava fazendo o melhor para ela. Um dia ela choramingou que queria ver a tia da escola... e isso partiu meu coração! Me derramei diante de Deus pedindo sabedoria e força para atravessar com ela aquele momento triste de entender a separação, de entender que esse ano ela não vai mais para a escola. Quantas vezes precisei repetir e explicar! Sabia que não poderia ignorar os sentimentos dela, então oramos pela tia que ela tanto queria ver, pedimos para Deus abençoá-la e também para nos ajudar esse ano aqui em casa. Sei que talvez ainda seja necessário fazer isso mais algumas vezes. É difícil, mas necessário!

Quando a gente é mãe a gente quer satisfazer todos os desejos dos nossos filhos e, por alguns dias essas circunstâncias me fizeram sentir-me incapaz. Porém, o tempo todo eu sabia - lá no fundo do meu ser - que eu não poderia duvidar no escuro aquilo que eu tive certeza no claro. Era hora de seguir em frente e levar a cabo o plano que Deus colocara no meu coração. E foi o que eu fiz.

Senti de compartilhar isso porque pode ser que tenha alguém passando pela mesma situação e precise desse encorajamento! Fixe os olhos no alvo e toda vez que você se sentir desencorajada, derrame-se na presença de Deus porque é somente nEle que você encontra paz e força!

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

3 anos e 4 meses de Nicole!

Atrasada em alguns dias, eu sei, mas aqui estou para tentar falar um pouco sobre os quatro últimos meses da Nicole, minha filha primogênita. Queria ter vindo um mês atrás para fazer o post "3 anos e 3 meses", mas não consegui separar um tempo pra isso!

A foto abaixo foi tirada num estudo de campo no centro de SP que eu fiz com o grupo da faculdade pouco mais de um mês atrás. Foi antes de eu levar as meninas para cortarem o cabelo nas férias. Apesar de achar lindinho criança de franja, desisti de manter a franja da Nicole. Não imaginei que manter franja fosse tão trabalhoso. Tem de apará-la mês sim mês não porque o cabelo cresce rápido demais! Na foto a franja estava presa de lado com um tic-tac para não ficar caindo no olho.


Sono e Alimentação
Ela continua dormindo bem à noite (das 19:00 às 6:00), mas para continuar assim decidimos lentamente ir substituindo a soneca da tarde por um momento de descanso no sofá (sem dormir). Embora ela demonstre sinais de cansaço, em muitos dias tenho preferido não insistir mais para que ela realmente durma à tarde porque quando ela está cansada e dorme, as sonecas são geralmente longas - de pelo menos 2 horas - e nessa idade vejo que isso já começa a comprometer o horário de dormir à noite. E é aquela história: dá o horário de ir para cama e ela não está nem um pouco cansada ou com sono! Daí entra no ciclo da criança inventar desculpas para sair da cama - pede água, pede comida, pede pra fazer xixi ou cocô, fica cantando ou conversando sozinha (atrapalhando a irmã que algumas vezes acorda) ou simplesmente nos chamando no quarto para falar "qualquer coisa" que lhe venha à mente. Inclusive, acho que até demoramos muito para detectar o problema e no começo não entendemos que fosse "falta de sono" mas sim manipulação infantil. Se você parar para pensar, foi uma atitude bem injusta da nossa parte.

Para você que nos lê, entenda isso como constatação de que nós, papais e mamães proativos, também cometemos erros - mais do que desejaríamos! E, embora o blog sirva para compartilhar aquilo que nós fizemos que deu certo, às vezes é bom também mostrar o outro lado da moeda: os nossos erros e como nós contornamos a situação diante de um fracasso. Até para você não pensar erroneamente que conosco tudo sempre foi perfeito. Se inspirar na história de alguém que escreve um blog tem esse viés perigoso porque a tendência é idealizarmos demais. Se você é mamãe de primeira viagem, aceite o fato de que por mais que leia, se instrua e se dedique para criar seus filhos da melhor maneira possível, em algum momento você também vai errar. Somos falíveis e dependemos da graça de Deus todos os dias! E embora seja normal nos sentirmos frustradas e decepcionadas quando erramos com os nossos filhos (ainda mais com algo que depois nos parece tão óbvio), não podemos deixar que a culpa nos corroa por dentro e nos afaste ainda mais do objetivo proposto. Buscar o perdão e a restauração no Pai é o melhor caminho para alcançá-lo.

Quanto à alimentação, tudo continua indo muito bem! Ela come devagar e sempre, mas come de tudo - legumes, verduras, frutas - e tem uma alimentação diária equilibrada e saudável. Um comentário a fazer é um pico de crescimento recente que ela teve: durante uma semana ela parecia faminta - vinha pedir comida antes da hora e comia muito além do normal! Ah, eu já comentei que ela não curte muito comer bolacha? Acho engraçado isso porque pra mim toda criança gostava de bolacha. Ela até come, mas uma só e pronto. Quando ofereço mais, ela diz: "No, thanks". Tenho pensado que no fundo a gente é que acostuma o paladar da criança com diferentes alimentos desde cedo. A Nicole desde sempre só comeu "doces saudáveis" (=frutas)! Já com a Alícia percebo que eu fui bem menos rígida no primeiro e segundo ano de vida com relação a deixar experimentar alimentos ou bebidas pouco nutritivos e considerados prejudiciais à saúde, como refrigerantes, balas, bolachas, chocolates e doces em geral. Infelizmente, fui baixando a guarda.

Emoções
Não sei se eu que sou uma motorista apressada, mas recentemente a Nicole passou por uma fase de "medo de velocidade". Já aconteceu com vocês? Eu ia buscá-la na escola e durante todo o caminho da volta pra casa ela não parava de pedir para eu ir mais devagar. Mesmo eu diminuindo bastante a velocidade (quase parando), ela continuava repetindo que o carro estava indo rápido demais. Ela também fez isso com o pai algumas vezes. Reparei também que de uns meses pra cá ela começou a ficar muito mais atenta ao seu redor no trânsito (para além das três cores do semáforo), observando tudo e fazendo questão de comentar nossas conversas ou reações sobre qualquer assunto. Se eu suspirasse e falasse sozinha porque entrei numa rua errada ou parei na fila errada, ou se meu marido comentasse algo sobre o carro da frente ou de um estabelecimento à vista, ou mesmo se o carro pulasse por causa de um buraco ou uma lombada, ela queria saber todos os detalhes - porque, como e onde!

É uma fase muito gostosa porque sua curiosidade para entender como as coisas funcionam (e porque elas funcionam dessa maneira) na minha opinião é fascinante - ela faz perguntas muito inteligentes! Mas ao mesmo tempo, preciso confessar, dá uma canseira. Primeiro porque com isso nós, os pais, "perdemos" nossa privacidade de conversar sobre o que quisermos no carro ou à mesa de jantar porque ela ouve, presta atenção e repete tudo. E segundo porque não basta perguntar, ela faz questão de repetir nossa resposta acrescentando o famoso "Mas por quê isso e aquilo?". Ou seja, as perguntas não têm fim! Não importa o que a gente responder, sempre virá o "por quê?" no fim. Há dias que é tão cansativo que eu tenho vontade de brincar de "Vaca amarela" para ter alguns minutos de silêncio, organizar meus pensamentos e recarregar as baterias!!

Disciplina
Outra novidade sobre comportamento do último update para cá foi a introdução do "cantinho da reflexão" aqui em casa. Até então só a estávamos corrigindo e disciplinando com a vara (na verdade, batemos no bumbum com o chinelo) para casos de desobediência, mas percebemos alguns comportamentos errados que não eram necessariamente desobediência direta - como, por exemplo, mentir ou bater na irmã - e que, portanto, precisavam de um tratamento diferenciado. Na verdade, a primeira vez que apliquei o "cantinho da reflexão" foi meio de supetão, não foi algo planejado ou combinado previamente com meu marido. Eu estava já nervosa por algum motivo e ela fez algo errado dessa natureza que me tirou ainda mais do sério. Não lembro direito o que foi, mas com certeza envolveu machucar a irmã. Aprendi que jamais devo disciplinar minha filha irada (porque a intenção não é descontar minha raiva, mas sim resgatá-la do perigo da desobediência), por isso minha primeira reação nesse dia foi pegar o banquinho de madeira que fica no banheiro (e que ela usa para sentar no vaso), levá-lo para um canto isolado da sala e colocá-la para ficar sentada ali pensando no que fez por 3 minutos, mais ou menos como a Super Nanny ensina. Se não me engano, a apostila do curso Educação de Filhos à Maneira de Deus chama isso de "time-out". Usei o despertador do meu celular para marcar o tempo e fiquei segurando a Alícia longe (que toda hora queria ir lá ficar perto da irmã que estava aos prantos). Funcionou bem porque, ao término do tempo, eu também havia me acalmado e para ela a disciplina valeu. Em seguida, repeti o mesmo processo que faço quando a disciplinamos por desobediência (como ensina o Pastoreando o Coração da Criança, leia mais aqui) porque tanto num caso como no outro o objetivo é buscar a total restauração do relacionamento. Por isso, me certifico de que ela entendeu que o que ela fez é errado (consciência), a convido a orar para juntas pedirmos que Deus ajude-a a obedecer (ou, nesse caso, a tratar a irmã com amor) e encerro a conversa com um beijo, um abraço e a afirmação do quanto ela é amada. Quando sou correspondida no beijo e no abraço sei que o objetivo final foi alcançado!

Comportamento
Já ouviu falar de criança pequena que rói unhas? Eu não... até minha filha de 3 anos começar a roer! Tudo começou um belo dia, quando ela ainda tinha 2 anos e foi comigo até o salão de cabeleireiro que fica aqui na minha rua. A gente sempre brincava de pintar as unhas dela "de brincadeirinha" em casa, mas ela nunca havia se interessado que eu as pintasse de verdade. E, sinceramente, eu não pensava em fazê-lo tão cedo. O fato é que ela se contentava com a imaginação - pra ela já estava de bom tamanho. Até que, nesse fatídico dia, uma manicure desocupada do salão em que estávamos se ofereceu para pintá-la... e adivinhe? Não pediu minha autorização em off para a Nicole não ouvir caso eu dissesse não. Ela simplesmente se dirigiu à Nicole dizendo para ela sentar-se na cadeira porque ela ia deixar as unhas dela bem bonitas - das mãos e dos pés. Claro que elas ficaram lindinhas, mas quando penso nisso hoje me dá uma raiva. Eu deveria ter interferido, mas na hora fiquei sem graça porque a mulher estava querendo fazer uma gentileza, um agrado porque havia gostado da Nicole. Enfim, é uma característica típica do nosso povo que eu não gosto: as pessoas são atrevidas e não respeitam certos limites sociais - nem quando se trata de bebês, já reparou? Já viu algum adulto dando refrigerante para bebê tomar (ou bala pra chupar) sem perguntar para a mãe se pode? E se ela for do tipo que reclama ou dá bronca, a pessoa acha ruim e ainda responde "mas o que é que tem?". Eu particularmente sou avessa a confusões públicas (não sou do tipo que roda a baiana, eu geralmente engulo calada), mas acho esse atrevimento de não respeitar o espaço, a privacidade ou o posicionamento dos outros tão feio. Como quando ia buscar a Nicole na escola e a tia da perua escolar vinha com a filhinha dar bolinho Ana Maria para a Alícia comer - sem perguntar pra mim se podia e sem ter a mínima noção de que era horário de almoço!

Mas como dizia, desse diante em diante, a Nicole adquiriu o hábito de roer unha. Como não estava acostumada com a sensação do esmalte nas unhas, passou a levá-las à boca. Até a unha do dedão do pé ela pegou o hábito de roer deitada na cama. Eu ficava agoniada de ver o resultado! Aí começou um processo chato. Toda vez que a gente ia à manicure, ela queria pintar as unhas de novo. Dessa vez ela me pedia e eu deixava porque como as unhas estavam roídas, eu pensava que iria estimulá-la a parar de roer e deixá-las crescer. Mas não estava funcionando. Roer tinha virado vício mesmo, ela fazia sem perceber. Ficava triste quando via o resultado porque sabia que isso me chateava também (ela é muito sensível aos meus sentimentos). Às vezes eu mesmo pintava, deixava a unha dela bonitinha antes de dormir (levava um tempão porque era um tiquinho de unha) e de manhã ela já tinha roído um monte! Procurei em tudo quanto é site dicas que pudessem ajudar. Até passar babosa eu tentei. Quando eu a pegava com o dedo na boca, ela tirava apressada e dizia "I'm not biting anymore, Mommy". Ou seja, ela queria parar - entendia que isso não era bom, que ela estava se machucando - mas não estava conseguindo. Eu sei bem como ela se sentia porque também já tive problema com isso (e às vezes ainda tenho), até admiti isso pra ela e pedi pra ela dar bronca em mim se me visse mordendo a unha. Ela ficou toda feliz com a nova responsabilidade de vigiar a mamãe e chegou a me pegar algumas vezes com a mão na boca também, rsrs! Finalmente, pela graça de Deus, ela conseguiu se livrar desse terrível hábito depois de uns 3 meses de muita insistência - de conversar, de explicar, de orar com ela, de mostrar que o branquinho da unha dela tinha sumido, de comparar as unhas dela com as do papai, da mamãe, da irmã, etc. Na ocasião, eu tinha largado mão de pintar suas unhas e ela já estava insistindo fazia alguns dias para eu pintá-las novamente. Bem, ela é muito insistente. Pediu, pediu até que eu cedi, mas antes de pintá-las falei bem sério que se no outro dia ela acordasse com as unhas roídas novamente não adiantaria ela pedir porque eu não iria pintá-las de novo. Ela aceitou. Pintei as unhas das mãos e dos pés. Antes de dormir oramos e pedimos a ajuda de Deus. E ela conseguiu manter sua palavra! Em poucas semanas, as unhas delas já estavam bonitas e compridas novamente. = )

Linguagem
Esses dias a Nicole soltou uma frase com "She's ___" (em vez de "Her ___" como ela fazia, leia sobre aqui). Fiquei feliz porque mesmo corrigindo-a pouco (na maior parte das vezes eu deixo passar), ela já está se auto-corrigindo (só de me ouvir falando o certo)! Muito bom!

Vez ou outra ela inventa certas palavras em inglês, rsrs. As três que eu percebi e anotei foram: "Mommy, let it sec" (quando ela está brincando de pintar minha unha), "count a story" e "It is solting" (se referindo ao enfeite de cabelo que fica caindo). Em todos os casos, eu repito a frase (às vezes em forma de pergunta) pra  ela ouvir e falar o certo. É bem tranquilo porque, na realidade, ela sabe as formas corretas ( "let it dry", "tell a story", "it is falling"), apenas se confunde às vezes.

Brincadeiras
A brincadeira favorita da Nicole é fingir que é mamãe. Ora ela é mamãe de alguma boneca (e a Alícia o papai, rsrs), ora ela é a mamãe e eu a filhinha. E ela ama me chamar de "daughter". Essas brincadeiras são um bom espelho para mim de como ela me enxerga porque ela imita tudo o que me vê fazer: na hora de escovar os dentes, de levar a nenê para fazer xixi, de colocar na cama para dormir, de ler alguma historinha, de beijar e fazer carinho quando está chorando, de preparar e dar a comida ou o leitinho, de chamar a atenção quando faz algo errado (batendo no bumbum) e, mais engraçado, quando sento na frente do computador para trabalhar. São as imagens que ela tem de mim que ela reflete ao brincar e que provavelmente vão ficar registradas na memória dela quando ela for adulta. Considerar isso me faz querer ser uma mãe cada vez melhor porque quero que suas recordações de mim sejam as melhores possíveis! Me motiva, por exemplo, nos dias em que acordo cansada porque as horas de sono não me foram o suficientes, a não descontar nelas meu mau-humor ou não levar o dia de barriga só porque estou cansada. Me estimula a planejar e organizar as atividades do dia pra não ficar presa muito tempo no computador ou no celular - seja respondendo e-mail, comentando no facebook, lendo ou pesquisando em blogs ou simplesmente escrevendo aqui no blog também (o que tende a ser um problema!).

Escola
Esse ano tirei a Nicole da escola. Por uma série de motivos. Como estou sem trabalhar, vou ficar com as duas em casa - tanto pela questão financeira como pela questão disponibilidade. Nesta idade ela ainda não precisa ir à escola. Na realidade, é algo óbvio - ela acabou de completar 3 anos, logo faltam mais 3 para ela entrar em idade escolar - mas a suposta necessidade de matricular o filho na escola o quanto antes (para ele "se socializar e se desenvolver adequadamente") é algo tão latente em nossa cultura que a minha decisão de ficar em casa com a Nicole esse ano causou estranheza. E, sinceramente, para além das finanças e da disponibilidade, tem também a questão do homeschooling. É uma prática que, até abril do ano passado, eu conhecia muito superficialmente - sabia apenas que era algo que alguns americanos residentes no Brasil faziam. Não imaginava que no Brasil houvesse um movimento em prol da regulamentação da educação domiciliar! O interesse de estudar sobre isso surgiu de conversas que tive com pessoas conhecidas que educam seus filhos em casa. A princípio, a intenção era mais questionar mesmo. Eu queria entender porque cargas d´água alguém iria preferir ensinar em casa em vez de mandar os filhos para a escola. Para mim era coisa de louco, rsrs. Curiosamente, quanto mais lia a respeito do assunto mais fui gostando da ideia. Até meu marido, que no começo também foi muito contrário, foi contagiado pelos pressupostos por trás dessa filosofia e começou a me incentivar. É uma filosofia de vida apaixonante e, eu creio, bíblica. Mas não posso negar que exige muito do pai ou mãe educador!! É preciso abdicar de algumas coisas para conseguir ter êxito nessa empreitada. Por isso, por esse ano vamos fazer o teste. Na realidade, nem dá para dizer que é homeschooling porque, como já disse, minha filha não está em idade escolar, mas a ideia é eu sentir como seria minha vida (e a delas) caso a gente adotasse a educação domiciliar.

Nosso desejo sempre foi matricular nossas filhas no colégio onde eu estudei. É um colégio cristão internacional, mas é caro e não temos condições financeiras para pagar as mensalidades. Para nós é essencial que as meninas estudem perto de casa e o colégio onde a Nicole estava atende a esse requisito, além de ser pequeno e bem organizado. Mas, confesso, que ainda não estava muito em paz com algumas questões. A principal foi a feira cultural do 2º. semestre. O tema era anos 60, 70, 80 e 90 e os pais foram convidados para ir à escola num sábado e assistir às apresentações dos alunos - desde o mini-maternal até o 8º. ano.  Pra começar, o mini-maternal (turminha da minha filha) e o maternal dançaram a música "Biquíni de bolinha amarelinho". Precoce, não? E depois teve de tudo, desde casais de menino e menina de sainha curta dançando lambada no palco até meninas vestidas à moda "é o tchan" dançando ao som de "depois de nove meses você vê o resultado", fazendo sinal de barriga de grávida. Cultural eu concordo que é, mas não consigo entender como isso pode ser educativo! E nem estou entrando no mérito de ser cristão ou não (porque eu sabia que não estava matriculando-a numa escola cristã), estou falando de algo ser benéfico moralmente. Não sei se foram os professores ou os alunos quem selecionaram as músicas (no caso da turminha da minha filha, com certeza não foram as crianças), mas se a escola não soube peneirar o que é moralmente benéfico para uma criança menor ver ou ouvir (no caso, a apresentação dos maiores), então tem algo de muito errado. Que outras influências enganosas / perigosas ela pode estar recebendo numa idade em que se encontra indefesa? Porque, afinal, eu não estou lá para ver e ouvir os princípios por trás dos ensinamentos passados para poder interpretá-los por ela e direcioná-la a como pensar, concordam?

Na minha faculdade (FEUSP) provavelmente diriam diferente. Por lá eles acreditam que a imposição de qualquer ensinamento, principalmente religioso, numa criança é violência contra ela. Obviamente eu não concordo e já saí injuriada de muitas aulas depois de ouvir o que pra mim são absurdos. Numa aula de Metodologia do Ensino de Educação Física, por exemplo, estavam discutindo se o conteúdo de músicas estilo funk (com forte conotação sexual, bem vulgar) era interessante de ser trabalhado com crianças de educação infantil (0 a 5 anos) e ensino fundamental (1ª a 4ª série). A discussão pegou fogo e pelas reações exaltadas de alguns quando certo aluno se opôs, quem era conservador preferiu ficar calado para não ser ridicularizado. Esse aluno demonstrou preocupação de colocar crianças tão novas para ouvir uma música que dizia "senta no meu pau" porque não convinha explicar para elas o que isso significava, e uma aluna respondeu que para criança não tem esse negócio de conotação sexual como para os adultos, que ela tinha dançado "é o tchan" quando criança e que nem por isso hoje ela entra rebolando na sala de aula! Ou seja, eles defendem que um dos papeis da escola é valorizar a cultura dos alunos uma vez que muitos já ouvem esse tipo de música em casa ou no bairro onde moram e, no caso dos alunos que não ouvem funk e o ridicularizam, o fazem por desconhecê-lo e não reconhecê-lo como produção cultural, sendo papel da escola trabalhar o assunto com os alunos no sentido de erradicar os preconceitos sociais para que eles aprendam a conviver com a diversidade (de gênero, sexual e religiosa).

Do ponto de vista cristão, sei que existe toda uma polêmica sobre estarmos no mundo, mas não sermos do mundo e que, portanto, não devemos criar nossos filhos numa bolha, alheios ao que acontece no mundo real sem Deus. Por outro lado, creio que a minha responsabilidade para com a minha filha HOJE é protegê-la de perigos físicos, emocionais e espirituais e fazer as escolhas por ela. Não me sinto à vontade em expô-la, nessa idade, a músicas como essa e esperar que ela tenha maturidade para refletir e distinguir o certo do errado. Ninguém ensina um bebê a nadar jogando-o numa piscina e esperando que ele bata as pernas sozinho, não é mesmo? Do mesmo modo, não acredito que seja inofensivo (ou prudente) jogá-la em situações assim e esperar que ela saia dela ilesa uma vez que ela está em seus anos de formação!

De qualquer modo, fiquei com o coração apertado porque sei o quanto a Nicole gosta dessa escola, das tias e dos coleguinhas. No ano passado quando ela mudou de escola foi a mesma história: fiquei me sentindo culpada um tempão pois sabia o quanto ela gostava da primeira escola e, pra ajudar, ela passou boa parte das férias falando da tia Fabi. No fim das contas, hoje ela nem lembra mais. Esse ano a história se repete, com a diferença de que ela está mais velha e entende melhor. Por ser perto, quando passamos em frente ela aponta o prédio azul e diz feliz que aquela é a escola dela. Qualquer presentinho que ela ganha, ela fala de levar para a escola para mostrar para a tia Kelly. Num passeio que fizemos ao Sesc algumas semanas atrás, eu mostrei duas embalagens vazias de suquinho que estavam em cima da grama e sugeri que as pegássemos e jogássemos no lixo. Ensinei que era muito feio quando as pessoas jogam lixo no chão e que a gente não deveria fazer isso para não estragar a natureza. Sabe o que ela me respondeu? Que eu tinha de falar para a tia Kelly quem foi para ela dar uma bronca na pessoa que fez isso!

Meu marido e eu temos explicado que a escola dela agora vai ser em casa, com a mamãe, e ressaltamos que vai ser muito legal. Não sei até que ponto ela consegue compreender, no fim eu acho que ela pensa que esse tempo em casa com a mamãe vai ser só durante as férias e que depois ela vai pra escola de novo. Independente dos meus sentimentos de insegurança, creio que foi o Senhor que nos conduziu a essa decisão. Portanto, confio que Ele nos dará sabedoria para lidar com a situação da melhor maneira possível!

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

O seu filho já fez você passar vergonha em público?

Esse post vem mais como um desabafo. A Nicole, minha filha mais velha que amanhã completa 3 anos e 3 meses, é uma criança sociável e muito comunicativa. Claro que eu sou suspeita em falar, mas aqui em casa a gente até brinca que ela é a "relações públicas" da família por sua facilidade em se expressar e entreter as pessoas com seu sorriso e suas gracinhas. Apesar da timidez natural que bate quando se trata de gente desconhecida, sempre fiz questão de orientá-la a sorrir e a ser gentil, a cumprimentar as pessoas com um beijo, a responder com educação suas perguntas e a agradecer pelos elogios. Pois é, mas a Nicole também é uma "pessoinha temperamental" e ontem me deixou numa saia justa duas vezes!

A primeira foi à tarde quando inventei de sair sozinha com as duas para enviar um presente pelo correio. Foi uma saída conturbada, a começar porque tivemos de estacionar o carro longe e depois atravessar uma avenida perigosa a pé. O estabelecimento estava cheio e assim que entramos lá a Nicole embestou a querer correr e brincar, com a irmãzinha de 1 ano e 5 meses atrás imitando suas peripécias. Ela logo se engraçou com duas pessoas que aguardavam sentadas e começou a brincar de "achou" com elas, rindo e dando gritinhos de alegria a cada poucos instantes, enquanto eu preocupada tentava não perdê-las de vista e ao mesmo tempo preencher o endereço no envelope e fazer o pagamento. Saímos de lá e, conforme eu havia prometido, fomos conhecer a escola de balé que fica perto da nossa casa. Faz tempo que a Nicole quer fazer balé. Ela tem uma amiguinha mais velha que passou para ela um colã rosa de bailarina e a ensinou a ficar na ponta do pé, a girar com as mãos sobre a cabeça, essas coisas. Era uma visita muito aguardada por ela, mas para a minha decepção a Nicole se comportou muito mal. Ao chegarmos no portão, a pessoa que nos atendeu, uma senhora espalhafatosa e simpática, ficou elogiando exageradamente as meninas. A Nicole não gostou. Fechou a cara na hora e me fez passar o maior carão!! Uma atitude oposta a que ela tivera momentos antes na loja dos correios em que ela foi sociável, sorrindo espontaneamente para as pessoas, etc. Uma mudança da água para o vinho. Eu não sabia onde colocar a cara. A recepcionista e professora de balé ficaram tentando conversar com ela, sendo gentis, mas nada de a Nicole colaborar, de dar um sorriso ou mesmo de responder a sequer uma pergunta. Ficou o tempo todo séria, ignorando as palavras que eram dirigidas a ela. E quando eu disse "Ué, você não quer mais fazer aula de balé?", ela simplesmente fez 'não' com a cabeça. Foi muito constrangedor!

A outra saia justa foi à noite quando meu marido me buscou na faculdade. Normalmente as meninas não acordam, mas ontem a Nicole acordou e achamos melhor eu levá-la ao banheiro antes de voltarmos para casa. Ela estava toda tagarela e empolgada pra conhecer "a escola da mamãe" porque sempre quer ir comigo para a faculdade quando saio de casa à noite. Quando as duas já tínhamos feito xixi, lavado as mãos e estávamos prontinhas pra sair, a porta do banheiro se abre e entram quatro ou mais estudantes conversando animadamente. Algumas delas fizeram algumas disciplinas comigo e quando viram a Nicole logo se lembraram de alguns comentários que eu havia feito em aula sobre as minhas filhas. As meninas começaram a fazer elogios e sorridentes tentaram interagir com a Nicole. E advinhem? Ela fez cara feia de novo!! Segundos antes estava toda feliz e conversando e agora se recusava a responder qualquer pergunta e a dar um sorrisinho sequer. Nem "obrigada" pelo "Como você é bonita!" ela deu. Muito feio! = (

Eu fiquei muito frustrada e sem entender porque ela agiu assim. Afinal, treinamos tanto em casa e ela sabe exatamente como é esperado que ela se comporte em público! Voltando ao carro dei a maior bronca nela. Disse que ela tinha deixado a mamãe com vergonha porque foi mal-educada com as pessoas que tentaram ser gentis com ela e que isso é muito feio. A princípio ela continuou com a cara séria e parecia me ignorar, mas instantes depois ela abaixou a cabeça e começou a chorar, querendo me abraçar. Eu a abracei de volta e disse que a consequência seria que ela não poderia mais fazer balé e nem visitar a escola da mamãe porque ela não tinha tratado as pessoas com respeito. Ela chorou ainda mais e falou que queria fazer balé sim e também visitar a escola da mamãe de novo. O Douglas disse para ela pedir perdão para a mamãe e não fazer mais isso. Eu disse que a perdoava e que a amava, mas que conversaríamos sobre isso de novo outra hora. Estava tarde e na hora de ir embora, todos estávamos muito cansados.

Fui para cama muito chateada ontem à noite por conta desses dois acontecimentos, me perguntando onde eu tinha errado. Em minha mente fiquei lembrando de outros episódios em que ela agiu mal e que me motivaram a ser mais proativa em simular situações em casa para ela praticar como reagir em público. Como disse acima, normalmente ela vai bem, mas não sei porque há certas pessoas com quem ela "cisma" em ser deselegante. Há cerca de 1 ano, quando visitávamos a igreja de que hoje somos membros, uma pessoa toda sorridente e amável veio nos cumprimentar e recepcionar. A Nicole deu vexame ao virar o rosto para a mulher que tentou brincar com ela e eu fiquei toda sem graça, sem saber como reagir. Outra vez, numa visita recente à casa de amiguinhos dela, a avó das crianças chegou e a Nicole fez a mesma coisa, virou o rosto, não quis cumprimentá-la e ficou emburrada no canto dela. O difícil dessas situações é saber como agir porque é constrangedor demais para a pessoa rejeitada ser cumprimentada sob ameaças, né?

Lembrei que por um tempo a Nicole também teve essas cismas com a minha avó de 83 anos (hoje falecida). Tinha dias que ela não queria beijá-la ou abraçá-la de jeito nenhum! Como eu sabia que isso deixava minha avó extremamente magoada, eu chamava a Nicole de canto, segurava seu rosto para ela olhar dentro dos meus olhos e fazia minhas ameaças em inglês para a minha avó não entender, rs. Eu dizia que ela tinha de ter respeito pela bisa e ir lá cumprimentá-la com educação. Ela obedecia a contra-gosto, mas pelo menos beijava, até que com o tempo se acostumou a fazê-lo e isso deixou de ser um problema. Com o meu pai também teve alguns momentos de tensão no início. Quando chegávamos na casa dele, ele vinha todo empolgado para fazer bagunça com a neta querida mas ela não gostava. Ficava arredia e não queria saber dele. Hoje eles são super amigos e ela é amorosa com ele. Deu trabalho, mas ele conseguiu conquistá-la (nem vou contar que a brilhante estratégia dele foi suborná-la com balas!!).

Já teve uma época em que a Nicole também foi grossa e não queria cumprimentar duas vizinhas nossas que são sempre doces e amorosas com ela. Outras vezes me fez passar vergonha com estranhos na rua ou dentro do ônibus que foram simpáticos e tentaram brincar com ela. Uma vez ela apontou para um rapaz, fez cara feia e, a troco de nada, simplesmente foi categórica ao dizer em alto e bom tom que não gostava dele. Haha, ainda bem que ela falou em inglês e a pessoa não entendeu (as palavras pelo menos). Claro que eu a repreendi e disse que precisávamos amar e respeitar todas as pessoas porque foi o Papai do Céu quem as tinha criado, e que Ele as amava muito. Tenho aprendido que são em oportunidades como essas que, mais do que simplesmente tentar consertar o comportamento (externo) da minha filha, preciso me preocupar em ajudá-la a compreender o que está dentro do seu coração - uma valiosa lição que o livro "Pastoreando o Coração da Criança" me ensinou e que venho tentando aplicar no dia-a-dia das meninas.

Para finalizar o post, quero compartilhar algumas dicas que aprendi em outro blog sobre educação de filhos, num post chamado "Is shyness an excuse?". Nele a autora orienta os pais a instruírem o filho sobre como agir em situações específicas e explicar quando tais situações podem surgir (antes de sair para um evento social). Se a criança se recusar a falar, ela aconselha ao pai que não justifique o mal comportamento do filho e apenas diga: "Desculpe-me, ainda estamos trabalhando nisso". Na opinião dela, repreender a criança em público apenas tornará as coisas piores. E você, o que acha? Já passou por saias justas parecidas? Como você reagiu?

Conte-nos como foi!