Bem-vinda!!

Bem-vinda ao nosso blog!
Aqui, mamães muito diferentes mas com um único objetivo compartilham suas experiências nesta grande aventura que é a maternidade! Nós queremos, acima de tudo, ser mamães sábias, que edificam seus lares e vivem com toda plenitude o privilégio de sermos mães! Usamos muitos dos princípios ensinados pelo Nana Nenê - Gary Ezzo, assim como outros livros. Nosso objetivo é compartilhar o que aprendemos a fim de facilitar a vida das mamães! Fomos realmente abençoadas com livros (e cursos) e queremos passar isso para frente!


"Com sabedoria se constroi a casa, e com discernimento se consolida.
Pelo conhecimento os seus cômodos se enchem do que é precioso e agradável"
Prov. 24:4,5
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quarta-feira, 27 de março de 2013

Educação domiciliar e a busca por uma "rotina ideal".

Nessa busca por uma "rotina ideal" para o nosso lar, que vem sendo alterada e aperfeiçoada com frequência, me deparo, na prática, com aquilo que eu evidentemente já conhecia na teoria (e que todas nós sabemos!): planejamento e flexibilidade andam juntos. Não dá para optar por um ou por outro, tem de ter os dois no balanço, precisa do equilíbrio. E esse conceito, tenho percebido, também é muito pertinente para a educação domiciliar.

Afinal, como anda a nossa rotina aqui em casa?

Bem, em janeiro idealizamos um plano (leia aqui), em fevereiro achamos por bem realizar algumas modificações na estrutura do nosso dia (veja figura ao lado) e agora, já em meados de março, estamos vendo que um novo plano haverá de ser elaborado por causa de mudanças em nossa vida e, claro, porque também somos novos nisso e ainda estamos aprendendo o que significa "educar em casa".

A principal mudança na nossa vida doméstica é que a pessoa que vinha uma vez por semana me ajudar com a roupa e com a limpeza da casa descobriu que estava grávida de 7 meses. Ficamos muito felizes por ela, mas também um pouco desorientados com a notícia (além de chocados porque ninguém - nem ela - desconfiou dessa gestação!). Agora preciso aprender não somente a lavar e a passar, mas também a dar um jeito de incluir essas atividades no meu dia-a-dia que, por sinal, já é bem cheio. Confesso que estou apreensiva quanto à minha capacidade de "dar conta".

Mas Deus é BOM! Eu amo o fato de Deus ser didático e, além disso, sei que Ele nunca permite em nossa vida dificuldades ou obstáculos maiores do que podemos suportar ou transpor.

Em retrospectiva, vejo a mão dEle nos preparando para cada mudança. Acompanhe a minha história.

Em agosto do ano passado, parei de trabalhar fora para ficar em casa com as meninas durante o dia e para retomar as aulas na faculdade à noite. Durante todo aquele semestre, a Nicole ainda frequentava a escola pela manhã e foi justamente o tempo que eu precisei para, aos poucos, ir aprendendo a cozinhar e a ganhar prática em fazê-lo (algo que eu quase não fazia antes já que eu, mesmo depois de casada, sempre tive quem cozinhasse pra mim). Hoje tenho prazer em cozinhar para a minha família, mas antes era algo que eu não gostava nem um pouco de fazer - que já era de se esperar já que dificilmente iremos gostar daquilo que não dominamos ou, pelo menos, não conhecemos o suficiente para termos alguma confiança em nós mesmos. Claro, não sou nenhuma expert na cozinha e nem sei cozinhar para muita gente, mas me empenho o suficiente para que as minhas comidas fiquem gostosas (embora simples) e acho que o fato do meu marido me elogiar bastante (principalmente as minhas saladas com frutas que todos aqui em casa gostamos muito), me dá ousadia de experimentar e, de vez em quando, até de inventar pratos diferentes. Não ter um grande repertório de receitas também não é problema, a internet é a minha grande aliada, rs - viva à tecnologia!

Do fim do ano passado para cá, uma nova mudança em nossa vida: dessa vez, tivemos de, como família, aprender e nos habituar a manter a limpeza da casa durante a semana já que, por motivos financeiros (porque parei de trabalhar fora), a pessoa que nos ajudava com os serviços domésticos passou a vir apenas de sábado para fazer a faxina e para cuidar da roupa (antes ela vinha 3x). E isso com a novidade também de que agora as duas crianças ficavam o dia todo comigo em casa. Isso já foi um tremendo desafio pra mim.

Imaginar que, em meio ao tempo que eu ficava na cozinha para preparar as refeições (e depois para limpar toda a bagunça: tirar o lixo, varrer e passar pano no chão, lavar a louça, guardá-la, etc) e também brincando e ensinando as meninas (nossa atividade de homeschooling pela manhã), eu ainda teria de encontrar alguma horinha durante o dia para dar conta de ler os textos da faculdade. E, no fim do dia, quando minha bateria já estivesse quase toda esgotada, lá iria eu pegar o trem para ir assistir aula na faculdade - quatro noites por semana! Um expediente rigoroso de três turnos, não só para mim, mas também para o maridão que assumiria o "turno noturno" da casa (leia-se: lavar toda a louça da janta, colocar as meninas pra dormir e depois ainda pegá-las dormindo, colocá-las no carro pra ir me buscar na faculdade bem tarde da noite - 40 min para ir e 40 min para voltar!). Quase não sobraria tempo para ele descansar também.

Pois eis que de duas semanas para cá, há uma nova tarefa a ser incorporada: aprender a lavar e passar roupa! Ouço com frequência que lavar é moleza, afinal eu tenho máquina e não tem segredo. Eu até acredito, mas como nunca a fiz regularmente (de verdade, admito!) me dá um friozinho na barriga de imaginar como vai ser. Em primeiro lugar, estou ciente de que vou precisar me ORGANIZAR melhor (tem muitos blogs que ajudam e já estou começando a lê-los, além de pedir dicas a amigas que ficam em casa para saber como elas fazem tudo). Também preciso começar a aceitar o fato de que não vou mais ter o privilégio de ver minha casa toda limpinha e organizada no mesmo dia. Recentemente alguém compartilhou no Facebook um texto engraçado com o título "Dez Mandamentos da Maternidade". O 1º. mandamento dizia: "Renunciarás a uma casa limpa". E é bem isso que estou tendo de fazer ultimamente, rs. Vou aprender a me contentar com os banheiros limpos num dia, a roupa lavada no outro (passada então, só muitos dias depois!), os brinquedos organizados no outro, e assim sucessivamente. Mas tudo limpo e organizado no mesmo dia, acho bem difícil daqui pra frente. Em vez de me matar por um ideal que por ora é inatingível, vou aprender a aceitar, com alegria, minha nova realidade.

A maior bênção disso tudo é o meu esposo. Não conseguiria fazer nada disso sem o apoio dele. Ele é do tipo que arregaça as mangas e faz junto, sabe? Não coloca todo o peso sobre os meus ombros. Não tem esse negócio de que ele "trabalha fora" e eu "dentro", ou seja, ele não fica esperando tudo de mão beijada em casa só porque ele é o provedor financeiro da nossa família atualmente e eu fico em casa o dia inteiro. É claro que ele fica feliz quando eu faço as coisas dentro de casa, principalmente para ele (como passar suas camisas), mas não é dependente disso. Ele sabe se virar até melhor do que eu porque já tinha morado sozinho antes de nos casarmos e isso o ajudou bastante. Não me sinto cobrada por ele. Aliás, ele me surpreendeu um dia dizendo que ficava feliz quando chegava em casa e encontrava a garagem revirada de brinquedos porque era sinal de que as meninas haviam se divertido muito ali aquele dia. E eu pensando que o objetivo era deixar tudo guardadinho e organizado para ele não encontrar uma casa caótica, hehe. : )

De qualquer forma, preciso preparar uma nova agenda de atividades para o nosso lar (confesso que não sei quando vou conseguir arrumar tempo para isso!) e, dessa vez, gostaria de aplicar o princípio dos Moores para o homeschooling: estudo, trabalho e serviço. Leia este post para entender um pouco sobre a filosofia de educação domiciliar sobre o qual eles escreveram. Além de incluir à nossa rotina o trabalho da casa (serviços domésticos), dividido em partes para cada dia da semana, e permitir que as meninas participem dele (na medida do possível, de acordo com a idade de cada uma, claro), também quero pensar em formas de serviço à comunidade a nossa volta que minhas filhas e eu podemos gostar de nos envolver, para abençoar o próximo. Esta é uma visão bastante interessante de formação do cidadão (e do cristão) e acho que seremos grandemente abençoadas se isto fizer parte de nossas atividades regulares.

Como vou fazer tudo isso? Bem, isso eu ainda não sei. Mas aceito dicas e sugestões! O que está mais latente para mim no momento é a constatação de que eu vivi a minha vida toda num HOTEL e não sabia, rs. Alguém mais aí? Desde pequena passava quase o dia todo na escola, chegava em casa pra tomar banho, jantar, fazer lição de casa e dormir. Eu sujava as roupas, mas bastava colocá-las no "cesto mágico" e, dentro de poucos dias, elas apareciam limpinhas e cheirosas na minha gaveta novamente. Comida fresca e quentinha também sempre tinha à mesa, em todas as refeições, e eu nem sabia de onde elas vinham e o tempo e o trabalho que dava prepará-las. Sucos? Sempre tinha natural. Nada desse negócio de pozinho. O lençol da minha cama estava sempre esticado apesar de eu sair de manhã e deixá-lo todo embolado. O meu trabalho e obrigação, enfim, eram estudar e ser boa aluna. Tirar boas notas. Apenas isto era cobrado de mim porque, afinal, eu estudava num colégio caro e precisava fazer valer este investimento dos meus pais. Mesmo tendo começado a trabalhar cedo (aos 16), o trabalho era fora, no escritório, não em casa.

Assim, além de manter a organização de meu armário e prateleiras (algo que nem precisava mandar eu fazer), raras vezes precisei ajudar nos serviços domésticos. No domingo, às vezes, minha mãe nos fazia arrumar a própria cama ou distribuía tarefas para agilizar o almoço, uma vez ou outra até falou para meu irmão e eu lavarmos o banheiro. Ela tinha essa noção de que precisávamos aprender, mas as oportunidades não foram tantas a ponto de eu poder dizer que aprendi e, por isso talvez, hoje eu me sinta um tanto incapaz para desenvolver essas tarefas. O resumo da ópera é que meus pais (com todo o amor e entendimento que tiveram na época) tentaram nos poupar e com isso tive uma formação "deficiente" nesse sentido. Mesmo depois de casada, quando eu não tinha condições $$ de pagar alguém para trabalhar para mim, eu mandava roupa suja para a empregada da minha mãe lavar e passar (isto apesar de eu ter máquina em casa!).

Mas, agora que fui "pega com as calças curtas", estou aprendendo a VALORIZAR esse serviço!! Como a Beth conseguia faxinar toda a casa, cozinhar, lavar e passar tudo em um único dia de trabalho está além da minha compreensão, rsrs. Me perguntaram se eu vou querer contratar outra diarista para fazer o que ela fazia. Minha resposta, pelo menos por agora, é não. Por quê? Primeiro pela questão financeira (vou guardar esse dinheiro para outras coisas) e segundo porque por muito tempo ouvi de minha mãe que eu tinha de aprender a fazer o serviço para poder falar como eu queria que fosse feito. Pois é, então se for para eu ter uma diarista de novo algum dia, então primeiro eu tenho de aprender a fazer o serviço!! E fazer bem feito, no capricho. Sabe que se tornou uma questão de honra pra mim? Eu preciso fazer isso por mim mesma, para eu me sentir capaz, para eu saber que consigo me virar sem uma empregada doméstica, que eu não sou incapaz de cuidar da minha própria casa. Eu não sou burra e nem inválida, tenho total condição de aprender. Basta eu querer e me empenhar. E também porque eu quero passar essa filosofia de autonomia para as minhas filhas, quero ajudar a desenvolver isso nelas. Quero que elas saibam se virar, não quero que elas fiquem dependentes de alguém sempre tendo de fazer tudo por eles, com essa sensação de incapacidade que eu estou sentindo. E, em terceiro lugar tem a questão cultural - e se no futuro nossas filhas quiserem morar em outro país? Nunca morei fora, mas já ouvi muito que em outros lugares não é essa mamata que temos aqui em SP, de ter alguém que faça tudo por nós (mão-de-obra barata que, por sinal, está deixando de ficar barata). Lá nos EUA, por exemplo, é muito comum as mulheres fazerem as próprias unhas, escovarem os próprios cabelos, fazerem a própria depilação, cortarem o cabelo dos filhos, limparem a própria casa e muitas, inclusive, ensinam os filhos em vez de enviá-los para a escola!! Os maridos também, até onde eu sei, costumam ser ativos e participativos - alguns constroem a própria casa, fazem mudanças quando preciso, constroem os armários da cozinha (ou outros móveis para a casa), pintam a casa... enfim, se metem a serviços de pedreiro, de marceneiro, de pintor e afins. E tudo isso sem deixar de estudar, fazer faculdade, se especializar, etc. Um conhecimento não precisa desprezar ou excluir o outro, eles se agregam!

Mas voltando a falar sobre o tema deste post, como vocês perceberam eu ainda não acertei a "rotina ideal" para o nosso homeschooling. Se você olhar para o meu plano de fevereiro (acima), vai ver que ele está lindo. Eu aparentemente pensei em todos os pormenores, me empenhei em preparar algo redondo, coeso. É sempre assim, não é? As teorias, no papel, costumam ser lindas. Eu preparo algo brilhante e "perfeito", mas quando chega a hora de aplicar o plano, bem... nem sempre sai como eu idealizei. No meu caso, posso dizer absolutamente o contrário: nesse último mês os meus dias quase nunca saíram como o idealizado no papel! Um verdadeiro fracasso, se você parar para pensar, rs. Mas tudo bem! Numa palestra a que assisti recentemente, cujo tema era gerenciamento do tempo, fui inspirada por um princípio que deve ser o norteador de nossas escolhas: pessoas, e não coisas, vêm em primeiro lugar. O termo "coisas" neste momento para mim significa o meu plano para a nossa rotina de atividades diárias. : )

E não posso nem botar a culpa na faculdade. Mesmo quando as minhas aulas ainda não tinham começado, foram raros dias que eu consegui seguir o plano das 2 horas de estudo, intercalado os momentos individuais e os momentos com as meninas juntas. Era coisa demais para eu preparar e, no fim, eu acabava improvisando com base no que acontecia. Por outro lado, tivemos experiências riquíssimas! De verdade. Vou dar dois exemplos.

Numa manhã estava eu "lendo" um livro de figuras para a Alícia e, numa das páginas, tinha a foto de uma menininha vestida de rainha, com coroa, manto e moedas simbolizando sua riqueza. A Nicole se interessou muito, começou a fazer perguntas sobre reis e rainhas e fizemos um projeto em cima disso. Peguei uma cartolina e criamos nossas próprias coroas, pintamos as pedras preciosas nelas com cola de diferentes cores e depois brincamos de usá-las.

Outro dia ela ficou falando de binóculos (que tem na mochila da Dora Aventureira) e aproveitei a curiosidade dela para fazer outra atividade artística! Juntei alguns rolos de papel higiênico, os encapamos com papel crepom (que era o que tínhamos em casa) e criamos dois binóculos e um monóculo. Depois procurei na internet fotos de binóculos e monóculos de verdade para ela poder comparar. Ela se divertiu brincando de tentar enxergar pelos binóculos e monóculo que havíamos criado.


Não estou me martirizando pelo "fracasso" da minha rotina idealizada, estou olhando pelo lado positivo, pelo lado "construtivista" de nossas atividades improvisadas e descobrindo que "homeschooling" tem muito mais a ver com VIVER A VIDA do que escolarização em si.

No mais, continuamos com os "play dates" quinzenais (uma amiga e suas duas filhas vêm à nossa casa pra passar o dia conosco no Sesc, uma bênção!). E mesmo quando elas não vêm, eu continuo fazendo o passeio ao ar livre só entre nós. Abaixo vejam algumas fotos de um passeio recente que fizemos sozinhas. : )



Está ficando cada vez mais claro para mim que, pelo menos enquanto as crianças forem pequenas e estiverem em casa, essa busca por uma "rotina ideal" se transformará, quase sempre, numa "rotina possível". A cada dia, semana e mês surgem novidades e desafios - novos ou diferentes - para serem superados. Apesar de racionalmente ter consciência desses pontos, confesso que emocionalmente ainda é uma luta! 

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

1 ano e 8 meses de Alícia!


Faz dois dias que a Alícia completou 1 ano e 8 meses e hoje mesmo meu marido comentou que não temos mais uma bebê em casa. Ela cresceu e já é uma menininha! A foto acima é dela cortando o cabelo no fim do ano passado. Foi o seu segundo corte e, como da primeira vez, ela foi paciente e se comportou muito bem.


Outra novidade é que no mês passado ela também foi à praia pela primeira vez! Ficamos apenas dois dias e choveu muito. Diferente da Nicole que foi à praia pela primeira vez com 1 ano e 1 mês e mal andava mas já queria de todo jeito entrar na água sozinha (correndo!), a Alícia não quis saber de brincar na água do mar. Só gostou de brincar na areia ao lado da irmã. Isso porque desta vez a Nicole também ficou medo das ondas e preferiu os brinquedinhos na areia.


Do berço para a cama
Como agora ela é uma "little girl", meu marido achou que nós já poderíamos promovê-la do berço para a cama. Eu achei meio precoce porque ela não está tão obediente ainda (apesar de a transição do berço pra cama com a Nicole ter sido até mais cedo por causa da preparação para o nascimento da irmã), e também um pouco repentino já que com a Nicole eu fui acostumando-a com a cama aos poucos, começando pelas sonecas da tarde. Mas, como eu amo mudanças de ambiente (sou do tipo que fica mudando os móveis de lugar, hehe) e a ideia de ter mais espaço no quarto delas me agradou bastante, eu topei sem pensar muito. Então desmontamos o berço e hoje ela já dormiu na parte debaixo da bicama da Nicole. A princípio, enquanto arrumávamos tudo foi uma agitação que só, as duas deliraram com a "cama nova", mas na hora de dormir foi um pequeno caos, agravado pelo fato de que todas as Nanas (bonecas de dormir) da Alícia estavam de molho (algumas por estarem encardidas e outras porque molharam de xixi agora que ela pegou a mania de tirar a fralda sozinha quando está no berço, acho que por causa do calor!) e ela não quis nenhuma das Nanas da Nicole emprestada. Bem, no próximo post eu comento como foi essa adaptação, por ora vamos às demais novidades.

Dentição e Alimentação
O sexto dentinho já saiu, mas ainda não está no mesmo tamanho dos demais. Em todo o caso, agora ela tem 4 dentes em cima e 2 embaixo! A dentição dessa vez atrapalhou um pouco a alimentação, talvez porque coincidiu com um resfriado que ela teve - com direito a tosse, nariz entupido e febre. Até o sono ficou prejudicado! De qualquer maneira, percebi que a gengiva estava coçando e incomodando bastante, além da baba e dela colocar a mão toda dentro da boca com muita frequência. Resgatei os mordedores que estavam guardados e ela se interessou pelo mordedor em formato de pé. Ele foi bastante útil. Também passava Nene Dent na gengiva dela quando me lembrava.

Rotina e Horários
Estamos acordando um pouco mais tarde agora - 6:45 em vez de 6:00. Mesmo que as meninas acordem antes (o que às vezes ainda acontece), a regra é que elas fiquem em suas próprias camas até o despertador tocar (minha casa é pequena então elas conseguem ouvir o alarme tocando do meu quarto). A Nicole sabe como funciona e costuma obedecer (embora tenha seus deslizes vez ou outra), agora quero ver com a Alícia  amanhã cedo... no próximo post eu conto como foi!

Outra mudança na rotina é que pulei o lanche da manhã para poder dar o almoço mais cedo. A Alícia tira uma única soneca por dia, entre 12:00 e 15:00. Sirvo o almoço por volta das 11:15. O lanche da tarde (que elas tomam assim que acordam) é bem leve para não atrapalhar o jantar que também é bem cedo (17:15) por causa da minha ida para a faculdade à noite (preciso sair por volta das 18:15). O Douglas fica com as meninas à noite e, além do leitinho pra dormir, eu estou combinando com ele de dar mais alguma coisa para elas comerem antes de deitarem (às 19:00-19:30) porque senão ficarão muitas horas em jejum.

Toilet-training (processo de desfraldamento)
Estou com preguiça de voltar "com tudo" ao treinamento para tirar a fralda, preciso ser mais consistente! O primeiro impeditivo foi o tempo chuvoso dos últimos meses que atrapalhou muito. Depois teve nossas viagens que também bagunçaram o processo. O problema é que com isso a Alícia ainda não fez xixi nenhuma vez no vaso. Cocô ela faz se a levarmos, mas xixi não. Quando a gente percebe que ela está se concentrando um de nós corre com ela para o banheiro, mas com o xixi ainda não tivemos êxito. Difícil, né! Ela fica sentada lá e nada, só para alguns momentos depois fazer xixi no chão em algum lugar da casa. O bom é que ela já está percebendo e diz "Uh-oh". Outro sinal é que a fralda já a está incomodando. Algumas vezes ela chegou a resistir quando eu a colocava nela e já aprendeu também a soltar os adesivos (como nos incidentes de molhar a cama durante a soneca, que já aconteceu duas vezes).

Linguagem e Desenvolvimento
A Alícia ainda não pronuncia muito bem os sons, mas está se interessando mais em repetir as palavras. Ela não consegue dizer Nicky e a pronúncia sai Kicky, uma gracinha. Já em termos de compreensão, ela está ótima - compreende bem os dois idiomas e obedece a comandos simples. Ela também continua usando os sinais que nós ensinamos, embora esteja na hora de eu exigir que ela pronuncie a palavra para praticar. Preciso me policiar para ser mais proativa nesse sentido porque na correria do dia-a-dia a gente acaba compreendendo o que a criança quer sem ela precisar falar e, na pressa, a gente faz o que sabe que ela quer e pronto, em vez de parar e usar aquele momento oportuno para ensiná-la e ajudá-la a se comunicar verbalmente e da forma apropriada (sem choramingar, por exemplo).

Com relação ao bilinguismo, percebi algo curioso. Falo mais em inglês do que em português com elas em casa, mas não são tão disciplinada a ponto de não misturar ambos (às vezes na mesma frase). Às vezes quando peço para a Alícia repetir o som de alguma palavra em inglês, ela traduz para o português! Será que isso é normal?! Por exemplo, eu digo: "Lily, say mommy". Ela diz: mamãe. "Lily, say daddy". Ela diz: papai.

Quanto ao desenvolvimento cognitivo, comecei a ensinar as cores para ela agora. As partes do corpo que ela já conhece (em inglês) ela sabe apontar em si, nas outras pessoas e também nas figuras dos livrinhos. Por exemplo: olhos, boca, nariz, orelha, cabeça, cabelo, barriga, mãos e pés. Os animais por enquanto ela só imita o som que cada um faz, isso depois que eu fiz o som pra ela porque pra ela todo animal é o "au au".

Temperamento e Relacionamento com a Irmã
Felizmente sinto que a Alícia voltou a ser a nossa filha serena. Se vivêssemos em tempos bíblicos e tivéssemos esperado ela nascer para então decidir o seu nome, acho que ela teria se chamado Serena! Ela que sempre fora um bebê doce e tranquilo passou por uma fase bem chorona e birrenta (com muitos acessos de raiva!), mas agora está no seu normal de novo. Não sei bem o que mudou, suspeito que tenha sido algum tipo de carência emocional porque o remédio foi dar doses extras de carinho e atenção. Ela também está cheia de gracinhas (aprendeu a fingir que está chorando, de brincadeira, às vezes para fazer a gente rir e às vezes para manipular mesmo), ama distribuir sorrisos e está naquela fase em que é o centro das atenções por onde passa (as pessoas param para brincar com ela). No mais, ela e a irmã têm se relacionado bem. É uma das minhas maiores alegrias ouvi-las gargalhando juntas quando estão brincando. É claro que nem tudo são flores, há os momentos de tensão e desentendimento, mas no geral as duas têm aprendido a ceder quando é preciso e a ser amorosa uma com a outra.

O mais engraçado é ver como a Alícia se espelha na irmã, imitando absolutamente TUDO o que ela faz. Tudo mesmo. Se a Nicole senta, ela senta; se a Nicole levanta, ela levanta; se a Nicole mexe no cabelo, cruza os pés, grita, corre, o que for, a Alícia fica de olho para fazer igual. Ela é a sombra da Nicole! E o inverso para algumas coisas é verdadeiro, às vezes a Nicole gosta de imitar a Alícia, fingindo que não sabe pronunciar direito algumas palavras ou que não consegue falar frases mais longas.


Obediência e Autocontrole
Ainda estamos trabalhando nesta área. Eu estou me empenhando em ensiná-la a obedecer da primeira vez. Não é tarefa simples porque você não pode ser inconstante (uma hora corrige, outra deixa passar) e com duas crianças pra cuidar e um monte de preocupações diárias, muitas vezes falho como mãe. Deixo de priorizar o que é realmente importante. Falho não somente porque não a corrijo na hora e fico repetindo a mesma instrução um zilhão de vezes, mas principalmente porque como esse processo todo é estressante demais eu acabo deixando meu coração se encher de ira e frustração. E mamães iradas e frustradas não são boas mães! Estando irada e frustrada eu não consigo educar com amor e respeito, esbravejo continuamente e perco a alegria de cumprir minha missão porque, como está escrito em Tiago 1:20, a ira do homem não produz a justiça de Deus. Eu lembro que alguns anos atrás ouvia uma vizinha que não conheço gritar com os filhos o dia todo e eu achava tão feio, pensava "nunca vou fazer isso", mas em alguns dias me pego fazendo o mesmo, sendo uma mãe zangada e estressada. Tenho cada vez mais aprendido que para ser uma boa mãe preciso me despir de mim mesma, admitir que sozinha eu não dou conta e que preciso da GRAÇA e da MISERICÓRDIA de Deus diariamente. Afinal, como ensinar autocontrole se eu não o exercito? Como ensinar submissão se meu espírito está insubmisso? Como ensinar a compaixão e o amor sem exemplificá-los? Compartilhei com lágrimas nos olhos e o coração contrito esta manhã para o meu marido como a maternidade está revelando o que há de pior dentro de mim. Como sou imperfeita, tão cheia de falhas e defeitos! Aquilo que antes ficava escondido quando eu trabalhava fora e era "todo sorrisos" está vindo à tona. Entre adultos no ambiente profissional era muito fácil varrer para debaixo do tapete as minhas fragilidades, mas em casa com as crianças meus defeitos ficam tão evidentes! E Deus deseja ensinar-me, deseja me disciplinar porque me ama e porque sou sua filha. No fim de semana do feriado participei de um retiro espiritual e a palavra que mais me impactou nos estudos que fizemos (o tema era "Vivendo os sonhos de Deus") foi a mensagem de que Deus sonhou com a nossa santificação (= regeneração / transformação). No episódio de João 13 em que Jesus lava os pés dos discípulos, quando Pedro se nega a deixar Jesus lavar-lhe os pés, Ele responde: "Se eu não os lavar, você não terá parte comigo" (v. 8). Às vezes como Pedro, não queremos tirar as sandálias e expôr nossa sujeira, queremos deixar o chulé ali escondidinho, mas Jesus não se contenta apenas com a nossa salvação (corpo limpo), Ele quer os pés limpos também (santificação).

Bem, por hoje é só. Quem quiser acompanhar os últimos updates da Alícia, é só clicar abaixo.

1 ano e 6 meses de Alícia!
1 ano e 4 meses de Alícia!
1 ano e 2 meses de Alícia!
12 meses de Alícia!

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Educação domiciliar - as atividades do nosso dia-a-dia

Faz uma semana que escrevi esse post, mas só agora consegui vir publicá-lo!

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Como já falei em posts recentes, este ano vou ficar em casa para experimentar o homeschooling com minhas duas filhas - Nicole de 3 anos e 5 meses e Alícia de 1 ano e 7 meses. Hoje contarei como estou organizando as atividades de nossa rotina diária. Se você ainda não sabe nada (ou quase nada) a respeito  da filosofia do ensino em casa e deseja entender do que se trata, sugiro que visite a página da ANED (Agência Nacional de Educação Domiciliar) e leia os artigos de cunho pedagógico que eles disponibilizam.

Planejando a nossa rotina
Meu marido fez a nossa agenda ilustrada de atividades (veja figura abaixo) e a imprimou em folha A4 para podermos pendurá-la num lugar visível e as meninas acompanharem as atividades (ainda não fizemos, pois faltou comprar papel contact!). Para facilitar, eu também programei o alarme do meu celular (=timer) para nos avisar quando é hora de mudar de atividade. Não quero ficar olhando para o relógio o dia todo - digamos que o alarme (na verdade é um toque bonitinho) acaba funcionando como uma sirene de escola. De  final de semana algumas vezes me esqueço de desativá-lo e meu marido acha insano o despertador tocar tantas vezes, mas a Nicole já acostumou. Em um desses dias atípicos ele tocou e eu estava longe fazendo alguma outra coisa, então a Nicole veio até mim para avisar que estava na hora de fazer "alguma coisa", rs.


Os Horários
Enquanto pensava e orava a respeito dessa agenda de atividades, o meu maior receio era o horário de levantar. Para a manhã render, eu precisaria conseguir acordar antes de todo mundo para poder tomar banho logo cedo. Sou do tipo de pessoa que curte acordar cedo pra aproveitar bem o dia, mas com a condição de que eu durma o suficiente à noite. Não gosto de dormir tarde, mas com a faculdade à noite não tem jeito: vou pra cama muito mais tarde do que gostaria! E às 6:00 da manhã lá estão as meninas acordadíssimas, renovadas, cheias de energia e empolgação para começar o dia... enquanto eu e meu marido estamos esbagaçados, implorando por mais alguns minutinhos de sono profundo!

Com a agitação das férias e o horário de verão, temos abusado um pouco e saído de casa no fim da tarde para algum passeio, visita ou outro compromisso. Isso tem atrasado o horário de dormir das meninas (que é 19:00) e deixado-as beeem mais cansadas do que o normal. Muitas vezes chegamos em casa muito depois das 20:00-20:30 com as duas já capotadas na cadeirinha do carro - a ponto de escovarmos seus dentes, vestirmos o pijama nelas, trocarmos a fralda ou levarmos para fazer xixi no banheiro e às vezes até dar o leitinho com elas dormindo! O bom dessa história é que aos poucos o horário da acordar aqui em casa tem atrasado... para 6:30, 6:40, 7:00, 7:20... ô delícia poder "dormir até acordar"! Se o horário de acordar pela manhã mudar definitivamente para às 7:00, não vou achar nada ruim ter de refazer a nossa agenda de atividades - o farei com todo prazer!

Como ainda estamos no primeiro mês e em fase de experimentação, quando acontece de levantarmos mais tarde do que o previsto, eu adapto a rotina (principalmente quando meu marido está atrasado para o trabalho): às vezes pulamos os banhos (deixo pra dar à tarde), o momento devocional em família fazemos à mesa enquanto terminamos o café da manhã e há dias também em que encurto um pouco o tempo (ou pulo por completo) de algumas atividades. Isso porque os horários que estipulei são apenas diretrizes para me guiar, eles me dão estrutura ao meu dia para eu não ter de improvisar o tempo todo. Uma das grandes vantagens da "escola em casa" é justamente a flexibilidade de ajustar o tempo e atividades de acordo com a necessidade e interesses da criança e também da família como um todo. Posso dançar conforme a música e aproveitar as oportunidades de aprendizado que o dia-a-dia dentro de casa (e também fora!) oferece.

Outra preocupação que eu tive ao planejar esta rotina foi garantir tempo de qualidade e de aprendizado com cada filha, sem privá-las de atividades em conjunto. Como você pode ter notado, esta agenda de atividades na verdade está direcionada para a Nicole porque a Alícia ainda é muito nova. Por isso, eu intercalei as atividades entre momento junto e momento individual. Por exemplo, no "story time", a Alícia mal participa porque ela ainda não consegue se concentrar e prestar atenção ou mesmo entender a história. Já a Nicole ama esta atividade e a cada página me enche de perguntas ou de comentários sobre a história, a ilustração, etc. Como são apenas 15 minutos de leitura, não é muito prejuízo para a Alícia e a Nicole fica satisfeita porque é um momento interativo muito produtivo para ela. Quando sobra um tempinho, ainda pego um livrinho de vocabulário para praticar com a Alícia e a Nicole ajuda participando. A atividade seguinte, o "learning time", é mais longa e feita individualmente com a Nicole. Esse é o momento de brincar independente da Alícia (ainda tenho usado o cercadinho para isso, mas sei que em breve terei de dizer adeus a ele), mas para falar a verdade as duas últimas vezes ela simplesmente dormiu no meio da atividade. Isso me diz que a Alícia ainda está precisando tirar sonecas pela manhã, não são todos dias que ela aguenta ficar acordada até o horário do almoço pra dormir à tarde. Por isso, são 50 min na agenda que podem ser usados para uma soneca pela manhã sem prejuízo da soneca mais longa à tarde. Em seguida vem o "snack time" e o "activity with sibling", duas atividades que elas fazem juntas. Por fim, tem o momento de estudo independente da Nicole - normalmente é o tempo que ela usa para ler silenciosamente e essa meia hora eu aproveito para brincar e estimular a Alícia, dando minha atenção exclusiva a ela. Brincamos com os seus brinquedinhos de encaixar peças, empilhar copos, lemos livrinhos pra treinar as partes do corpo, o nome e som dos animais, as cores, etc., e às vezes uso o ipad com ela também.

A última atividade é o tempo livre delas brincarem juntas enquanto eu preparo o almoço. Essa parte tem sido a mais frustrante para mim - deixá-las a sós para eu poder me concentrar na comida. A Alícia geralmente está cansada e quer colo, fica chorosa, querendo mexer onde não deve, fica o tempo todo vindo até a cozinha pedir alguma coisa. A Nicole brinca sozinha numa boa, mas eu geralmente preciso dar uma bronca na Alícia e determinar onde ela precisa ficar (no tapete da sala) até o almoço ficar pronto. Outro problema é que como deixo as duas brincarem sem supervisão, a cada poucos minutos preciso intervir (leia-se: consolar, orientar, repreender) porque uma ou outra está chorando, por motivos que quem tem filho pequeno conhece muito bem: ou porque caiu, ou porque quer um brinquedo que está com a irmã, ou porque a irmã a machucou, ou uma combinação de dois ou três desses fatores. Às vezes, quando percebo que a situação está tensa e complicada demais, coloco as duas pra ver desenho enquanto corro com a comida, mas quem disse que a Alícia fica mais de 5 min quietinha em frente à TV? Acabo tendo de ir lá acudir a Nicole que estava quietinha prestando atenção porque a irmã está pulando em seu colo tentando abraçá-la!

À tarde é o horário da soneca da Alícia e o descanso da Nicole. Enquanto a Alícia dorme, a Nicole tem permissão para usar o ipad sozinha no sofá, algo que ela absolutamente ama fazer. Se deixar ela fica horas nele porque temos free apps de joguinhos excelentes para a idade dela. Eu gosto de usar esse momento para esticar as pernas e ler a Bíblia ao lado dela no sofá, nem que seja por uma horinha. Ah, é tão bom! Mas nem todo dia consigo me disciplinar para ter esse tempo de descanso - às vezes meu lado neurótica fala mais alto e eu me ponho a trabalhar, organizando as coisas pela casa. O problema é que quando não paro para ter um tempo de tranquilidade à tarde quase sempre me arrependo! O arrependimento bate quando a Alícia acorda às 15:00 cheia de energia e eu sinto que já estou esgotada - no limite do meu cansaço e da minha paciência. E é nessa hora do dia que fico contando os minutos para o meu marido chegar logo do trabalho para assumir o turno dele porque a minha bateria já está no fim. E em pensar que em breve começam minhas aulas e depois do jantar terei de sair às pressas para pegar o trem pra faculdade!

Os Conteúdos
Bem, primeiramente, preciso constantemente me lembrar que a Nicole só tem 3 anos e 5 meses e que nessa idade ela precisa brincar. Ponto. Digo isso porque tenho a tendência de ser acadêmica e de levar as coisas a sério demais e, se eu não tomar cuidado, daqui a pouco terei uma filha precocemente alfabetizada! Percebi isso enquanto fazia o planejamento dos objetivos pedagógicos que tinha para esse ano de homeschooling. Coloquei no papel tudo o que queria trabalhar com ela, veja como ficou:

Matemática e Jogos de Raciocínio
- Contar até 20 (reconhecer os números na ordem)
- Conceitos: menor e maior, antes e depois (usando dados e dominó)
- Fazer conjuntos (usando bolinhas de gude, botões ou outros)
- Conceito de comprar e vender (usando dinheirinho, brincando de supermercado)
- Jogo da memória, quebra-cabeças,dominó, connect four, jogo da velha, jogo de dama
- Somar e subtrair (esse daqui foi meu marido que acrescentou, rs)

Alfabetização - Ler e Escrever
- Música do alfabeto (ela já conhece, falta associar com a letra)
- Reconhecer letras (usando flashcards e letras avulsas)
- O som das vogais, rima de palavras ou tudo o que começa com a letra __.
- Introdução à caligrafia / copiar letras (essa daqui também acho bem precoce, rs)

Artes e Atividades Sensoriais
- Desenhar, pintar com tinta, colorir com lápis de cor, colar adesivos
- Cortar papel usando tesoura, moldar com massinha, traçar pontos
- Colar figuras, colar lantejoulas / glitter, fazer bolinhas com papel crepom
- Atividades com água, arroz cru e afins
- Brincar de adivinhar que alimento é pelo cheiro ou sabor

Movimento Corporal e Musicalização
- Dançar, correr e pular (com dois pés, com um pé, obstáculos, corda, amarelinha)
- Conceitos: direita/esquerda, dentro/fora, ritmo
- Equilibrar, alongar, dar cambalhota, fazer estrela, carrinho de mão
- Bexiga, bambolê, bicicleta, bola (chutar, arremessar, rolar)
- Músicas com gestos, palmas, bater os pés
- Conceitos: alto/baixo, rápido/lento
- Diferentes sons (ex. bater panela ou plástico) e tipos de instrumentos
- Dramatização de historias, usar fantasias para contá-las, fantoche

Ciências e Geografia
- Culinária (real e imaginária): cozinhar/assar, quente/frio
- Estados da água: gelo/líquido/vapor
- Jardinagem (nossa horta): plantar sementes e aguar todos os dias
- Plantas (árvores, flores, frutas, verduras, legumes)
- Animais (aves, peixes e animais terrestres) e insetos (explorar com lupa!)
- Corpo (parte externa e interna, cinco sentidos)
- Céu (nuvens, sol, lua, estrelas, chuva, arco-íris)
- Localização (subida/descida, vale/topo) e proximidade
- Meios de transporte (ônibus, avião, carro, moto, etc.) e semáforo

Parece um pouco exagerado, né? É, talvez. Mas melhor planejar a mais do que a menos, rs. O bom é que tenho para onde recorrer naqueles dias que estou cansada demais para ter boas ideias. O plano serve para eu me lembrar qual o meu objetivo, onde quero chegar porque às vezes me bate uma insegurança por nunca ter trabalhado com crianças em contexto escolar antes. Tenho tentado me inteirar ao máximo e a internet facilita muito. Acho que ideias não vão me faltar, o que eu preciso mesmo é de disciplina para conseguir aplicar todas as que eu já tive!

Vou aproveitar aqui para compartilhar recursos para quem tem filho pequeno e precisa de ideias!

- Antes de se mudar para os EUA, a Cristine (escritora desse blog) me passou dois livros pedagógicos com ideias de atividades para se trabalhar com crianças pequenas. Um chama-se Totline Theme-A-Saurus - The Great Big Book of Mini Teaching Themes e o outro Creative Activities for Young Children. Já andei dando uma olhada e eles têm muita coisa boa.

- Outro recurso valioso que eu já uso há mais ou menos um ano é o site Productive Parenting. Você se cadastra nele colocando nome, idade e interesses de cada filho e recebe por e-mail sugestões de atividades para fazer com eles. No começo eu programei pra receber 4x /sem, mas não estava conseguindo fazer todas (não dava conta), então configurei para uma atividade apenas por semana (pra cada filha). Ficou bem melhor assim. O site é tão prático que você escolhe até o dia da semana que quer receber a atividade!

- Uma pessoa da minha igreja que homeschool me indicou um canal do youtube chamado Childcareland - são mais de 570 vídeos bem curtinhos com ideias de atividades para se fazer com os pequenos. Essa autora também disponibiliza pelo blog materiais gratuitos para serem impressos. Vale a pena conferir!

- Uma outra pessoa me passou um post do blog Simple Little Home em que a autora também homeschool os três filhos e dá 40 ideias muito boas de atividade que você pode dar para seu pequeno fazer enquanto você trabalha com o seu filho mais velho.

Os Materiais
Por ainda não ser uma prática regulamentada no Brasil, não existem aqui materiais didáticos específicos para quem deseja ensinar os filhos em casa como existem lá fora. Como falamos em inglês com as meninas, fiquei interessada em adquirir material que a empresa americana Sonlight comercializa, mas ainda não tive coragem de efetuar a compra por causa do valor do frete. Estou esperando algum amigo norte-americano com considerável espaço na bagagem vir para SP e dizer que pode trazê-los pra mim (talvez isso aconteça só em setembro!). Para vocês terem uma ideia, o preço do pacote completo para 3-4 anos (são 26 itens, sendo a maioria livros com muitas histórias infantis em cada) fica quase 600 reais (269 dólares). O frete para quem reside lá é gratuito, mas para quem mora no Brasil custa 270 reais (127 dólares)!

Apesar de setembro ainda estar bem longe, estou em paz porque sei que é Deus mesmo quem provê os recursos para a missão que Ele nos confia. Eu só preciso arregaçar as mangas para fazer a minha parte e descansar nEle. Senti isso na pele e pude ver a mão do Senhor agindo e confirmando o Seu desejo. Mal iniciamos esta nova fase e Ele já nos abençoou de formas tão lindas e inesperadas. Vou compartilhar algumas bênçãos, pois sei que isso pode ajudar a fortalecer a sua fé de que Ele está trabalhando por nós enquanto descansamos!

- No fim do ano passado uma conhecida que trabalha numa editora cristã que tinha livros em inglês para doar se lembrou de mim e perguntou se eu me interessava em recebê-los. Lógico, né! E então ganhamos oito livrinhos infantis! Apenas alguns dias depois, uma amiga enviou por correio outro livrinho infantil em inglês de presente para as meninas.

- Passado alguns dias, ainda no fim do ano, achei sem estar procurando uma loja com todos os produtos em liquidação porque ia encerrar suas atividades. Aproveitei a pechincha para comprar coisas bem baratinhas para as meninas - alguns brinquedinhos para a cozinha delas e muitos adesivos para as nossas atividades artísticas.

- Por fim, despretensiosamente participei de um concurso da Staedtler pelo facebook - sério, foi tão despretensiosamente que eu nem lembrava que tinha participado quando recebi o comunicado por e-mail que havia sido uma das vencedoras! - e dentro de poucos dias serei premiada com um kit completo de material escolar. Uma ótima surpresa!

Palavra Final
No início do mês passei por aquele momento tão crucial quando tomamos uma decisão muito importante e de repente somos bombardeados de dúvidas. Será que estou fazendo certo? Será que vou me arrepender? Será que entendi direito o que Deus disse? Por que eu fui "inventar para a cabeça" se é tão mais fácil fazer o que todo mundo está fazendo?

Tive momentos de hesitação, confesso. Em meio a lágrimas porque a Nicole começou a pedir com frequência para ir à escola assim que acordava pela manhã, comecei a me questionar se realmente estava fazendo o melhor para ela. Um dia ela choramingou que queria ver a tia da escola... e isso partiu meu coração! Me derramei diante de Deus pedindo sabedoria e força para atravessar com ela aquele momento triste de entender a separação, de entender que esse ano ela não vai mais para a escola. Quantas vezes precisei repetir e explicar! Sabia que não poderia ignorar os sentimentos dela, então oramos pela tia que ela tanto queria ver, pedimos para Deus abençoá-la e também para nos ajudar esse ano aqui em casa. Sei que talvez ainda seja necessário fazer isso mais algumas vezes. É difícil, mas necessário!

Quando a gente é mãe a gente quer satisfazer todos os desejos dos nossos filhos e, por alguns dias essas circunstâncias me fizeram sentir-me incapaz. Porém, o tempo todo eu sabia - lá no fundo do meu ser - que eu não poderia duvidar no escuro aquilo que eu tive certeza no claro. Era hora de seguir em frente e levar a cabo o plano que Deus colocara no meu coração. E foi o que eu fiz.

Senti de compartilhar isso porque pode ser que tenha alguém passando pela mesma situação e precise desse encorajamento! Fixe os olhos no alvo e toda vez que você se sentir desencorajada, derrame-se na presença de Deus porque é somente nEle que você encontra paz e força!

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

1 ano e 6 meses de Alícia!

Amanhã a Alícia completa 1 ano e 6 meses e resolvi me adiantar e postar as novidades!


Dentição e Alimentação
Além dos 2 dentinhos debaixo, agora ela tem mais 3 dentinhos, todos em cima. Tadinha, ela sofreu muito porque os três saíram praticamente ao mesmo tempo! E dá-lhe Nene Dent para aliviar a coceira e dor. Em compensação, agora que tem 5 dentinhos ela vai poder morder e mastigar melhor alimentos mais duros. Não que antes ela não já comesse de tudo. Alguns alimentos - como o tomate - ela chupava até amolecer e conseguia engolir (mas deixava a casca). Já outros - como a uva passa - ela simplesmente engolia inteiro e depois eliminava no cocô. Outra vantagem é que à medida que ela cresce e consegue comer sozinha as coisas vão ficando mais fáceis para mim. Já se imaginou tentando alimentar duas pequenas e comer ao mesmo tempo? É o que eu tento fazer, não é à toa que estou sempre ouvindo "Como você emagreceu". Eu até consigo colocar algumas garfadas rapidamente na boca entre ajudar uma e outra, mas não é como se sentar à mesa para saborear a refeição! Isso quando a Nicole não pede para fazer o nº 2 bem no meio da refeição, aí complica ainda mais. E quando elas finalmente terminam, eu vejo a bagunça de bandeja melecada, chão sujo, pratos para lavar, etc. e minha mente neurótica logo pensa: "Preciso arrumar logo tudo isso". Daí qualquer vontade que eu tinha de pegar mais um pouquinho vai embora!

Rotina e Horários
Até muito recentemente, as sonecas da Alícia pela manhã estavam sendo bem longas. Tinha dias em que eu a colocava para dormir 8:30 ou 9:00 e ela só acordava - isso porque eu abria porta e janela para entrar claridade - às 11:30, quando eu já estava com almoço preparado e prontinha para sair para buscar a Nicole na escola. Era muito bom, por um lado, porque eu tinha a manhã toda pra mim! Eu aproveitei para fazer meus trabalhos de faculdade e até consegui escrever uma boa média de posts por mês, vocês repararam? Por outro lado, com o tempo fui vendo que dormir tanto pela manhã tinha dois "contras". O primeiro é que eu desperdiçava um tempo individual que eu poderia ter com ela enquanto a irmã estava fora. Falo mais sobre isso no tópico abaixo. E o segundo é que a soneca da tarde começou a ficar cada vez mais curta. E como não são todas as tardes que a Nicole tira soneca, tinha dias em que as duas "pintavam o terror" no quarto! Como nenhuma das duas estavam com muito sono, era um estresse só eu entrar toda hora no quarto para falar que elas precisavam ficar quietas, parar de brincar, conversar, gargalhar, etc. porque era a hora do descanso. Ou seja, em vez de eu relaxar, ficava só o pó e não via a hora do maridão chegar logo em casa no fim do dia para assumir o turno dele!

Por isso, a partir de ontem, tomei a decisão de que vamos eliminar a soneca da manhã. Vou fazer atividade dirigida com as duas pela manhã (se bem que esses dias estou pegando bem leve porque é época de férias e todo mundo merece não ter nada pra fazer, hehe!) e à tarde passaremos à rotina da Alícia tirar uma única soneca longa (de 3 horas) por dia. E enquanto a Alícia dormir, a Nicole vai fazer tempo de brincar independente para eu poder ter meus momentos de paz durante o dia. Depois eu conto se deu certo!

Linguagem e Comunicação
Ufa, a Alícia está começando a repetir melhor os sons. Sabe que eu estava ficando preocupada e cheguei a pensar em levá-la numa fonoaudióloga para saber se ela tinha algum problema?! Eita, mamãe neurótica. Eu sei, eu sei, o bom senso diz que cada criança tem seu ritmo, que vai falar, andar, etc. no seu próprio tempo. Mas, convenhamos, É TÃO DIFÍCIL não comparar!! E eu lembro que a Nicole falava um monte de coisas com 1 ano e 5 meses (está certo, eu não lembro... mas li o post em que registrei isso) e a Alícia não repetia direito as palavras, o som saía muito diferente. A coisa só começou a andar quando mudei a estratégia - do inglês para o português. E não é que ela falou "mamãe" e "papai" direitinho? Em inglês não saía! E agora ela está um papagaiozinho repetindo as palavras. A pronúncia dela está melhorando.

Dessa experiência extraio duas lições importantes (que estão interligadas). A primeira é que estava sendo exigente demais com um nível que eu achava que ela deveria ter. E a segunda é que eu a estimulei muito pouco para esse nível! Compreendi que quando a gente tem um filho só a nossa atenção em casa é quase que 100% dedicada a ele. Eu estimulava a Nicole a todo momento, ela era uma esponjinha e ia absorvendo tudo! De verdade, eu não dava um segundo de trégua pra ela, era na hora de comer, na hora do banho, de fazer xixi no vaso, de brincar lá fora ou aqui dentro. Eu estava o tempo todo ensinando alguma coisa, conversando com ela, pedindo para ela repetir alguma palavra, cantando, mostrando os livros, enfim, era um curso de imersão, rs. Já com a Alícia... tadinha, há momentos em que ela precisa praticamente pular na minha frente ou agarrar as minhas pernas para conseguir minha atenção! E quando eu pego um livrinho pra ler com ela e faço alguma pergunta (por exemplo, "What animal is this?" ou "What color is this?"), advinha quem responde no mesmo segundo? Isso mesmo, a Nicole! A Alícia não tem a menor chance e por isso ela logo se desinteressa. Como no ano que vem, eu vou "homeschool" as meninas ao mesmo tempo, estou pensando numa estratégia para atender às necessidades individuais de cada uma.

Ainda sobre linguagem, uma amiga leitora desse blog descobriu um site muito legal sobre linguagem de sinais para bebês! Chama-se "My Smart Hands". Depois que assisti ao vídeo da bebezinha de apenas 1 ano fazendo um monte de sinais, vi que estava perdendo tempo com as minhas filhas e que poderia estimulá-las para além das poucas palavras que as havia ensinado ("obrigada", "por favor", "banheiro", "desculpe", "mais" e "terminei"). As crianças têm muita capacidade de aprender novos idiomas. Quanto mais novas, mais fácil e rapidamente aprendem. O problema é que sou limitada quanto à linguagem de sinais em si, mas meu marido fez curso de LIBRAS (Linguagem Brasileira de Sinais) anos atrás e ainda tem a apostila. Combinamos que ele vai tentar ir relembrando algumas coisas e a família toda vai aprender junto. Não quis seguir o site My Smart Hands porque os sinais que ela ensina não são de LIBRAS, mas de ASL (American Sign Language) e achei que não seria muito útil para a comunicação com surdos aqui no Brasil.

Toilet-training
Semana passada resolvi tirar a Alícia das fraldas! O tempo estava quente, eu de férias, enfim, tudo propício. Usei as dicas do material dos Ezzos dessa vez (e não mais apenas a da Encantadora como fiz com a Nicole, numa outra oportunidade explicarei melhor) que, como vocês verão, são de linha behaviorista (com muito condicionamento e reforço positivo). Deixei-a apenas de calcinha durante o dia e deixei carregar uma garrafinha de água que ela gosta muito pra lá e pra cá. A ideia era aumentar a ingestão de líquidos e oportunidades para ensiná-la a diferença entre "seco" e "molhado". Programei o alarme do meu celular para tocar a cada 17 a 22 min. Cada vez que ele disparava, eu dizia toda animada que estava na hora de fazer xixi. Porém, antes de colocá-la para sentar no vaso (usamos uma adaptador especial para o bumbum dela), eu pedia para ela colocar a mão na calcinha e sentir se estava seca. Se estivesse, eu fazia a maior festa e ela ganhava chocolate confete (que ela ama e também outra oportunidade de praticarmos as cores)! Só então sentávamos para fazer xixi. Primeiro eu, depois a Nicole, às vezes alguma boneca dela e, finalmente, a própria Alícia. Enquanto ficava ali sentada, eu aproveitava para tirar o atraso e ler alguns livrinhos com ela. Programava o despertador para tocar dali 5 a 7 min para indicar que estava na hora de sair (para ela não ficar tempo demais e a brincadeira perder a graça).

Bem, como já deu pra perceber, toilet-training é muito trabalhoso. Exige paciência. E muita disposição porque você passa o seu dia em função disso! E tem de fazer o ritualzinho com muita animação. Nesses 5 dias que acrescentamos "sentar no vaso" à rotina da Alícia, eu não fiz outra coisa durante o dia. Sério, cansa muito. A nossa média de acidentes estava entre 3 a 4 por dia, o que é pouco até e não tão interessante para quem tem o objetivo de alcançar o objetivo logo! Os acidentes (=erros) são oportunidades brilhantes pra ensinar à criança o que fazer e o que não fazer. Muitas vezes acertamos o cocô - que ela fez direitinho dentro do vaso e que era largamente comemorado - mas com o xixi não tivemos êxito nenhuma vez. Não sei porque ela segurava tanto o xixi! Mesmo bebendo muito líquido (porque o chocolate também dá sede). Acabava encharcando a fralda durante as sonecas. Quando ela não fazia, eu programava o despertador para tocar dentro de 12 a 17 min. Se ela não fizesse de novo, eu diminuía ainda mais o intervalo na esperança de que ela não se aguentasse de vontade e fizesse "sem querer" no vaso. Eu lembrei algo que eu fazia com a Nicole para ajudá-la entender o que tinha de fazer quando estava ali sentada. Como tudo para eles nessa idade tem de ser divertido, eu segurava as mãozinhas dela, contava 1-2-3 e "uhhh", contorcia meu rosto como se estivesse fazendo força.. Ela achava engraçado e me imitava. Mas com a Alícia não deu certo nenhuma vez! Uma vez 2 min depois de sair do vaso, ela fez xixi na calcinha.

O resumo da ópera é que só conseguimos fazer isso por uma semana porque logo o tempo virou. Faz 5 dias que suspendemos o toilet-training por causa do tempo chuvoso. Quando o tempo melhorar e o calor firmar de novo, retomaremos os esforços do toilet-training!

Limites e Obediência
O nosso maior desafio com relação à Alícia nos últimos tempos tem sido não ceder às birras dela e insistir em ensiná-la a obedecer. Ela já entendeu o "That's a no-no" e até me imita mexendo o dedo indicador (confirmando que aquilo não pode), mas ela tenta nos enganar! Espera a gente virar as costas para fazer ou tenta fazer mesmo com a gente olhando firme pra ela. Acho que pra ver o que acontece ou confirmar se este é o limite meeesmo? Provavelmente! E aqui entra aquele princípio de educar, não reeducar. De se esforçar para pagar à vista e não em muitas dolorosas parcelas, porque... olha, educar dá trabalho!!

O exemplo mais real dessa vontade de fingir que não viu foram os episódios com o cinto de segurança. Sabem o que aconteceu? Nos cansamos de ficar parando o carro no meio da rua porque ela estava desobedecendo, de colocar os bracinhos dela de volta pra dentro do cinto, de dar bronca e repetir toda hora a mesma coisa! Adotamos outra postura: a de restringir a sua liberdade. Como era de se esperar, a solução está em educá-la dentro do funil! Meu marido teve a brilhante ideia de pegar uma fralda e amarrar os dois lados do cinto bem abaixo do pescoço dela, assim ela não tinha espaço para tentar tirar os braços. Que alívio! Claro que ela ficou brava, chorou, tentou espernear... mas faz parte da lição que ela precisava aprender porque ainda não tinha maturidade para fazer a escolha certa de obedecer. Então ela precisava da nossa ajuda: precisava que colocássemos os limites mais estreitos para ajudá-la a se conformar a eles.

Fizemos isso por bastante tempo e domingo agora a prendemos na cadeirinha sem usar a fralda para apertar o cinto. Ela tirou os bracinhos uma vez apenas durante todo o caminho. Um baita progresso! Quando ela obedeceu, fizemos questão de elogiá-la, para que ela soubesse que havíamos percebido e que estávamos contentes que ela estava desenvolvendo autocontrole. De fato, esse é um enorme desafio nesta idade.

Temperamento
No último post falei sobre o temperamento forte da Alícia. Pois é, essa característica está cada vez mais evidente. Ela é birrenta!! Não cede fácil, chora para manipular, faz cara feia ou vira o rosto brava quando é contrariada, joga os brinquedos, chuta, bate, puxa o cabelo... esse tipo de coisa. Às vezes eu fico com queixo caído com a reação dela e me seguro para não rir das caretas que ela faz. A Nicole tem de ter uma paciência, viu! Porque a Alícia praticamente monta na irmã quando quer um brinquedo que está nas mãos dela ou fica berrando. Estou insistindo que assim ela não vai conseguir nada, que tem o jeito certo de pedir as coisas, que tem de ter paciência e esperar (ah, esse é outro sinal que ela já aprendeu a usar). Ela já está se acostumando também com o ritual de pedir desculpas e de dar um beijo na irmã quando a machuca ou é mal-educada. Um dia desses até fez espontaneamente!

Mas... tem dias que são bem difíceis, sobretudo, quando eu desencano da rotina - não oriento uma atividade (deixo livre demais) ou não garanto que ela durma as horas necessárias para ela ficar bem disposta. É tão importante que ela esteja descansada! O cansaço é contraproducente para ajudar a criança a desenvolver o autocontrole, uma habilidade absolutamente fundamental (para saber mais, leia o post Desenvolvimento do autocontrole). Eu preciso ficar muito atenta à rotina para não deixar as coisas saírem do controle com ela.

E olha que tem dias que ela se rebela e não quer dormir (mesmo morrendo de sono). Chora um tempão sem parar! Li o post da Fabi de ontem falando sobre fazer CIO e pensei: "Nossa, com a Alícia eu faço CIO até hoje". No caso dela, sei que é pura chantagem, ela é determinada e berra mesmo - para protestar. Que Deus me ajude a ensiná-la a lidar com as suas emoções!! Anos atrás traduzi um livro chamado "How To Really Love Your Angry Child" do Dr. Ross Campbell para a Editora Mundo Cristão (leia a sinopse dele em português aqui). O livro é excelente e eu estou começando a pensar que Deus tinha um propósito quando me fez entrar em contato com ele, rsrs. Quando eu conseguir, posso resumi-lo aqui pra vocês!

Outro aspecto que queria acrescentar é que a Alícia também é muito apegada. As emoções dela são para os dois lados. Ela abraça, beija, faz carinho... espontaneamente. É o tipo de criança que gosta de ficar na saia da mãe, sabe? A Nicole não tinha isso - era livre, leve e solta. Já a Alícia, se eu bobear, fica pendurada na minha perna o dia todo, me seguindo pela casa! Na hora de dormir (e ela sabe bem quando é a hora), ela deita a cabecinha no meu ombro e me abraça com tanta força que quase me enforca. Haha! Já se ligaram por quê, né? Então eu a abraço de volta, massageio as costinhas dela e apenas curto o momento, canto uma canção de ninar e fico assim agarradinha com ela um tempinho... porque, afinal, eles crescem tão rápido e é gostoso demais receber um abraço apertadinho desses da minha princesa!

terça-feira, 23 de outubro de 2012

1 ano e 4 meses de Alícia!

Ufa, estou há dias me cobrando de vir fazer este update da Alícia que completou 1 ano e 4 meses na última sexta-feira. Há tantas coisas por fazer ultimamente que a tentação de adiar e deixar para escrevê-lo somente no mês que vem é grande! Por outro lado, com todas as cobranças de fim de semestre na faculdade, sei que procrastinar não vai ajudar em nada. Além disso, sei que daqui alguns anos - quando as minhas filhotas, hoje tão pequenas, forem mocinhas maiores, adolescentes, jovens e futuras mamães - iremos com certeza curtir estes registros que periodicamente vou fazendo do desenvolvimento delas! 


Dentição e Alimentação
Sim, finalmente dois dentinhos já vieram! Marquei bem o dia: o primeiro começou a despontar quando ela estava com 1 ano, 2 meses e 20 dias. Uau, ela conseguiu "ganhar" da irmã. O primeiro dentinho da Nicole só começou a despontar com 1 ano, 1 mês e 9 dias e, na época, por mais que me dissessem que quanto mais tarde melhor, eu já estava preocupada!! Desta vez não, fiquei tranquila e até me diverti com a situação. Não ter dentes nunca impediu a Alícia de comer bem. Aliás, ela sempre comeu de tudo... e rápido! Inclusive quando mamava ao peito - quem acompanha o blog há mais tempo deve se lembrar que em 10 minutinhos ela esvaziava o meu seio e ficava satisfeita. Ela gosta de comer sozinha também - precisa de ajuda para encher a colher, é claro, mas faz questão de levá-la à boca sozinha e ama os elogios. O babador de plástico com bolso para mim é um item que não pode faltar nas refeições - ele é fundamental! Também a deixo, na verdade, a incentivo a comer alguns alimentos com a mão, como é o caso do pepino ou do tomate.

Vez ou outra, ela come umas 4 colheres apenas e já começa a fazer o sinal de "No, thanks". Eu pergunto se é isso mesmo que ela está dizendo, tento oferecer de novo e, se ela realmente não quiser mais, suprimo minha neura de mãe que quer que os filhos comam tudo que está no prato e não insisto mais. Sei que ela vai comer quando tiver fome e não preciso forçá-la a comer uma determinada quantidade só porque é o habitual. O bom senso me diz que há dias em que temos menos fome. A exceção é quando ela rejeita a comida porque quer o suco. Tive problema com isso recentemente, ela se recusava a abrir a boca pra comer porque queria ficar só no suco. Daí não teve negociação: comida primeiro e suco depois. Ela insistiu, ficou brava, mas acabou cedendo depois de três ou quatro tentativas frustradas. Se ela não tivesse cedido, teria ficado sem suco e sem comida (substituição) até a próxima refeição. Apesar desse episódio, normalmente ela concilia bem (suco e comida ao mesmo tempo), mas eu tenho ficado atenta para não deixar virar um mau hábito.

Rotina e Horários
A rotina está igual. Eu procuro seguir a rotina direitinho de segunda a sexta-feira, mas aos finais de semana ou mesmo em algum dia mais agitado durante a semana (ex. quando recebemos visitas ou quando tenho compromisso fora de casa), sou flexível e ajusto o que for necessário para o bem de todos. Em termos de sono, a Alícia continuando tirando duas sonecas durante o dia, uma de manhã e outra à tarde - exceto aos domingos porque vamos à igreja pela manhã e ela não dorme lá. As sonecas duram 1h:30 min a 2h:30 min e o sono noturno continua sendo de no mínimo 11 horas por noite. Meu marido, que agora é o responsável por colocá-las na cama toda noite, diz que tem preferido colocar a Alícia para dormir primeiro, por volta das 18:15 e 18:30, e a Nicole vai para a cama um pouco mais tarde, às 19:00.  Quanto à alimentação, ela faz 5 a 6 refeições por dia: café da manhã (6:30), lanche leve (10:00), almoço (12:15), às vezes lanche da tarde (depende da duração da soneca), jantar (17:00 ou 17:30) e leite antes de dormir (nem sempre). Para mim, o horário de brincar é o mais difícil de estruturar (ex: quando vai brincar sozinha, quando vai brincar com a irmã, etc.). Ela continua não curtindo muito ficar em frente à TV vendo desenho como a Nicole gosta e sempre gostou de fazer. Além disso, continuo precisando me policiar para manter um horário fixo e relativamente longo para ela brincar independente dentro do cercadinho pelo menos 4 ou, idealmente, 5 vezes por semana. Se passar muitos dias sem, ela desacostuma e a choradeira recomeça. Pois é, ela é uma garotinha insistente... o que me leva ao próximo tema!

Temperamento
É a primeira vez que falo sobre esse tema aqui no blog - em parte porque tenho muito receio de rotular as minhas filhas. Em seu livro "Segredos de uma Encantadora de Bebês", Tracy Hogg fala de cinco temperamentos básicos dos bebês (anjo, livro-texto, enérgico, sensível e irritável) e dá dicas de como lidar com as particularidades de cada um. A ideia é boa, mas o problema que eu vejo nessas descrições é a subjetividade da avaliação. Na verdade, cada mãe que as lê tem um referencial próprio e, portanto, interpreta-as de maneira diferente. Vou dar o meu exemplo. Eu passei o primeiro ano de vida da Nicole - e parte do segundo também - crendo piamente que ela fosse um bebê-anjo (embora não comentasse isso com ninguém). Daí, quando a Alícia nasceu e pude comparar as experiências, pensei: "Que nada! Bebê-anjo é a Alícia, a Nicole é um bebê-sensível". A minha avaliação mudou conforme meu referencial (um novo bebê) mudou. Antes eu avaliava a Nicole conforme os outros bebês que eu conhecia. Depois passei a avaliá-la conforme a minha experiência com a Alícia. A comparação é inevitável.

Porém, a mudança de avaliação não parou por aí. Aliás, se eu tivesse escrito esse post um mês atrás, teria certamente falado da minha preocupação com relação ao "gênio forte" da Alícia. E isso me fez perceber que, na verdade, ela também não é um bebê-anjo como eu havia imaginado, haha! Hoje parece-me que a descrição de um bebê-enérgico ou irritável talvez se encaixem melhor à personalidade dela! Isso mesmo, a Alícia é uma menininha de temperamento forte que esbraveja quando não gosta de algo. Se eu não tomar cuidado, ela consegue facilmente o que quer na base do protesto: que vai desde berrar, bater, chorar, puxar o cabelo a - pasmem - se jogar no chão! Apenas para exemplificar, um desafio recorrente para mim é cortar as unhas da Alícia. Ela não quer cooperar. Não sei se é aflição de cortar a unha (vai saber!) ou pura determinação em não me deixar fazê-lo. Desconfio que seja a segunda opção. É certo que bebês no geral não gostam de deixar cortar a unha, ficam puxando o braço... também tive alguma dificuldade com a Nicole... mas só até certa idade, depois ela começou a colaborar. Mas com a Alícia esse desafio permanece até os dias de hoje. São raras as vezes que ela se distrai com as brincadeiras de alguém e passivamente me deixa cortá-las, muitas e muitas vezes eu tenho de fazê-lo à força enquanto ela chora e esperneia!

Mas por quê então eu disse "se eu tivesse escrito esse post um mês atrás"? O que mudou de lá pra cá? O temperamento dela certamente não mudou, ela é a mesma, mas o meu comportamento sim. E, mamães, saibam que isto faz toda a diferença! Se você tem filho nesta idade e ainda não leu o post O incrível mundo dos "toddlers"!, não deixe de fazê-lo. O meu objetivo aqui não é entrar em detalhes sobre educação diretiva e a educação corretiva, sobre estabelecer limites e "criar dentro do funil" ou sobre como desenvolver o auto-controle e trabalhar a disciplina (mesmo porque em breve irei continuar o resumo do livro "On Becoming Toddlerwise" e vamos nos aprofundar muito nesses assuntos), mas quero enfatizar a minha desconfiança de que seguir os princípios ensinados no livro Nana Nenê (e nos outros livros da série de Gary Ezzo e Robert Buckman) faz com que, no geral e independentemente de seu temperamento natural, todos os bebês sejam de certa forma considerados bebês-anjos. Os autores bem que profetizam isso no comecinho do primeiro livro da série!! Quem leu sabe, rs.

Conversando com amigas que conhecem e aplicaram com seus filhos, elas comentam que é muito comum ouvirem frases do tipo: "Nossa, como a sua bebê é calminha e comportada. Espero que a minha também seja assim" ou "Puxa, você deu sorte, hein, olha como o seu bebê é tranquilo e bonzinho. O meu (ou o de fulano) não, ele é tão chorão e dá tanto trabalho". Sem conhecer o Nana Nenê, as pessoas realmente não entendem e acham que o temperamento calmo do bebê é obra do acaso. Mal sabem que, na verdade, a segurança e estabilidade emocional dos bebês têm a ver com o trabalho consistente dos pais em dirigir os seus passos e estabelecer uma rotina saudável de alimentação, atividade e descanso.

Linguagem e Comunicação
No último post contei minha dificuldade em exigir que a Alícia usasse os sinais para se comunicar. Problema vencido. Hoje ela já domina e usa de bom grado quatro sinais para se comunicar:

- Obrigada - normalmente para indicar que ela não quer mais algo (suco, comida ou um brinquedo).
- Por favor - forma que estabelecemos para ela pedir permissão ou ajuda.
- Desculpe - se ela se rebela ou se comporta mal (ex. machuca a irmã), tem de pedir desculpa.
- Banheiro - idealmente para nos avisar que quer fazer cocô (o problema é que ainda não avisa antes!)

Ela também sabe fazer o sinal para "cadê?" e está aprendendo a usar o "all done" para sinalizar que já terminou de fazer algo (ex: comer ou fazer cocô). Ah, e por falar nesse assunto, aqui vai um rápido parêntesis para informar que, por enquanto, adiei o plano de iniciar o desfraldamento no mês de outubro. Por dois motivos: primeiro porque o tempo não está colaborando (um dia faz calor noutro faz frio) e segundo porque quero começar quando eu puder me focar 100%. Não quero começar para largar no meio do caminho. E no momento, com os estágios da faculdade, não terei condições de iniciar ainda.

Voltando ao assunto da comunicação, a Alícia ainda não fala palavras muito inteligíveis, hehe. Ela tenta imitar os sons, mas eles ainda estão longe de ser compreensíveis para a pessoa comum. Na maioria das vezes, somente a mamãe, o papai e a irmã mais velha é que estão habilitados para desvendar que quando ela diz "ú", por exemplo, ela está se referindo a "suco"! Em termos de compreensão, ela entende e obedece muitos comandos simples em inglês. Alguns exemplos mais comuns são: "Sit down here, please", "Go back to the rug", "Give this to your sister", "Put it back there", "Don't put ___in your mouth", "Stop sucking your thumb, please", "Say ___", "That's a no-no", etc.

A Alícia está naquela fase deliciosa de imitar e repetir o que a gente faz. Às vezes pode ser perigoso porque ela quer subir nos mesmos lugares (ou pular deles) como vê a Nicole fazendo. Ao comer, ela pega o guardanapo para limpar a boca ou mesmo para tentar limpar a bandeja do cadeirão que fica cheia de comida (mas acaba sujando mais!). Na hora de escovar os dentes, ela imita o som que a irmã faz cuspindo a pasta de dente. Ela sabe fingir que está tossindo (cobrindo a boca com a mãozinha), espirrando, bocejando e até tenta assoprar a comida quando está quente como a gente faz. No banho, ela gosta quando eu coloco um pouquinho de shampoo ou condicionador na sua mão para ela levar ao cabelo. Na hora de se vestir, ela já consegue ajudar levantando / direcionando os braços e pernas para dentro da manga.

Ah, e quando eu peço para ela dar beijo, ela imita o barulho do beijo (que para ela é "ahh") e me lambuza de saliva tentando beijar também (de boca aberta). Uma delícia!

Limites e Obediência
O grande desafio hoje em dia tem sido fazer com que a Alícia pare de tirar os braços de trás do cinto de segurança da cadeirinha do carro. Não são poucas as vezes que preciso me virar do banco da frente (quando o meu marido está dirigindo) ou então encostar o carro (quando eu sou a motorista) para encaixar os braços dela de volta. E aqui faço uma confissão: como cansa educar! A vontade que dá quando qualquer uma das duas desobedece (mas principalmente a Alícia neste início de toddlerhood) é fingir que não vi e deixar passar. Mas, como mamãe pro-ativa que quero ser, sei que é necessário força de vontade e uma boa dose de determinação. Ah, e sim, muita paciência! E eu me esforço, viu, porque acho melhor educar agora do que reeducar lá na frente. Afinal, pagar a prazo é sempre mais caro do que à vista por causa dos juros e da correção monetária, vocês não acham? Só que, nesse caso, pra pagar à vista tem de ter determinação, porque a criança vai testar os limites para descobrir o valor de suas palavras e direcionamentos.

Interessante pensar também na minha tendência de pensar que antes (com a Nicole) foi mais fácil do que hoje (com a Alícia). Um dia desses comentei a esse respeito com o meu marido, "Nossa, eu não lembro da Nicole insistir tanto em tirar os braços de trás do cinto" ao que ele me respondeu: "Eu lembro muito bem, era igualzinho!". Haha, vai ver esquecer é mais um daqueles mecanismos da nossa mente materna que visa não desistirmos de desejar aumentar a nossa prole (como é o causo da dor do parto)!

Outra dificuldade que tenho encontrado é em limitar as liberdades da Alícia em vista de sua idade e maturidade atual (conceito de "criar dentro do funil"). Tem sido difícil conciliar isso com uma criança mais velha na casa. Um exemplo é que às vezes me sinto "obrigada" a deixar a Alícia comer certas coisas (como balas e pirulitos) que eu não teria deixado a Nicole se estivesse na mesma idade. Li recentemente que isso não é legal e concordo. É uma área que eu preciso trabalhar para não criar problemas lá na frente.

Bem, por hoje é só. Espero voltar para contar novidades da Nicole em breve.

Um abraço, Talita

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

1 ano e 2 meses de Alícia!

Hoje vim falar um pouco sobre os últimos 2 meses da Alícia. Tenho algumas novidades! A primeira é que no mês de julho passamos quase 3 semanas em outra cidade - na casa da minha sogra - porque a nossa casa estava em reforma. Mas, ao retornar para S. Paulo no fim do mês porque as aulas da Nicole recomeçaram, tivemos de passar praticamente mais 1 semana fora - desta vez na minha mãe que mora aqui perto - porque a pintura interna ainda não estava terminada. A segunda novidade é que no mês passado tomei a decisão de parar de trabalhar fora (empresa familiar) e voltar a estudar. Agora passo o dia administrando a minha própria casa (cuidando mais de perto da família) e, à noite, vou para a faculdade. Por esses motivos, os dois últimos meses foram bem diferentes um do outro: o primeiro mês foi em ritmo de férias e flexibilidade na rotina e o segundo foi (e ainda está sendo) de adaptação a uma rotina completamente nova!


Vou descrever abaixo um pouquinho de como tem sido cada etapa da nova rotina com a Alícia.

Hora de Dormir
Não temos tido nenhum problema aqui, graças a Deus! A Alícia continua tirando duas boas sonecas durante o dia (exceto aos domingos e dias atípicos), de 1h30 min a 2h cada. E também dorme a noite inteira tranquilamente (das 19:00, ou antes, direto até 6:00 da manhã). No dia em que ela deu um grande salto em desenvolvimento e ficou toda eufórica praticando a sua recém desenvolvida habilidade (andar!), meu marido contou que a hora de dormir à noite ficou complicada (ela teve dificuldade de se acalmar e o sono ficou perturbado, como se ela estivesse tendo pesadelos). E daí lembramos que o mesmo aconteceu na época da Nicole, engraçado isso!

Uma observação sobre a soneca da tarde é que estou considerando colocar a Alícia e a Nicole para dormir em quartos separados neste horário. A duração da soneca da Alícia não ultrapassa 2h ainda e muitas vezes a Nicole precisa dormir mais (o total de 3 horas), então o que tem acontecido é que a Alícia acorda a irmã. Cheguei à esta conclusão esta semana quando deixei as meninas na casa da minha mãe para ir fazer um exame médico. Colocamos as meninas para dormir em quartos diferentes. Deixei as duas dormindo às 13:00 (ao sair). Quando voltei a Alícia estava acordada mas a Nicole ainda dormindo! E ela só foi levantar às 16:00 porque eu entrei para acordá-la. Achei estranho porque em casa as duas sempre acordavam juntas e foi aí que entendi o que estava acontecendo!

O que acho que vou fazer é deixar a Nicole no quarto das meninas mesmo e colocar a Alícia para dormir no meu quarto (não sei bem como fazer ainda) porque descobri nessas férias o quanto a Alícia está com dificuldade para se adaptar (ficar sozinha) a novos ambientes (me pegou totalmente de surpresa!), por isso ela precisa praticar e eu preciso ser pró-ativa quanto a dar esta oportunidade a ela. A Nicole é mais obediente e não tem problema para dormir em lugares novos, já a Alícia... ultimamente se eu não ficar ali do lado do berço com ela (posso ficar virada de costas para ela fazendo outra coisa, o importante é ela me ver) ela abre o maior berreiro! E como temos por princípio não fazer CIO (=cry it out) quando estamos fora de casa porque, afinal, ninguém tem a obrigação de ficar ouvindo choro de bebê a não ser os próprios pais, eu fico ali do lado dela lendo alguma coisa enquanto ela dorme (geralmente leva uns 10 minutos).

Hora de Comer
Apesar de não ter nenhum dentinho ainda (nem eu estou acreditando!!), a Alícia já come a comida que a família toda come. Tento cortar a carne em pedaços pequenos e ela manda tudo pra dentro com facilidade! Já faz muito tempo que ela perdeu o interesse por papas homogêneas, então eu estava deixando pedacinhos de legumes e folhas sem bater ou então misturava arroz e feijão aos legumes batidos que eu preparava em grande quantidade e congelava em potinhos. Ainda tenho papinhas assim no congelador, mas como ela geralmente queria o que estava no prato da irmã (rsrs), comecei a servir para ela exatamente a mesma comida que preparo para toda a família. E pra mim está uma beleza assim, muito mais fácil!

A Alícia tem grande interesse em aprender a comer sozinha mas, como é de se imaginar para a idade, não tem coordenação motora suficiente para isso ainda. Mas ela tenta! E faz a maior sujeira porque a colher vira antes da hora e cai tudo no chão (ou no "babador pelicano" - nome que inventamos para aquele babador de plástico que tem uma bolsa para reter os alimentos). Com o garfo ela até consegue, eu espeto a fruta ou pedacinho de legume e ela leva o garfo sozinha até a boca. Fica toda feliz! Um princípio que estou ensinando é que ela não pode brincar com a comida - os alimentos são para comer, não para brincar. Mas a tendência natural de toda criança, óbvio, é colocar a mão dentro do prato e espremer a comida para sentir as texturas, ou então bater o prato (ou virá-lo) sobre a bandeja para fazer barulho, enfim... rs. Ela também já aprendeu para que serve o guardanapo, hehe. Sabe limpar a boquinha, uma graça.

A minha maior dificuldade com a Alícia tem sido ser constante em exigir que ela use a linguagem de sinais para se comunicar (não só na hora de comer). Ela já sabe dizer "por favor" e "obrigada" (embora com frequência ainda se confunda e troque os sinais), mas prefere e insiste em usar outros meios inapropriados, como virar o rosto quando não quer mais ou resmungar exigindo algo. Isto me frustra - porque acho feio, claro, mas também porque a Nicole pegou o jeito rápido e gostava de usar os sinais para se comunicar (talvez por causa da chuva de elogios que recebia que funcionavam como reforço positivo). Tenho tentado entender porque está sendo diferente com a Alícia, e sei que além do temperamento dela ser outro (e ainda preciso aprender a conhecê-lo melhor!), é fruto também da minha pressa do dia-a-dia e, portanto, inconstância em não ceder à forma de comunicação que considero inaceitável. Meu objetivo com esse treinamento é ensiná-la desde cedo a submissão à minha autoridade e o respeito pelas pessoas.

É claro que há os dias em que ela está mais receptiva e disposta a colaborar, como neste vídeo (Lily practicing her sign language). Ah, e a Nicole também é uma ótima ajudante, ela observa como eu faço para ensinar a Alícia e me imita segurando o braço da irmã e repetindo o sinal pra ela como se fosse eu fazendo!

Hora de Brincar
Por incrível que pareça, a Hora de Brincar foi a minha área de maior desafio com a Alícia nas últimas semanas! Já com a Nicole nesta idade meu desafio maior era a Hora de Comer, leia aqui: Alimentação a partir dos 12 meses - Aprendendo com os erros! Por ser a segunda filha e ter companhia para brincar quase que 100% do tempo em que está acordada (o que foi intensificado nessas férias!), acho que a Alícia desenvolveu uma espécie de "ansiedade de separação". Eu conheci esse termo lendo um dos livros da Tracy Hogg (A Encantadora de Bebês) alguns anos atrás e confesso que fiquei arrasada por ter falhado e deixado minha filha chegar nesse ponto. Justo eu que li e leio tanto, que procuro seguir uma rotina bem estruturada e ser uma mamãe pró-ativa?! Haha, pois é - apesar dos meus melhores esforços, às vezes eu não sigo meus próprios conselhos, rs. Mas isto acontece nas melhores famílias!!

A minha dificuldade é semelhante a que a Cristine compartilhou recentemente quando falou da importância de ensinar o filho - principalmente o segundo - a brincar sozinho (A importância de ensinar a brincar sozinho e Update - Ensinando o bebê a brincar sozinho). No nosso caso, acho que tantos dias fora de casa no último mês pioraram as coisas e daí, ao voltar, me deparei com uma criança que só queria colo, chorava quando eu saía do ambiente, enfim, não queria brincar ou ficar sozinha de jeito nenhum! Com muito esforço (aturando choro e estabelecendo novamente os horários), consegui reverter o quadro, ufa!

No processo tive dúvida se poderia ou deveria estar tentando algo diferente (além do que eu já estava fazendo) porque a gente sempre fica com receio do que os outros (os vizinhos, né!) vão pensar ao ouvir seu filho chorar alto direto por meia hora! De verdade, não estou exagerando: o primeiro dia foi duro! Ela passou o tempo todo do "Independent Playtime" chorando (quando deu os 30 min que eu estabeleci para este momento, eu entrei lá pra buscá-la), mas no segundo dia ela chorou apenas 10 min e brincou os outros 20 min (eu espiava de vez em quando pela janela). O terceiro dia já foi "quase" um sucesso, pois geralmente é eu colocá-la no cercadinho pra ela já começar a espernear (beeem brava e desesperada mesmo), mas neste dia não! Eu a coloquei sentadinha e ela ficou me olhando e chupando o dedo, a Nicky e eu demos tchauzinho pra ela e saímos fechando a porta do quarto. Ela não deu um pio, acredita?! Eu dei até pulinhos de alegria neste dia, rs. Depois que a Nicole foi pra escola e eu lavei a louça do café, espiei pela janela e ela estava brincando com o brinquedinho "na boa". Ameeei respirando aliviada! Passados quase 30 minutos, ela começou a dar gritinhos me chamando. Resisti à tentação de entrar (esperando dar o tempo) e alguns minutinhos depois entrei. Ela já tinha cansado de brincar (porque não desenvolveu esta capacidade de concentração como a Nicole que ficava 1 hora brincando 2x por dia!!) e tinha jogado quase tudo pra fora do cercadinho, hehe. Mesmo assim fiquei feliz e elogiei-a BASTANTE dizendo como eu estava orgulhosa que ela tinha ficado lá sem chorar!!

Bastaram alguns dias de estresse e muuuito chororô pra ela entender que a mamãe não cede - hora de brincar é hora de brincar e pronto. É assim que vai ser e ela PRECISA se acostumar (para o próprio bem dela). Não quero que ela aprenda que é só berrar muito para conseguir o que quer. Existe uma rotina que ela precisa aprender (hora certa para as coisas) e também há a forma apropriada de se expressar (linguagem de sinais) para ela não ter de ir por esse caminho do choro, da birra (chantagem) ou de manipulação para conseguir o que quer. Esses são hábitos que se desenvolvem na infância, quando as crianças ainda são bem pequenas! Algumas pessoas me acham radical ou podem pensar que seja falta de afeto da minha parte, mas posso garantir que não é! Eu sei o quanto eu amo minhas filhas e só faço o que faço porque penso não somente no que é melhor para elas hoje, mas também para TODA A FAMÍLIA no longo-prazo!!

Por fim, estamos perserverando nesta prática diária do "Independent Playtime". Estou aos poucos aumentando o tempo, já chegamos a 45 minutos que ela consegue brincar bem sozinha. E também estou tentando variar os locais onde coloco o cercadinho - às vezes, no quarto dela, às vezes na sala e às vezes no quintal para ela aproveitar e tomar um solzinho. Ela ainda reluta um pouco (pra ver se consegue que eu mude de ideia e porque não gosta de mudanças), mas eu fico firme. Também estou voltando a treinar com ela o "Blanket Time" (hora do tapete) e ela já entende muito bem o que tem de fazer, mas fica testando os limites para ver como reajo, rs. Acho incrível que nesta idade eles já sejam capazes disto!

Transições de Desenvolvimento e Mudanças na Rotina
- Descartamos a mamadeira poucos dias depois dela completar 1 ano e agora, como a irmã, ela toma leite no copão de transição. A transição foi super simples! Na primeira ou segunda vez, se não me falha a memória, ela "fez que não queria" e não bebeu tudo. Se não me engano, eu acho que até voltei para a mamadeira numa das primeiras tentativas porque ela parecia irritada, apesar disso eu procurava oferecer o leite sempre no copo primeiro. Até que ela aceitou e acostumou, sem maiores dificuldades.

- Vez ou outra, o Douglas ou eu colocamos a Alícia para sentar no vaso sanitário para ela ir acostumando com a sensação de fazer xixi/cocô lá. Como sabemos que ela normalmente faz cocô durante ou logo após o café da manhã, foi facil orquestrar "coincidências" e ela já fez cocô no vaso algumas vezes. Claro que fazemos a maior festa e aplaudimos muito todas as vezes. E estamos, de fato, felizes pois sabemos que este é o início do treinamento rumo ao desfraldamento! Numa outra oportunidade conto mais.

- Com a volta às aulas da Nicole, mudei o horário de almoço da Alícia para 12:00/12:15. Nas férias foi o contrário, era a Nicole quem almoçava no horário de costume da Alícia, às 10:00/10:15 (bem cedo!) já que ela não fazia o lanchinho às 9:00/9:15 como faz quando vai para a escola. Resolvi inverter porque acho importante que as duas almocem juntas, quero estabelecer uma tradição de bons momentos à mesa (ou no caso delas, no cadeirão!) durante as refeições. Outro fator é que a Alícia ama comer e o que estava acontecendo é que ela queria almoçar duas vezes porque ficava com vontade ao ver a Nicole comendo.

- No último post contei que estava dando leite em pó especial para a idade da Alícia (aquele com prebio1) para não correr o risco dela ficar com o intestino preso. Porém, mudei de ideia porque vida com duas filhas é muito corrida, rs. Então preferi optar pela praticidade: as duas tomam o mesmo leite que a família toda toma! Estava ficando complexo demais preparar leites diferentes toda vez e agora está muito melhor! Não houve problemas dela ficar com intestino preso, pois procuro dar a ela uma alimentação saudável.

- Uma curiosidade que gostaria de acrescentar neste item sobre as transições é que, apesar de nenhum dentinho ter despontado ainda, a Alícia ama escovar "os dentes" (leia-se gengivas!) no banho como a irmã faz. Tanto que dispensamos o uso do daquele dedal pra escovar gengiva e demos uma escova só pra ela, rs.

Mobilidade e Desenvolvimento Emocional
Por último, quero falar sobre mobilidade. Engraçado como a gente estimula "menos" (ou seria melhor dizer de forma diferente?) o segundo filho. Estou sentindo muito isso com a Alícia e muitas vezes me sinto culpada porque lembro como foi com a Nicole (um exagero, confesso!). Com a primeira filha eu estimulei e treinei exaustivamente uma infinidade de habilidades, dentre elas andar. Me deliciava com absolutamente tudo, cada novo aprendizado por mais bobo que fosse. E, por um lado, foi bom porque ela foi aprendendo tudo muito rápido (e, com isso, ganhando confiança também). A Alícia está indo mais no ritmo dela, inclusive no que diz respeito a andar e sentir confiança em fazê-lo.

Hoje ela já anda bem (para frente apenas, ainda não sabe virar / fazer curva), mas no começo ela sentia muita insegurança e resistia quando tentávamos "puxá-la" a fazer mais. Como todo bebê nesta fase, é claro, ela ficava eufórica quando alguém a pegava pela mão para ela caminhar, mas ai de quem a soltasse ou tentasse estimulá-la para que ela se equilibrasse sozinha! Ela não queria saber:  flexionava os joelhos e ia para o chão direto para engatinhar, ou então ficava brava mesmo e começava a chorar. Isto apesar de já ter provado que sabia andar (já ficava em pé e dava uns 10 passos sem apoio!); eu dizia que capacidade física para andar ela já tinha desenvolvido, agora faltava apenas a capacidade emocional, hehe.

Bem, por hoje é isso. Vou encerrar este post com um vídeo da Alícia se aventurando a andar sozinha e espero poder voltar em breve para contar mais sobre a rotina e o desenvolvimento dela!