Bem-vinda!!

Bem-vinda ao nosso blog!
Aqui, mamães muito diferentes mas com um único objetivo compartilham suas experiências nesta grande aventura que é a maternidade! Nós queremos, acima de tudo, ser mamães sábias, que edificam seus lares e vivem com toda plenitude o privilégio de sermos mães! Usamos muitos dos princípios ensinados pelo Nana Nenê - Gary Ezzo, assim como outros livros. Nosso objetivo é compartilhar o que aprendemos a fim de facilitar a vida das mamães! Fomos realmente abençoadas com livros (e cursos) e queremos passar isso para frente!


"Com sabedoria se constroi a casa, e com discernimento se consolida.
Pelo conhecimento os seus cômodos se enchem do que é precioso e agradável"
Prov. 24:4,5
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quarta-feira, 3 de abril de 2013

Vida sem empregada. E agora?

Como é de conhecimento geral, agora os empregados domésticos passaram a ter os mesmos direitos que haviam sido assegurados aos demais trabalhadores na Constituição de 1988. Justo ou injusto? Sinceramente, não vou nem discutir porque há argumentos para todos os lados e se trata de uma batalha inútil. 

O fato é: ter uma empregada doméstica, algo tão comum no Brasil, ficou mais caro. E não sou otimista: a tendência é piorar, porque o salário mínimo subiu consideravelmente nos últimos anos e seguirá subindo. Assim, daqui um tempo uma família de classe média realmente não terá mais essa ajuda providencial. A solução, em um primeiro momento, será recorrer a diaristas, mas para um segundo momento, acredito que essas profissionais também reajustarão seus valores. 

Concluo que logo seremos como os Estados Unidos. Ajuda com a casa será coisa de rico.

Vocês leitoras devem se perguntar o que esse assunto tem a ver com blog de maternidade. Minha resposta? Tudo.

Minha avó tinha empregada. Minha mãe tinha empregada. Nenhuma das duas nunca considerou que eu não teria uma. Fui criada sem aprender a fazer coisas básicas como lavar uma roupa bem lavada, passar direitinho ou fazer comida. Essa nunca foi uma preocupação dos meus pais, porque sempre consideraram que eu teria ajuda, ainda que de uma diarista.

E isso não aconteceu só comigo. Praticamente TODAS as minhas amigas foram criadas do mesmo jeito. É extremamente raro encontrar alguém da classe média com filhos sem ajuda de, ao menos, uma diarista. Acho que esse é o caso de boa parte de nossas leitoras.

Mas agora ficou evidente que a perspectiva para o futuro é outra. Vejam, não queria entrar nesse mérito, mas acho que não vai ter jeito: essa emenda constitucional só fez “cair a ficha”. Já estava bem evidente que essa mudança de paradigma aconteceria. Hoje, faxineiras ganham bem, conseguem estudar seus filhos e não os criam para serem faxineiros no futuro. O mesmo vale para empregadas. Alguém duvida que faltaria mão de obra no futuro, se é que já não falta nos dias de hoje? E qual é a lei básica de mercado? Se a oferta é menor que a procura, o preço sobe. 

Cá estou eu educando minha filha de três anos e meu filho bebê e percebo que tenho que fazer algo inédito até para mim: ensiná-los a cuidar da casa. Ensinar e exigir que participem das tarefas de casa, principalmente agora, não é só algo sobre disciplina. Eles vão precisar disso mais para frente, quando contratar uma empregada não for mais uma opção! Sim, leiam bem: tenho plena convicção que dificilmente todos terão empregados ou até diaristas daqui uns 20 anos

Como mãe pró-ativa, preciso me adequar a essa nova perspectiva e me esforçar para ensinar “as prendas” aos meus filhos, tanto quanto exigir um bom aproveitamento escola (tudo bem que a Gi ainda não tá nessa fase, mas entenderam, né?). Isso começa desde cedo. O Vini precisa me ver guardando seus brinquedos. A Gi terá tarefas, ainda que simples, como guardar os copos, panelas e enxugar a louça não perigosa. 

Aos poucos, meus filhos aprenderão e serão responsáveis por coisas diferenças. Eu não serei a única beneficiada quando cada um fizer sua tarefa... eles colherão os melhores frutos: saberão cuidar da casa e já estarão disciplinados e acostumados a desempenhar as tarefas. 

Caiu a ficha?

terça-feira, 2 de abril de 2013

Brasileira que mora nos EUA conta como é a sua rotina diária em casa.

Em resposta ao post Educação domiciliar e a busca por uma "rotina ideal" publicado aqui no blog na semana passada, uma amiga que atualmente mora em Oklahoma, me enviou uma mensagem contando como é a sua rotina doméstica nos EUA. A Mariela é uma pessoa que eu conheço "desde sempre" porque estudamos a vida toda no mesmo colégio e também congregamos na mesma igreja boa parte de nossas vidas. Aos 18 anos, depois de terminar o ensino médio aqui no Brasil, ela foi para os EUA fazer faculdade de Enfermagem. Lá ela conheceu o marido, Garrett, com quem se casou em 2010 e, um ano depois, nasceu a Natalie (hoje com 18 meses), a primeira filha do casal. Atualmente, a Mariela está grávida de novo, com 27 semanas, esperando o segundo bebê, um menininho. Conversamos um pouco pela internet e ela consentiu que eu escrevesse este post contando alguns detalhes da vida dela, na intenção de que a forma como ela estrutura seu dia-a-dia, conciliando os cuidados da casa, o tempo com o marido, com a filha, o cansaço da gestação e ainda um trabalho fora de casa, sirva de inspiração e ajude mamães com ideias de como se organizarem em suas próprias casas!

Descrição da rotina diária da Família Barbosa Hamm
7:00 - Acordamos, tomamos café, nos trocamos, fazemos devocional em família, etc.
8:00 - Meu marido sai para trabalhar e a Natalie e eu vamos para a academia.

Na academia, a Natalie fica com as babás do "nursery", onde ela fica brincando com crianças da mesma idade. Eu consigo ver o que ela está fazendo enquanto estou na esteira, pois são paredes de vidro.

9:15 - Chegamos em casa, tomamos banho e comemos um lanche.
10:00 ou 10:30 (depende do dia) - Atividades especiais fora de casa.

A minha cidade oferece uma série de programações para crianças de várias idades.

Segunda-feira: Dia de biblioteca - um período de leitura e atividades relacionadas à leitura, direcionado a crianças de 12 a 24 meses, que acontece na biblioteca da cidade.
Terça-feira: Dia de ginástica, especial para as mães interagirem com os filhos.
Quarta-feira: Dia de "play date"(com 2 ou 3 amiguinhas) no "Leonardo's", um centro recreativo indoor que oferece atividades variadas (ex. cozinha de brincar, consultório médico, pintura, etc.)
Quinta-feira: Dia de dança "Wee Move With Mommy", para mães e bebês se mexerem e desenvolverem sua musicalidade.
Sexta-feira: "Mom's day out" - um dia na semana para a mãe ficar fora. É um programa cristão que funciona das 9:00 às 15:00. A Natalie começará nele quando voltarmos para casa (porque no momento estamos no Brasil visitando a minha família). Ela ficará numa classe com crianças da mesma idade, terá um currículo bíblico, com várias atividades, inclusive hora da soneca. Esse será o dia que terei para adiantar tudo! Fazer compras, faxina, lavar roupa, manicure, cabelo, etc. seja o que for que precisa ser feito.

11:00-11:30 - Chegamos em casa e meu marido também vem para casa para almoçarmos em família.
12:30 - Eu e a Natalie tiramos a nossa soneca da tarde (antes eu não tirava, mas agora grávida... ai, como eu canso!). Eu só durmo 1 hora e meia, mas a Natalie dorme até 15:00-15:30.
15:00 - Hora do lanche.
15:30 - Hora de dar toda a minha atenção à Natalie - e hora de aprendizado. Por meia hora lemos livros, aprendemos "shapes", "colors", etc. e, por meia hora, brinco com ela de mercado, de boneca, etc.
16:30 - Hora das tarefas de casa.

Para dar conta de tudo, eu divido uma tarefa grande por dia. Por exemplo, se segunda-feira eu lavar os banheiros, então na terça-feira eu aspiro e passo pano na casa, na quarta-feira eu lavo roupa (na verdade, são 2 dias designados para as roupas!) e assim por diante. Isso além das tarefas diárias de ajuntar os brinquedos, esvaziar a lava-louças e etc.. Enquanto faço essas tarefas, a Natalie me "ajuda" - dou um paninho e ela finge que tira pó ou esfrega a parede. Quando estou dobrando as roupas, ela quer fazer igual, entre outras coisas.

17:30 - Preparo o jantar e dou janta para a Natalie. Enquanto preparo a janta, ela assiste a um desenho (como, por exemplo, "Veggie Tales"). Ela janta mais cedo, pois meu marido só chega em casa às 18:30 e aí fica muito tarde para ela jantar.

18:30 - Meu marido chega em casa e prepara a Natalie para dormir (troca, faz uma leitura, ora e coloca ela no berço). Aí sim, ufa... hora de relaxar, jantar, conversar e curtir o maridão! Ah, e uma vez a cada duas semanas, em uma das noites, minha sogra vem e fica em casa para podermos ter um "date night". = )

Bom, mas tudo isso para falar que tempo para cozinhar é muito difícil quando o nosso dia é tão agitado. E realmente é difícil ficar na cozinha cozinhando por uma hora com criança pequena. Por isso, eu pesquisei muito em vários sites e blogs, e no pinterest, e organizei um esquema de "meal planning" para a nossa família, onde já preparo várias refeições e congelo para a semana. Ou escolho receitas em que posso deixar a carne e todos os legumes em um "slow cooker" por 8 horas e na hora da janta já está prontinho!

Esse negócio de "meal planning" requer bastante preparação de antemão, mas vale muito a pena no dia-a-dia! Eu costumava me estressar muito com comida porque nunca sabia o que ia fazer, e aí não tinha certos ingredientes em casa quando queria fazer alguma coisa. Geralmente escolho um dos dias da semana à noite ou de domingo à tarde para preparar as refeições, quando meu marido está em casa porque com ele vai rapidinho. Coloco cada refeição em um "zip-lock bag" grande e congelo. E escrevo com canetinha permanente qual refeição está em cada plástico.

Repito aqui o comentário que escrevi naquele post da Talita. Não tenho empregada doméstica e posso dizer que é sim possível dar conta de tudo e de manter um lar limpinho e organizado quando nos programamos e nos planejamos para isso. No momento, eu ainda trabalho "part-time-per diem", o que significa que eu faço alguns plantões no hospital, mas só quando eu quero (a condição é que eu trabalhe pelo menos dois dias por mês). Dessa maneira, consegui conciliar ser mamãe em tempo integral e também ganhar experiência profissional. Mas quando meu segundo filho nascer, vou parar de trabalhar fora por um tempo. Agora que a Natalie está começando a ter mais e mais atividades durante o dia, tenho trabalhado menos dias fora.

O estabelecimento de uma rotina diária tem sido uma bênção para o bem-estar da nossa família, pois é como a Talita disse: a rotina é só um guia para organizar os nossos dias e conseguirmos ser produtivos, fazendo atividades com conteúdo e aprendizado. Planejamos a rotina, mas também nos adaptamos às circunstâncias e acontecimentos do dia-a-dia. E agora, com um bebezinho chegando, terei de realmente replanejar essa rotina!

É isso, espero ter compartilhado algumas dicas boas!

Mariela Barbosa Hamm

quarta-feira, 27 de março de 2013

Educação domiciliar e a busca por uma "rotina ideal".

Nessa busca por uma "rotina ideal" para o nosso lar, que vem sendo alterada e aperfeiçoada com frequência, me deparo, na prática, com aquilo que eu evidentemente já conhecia na teoria (e que todas nós sabemos!): planejamento e flexibilidade andam juntos. Não dá para optar por um ou por outro, tem de ter os dois no balanço, precisa do equilíbrio. E esse conceito, tenho percebido, também é muito pertinente para a educação domiciliar.

Afinal, como anda a nossa rotina aqui em casa?

Bem, em janeiro idealizamos um plano (leia aqui), em fevereiro achamos por bem realizar algumas modificações na estrutura do nosso dia (veja figura ao lado) e agora, já em meados de março, estamos vendo que um novo plano haverá de ser elaborado por causa de mudanças em nossa vida e, claro, porque também somos novos nisso e ainda estamos aprendendo o que significa "educar em casa".

A principal mudança na nossa vida doméstica é que a pessoa que vinha uma vez por semana me ajudar com a roupa e com a limpeza da casa descobriu que estava grávida de 7 meses. Ficamos muito felizes por ela, mas também um pouco desorientados com a notícia (além de chocados porque ninguém - nem ela - desconfiou dessa gestação!). Agora preciso aprender não somente a lavar e a passar, mas também a dar um jeito de incluir essas atividades no meu dia-a-dia que, por sinal, já é bem cheio. Confesso que estou apreensiva quanto à minha capacidade de "dar conta".

Mas Deus é BOM! Eu amo o fato de Deus ser didático e, além disso, sei que Ele nunca permite em nossa vida dificuldades ou obstáculos maiores do que podemos suportar ou transpor.

Em retrospectiva, vejo a mão dEle nos preparando para cada mudança. Acompanhe a minha história.

Em agosto do ano passado, parei de trabalhar fora para ficar em casa com as meninas durante o dia e para retomar as aulas na faculdade à noite. Durante todo aquele semestre, a Nicole ainda frequentava a escola pela manhã e foi justamente o tempo que eu precisei para, aos poucos, ir aprendendo a cozinhar e a ganhar prática em fazê-lo (algo que eu quase não fazia antes já que eu, mesmo depois de casada, sempre tive quem cozinhasse pra mim). Hoje tenho prazer em cozinhar para a minha família, mas antes era algo que eu não gostava nem um pouco de fazer - que já era de se esperar já que dificilmente iremos gostar daquilo que não dominamos ou, pelo menos, não conhecemos o suficiente para termos alguma confiança em nós mesmos. Claro, não sou nenhuma expert na cozinha e nem sei cozinhar para muita gente, mas me empenho o suficiente para que as minhas comidas fiquem gostosas (embora simples) e acho que o fato do meu marido me elogiar bastante (principalmente as minhas saladas com frutas que todos aqui em casa gostamos muito), me dá ousadia de experimentar e, de vez em quando, até de inventar pratos diferentes. Não ter um grande repertório de receitas também não é problema, a internet é a minha grande aliada, rs - viva à tecnologia!

Do fim do ano passado para cá, uma nova mudança em nossa vida: dessa vez, tivemos de, como família, aprender e nos habituar a manter a limpeza da casa durante a semana já que, por motivos financeiros (porque parei de trabalhar fora), a pessoa que nos ajudava com os serviços domésticos passou a vir apenas de sábado para fazer a faxina e para cuidar da roupa (antes ela vinha 3x). E isso com a novidade também de que agora as duas crianças ficavam o dia todo comigo em casa. Isso já foi um tremendo desafio pra mim.

Imaginar que, em meio ao tempo que eu ficava na cozinha para preparar as refeições (e depois para limpar toda a bagunça: tirar o lixo, varrer e passar pano no chão, lavar a louça, guardá-la, etc) e também brincando e ensinando as meninas (nossa atividade de homeschooling pela manhã), eu ainda teria de encontrar alguma horinha durante o dia para dar conta de ler os textos da faculdade. E, no fim do dia, quando minha bateria já estivesse quase toda esgotada, lá iria eu pegar o trem para ir assistir aula na faculdade - quatro noites por semana! Um expediente rigoroso de três turnos, não só para mim, mas também para o maridão que assumiria o "turno noturno" da casa (leia-se: lavar toda a louça da janta, colocar as meninas pra dormir e depois ainda pegá-las dormindo, colocá-las no carro pra ir me buscar na faculdade bem tarde da noite - 40 min para ir e 40 min para voltar!). Quase não sobraria tempo para ele descansar também.

Pois eis que de duas semanas para cá, há uma nova tarefa a ser incorporada: aprender a lavar e passar roupa! Ouço com frequência que lavar é moleza, afinal eu tenho máquina e não tem segredo. Eu até acredito, mas como nunca a fiz regularmente (de verdade, admito!) me dá um friozinho na barriga de imaginar como vai ser. Em primeiro lugar, estou ciente de que vou precisar me ORGANIZAR melhor (tem muitos blogs que ajudam e já estou começando a lê-los, além de pedir dicas a amigas que ficam em casa para saber como elas fazem tudo). Também preciso começar a aceitar o fato de que não vou mais ter o privilégio de ver minha casa toda limpinha e organizada no mesmo dia. Recentemente alguém compartilhou no Facebook um texto engraçado com o título "Dez Mandamentos da Maternidade". O 1º. mandamento dizia: "Renunciarás a uma casa limpa". E é bem isso que estou tendo de fazer ultimamente, rs. Vou aprender a me contentar com os banheiros limpos num dia, a roupa lavada no outro (passada então, só muitos dias depois!), os brinquedos organizados no outro, e assim sucessivamente. Mas tudo limpo e organizado no mesmo dia, acho bem difícil daqui pra frente. Em vez de me matar por um ideal que por ora é inatingível, vou aprender a aceitar, com alegria, minha nova realidade.

A maior bênção disso tudo é o meu esposo. Não conseguiria fazer nada disso sem o apoio dele. Ele é do tipo que arregaça as mangas e faz junto, sabe? Não coloca todo o peso sobre os meus ombros. Não tem esse negócio de que ele "trabalha fora" e eu "dentro", ou seja, ele não fica esperando tudo de mão beijada em casa só porque ele é o provedor financeiro da nossa família atualmente e eu fico em casa o dia inteiro. É claro que ele fica feliz quando eu faço as coisas dentro de casa, principalmente para ele (como passar suas camisas), mas não é dependente disso. Ele sabe se virar até melhor do que eu porque já tinha morado sozinho antes de nos casarmos e isso o ajudou bastante. Não me sinto cobrada por ele. Aliás, ele me surpreendeu um dia dizendo que ficava feliz quando chegava em casa e encontrava a garagem revirada de brinquedos porque era sinal de que as meninas haviam se divertido muito ali aquele dia. E eu pensando que o objetivo era deixar tudo guardadinho e organizado para ele não encontrar uma casa caótica, hehe. : )

De qualquer forma, preciso preparar uma nova agenda de atividades para o nosso lar (confesso que não sei quando vou conseguir arrumar tempo para isso!) e, dessa vez, gostaria de aplicar o princípio dos Moores para o homeschooling: estudo, trabalho e serviço. Leia este post para entender um pouco sobre a filosofia de educação domiciliar sobre o qual eles escreveram. Além de incluir à nossa rotina o trabalho da casa (serviços domésticos), dividido em partes para cada dia da semana, e permitir que as meninas participem dele (na medida do possível, de acordo com a idade de cada uma, claro), também quero pensar em formas de serviço à comunidade a nossa volta que minhas filhas e eu podemos gostar de nos envolver, para abençoar o próximo. Esta é uma visão bastante interessante de formação do cidadão (e do cristão) e acho que seremos grandemente abençoadas se isto fizer parte de nossas atividades regulares.

Como vou fazer tudo isso? Bem, isso eu ainda não sei. Mas aceito dicas e sugestões! O que está mais latente para mim no momento é a constatação de que eu vivi a minha vida toda num HOTEL e não sabia, rs. Alguém mais aí? Desde pequena passava quase o dia todo na escola, chegava em casa pra tomar banho, jantar, fazer lição de casa e dormir. Eu sujava as roupas, mas bastava colocá-las no "cesto mágico" e, dentro de poucos dias, elas apareciam limpinhas e cheirosas na minha gaveta novamente. Comida fresca e quentinha também sempre tinha à mesa, em todas as refeições, e eu nem sabia de onde elas vinham e o tempo e o trabalho que dava prepará-las. Sucos? Sempre tinha natural. Nada desse negócio de pozinho. O lençol da minha cama estava sempre esticado apesar de eu sair de manhã e deixá-lo todo embolado. O meu trabalho e obrigação, enfim, eram estudar e ser boa aluna. Tirar boas notas. Apenas isto era cobrado de mim porque, afinal, eu estudava num colégio caro e precisava fazer valer este investimento dos meus pais. Mesmo tendo começado a trabalhar cedo (aos 16), o trabalho era fora, no escritório, não em casa.

Assim, além de manter a organização de meu armário e prateleiras (algo que nem precisava mandar eu fazer), raras vezes precisei ajudar nos serviços domésticos. No domingo, às vezes, minha mãe nos fazia arrumar a própria cama ou distribuía tarefas para agilizar o almoço, uma vez ou outra até falou para meu irmão e eu lavarmos o banheiro. Ela tinha essa noção de que precisávamos aprender, mas as oportunidades não foram tantas a ponto de eu poder dizer que aprendi e, por isso talvez, hoje eu me sinta um tanto incapaz para desenvolver essas tarefas. O resumo da ópera é que meus pais (com todo o amor e entendimento que tiveram na época) tentaram nos poupar e com isso tive uma formação "deficiente" nesse sentido. Mesmo depois de casada, quando eu não tinha condições $$ de pagar alguém para trabalhar para mim, eu mandava roupa suja para a empregada da minha mãe lavar e passar (isto apesar de eu ter máquina em casa!).

Mas, agora que fui "pega com as calças curtas", estou aprendendo a VALORIZAR esse serviço!! Como a Beth conseguia faxinar toda a casa, cozinhar, lavar e passar tudo em um único dia de trabalho está além da minha compreensão, rsrs. Me perguntaram se eu vou querer contratar outra diarista para fazer o que ela fazia. Minha resposta, pelo menos por agora, é não. Por quê? Primeiro pela questão financeira (vou guardar esse dinheiro para outras coisas) e segundo porque por muito tempo ouvi de minha mãe que eu tinha de aprender a fazer o serviço para poder falar como eu queria que fosse feito. Pois é, então se for para eu ter uma diarista de novo algum dia, então primeiro eu tenho de aprender a fazer o serviço!! E fazer bem feito, no capricho. Sabe que se tornou uma questão de honra pra mim? Eu preciso fazer isso por mim mesma, para eu me sentir capaz, para eu saber que consigo me virar sem uma empregada doméstica, que eu não sou incapaz de cuidar da minha própria casa. Eu não sou burra e nem inválida, tenho total condição de aprender. Basta eu querer e me empenhar. E também porque eu quero passar essa filosofia de autonomia para as minhas filhas, quero ajudar a desenvolver isso nelas. Quero que elas saibam se virar, não quero que elas fiquem dependentes de alguém sempre tendo de fazer tudo por eles, com essa sensação de incapacidade que eu estou sentindo. E, em terceiro lugar tem a questão cultural - e se no futuro nossas filhas quiserem morar em outro país? Nunca morei fora, mas já ouvi muito que em outros lugares não é essa mamata que temos aqui em SP, de ter alguém que faça tudo por nós (mão-de-obra barata que, por sinal, está deixando de ficar barata). Lá nos EUA, por exemplo, é muito comum as mulheres fazerem as próprias unhas, escovarem os próprios cabelos, fazerem a própria depilação, cortarem o cabelo dos filhos, limparem a própria casa e muitas, inclusive, ensinam os filhos em vez de enviá-los para a escola!! Os maridos também, até onde eu sei, costumam ser ativos e participativos - alguns constroem a própria casa, fazem mudanças quando preciso, constroem os armários da cozinha (ou outros móveis para a casa), pintam a casa... enfim, se metem a serviços de pedreiro, de marceneiro, de pintor e afins. E tudo isso sem deixar de estudar, fazer faculdade, se especializar, etc. Um conhecimento não precisa desprezar ou excluir o outro, eles se agregam!

Mas voltando a falar sobre o tema deste post, como vocês perceberam eu ainda não acertei a "rotina ideal" para o nosso homeschooling. Se você olhar para o meu plano de fevereiro (acima), vai ver que ele está lindo. Eu aparentemente pensei em todos os pormenores, me empenhei em preparar algo redondo, coeso. É sempre assim, não é? As teorias, no papel, costumam ser lindas. Eu preparo algo brilhante e "perfeito", mas quando chega a hora de aplicar o plano, bem... nem sempre sai como eu idealizei. No meu caso, posso dizer absolutamente o contrário: nesse último mês os meus dias quase nunca saíram como o idealizado no papel! Um verdadeiro fracasso, se você parar para pensar, rs. Mas tudo bem! Numa palestra a que assisti recentemente, cujo tema era gerenciamento do tempo, fui inspirada por um princípio que deve ser o norteador de nossas escolhas: pessoas, e não coisas, vêm em primeiro lugar. O termo "coisas" neste momento para mim significa o meu plano para a nossa rotina de atividades diárias. : )

E não posso nem botar a culpa na faculdade. Mesmo quando as minhas aulas ainda não tinham começado, foram raros dias que eu consegui seguir o plano das 2 horas de estudo, intercalado os momentos individuais e os momentos com as meninas juntas. Era coisa demais para eu preparar e, no fim, eu acabava improvisando com base no que acontecia. Por outro lado, tivemos experiências riquíssimas! De verdade. Vou dar dois exemplos.

Numa manhã estava eu "lendo" um livro de figuras para a Alícia e, numa das páginas, tinha a foto de uma menininha vestida de rainha, com coroa, manto e moedas simbolizando sua riqueza. A Nicole se interessou muito, começou a fazer perguntas sobre reis e rainhas e fizemos um projeto em cima disso. Peguei uma cartolina e criamos nossas próprias coroas, pintamos as pedras preciosas nelas com cola de diferentes cores e depois brincamos de usá-las.

Outro dia ela ficou falando de binóculos (que tem na mochila da Dora Aventureira) e aproveitei a curiosidade dela para fazer outra atividade artística! Juntei alguns rolos de papel higiênico, os encapamos com papel crepom (que era o que tínhamos em casa) e criamos dois binóculos e um monóculo. Depois procurei na internet fotos de binóculos e monóculos de verdade para ela poder comparar. Ela se divertiu brincando de tentar enxergar pelos binóculos e monóculo que havíamos criado.


Não estou me martirizando pelo "fracasso" da minha rotina idealizada, estou olhando pelo lado positivo, pelo lado "construtivista" de nossas atividades improvisadas e descobrindo que "homeschooling" tem muito mais a ver com VIVER A VIDA do que escolarização em si.

No mais, continuamos com os "play dates" quinzenais (uma amiga e suas duas filhas vêm à nossa casa pra passar o dia conosco no Sesc, uma bênção!). E mesmo quando elas não vêm, eu continuo fazendo o passeio ao ar livre só entre nós. Abaixo vejam algumas fotos de um passeio recente que fizemos sozinhas. : )



Está ficando cada vez mais claro para mim que, pelo menos enquanto as crianças forem pequenas e estiverem em casa, essa busca por uma "rotina ideal" se transformará, quase sempre, numa "rotina possível". A cada dia, semana e mês surgem novidades e desafios - novos ou diferentes - para serem superados. Apesar de racionalmente ter consciência desses pontos, confesso que emocionalmente ainda é uma luta!