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Aqui, mamães muito diferentes mas com um único objetivo compartilham suas experiências nesta grande aventura que é a maternidade! Nós queremos, acima de tudo, ser mamães sábias, que edificam seus lares e vivem com toda plenitude o privilégio de sermos mães! Usamos muitos dos princípios ensinados pelo Nana Nenê - Gary Ezzo, assim como outros livros. Nosso objetivo é compartilhar o que aprendemos a fim de facilitar a vida das mamães! Fomos realmente abençoadas com livros (e cursos) e queremos passar isso para frente!


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Pelo conhecimento os seus cômodos se enchem do que é precioso e agradável"
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segunda-feira, 9 de junho de 2014

A nossa vida no Québec - Os últimos 8 meses (Parte 2)

Os pontos abaixo são um resumo das minhas impressões sobre a vida no Québec até o momento. Vou dar mais detalhes sobre como eram as creches com as quais eu tive contato, descrever como foi o nosso 1o inverno aqui, falar sobre outras diferenças culturais / estruturais que tenho percebido, dentre outros.

Confira a parte 1 aqui.

Bilinguismo e Multiculturalismo
Em outros posts, já falei sobre como fizemos para garantir que, desde o Brasil, as meninas fossem expostas aos dois idiomas (inglês e português) para que pudessem ficar fluentes em ambos. Como a habilidade de se expressar num idioma está fortemente vinculada ao emocional e ao relacionamento que temos com as pessoas, viemos para o Canadá e, sem pensar muito sobre o assunto, continuamos o hábito de falar somente em inglês em casa com elas (apesar de sempre falarmos em português um com o outro). No fim do nosso terceiro mês aqui, mais ou menos, comecei a perceber e a me incomodar com o fato de que a Nicole resistia em falar português com os avós nas conversas pelo Skype. Ou seja, apenas ouvir o pai e a mãe conversarem em português um com o outro em casa não estava sendo suficiente para garantir a fluência dela. No Brasil dava certo porque praticamente toda a comunicação fora de casa (exceto igreja) era em português também. Óbvio, né?! Pois é, mas nós não nos atentamos para isso e não planejamos como seria a questão dos idiomas neste um ano fora.

Percebido o "problema", eu me esforcei para falar em português em casa com as duas (principalmente com a Nicole). Também comecei a colocar vídeos no Youtube para elas verem de vez em quando (basicamente Crianças Diante do Trono e Galinha Pintadinha) na intenção de que elas começassem a cantar as musiquinhas em português. É claro que elas entendiam tudo em português, mas na parte da comunicação, a Nicole resistiu durante algum tempo (acho que 2 ou 3 semanas) para me responder em português já que o inglês havia se tornado tão predominante na vida dela. Até a pronúncia dela no começo ficou engraçadinha e algumas conjugações saiam totalmente erradas mas, como disse, conseguimos reverter a situação em pouco tempo. Acho que a Nicole, de certa forma, sempre teve facilidade com idiomas e comunicação. Hoje ela fala novamente os dois idiomas sem dificuldade (claro que ela inventa palavras vez ou outra, mas quem nunca?! Eu também faço!) e, com a irmã, percebo que o idioma de preferência continua sendo o inglês, o que para mim não é problema algum.

Mas e a Alícia?! Bem, a Alícia está há um mês de completar 3 anos e, não sei se já comentei antes, mas fonética e comunicação nunca foram o forte dela. Para "ajudar", como ela é a segunda filha, eu sou muito menos disciplinada para falar um idioma só com ela e não me policio tanto para corrigi-la quando ela fala algo errado ou mistura os dois na mesma frase. Com a Nicole nesta idade, eu exigia que ela repetisse a frase toda de novo na forma certa antes de atender ao seu pedido. Apesar disso, eu percebo que a Alícia tem preferência por falar inglês (acho que porque estamos aqui), mas é muito comum ainda ela começar com "Eu" e falar todo o resto em inglês. Resultado: nem sempre as pessoas a entendem. Mas ela ainda é nova e eu já passei da fase de me preocupar. No começo eu mentalmente a comparava com a irmã e o que ela já sabia falar com x idade, e me "estressava"... até pensei em levá-la numa fono (quando estávamos no Brasil ainda) pra ver se ela tinha algum problema de dicção. Mas agora que vejo o quanto ela já progrediu e o quanto ainda está progredindo, fico em paz e sei que ela vai desabrochar no tempo dela! Tem uma historinha no material de homeschool das meninas - chamada Leo, The Late Bloomer (clique no link para ver crianças lendo a história) - que fala justamente disso. De tanto ler e ler a história para elas, acho que acabei internalizando a mensagem. :-)

Na Parte 1 deste post, eu mencionei que as meninas frequentaram uma creche francófona aqui no Québec. Elas não ficaram fluentes em francês porque foram apenas 3 meses em meio-período (e elas nunca iam todos os dias da semana), mas foi interessante vê-las incorporando o francês em algumas brincadeiras e atividades da casa. Até hoje, por exemplo, quando terminam de usar o banheiro, é comum elas nos avisarem dizendo J'ai fini (=terminei). Eu também já peguei a Nicole brincando de telefone em inglês e francês - ela perguntava algo em francês e fingia que a pessoa do outro lado não entendia, para então traduzir para o inglês. Apesar disso, nenhum de nós aqui precisa falar francês no dia-a-dia!! Praticamente nada. Meu marido é do tipo cara-de-pau e gosta de se arriscar pra aprender (certo ele, né?!), mas como Montreal é uma cidade bem bilíngue, eu raramente me aventuro a responder em francês para as pessoas na rua (medo de errar e também porque não sei mesmo). Os atendentes no comércio dizem "Bonjour" e "Hi" e é a resposta do cliente que determina em que idioma será o atendimento - então eu geralmente digo "Hi", rsrs.

É por este motivo que, apesar de estarmos numa província francófona e as placas, propagandas, embalagens dos produtos, cardápios e afins serem em francês, isto não é suficiente para deixar ninguém fluente (muito menos criança que ainda nem sabe ler!), ainda mais porque nós frequentamos uma igreja anglófona e temos muitos amigos que falam inglês (ou português). A única exceção, eu diria, é uma amiguinha das meninas, nossa vizinha, que também se chama Nicole. A família é da Ucrânia e imigrou para o Canadá havia um ano quando os conhecemos no parque (isso quando havíamos acabado de chegar também). Nem ela nem os pais falam inglês muito bem, mas como na época eu não sabia absolutamente nada de francês, eles foram super simpáticos e se esforçaram muito para se comunicar comigo em inglês. Imagine a cena bizarra: a cada duas palavras eles procurando alguma palavra em inglês no google, hehe.

O multiculturalismo e multilinguismo daqui de Montreal são gritantes. São tantas nacionalidades diferentes que fico boba! Vir pra cá mudou completamente a minha visão sobre o ser humano, abriu a minha mente. E a maioria das pessoas fala, no mínimo, 2 a 3 idiomas fluentemente. Tem noção?! Uma amiga brasileira que mora aqui há 12 anos, por exemplo, é casada com um egípcio. O casal conversa em inglês um com o outro, mas com o filho ela fala português e e ele árabe. O menino vai para uma garderie bilíngue onde está aprendendo a se comunicar em inglês e francês. Outro vizinho é canadense-francês (o típico gringo que imaginamos quando pensamos na América do Norte, que é uma raridade encontrar aqui, haha) e fala em inglês com a filha, mas a mãe da criança é espanhola (eles não moram juntos) e, pra completar, ela frequenta garderie francófona. Ou seja, mais um exemplo de criança sendo exposta a pelo menos 3 idiomas ao mesmo tempo. E por aí vai... as famílias aqui são um emaranhado de povos e línguas - é interessante pensar no que isso vai dar! E pensar que no Brasil tem especialista que teima que não é bom para a criança aprender inglês (uma 2a língua) muito nova... pura baboseira!

Outra curiosidade é que, diferente do que percebo entre nós, brasileiros que também somos uma mistura de muitas culturas, as pessoas daqui parecem se importar muito mais com as suas raízes. Pode ser que seja algo recente, não sei, mas é nítido que elas fazem questão de manter vivos não só a língua materna como também costumes do seu país de origem. Ao meu ver, isso não aconteceu quando o Brasil foi populado por imigrantes. Por exemplo, eu sou descendente de italianos e meus avós, que nasceram no Brasil (ambos filhos de italianos/franceses), sequer aprenderam a falar o idioma dos pais de origem. Tanto que eu sei muito pouco ou nada sobre o que é ser italiana, e me considero 100% brasileira. Mas aqui não, as pessoas aprendem o idioma local (no caso, o francês, que é uma obrigatoriedade para poder imigrar, só não sei se também no caso de refugiados), mas em casa continuam falando o idioma materno, e o ensinam a seus filhos. Na rua, nos ônibus, em restaurantes é muito comum ouvir uma mistura louca de idiomas. A cultura árabe/muçulmana é facilmente identificada por aquele pano que as mulheres colocam sobre a cabeça (desculpem-me a ignorância, mas não lembro o nome!), e isso mesmo na 2a geração de imigrantes (aquelas que nasceram e viveram aqui a vida toda e ainda assim se esforçam para manter suas tradições familiares do país de origem). Isto também se reflete nos tipos de restaurantes que você encontra pela cidade, tem para todos os gostos - comida indiana, árabe, tailandesa, chinesa, japonesa, libanesa, etc. - a variedade é imensa. E por isso quando chegamos foi tão difícil descobrir quais eram os costumes ou comidas quebequenses (ou canadenses).

Por falar em cultura canadense, em três ocasiões diferentes tivemos o privilégio de ser convidados para comer na casa de famílias canadenses (que moraram aqui a vida toda). E em todas elas eu reparei que o educado é o anfitrião servir cada convidado ao redor da mesa para só então todos comerem juntos (até as crianças esperam). Ele(a) pergunta o que você quer comer e faz o seu prato. Diferente, né?! Achei formal demais e me senti constrangida de ter de retribuir um jantar assim para esses amigos, rs. Se o fizesse, com certeza faria à moda brasileira mesmo: coloca-se toda a comida na mesa e cada um se serve com o que quer, bem à vontade!! Sei lá, acho estranho eu colocar comida no prato para outras pessoas que mal conheço - não parece que eu estou "decidindo" o quanto ela tem de comer?! Sem contar que culturalmente para nós brasileiros o bom quando se come na casa de alguém é "limpar o prato" para não fazer desfeita, né! E também pra não desperdiçar comida. Mas aqui acho que não tem isso não.

Para fechar este ponto, quero dizer que sinto de não falarmos francês com fluência ainda! Queria dar essa oportunidade para as meninas (de serem poliglotas desde pequenas), mas ao mesmo tempo sinto que poder homeschool é uma bênção e privilégio ainda maiores do que elas falarem 3 línguas perfeitamente. Ainda assim, faço o que dá para expô-las ao idioma: de vez em quando vamos à biblioteca pegar livrinhos em francês (para eu ler pra elas, yikes!), uma vez por semana coloco filminhos para elas assistirem em francês (Calliou, Peppa Pig, Mickey Mouse ou às vezes outros educativos que encontro no Youtube), a Nicole faz aula de piano com uma professora francófona (que fala pouco inglês) e na aula de balé e outras atividades no centro comunitário, a professora/educadora dá as explicações nos dois idiomas (em francês, depois em inglês). Também entrei em contato com uma família francófona (mãe canadense, pai francês) que homeschool os três filhos (de 3, 5 e 7 anos) e que acabou de se mudar para a ilha. Uma vez por semana a gente tenta se encontrar no parque para as crianças interagirem (os filhos só sabem francês) e, quem sabe, se soltarem mais no francês. São estratégias, vamos ver no que vai dar.

As creches
Em São Paulo eu já tinha reparado que a classe média foge do termo "creche" para se referir ao lugar onde coloca o filho para passar o dia e prefere dizer que ele frequenta uma "escolinha". Pedagogos fazem o mesmo - na intenção de enobrecer o termo e fugir de uma associação com assistência social, eles a denominam como "educação infantil". Não sei como é esta questão de nomenclatura no resto do mundo, mas no Canadá o termo é daycare ou, em francês no Québec, garderie, e remete justamente a um lugar de cuidado, um local onde as crianças pequenas passam o dia recebendo cuidados para que os pais possam trabalhar ou estudar. Como as CPEs (creches do governo) são bem conceituadas e bastante concorridas (principalmente por causa do preço!), as garderies privadas costumam fazer propaganda de que oferecem "programa educativo" para atrair a clientela. Existem também as creches residenciais, o que eles chamam de garde en milieu familial, para quem prefere um tipo de atendimento alternativo (não seria o meu caso, presenciei cenas de crianças de garde em milieu familial no parque com a cuidadora que me deixaram com uma péssima impressão).

O bairro onde eu moro é bem privilegiado (economicamente falando) e diferente da cidade de Montreal em si (pelo menos a parte que pude conhecer até o momento). Aqui há casas lindas, verdadeiras mansões e, no centro comunitário que frequentamos, é comum as crianças irem acompanhadas pelas babás ou pelas próprias mães. As vizinhas que moram no mesmo tipo de apartamento que o meu (os mais pobres do bairro!!) não têm o mesmo privilégio porque elas precisam trabalhar fora e colocam a criança em creche. Mesmo entre as mães com uma condição social melhor (as que podem ficar com os filhos em casa durante a 1a infância), me surpreendi com a pouca confiança que elas têm na própria capacidade. Talvez seja uma particularidade do Québec, pois vim pensando que encontraria mulheres mais confiantes e autônomas no que se refere ao cuidado e instrução dos filhos. Não esperava que fossem se surpreender ao ouvir que eu pretendo homeschool. Como no Brasil, algumas sequer haviam ouvido falar sobre a prática e acabam sendo dependentes do serviços de terceiros (creche, atividades no centro comunitário, ou outros). Não analisei o suficiente para concluir se elas também são imigrantes recentes, mas é uma hipótese! No geral, a sensação que eu tive é que o pensamento coletivo aqui é bem próximo ao que encontramos no Brasil: existem poucos homeschoolers e uma grande ansiedade por parte das mães (e pais) de colocarem logo seus filhos em daycare educativa, para que eles ganhem independência e estejam "melhor preparados" social e intelectualmente para entrarem na escola aos 5 ou 6 anos. Apesar disso, existem sim pequenas comunidades de homeschoolers (como esta), com estrutura, recursos e até mapa virtual para ajudar os praticantes e aspirantes a achar uns aos outros. Foi assim que conheci essa minha vizinha que ensina os filhos em casa. Acho que no Brasil ainda não existem iniciativas com essa.

Mas voltando ao tema, a principal diferença que eu senti na creche daqui é a liberdade que os pais têm de ir e vir dentro da instituição e saber tudo o que está acontecendo com a criança. Achei fenomenal, principalmente por causa da experiência ruim que tive na "escolinha" bilíngue em que a Nicole estudou em São Paulo. Lá a comunicação via agenda era desastrosa e os pais sequer eram autorizados para entrar com a criança ou ficar lá dentro com ela, por alguns minutinhos que fosse (só era permitido no período de adaptação e olhe lá). Nós tínhamos de entregá-la e buscá-la na porta e confiar cegamente. Inclusive, já recebi bronca desaforada por telefone da própria dona depois de enviar um bilhete na agenda pedindo para acompanhar um dia de aula com a minha filha - ela perguntou: "Você gostaria que outros pais assistissem aula com sua filha?", como se fosse uma aberração crianças terem contato com outros adultos!

Aqui é totalmente diferente: nas duas instituições em que a Nicole frequentou tanto eu quanto o meu marido tínhamos a nossa própria chave de acesso ao local e podíamos entrar e sair quando quiséssemos. E também podíamos falar livremente com as educadoras lá dentro (nenhuma coordenadora ficava barrando o acesso dos pais a elas, como também é costume no Brasil, principalmente em escolas particulares). Aliás, na minha experiência aqui não teve esse esquema de agenda individual dizendo se a criança se alimentou, dormiu, quantas vezes foi ao banheiro, etc. Quando você busca a criança a educadora já está ali ao vivo e a cores e conta o que aconteceu (ou então você mesmo pergunta). Assim é muito mais prático. A primeira creche ficava aberta o dia todo (das 7:00 às 18:00) e os pais é quem decidiam o horário de deixar e buscar a criança (respeitando o número máximo de horas que a legislação canadense permite que criança fique em creche, sob pena de pagamento de multa caso ultrapasse o tempo). Na segunda creche, como não era em tempo integral mas em dois turnos (manhã e tarde), a nossa chave de acesso para o turno da tarde funcionava a partir das 13:00 em ponto (nem um minuto antes!) e nós, obrigatoriamente, tínhamos de buscar as meninas antes das 17:00 já que este era o horário de fechamento (quem se atrasasse pagava multa também!). O interessante é que, além de não gastarem dinheiro com funcionário para receber as crianças na entrada (mão-de-obra aqui é cara), a creche ainda obriga os pais a se envolverem e a vivenciarem a área em comum da creche já que ela é, digamos assim, a 2a casa das crianças. O pai (ou mãe) põe a mão na massa: entra com o filho, guarda seus pertences no armário/cabides (no inverno, tem todo o trabalho de tirar botas de neve, o macacão, a jaqueta, luvas e gorro), o leva para fazer xixi e lavar as mãos (nesta já cumprimenta as educadoras) para só então se despedir da criança e ir embora. O mesmo na hora de buscar.

Notei outras diferenças também. Na primeira creche, além de uma troca de roupas que a coordenadora havia pedido, eu enviei uma bolsinha com toalha, pasta e escova de dentes - afinal, minha filha iria passar o dia lá, almoçar, etc. Mas eles não levam as crianças para escovar os dentes durante o dia! Culturalmente para eles simplesmente não faz parte das atividades de creche ensinar o hábito da higiene bucal após as refeições como fazemos no Brasil. Já lavar as mãos é algo que eles fazem o tempo todo. Ao entrar, mesmo que a criança não precise usar o banheiro, ela obrigatoriamente tem de lavar as mãos antes de pegar algum brinquedo. Bem, demoramos uns três dias para perceber que ela não estava usando a escova e, quando meu marido perguntou porque a Nicole não estava escovando os dentes, a educadora fez uma cara de espanto e disse que poderíamos levar a escova de volta pra casa. :-)

Outra curiosidade é a neura que eles têm com alergias alimentares. Nas duas creches foi muito reforçado que era proibido entrar com qualquer tipo de alimento industrializado - ao ponto de na hora do lanche oferecerem leite em vez de suco por causa dos corantes artificiais! Imagino que essa regra e preocupação tenham razão de ser. Num lugar com pessoas de origem tão distintas, é melhor se precaver mesmo.

O inverno
Gente, o inverno aqui é punk! Muito longo e muito frio. Acho que nada poderia me preparar para o frio que pegamos aqui neste inverno. Disseram que há muitos anos o inverno não era tão rigoroso assim, mas sei não se eu acredito, rs. E essa história de que abaixo dos -15 graus é tudo a mesma coisa pra mim é papo furado. Abaixo de -15 é frio pra caramba e, acreditem, pode piorar muito. É um frio tão agressivo que deixa a pele ressecada (ela fica vermelha, como se estivesse queimada) e faz congelar até os pelos do nariz (eles ficam duros e depois o gelo derrete e começa a escorrer). Ou seja, tem de cobrir quase todo o rosto pra não se machucar! Eu que nunca fui de usar creme nas mãos porque não gosto da sensação delas melecadas, precisei usá-lo várias vezes ao dia para não ficar com as mãos descascando e feridas. O ar dentro de casa era tão seco que ao acordar meu nariz chegava a sangrar - com catota dura! Aliás, o ar seco secava tudo rapidamente (roupas, toalhas e até sapatos dentro de casa), o que não acontecia em nossa casa no Brasil. A pior coisa da época de inverno no Brasil é que as toalhas de banho não secam nunca e as roupas emboloram dentro dos armários por causa da umidade. Aqui o perigo é outro: por causa dessa secura toda, há muito risco de incêndios (acontece com certa frequência, um prédio do nosso bairro pegou fogo!) e, com isso, torna-se prudente ter seguro de residência.

A primeira neve caiu no início de dezembro. Me lembro bem porque foi no meu último dia de aula e eu voltei pra casa de ônibus aquela noite toda feliz sentindo e vendo os flocos de neve caírem. Uau, tudo ficou branquinho, exatamente como nos filmes. Quanta alegria! Queríamos muito aproveitar tudo o que podíamos do inverno, mas ele é tão absurdamente longo que chegou um ponto em que eu não aguentava mais ver tanto branco. Não tinha mais onde colocar tanta neve que se acumulava nas calçadas! Era meados de abril, supostamente em plena primavera, e a paisagem continuava branca! Apesar de tudo, preciso afirmar: aqui ninguém passa frio não. A cidade é toda preparada para esta época do ano, os prédios sempre bem aquecidos, as estações de metrô fervendo de calor, e até dentro do ônibus é quentinho. No centro, são tantas passagens subterrâneas ligando um prédio ao outro que você nem precisa enfrentar as baixas temperaturas lá fora. Em nosso apartamento, por exemplo, nós regulávamos a temperatura e, como o aquecimento está incluso no aluguel, nem de cobertor precisávamos à noite. Ou seja, inverno aqui NÃO é sinônimo de sofrer pra tomar banho ou mesmo de dormir com duas calças, duas blusas, meias, cobertor e ainda um edredom por cima!

Vista da janela do nosso apartamento no inverno.

Talvez a nossa família sentiu ainda mais o impacto do inverno porque estávamos a pé. Quisemos bancar os corajosos e resistimos em comprar um automóvel já que o transporte público daqui é bom e não queríamos ficar procurando vaga na rua ou gastando com estacionamento toda vez que saíssemos de casa. No começo foi "só alegria", mesmo com todo o perrengue que era caminhar até o mercado e carregar sacolas no braço ao voltar, ou então ir de ônibus e metrô para a igreja ou outros lugares com as crianças no colo. Como elas ficavam pesadas com toda aquela parafernália de inverno! Além do peso, as botas sujavam os nossos casacos (porque neve bonita é aquela que acabou de cair, depois ela fica "barrenta"). A alternativa então era carregar as meninas nos ombros, mas mesmo assim sair de casa exigia um tremendo esforço físico (de mim, principalmente). Eu já estava pedindo arrego e me arrependendo amargamente de não termos comprado um carro. Até que em meados de fevereiro demos o braço a torcer e compramos um carro bem velhinho. Óooo, que alegria foi novamente, rsrs. :-)

Hoje, depois de um inverno que pareceu não ter fim e de uma primavera que começou a dar o ar da graça um mês após a data oficial no calendário, os dias estão finalmente esquentando e ficando do jeito que eu gosto!! Com uma ressalva: está escurecendo tarde da noite e é complicado colocar as meninas pra dormir às 19:30 ou 20:00 quando o sol ainda está brilhando lá fora (no inverno era o contrário, escurecia cedo pra caramba, entre 16:00 e 16:30!). Dizem que no verão o calor daqui é insuportável também - por que será que aqui as temperaturas oscilam tanto, frequentemente nos extremos do termômetro? - mas depois ter de usar, por 8-9 meses, calça e manga longa toda vez que ia pra rua, ainda estou no estágio do "ver para crer", haha. Se for tudo isso de ruim que estão dizendo, eu acho que não vou ligar tanto... afinal, tenho certeza de que vai durar muito pouco (uns 2 meses?) e, pra mim, poder usar chinelo, shorts e regata vai ser uma alegria sem tamanho!!

O lugar onde moramos é um paraíso!
Não me canso de admirar tamanha beleza da natureza.

Vida em apartamento
Aproveitando o assunto da secura do inverno, eu ficava boba com a quantidade de pó visível que se formava dentro de casa nas superfícies, mesmo com tudo fechado (e muito bem selado para manter a casa termicamente isolada). Eu não dava conta de limpar! Talvez por causa do aquecimento? Não sei, mas o fato é que, diferente do que estamos acostumados no Brasil, limpeza se resume a passar um pano úmido. Não existe "lavar o banheiro" ou "lavar a cozinha" porque não pode jogar água no chão! As casas são feitas de madeira e não têm ralo no chão. Isso foi algo que eu estranhei bastante porque passar pano não tem o mesmo efeito, na minha opinião! Aliás, eles vendem os "panos prontos" (cleaning wipes, como os lenços umedecidos para bebês) para você não precisar de pano de chão já que pano é pano e pode pegar fogo no inverno. E eu reparei que até pano de prato aqui é diferente: ele não é de algodão, mas de algum tecido que não absorve direito a água, provavelmente é anti-inflamável. Como a cultura aqui é ter lava-louças quase como um item obrigatório (a lógica do Brasil é oposta: mão-de-obra barata e eletrodomésticos caros), pano de prato que não seca louça não é um problema para eles.

Se morar em apartamento já é restritivo para quem tem criança pequena, morar num apartamento com paredes ocas é pior ainda, hehe. Pois é, eu achei muito chato ficar o tempo todo pedindo para minhas filhas pararem de pular, correr, etc. para não incomodar os vizinhos debaixo. E não é nem porque eles reclamavam (meus vizinhos são muito tranquilos), mas é porque eles têm bebê de colo e seria muito chato acordá-lo de uma soneca, por exemplo. Também não gostei de morar em apartamento com paredes ocas por causa da falta de privacidade. Numa noite em que a Alícia teve febre e acordou aos berros perto da meia-noite (eu já falei que ela é escandalosa?), logo quando chegamos, eu a peguei no colo e fomos para o banheiro porque eu não queria acordar o resto da casa. O problema é que a planta do nosso apartamento é estranha e o único banheiro fica bem do lado da porta de entrada. Acredita que uma vizinha do apartamento que fica do outro lado do corredor (não direitamente em frente à minha porta) veio bater em casa pra perguntar se estava tudo bem? Eu imagino que ela teve toda boa intenção do mundo (afinal, ela tem um filho da mesma idade que a minha caçula), mas eu achei muito chato. Me senti invadida, sabe? Não estou acostumada com falta de liberdade dentro da minha própria casa. Sei lá... em pensar que o que eu falo, alguém na casa do lado pode estar ouvindo.

Outro medo é a sacada... estamos no 2o andar e não deixo as meninas brincarem na pequena área porque elas podem inventar de subir na grade, passar pelo meio... enfim, melhor prevenir acidentes. Por esses motivos, no fim de junho vamos nos mudar para um apartamento no térreo. Continuaremos no mesmo bairro e no mesmo tipo de prédio, mas na rua de trás de onde moramos agora. Eu vou sentir falta da imensa árvore que fica bem em frente da nossa janela, de onde posso ver esquilos subindo pelo tronco e ver/ouvir os passarinhos cantando. Mas espero que os prós de ir para o térreo compensem os contras, a começar pelo tipo de planta do apartamento que é mais parecida com os modelos que encontramos no Brasil e também pela possibilidade de termos um espaço útil maior do lado de fora (de frente com a janela), onde esperamos fazer um jardinzinho.

Desfraldamento
Apenas para não passar batido, vou resumir rapidamente como foi o processo de desfraldamento com a Alícia: um pesadelo!! Hahaha, é rir pra não chorar porque, olha, foi dureza! Eram tantas calças e calcinhas sujas e molhadas que nós não dávamos conta de lavar!! A banheira vivia cheia delas e, inclusive, tive de sair pra comprar uma dúzia de calcinhas novas só pra ter de reserva. Ainda hoje acontecem acidentes (são infrequentes), mas o pior nós definitivamente já superamos. UFA, respiro aliviada!! Rsrs. Desde que as minhas aulas terminaram e eu comecei a ficar em casa de novo, as coisas começaram a entrar nos eixos. O tempo todo eu sabia que "a culpa" era minha (se é que existe um culpado), pois a Alícia raramente fazia xixi na calça enquanto estava na garderie, por exemplo. Lá ela fazia direitinho no vaso, mas era só estar em casa (ou na rua!) comigo ou com o pai que o negócio desandava. Era como se ela descuidasse de propósito, para se fazer de bebê e chamar a nossa atenção. Entendo que era a forma dela de lidar com todas as mudanças e estou FELIZ que esta fase tumultuada passou.

Bem, é isso. Comecei este post tem quase um mês, está mais do que na hora de publicá-lo!!

segunda-feira, 27 de maio de 2013

3 anos e 8 meses de Nicole!

Comecei a escrever o post abaixo há mais de 20 dias, mas não consegui terminá-lo no dia e só estou voltando hoje para terminá-lo. :-(

Apesar de estar me corroendo de culpa por tê-lo deixado inacabado, o que me consola é o provérbio "antes tarde do que nunca". Acrescento que minha lista de temas para postar aqui no blog só aumenta a cada dia... e o que me falta é tempo para conseguir escrever sobre tudo o que quero!

====*====
Com uma semana de atraso (06/05), mas cá estou para contar algumas novidades que selecionei dos últimos 4 meses de vida de minha primogênita.


Para começar, os últimos meses foram cheios de novidades para a Nicole!

Dama de honra
A primeira novidade para ela foi ter sido dama de honra no casamento do meu irmão. E para a nossa surpresa, ela entrou direitinho ao lado do primo! Não tivemos ensaios antes para ela poder praticar e eu estava receosa de que ela fosse se recusar na hora H, mas para ajudar a prepará-la para o que aconteceria no dia, recorri ao youtube e juntas vimos vídeos de outras damas e pagens entrando em casamentos. Deu certo!

Eu escolhi colocar a fotinho à direita para contar que, pouco tempo após ela e o primo entrarem com as alianças, ela começou a acenar para mim que estava com vontade de fazer xixi. Tive de sair com ela para ir ao banheiro no meio da cerimônia! A foto mostra bem como ela me mandou a mensagem, hehe.

Aulas de balé
A outra novidade é que há dois meses ela iniciou suas aulas de balé num estúdio de dança aqui perto de casa. Ela saiu da primeira aula dizendo que não tinha gostado, talvez porque tenha se sentido constrangida de ser a mais nova e mais baixinha da turma. Neste dia só tinha ela e mais duas meninas de 5 anos! Eu pedi a ela que fosse em mais uma aula pelo menos, para a gente avaliar se valia a pena ela continuar indo. Da segunda aula ela já saiu muito mais feliz e assim continuou, intercalando entre episódios de "altos" e "baixos".

Um dos "baixos" foi na aula antes da viagem de uma semana que eu e meu marido fizemos sem as meninas. Do lado de fora eu pude ouvi-la chorando durante a aula. Depois que a aula terminou a professora me chamou para conversar e explicou que ela chamou a atenção da Nicole (por não estar pulando no ritmo das palmas) e que ela começou a chorar, se recusando a participar dos exercícios até o fim da aula. A Nicole olhou para mim com aquela carinha de chateada e disse: "Mamãe, eu estou cansada". E ela fica mesmo, segundas-feiras são os dias mais cansativos para ela.

O outro "baixo" foi na aula seguinte ao episódio anterior. Meu marido e eu estávamos fora e as meninas ficaram uma semana sob os cuidados da vovó. A professora não falou nada para a vovó no dia, mas me contou na semana seguinte que a Nicole não quis participar da aula, ficou apenas sentada assistindo, e que ela preferiu não insistir por saber que a recusa dela poderia ser reflexo da nossa ausência. Eu acho que teve mais a ver com o sentimento de inferioridade da aula anterior, mas não descarto a possibilidade que a professora trouxe e achei que ela agiu bem em deixar a Nicole à vontade.


A partir da aula seguinte, porém, tudo transcorreu bem. Ela voltou a entrar e sair animada das aulas e até recebeu elogios da professora de que estava mais solta na aula e dançando como uma bailarina. Hoje (06/05), em homenagem ao dia das mães, a escola ofereceu uma "aula aberta" para as mães poderem assistir. Tirei muitas fotos da minha bailarina fazendo os exercícios e dançando em aula. Amei!!


Hábito de chupar dedo
A Nicole chupa dedo desde os 6 meses de idade. Aconteceu assim: eu tirei a chupeta e ela encontrou o dedo. Eu nunca liguei muito porque a regra era que ela só poderia chupá-lo na cama, quando fosse dormir. Porém, aos poucos fui baixando a guarda e acabei permitindo que ela o chupasse também quando estivesse vendo desenho na TV ou no ipad. E advinhe? Agora chupar o dedo virou praticamente uma constante para ela, como o problema de roer unhas que ela teve no ano passado (a história toda você pode ler no último update: 3 anos e 4 meses de Nicole!). Ela o faz no automático, sem perceber. Quando se dá conta, o dedão já está dentro da boca! E quem é mãe sabe como é cansativo ficar repetindo a mesma frase o dia todo (no meu caso: "Nicole, please stop sucking your thumb!"). É totalmente contraproducente e mexe com os meus nervos. Esse exemplo mostra claramente que, quando se trata de estabelecer padrões para os nossos filhos, é infinitamente melhor "pagar à vista" do que "a prazo". O post Eduque, não reeduque! fala um pouquinho sobre isso. Eu fiquei desatenta, gradativamente deixei que as circunstâncias baixassem meu padrão e, agora que nos demos conta de onde fomos parar, nós - eu, ela e meu marido! - estamos pagando o árduo preço de erradicar um mau hábito.

Minha estratégia recente tem sido a perda de privilégios, no caso o que ela mais gosta de fazer: ver desenho. Hoje mesmo (06/05) ela está de castigo. Fizemos o combinado que cada vez que eu visse com o dedo na boca ela perderia o privilégio de ver desenho por um dia. É preciso sempre lembrá-la do acordo. E hoje aconteceu duas vezes, quase que seguidas. Portanto, ela só poderá reaver o direito de ver desenho novamente na quarta-feira. Olha, não é fácil manter a firmeza, viu! Ela chorou tão doída hoje quando a informei de que ela tinha perdido o privilégio. Meu coração ficou moído de ouvi-la dizer aos prantos: "Sorry, mommy, I won't do that again. I want to watch TV". Sei que é uma coisa tão boba e confesso que às vezes me sinto "má" de negar a ela o pedido, mas sei que não é maldade. É amor. Já amoleci outras vezes e vi o que aconteceu: ela tornou a chupar o dedo e minha palavra perdeu a credibilidade. Por isso, por AMOR à minha filha, ao seu futuro e à formação do seu caráter, eu olho-a nos olhos com todo o carinho que tem dentro do meu peito e digo: "I forgive you, honey, but you need to learn this lesson. You will only watch cartoon again on ___". Quem disse que ser mãe era moleza??

Sim, por amor a Deus e também a ela, eu preciso fazer valer a minha palavra! Se eu não a amasse tanto, deixaria passar... Ao discipliná-la, meu marido e eu precisamos constantemente nos lembrar que o nosso compromisso não é com o seu choro de agora e que nossa missão, como pais, não é evitar a todo custo que ela se entristeça. Nosso compromisso é com a pessoa que Deus a criou para ser. E o mais lindo é ver como Deus usa isso para nos moldar e aperfeiçoar também, além de confortar nossos corações com esperança e paz inexplicáveis. Creio que o sofrimento (dela e meu!) faz parte do crescimento (o nosso!). Como por exemplo hoje, depois daquela choradeira toda inicial, ela veio perguntar algumas vezes ao longo do dia se já poderia ver TV agora. Eu expliquei que ainda não, que ela ficaria dois dias sem desenho. Mostrei com os dedos como era feita a contagem (hoje é 1, amanhã é 2, no dia 3 pode). Ela suspirou triste, mas demonstrou entender e estava mais conformada. Sem dúvidas, uma lição de paciência também!

Amadurecimento emocional
Queria comentar neste post uma situação que nos ocorreu há poucos dias, mas antes preciso explicar algo. Minhas filhas têm diferentes cor de olhos - a Nicole tem olhos castanhos (como o pai) e a Alícia tem olhos azuis esverdeado (como eu). Desde que a Alícia nasceu e as pessoas começaram a reparar na cor dos olhos dela era muito comum ouvirmos o comentário: "Ai que linda. Olha a cor desses olhos!". Evidentemente as pessoas não falavam isso por mal, mas não percebiam que a Nicole (na época, com seus 2 anos) estava atenta. Muito esperta, ela percebeu que nenhum elogio era dirigido à cor dos olhos dela. E concluiu que ter olhos azuis era o desejável. Para a nossa surpresa, um dia à mesa do jantar ela anunciou para nós que os olhos dela eram azuis como os da mamãe e que os olhos da Alícia eram castanhos como os do papai. E isso se repetiu por algumas vezes, ela sempre insistindo com a questão. Em todas as vezes, meu marido e eu fazíamos questão de dizer a verdade. Para brincar eu dizia que o papai e a Nicky tinham "chocolate-brown eyes" e depois acrescentava "hummmm...". E o papai continuava a brincadeira falando que a mamãe e a Lily tinham "ocean-blue eyes". Fizemos essa brincadeira muitas vezes até ela esquecer o assunto, mas sem saber se a situação estava resolvida ou não para ela.

Para a minha alegria, há poucos dias descobri que ela superou sim a questão de não achar bonita a cor dos seus olhos. Foi assim: Era o nosso momento de leitura e eu estava sentada no tapete da sala ensinando a Alícia enquanto a Nicole "lia" sozinha no sofá. Um dos livros tinha um gatinho de olhos marrons e, como a Alícia está na fase de aprender as cores, pedi para ela apontar onde estavam os olhos do gato e quando ela achou, eu pedi para ela repetir o nome da cor. Poucos minutinhos depois, em outro livro apareceu novamente a foto de um gato - só que este tinha olhos verdes. Eu aproveitei a coincidência e abri novamente o livro anterior para comparar os dois gatos. A Nicole, que estava sentadinha "lendo" mas de ouvidos bem atentos, comenta que o gato x tinha a mesma cor dos olhos da Alícia e da mamãe e o gato y a mesma cor dos olhos dela e do papai. E falou assim, na maior naturalidade, com um sorriso maroto no rosto. Ufa!

Bilinguismo
A Nicole ainda inventa algumas traduções engraçadas (como "the phone is linging" ou "o cachorro está barcando" - frases que ela realmente já disse!) e às vezes mistura os idiomas na mesma frase. Não posso culpá-la porque é muito comum eu fazer o mesmo, mas quando estamos em casa me policio ao máximo para falarmos somente em inglês. Um dia desses a professora dela da igreja me disse que ela tem um inglês bom e eu fiquei muito feliz! Claro, ela comete os mesmos erros que uma criança que aprende inglês como língua nativa comete. Como dizer: "I am getting more bigger". Mas isso a gente releva. :-)

Agora o que eu acho mais curioso e que só reparei recentemente é que, mais do que confusões linguísticas, existem as confusões culturais mesmo, às que dizem respeito ao pensamento por trás da formulação das frases. Por exemplo, um dia meu pai falou com ela por telefone e perguntou: "Nicky, você vai na casa do vovô?". Em vez do habitual "Vou" de qualquer brasileiro, ela respondeu "Sim". Que criança (ou adulto!) brasileiros responde assim? Rsrs. Bem, eu pelo menos achei engraçada essa resposta em português pois não soa natural. As respostas padrão para "Você tem __?", "Você quer ___?", "Você gosta ___?", e assim por diante, sempre é "Tenho", "Quero", "Gosto", etc. E não "Sim"!! E eu também já ouvi a Nicole dizer em português: "Olha aqui, eu vou mostrar você" (sem o "para", tradução literal para o equivalente de "I will show you" em inglês). Uma graça essa minha gringazinha, hehe.

Personalidade
A Nicole é muito ativa fisicamente. Ela ama escalar os móveis, a porta, a janela, enfim, o que puder ser escalado. E ama também pular, correr, dar cambalhota, rolar no chão, chutar a bola, andar de bicicleta... e eu estimulo que ela faça essas coisas. A maioria das coisas que ela já sabe fazer fui eu mesma que ensinei, como pular amarelinha (agora ela já está sabendo pular jogando a pedrinha). Ela aprende rápido e tem uma boa coordenação motora. Faço questão de incluir "educação física" em nosso homeschooling. Primeiro, porque gosto e acho saudável movimentar-se fisicamente e, segundo, porque acho que ela tem potencial para ser atleta. Se ela quiser ir por esse caminho algum dia, essa base de agora vai ajudá-la.

Outra característica da Nicole é que ela é uma criança com grande capacidade de concentração. Parece oposta à característica acima, mas não é. Ela ama folhear os livrinhos e fazer a leitura das imagens. Ela é muito atenta aos detalhes e quer saber todos os porquês. Às vezes ela se cansa de ver só as ilustrações e me pede para ler o livro para ela. Acho que logo logo ela vai estar lendo, apesar de eu estar tentando pegar leve nessa questão da alfabetização (mesmo porque ainda não li nada a respeito disso!). Ela também é muito concentrada quando está na frente de algum filme ou desenho. De verdade, ela fica vidrada. Mal pisca! Os desenhos que ela mais gosta atualmente são: Go Diego Go, Dora Aventureira, Pinky Dinky Doo, Backyardigans e Sid the Science Kid. Ela também gosta de Max & Ruby e Thomas e seus amigos, mas não assiste-os com tanta frequência. Como sabemos que ela tem facilidade com linguagem, às vezes meu marido coloca Pocoyo para ela assistir em espanhol ou em francês. Ela gosta do desafio e ultimamente tem falado "Bonjour" para a gente, rs.

Também acho a Nicole muito imaginativa. Ela gosta de histórias inventadas e de brincadeiras de fantasiar. Hoje mesmo (agora sim, 27/05, rs) ela estava brincando que a minha cama era um foguete que iria levá-la para a lua. Ela gosta de me dar "presentes imaginativos" (ao pé-da-letra mesmo... eu tenho de "pegá-lo" e dizer o que tem dentro do pacote, qualquer coisa que eu inventar na hora, rs). Um dia meu pai entrou na brincadeira dela e deu um presente fictício para ela também. Ela pegou o pacote invisível, fingiu abri-lo e exclamou: "Olha, é uma bicicleta!". Caímos na gargalhada. Outro exemplo de brincadeira criativa dela é à mesa do café da manhã: a cada mordida do pão (ou da panqueca) ela diz o que o pedaço parece (um jacaré, um peixe, um carro, etc).  Um tempo atrás essa onda de fantasiar trouxe situações desagradáveis. Uma amiguinha chamada Nicolly veio brincar em casa e a Nicole fingiu que era a Alícia enquanto a amiguinha era a mamãe. Acredita que ela fez xixi e cocô na calça no meio da sala?? Ela realmente imitou a irmã na época do desfraldamento!!

A Nicole se dá bem com rotina. Quando os dias estão mais bagunçados, ela tem maior dificuldade de obedecer. Claro, como toda criança, ela ainda está aprendendo a esperar e a não repetir a mesma pergunta um monte de vezes, rs. Por exemplo, após o almoço ela sabe que tem 45 minutos de descanso. Nesse tempo ela pode ficar deitada quietinha ouvindo música (se quiser), ou pode ficar vendo livros, desenhando ou pintando, contanto que ela não desça da cama. Há dias em que ela quer que o tempo passe logo (porque sabe que a próxima atividade é usar o ipad!) e me pergunta 'trocentas' vezes: "O alarme já tocou, mãe?". Um exemplo engraçado sobre a rotina diz respeito à nossa alimentação. Em quase toda refeição eu costumo fazer arroz, feijão, carne, legume refogado e salada. Certo dia eu não fiz salada e não é que ela percebeu? Ela olhou para o prato dela e perguntou: "Where's my salad, Mommy?". Hahaha!

Aproveitando, acabei de me lembrar de outro episódio engraçado que minha mãe me contou recentemente e que tem tudo a ver com o perfil da Nicole. Já conversei algumas vezes com ela sobre o cuidado que temos de ter para não jogar lixo no chão, que precisamos cuidar bem das coisas que temos, etc. Acredita que uma vez, quando ela estava com a minha mãe indo fazer uma visita no quarto de uma maternidade, ela viu um papel de salgado no chão do elevador e disse: "Quem jogou isto no chão?". Minha mãe respondeu que não sabia e, para a surpresa geral, ela disse: "As pessoas não pensam...". E agachou para pegar o papel do chão para jogá-lo no lixo! Minha mãe veio me contar depois de queixo caído, rsrs.

Até agora só falei de pontos positivos, mas claro que existem áreas a serem melhoradas também. Às vezes pego a Nicole querendo enganar ou mentir quando não quer fazer algo que eu mandei ela fazer (como lavar as mãos antes de comer ou ir fazer xixi/escovar os dentes). Então eu tenho de ficar em cima para supervisionar. Também já tivemos problema porque ela não quis obedecer outros adultos (na nossa ausência), o que é algo muito chato. Para evitar esses dissabores, meu marido e eu tentamos fazer o combinado antes de sairmos de casa: deixar claro qual é o comportamento que esperamos que ela tenha e qual será a consequência caso ela não obedeça.

Relacionamentos
No geral, a Nicole é uma criança bem relacionada e sabe brincar bem tanto com meninos quanto com meninas. Ela tende a ser afobada (=se desespera facilmente e tende a se exaltar) e mandona (=quer as coisas do seu jeito) e sei que isso pode causar certos problemas, mas o fato de ter uma irmã em casa ajuda muito neste treinamento diário, de ceder em prol do outro (sempre um desafio!).

Tenho visto a Nicole amadurecer na consciência de que precisa ser amável com as pessoas. Vejo como ela se preocupa em ajudar a irmã calçar os sapatos, por exemplo, e isso enche meu coração de alegria. Um dia eu estava na cozinha chorando e conversando com o meu marido enquanto as meninas brincavam na sala. Ela deve ter ouvido eu falando e percebeu que eu estava mal, então foi até o quarto buscar a Nana (sua boneca de dormir) para eu abraçar. Que consolo maravilhoso!

A área de tensão ainda tem sido no "learning time" da Alícia. É muito difícil para a Nicole não ser o centro das atenções. Eu faço perguntas para a Alícia e ela corre na frente para responder, não dando a menor chance para a irmã sequer tentar. Eu estou pegando firme com ela, que ela precisa respeitar a vez da Alícia e esperar a vez dela. O Douglas me deu uma boa ideia ontem que vou tentar aplicar: a de fazer a atividade de modo que a Nicole participe fazendo as perguntas (como se fosse a professora) para a Alícia responder. Muito inteligente esse meu marido... como é que eu não pensei nisso antes? Rsrs.

Outra área tensa no relacionamento com a irmã que desde o início quisemos evitar é não permitir que uma irmã dedure a outra só para vê-la ser disciplinada (porque esta é a tendência natural de qualquer criança, né!). O momento do dia que isto mais "pega" é na hora de dormir porque, como a Alícia não está mais no berço, no início ela desobedecia muito se levantando da cama e pulando para a cama da Nicole. Em vez de dedurar a irmã, ensinamos a Nicole dizer: "Mommy/Daddy, can you come here, please?". Daí já sabemos que a Alícia provavelmente não está mais na cama. É uma frase boa também para substituir "choros inexplicáveis" de criancinhas que tendem a pedir as coisas com aquela voz irritante de choro manhoso, sabe? Tanto meu marido quanto eu somos enfáticos de que não se consegue nada com manha, tem de falar direito.

Homeschooling
Até um ou dois meses atrás, a Nicole ainda dizia que queria ver a Tia Kelly, mas agora parece que ela esqueceu de vez (espero!). Temos feito nossas atividades de homeschooling normalmente quase todo dia, sempre com muita leitura e vivências práticas que fazem parte da vida doméstica comum (arrumação da casa, aguar as plantas, ir ao mercado, cozinhar, aprender a ver as horas, etc.). Fazemos "play dates" com amiguinhas duas a três vezes por mês (quando não mais) e elas têm tido bastante oportunidade de socialização na igreja e nas reuniões de família (além de no balé). Fizemos também uma visita ao museu (mas este assunto vai ficar para outro post!).

Nossa caixa do SONLIGHT (material de homeschooling para trabalhar durante 1 ano) chegou e agora temos muito mais materiais para trabalhar. Eu fiquei impressionada com a qualidade dos livros que eles selecionaram. De verdade! Fiquei com a impressão de que eles realmente pensaram em tudo - matemática, ciências, estudos sociais, geografia, etc. Uau!! Um material melhor do que o outro. Nem consegui ver tudo até agora (porque é muita coisa), mas o que já fizemos foram excelentes!

Veja no vídeo abaixo a Nicole "brincando" com um dos materiais que veio na caixa. Para quem tiver interesse, chama-se Mighty Mind. Vocês vão ver como ele é fantástico.


Para terminar o post, eu queria também indicar os melhores apps para ipad que temos para a idade da Nicole. Sério, se você pensa em homeschool mas teme não ter "qualificação" para isso, seus temores acabarão quando você conhecer (um pouquinho que for!) dos inúmeros recursos à sua disposição. Você só precisa saber procurar e ir testando as versões gratuitas (temos inúmeras instaladas no nosso ipad). Minha gente, tem taaaannta coisa boa pela internet hoje em dia que para seu filho aprender basta você não atrapalhar, rsrs. As crianças aprenderão sozinhas... e brincando!! :-)

FW Deluxe
Endless ABC
ABC Writing
ABC Phonics

Math, age 3-5
Math, age 4-6
Lola's Math
I Spy (Lola)

Eu coloquei apenas recursos visando matemática e alfabetização, mas tem apps de desenho, quebra-cabeça, livros com áudio, músicas.... e muitos muitos outros recursos. Qualquer dia desses peço para meu marido vir escrever um post especialmente sobre isto porque é ele quem encontra esse apps para nós!

Um abraço!
Talita

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Desenvolvimento da linguagem antes dos 2 anos

Quando a Nicole completou 1 ano e 5 meses, eu escrevi este post sobre o seu desenvolvimento cognitivo e aquisição de vocabulário. Faz tempo que estou me cobrando fazer um sobre a Alícia também. Abaixo pretendo compartilhar um pouco da minha percepção sobre o seu desenvolvimento da linguagem até aqui.

Antes, porém, é preciso evidenciar alguns pontos sobre como fazemos as coisas aqui em casa. O primeiro deles é que meu marido e eu acreditamos que desde muito cedo, quando ainda bebês, embora ainda não falem, as crianças têm capacidade mental para se comunicarem (obs. Aprendemos este ensinamento no livro "Além do Nana Nenê", do Gary Ezzo e Robert Buckman). Por isso, já a partir dos 7 meses, procuramos ensinar às nossas filhas outro método de comunicação, a linguagem de sinais, como alternativa ao choro e birra tão comuns entre crianças pequenas. O pouco que sabemos da linguagem de sinais já é suficiente.

Nesta idade, as crianças gostam muito de imitar o que as pessoas à sua volta estão fazendo - seus sons e gestos. Aliás, a gente brinca que a Alícia - que dentro de poucos dias completará 1 ano e 10 meses - é a sombra da irmã - a Nicole, que está com quase 3 anos e 8 meses. Isso porque grande parte do tempo o que a gente vê é a Alícia observando a irmã e imitando todos os seus gestos, ações e comportamentos. E como as duas se divertem com isso e dão boas gargalhadas!

Assim, não fica difícil entender porque, embora ainda não fale, a Alícia consiga aprender tão facilmente novos sinais, dentre eles, gestos que acompanham músicas ou os versículos bíblicos que estamos memorizando em família no momento devocional a cada manhã.

Os sinais que a Alícia mais usa atualmente (e os faz espontaneamente ou com o nosso estímulo) são: "please" (por favor), "no, thanks" (não, obrigada), "excuse me" (com licença) e "sorry" (me desculpe).

Mas hoje não vim falar sobre a 'linguagem de sinais' em si (se este é o seu interesse, existe um marcador na coluna à direita com este nome), o que quero é me deter mais no assunto "bilinguismo". Meu marido e eu falamos inglês e português e, portanto, sempre quisemos que nossos filhos de pequenos aprendessem os dois, naturalmente. Eu sei que, aqui no Brasil principalmente, existe toda uma polêmica em cima desse tema. Alguns acreditam que falar mais do que um idioma confunde a criança e retarda o desenvolvimento da sua fala, além de dificultar o seu relacionamento com outras pessoas. Para falar a verdade, eu não concordo com esses argumentos. Acho que é subestimar a capacidade de comunicação das crianças. Além disso, conheço casos que me fazem pensar diferente.

E ainda que o bilinguismo possa de fato retardar o início da fala (o que eu não sei se é verdade), não acho que isso seja substancial a ponto de comprometer ou prejudicar a criança. Que diferença faz se a criança começou a falar aos 2 anos, 2 anos e meio ou 3 anos? Será que faz tanta diferença assim? Será que não é uma questão que também envolve temperamento e outras habilidades, como a de interação social?

Bem, não sou especialista em linguística e confesso que não fui atrás de ler muitas informações sobre o assunto. Apenas conversei um pouco com pessoas experientes na área (no sentido de experiência prática mesmo, não necessariamente de conhecimentos teóricos) e fui seguindo minha própria intuição sobre o que fazer. O que vou compartilhar abaixo é apenas fruto da minha experiência e opinião sobre o assunto.

Como dizia, falamos os dois idiomas em casa. Me deram a dica de não misturá-los dentro da mesma frase, para que fique sempre bem claro o que é um idioma e o que é outro. Isso faz total sentido para mim, mas confesso que nem sempre é fácil de se fazer. Aliás, se você não tem o hábito de separar os idiomas é um tanto quanto difícil! Com a Nicole, de certa forma, eu acho que consegui ser mais disciplinada do que sou hoje em dia quanto a isso. Com medo de confundi-la, eu realmente me esforcei para falar somente em um idioma com ela. Quando estávamos somente as duas, ou em família, era o inglês que usávamos para nos dirigir a ela. Porém, com meu marido falo em português (por preferência nossa), então ela sempre foi acostumada a ouvir os dois idiomas naturalmente.

Se eu tivesse de nomear o nosso método de ensinar eu o chamaria de o método da convivência, rs. Ou, como o chamam nas escolas bilíngues, é o ensino por imersão. Isso significa que sim, eu li livrinhos de palavras em inglês para ela, mas não que eu tenha partido do português para ensinar o inglês. Como eu sempre considerei ser falta de educação falar inglês na frente de pessoas que não falam o idioma, nos momentos fora de casa (ex. na igreja - até os 2 anos da Nicole frequentamos uma igreja brasileira) ou quando estávamos na companhia de outras pessoas, eu me dirigia a ela em português.

Um fator interessante é que por nove meses (dos 18 aos 27 meses), a Nicole frequentou uma escola bilíngue. Ela entrou 3 meses antes de eu ganhar a Alícia e, neste período, só ia 3x por semana, por meio-período. Lá o ensino era por imersão também, mas a verdade é que inglês mesmo ela só ouvia da professora, já que as outras crianças (na turminha dos babies) só falavam em português. Mesmo assim, acredito que a experiência tenha sido válida para ela. No ano seguinte (em 2012), eu a mudei de escola. Ela passou a frequentar uma escola de educação infantil brasileira e, nem por isso, o inglês dela ficou prejudicado. Muito pelo contrário, a fluência dela só melhorou. Ficou mais fácil para ela dividir os idiomas: de manhã / na escola se fala em português, à tarde / em casa se fala inglês, simples assim.

Agora em 2013, ela não está mais em escola alguma, está em casa comigo. Os dois idiomas estão muito bem consolidados na mente dela. Claro que há deslizes e traduções equivocadas que ela faz de vez em quando, mas no geral acho que ela tem uma excelente capacidade de tradução português-inglês e vice-versa. Como sei que tanto para ela quanto para mim, o português é a língua materna, tento me deter mais em atividades em inglês. Leio e conto histórias em inglês, tento mostrar desenhos em inglês, canto músicas em inglês, etc. Mas confesso que não é fácil ficar num idioma só, rsrs. É uma luta interna, principalmente quando não lembro ou não sei como se fala uma determinada palavra.

Bem, mas como eu disse lá em cima, este post é para falar sobre a aquisição de linguagem da Alícia, a minha mais nova. Contei tudo isso, na verdade, para contrastar o histórico das duas e tentar compreender o processo pelo qual ela está passando. Por um lado, o aprendizado da Alícia tem dependido muito mais dos meus estímulos e influência (já que ela nunca foi para escolinha alguma) e, por outro, como a aquisição de fluência da Nicole transcorreu tão bem eu percebo que tenho sido menos rígida com ela, no sentido de não cobrar tanto, praticar menos e, principalmente, me disciplinar para misturar o mínimo os idiomas.

A Alícia não fala tão bem ainda (por causa da pronúncia ruim, às vezes o som que ela diz é muito diferente do que ela pretende que ele seja!), mas já tenta se comunicar com duas palavras ao mesmo tempo (está começando a construir frases). Algo que eu tenho notado é que as palavras que eu intencionalmente ensinei, ela fala em inglês. Já as palavras que ela aprendeu sozinha (que ela fala espontaneamente de ouvir outros dizendo) são geralmente em português. O que isso me faz concluir? Que estou sendo mesmo relaxada e falando bem mais português do que em inglês em casa!! Para a Nicole essa falta de disciplina não é mais tão comprometedora já que ela domina bem os dois idiomas, e sabe ir de um para o outro sem problemas, já para a Alícia que não tem nem um nem outro idioma consolidado ainda, isto pode vir a ser um problema!

Outro ponto muito curioso é a pronúncia dela e a insistência em falar certas palavras em português (apesar de compreendê-las perfeitamente em inglês). Por exemplo, se eu digo: "Lily, where is your foot?" ou "Show me your foot", ela me mostra o pé e diz "Pé", em português!! O mesmo acontece rotineiramente com "daddy", "mommy" e "baby", são palavras que ela não fala de jeito nenhum em inglês. Não sei porque!! Se tiver algum especialista aí lendo este post, não deixe de comentar! Vou até colocar alguns vídeos que meu marido gravou para vocês terem uma ideia mais clara do que estou tentando explicar. É bem engraçado porque parece até que ela está fazendo de propósito, para tirar sarro dele!






Para finalizar o post, segue uma pequena lista de palavras que eu fui anotando nas últimas semanas que sei que ela conhece e tentar usar ao se comunicar! Claro que não consegui anotar todas, mas com essa lista já dá para ter uma ideia de como está o vocabulário dela. Vocês vão reparar que a pronúncia de algumas, principalmente as em português, têm pouco a ver com a palavra em si. Pedi ajuda ao meu marido sobre a forma de representar a pronúncia dela e não concordamos em um monte delas - eu acho que ela fala de um jeito e ele acha que ela fala de outro, rsrs. Mas vamos à lista:

Em Português
- dada (=obrigada)
- côco (=colo)
- oto (=o outro)
- ete (=este)
- ovo (=de novo)
- bô (=acabou)
- Kicky (=Nicky)
- nona (=danoninho)
- pá / pato (=sapato)
- au au (serve para qualquer animal)
- toto (=gostoso)
- Nana (nome da boneca, pode ser banana tb)
- pei (=espera/pare)

In English
- peese (=please)
- bye bye
- wawa (=water/shower)
- poo poo
- oo (=shoe/juice)
- apple (may mean other fruit too)
- more
- bib
- ball
- boh (=book)
- poon (=spoon)
- ep (=help)
- nee (=me)
- mine
- meh (=milk)
- puhple (=purple)
- why (=white)
- cuh (=cover)

Bem, por hoje é só. Espero conseguir voltar dentro de alguns dias para fazer o update de 1 ano e 10 meses dela. Um abraço!

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

1 ano e 8 meses de Alícia!


Faz dois dias que a Alícia completou 1 ano e 8 meses e hoje mesmo meu marido comentou que não temos mais uma bebê em casa. Ela cresceu e já é uma menininha! A foto acima é dela cortando o cabelo no fim do ano passado. Foi o seu segundo corte e, como da primeira vez, ela foi paciente e se comportou muito bem.


Outra novidade é que no mês passado ela também foi à praia pela primeira vez! Ficamos apenas dois dias e choveu muito. Diferente da Nicole que foi à praia pela primeira vez com 1 ano e 1 mês e mal andava mas já queria de todo jeito entrar na água sozinha (correndo!), a Alícia não quis saber de brincar na água do mar. Só gostou de brincar na areia ao lado da irmã. Isso porque desta vez a Nicole também ficou medo das ondas e preferiu os brinquedinhos na areia.


Do berço para a cama
Como agora ela é uma "little girl", meu marido achou que nós já poderíamos promovê-la do berço para a cama. Eu achei meio precoce porque ela não está tão obediente ainda (apesar de a transição do berço pra cama com a Nicole ter sido até mais cedo por causa da preparação para o nascimento da irmã), e também um pouco repentino já que com a Nicole eu fui acostumando-a com a cama aos poucos, começando pelas sonecas da tarde. Mas, como eu amo mudanças de ambiente (sou do tipo que fica mudando os móveis de lugar, hehe) e a ideia de ter mais espaço no quarto delas me agradou bastante, eu topei sem pensar muito. Então desmontamos o berço e hoje ela já dormiu na parte debaixo da bicama da Nicole. A princípio, enquanto arrumávamos tudo foi uma agitação que só, as duas deliraram com a "cama nova", mas na hora de dormir foi um pequeno caos, agravado pelo fato de que todas as Nanas (bonecas de dormir) da Alícia estavam de molho (algumas por estarem encardidas e outras porque molharam de xixi agora que ela pegou a mania de tirar a fralda sozinha quando está no berço, acho que por causa do calor!) e ela não quis nenhuma das Nanas da Nicole emprestada. Bem, no próximo post eu comento como foi essa adaptação, por ora vamos às demais novidades.

Dentição e Alimentação
O sexto dentinho já saiu, mas ainda não está no mesmo tamanho dos demais. Em todo o caso, agora ela tem 4 dentes em cima e 2 embaixo! A dentição dessa vez atrapalhou um pouco a alimentação, talvez porque coincidiu com um resfriado que ela teve - com direito a tosse, nariz entupido e febre. Até o sono ficou prejudicado! De qualquer maneira, percebi que a gengiva estava coçando e incomodando bastante, além da baba e dela colocar a mão toda dentro da boca com muita frequência. Resgatei os mordedores que estavam guardados e ela se interessou pelo mordedor em formato de pé. Ele foi bastante útil. Também passava Nene Dent na gengiva dela quando me lembrava.

Rotina e Horários
Estamos acordando um pouco mais tarde agora - 6:45 em vez de 6:00. Mesmo que as meninas acordem antes (o que às vezes ainda acontece), a regra é que elas fiquem em suas próprias camas até o despertador tocar (minha casa é pequena então elas conseguem ouvir o alarme tocando do meu quarto). A Nicole sabe como funciona e costuma obedecer (embora tenha seus deslizes vez ou outra), agora quero ver com a Alícia  amanhã cedo... no próximo post eu conto como foi!

Outra mudança na rotina é que pulei o lanche da manhã para poder dar o almoço mais cedo. A Alícia tira uma única soneca por dia, entre 12:00 e 15:00. Sirvo o almoço por volta das 11:15. O lanche da tarde (que elas tomam assim que acordam) é bem leve para não atrapalhar o jantar que também é bem cedo (17:15) por causa da minha ida para a faculdade à noite (preciso sair por volta das 18:15). O Douglas fica com as meninas à noite e, além do leitinho pra dormir, eu estou combinando com ele de dar mais alguma coisa para elas comerem antes de deitarem (às 19:00-19:30) porque senão ficarão muitas horas em jejum.

Toilet-training (processo de desfraldamento)
Estou com preguiça de voltar "com tudo" ao treinamento para tirar a fralda, preciso ser mais consistente! O primeiro impeditivo foi o tempo chuvoso dos últimos meses que atrapalhou muito. Depois teve nossas viagens que também bagunçaram o processo. O problema é que com isso a Alícia ainda não fez xixi nenhuma vez no vaso. Cocô ela faz se a levarmos, mas xixi não. Quando a gente percebe que ela está se concentrando um de nós corre com ela para o banheiro, mas com o xixi ainda não tivemos êxito. Difícil, né! Ela fica sentada lá e nada, só para alguns momentos depois fazer xixi no chão em algum lugar da casa. O bom é que ela já está percebendo e diz "Uh-oh". Outro sinal é que a fralda já a está incomodando. Algumas vezes ela chegou a resistir quando eu a colocava nela e já aprendeu também a soltar os adesivos (como nos incidentes de molhar a cama durante a soneca, que já aconteceu duas vezes).

Linguagem e Desenvolvimento
A Alícia ainda não pronuncia muito bem os sons, mas está se interessando mais em repetir as palavras. Ela não consegue dizer Nicky e a pronúncia sai Kicky, uma gracinha. Já em termos de compreensão, ela está ótima - compreende bem os dois idiomas e obedece a comandos simples. Ela também continua usando os sinais que nós ensinamos, embora esteja na hora de eu exigir que ela pronuncie a palavra para praticar. Preciso me policiar para ser mais proativa nesse sentido porque na correria do dia-a-dia a gente acaba compreendendo o que a criança quer sem ela precisar falar e, na pressa, a gente faz o que sabe que ela quer e pronto, em vez de parar e usar aquele momento oportuno para ensiná-la e ajudá-la a se comunicar verbalmente e da forma apropriada (sem choramingar, por exemplo).

Com relação ao bilinguismo, percebi algo curioso. Falo mais em inglês do que em português com elas em casa, mas não são tão disciplinada a ponto de não misturar ambos (às vezes na mesma frase). Às vezes quando peço para a Alícia repetir o som de alguma palavra em inglês, ela traduz para o português! Será que isso é normal?! Por exemplo, eu digo: "Lily, say mommy". Ela diz: mamãe. "Lily, say daddy". Ela diz: papai.

Quanto ao desenvolvimento cognitivo, comecei a ensinar as cores para ela agora. As partes do corpo que ela já conhece (em inglês) ela sabe apontar em si, nas outras pessoas e também nas figuras dos livrinhos. Por exemplo: olhos, boca, nariz, orelha, cabeça, cabelo, barriga, mãos e pés. Os animais por enquanto ela só imita o som que cada um faz, isso depois que eu fiz o som pra ela porque pra ela todo animal é o "au au".

Temperamento e Relacionamento com a Irmã
Felizmente sinto que a Alícia voltou a ser a nossa filha serena. Se vivêssemos em tempos bíblicos e tivéssemos esperado ela nascer para então decidir o seu nome, acho que ela teria se chamado Serena! Ela que sempre fora um bebê doce e tranquilo passou por uma fase bem chorona e birrenta (com muitos acessos de raiva!), mas agora está no seu normal de novo. Não sei bem o que mudou, suspeito que tenha sido algum tipo de carência emocional porque o remédio foi dar doses extras de carinho e atenção. Ela também está cheia de gracinhas (aprendeu a fingir que está chorando, de brincadeira, às vezes para fazer a gente rir e às vezes para manipular mesmo), ama distribuir sorrisos e está naquela fase em que é o centro das atenções por onde passa (as pessoas param para brincar com ela). No mais, ela e a irmã têm se relacionado bem. É uma das minhas maiores alegrias ouvi-las gargalhando juntas quando estão brincando. É claro que nem tudo são flores, há os momentos de tensão e desentendimento, mas no geral as duas têm aprendido a ceder quando é preciso e a ser amorosa uma com a outra.

O mais engraçado é ver como a Alícia se espelha na irmã, imitando absolutamente TUDO o que ela faz. Tudo mesmo. Se a Nicole senta, ela senta; se a Nicole levanta, ela levanta; se a Nicole mexe no cabelo, cruza os pés, grita, corre, o que for, a Alícia fica de olho para fazer igual. Ela é a sombra da Nicole! E o inverso para algumas coisas é verdadeiro, às vezes a Nicole gosta de imitar a Alícia, fingindo que não sabe pronunciar direito algumas palavras ou que não consegue falar frases mais longas.


Obediência e Autocontrole
Ainda estamos trabalhando nesta área. Eu estou me empenhando em ensiná-la a obedecer da primeira vez. Não é tarefa simples porque você não pode ser inconstante (uma hora corrige, outra deixa passar) e com duas crianças pra cuidar e um monte de preocupações diárias, muitas vezes falho como mãe. Deixo de priorizar o que é realmente importante. Falho não somente porque não a corrijo na hora e fico repetindo a mesma instrução um zilhão de vezes, mas principalmente porque como esse processo todo é estressante demais eu acabo deixando meu coração se encher de ira e frustração. E mamães iradas e frustradas não são boas mães! Estando irada e frustrada eu não consigo educar com amor e respeito, esbravejo continuamente e perco a alegria de cumprir minha missão porque, como está escrito em Tiago 1:20, a ira do homem não produz a justiça de Deus. Eu lembro que alguns anos atrás ouvia uma vizinha que não conheço gritar com os filhos o dia todo e eu achava tão feio, pensava "nunca vou fazer isso", mas em alguns dias me pego fazendo o mesmo, sendo uma mãe zangada e estressada. Tenho cada vez mais aprendido que para ser uma boa mãe preciso me despir de mim mesma, admitir que sozinha eu não dou conta e que preciso da GRAÇA e da MISERICÓRDIA de Deus diariamente. Afinal, como ensinar autocontrole se eu não o exercito? Como ensinar submissão se meu espírito está insubmisso? Como ensinar a compaixão e o amor sem exemplificá-los? Compartilhei com lágrimas nos olhos e o coração contrito esta manhã para o meu marido como a maternidade está revelando o que há de pior dentro de mim. Como sou imperfeita, tão cheia de falhas e defeitos! Aquilo que antes ficava escondido quando eu trabalhava fora e era "todo sorrisos" está vindo à tona. Entre adultos no ambiente profissional era muito fácil varrer para debaixo do tapete as minhas fragilidades, mas em casa com as crianças meus defeitos ficam tão evidentes! E Deus deseja ensinar-me, deseja me disciplinar porque me ama e porque sou sua filha. No fim de semana do feriado participei de um retiro espiritual e a palavra que mais me impactou nos estudos que fizemos (o tema era "Vivendo os sonhos de Deus") foi a mensagem de que Deus sonhou com a nossa santificação (= regeneração / transformação). No episódio de João 13 em que Jesus lava os pés dos discípulos, quando Pedro se nega a deixar Jesus lavar-lhe os pés, Ele responde: "Se eu não os lavar, você não terá parte comigo" (v. 8). Às vezes como Pedro, não queremos tirar as sandálias e expôr nossa sujeira, queremos deixar o chulé ali escondidinho, mas Jesus não se contenta apenas com a nossa salvação (corpo limpo), Ele quer os pés limpos também (santificação).

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