Amanhã a Alícia completa 1 ano e 6 meses e resolvi me adiantar e postar as novidades!
Dentição e Alimentação
Além dos 2 dentinhos debaixo, agora ela tem mais 3 dentinhos, todos em cima. Tadinha, ela sofreu muito porque os três saíram praticamente ao mesmo tempo! E dá-lhe Nene Dent para aliviar a coceira e dor. Em compensação, agora que tem 5 dentinhos ela vai poder morder e mastigar melhor alimentos mais duros. Não que antes ela não já comesse de tudo. Alguns alimentos - como o tomate - ela chupava até amolecer e conseguia engolir (mas deixava a casca). Já outros - como a uva passa - ela simplesmente engolia inteiro e depois eliminava no cocô. Outra vantagem é que à medida que ela cresce e consegue comer sozinha as coisas vão ficando mais fáceis para mim. Já se imaginou tentando alimentar duas pequenas e comer ao mesmo tempo? É o que eu tento fazer, não é à toa que estou sempre ouvindo "Como você emagreceu". Eu até consigo colocar algumas garfadas rapidamente na boca entre ajudar uma e outra, mas não é como se sentar à mesa para saborear a refeição! Isso quando a Nicole não pede para fazer o nº 2 bem no meio da refeição, aí complica ainda mais. E quando elas finalmente terminam, eu vejo a bagunça de bandeja melecada, chão sujo, pratos para lavar, etc. e minha mente neurótica logo pensa: "Preciso arrumar logo tudo isso". Daí qualquer vontade que eu tinha de pegar mais um pouquinho vai embora!
Rotina e Horários
Até muito recentemente, as sonecas da Alícia pela manhã estavam sendo bem longas. Tinha dias em que eu a colocava para dormir 8:30 ou 9:00 e ela só acordava - isso porque eu abria porta e janela para entrar claridade - às 11:30, quando eu já estava com almoço preparado e prontinha para sair para buscar a Nicole na escola. Era muito bom, por um lado, porque eu tinha a manhã toda pra mim! Eu aproveitei para fazer meus trabalhos de faculdade e até consegui escrever uma boa média de posts por mês, vocês repararam? Por outro lado, com o tempo fui vendo que dormir tanto pela manhã tinha dois "contras". O primeiro é que eu desperdiçava um tempo individual que eu poderia ter com ela enquanto a irmã estava fora. Falo mais sobre isso no tópico abaixo. E o segundo é que a soneca da tarde começou a ficar cada vez mais curta. E como não são todas as tardes que a Nicole tira soneca, tinha dias em que as duas "pintavam o terror" no quarto! Como nenhuma das duas estavam com muito sono, era um estresse só eu entrar toda hora no quarto para falar que elas precisavam ficar quietas, parar de brincar, conversar, gargalhar, etc. porque era a hora do descanso. Ou seja, em vez de eu relaxar, ficava só o pó e não via a hora do maridão chegar logo em casa no fim do dia para assumir o turno dele!
Por isso, a partir de ontem, tomei a decisão de que vamos eliminar a soneca da manhã. Vou fazer atividade dirigida com as duas pela manhã (se bem que esses dias estou pegando bem leve porque é época de férias e todo mundo merece não ter nada pra fazer, hehe!) e à tarde passaremos à rotina da Alícia tirar uma única soneca longa (de 3 horas) por dia. E enquanto a Alícia dormir, a Nicole vai fazer tempo de brincar independente para eu poder ter meus momentos de paz durante o dia. Depois eu conto se deu certo!
Linguagem e Comunicação
Ufa, a Alícia está começando a repetir melhor os sons. Sabe que eu estava ficando preocupada e cheguei a pensar em levá-la numa fonoaudióloga para saber se ela tinha algum problema?! Eita, mamãe neurótica. Eu sei, eu sei, o bom senso diz que cada criança tem seu ritmo, que vai falar, andar, etc. no seu próprio tempo. Mas, convenhamos, É TÃO DIFÍCIL não comparar!! E eu lembro que a Nicole falava um monte de coisas com 1 ano e 5 meses (está certo, eu não lembro... mas li o post em que registrei isso) e a Alícia não repetia direito as palavras, o som saía muito diferente. A coisa só começou a andar quando mudei a estratégia - do inglês para o português. E não é que ela falou "mamãe" e "papai" direitinho? Em inglês não saía! E agora ela está um papagaiozinho repetindo as palavras. A pronúncia dela está melhorando.
Dessa experiência extraio duas lições importantes (que estão interligadas). A primeira é que estava sendo exigente demais com um nível que eu achava que ela deveria ter. E a segunda é que eu a estimulei muito pouco para esse nível! Compreendi que quando a gente tem um filho só a nossa atenção em casa é quase que 100% dedicada a ele. Eu estimulava a Nicole a todo momento, ela era uma esponjinha e ia absorvendo tudo! De verdade, eu não dava um segundo de trégua pra ela, era na hora de comer, na hora do banho, de fazer xixi no vaso, de brincar lá fora ou aqui dentro. Eu estava o tempo todo ensinando alguma coisa, conversando com ela, pedindo para ela repetir alguma palavra, cantando, mostrando os livros, enfim, era um curso de imersão, rs. Já com a Alícia... tadinha, há momentos em que ela precisa praticamente pular na minha frente ou agarrar as minhas pernas para conseguir minha atenção! E quando eu pego um livrinho pra ler com ela e faço alguma pergunta (por exemplo, "What animal is this?" ou "What color is this?"), advinha quem responde no mesmo segundo? Isso mesmo, a Nicole! A Alícia não tem a menor chance e por isso ela logo se desinteressa. Como no ano que vem, eu vou "homeschool" as meninas ao mesmo tempo, estou pensando numa estratégia para atender às necessidades individuais de cada uma.
Ainda sobre linguagem, uma amiga leitora desse blog descobriu um site muito legal sobre linguagem de sinais para bebês! Chama-se "My Smart Hands". Depois que assisti ao vídeo da bebezinha de apenas 1 ano fazendo um monte de sinais, vi que estava perdendo tempo com as minhas filhas e que poderia estimulá-las para além das poucas palavras que as havia ensinado ("obrigada", "por favor", "banheiro", "desculpe", "mais" e "terminei"). As crianças têm muita capacidade de aprender novos idiomas. Quanto mais novas, mais fácil e rapidamente aprendem. O problema é que sou limitada quanto à linguagem de sinais em si, mas meu marido fez curso de LIBRAS (Linguagem Brasileira de Sinais) anos atrás e ainda tem a apostila. Combinamos que ele vai tentar ir relembrando algumas coisas e a família toda vai aprender junto. Não quis seguir o site My Smart Hands porque os sinais que ela ensina não são de LIBRAS, mas de ASL (American Sign Language) e achei que não seria muito útil para a comunicação com surdos aqui no Brasil.
Toilet-training
Semana passada resolvi tirar a Alícia das fraldas! O tempo estava quente, eu de férias, enfim, tudo propício. Usei as dicas do material dos Ezzos dessa vez (e não mais apenas a da Encantadora como fiz com a Nicole, numa outra oportunidade explicarei melhor) que, como vocês verão, são de linha behaviorista (com muito condicionamento e reforço positivo). Deixei-a apenas de calcinha durante o dia e deixei carregar uma garrafinha de água que ela gosta muito pra lá e pra cá. A ideia era aumentar a ingestão de líquidos e oportunidades para ensiná-la a diferença entre "seco" e "molhado". Programei o alarme do meu celular para tocar a cada 17 a 22 min. Cada vez que ele disparava, eu dizia toda animada que estava na hora de fazer xixi. Porém, antes de colocá-la para sentar no vaso (usamos uma adaptador especial para o bumbum dela), eu pedia para ela colocar a mão na calcinha e sentir se estava seca. Se estivesse, eu fazia a maior festa e ela ganhava chocolate confete (que ela ama e também outra oportunidade de praticarmos as cores)! Só então sentávamos para fazer xixi. Primeiro eu, depois a Nicole, às vezes alguma boneca dela e, finalmente, a própria Alícia. Enquanto ficava ali sentada, eu aproveitava para tirar o atraso e ler alguns livrinhos com ela. Programava o despertador para tocar dali 5 a 7 min para indicar que estava na hora de sair (para ela não ficar tempo demais e a brincadeira perder a graça).
Bem, como já deu pra perceber, toilet-training é muito trabalhoso. Exige paciência. E muita disposição porque você passa o seu dia em função disso! E tem de fazer o ritualzinho com muita animação. Nesses 5 dias que acrescentamos "sentar no vaso" à rotina da Alícia, eu não fiz outra coisa durante o dia. Sério, cansa muito. A nossa média de acidentes estava entre 3 a 4 por dia, o que é pouco até e não tão interessante para quem tem o objetivo de alcançar o objetivo logo! Os acidentes (=erros) são oportunidades brilhantes pra ensinar à criança o que fazer e o que não fazer. Muitas vezes acertamos o cocô - que ela fez direitinho dentro do vaso e que era largamente comemorado - mas com o xixi não tivemos êxito nenhuma vez. Não sei porque ela segurava tanto o xixi! Mesmo bebendo muito líquido (porque o chocolate também dá sede). Acabava encharcando a fralda durante as sonecas. Quando ela não fazia, eu programava o despertador para tocar dentro de 12 a 17 min. Se ela não fizesse de novo, eu diminuía ainda mais o intervalo na esperança de que ela não se aguentasse de vontade e fizesse "sem querer" no vaso. Eu lembrei algo que eu fazia com a Nicole para ajudá-la entender o que tinha de fazer quando estava ali sentada. Como tudo para eles nessa idade tem de ser divertido, eu segurava as mãozinhas dela, contava 1-2-3 e "uhhh", contorcia meu rosto como se estivesse fazendo força.. Ela achava engraçado e me imitava. Mas com a Alícia não deu certo nenhuma vez! Uma vez 2 min depois de sair do vaso, ela fez xixi na calcinha.
O resumo da ópera é que só conseguimos fazer isso por uma semana porque logo o tempo virou. Faz 5 dias que suspendemos o toilet-training por causa do tempo chuvoso. Quando o tempo melhorar e o calor firmar de novo, retomaremos os esforços do toilet-training!
Limites e Obediência
O nosso maior desafio com relação à Alícia nos últimos tempos tem sido não ceder às birras dela e insistir em ensiná-la a obedecer. Ela já entendeu o "That's a no-no" e até me imita mexendo o dedo indicador (confirmando que aquilo não pode), mas ela tenta nos enganar! Espera a gente virar as costas para fazer ou tenta fazer mesmo com a gente olhando firme pra ela. Acho que pra ver o que acontece ou confirmar se este é o limite meeesmo? Provavelmente! E aqui entra aquele princípio de educar, não reeducar. De se esforçar para pagar à vista e não em muitas dolorosas parcelas, porque... olha, educar dá trabalho!!
O exemplo mais real dessa vontade de fingir que não viu foram os episódios com o cinto de segurança. Sabem o que aconteceu? Nos cansamos de ficar parando o carro no meio da rua porque ela estava desobedecendo, de colocar os bracinhos dela de volta pra dentro do cinto, de dar bronca e repetir toda hora a mesma coisa! Adotamos outra postura: a de restringir a sua liberdade. Como era de se esperar, a solução está em educá-la dentro do funil! Meu marido teve a brilhante ideia de pegar uma fralda e amarrar os dois lados do cinto bem abaixo do pescoço dela, assim ela não tinha espaço para tentar tirar os braços. Que alívio! Claro que ela ficou brava, chorou, tentou espernear... mas faz parte da lição que ela precisava aprender porque ainda não tinha maturidade para fazer a escolha certa de obedecer. Então ela precisava da nossa ajuda: precisava que colocássemos os limites mais estreitos para ajudá-la a se conformar a eles.
Fizemos isso por bastante tempo e domingo agora a prendemos na cadeirinha sem usar a fralda para apertar o cinto. Ela tirou os bracinhos uma vez apenas durante todo o caminho. Um baita progresso! Quando ela obedeceu, fizemos questão de elogiá-la, para que ela soubesse que havíamos percebido e que estávamos contentes que ela estava desenvolvendo autocontrole. De fato, esse é um enorme desafio nesta idade.
Temperamento
No último post falei sobre o temperamento forte da Alícia. Pois é, essa característica está cada vez mais evidente. Ela é birrenta!! Não cede fácil, chora para manipular, faz cara feia ou vira o rosto brava quando é contrariada, joga os brinquedos, chuta, bate, puxa o cabelo... esse tipo de coisa. Às vezes eu fico com queixo caído com a reação dela e me seguro para não rir das caretas que ela faz. A Nicole tem de ter uma paciência, viu! Porque a Alícia praticamente monta na irmã quando quer um brinquedo que está nas mãos dela ou fica berrando. Estou insistindo que assim ela não vai conseguir nada, que tem o jeito certo de pedir as coisas, que tem de ter paciência e esperar (ah, esse é outro sinal que ela já aprendeu a usar). Ela já está se acostumando também com o ritual de pedir desculpas e de dar um beijo na irmã quando a machuca ou é mal-educada. Um dia desses até fez espontaneamente!
Mas... tem dias que são bem difíceis, sobretudo, quando eu desencano da rotina - não oriento uma atividade (deixo livre demais) ou não garanto que ela durma as horas necessárias para ela ficar bem disposta. É tão importante que ela esteja descansada! O cansaço é contraproducente para ajudar a criança a desenvolver o autocontrole, uma habilidade absolutamente fundamental (para saber mais, leia o post Desenvolvimento do autocontrole). Eu preciso ficar muito atenta à rotina para não deixar as coisas saírem do controle com ela.
E olha que tem dias que ela se rebela e não quer dormir (mesmo morrendo de sono). Chora um tempão sem parar! Li o post da Fabi de ontem falando sobre fazer CIO e pensei: "Nossa, com a Alícia eu faço CIO até hoje". No caso dela, sei que é pura chantagem, ela é determinada e berra mesmo - para protestar. Que Deus me ajude a ensiná-la a lidar com as suas emoções!! Anos atrás traduzi um livro chamado "How To Really Love Your Angry Child" do Dr. Ross Campbell para a Editora Mundo Cristão (leia a sinopse dele em português aqui). O livro é excelente e eu estou começando a pensar que Deus tinha um propósito quando me fez entrar em contato com ele, rsrs. Quando eu conseguir, posso resumi-lo aqui pra vocês!
Outro aspecto que queria acrescentar é que a Alícia também é muito apegada. As emoções dela são para os dois lados. Ela abraça, beija, faz carinho... espontaneamente. É o tipo de criança que gosta de ficar na saia da mãe, sabe? A Nicole não tinha isso - era livre, leve e solta. Já a Alícia, se eu bobear, fica pendurada na minha perna o dia todo, me seguindo pela casa! Na hora de dormir (e ela sabe bem quando é a hora), ela deita a cabecinha no meu ombro e me abraça com tanta força que quase me enforca. Haha! Já se ligaram por quê, né? Então eu a abraço de volta, massageio as costinhas dela e apenas curto o momento, canto uma canção de ninar e fico assim agarradinha com ela um tempinho... porque, afinal, eles crescem tão rápido e é gostoso demais receber um abraço apertadinho desses da minha princesa!
Bem-vinda!!
Bem-vinda ao nosso blog!
Aqui, mamães muito diferentes mas com um único objetivo compartilham suas experiências nesta grande aventura que é a maternidade! Nós queremos, acima de tudo, ser mamães sábias, que edificam seus lares e vivem com toda plenitude o privilégio de sermos mães! Usamos muitos dos princípios ensinados pelo Nana Nenê - Gary Ezzo, assim como outros livros. Nosso objetivo é compartilhar o que aprendemos a fim de facilitar a vida das mamães! Fomos realmente abençoadas com livros (e cursos) e queremos passar isso para frente!
Aqui, mamães muito diferentes mas com um único objetivo compartilham suas experiências nesta grande aventura que é a maternidade! Nós queremos, acima de tudo, ser mamães sábias, que edificam seus lares e vivem com toda plenitude o privilégio de sermos mães! Usamos muitos dos princípios ensinados pelo Nana Nenê - Gary Ezzo, assim como outros livros. Nosso objetivo é compartilhar o que aprendemos a fim de facilitar a vida das mamães! Fomos realmente abençoadas com livros (e cursos) e queremos passar isso para frente!
"Com sabedoria se constroi a casa, e com discernimento se consolida.
Pelo conhecimento os seus cômodos se enchem do que é precioso e agradável"
Prov. 24:4,5
Pelo conhecimento os seus cômodos se enchem do que é precioso e agradável"
Prov. 24:4,5
Mostrando postagens com marcador autocontrole. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador autocontrole. Mostrar todas as postagens
terça-feira, 18 de dezembro de 2012
1 ano e 6 meses de Alícia!
Posted by
Talita
at
08:16
Nenhum comentário:
Enviar por e-mailPostar no blog!Compartilhar no XCompartilhar no FacebookCompartilhar com o Pinterest
Labels:
alimentação e sólidos,
autocontrole,
bebês 12-18 meses,
dentição,
educando o coração,
limites,
linguagem de sinais,
rotina,
sono e CIO,
temperamento,
toilet-training
sexta-feira, 21 de setembro de 2012
O incrível mundo dos "toddlers"!
Você conhece a expressão toddler? Em seu livro, "On Becoming Toddlerwise", Gary Ezzo e Robert Buckman tratam justamente dessa fase, o 2º e 3º anos de vida da criança, mais particularmente dos 12 a 24 meses. Todderlhood refere-se àquela fase de vida em que nossos bebês deixam de ser bebês stricto senso, e começam andar, falar e explorar tudo ao seu redor! A Alícia se encaixa exatamente nesta fase (completou 1 ano e 3 meses esta semana). É uma fase deliciosa, mas também - sem dúvida - muito cansativa. Por isso, resolvi mergulhar novamente na leitura deste livro porque senti que estava precisando relembrar alguns conceitos e princípios para poder me inspirar e me focar novamente!
Hoje quero compartilhar somente alguns dos conceitos que os autores trabalham nos dois primeiros capítulos do livro. Apenas como pano de fundo para quem nunca ouviu falar desta série, este é o 4º livro do "On Becoming Series" (também conhecida como "The Wise Series") e este livro, em particular, não chegou a ser traduzido para o português. Há muitos anos, a Editora Mundo Cristão traduziu o 2º e 3º livros da mesma série e intitulou-os "Nana Nenê" e "Além do Nana Nenê" (em inglês os títulos originais são "On Becoming Babywise" e "On Becoming Babywise II"). Caso você seja nova por aqui talvez não saiba que foram estes dois livros que nos impulsionaram a começar o blog! Outro detalhe é que existe também o 1º livro da série que não foi publicado no Brasil, chama-se "On Becoming Birthwise". Eu soube recentemente que a Universidade da Família oferece um curso pautado justamente nos princípios deste material. Se você está grávida ou conhece alguém que esteja, eu recomendo o curso "Preparação para a Chegada do Bebê"!
Recomendo mesmo! Como minha amiga Cristine perguntou num post, você não acha curioso que enquanto sociedade achamos necessário estudar anos e anos para nos formarmos nas mais variadas profissões, mas quando se trata de nos prepararmos para sermos mães ou pais, não lemos um livro sequer e não buscamos qualquer conhecimento na área? Nos contentamos com o senso comum e com o que vemos as pessoas ao redor fazerem. A maioria de nós não se interessa em se inteirar sobre as diferentes filosofias de educação de bebês e crianças, não procura refletir sobre como quer criar o próprio filho e, o que me deixa ainda mais preocupada, não discute nada disso com o cônjuge, o principal parceiro e influenciador direto desta criança que está pra nascer!! Na minha opinião, se preocupar excessivamente com a decoração do quarto do bebê, com as roupinhas e todos os itens e apetrechos que não podem faltar, por mais delicioso que seja fazer isso durante a gestação, é esquecer do que é mais importante na maternidade: a educação dos nossos filhos, a qualidade da relações dentro do lar e o tipo de pessoas queremos que eles se desenvolvam para ser!
Dito tudo isso, agora sim vamos a um pequeno resumo do começo do livro. = )
Capítulo 1 - O que tem dentro do pacote
O livro começa comparando o trabalho de um pai e o de uma mãe ao de um jardineiro. O jardineiro não cria suas plantas, ele não tem o poder da vida e nem o da beleza que cada flor irradia. Mas ele conhece o ambiente, sabe quanto de luz solar e umidade são necessários para que todo tipo de planta desabroche e se desenvolva. Assim como o jardineiro, os pais não são os arquitetos e nem a fonte da vida dos filhos, mas são os guardiões dela, são os responsáveis por cuidar dos filhos, protegê-los, ensiná-los, estimulá-los, etc.
O livro continua falando das principais influências que contribuem para moldar quem esta criança se tornará. Ele cita uma frase de H.H. Horne, em seu livro "Idealism in Education", que diz: "Genética determina a capacidade, o ambiente proporciona a oportunidade e a personalidade reconhece a capacidade e melhora a oportunidade" (tradução e ênfase minha).
Genética
Para reconhecer e otimizar os talentos de cada filho (seus dons naturais, recebidos geneticamente), os autores sugerem que é necessário três posturas por parte dos pais. A primeira postura diz respeito à própria percepção deles ao observar e considerar características marcantes de pessoas da família que podem ter sido passadas geneticamente aos filhos. Por exemplo, se houver casos de pessoas talentosas musicalmente na família é bem possível que este dom tenha sido passado geneticamente à criança também, então seria uma boa ideia colocá-la para aprender a tocar algum instrumento musical e descobrir se esta facilidade foi herdada. Um dado que achei interessante pensar é que 1/2 (ou 50%) da genética de cada pessoa é herdada dos pais, 1/4 (ou 25%) herdada dos quatro avós e 1/8 (12,5%) herdada dos oito bisavós?! A segunda postura apontada é a necessidade dos pais pensarem numa educação global (em inglês: "parent the whole child"). Ou seja, que adianta seu filho ter potencial para ser um gênio, se ele não sabe brincar sozinho? Ou então ter talento para ser um super atleta, mas não ter delicadeza para brincar com a irmãzinha? Nas palavras dos autores, "Muito embora qualquer atitude desfavorável por parte dos pais possa trazer prejuízos ruins para a criança, a atitude que mais prejudica e tem efeitos mais duradouros é o conceito de produzir o filho dos sonhos" (p. 16 - tradução minha), ou seja, forçá-la a se encaixar no seu perfil ideal de filho pode prejudicar o potencial genético do seu filho à medida em que gera pressão emocional excessiva nele e o impede de viver uma série de experiências normais para a infância. A terceira postura diz respeito ao fato de que nenhuma característica genética, por mais brilhante que seja, pode ser amadurecida e desenvolvida sem as disciplinas básicas da vida. Ser um excelente escritor vai ser impossível se o seu filho não desenvolver a capacidade de sentar e ficar quieto para poder concentrar-se para ler. Aulas de piano se tornarão uma batalha sem fim se o seu filho não desenvolver paciência e perseverança para praticar. Mesmo um atleta excepcional não chega ao topo apenas porque é habilidoso, e sim porque aprendeu a ouvir e seguir instruções de seus mentores. Aprender a ouvir uma instrução já é meio caminho andado no processo de educar os filhos - quanto seu filho hoje já é capaz de ouvir suas instruções e obedecê-las?
O resumo da ópera é este: a criança não vai aprender enquanto ela não estiver pronta para aprender e ela não vai conseguir dominar nenhuma habilidade sem o importante recurso do "auto-controle". Isto significa que, independente de quais sejam as aptidões naturais do seu filho, elas deverão ser cultivadas e trabalhadas dentro do contexto natural da infância e do treinamento infantil. Como na jardinagem, sementes boas plantadas em solo ruim não produzirão plantas saudáveis - as sementes podem até germinar e crescer rapidamente, mas logo irão murchar por falta de fertilizantes adequados!
Ambiente
Você já parou para pensar que o ambiente de educação que você proporciona aos seus filhos (os tipos de estímulos, os valores impregnados nas decisões que você toma, os critérios que você usa quando diz 'sim' ou 'não', etc.) moldam os hábitos do coração deles? Nas palavras dos autores, "As decisões que você toma hoje, as crenças que impulsionam suas decisões e os pressupostos de educação que você valoriza podem e irão afetar as gerações futuras" (p. 17 - tradução minha).
Personalidade
Normalmente há uma confusão com o significado do termo personalidade e muita gente crê que personalidade é algo que não muda, que a pessoa é assim e pronto. Porém, na definição dos autores, personalidade é a soma de três variáveis: genética, ambiente e temperamento. Desta forma, temperamento é a variável da personalidade do ser humano que outras pessoas não podem mudar. Você pode procurar conhecer e entender o temperamento do seu filho, e pode até tomar atitudes que cooperem com este determinado temperamento, porém você não pode alterá-lo. Você também não pode alterar as influências genéticas sobre os seus filhos, mas pode minimizar propensões negativas, fortalecer as positivas, etc. Das três variáveis citadas acima, advinha qual é a única área sobre a qual você, como pai, tem enorme influência na formação da personalidade dos seus filhos? Isto mesmo, o ambiente! E isto tem tudo a ver com estímulos para o aprendizado. E que aqui fique claro que não estamos falando de escolarização, pois educação e escolarização não são a mesma coisa. A educação de que estamos falando aqui diz respeito a três áreas vitais em que nos esforçamos para ensinar nossos filhos: moralidade, saúde & segurança e habilidades para a vida. Veremos abaixo alguns exemplos a que se refere cada uma.
Moralidade - Ensiná-lo a ser bondoso, generoso, paciente, responsável, etc.
Saúde & Segurança - Ensiná-lo a escovar os dentes, tomar banho, cuidar da higiene pessoal, etc.
Habilidades para a Vida - Ensiná-lo a raciocinar e usar a lógica para tomar boas decisões, etc.
Capítulo 2 - A criança falante, que anda e é curiosa
Neste capítulo, os autores focam nas múltiplas possibilidades que se apresentam à criança quando ela começa a andar. Eles lembram que a mobilidade é um dos marcos mais importantes dessa fase e ressaltam ainda que a união da mobilidade com a curiosidade são a essência do toddlerhood. Sim, todo toddler é uma criança curiosa e exploradora! E a mãe do toddler, bem... uma mulher cansada (hehe, me sinto assim!). Com novas perspectivas de exploração para a criança, a mãe do toddler logo perceberá que nenhuma outra fase da sua vida exigirá tanto tempo, energia e paciência. Aqui vale copiar um trecho que achei engraçado do livro: "Se deixado solto, sem preocupação com questões morais ou de segurança, essa pequena criaturinha consegue em segundos esvaziar um estante inteira de livros, fazer uma chamada para Hong Kong pelo celular do pai, beber água do prato do passarinho, espirrar água de dentro do vaso sanitário, beber as últimas gotas da latinha de refrigerante, sair correndo da cozinha com uma faca nas mãos, ou tirar um cochilo na casinha do cachorro - que, considerando todos as outras façanhas, seria algo positivo (...) A energia emocional e física necessárias para supervisionar uma criançazinha ligada no 220 conseguem drenar as energias até daquela mãe que está super em forma. E se seu toddler for um menino, acrescente outros 50% de energia. Nunca uma criança fica tão bonita para sua mãe exausta do que quando está de olhos fechados dormindo " (p. 23 - tradução minha)! Hilário, não? Se você está vivendo a exata situação descrita em cima, em vez de sentar e chorar, sorria - você tem um toddler em casa! E como todas as outras, esta fase passa. Então procure conhecer as variáveis em questão e tirar o melhor proveito delas, até porque eu acredito que como você lidar com a situação agora implicará na qualidade da fase seguinte.
Por conta da curiosidade natural para esta fase, muitos conflitos de vontade entre mãe e filho (qual prevalecerá?) acontecerão. E é aqui que o cerco estreita! A curiosidade é necessária porque ela é a propulsora para a imaginação da criança. Entre os 2 e 3 anos, a curiosidade ficará menos forte e será a imaginação que ganhará força. Isto significa que a curiosidade não deve ser reprimida! Por outro lado, precisamos entender - conforme explicam os autores - que a curiosidade não é um fim em si mesmo e que, além disso, ela não tem proveito sem supervisão de um adulto. Ou seja, a ação dos pais não deve ser a de negar ou reprimir a curiosidade da criança, mas de administrá-la. Os autores defendem veementemente que conceder liberdades ilimitadas à criança como forma de estimular sua curiosidade não é uma administração proveitosa - pelo contrário, é uma forma negativa de cultivar a mente da criança.
A curiosidade é apenas o primeiro passo para o processo infantil da descoberta. Associada a ela estão a concentração e a investigação. Todas as três são necessárias para o aprendizado. O processo é mais ou menos este: a curiosidade atrai a criança para determinado objeto, a concentração mantém sua atenção voltada para ele, e a investigação permite a ela a euforia e alegria da descoberta e do aprendizado. Como se percebe, a curiosidade em si não é a professora da criança - ela é a propulsora, ou o veículo que o conduz, ao ambiente com o potencial para o aprendizado. E aqui uma explicação se faz necessária para compreendermos ainda melhor todo este processo da descoberta: a principal característica do estímulo que atrai a curiosidade da criança é a novidade. Isso significa que depois que determinado brinquedo ou objeto deixou de ser novidade, ou seja, quando não há mais desafio porque ficou fácil manuseá-lo, por exemplo, o interesse da criança (a curiosidade) se dissipa. Use esta característica para sua vantagem! Como?
Como administrar situações potencialmente perigosas ou não saudáveis para a criança? Em vez de reprimir a curiosidade da criança ou procurar distraí-la, a sugestão é ir pelo caminho da substituição. Os autores dão vários exemplos práticos. Um deles é como matar a curiosidade da criança que quer brincar de abrir e fechar o tampo do vaso sanitário e bater as mãozinhas na água, se molhando no processo. Uma cena de deixar qualquer mãe de cabelo em pé! Neste caso, o local é secundário para a criança (mas primário para a mãe!), então por que não encher de água um recipiente com tampa e colocar no quintal para ela brincar?
O capítulo encerra com o lembrete de que em todo o processo de guiar e orientar nossos filhos, a chave será sempre o equilíbrio. O desafio é não ir para nenhum dos dois extremos - proibir tudo ou permitir tudo. Nas palavras dos autores, "Você não vai conseguir evitar que seu filho se desaponte, e nem deve pensar que é sua responsabilidade fazê-lo. Pelo contrário, deve treinar seu filho para lidar com os desapontamentos. É impossível criar ambientes livres de conflito porque a natureza da criança, seus padrões de crescimento e as expectativas dos pais irão criar conflitos. Aprenda a lidar com eles. Entre os 12 e 24 meses, os conflitos devem ser administrados, não censurados" (p. 28 - tradução minha).
Bem, pessoal, por hoje é só. À medida que eu for relendo os próximos capítulos, voltarei aqui para publicar mais. Espero que as reflexões acima tenham sido norteadoras para você, mamãe de um toddler!!
Hoje quero compartilhar somente alguns dos conceitos que os autores trabalham nos dois primeiros capítulos do livro. Apenas como pano de fundo para quem nunca ouviu falar desta série, este é o 4º livro do "On Becoming Series" (também conhecida como "The Wise Series") e este livro, em particular, não chegou a ser traduzido para o português. Há muitos anos, a Editora Mundo Cristão traduziu o 2º e 3º livros da mesma série e intitulou-os "Nana Nenê" e "Além do Nana Nenê" (em inglês os títulos originais são "On Becoming Babywise" e "On Becoming Babywise II"). Caso você seja nova por aqui talvez não saiba que foram estes dois livros que nos impulsionaram a começar o blog! Outro detalhe é que existe também o 1º livro da série que não foi publicado no Brasil, chama-se "On Becoming Birthwise". Eu soube recentemente que a Universidade da Família oferece um curso pautado justamente nos princípios deste material. Se você está grávida ou conhece alguém que esteja, eu recomendo o curso "Preparação para a Chegada do Bebê"!
Recomendo mesmo! Como minha amiga Cristine perguntou num post, você não acha curioso que enquanto sociedade achamos necessário estudar anos e anos para nos formarmos nas mais variadas profissões, mas quando se trata de nos prepararmos para sermos mães ou pais, não lemos um livro sequer e não buscamos qualquer conhecimento na área? Nos contentamos com o senso comum e com o que vemos as pessoas ao redor fazerem. A maioria de nós não se interessa em se inteirar sobre as diferentes filosofias de educação de bebês e crianças, não procura refletir sobre como quer criar o próprio filho e, o que me deixa ainda mais preocupada, não discute nada disso com o cônjuge, o principal parceiro e influenciador direto desta criança que está pra nascer!! Na minha opinião, se preocupar excessivamente com a decoração do quarto do bebê, com as roupinhas e todos os itens e apetrechos que não podem faltar, por mais delicioso que seja fazer isso durante a gestação, é esquecer do que é mais importante na maternidade: a educação dos nossos filhos, a qualidade da relações dentro do lar e o tipo de pessoas queremos que eles se desenvolvam para ser!
Dito tudo isso, agora sim vamos a um pequeno resumo do começo do livro. = )
Capítulo 1 - O que tem dentro do pacote
O livro começa comparando o trabalho de um pai e o de uma mãe ao de um jardineiro. O jardineiro não cria suas plantas, ele não tem o poder da vida e nem o da beleza que cada flor irradia. Mas ele conhece o ambiente, sabe quanto de luz solar e umidade são necessários para que todo tipo de planta desabroche e se desenvolva. Assim como o jardineiro, os pais não são os arquitetos e nem a fonte da vida dos filhos, mas são os guardiões dela, são os responsáveis por cuidar dos filhos, protegê-los, ensiná-los, estimulá-los, etc.
O livro continua falando das principais influências que contribuem para moldar quem esta criança se tornará. Ele cita uma frase de H.H. Horne, em seu livro "Idealism in Education", que diz: "Genética determina a capacidade, o ambiente proporciona a oportunidade e a personalidade reconhece a capacidade e melhora a oportunidade" (tradução e ênfase minha).
Genética
Para reconhecer e otimizar os talentos de cada filho (seus dons naturais, recebidos geneticamente), os autores sugerem que é necessário três posturas por parte dos pais. A primeira postura diz respeito à própria percepção deles ao observar e considerar características marcantes de pessoas da família que podem ter sido passadas geneticamente aos filhos. Por exemplo, se houver casos de pessoas talentosas musicalmente na família é bem possível que este dom tenha sido passado geneticamente à criança também, então seria uma boa ideia colocá-la para aprender a tocar algum instrumento musical e descobrir se esta facilidade foi herdada. Um dado que achei interessante pensar é que 1/2 (ou 50%) da genética de cada pessoa é herdada dos pais, 1/4 (ou 25%) herdada dos quatro avós e 1/8 (12,5%) herdada dos oito bisavós?! A segunda postura apontada é a necessidade dos pais pensarem numa educação global (em inglês: "parent the whole child"). Ou seja, que adianta seu filho ter potencial para ser um gênio, se ele não sabe brincar sozinho? Ou então ter talento para ser um super atleta, mas não ter delicadeza para brincar com a irmãzinha? Nas palavras dos autores, "Muito embora qualquer atitude desfavorável por parte dos pais possa trazer prejuízos ruins para a criança, a atitude que mais prejudica e tem efeitos mais duradouros é o conceito de produzir o filho dos sonhos" (p. 16 - tradução minha), ou seja, forçá-la a se encaixar no seu perfil ideal de filho pode prejudicar o potencial genético do seu filho à medida em que gera pressão emocional excessiva nele e o impede de viver uma série de experiências normais para a infância. A terceira postura diz respeito ao fato de que nenhuma característica genética, por mais brilhante que seja, pode ser amadurecida e desenvolvida sem as disciplinas básicas da vida. Ser um excelente escritor vai ser impossível se o seu filho não desenvolver a capacidade de sentar e ficar quieto para poder concentrar-se para ler. Aulas de piano se tornarão uma batalha sem fim se o seu filho não desenvolver paciência e perseverança para praticar. Mesmo um atleta excepcional não chega ao topo apenas porque é habilidoso, e sim porque aprendeu a ouvir e seguir instruções de seus mentores. Aprender a ouvir uma instrução já é meio caminho andado no processo de educar os filhos - quanto seu filho hoje já é capaz de ouvir suas instruções e obedecê-las?
O resumo da ópera é este: a criança não vai aprender enquanto ela não estiver pronta para aprender e ela não vai conseguir dominar nenhuma habilidade sem o importante recurso do "auto-controle". Isto significa que, independente de quais sejam as aptidões naturais do seu filho, elas deverão ser cultivadas e trabalhadas dentro do contexto natural da infância e do treinamento infantil. Como na jardinagem, sementes boas plantadas em solo ruim não produzirão plantas saudáveis - as sementes podem até germinar e crescer rapidamente, mas logo irão murchar por falta de fertilizantes adequados!
Ambiente
Você já parou para pensar que o ambiente de educação que você proporciona aos seus filhos (os tipos de estímulos, os valores impregnados nas decisões que você toma, os critérios que você usa quando diz 'sim' ou 'não', etc.) moldam os hábitos do coração deles? Nas palavras dos autores, "As decisões que você toma hoje, as crenças que impulsionam suas decisões e os pressupostos de educação que você valoriza podem e irão afetar as gerações futuras" (p. 17 - tradução minha).
Personalidade
Normalmente há uma confusão com o significado do termo personalidade e muita gente crê que personalidade é algo que não muda, que a pessoa é assim e pronto. Porém, na definição dos autores, personalidade é a soma de três variáveis: genética, ambiente e temperamento. Desta forma, temperamento é a variável da personalidade do ser humano que outras pessoas não podem mudar. Você pode procurar conhecer e entender o temperamento do seu filho, e pode até tomar atitudes que cooperem com este determinado temperamento, porém você não pode alterá-lo. Você também não pode alterar as influências genéticas sobre os seus filhos, mas pode minimizar propensões negativas, fortalecer as positivas, etc. Das três variáveis citadas acima, advinha qual é a única área sobre a qual você, como pai, tem enorme influência na formação da personalidade dos seus filhos? Isto mesmo, o ambiente! E isto tem tudo a ver com estímulos para o aprendizado. E que aqui fique claro que não estamos falando de escolarização, pois educação e escolarização não são a mesma coisa. A educação de que estamos falando aqui diz respeito a três áreas vitais em que nos esforçamos para ensinar nossos filhos: moralidade, saúde & segurança e habilidades para a vida. Veremos abaixo alguns exemplos a que se refere cada uma.
Moralidade - Ensiná-lo a ser bondoso, generoso, paciente, responsável, etc.
Saúde & Segurança - Ensiná-lo a escovar os dentes, tomar banho, cuidar da higiene pessoal, etc.
Habilidades para a Vida - Ensiná-lo a raciocinar e usar a lógica para tomar boas decisões, etc.
Capítulo 2 - A criança falante, que anda e é curiosa
Neste capítulo, os autores focam nas múltiplas possibilidades que se apresentam à criança quando ela começa a andar. Eles lembram que a mobilidade é um dos marcos mais importantes dessa fase e ressaltam ainda que a união da mobilidade com a curiosidade são a essência do toddlerhood. Sim, todo toddler é uma criança curiosa e exploradora! E a mãe do toddler, bem... uma mulher cansada (hehe, me sinto assim!). Com novas perspectivas de exploração para a criança, a mãe do toddler logo perceberá que nenhuma outra fase da sua vida exigirá tanto tempo, energia e paciência. Aqui vale copiar um trecho que achei engraçado do livro: "Se deixado solto, sem preocupação com questões morais ou de segurança, essa pequena criaturinha consegue em segundos esvaziar um estante inteira de livros, fazer uma chamada para Hong Kong pelo celular do pai, beber água do prato do passarinho, espirrar água de dentro do vaso sanitário, beber as últimas gotas da latinha de refrigerante, sair correndo da cozinha com uma faca nas mãos, ou tirar um cochilo na casinha do cachorro - que, considerando todos as outras façanhas, seria algo positivo (...) A energia emocional e física necessárias para supervisionar uma criançazinha ligada no 220 conseguem drenar as energias até daquela mãe que está super em forma. E se seu toddler for um menino, acrescente outros 50% de energia. Nunca uma criança fica tão bonita para sua mãe exausta do que quando está de olhos fechados dormindo " (p. 23 - tradução minha)! Hilário, não? Se você está vivendo a exata situação descrita em cima, em vez de sentar e chorar, sorria - você tem um toddler em casa! E como todas as outras, esta fase passa. Então procure conhecer as variáveis em questão e tirar o melhor proveito delas, até porque eu acredito que como você lidar com a situação agora implicará na qualidade da fase seguinte.
Por conta da curiosidade natural para esta fase, muitos conflitos de vontade entre mãe e filho (qual prevalecerá?) acontecerão. E é aqui que o cerco estreita! A curiosidade é necessária porque ela é a propulsora para a imaginação da criança. Entre os 2 e 3 anos, a curiosidade ficará menos forte e será a imaginação que ganhará força. Isto significa que a curiosidade não deve ser reprimida! Por outro lado, precisamos entender - conforme explicam os autores - que a curiosidade não é um fim em si mesmo e que, além disso, ela não tem proveito sem supervisão de um adulto. Ou seja, a ação dos pais não deve ser a de negar ou reprimir a curiosidade da criança, mas de administrá-la. Os autores defendem veementemente que conceder liberdades ilimitadas à criança como forma de estimular sua curiosidade não é uma administração proveitosa - pelo contrário, é uma forma negativa de cultivar a mente da criança.
A curiosidade é apenas o primeiro passo para o processo infantil da descoberta. Associada a ela estão a concentração e a investigação. Todas as três são necessárias para o aprendizado. O processo é mais ou menos este: a curiosidade atrai a criança para determinado objeto, a concentração mantém sua atenção voltada para ele, e a investigação permite a ela a euforia e alegria da descoberta e do aprendizado. Como se percebe, a curiosidade em si não é a professora da criança - ela é a propulsora, ou o veículo que o conduz, ao ambiente com o potencial para o aprendizado. E aqui uma explicação se faz necessária para compreendermos ainda melhor todo este processo da descoberta: a principal característica do estímulo que atrai a curiosidade da criança é a novidade. Isso significa que depois que determinado brinquedo ou objeto deixou de ser novidade, ou seja, quando não há mais desafio porque ficou fácil manuseá-lo, por exemplo, o interesse da criança (a curiosidade) se dissipa. Use esta característica para sua vantagem! Como?
Como administrar situações potencialmente perigosas ou não saudáveis para a criança? Em vez de reprimir a curiosidade da criança ou procurar distraí-la, a sugestão é ir pelo caminho da substituição. Os autores dão vários exemplos práticos. Um deles é como matar a curiosidade da criança que quer brincar de abrir e fechar o tampo do vaso sanitário e bater as mãozinhas na água, se molhando no processo. Uma cena de deixar qualquer mãe de cabelo em pé! Neste caso, o local é secundário para a criança (mas primário para a mãe!), então por que não encher de água um recipiente com tampa e colocar no quintal para ela brincar?
O capítulo encerra com o lembrete de que em todo o processo de guiar e orientar nossos filhos, a chave será sempre o equilíbrio. O desafio é não ir para nenhum dos dois extremos - proibir tudo ou permitir tudo. Nas palavras dos autores, "Você não vai conseguir evitar que seu filho se desaponte, e nem deve pensar que é sua responsabilidade fazê-lo. Pelo contrário, deve treinar seu filho para lidar com os desapontamentos. É impossível criar ambientes livres de conflito porque a natureza da criança, seus padrões de crescimento e as expectativas dos pais irão criar conflitos. Aprenda a lidar com eles. Entre os 12 e 24 meses, os conflitos devem ser administrados, não censurados" (p. 28 - tradução minha).
Bem, pessoal, por hoje é só. À medida que eu for relendo os próximos capítulos, voltarei aqui para publicar mais. Espero que as reflexões acima tenham sido norteadoras para você, mamãe de um toddler!!
domingo, 2 de setembro de 2012
3 anos de Nicole!
A Nicole completou 3 anos esta semana e eu vim contar como estão as coisas já que o último update sobre ela foi publicado há seis meses. Primeiramente, queria dizer que está sendo uma fase deliciosa para mim! As outras também foram, claro, mas parece que esta está ainda mais especial. Deve ser porque sempre que eu imaginava como seria ter filhos, me via justamente com crianças mais ou menos desta idade em que a Nicole está hoje. E aqui vou fazer uma confissão: acreditem se quiser, mas eu nunca sonhei muito com ter e cuidar de um bebezinho recém-nascido, haha! Eu não era como as mulheres que se derretem toda quando veem um bebê e já querem logo pegá-lo no colo. Engraçado, né? Principalmente porque hoje escrevo num blog sobre maternidade que começou com este foco de treinar o bebê desde o primeiro dia!
Vou tentar fazer um breve relato, por partes, daquilo que acho que vale ressaltar:
Sono
As noites têm sido tranquilas (11 horas de sono ininterrupto pelo menos, aproximadamente das 19:00 às 6:00) e, de alguns meses para cá, a frequência das sonecas da tarde diminuiu de todo dia para 4 ou 5 vezes por semana. Há dias em que eu a deixo "pular a soneca" (das 13:00 às 15:00 ou 16:00) e fazer alguma outra atividade mais "tranquila" durante esse período (como assistir a um desenho, ler seus livrinhos, desenhar), pois tenho percebido que ela não está mais precisando dormir tanto. Na maioria das vezes, quando ela insiste muito que não quer dormir, eu estabeleço que ela tem de ficar deitadinha descansando na cama por 40 min a 1 hora e, mesmo que ela não durma, sei que esse tempinho é bom para ela renovar as energias. Como disse acima, isto não acontece sempre, apenas 2 ou 3 vezes por semana (incluindo os domingos).
Alimentação
Ela está se alimentando bem! Com uma mistura de alívio e orgulho em vista do progresso nos últimos 18 meses, arrisco dizer que praticamente superamos a fase "picky eater" da Nicole!! Se quiser saber sobre os problemas que tivemos, leia o post Alimentação a partir dos 12 meses - aprendendo com os erros. Ela continua sendo uma criança relativamente pequena e magra, mas ela come de tudo - legumes e verduras, inclusive (não necessariamente de bom grado toda vez, rs). Uma observação importante é que ela come devagar, beeem devagar, sem pressa alguma! Se deixar, ela fica com a comida na boca sem mastigar um tempão e por isso ainda estamos trabalhando esta dificuldade com ela. Porém, o mais importante e o que eu valorizo muito é que ela conseguiu superar muito de seus "pré conceitos" com relação a qualquer alimento que não seja o arroz/feijão/carne (que ela adora) de todo dia! Sério, ela fazia cara de nojo para qualquer outro tipo de refeição que não fosse essa composição habitual, não gostava de massas, pães, enfim, não queria nem experimentar. Sinto que está cada vez mais facil para ela aceitar (sem reclamar) de que precisa comer um pouquinho de tudo o que eu preparar (isto mesmo: todos os legumes ou verduras/saladas também). Já as frutas nunca foram um problema para ela. Ela come fruta no café da manhã, leva fruta de lanche para a escola e, às vezes, come também de lanche da tarde. Ela gosta de todas!
Comportamento
Meu marido já comentou muitas vezes no último ano como a Nicole não parecia ter somente pouco mais de 2 anos de idade. Há momentos em que ela é tão madura, amável e obediente!! E isto fica ainda mais saliente agora que podemos comparar o seu comportamento com o da irmã (de apenas 1 ano e 2 meses) que está no início deste processo de disciplina e correção (e que resiste a submeter-se à autoridade dos pais). Não posso deixar de pensar como o fato dela ser obediente em 80% (ou mais) do tempo contribui MUITO para curtirmos não somente nossos momentos juntas como mãe e filha - mas, principalmente, os momentos em família e no relacionamento com outras pessoas quando estamos em público. Fico cada vez mais convencida da sabedoria que há nas Escrituras, como o texto de Provérbios 29:15. Sei por experiência o que é passar vergonha em público por algum mau comportamento dela (por exemplo, virar o rosto quando alguém vem todo simpático cumprimentá-la!), mas também já experimentei as alegrias que perseverar em corrigi-la com a vara da disciplina, em amor, trazem! Um dos segredos, sem dúvidas, é aplicar a "educação diretiva", compreendendo o conceito de "criar dentro do funil" (Ezzos). Até hoje, por exemplo, a Nicole não tem permissão de sair da cama sozinha ao acordar. As liberdades nós damos à medida em que ela está pronta para usá-las com responsabilidade, ou seja, quando desenvolveu um nível satisfatório de autocontrole (para ler mais sobre este assunto, clique nos posts: Desenvolvimento do autocontrole, Eduque, não reeduque! e Comportamento e Mobilidade).
Hoje em dia uma das minhas maiores ALEGRIAS como mãe é colher os frutos das boas sementes plantadas (arduamente, devo acrescentar) até aqui! E, acredite, arduamente mesmo! Ser uma mãe proativa é remar contra a correnteza do mais cômodo, é tomar uma postura contra a inércia, é antecipar, prever, planejar. É não ficar parada esperando e apenas reagindo às situações que aparecem. Sim, é um processo árduo, mas também muito recompensador porque não é apenas a criança que se desenvolve e aprende, nós também crescemos e nos tornamos pessoas melhores. Por isso, aqui venho encarecidamente pedir a você, mamãe leitora, de não cair no engano (que é muito comum) de pensar "Ai, como ela é sortuda: a filha dela é boazinha e obedece" ou "Se meu filho também fosse assim seria muito fácil, mas eu não tive a mesma sorte". Não é sorte!! Em vez de pensar assim, corra atrás de conhecimento que possa auxiliá-la na sua tarefa de educar. É difícil, eu sei, mas Deus honra os nossos esforços, renova as nossas forças e nos dá novas estratégias para cada situação porque, afinal, Ele é o maior interessado de nos ver prosperar neste intento de criar filhos segundo o Seu coração e edificar uma família unida. Quem acompanha o blog há mais tempo com certeza já percebeu que eu sou fã do livro do Tedd Tripp chamado "Pastoreando o Coração da Criança" (você encontra resumos dele neste blog) e sabe que eu também recomendo o curso "Educação de Filhos À Maneira de Deus" (que é oferecido pela UDF - saiba mais)!
Linguagem
A fluência da Nicole nos dois idiomas - português e inglês - melhorou muito. Bem, pelo menos na minha concepção, ela fala os dois idiomas muito bem! Estou muito contente por isto. Lembro-me de que, exatamente um ano atrás, eu me sentia desorientada com relação a este processo todo da aquisição de fluência, temendo que ela não fosse aprender direito nem um nem outro porque eu misturava os dois idiomas em casa. Mas não, ela sabe distinguir os dois e já entendeu, inconscientemente, que na igreja e em casa nós nos comunicamos em inglês, mas que na escola e em outros ambientes nós nos comunicamos em português. Isto é especialmente bom porque o fato dela falar bem o inglês vai me ajudar a ensiná-lo à Alícia também.
Como professora de inglês por vocação, esta é uma área que me fascina! Até a chegada das meninas, minha experiência de ensinar inglês sempre fora com o público adulto. Embora esteja sendo uma experiência inusitada para mim, estou descobrindo muitas semelhanças no processo de aquisição da fluência da Nicole e dos alunos com quem tive contato durante os meus quase 15 anos de experiência nesta área! Por isto, apenas para fins de curiosidade, vou registrar alguns erros de estrutura em inglês (e também em português) que a vejo cometer.
- Não conseguir conjugar os verbos no passado muito bem ainda e confudir os pronomes "he/him" e "she/her". Quando ela quer me dizer que a irmã levantou do berço, por exemplo, em vez de dizer: "She got up", ela diz "Her get up". Eu acho que erros deste tipo (de conjugação) são bem comuns entre crianças que estão aprendendo a falar. E ela faz isto em português também, outro dia mesmo disse: "Eu já bebei, mãe" e esta manhã perguntou: "Onde você fazeu isso, pai?".
- Ainda falando em pronomes, houve uma época em que, em português, todas as pessoas para ela eram "ELE". Muito curioso! Ela não conhecia ou sabia usar os outros pronomes em português. Quando ela fazia isso, eu brincava que ela era minha "gringazinha", rs.
- Em inglês percebo que isso ainda acontece quando ela quer dizer "sozinha" e, em vez de dizer "by myself", ela fala "by yourself" (que pra ela serve para todas as pessoas). Deduzo que isto acontece como resultado dela automaticamente reproduzir aquilo que me ouve dizer - por exemplo, quando eu digo "Can you do it by yourself?"- e ela não sabe que tem de mudar a pessoa na hora de responder.
- Acho muito curioso que quando ela quer dizer "Não consigo fazer" em inglês, ela fala "No can do it" e o "Não quero isso" dela fica "I no want it"! Esses erros seguem a mesma lógica de tradução de alguém que já tem a estrutura da língua bem sendimentada em português usa quando está aprendendo o inglês, rs! Seguindo essa tendência de traduzir ao 'pé da letra', ela diz "Give for me" em vez de "Give it to me". E, ainda, usa o "yet" significando "ainda" no lugar de "still" em frases afirmativas (por exemplo, "I'm eating yet"). Minha teoria é que ela costumeiramente me ouviu fazer perguntas com o "yet" - como por exemplo "Did you finish yet?" - e deduziu que "yet" é "ainda" e pronto.
- Já em relação à vocabulário, ela sabe bastante coisa e aprende com facilidade - está sempre nos surpreendendo com palavras novas! Geralmente meu marido e eu nos entreolhamos como quem diz "Uau, ela sabe isto!", haha. :) Há outras estruturas que ela domina bem, como o uso do gerúndio e da 3a pessoa no presente (no afirmativo apenas, já ela não domina o uso do auxiliar ainda), o que não deixa de ser algo fantástico.
Como já comentei, a fase em que a Nicole está hoje é muito gostosa porque ela consegue conversar e interagir com as pessoas e entende muito mais o que acontece ao seu redor. Acho a lógica do pensamento infantil extraordinária! Quem não se diverte com as perguntas inteligentes ou frases engraçadas que criança nesta idade diz?! Estou amando acompanhar de perto como a capacidade de raciocínio dela se desenvolve, responder às suas muitas dúvidas (ela é uma tagarela!!), perceber quais são suas curiosidades, seus medos, sua relação afetiva com as pessoas, ensiná-la sobre os princípios de Deus para o convívio em sociedade, a bênção da submissão, do respeito e da honra, enfim, ter o privilégio de pastorear o seu coração (suas emoções), ajudando a compreender o que sente e como lidar com todas essas emoções.
Um exemplo de sua sensibilidade para com o que acontece ao seu redor aconteceu hoje. Estávamos saindo da igreja e nos dirigindo ao carro para ir pra casa quando vimos uma moradora de rua deitada na calçada. A Nicole olhou para aquela pessoa ali há alguns metros de nós e foi logo me perguntando quem era aquela pessoa e onde estava a mamãe dela! Falei que ela provavelmente havia perdido sua mamãe e que por isto ela estava ali, e ela pensativa se pôs a me fazer mais perguntas (sobre onde era a casa dela, se ela tinha cama pra dormir, etc). O fato da mulher estar ali naquela condição mexeu com ela! Já reparei também como certas cenas de desenho infantil a comovem ou perturbam. Vou citar dois em particular que me lembro agora, ambos do Veggie Tales. Na história sobre Moisés ainda bebê deixado no rio, ela chora quando a correnteza o leva para longe da irmã. Nessa hora eu normalmente tenho de ficar ali perto dela e abraçá-la, ou simplesmente pulo a cena. Em outra história ela se apavora quando o espírito fantasmagórico da avó de um dos personagens sai de um retrato pendurado na parede (é uma visão que o personagem tem)! Ah, acabei de me lembrar outro desenho - um dia ela estava na casa da minha mãe e estava passando Shrek. Não sei qual cena foi, mas minha mãe contou que ela ficou aflita, apontando para a TV e dizendo que estava com medo.
Outro exemplo de sua sensibilidade está no relacionamento com a irmã. E não posso expressar como ver as duas se dando bem enche meu coração de alegria (Salmo 133)! Claro que já houve momentos tensos de conflito entre elas, mas a Nicole (que antes era muito egoísta e não aceitava dividir seus brinquedos) aos poucos tem aprendido a me imitar no tratamento com a Alícia e a ser carinhosa, protetora, companheira, etc. Ela beija, abraça, cuida e se esforça para fazê-la dar gargalhadas - é muito gostoso de ver! Mesmo contrariada às vezes cede algum brinquedo para dar preferência à irmã e pede desculpas com um beijo quando a machuca (direciono-a a fazer as pazes, mesmo que a Alícia não esteja entendendo nada).
Escola
Como mãe tenho enfrentado um dilema com relação a algumas das atividades especiais que a escola da Nicole organiza. Na verdade, não tenho queixas da escola em si, é um lugar organizado e acolhedor e, embora faça uso de propostas pedagógicas consideradas tradicionais, estou muito satisfeita. Porém, não é uma escola cristã e eu não estou sabendo muito bem como lidar com isto ainda (já que eu estudei num colégio cristão minha vida toda e a escola em que ela estudou no ano passado também era cristã). No início do ano, por exemplo, a escola promoveu uma festinha de carnaval para as crianças e a Nicole não participou. Como pais entendemos que, por mais inocente que esta atividade fosse para as crianças nesta idade, não queríamos "naturalizar" a idéia de uma festa tão contrária aos princípios de Deus (e também morais, de culto ao corpo). Achamos que 'não convinha' ela participar e, portanto, comuniquei a escola com antecedência que ela faltaria neste dia. Para compensar, chamei uma amiguinha da mesma escola (só que mais velha) para vir em casa e as duas brincaram na piscina enquanto nós, mamães, conversávamos, rs. A questão é que quando este evento escolar aconteceu a Nicole era tão nova que ir ou não ir não teve a menor importância para ela! Ela não compreendia o suficiente para saber que tinha perdido uma atividade "legal" com os amigos. E, lembrando agora, na verdade quem "sofreu" mais com isto fui eu quando saíram as fotos do evento no site da escola e minha filha não estava nelas, hehe! Isto foi há mais de seis meses e agora a Nicole já entende muito mais.
E um dia desses ela chegou em casa falando do Parque da Xuxa. Eu não gosto nadinha da Xuxa - mais ou menos pelo menos motivo de não achar o carnaval uma festa inocente: na minha opinião, a Xuxa representa um péssimo modelo a ser seguido, admirado ou valorizado por qualquer sociedade que se preze por seus valores morais!! É tão descarado ela incitando as crianças - principalmente as menininhas - à sensualidade que fico boba que muita gente ache isto normal. Enfim, não é apenas por uma questão cristã, mas moral!! A cena daquelas paquitas dançando e vestidas como prostitutas, na minha opinião, deveria assustar qualquer pai e indigná-lo! Nenhuma mãe deveria permitir que seu filho alimente sua mente e coração com essas ´baixarias´, mesmo as veladas. Bem, mas como dizia, achei esquisito a Nicole falar em Parque da Xuxa, mas só entendi mesmo quando li o comunicado na agenda que dizia que a escola está organizando um passeio para lá. E, por isso, agora estamos num dilema cruel! Não queremos prestigiar a Xuxa investindo dinheiro para que ela fique mais rica do que ainda já é, ou ganhe mais notoriedade. Além disso, há tantos outros parques legais na cidade, tinha de ser justo o da Xuxa?! Outro motivo é que vai ser um passeio de um dia inteiro (das 9:00 às 17:30) e acho cansativo demais para uma criança de apenas 3 anos. Mas, apesar disso, não quero que minha filha se sinta mal no dia seguinte ao evento quando os amiguinhos da escola estiverem comentando a experiência, falando dos brinquedos em que foram, o que comeram, o que fizeram, etc!
É tão difícil saber o que fazer em situações como essas, não é? Se você já passou por alguma experiência semelhante, conte-nos como foi. Quem sabe você me dá uma "luz", rs.
Bem, é isto!
Um abraço, Talita
sábado, 12 de março de 2011
Mudanças no comportamento a partir do 2º. ano de vida - Parte 2: EMOÇÕES
Além das mudanças advindas de sua recém-desenvolvida mobilidade, os primeiros 6 meses após completar seu 1º. aninho também foram marcados por expressões cada vez mais evidentes de sua personalidade e emoções. Uma palavra que resume bem essa fase (a respeito do qual os Ezzos também alertam no seu curso "Preparation for the Toddler Years: Parenting your 12 to 18 Month Old") é a IMPREVISIBILIDADE.
A Nicole está sempre a nos surpreender, até no que parece ser mais trivial. Num belo dia mostra-se fã de um único alimento colocado no prato e não quer nem saber de tocar nos outros, devora aquele ali, o escolhido do dia, como se fosse o melhor alimento do mundo. Mas no dia seguinte, ou mesmo na refeição seguinte, age como se nunca o tivesse comido e detém sua atenção em algum outro, que agora torna-se seu novo preferido. Vai entender?! Eu já desisti de tentar, apenas peço que Deus me dê sabedoria em cada situação pois realmente é muito difícil de prever!
Essa imprevisibilidade é de deixar as mamães com os cabelos em pé e é preciso ter tremedo jogo de cintura, além de muita, mas muuuuita paciência mesmo, para lidar com algumas das situações com que nos deparamos. Há certas atitudes (traquinagens, pra ser mais exata) da Nicole que eu pensei que uma criança só pudesse aprender se tivesse um irmãozinho maior para ensiná-la. Que nada, engano meu! Essas travessuras já vêm embutidas nela, bem que a Bíblia avisou, não é mesmo? Provérbios 22:15 diz que "a estultícia (insensatez) está ligada ao coração da criança". E está mesmo, deixe eu dar alguns exemplos que me deixam perplexas.
Como comentei no último post, tenho trabalhado com a questão dos limites fazendo o "rug time" 30 minutos todos os dias (período em que ela deve brincar dentro do limite do tapete da sala). A Nicole sabe exatamente o que é esperado dela para esse momento de atividade, mas vez ou outra quer testar os limites pra ver se é aquilo mesmo e se ela consegue não ter que ficar ali. Primeiro ela põe um pezinho pra fora do tapete e olha pra ver se eu estou olhando e se eu vou falar alguma coisa. Outras vezes joga algum brinquedo pra fora da área permitida e sai para buscá-lo (como quem diz "eu tenho um bom motivo pra sair"). Amigas, acreditem, se eu não ficar esperta ou for firme nessas horas, ela me dá o maior nó facinho!!
Como uma menininha tão doce e fofa poderia sequer cogitar a possibilidade de manipular sua tão dedicada mamãe?!
Haha, eu não sei, mas ela o faz!! E se eu bobear ela faz de mim gato e sapato! A primeira vez que me dei conta disso foi quando estávamos naquela fase difícil de alimentação. Sabe o que ela fazia para conseguir que eu a tirasse do cadeirão quando ela não queria comer? Fazia o sinal de "poo-poo" (comunicando que queria ir ao banheiro) porque ela sabia que eu não questionaria o pedido e agiria bem rápido. Fez isso várias vezes, eu sempre a levava ao banheiro e nada dela fazer! O mesmo quando chegava a hora de dormir, ela tentava de tudo (e ainda faz isso hoje em dia!): fazia o sinal de fome, de sede, de vontade de ir no banheiro... mas era tudo alarme falso, só queria mesmo era ganhar tempo e adiar o horário de ir dormir.
Exemplos dela tentar me manipular não faltam. Se a pegamos no flagra mexendo em algo que não deve (e ela sabe muito bem disso), já vi duas reações distintas: ou 1) ela congela e fica ali de costas (com o rosto escondido) torcendo para eu ir embora e esquecer o que vi ou 2) ela vira pra mim com um daqueles sorrisos amáveis, mostrando os dentes, pra tentar me distrair e fingir que nada aconteceu. Pode?! Como é difícil não dar risada nessas horas! Pode ser bonitinho vê-la fazendo isso hoje, mas daqui alguns meses ou anos certamente não será e corrigir ficará mais difícil também.
Eu ensinei o sinal de "Sorry" (pedido de desculpas) e faço-a a fazê-lo sempre que faz algo de errado, inclusive tentar me enganar, mas às vezes é tão mais fácil deixar aquilo pra lá. Preciso vencer a tentação de fazer vista grossa e lembrar da minha responsabilidade como mãe! Pois é, a Bíblia sempre tem razão! A estultícia está ligada ao coração da criança e, como pais que desejam o melhor para seus filhos e querem que eles sigam pelo caminho do bem, temos que disciplinar e corrigi-los para que tenham sensatez. É o que o final daquele provérbio bíblico diz: "mas a vara da correção (disciplina) a afugentará dela".
Como o objetivo desse post é falar das emoções, não tem como falar delas sem citar as famosas birras! Já reparou como elas são perpetuadas e incentivadas quando há público para elas? O que eu procuro fazer com a Nicole quando ela está contrariada é, em primeiro lugar, MANTER A CALMA (e às vezes isso é tão difícil!) pra então, com voz firme e amorosa, informar o que preciso que ela faça. Por exemplo, se eu a deitei no trocador e ela não quer cooperar, digo algo do tipo: "Nicole, a mamãe precisa que você fique quietinha agora pra eu poder trocá-la". E então, sem ceder aos seus gritos de protesto, começo a cantar alguma música pra ela. Normalmente ela para de chorar logo porque quer prestar atenção (ou cantar junto) e esquece que estava brava. Essa estratégia é boa pois muda o foco de tensão para algo divertido e a intenção é ajudá-la a desenvolver o tão almejado autocontrole (um fruto do Espírito!).
Não uso essa mesma estratégia toda vez, depende do contexto; normalmente não dou atenção ao gesto de manipulação (no caso a birra, ou o choro de manha) e a informo que choramingar é inaceitável. Se ela desobedece e continua, a isolo em algum canto (no berço, no cercadinho) até que ela se acalme, ou se ela estiver no "rug time" simplesmente viro as costas e a deixo lá. Nunca parei pra contar quanto tempo ela permanece brava, mas não deve durar mais que 1 ou 2 min, isso nos piores casos, pois como é assim desde sempre ela se conforma rápido, sabe que não vai ter plateia para sua ceninha de raiva.
No fundo no fundo sei que na maioria das vezes o problema é que ela ainda não sabe dominar suas próprias emoções. Por isso ressaltei no início que MANTER A CALMA é a melhor lição que você ensina para seu filho, pois ele irá imitá-la! Se você se descontrolar toda vez e gritar, ele vai aprender com seu comportamento: esse será o seu padrão de como lidar com as emoções. Então, por mais que eu sinta vontade de lhe dar uns tapas quando ela age assim, fazê-lo porque estou irritada é um péssimo hábito. Tenho que me lembrar o tempo todo que meu objetivo é ajudá-la a desenvolver o autocontrole, preciso compreender que se ela se descontrola e berra porque, por exemplo, eu confisquei algum objeto proibido, é porque ela ficou frustrada com a situação e ainda não sabe lidar com isso. E sou quem preciso ensiná-la como é o jeito aceitável de reagir!
Uma última observação que gostaria de fazer antes de finalizar é a respeito da escolinha. A Nicole começou a ir na escolinha na semana passada (não todos os dias, apenas 3x por semana e em regime de meio-período) e desde então ela ficou muito mais manhosa. Pede as coisas choramingando, não quer fazer as atividades comuns (resiste muito mais ao cercadinho, ao "rug time" e até à hora de dormir) e as coisas ficaram bem mais complicadas porque ela chora por qualquer coisa. Acho que é carência porque ela quer muito mais colo e atenção pra tudo, inclusive brincar. Parece que tudo o que ela não chorou lá na escolinha (na agenda veio que ela passou e se alimentou superbem todos os dias) ela está chorando aqui em casa. Estou esperando e pedindo a Deus que essa mudança brusca de comportamento seja algo temporário!
Um abraço e até mais!
Talita
A Nicole está sempre a nos surpreender, até no que parece ser mais trivial. Num belo dia mostra-se fã de um único alimento colocado no prato e não quer nem saber de tocar nos outros, devora aquele ali, o escolhido do dia, como se fosse o melhor alimento do mundo. Mas no dia seguinte, ou mesmo na refeição seguinte, age como se nunca o tivesse comido e detém sua atenção em algum outro, que agora torna-se seu novo preferido. Vai entender?! Eu já desisti de tentar, apenas peço que Deus me dê sabedoria em cada situação pois realmente é muito difícil de prever!
Essa imprevisibilidade é de deixar as mamães com os cabelos em pé e é preciso ter tremedo jogo de cintura, além de muita, mas muuuuita paciência mesmo, para lidar com algumas das situações com que nos deparamos. Há certas atitudes (traquinagens, pra ser mais exata) da Nicole que eu pensei que uma criança só pudesse aprender se tivesse um irmãozinho maior para ensiná-la. Que nada, engano meu! Essas travessuras já vêm embutidas nela, bem que a Bíblia avisou, não é mesmo? Provérbios 22:15 diz que "a estultícia (insensatez) está ligada ao coração da criança". E está mesmo, deixe eu dar alguns exemplos que me deixam perplexas.
Como comentei no último post, tenho trabalhado com a questão dos limites fazendo o "rug time" 30 minutos todos os dias (período em que ela deve brincar dentro do limite do tapete da sala). A Nicole sabe exatamente o que é esperado dela para esse momento de atividade, mas vez ou outra quer testar os limites pra ver se é aquilo mesmo e se ela consegue não ter que ficar ali. Primeiro ela põe um pezinho pra fora do tapete e olha pra ver se eu estou olhando e se eu vou falar alguma coisa. Outras vezes joga algum brinquedo pra fora da área permitida e sai para buscá-lo (como quem diz "eu tenho um bom motivo pra sair"). Amigas, acreditem, se eu não ficar esperta ou for firme nessas horas, ela me dá o maior nó facinho!!
Como uma menininha tão doce e fofa poderia sequer cogitar a possibilidade de manipular sua tão dedicada mamãe?!
Haha, eu não sei, mas ela o faz!! E se eu bobear ela faz de mim gato e sapato! A primeira vez que me dei conta disso foi quando estávamos naquela fase difícil de alimentação. Sabe o que ela fazia para conseguir que eu a tirasse do cadeirão quando ela não queria comer? Fazia o sinal de "poo-poo" (comunicando que queria ir ao banheiro) porque ela sabia que eu não questionaria o pedido e agiria bem rápido. Fez isso várias vezes, eu sempre a levava ao banheiro e nada dela fazer! O mesmo quando chegava a hora de dormir, ela tentava de tudo (e ainda faz isso hoje em dia!): fazia o sinal de fome, de sede, de vontade de ir no banheiro... mas era tudo alarme falso, só queria mesmo era ganhar tempo e adiar o horário de ir dormir.
Exemplos dela tentar me manipular não faltam. Se a pegamos no flagra mexendo em algo que não deve (e ela sabe muito bem disso), já vi duas reações distintas: ou 1) ela congela e fica ali de costas (com o rosto escondido) torcendo para eu ir embora e esquecer o que vi ou 2) ela vira pra mim com um daqueles sorrisos amáveis, mostrando os dentes, pra tentar me distrair e fingir que nada aconteceu. Pode?! Como é difícil não dar risada nessas horas! Pode ser bonitinho vê-la fazendo isso hoje, mas daqui alguns meses ou anos certamente não será e corrigir ficará mais difícil também.
Eu ensinei o sinal de "Sorry" (pedido de desculpas) e faço-a a fazê-lo sempre que faz algo de errado, inclusive tentar me enganar, mas às vezes é tão mais fácil deixar aquilo pra lá. Preciso vencer a tentação de fazer vista grossa e lembrar da minha responsabilidade como mãe! Pois é, a Bíblia sempre tem razão! A estultícia está ligada ao coração da criança e, como pais que desejam o melhor para seus filhos e querem que eles sigam pelo caminho do bem, temos que disciplinar e corrigi-los para que tenham sensatez. É o que o final daquele provérbio bíblico diz: "mas a vara da correção (disciplina) a afugentará dela".
Como o objetivo desse post é falar das emoções, não tem como falar delas sem citar as famosas birras! Já reparou como elas são perpetuadas e incentivadas quando há público para elas? O que eu procuro fazer com a Nicole quando ela está contrariada é, em primeiro lugar, MANTER A CALMA (e às vezes isso é tão difícil!) pra então, com voz firme e amorosa, informar o que preciso que ela faça. Por exemplo, se eu a deitei no trocador e ela não quer cooperar, digo algo do tipo: "Nicole, a mamãe precisa que você fique quietinha agora pra eu poder trocá-la". E então, sem ceder aos seus gritos de protesto, começo a cantar alguma música pra ela. Normalmente ela para de chorar logo porque quer prestar atenção (ou cantar junto) e esquece que estava brava. Essa estratégia é boa pois muda o foco de tensão para algo divertido e a intenção é ajudá-la a desenvolver o tão almejado autocontrole (um fruto do Espírito!).
Não uso essa mesma estratégia toda vez, depende do contexto; normalmente não dou atenção ao gesto de manipulação (no caso a birra, ou o choro de manha) e a informo que choramingar é inaceitável. Se ela desobedece e continua, a isolo em algum canto (no berço, no cercadinho) até que ela se acalme, ou se ela estiver no "rug time" simplesmente viro as costas e a deixo lá. Nunca parei pra contar quanto tempo ela permanece brava, mas não deve durar mais que 1 ou 2 min, isso nos piores casos, pois como é assim desde sempre ela se conforma rápido, sabe que não vai ter plateia para sua ceninha de raiva.
No fundo no fundo sei que na maioria das vezes o problema é que ela ainda não sabe dominar suas próprias emoções. Por isso ressaltei no início que MANTER A CALMA é a melhor lição que você ensina para seu filho, pois ele irá imitá-la! Se você se descontrolar toda vez e gritar, ele vai aprender com seu comportamento: esse será o seu padrão de como lidar com as emoções. Então, por mais que eu sinta vontade de lhe dar uns tapas quando ela age assim, fazê-lo porque estou irritada é um péssimo hábito. Tenho que me lembrar o tempo todo que meu objetivo é ajudá-la a desenvolver o autocontrole, preciso compreender que se ela se descontrola e berra porque, por exemplo, eu confisquei algum objeto proibido, é porque ela ficou frustrada com a situação e ainda não sabe lidar com isso. E sou quem preciso ensiná-la como é o jeito aceitável de reagir!
Uma última observação que gostaria de fazer antes de finalizar é a respeito da escolinha. A Nicole começou a ir na escolinha na semana passada (não todos os dias, apenas 3x por semana e em regime de meio-período) e desde então ela ficou muito mais manhosa. Pede as coisas choramingando, não quer fazer as atividades comuns (resiste muito mais ao cercadinho, ao "rug time" e até à hora de dormir) e as coisas ficaram bem mais complicadas porque ela chora por qualquer coisa. Acho que é carência porque ela quer muito mais colo e atenção pra tudo, inclusive brincar. Parece que tudo o que ela não chorou lá na escolinha (na agenda veio que ela passou e se alimentou superbem todos os dias) ela está chorando aqui em casa. Estou esperando e pedindo a Deus que essa mudança brusca de comportamento seja algo temporário!
Um abraço e até mais!
Talita
sábado, 12 de fevereiro de 2011
Mudanças no comportamento a partir do 2º. ano de vida - Parte I: MOBILIDADE
Tenho notado mudanças no comportamento da Nicole desde que ela completou seu 1º. aniversário e, sobretudo, de 2 a 3 meses pra cá. Uma série de fatores está associada a essas mudanças, dentre elas sua maior mobilidade, o desenvolvimento de sua personalidade e forma de expressar emoções e, como não poderia deixar de ser, minha segunda gravidez que tem influenciado meu humor e paciência diante das situações comuns do dia-a-dia. Hoje vou me deter apenas no primerio fator.
Com uma maior mobilidade vem também grandes desafios e começo a me perguntar se nossa pequena casinha será suficiente para conter essa criança ávida por espaço e movimento! A gente houve cada história de criança maltratada em creches e escolas que meu marido e eu havíamos decidido que só enviaríamos nossos filhos para a escola quando eles fossem grandes o suficiente para nos contar o que aconteceu por lá, ou seja, entre 2 e 3 aninhos de vida. Mas confesso que tenho seriamente cogitado em breve matricular a Nicole numa escolinha de 1/2 período de duas a três vezes por semana para que ela tenha alguma atividade diferente pra fazer durante a semana. Temos nossa rotina de atividades ao longo do dia - tempo dela brincar independente no cercadinho ou no cercadão, tempo de brincarmos juntas no quintal ou na piscina, tempo de fazer um passeio à casa da bisa que é nossa vizinha ou dar uma volta na pracinha perto de casa e também tempo de assistir a desenhos na televisão - mas chega o fim do dia e vejo que ela já está entendiada por fazer sempre as mesmas coisas, principalmente quando estou com muitoserviço do trabalho e a deixo mais tempo brincando sozinha.
Apesar dos desafios de acompanhar uma criança ativa que não quer parar quieta por muito tempo, estou amando essa fase. Aliás, está cada vez mais gostoso vê-la crescer! E eu sei que é chavão, mas "passa tão rápido"! Tenho me empenhado em ajudá-la a avançar para o próximo nível do seu desenvolvimento físico-motor (sou esposa de professor de educação física, rs!) e me delicio venda-o superar cada etapa - desde bem pequenina de bruço exercitando os músculos das costas (tummy exercise) até todo esforço que foi até ela conseguir sentar, levantar, agachar, engatinhar e finalmente caminhar sozinha com 1 ano e alguns dias. Hoje ela não só anda, como também corre, sobe e desce do sofá, se esconde atrás das cortinas da sala, gira e faz piruetas como bailarina e se joga contra o puff, rs! Claro que toda essa agitação só poderia resultar em tombos... (e vários!).. quando ela tropeça porque não olha por onde pisa, perde o equilíbrio, etc.! Clique nos links acima pra ver vídeos recentes.
Com toda essa mobilidade desenvolvida vem também uma ânsia desenfreada por sair explorando o mundo. A criança desta idade quer caminhar por toda parte, tocar em todos os objetos, normalmente levá-los à boca... e aí é que está o perigo e a importância de de criá-la dentro do funil. Os pais precisam de sabedoria para satisfazer, e até mesmo manter acesa, a chama da curiosidade, canalizando-a para aprendizados direcionados e, ao mesmo tempo, cuidar para não conceder liberdades que a criança ainda não tem maturidade para lidar.
Vou compartilhar rapidamente dois exemplos de limites que impusemos à Nicole desde o início e que somente agora estamos dando espaço para maior liberdade. O primeiro deles é com relação às nossas idas à igreja, onde a Nicole fica sempre de alguma forma "presa", às vezes no colo, mas muito mais frequentemente no carrinho. Por quê? Porque ela ainda não tem o autocontrole ou maturidade necessários para ficar quieta e comportar-se se estiver solta num ambiente tão amplo. Mesmo depois de já saber andar, continuamos levando o carrinho toda vez pra ela ter onde sentar presa todos os cultos. Uma vez, quando me viu entrando para o culto empurrando a Nicole no carrinho, uma mãe que também tem filha pequena (poucos meses mais velha do que a Nicole), me disse: "Ah, se prepara porque daqui a pouco é a sua vez!". Ela estava se referindo a ficar andando atrás da menina pra lá e pra cá porque ela não queria parar quieta. Eu não queria que chegasse a minha vez de jeito nenhum, rs! Achava aquilo horroroso e na mesma semana mandei email pra Tine perguntando se tinha que ser assim mesmo!! Ela me explicou que não, que tinha sim um jeito melhor e eu fiquei aliviada. = )
Pra ser sincera, limitamos até o tempo que ela ficava no colo e também no colo de quem ela ficava porque ficar no colo em si já é uma liberdade e com essa liberdade vem a tentação de querer ir para o chão. Dependendo de quem é o colo a pessoa talvez não seja firme o suficiente para segurá-la o tempo todo e ceda diante da pressão que ela fará pra descer e sair andando pela igreja. Ou pior, a pessoa poderá tirar o foco do culto ao tentar distraí-la com brincadeiras que também atrapalharão as pessoas que estiverem por perto. Por isso restringimos o tempo de colo somente aos momentos de louvor (e não necessariamente ao período inteiro, às vezes durante uma ou duas músicas apenas) e o restante do tempo ela passa sentadinha na carrinho.
Outra decisão que tomamos é que quando ela estivesse no colo (no meu ou no do meu marido), faríamos o possível para não perder o foco do culto a Deus. Continuaríamos cantando, fechando os olhos, levantando a mão (a única que estivesse disponível, rs!) e conversando com Deus, pois o centro da nossa atenção naquele momento não é a nossa filha, é Deus. E ela já aprendeu bem isso, pois normalmente olha pra frente e imita o que a maioria das pessoas ao redor está fazendo. Ela dança ao ritmo da música, bate palmas, aponta pra cima e, por incrível que pareça, às vezes até fecha os olhinhos enquanto libera seu próprio som de louvor a Deus!
Como já disse, o restante do tempo ela passa sentada no carrinho. Temos o cuidado de levar alguns brinquedinhos, livros ou bonecas para ela se entreter (com um de cada vez) se estiver ficando impaciente ou desejando ir para o chão. Também levamos a Nana pra ela se acalmar e tentar pegar no sono se estiver muito cansada. Se ela estisver muito ranheta, o que normalmente acontece nos dias em que o culto demora mais pra acabar), um de nós sai com ela pra comer um lanchinho, trocar a fralda ou simplesmenste caminhar um pouco pra esticar as pernas num local apropriado para isso. Com essas ações delimitamos o que é ou não permitido naquele local e temos treinado-a nesses limites semana após semana. Quinze dias atrás experimentamos subir um pouco o nível de liberdade do funil. Eu queria sentir se ela já tinha maturidade e autocontrole suficientes para ser colocada no chão durante o louvor. Me surpreendi! Nos primeiros 5-10 minutos, ela ficou em pé bonitinha na minha frente fazendo o que sempre fazia no colo: louvando à maneira dela.
O seu autocontrole foi posto à prova quando duas outras crianças a viram e decidiram vir fazer uma visitinha, rs! E a mamãe aqui, querendo agradar, só criou mais problemas em potencial: ofereci alguns brinquedinhos ao grupo de crianças na esperança de que fossem todos ficar quietinhos sentados no chão brincando. Ledo engano! Um deles começou a pegar os brinquedos e sair andando com uma mãe desesperada atrás falando pra ele devolvê-los. Isso se repetiu algumas vezes até que ele decidiu desafiá-la e sair correndo pela igreja em pleno momento de louvor. Até ali a Nicole até que tinha se contido razoavelmente, mas o desejo de imitar o menino foi uma tentação por demais grande... e ela sucumbiu! Começou a fazer coisas erradas: correu descontroladamente, queria tocar nos pertences das pessoas nas outras cadeiras, etc., enfim, como nosso objetivo é trabalhar a obediência imediata (first time obedience) e ao notar que a situação estava pra sair do nosso controle, declaramos encerrado para o dia o tempo dela no chão. Ela voltou para o colo e logo em seguida para o carrinho, não sem resistir e ficar brava. Foi preciso isolá-la, saindo dali para que ela pudesse se recompor/acalmar da frustração que sentiu por ser privada de um recém-conquistado direito: a liberdade de ficar solta no chão.
No culto seguinte (coincidentemente na manhã seguinte) repetimos o teste e temos desde então concedido a ela alguns minutos de liberdade no chão durante o louvor toda vez. Ela ainda não tem autocontrole pra ficar o tempo todo no chão, pois depois de um tempo perde o foco ou se distrai com outras crianças que querem brincar com ela ou pegá-la no colo. Normal, né? Fazer o quê?! Nem tudo está ao nosso alcance, mas o principal é que temos insistido para ela precisa obedecer de primeira quando damos uma instrução. E se ela não obedece perde imediatamente o privilégio. No culto dessa manhã não resistimos e a filmamos louvando (clique aqui)! Apesar dos contratempos que surgem, estou satisfeita com os resultados até aqui porque tenho visto ela ir ganhando maior autocontrole. Por isso, pretendo seguir por esse caminho e continuar concedendo liberdades com cautela.
O segundo limite imposto e que agora estamos concedendo mais liberdade é em casa. Há muito tempo que a nossa sala de estar tinha virado o "cercadão" da Nicole brincar: juntamos dois sofás em L e o colocamos contra duas paredes de quina, com um tapete bem macio no meio. Acontece que no final de semana passado foi preciso rearranjar os móveis da sala porque iríamos receber um grupo grande de pessoas em nossa casa. Depois que as visitas foram embora, em vez de voltar os móveis à disposição anterior, meu marido e eu decidimos que estava na hora de impor limites invisíveis a Nicole e ensiná-la a respeitá-los. Era o teste para saber se ela estaria pronta pra ficar sem barreiras físicas limitando seu acesso pela casa.
O Nana Nenê adotou o termo "blanket time" para designar esse conceito de delimitar um cercado imaginário e, portanto, portátil para a criança respeitar, e ensina que devemos introduzi-lo à rotina desde bem novinhos. Eu até tentei fazer o "blanket time" algumas vezes no passado, mas confesso... não perseverei. Não tive paciência! A minha casa é muito pequena e eu não conseguia mudar o "blanket time" de lugar satisfatoriamente, como sugere o livro; por isso optei por ir pelo caminho mais fácil (que dava menos trabalho) e assim improvisamos barreiras físicas pra que ela tivesse uma área maior pra brincar com segurança. Porém, hoje "descobri" que as crianças crescem, rs! E aprendem a subir no sofá, a descer dele... chega um momento que aquela "parede" que criamos para contê-las inevitavelmente deixa de cumprir o seu propósito. Além disso, assisti ontem na Supernanny que a diferença da autoridade e do autoritarismo é justamente este: o filho pode obedecer por respeito à autoridade ou pode obedecer por força ou pressão imposta (autoritarismo). O problema é que se ele só obedece por força, talvez chegue o dia em que a força do filho se torne maior que a do pai, e então será que ele obedecerá?
Bem, estou nessa fase agora, tentando implementar o "rug time" (tempo do tapete). Está bem claro para a Nicole que ela não pode sair do tapete, mas às vezes ela escolhe desobedecer e daí é tão difícil colocá-la na linha. Estou tentando trabalhar isso com ela alguns minutos todos os dias e é desgastante ficar falando o tempo todo a mesma coisa, mas dessa vez não pretendo desistir. Irei perseverar porque tenho aprendido que a "educação financiada" é muito mais difícil!
O princípio-chave que quero compartilhar com esse post é que criatividade, concentração e, principalmente, auto-controle são melhor trabalhados num ambiente preparado, ou seja, propício para isso - e não às soltas, sem imposição de limites. Os limites são bons e necessários! Esse princípio é chave para 1] evitar hábitos desgastantes de tempo e paciência gastos perseguindo a criança pela casa (ou outro lugar) dizendo "não" para isso e para aquilo o tempo todo (ênfase na correção) e 2] promover o ambiente de paz, harmonia e estabilidade que seu filho precisa para ter um desenvolvimento emocional equilibrado (ênfase na direção).
E por falar em emoções, este é o tema para o próximo post! Aguarde. = )
Com uma maior mobilidade vem também grandes desafios e começo a me perguntar se nossa pequena casinha será suficiente para conter essa criança ávida por espaço e movimento! A gente houve cada história de criança maltratada em creches e escolas que meu marido e eu havíamos decidido que só enviaríamos nossos filhos para a escola quando eles fossem grandes o suficiente para nos contar o que aconteceu por lá, ou seja, entre 2 e 3 aninhos de vida. Mas confesso que tenho seriamente cogitado em breve matricular a Nicole numa escolinha de 1/2 período de duas a três vezes por semana para que ela tenha alguma atividade diferente pra fazer durante a semana. Temos nossa rotina de atividades ao longo do dia - tempo dela brincar independente no cercadinho ou no cercadão, tempo de brincarmos juntas no quintal ou na piscina, tempo de fazer um passeio à casa da bisa que é nossa vizinha ou dar uma volta na pracinha perto de casa e também tempo de assistir a desenhos na televisão - mas chega o fim do dia e vejo que ela já está entendiada por fazer sempre as mesmas coisas, principalmente quando estou com muitoserviço do trabalho e a deixo mais tempo brincando sozinha.
Apesar dos desafios de acompanhar uma criança ativa que não quer parar quieta por muito tempo, estou amando essa fase. Aliás, está cada vez mais gostoso vê-la crescer! E eu sei que é chavão, mas "passa tão rápido"! Tenho me empenhado em ajudá-la a avançar para o próximo nível do seu desenvolvimento físico-motor (sou esposa de professor de educação física, rs!) e me delicio venda-o superar cada etapa - desde bem pequenina de bruço exercitando os músculos das costas (tummy exercise) até todo esforço que foi até ela conseguir sentar, levantar, agachar, engatinhar e finalmente caminhar sozinha com 1 ano e alguns dias. Hoje ela não só anda, como também corre, sobe e desce do sofá, se esconde atrás das cortinas da sala, gira e faz piruetas como bailarina e se joga contra o puff, rs! Claro que toda essa agitação só poderia resultar em tombos... (e vários!).. quando ela tropeça porque não olha por onde pisa, perde o equilíbrio, etc.! Clique nos links acima pra ver vídeos recentes.
Com toda essa mobilidade desenvolvida vem também uma ânsia desenfreada por sair explorando o mundo. A criança desta idade quer caminhar por toda parte, tocar em todos os objetos, normalmente levá-los à boca... e aí é que está o perigo e a importância de de criá-la dentro do funil. Os pais precisam de sabedoria para satisfazer, e até mesmo manter acesa, a chama da curiosidade, canalizando-a para aprendizados direcionados e, ao mesmo tempo, cuidar para não conceder liberdades que a criança ainda não tem maturidade para lidar.
Vou compartilhar rapidamente dois exemplos de limites que impusemos à Nicole desde o início e que somente agora estamos dando espaço para maior liberdade. O primeiro deles é com relação às nossas idas à igreja, onde a Nicole fica sempre de alguma forma "presa", às vezes no colo, mas muito mais frequentemente no carrinho. Por quê? Porque ela ainda não tem o autocontrole ou maturidade necessários para ficar quieta e comportar-se se estiver solta num ambiente tão amplo. Mesmo depois de já saber andar, continuamos levando o carrinho toda vez pra ela ter onde sentar presa todos os cultos. Uma vez, quando me viu entrando para o culto empurrando a Nicole no carrinho, uma mãe que também tem filha pequena (poucos meses mais velha do que a Nicole), me disse: "Ah, se prepara porque daqui a pouco é a sua vez!". Ela estava se referindo a ficar andando atrás da menina pra lá e pra cá porque ela não queria parar quieta. Eu não queria que chegasse a minha vez de jeito nenhum, rs! Achava aquilo horroroso e na mesma semana mandei email pra Tine perguntando se tinha que ser assim mesmo!! Ela me explicou que não, que tinha sim um jeito melhor e eu fiquei aliviada. = )
Pra ser sincera, limitamos até o tempo que ela ficava no colo e também no colo de quem ela ficava porque ficar no colo em si já é uma liberdade e com essa liberdade vem a tentação de querer ir para o chão. Dependendo de quem é o colo a pessoa talvez não seja firme o suficiente para segurá-la o tempo todo e ceda diante da pressão que ela fará pra descer e sair andando pela igreja. Ou pior, a pessoa poderá tirar o foco do culto ao tentar distraí-la com brincadeiras que também atrapalharão as pessoas que estiverem por perto. Por isso restringimos o tempo de colo somente aos momentos de louvor (e não necessariamente ao período inteiro, às vezes durante uma ou duas músicas apenas) e o restante do tempo ela passa sentadinha na carrinho.
Outra decisão que tomamos é que quando ela estivesse no colo (no meu ou no do meu marido), faríamos o possível para não perder o foco do culto a Deus. Continuaríamos cantando, fechando os olhos, levantando a mão (a única que estivesse disponível, rs!) e conversando com Deus, pois o centro da nossa atenção naquele momento não é a nossa filha, é Deus. E ela já aprendeu bem isso, pois normalmente olha pra frente e imita o que a maioria das pessoas ao redor está fazendo. Ela dança ao ritmo da música, bate palmas, aponta pra cima e, por incrível que pareça, às vezes até fecha os olhinhos enquanto libera seu próprio som de louvor a Deus!
Como já disse, o restante do tempo ela passa sentada no carrinho. Temos o cuidado de levar alguns brinquedinhos, livros ou bonecas para ela se entreter (com um de cada vez) se estiver ficando impaciente ou desejando ir para o chão. Também levamos a Nana pra ela se acalmar e tentar pegar no sono se estiver muito cansada. Se ela estisver muito ranheta, o que normalmente acontece nos dias em que o culto demora mais pra acabar), um de nós sai com ela pra comer um lanchinho, trocar a fralda ou simplesmenste caminhar um pouco pra esticar as pernas num local apropriado para isso. Com essas ações delimitamos o que é ou não permitido naquele local e temos treinado-a nesses limites semana após semana. Quinze dias atrás experimentamos subir um pouco o nível de liberdade do funil. Eu queria sentir se ela já tinha maturidade e autocontrole suficientes para ser colocada no chão durante o louvor. Me surpreendi! Nos primeiros 5-10 minutos, ela ficou em pé bonitinha na minha frente fazendo o que sempre fazia no colo: louvando à maneira dela.
O seu autocontrole foi posto à prova quando duas outras crianças a viram e decidiram vir fazer uma visitinha, rs! E a mamãe aqui, querendo agradar, só criou mais problemas em potencial: ofereci alguns brinquedinhos ao grupo de crianças na esperança de que fossem todos ficar quietinhos sentados no chão brincando. Ledo engano! Um deles começou a pegar os brinquedos e sair andando com uma mãe desesperada atrás falando pra ele devolvê-los. Isso se repetiu algumas vezes até que ele decidiu desafiá-la e sair correndo pela igreja em pleno momento de louvor. Até ali a Nicole até que tinha se contido razoavelmente, mas o desejo de imitar o menino foi uma tentação por demais grande... e ela sucumbiu! Começou a fazer coisas erradas: correu descontroladamente, queria tocar nos pertences das pessoas nas outras cadeiras, etc., enfim, como nosso objetivo é trabalhar a obediência imediata (first time obedience) e ao notar que a situação estava pra sair do nosso controle, declaramos encerrado para o dia o tempo dela no chão. Ela voltou para o colo e logo em seguida para o carrinho, não sem resistir e ficar brava. Foi preciso isolá-la, saindo dali para que ela pudesse se recompor/acalmar da frustração que sentiu por ser privada de um recém-conquistado direito: a liberdade de ficar solta no chão.
No culto seguinte (coincidentemente na manhã seguinte) repetimos o teste e temos desde então concedido a ela alguns minutos de liberdade no chão durante o louvor toda vez. Ela ainda não tem autocontrole pra ficar o tempo todo no chão, pois depois de um tempo perde o foco ou se distrai com outras crianças que querem brincar com ela ou pegá-la no colo. Normal, né? Fazer o quê?! Nem tudo está ao nosso alcance, mas o principal é que temos insistido para ela precisa obedecer de primeira quando damos uma instrução. E se ela não obedece perde imediatamente o privilégio. No culto dessa manhã não resistimos e a filmamos louvando (clique aqui)! Apesar dos contratempos que surgem, estou satisfeita com os resultados até aqui porque tenho visto ela ir ganhando maior autocontrole. Por isso, pretendo seguir por esse caminho e continuar concedendo liberdades com cautela.
O segundo limite imposto e que agora estamos concedendo mais liberdade é em casa. Há muito tempo que a nossa sala de estar tinha virado o "cercadão" da Nicole brincar: juntamos dois sofás em L e o colocamos contra duas paredes de quina, com um tapete bem macio no meio. Acontece que no final de semana passado foi preciso rearranjar os móveis da sala porque iríamos receber um grupo grande de pessoas em nossa casa. Depois que as visitas foram embora, em vez de voltar os móveis à disposição anterior, meu marido e eu decidimos que estava na hora de impor limites invisíveis a Nicole e ensiná-la a respeitá-los. Era o teste para saber se ela estaria pronta pra ficar sem barreiras físicas limitando seu acesso pela casa.
O Nana Nenê adotou o termo "blanket time" para designar esse conceito de delimitar um cercado imaginário e, portanto, portátil para a criança respeitar, e ensina que devemos introduzi-lo à rotina desde bem novinhos. Eu até tentei fazer o "blanket time" algumas vezes no passado, mas confesso... não perseverei. Não tive paciência! A minha casa é muito pequena e eu não conseguia mudar o "blanket time" de lugar satisfatoriamente, como sugere o livro; por isso optei por ir pelo caminho mais fácil (que dava menos trabalho) e assim improvisamos barreiras físicas pra que ela tivesse uma área maior pra brincar com segurança. Porém, hoje "descobri" que as crianças crescem, rs! E aprendem a subir no sofá, a descer dele... chega um momento que aquela "parede" que criamos para contê-las inevitavelmente deixa de cumprir o seu propósito. Além disso, assisti ontem na Supernanny que a diferença da autoridade e do autoritarismo é justamente este: o filho pode obedecer por respeito à autoridade ou pode obedecer por força ou pressão imposta (autoritarismo). O problema é que se ele só obedece por força, talvez chegue o dia em que a força do filho se torne maior que a do pai, e então será que ele obedecerá?
Bem, estou nessa fase agora, tentando implementar o "rug time" (tempo do tapete). Está bem claro para a Nicole que ela não pode sair do tapete, mas às vezes ela escolhe desobedecer e daí é tão difícil colocá-la na linha. Estou tentando trabalhar isso com ela alguns minutos todos os dias e é desgastante ficar falando o tempo todo a mesma coisa, mas dessa vez não pretendo desistir. Irei perseverar porque tenho aprendido que a "educação financiada" é muito mais difícil!
O princípio-chave que quero compartilhar com esse post é que criatividade, concentração e, principalmente, auto-controle são melhor trabalhados num ambiente preparado, ou seja, propício para isso - e não às soltas, sem imposição de limites. Os limites são bons e necessários! Esse princípio é chave para 1] evitar hábitos desgastantes de tempo e paciência gastos perseguindo a criança pela casa (ou outro lugar) dizendo "não" para isso e para aquilo o tempo todo (ênfase na correção) e 2] promover o ambiente de paz, harmonia e estabilidade que seu filho precisa para ter um desenvolvimento emocional equilibrado (ênfase na direção).
E por falar em emoções, este é o tema para o próximo post! Aguarde. = )
terça-feira, 13 de julho de 2010
Desenvolvimento do autocontrole
Um dos princípios que mais gosto e muito me chamou a atenção quando li Além do Nana Nenê de Gary Ezzo e Robert Buckman é que AUTOCONTROLE é a virtude fundamental - sem a qual as outras virtudes não podem existir - e a primeira que se deve buscar desenvolver nos pequeninos, já a partir dos 6-7 meses de idade.
Sobre isso os autores dizem: Aos atingir 5 anos, é tarde demais para a criança começar a trabalhar a capacidade de sentar quieta, prestar atenção e se concentrar. Tratam-se de habilidades referentes ao desenvolvimento MORAL, e não de atividades adquiridas de acordo com a idade (grifo meu).
Quando li essa afirmação pela primeira vez lembro-me de ter pensado, "Uau! Eles resumiram tudo, é isso mesmo!". Estudando mais sobre o assunto depois cheguei à convicção de que está aí uma chave importante para os pais que buscam verdadeiramente educar à maneira de Deus: entender que a educação que foca apenas o intelecto é incompleta e, como os próprios autores dizem, irá formar, na melhor das hipóteses, uma criança esperta porém moralmente frágil. O segredo é buscar uma educação que foca o coração da criança, que a ensina a ter a reação moral correta diante de diferentes situações; quando fazemos isso estamos educando-a como um todo.
Acho que como eu, muitas de vocês mamães devem estar pensando: "Tudo bem, Talita, eu concordo 100%, mas como fazer isso? Como fazê-los obedecer? Meu menininho (ou menininha) dá o maior show quando não consegue o que quer, as atitudes dele (ou dela) me deixam estarrecida e fico sem saber o que fazer, na maioria das vezes acabo cedendo às birras e manhas pra não passar vergonha". Se você já se viu diante de situações em que seu filho fez escândalo para conseguir o que queria, quando a desafiou e simplesmenste virou as costas e a desobedeceu mesmo depois que você deixou claro que não podia fazer algo, saiba que você não está sozinha. Nem dá para acreditar que esses fofuchos, ainda tão pequeninos e que antes pareciam verdadeiros anjinhos, são capazes de tanta rebeldia, não é mesmo?!
Para aplicar a solução que Ezzo e Buckman dão em seu livro, é preciso primeiro entender o princípio da obtenção gradativa de liberdades na mesma proporção em que a criança demonstra um comportamento responsável. Eles chamam esse princípio de "criar os filhos dentro do funil" e explicam que um erro comum é criar os filhos fora do funil dentro do 1º. ano de vida!
Segue uma representação matemática para facilitar a compreensão:
Liberdade > Autocontrole da criança ==> CONFUSÃO no desenvolvimento
Liberdade < Autocontrole da criança ==> FRUSTRAÇÃO no desenvolvimento
Liberdade = Autocontrole da criança ==> HARMONIA no desenvolvimento
Ezzo e Buckman afirmam: "Uma liberdade concedida a uma criança que não é orientada pelo nível de autocontrole necessário para lidar com ela acaba tornando essa criança ESCRAVA dos seus desejos" (grifo meu).
Por isso o segredo está em evitar a necessidade de ter que reeducar seu filho. Um bebê de 9 meses que aprendeu a engatinhar não pode ser dado a liberdade de tocar e explorar o que quiser. Não colocar restrições é conceder uma liberdade exagerada, pois o ambiente é grande demais para ele, oferece um nº. excessivo de variáveis com as quais ele não está pronto para lidar. Por que acrescentar à vida do bebê uma variável que precisará ser corrigida mais tarde? Ao invés de ajudá-lo a avançar gradativamente para uma liberdade cada vez maior, isso irá inevitavelmente fazê-lo regredir para uma restrição maior, e como todas sabemos nenhuma criança gosta de perder território que já conquistou!
Avalie constantemente aquilo que permitirá seu filho fazer, sempre levando em conta sua idade, compreensão e habilidades, de modo que a suspensão de privilégios não seja a norma, e sim exceção. Os autores afirmam que "É a correção constante e a imposição de limites que perturba o universo da criança, causando confusão no desenvolvimento" e "A sua vida e a de seu bebê serão muito mais agradáveis se você criar seu filho dentro do funil, permitindo que as restrições deem lugar às liberdades de forma GRADATIVA" (grifo meu).
Em breve pretendo escrever mais sobre o assunto, pois o livro é rico em detalhar exemplos práticos de como criar seu filho dentro do funil.
Beijos e até a próxima!
Sobre isso os autores dizem: Aos atingir 5 anos, é tarde demais para a criança começar a trabalhar a capacidade de sentar quieta, prestar atenção e se concentrar. Tratam-se de habilidades referentes ao desenvolvimento MORAL, e não de atividades adquiridas de acordo com a idade (grifo meu).
Quando li essa afirmação pela primeira vez lembro-me de ter pensado, "Uau! Eles resumiram tudo, é isso mesmo!". Estudando mais sobre o assunto depois cheguei à convicção de que está aí uma chave importante para os pais que buscam verdadeiramente educar à maneira de Deus: entender que a educação que foca apenas o intelecto é incompleta e, como os próprios autores dizem, irá formar, na melhor das hipóteses, uma criança esperta porém moralmente frágil. O segredo é buscar uma educação que foca o coração da criança, que a ensina a ter a reação moral correta diante de diferentes situações; quando fazemos isso estamos educando-a como um todo.
Acho que como eu, muitas de vocês mamães devem estar pensando: "Tudo bem, Talita, eu concordo 100%, mas como fazer isso? Como fazê-los obedecer? Meu menininho (ou menininha) dá o maior show quando não consegue o que quer, as atitudes dele (ou dela) me deixam estarrecida e fico sem saber o que fazer, na maioria das vezes acabo cedendo às birras e manhas pra não passar vergonha". Se você já se viu diante de situações em que seu filho fez escândalo para conseguir o que queria, quando a desafiou e simplesmenste virou as costas e a desobedeceu mesmo depois que você deixou claro que não podia fazer algo, saiba que você não está sozinha. Nem dá para acreditar que esses fofuchos, ainda tão pequeninos e que antes pareciam verdadeiros anjinhos, são capazes de tanta rebeldia, não é mesmo?!
Para aplicar a solução que Ezzo e Buckman dão em seu livro, é preciso primeiro entender o princípio da obtenção gradativa de liberdades na mesma proporção em que a criança demonstra um comportamento responsável. Eles chamam esse princípio de "criar os filhos dentro do funil" e explicam que um erro comum é criar os filhos fora do funil dentro do 1º. ano de vida!
Segue uma representação matemática para facilitar a compreensão:
Liberdade > Autocontrole da criança ==> CONFUSÃO no desenvolvimento
Liberdade < Autocontrole da criança ==> FRUSTRAÇÃO no desenvolvimento
Liberdade = Autocontrole da criança ==> HARMONIA no desenvolvimento
Ezzo e Buckman afirmam: "Uma liberdade concedida a uma criança que não é orientada pelo nível de autocontrole necessário para lidar com ela acaba tornando essa criança ESCRAVA dos seus desejos" (grifo meu).
Por isso o segredo está em evitar a necessidade de ter que reeducar seu filho. Um bebê de 9 meses que aprendeu a engatinhar não pode ser dado a liberdade de tocar e explorar o que quiser. Não colocar restrições é conceder uma liberdade exagerada, pois o ambiente é grande demais para ele, oferece um nº. excessivo de variáveis com as quais ele não está pronto para lidar. Por que acrescentar à vida do bebê uma variável que precisará ser corrigida mais tarde? Ao invés de ajudá-lo a avançar gradativamente para uma liberdade cada vez maior, isso irá inevitavelmente fazê-lo regredir para uma restrição maior, e como todas sabemos nenhuma criança gosta de perder território que já conquistou!
Avalie constantemente aquilo que permitirá seu filho fazer, sempre levando em conta sua idade, compreensão e habilidades, de modo que a suspensão de privilégios não seja a norma, e sim exceção. Os autores afirmam que "É a correção constante e a imposição de limites que perturba o universo da criança, causando confusão no desenvolvimento" e "A sua vida e a de seu bebê serão muito mais agradáveis se você criar seu filho dentro do funil, permitindo que as restrições deem lugar às liberdades de forma GRADATIVA" (grifo meu).
Em breve pretendo escrever mais sobre o assunto, pois o livro é rico em detalhar exemplos práticos de como criar seu filho dentro do funil.
Beijos e até a próxima!
Assinar:
Postagens (Atom)