Texto extraído do blog "The Beginning of Wisdom" e originalmente publicado em 21/05/2013. Traduzido por mim com permissão da autora.
FAQ: Should I make my child apologize? - By Jen Wilkin
Pais frequentemente me perguntam se é errado exigir que seus filhos peçam desculpas quando agem com falta de respeito ou desobedecem. Geralmente, a preocupação é que, ao fazê-lo, eles estejam ensinando o filho a mentir. Não seria muito melhor esperar a criança pedir perdão quando ela está realmente arrependida em vez de forçá-la a repetir um pedido de perdão que você a ensinou?
É louvável que você queira que o seu filho fale e aja sempre pelos motivos certos. E sim, obediência segundo o padrão de Deus vai além do que simplesmente dizer as palavras certas - a obediência segundo o padrão de Deus diz respeito a palavras certas com as motivações certas, é fazer o que é correto pelos motivos corretos. É esse tipo de obediência que pais cristãos desejam que seus filhos aprendam.
Mas como esse tipo de obediência é aprendido? Como a obediência segundo o padrão de Deus é assimilada? A resposta pode surpreendê-lo(a). Diferente dos adultos que aprendem pela razão, as crianças pequenas aprendem pela ação. Os adultos precisam ser convencidos de que uma determinada ação é a correta antes de desejarem adotá-la. As crianças, por outro lado, aprendem a fazer o que é certo antes de serem intelectualmente capazes de compreender as razões por trás da ação. Para elas, agir da maneira certa precede o entendimento do porquê é a atitude certa.
Os pais intuitivamente compreendem e aplicam esta "verdade educativa" com crianças pequenas em muitas áreas:
- Ensinando a linguagem dos bons modos antes que elas desejem ser corteses ("por favor" e "com licença").
- Ensinando a linguagem da gratidão antes que elas se sintam gratas ("obrigado(a)").
- Ensinando a linguagem do respeito antes que elas queiram ser respeitosas ("senhor" e "senhora").
- Ensinando a linguagem da oração antes que elas tenham desejo de orar (Deus é bom, o Pai Nosso, etc.).
Em suma, ensinamos para elas as linguagens que elas devem dominar para interagir com as pessoas antes mesmo que compreendam o valor ou o conceito do porquê essas linguagens são necessárias e boas.
Por isso, minha resposta para a pergunta "Devo exigir que o meu filho peça perdão?" é um enfático "Sim". Se nós fielmente já ensinamos as linguagens dos bons modos, da gratidão, do respeito e da oração, então por que não ensinar a linguagem do perdão? Não é uma linguagem igualmente importante que eles saibam? Por que ensiná-los a pedir perdão os encorajaria a mentir, mas a dizer "obrigado(a)" sem estar com o coração grato não? Não seria cruel deixar nossos filhos de mãos vazias numa situação em que o perdão precisa ser buscado?
A criança litúrgica
Crianças são criaturas extremamente litúrgicas: elas amam a repetição. Isso explica a capacidade que elas têm para ouvir a mesma história ou ver o mesmo filme muitas e muitas vezes, o apego que têm a um ritual na hora de dormir ou a um ursinho de pelúcia, a tendência de gritar "De novo, de novo!" quando andam num carrossel. As crianças são programadas para a repetição porque a repetição as ajuda a aprender.
Assim como o pastor de uma igreja que usa liturgia toda semana não presumiria que sua congregação tem fé genuína só porque ela repete o Credo Apostólico, nós pais não presumimos que os nossos filhos estão realmente arrependidos só porque aprenderam a pedir desculpas. Mas nós damos a eles as palavras certas confiando que a motivação correta irá acompanhá-las à medida que eles amadurecem.
Assim como a congregação precisa ver o pastor viver na prática a liturgia que ele usa na ministração, os nossos filhos precisam ver em nossas vidas a verdade das linguagens que lhes ensinamos. Uma criança que vê seus pais, genuinamente arrependidos, pedir perdão quando erram com eles irá rapidamente aprender a fazer o mesmo. Toda vez que pedimos perdão aos nossos filhos, nós damos a eles uma ideia de como é um genuíno e maduro pedido de perdão: "Me desculpe por tê-lo(a) machucado com as minhas palavras. No seu lugar eu ficaria assustado(a) e triste porque a Mamãe gritou com você. Não é certo eu falar assim com você. Você é precioso(a) para mim. Eu o(a) amo muito e não quero fazer isso novamente. Eu não honrei a Deus e eu não honrei você. Eu oro que Deus me ajude a mudar. Você me perdoa?".
Crianças mais velhas e pedidos de perdão
Devemos exigir que crianças mais velhas peçam perdão? À medida que crescem, elas se tornam intelectualmente capazes de associar a motivação correta à ação correta. Elas se tornam aptas a pedir perdão sem serem mandadas e sem palavras decoradas. Uma criança mais velha que já demonstrou genuíno arrependimento (e tem o exemplo dos pais), provavelmente está pronta para uma abordagem diferente quando um pedido de desculpas se faz necessário.
- "Essa foi uma reação exagerada. O que você acha que precisa acontecer agora?" (Eu preciso pedir desculpas). "Sim. Você está pronto(a) para fazer isso agora ou precisa de alguns minutos para pensar no que quer dizer?".
- "Eu acho que você já sabe qual a coisa certa para se fazer agora. Eu oro para que o Espírito Santo lhe mostre que você precisa de perdão. Estaremos prontos para conversar quando você estiver".
- "Você precisa pedir perdão para a sua mãe. Use alguns minutinhos para pensar sobre o que você quer dizer e, quando estiver pronto(a), venha dizer a ela como você se sente sobre o que aconteceu".
E então sim, espere o arrependimento genuíno se manifestar. Se demorar muito a aparecer, talvez sejam necessárias mais conversas sobre como a falta de perdão prejudica os relacionamentos e também estabelecer consequências que deem conta do recado. Mas a criança que está acostumada com um pai que rapidamente se arrepende e perdoa irá tipicamente fazer o mesmo.
Então, sim, exija um pedido de perdão do(a) seu(sua) filho(a) pequeno(a). Não permita que o medo de ensiná-lo(a) a mentir impeça você de educar seus filhos na liturgia do arrependimento. Seja exemplo para eles do que significa arrepender-se segundo o padrão de Deus, eduque-os fielmente na linguagem do perdão e ore para que o Senhor use as suas palavras e o seu exemplo para trazer genuíno arrependimento aos seus pequenos corações.
Jen Wilkin é esposa, mãe de quatro incríveis crianças e defensora de que as mulheres amem a Deus com suas mentes através do fiel estudo da Sua Palavra. Ela escreve, ministra e ensina mulheres sobre a Bíblia. Ela mora em Flower Mound, no Texas, e sua família chama "The Village Church" seu lar. Você pode encontrá-la em www.jenwilkin.blogspot.com.
Bem-vinda!!
Bem-vinda ao nosso blog!
Aqui, mamães muito diferentes mas com um único objetivo compartilham suas experiências nesta grande aventura que é a maternidade! Nós queremos, acima de tudo, ser mamães sábias, que edificam seus lares e vivem com toda plenitude o privilégio de sermos mães! Usamos muitos dos princípios ensinados pelo Nana Nenê - Gary Ezzo, assim como outros livros. Nosso objetivo é compartilhar o que aprendemos a fim de facilitar a vida das mamães! Fomos realmente abençoadas com livros (e cursos) e queremos passar isso para frente!
Aqui, mamães muito diferentes mas com um único objetivo compartilham suas experiências nesta grande aventura que é a maternidade! Nós queremos, acima de tudo, ser mamães sábias, que edificam seus lares e vivem com toda plenitude o privilégio de sermos mães! Usamos muitos dos princípios ensinados pelo Nana Nenê - Gary Ezzo, assim como outros livros. Nosso objetivo é compartilhar o que aprendemos a fim de facilitar a vida das mamães! Fomos realmente abençoadas com livros (e cursos) e queremos passar isso para frente!
"Com sabedoria se constroi a casa, e com discernimento se consolida.
Pelo conhecimento os seus cômodos se enchem do que é precioso e agradável"
Prov. 24:4,5
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quinta-feira, 22 de agosto de 2013
quinta-feira, 18 de julho de 2013
Ter filhos ou ser mãe?
Hoje recebi por e-mail a indicação de um vídeo em que a jornalista e também mãe de duas filhas, Maristela Tesseroli, co-autora do livro "Quero mesmo ser mãe?" (lançamento de 2010), fala sobre maternidade e ressalta a diferença entre querer TER FILHOS e querer SER MÃE.
Embora eu não tenha lido o livro e nem sei se concordo ou não com os valores que ele prega, eu me identifiquei com muitas das partes da sua fala no vídeo e achei que seria proveitoso compartilhá-lo com vocês e aproveitar para comentar alguns pontos sobre ele aqui no blog.
Em primeiro lugar, parece que a grande maioria das mulheres de nossa geração (e eu me incluo nesta lista!) não teve uma criação focada em nos ensinar a ser mães. Brincamos de bonecas, é evidente, e muito provavelmente também sonhamos em algum dia ter filhos (porque parece que é algo que toda mulher deve fazer), mas no geral parece que a ênfase e a prioridade eram dadas aos estudos e à carreira. Conseguir um diploma universitário e um bom emprego para obter independência financeira era, sem dúvidas, sinônimo de sucesso na vida. E, no caso de filhas de mães donas-de-casa, obtê-los significaria ainda superar a própria mãe e conquistar aquilo que ela sempre desejou e não pôde ter.
Eu senti esse mesmo baque que a Maristela falou quando sua primeira filha nasceu. Como ela, também sempre fui estudiosa, empenhada profissionalmente e ávida leitora. Portanto, durante a gestação da Nicole, eu também recorri aos livros. LI MUITO. Fui atrás de informações, conversei com pessoas, envolvi o meu marido e tentei me preparar o máximo que pude para a maternidade.
E aqui aproveito para contar que este semestre na faculdade o professor de psicanálise fez uma crítica à geração de pais inseguros da contemporaneidade que vão atrás de livros de auto-ajuda porque querem que alguém lhes dite passo-a-passo como é que eles devem fazer para educar os filhos. Eu concordo que isso ocorre. Há sim muita insegurança por parte dos pais de primeira viagem, mas era de se esperar, não?!
A observação que ele deixou de fazer em sua crítica é que, na verdade, o comportamento da atual geração de pais é fruto das mudanças que estão ocorrendo em nossa sociedade, mudanças estas que praticamente impossibilitam que as pessoas consigam aprender sobre a maternidade e paternidade por observação.
É verdade que provavelmente conhecemos muitas mulheres que têm filhos e que nos falam deles no dia-a-dia, mas são RARAS as oportunidades que temos de vê-las exercendo o "ser mãe"! E, pra completar o novo quadro, com o advento da escolarização cada vez mais precoce, nós também estamos compartimentalizando as nossas crianças por faixa etária. Já repararam? Assim, fica ainda mais complicado uma mãe inexperiente (e que passa muito tempo longe dos filhos) conseguir ensiná-los a conviver pacificamente, a se respeitarem, a serem companheiros, etc. Será que a organização serial da escola não está favorecendo que as crianças pequenas 'desaprendam' algo que a vida familiar força por ensinar (o conviver bem com pessoas de outra idade, tendo paciência com as crianças menores, por exemplo?).
Não sei vocês, mas eu ouço MUITAS mães reclamando que os filhos não se dão bem, se odeiam, se batem... Eu e meu irmão (2 anos mais novo) também éramos assim na infância. Brigávamos muito. E eu não acho que isso deva ser visto como 'normal'. Não quero criar minhas filhas com este padrão. Claro que há desentendimentos e arranca-rabos vez ou outra (muito frequentes em alguns dias!), mas eles acontecem mais quando as deixo muito tempo sem supervisão (geralmente por causa da mais nova que ainda está aprendendo a brincar civilizadamente). O ponto é que tirei a Nicole da escola este ano pra ficar em casa com as duas (e experimentar o homeschooling) e percebo o quanto elas se aproximaram! Isto me deixa feliz. Vê-las cuidando uma da outra, brincando juntas ou dando gargalhadas não têm preço. : )
Claro, acho que as brigas podem ter a ver com a ida precoce à escola, mas também têm muito a ver com a ausência da mãe no dia-a-dia da vida das crianças, para orientar o seu comportamento e aproveitar as diversas oportunidades que há num dia para pastorear o coração dos filhos! A gente ouve muito que o que importa é ter "qualidade de tempo" e, embora eu concorde que "qualidade" vale mais do que "quantidade", eu sinceramente acho que não é possível ter "qualidade" com pouca "quantidade", me entendem?
A Maristela também mencionou babás que são contratadas para cuidar das crianças o dia inteiro. Eu acho que esta é uma opção melhor do que ir para a pre-escola porque a atenção é mais individualizada. Por outro lado, não dá para ignorar que serão os valores dessa pessoa que serão passadas para a criança. E quando falo em valores me refiro a algo bem amplo - que vai desde preferências e prioridades a costumes, atitudes, comportamentos e, inclusive, afeto. O ser humano aprende por imitação e, ao entrar no mundo, é impossível uma criança não ser educada. A pessoa com quem ela passar a maior parte do tempo é quem transmitirá (ainda que implícita e não intencionalmente) o seu modo de viver, de falar, de pensar, etc. É algo bem sério!
Mas como eu dizia lá em cima, por mais que eu tivesse tentado me preparar para a maternidade, aprender por leitura é bem diferente de aprender por observação. Quando a minha irmã nasceu, eu já tinha 9 anos de idade e eu brinco que eu ajudei a criá-la porque minha mãe sempre trabalhou fora. Na verdade, fui uma espécie de terceira mãe dela porque a segunda era a menina que cuidava dela, de mim e do irmão do meio, mas a minha ajuda era limitada. Eu voltava da escola com a minha irmã de transporte pública, ajudava-a na lição de casa, lia e brincava com ela, essas coisas, mas aprender a cuidar da casa ou a cozinhar o jantar eu não aprendi! E, como a Maristela, quando chegou o momento da minha filha começar a comer sólidos, eu também não fazia a menor ideia de como fazer uma papinha, rs. E sinceramente também não lembro de ter visto minha mãe amamentar minha irmã quando bebê. Talvez também por causa disso, nunca foi algo que eu sonhei em fazer quando tivesse filhos. Amamentar era algo esquisito pra mim e foi um sufoco aprender.
Foi nesse período que eu me aproximei ainda mais de outras amigas mamães, dos livros e dos blogs sobre maternidade pra pedir ajuda! E foi nesse período também que surgiu o blog Maternidade Proativa, com a intenção de compartilhar os nossos aprendizados e lutas. : )
Gostei da afirmação da Maristela de que as mães devem priorizar os filhos acima da carreira profissional pelo menos nos primeiros três anos de vida deles. Pelo menos. Isso é tãaaao importante! Não significa que você vai viver apenas para eles (este extremo também acho perigoso), mas que é um momento da sua vida em que você vai fazer este investimento maior porque sabe que a maternidade proativa exige isso.
Acho que já comentei em algum post que li recentemente o livro "Why Love Matters - How Affection Shapes a Baby's Brain", da Sue Gerhardt, este ano e que ele também fala isso (do ponto de vista biológico e psicológico da criança). Eu queria muito ter conseguido fazer um resumo do livro para colocar aqui no blog, mas ainda não foi possível (e ainda por cima já devolvi o livro para a pessoa que me emprestou-o). Independentemente se eu conseguir ou não fazê-lo, recomendo muitíssimo a leitura não somente a pais e mães, mas a professores e, principalmente, LEGISLADORES do nosso país!
Priorizar os filhos acima da carreira profissional, em muitos casos, significa sair do mercado de trabalho por alguns anos. Digo em muitos casos porque não é toda mulher que tem o privilégio de poder conciliar emprego e maternidade. Acho que só é possível se for um emprego em meio-período ou com horários flexíveis. Pelo que entendi do vídeo, o livro "Quero mesmo ser mãe?" recomenda que se a mulher não conseguir conciliar as duas coisas então ela deve fazer o sacrifício e abrir mão do emprego temporariamente.
Em seguida, ela fala da questão financeira e do "constrangimento" que é para a mulher bem-sucedida e que sempre foi independente financeiramente pedir dinheiro ao marido para ir fazer unhas. Felizmente, esse problema não existe aqui em casa! Todo dinheiro que entra é sempre "nosso" e fazemos um planejamento mensal sobre como esse dinheiro será gasto. Portanto, eu já sei exatamente quanto posso gastar com cada categoria. Se quiser saber mais, conheça o livro que meu marido e eu escrevemos sobre finanças pessoais.
Durante três anos após o nascimento da Nicole (e a Alícia já tinha completado um ano de vida) eu consegui maternidade e trabalho. Eu montei um home office e continuei trabalhando e ganhando meu salário. Ia à empresa algumas vezes quando era necessário, mas não era algo que tomava o dia todo. Nos dois primeiros anos foi mais fácil. Quando você tem um bebê apenas e o coloca numa rotina, os dias são bem previsíveis. Eu aproveitava as sonecas da Nicole durante o dia e o fato dela dormir cedo à noite para trabalhar bastante. Quando ela estava acordada me dedicava somente a fazer atividades com elas, era muito bom! Eu não tinha quase preocupação com a casa porque tinha uma pessoa que me ajudava três vezes por semana.
Mas quando veio a Alícia tudo ficou mais difícil porque os horários das sonecas delas não batiam e eu já não conseguia mais trabalhar direito. Eu vivia me sentindo culpada, ou por não estar sentando pra dar minha atenção a alguma das meninas ou por estar com tanto trabalho atrasado! Até que um ano atrás (quando a Alícia tinha acabado de completar um aninho) eu decidi parar de trabalhar fora de vez. Foi um baque financeiro muito grande, mas eu me sentia muito feliz pela decisão. Sabia que tinha feito a escolha certa.
E hoje vejo como esta decisão foi importante. E como Deus usou-a para me abençoar de uma forma que eu nunca havia sonhado ou imaginado que um dia pudesse acontecer! Foi por causa da minha decisão de abrir mão do emprego (e consequentemente do salário) que voltei a estudar no período da noite para concluir a faculdade. E advinhem? Após concluir um ano de estudos, consegui uma bolsa para estudar no exterior! Estamos aguardando os vistos para poder comprar as passagens, mas se der tudo certo no mês que vemos nós quatro estaremos de mudança para o Canadá. Vamos morar em Montreal, no Quebéc!
Para terminar a minha reflexão de hoje, quero voltar na distinção que a Maristela faz sobre querer "ter filhos" e querer "ser mãe". É uma pergunta muito importante a se fazer, sem dúvida alguma. Já ouvi alguém dizer que vivemos na era do ter, em que as pessoas são valorizadas e reconhecidas não pelo que elas SÃO, mas pelo que elas TÊM - a roupa, o carro, a casa, o emprego... e aqui, inclusive, entram o cônjuge e os filhos. Este blog promove a maternidade e eu não quero, de maneira alguma, desanimar ninguém a ter filhos mas, por favor, EXAMINE O SEU CORAÇÃO. Assim como casar-se com as intenções erradas gera decepção e frustração no casamento, ter filhos com a finalidade realizar-se como pessoa ou de ganhar um status que a sociedade cobra também é perigoso.
Entenda que a maternidade é um chamado de Deus. Ele a criou para ser mãe! Mas você não tem filhos para si mesma, para suprir suas necessidades afetivas ou para colecionar conquistas e exibi-las para os outros.
A maternidade é um chamado solene.
Não é um passatempo.
Não é uma brincadeira.
Não é uma competição.
É algo que Deus usa para aproximá-la dEle.
É algo que irá exigir sacrifícios de você - certamente muito maiores do que você estaria disposta a fazer, sacrifícios que irão transformar o seu interior.
A maternidade é algo que a fará engolir o próprio orgulho e arrogância de achar que é alguém e descobrir o quanto ainda você tem a aprender, enquanto caminha ao lado desse "serzinho" que mal anda ainda.
Seja humilde e admita que você precisa de ajuda, busque em Deus as respostas para as suas angústias. E você entenderá porque SER MÃE é algo mais sublime, importante e digno de honra do que a imagem medíocre e sem valor que a nossa sociedade tenta nos vender em torno da carreira de "mãe".
sábado, 15 de junho de 2013
Maternidade pela perspectiva bíblica
Mais um post sensacional sobre maternidade aos olhos de Deus!
Embora eu concorde com tudo o que a autora diz a respeito do chamado à maternidade, quero fazer um contra-ponto: eu acho que o marido precisa vir antes dos filhos (para o bem dos próprios filhos). Quando nos tornamos mães, não deixamos de ser esposas.
"Bons cônjuges produzem bons pais" - frase dos Ezzos que eu amo tanto!
Outro comentário é que eu acho que nunca vivenciei esta hostilidade de que ela fala com relação à reação das pessoas quando estou com minhas filhas na rua. Bem, eu também só tenho duas por enquanto e percebo que, em nossa sociedade, ter dois filhos ainda é algo comum e considerado "normal". Mais do que isso já é mais facilmente estranhável.
Claro, não estou falando de mulheres de classes sociais mais baixas que têm muitos filhos e, infelizmente, pouca ou nenhuma condição de alimentá-los, vesti-los, etc. adequadamente. Mas parece que quanto mais instruída a mulher, menos filhos ela tem... uma pena.
Na minha experiência, a reação mais comum (depois do "que lindinhas"), é falarem da minha coragem - não somente por ter tido duas, mas por tê-las seguidinho, uma atrás da outra. Agora quando comento que gostaria de ter 4 filhos, aí sim é que elas esbugalham os olhos!
Eu espero sinceramente que a minha "coragem" sirva de inspiração para outras mulheres a darem o passo de fé de atender ao chamado divino para a maternidade... da mesma forma como outras mamães mais experientes, que têm 3, 4, 5 ou mais o são para mim hoje em dia. Sim, porque Deus me agraciou com muitos bons exemplos de mamães proativas. Mulheres que entenderam o seu chamado, se entregam diariamente aos pés da cruz e se dedicam integralmente à vida no lar, a suas famílias e, inclusive, à educação 'escolar' dos filhos.
Beijos, Talita
Embora eu concorde com tudo o que a autora diz a respeito do chamado à maternidade, quero fazer um contra-ponto: eu acho que o marido precisa vir antes dos filhos (para o bem dos próprios filhos). Quando nos tornamos mães, não deixamos de ser esposas.
"Bons cônjuges produzem bons pais" - frase dos Ezzos que eu amo tanto!
Outro comentário é que eu acho que nunca vivenciei esta hostilidade de que ela fala com relação à reação das pessoas quando estou com minhas filhas na rua. Bem, eu também só tenho duas por enquanto e percebo que, em nossa sociedade, ter dois filhos ainda é algo comum e considerado "normal". Mais do que isso já é mais facilmente estranhável.
Claro, não estou falando de mulheres de classes sociais mais baixas que têm muitos filhos e, infelizmente, pouca ou nenhuma condição de alimentá-los, vesti-los, etc. adequadamente. Mas parece que quanto mais instruída a mulher, menos filhos ela tem... uma pena.
Na minha experiência, a reação mais comum (depois do "que lindinhas"), é falarem da minha coragem - não somente por ter tido duas, mas por tê-las seguidinho, uma atrás da outra. Agora quando comento que gostaria de ter 4 filhos, aí sim é que elas esbugalham os olhos!
Eu espero sinceramente que a minha "coragem" sirva de inspiração para outras mulheres a darem o passo de fé de atender ao chamado divino para a maternidade... da mesma forma como outras mamães mais experientes, que têm 3, 4, 5 ou mais o são para mim hoje em dia. Sim, porque Deus me agraciou com muitos bons exemplos de mamães proativas. Mulheres que entenderam o seu chamado, se entregam diariamente aos pés da cruz e se dedicam integralmente à vida no lar, a suas famílias e, inclusive, à educação 'escolar' dos filhos.
Beijos, Talita
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Maternidade é um chamado
(e o valor que você dá a seus filhos)
(e o valor que você dá a seus filhos)
Publicado em 14/07/2011 no site http://www.desiringgod.org/blog
Por Rachel Jankovic, esposa e mãe de seis filhos
Alguns anos atrás, quando eu tinha apenas quatro filhos e quando o mais velho ainda tinha 3, eu arrumei todo mundo para sairmos fazer uma caminhada. Depois que eu finalmente consegui achar um cantinho na mochila para o último copinho de treinamento e estávamos prontos para sair, a minha filha de dois anos vira pra mim e diz: "Eita, como as suas mãos estão cheias!".
Ela poderia muito bem ter dito: "Você nunca ouviu falar de pílula anticoncepcional?" ou "São todos seus?".
Aonde quer que você vá, as pessoas querem falar sobre os seus filhos - porque você não deveria tê-los tido, como você poderia tê-los evitado, e porque elas jamais fariam o que você fez. Elas fazem questão que você saiba que você não estará mais sorrindo quando as crianças forem adolescentes. E tudo isso na fila do supermercado, com os seus filhos ouvindo.
Um trabalho ingrato?
A verdade é que anos atrás, antes que essa geração de mães nascesse, nossa sociedade decidiu o valor que os filhos teriam na lista de coisas importantes. Quando o aborto foi legalizado, essa decisão foi escrita em forma de lei.
Ter filhos tem bem menos valor do que conquistar uma graduação. Certamente bem menos do que fazer viagens. Menos valor do que a liberdade de sair à noite a seu bel prazer. Menos valor do que esculpir o corpo numa academia. Menos do que qualquer emprego que você tenha ou espere um dia ter. Aliás, os filhos têm menos valor até do que o seu desejo de ficar por aí, à toa, apenas fuçando nas unhas. Eles estão abaixo de tudo. Ter filhos é a última coisa que você deve pensar em fazer com o seu tempo.
Se você cresceu nesta cultura, é bem difícil ver a maternidade pela perspectiva bíblica e, a partir dela, enxergar a sua vida e a vida dos seus filhos como uma mulher cristã livre. Quantas vezes já não demos ouvidos a meias-verdades e outros enganos? Será que acreditamos que queremos ter filhos porque há algum tipo de inclinação biológica ou "instinto materno"? Será que o real motivo de desejarmos tê-los é por causa das roupas lindinhas e da oportunidade de tirar muitas fotos? Será a maternidade um trabalho ingrato para aquelas mulheres que não são capazes de fazer mais, ou para aquelas que se contentam com pouco? Se sim, onde é que estávamos com as nossas cabeças?
Não é um hobby.
Maternidade não é um hobby, é um chamado. Você não coleciona filhos porque acha que eles são mais bonitinhos do que figurinhas. Ter filhos não é algo para se fazer quando for possível achar tempo na agenda. O tempo que Deus lhe deu é para cumprir esse propósito.
Mães cristãs carregam seus filhos num território hostil. Quando você está em público com eles, você está acompanhando e defendendo objetos do desdém cultural. Você está publicamente confirmando que você valoriza o que Deus valoriza, e que você se recusa a valorizar o que o mundo valoriza. Você se posiciona ao lado dos que não podem se defender sozinhos e se posiciona à frente dos necessitados. Você simboliza tudo o que a nossa cultura detesta, porque você simboliza o entregar-se por alguém - e entregar a própria vida pelo próximo é o símbolo do evangelho.
A nossa cultura tem medo da morte. Entregar a própria vida é sempre aterrorizador. Curiosamente, é esse medo da morte que impulsiona a indústria do aborto: o medo que os seus sonhos morram, que o seu futuro morra, que a sua liberdade morra - é tentar escapar dessa morte correndo para os braços da morte.
Corra para a cruz
Mas o paradigma do cristão deve ser outro. Nós devemos correr para a cruz. Para a morte. Então entregue suas esperanças. Entregue o seu futuro. Entregue as coisas pequenas que a irritam. Entregue seu desejo de ser reconhecida. Entregue a sua impaciência com as crianças. Entregue a sua casa perfeitamente limpa. Entregue as queixas que você tem com relação à vida que você leva hoje. Entregue a vida imaginária que você poderia estar vivendo se não tivesse filhos. Apenas entregue.
Morte para si mesma não é o fim da história. Nós, mais do que todas as pessoas, deveríamos saber o que vem após a morte. A vida cristã é uma vida de ressurreição, uma vida que não pode ser contida pela morte, o tipo de vida que só é possível quando você já foi para a cruz e de lá voltou.
A Bíblia é clara quanto ao valor que os filhos têm. Jesus amou as crianças, e somos ordenadas a amá-las e a educá-las no caminho do Senhor. Devemos imitá-lo e nos deleitarmos em nossos filhos.
A pergunta é "como".
A pergunta aqui não é se você está representando ou não o evangelho, mas como você o está fazendo. Você tem entregado a sua vida aos seus filhos com rancor? Você enumera todas as coisas que faz por eles como um agiota contabiliza débitos? Ou você dá vida a eles da mesma forma que Deus o fez por nós - liberalmente?
Não adianta fingir. Talvez você consiga enganar algumas pessoas. Aquela pessoa na fila da loja pode acreditar no seu sorriso amarelo, mas os seus filhos não acreditarão. Eles sabem exatamente o valor que eles têm para você. Eles sabem quais são as coisas que você valoriza mais do que a eles. Eles sabem cada rancor que você guarda contra eles. Eles sabem que você fingiu uma resposta simpática àquela senhora apenas para depois ameaçá-los ou gritar com eles no carro.
Filhos sabem a diferença entre uma mãe que está fingindo para um estranho e uma mãe que defende suas vidas e o seu valor com seu sorriso, seu amor e sua absoluta lealdade.
Mãos cheias de coisas boas.
Quando minha filhinha disse: "Como as suas mãos estão cheias!", eu fiquei feliz porque ela já sabia qual seria a minha resposta. Era a mesma de sempre: "Sim, elas estão cheias - cheias de coisas boas!".
Viva o evangelho nas coisas que ninguém vê. Sacrifique-se pelos seus filhos em áreas que somente eles saberão. Valorize-os acima de si mesma. Eduque-os no ambiente puro da vida no evangelho. Seu testemunho do evangelho nos pequenos detalhes da vida tem mais valor para eles do que você pode imaginar. Se você falar para eles do evangelho, mas viver para si mesma, eles jamais crerão. Entregue com alegria a sua vida por eles todos os dias. Entregue a mesquinhez. Entregue a irritação. Entregue o rebuliço por causa da louça, por causa da roupa, ou porque ninguém sabe o duro que você dá.
Pare de se apoiar em si mesma e apoie-se na cruz. Há mais alegria, mais vida e mais gargalhadas do outro lado da morte do que você é capaz de alcançar por si mesma.
Viva o evangelho nas coisas que ninguém vê. Sacrifique-se pelos seus filhos em áreas que somente eles saberão. Valorize-os acima de si mesma. Eduque-os no ambiente puro da vida no evangelho. Seu testemunho do evangelho nos pequenos detalhes da vida tem mais valor para eles do que você pode imaginar. Se você falar para eles do evangelho, mas viver para si mesma, eles jamais crerão. Entregue com alegria a sua vida por eles todos os dias. Entregue a mesquinhez. Entregue a irritação. Entregue o rebuliço por causa da louça, por causa da roupa, ou porque ninguém sabe o duro que você dá.
Pare de se apoiar em si mesma e apoie-se na cruz. Há mais alegria, mais vida e mais gargalhadas do outro lado da morte do que você é capaz de alcançar por si mesma.
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
Dez mentiras que a Igreja de Jesus Cristo acredita sobre família e filhos - por Mary Fawcett
Abaixo segue o esboço da palavra que foi ministrada há algumas semanas no Chá de Bebê de uma mamãe aqui de nossa igreja. A autora é a esposa do meu pastor.
====*====
Orei
muito sobre esta palestra porque desejo ser fiel à Palavra de Deus e
quero também poder desafiar todas a ouvirem e obedecerem-na. Cada
vez mais O agradeço por sua tão preciosa Palavra que nos ensina
tudo o que precisamos para viver – de forma que possamos agradar o
nosso Pai e crescer em Sua graça.
O
título de hoje é DEZ MENTIRAS QUE A IGREJA
DE JESUS CRISTO ACREDITA SOBRE A FAMÍLIA E FILHOS.
Você
pode perguntar-se: “Nós? A Igreja? Acreditando em mentiras?”. Tenho
visto mais e mais como nós, na igreja, estamos sendo enganados pela
sociedade, pela cultura sobre estes assuntos tão importantes.
Mentira 1:
Filhos são um peso nas nossas vidas - exigem muito, dão pouco e por
isso, não devemos ter mais que um ou dois, no máximo!
MAS
a verdade é o que lemos em Salmo 127:3: “Os
filhos são herança do Senhor, uma recompensa que Ele dá”.
Outra versão diz que filhos são bênção do Senhor! Que outras
bênçãos o Senhor concede e nós rejeitamos? Em outras palavras,
eu NUNCA ouvi ninguém dizendo para o Senhor: “Por favor, não me
dê mais saúde, mais dinheiro, mais bens, casas, etc., etc.”, mas
é muito comum ouvir isto sobre filhos. “Ah, Senhor, não quero
mais filhos. Não quero mais das tuas bênçãos!”. Ora, se são
bênçãos, por que limitar-se a ter apenas um ou dois, no máximo?
Mentira 2: Ter filhos exige
sacrifícios demais, além de demandar tempo e dinheiro... Quero
evitar este trabalho em minha vida.
MAS a verdade
é que quando aprendemos a sacrificar-nos somos aperfeiçoados em e
por Cristo, trazendo glória para o Seu nome. Hebreus 13:15-16 diz:
“Por meio de Jesus, portanto, ofereçamos
continuamente a Deus um sacrifício de louvor, que é fruto de lábios
que confessam o seu nome. Não se esqueçam de fazer o bem e de
repartir com os outros o que vocês têm, pois de tais sacrifícios
Deus se agrada”. Aprender a
sacrificar-se em favor do próximo aumenta a nossa percepção do sacrifício
que Jesus fez na Cruz por nós – que, por sua vez, gera em nós louvor e
adoração mais intencionais e verdadeiros.
Mentira 3:
Financeiramente falando, não tenho condições de ter mais do que
um ou dois filhos.
MAS
a verdade é que Deus promete suprir TODAS
as nossas NECESSIDADES se formos obedientes e fiéis a Ele. Veja
Filipenses 4:19. TUDO pertence ao Senhor Jesus. Dinheiro NUNCA é um
problema para Ele. Ele pode muito bem dar a Seus filhos tudo o que
precisam, desde que eles estejam em comunhão com Ele e crendo em
Suas promessas.
Mentira 4:
Os filhos são meus e, por isso, crio-os do jeito que eu quiser
(para me agradar). Afinal, eu tenho todo o direito de querer que meus
filhos estejam sempre perto de mim e satisfaçam as minhas vontades.
MAS a verdade
é que os nossos filhos pertencem em primeiro lugar ao Senhor Jesus.
É Ele quem lhes dá a vida e planeja todos os seus dias. Cabe a nós
orar e buscar a vontade de Deus para cada um e prepará-los para
cumprir esta vontade. Salmo 127:4 diz: “Como
flechas nas mãos do guerreiro são os filhos nascidos na
juventude...”. Para que serve uma flecha?
Para ser enviada para longe, fora de nós, e realizar uma missão que
nós não podemos realizar, ir a lugares onde nós não podemos ir.
Este é o propósito de uma flecha. Assim também com os filhos - eles são confiados a nós por um tempo. Durante este tempo,
precisamos prepará-los para cumprir o desejo que DEUS tem para suas
vidas. Naquela época, o guerreiro passava muito tempo escolhendo a
madeira certa, cortando-a, polindo-a e lixando cada uma de suas
flechas. Era necessário INVESTIR muito tempo, talento e suor pra
torná-las úteis e aptas para cumprir o seu propósito. Como pais, precisamos
fazer o mesmo com os nossos filhos.
Mentira 5:
Antes de pensar em ter e cuidar de filhos, preciso ME cuidar e ME
realizar primeiro. Só então posso pensar em engravidar.
Que texto bíblico
respalda esta ideia de que
realização pessoal vem primeiro?
Eu não vejo em nenhum lugar que filhos devem ficar em segundo plano
quanto à realização de nossos sonhos pessoais.
MAS a verdade
é que casar e ter filhos era normal até o advento da pílula
anticoncepcional. A ideia de evitar filhos não nasceu do coração
do Pai Celestial. Ele sempre quer MAIS filhos na família dEle.
Quanto mais, melhor. E Ele é o nosso exemplo. Cada vida é
importante e tem valor para Ele.
Mentira 6:
A razão do casamento ou sexo é puramente o prazer que ele oferece.
MAS
a verdade é que sexo deve ser prazeroso, mas prazer não é a RAZÃO do
sexo. Deixe-me explicar. Por que nos alimentamos? O fazemos para nos
mantermos vivos. Sem comida nós morremos. O ato de comer é
prazeroso, MAS prazer não é a razão de comer. O prazer acompanha o
ato de comer, mas não é a razão -
o sustento de nossos corpos. O alvo principal do sexo é a reprodução
– ou seja, ter filhos. O prazer acompanha o ato, mas não é o
alvo ou a razão. Quando nós colocamos o prazer como a razão para
o sexo, abrimos a caixa da Pandora para todo tipo de aberração,
como nós estamos vendo hoje em dia. Se é só para ter prazer, então
pode ser entre três ou quatro pessoas ao mesmo tempo, pode ser com
alguém do mesmo sexo, pode incluir todo tipo de perversão. Deus fez
o casamento para ser a tenda da proteção dentro da qual um casal
recebe e cria filhos para a glória do Senhor Jesus Cristo. O ato
sexual foi dado ao homem para propagar a raça e unir a mulher e o
homem para toda a vida.
Mentira
7: Deus não se preocupa com o tamanho da
minha família. Isso não tem importância para Ele.
MAS
a verdade é o que lemos em Gênesis 1: 27 e
28: “Criou Deus o homem à sua imagem, à
imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. Deus os abençoou, e
lhes disse, “Sejam férteis e multipliquem-se! Encham a subjuguem a
terra! Dominem sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre
todos o animais que se movem pela terra”.
Alguém pode me dizer onde na Palavra do Senhor este mandamento foi
abolido? De onde veio a nova onda de planos sofisticados sobre o
tamanho da família que a igreja e a sociedade engoliu? Por que na
igreja vemos moças e moços reduzindo ou acabando com a fertilidade
que Deus lhes deu ao ponto de
nem engravidarem de um único filho? Pensamentos assim vêm do inimigo. E sabem por quê? Porque ele odeia a vida.
Mentira
8: Investir tempo para pessoalmente criar os
filhos não vale a pena. Outra pessoa pode preencher este papel no
meu lugar. Como mãe, eu não faço uma grande diferença na vida
cotidiana dos meus filhos.
MAS
a verdade é que a presença da mãe e o
investimento dela na vida do filho é TÃO IMPORTANTE que Deus
escolheu a dedo a mulher que seria a mãe de Seu próprio Filho. Não
temos tempo de fazer um estudo hoje sobre a vida de Maria, mãe de
Jesus, mas é interessante entender que tipo de mãe Deus escolheu
para cuidar e ensinar o Filho dEle. NÃO HÁ PRESENÇA MAIS IMPORTANTE
na vida de uma criança do que a de sua mãe! O desenvolvimento do
córtex cerebral que acontece dos 0
aos 3 anos é fortemente
afetado pela presença, cuidados diários e demonstração de afeto
que a criança recebe, principalmente, da mãe.
Mentira 9:
Posso ter mais influência no mundo exercendo uma carreira lá fora
do que criando os meus filhos em casa. A minha carreira no mundo
importa mais do que a
carreira de ser mãe e ficar em casa com os meus filhos.
MAS
a verdade é que a carreira de ser mãe é a
MAIS EXIGENTE E MAIS IMPORTANTE QUE EXISTE. Vamos ver o que Deus
pensa sobre esta carreira. I Timóteo 5: 9 e 10 diz: “Nenhuma
mulher deve ser inscrita na lista de viúvas, a não ser que tenha
mais de sessenta anos de idade, tenha sido fiel a seu marido, e seja
bem conhecida por suas boas obras, tais como criar filhos, ser
hospitaleira, lavar os pés dos santos, socorrer os atribulados e
dedicar-se a todo tipo de boa obra”. Na
lista de boas obras a primeira é criar filhos. Glória a Deus.
Ele vê esta obra como de grande valor. E também em Provérbios 31
vemos que a mulher virtuosa
se dedica à família, ao marido e aos filhos.
Durante
a minha vida, fui convidada a fazer muitas coisas. Antes de
aceitá-las, sempre me fiz a seguinte pergunta: Daqui 25 anos, quem
vai se lembrar do que eu fiz hoje?
O mundo vai esquecer, não vai dar valor, MAS os filhos se lembram e
dão valor. Recentemente, o Nathanael agradeceu o pai mais uma vez
por apoiá-lo em tudo o que
fazia, nos esportes, etc. E todos os nossos filhos me agradecem até
hoje por ter ficado em casa, cuidando das coisas importantes da vida.
A presença da mãe é de extrema importância. Porém, se alguém
realmente precisa trabalhar fora para pôr comida na mesa, e não tem
outra opção, a graça do Senhor pode cobrir a falta. Se
alguém trabalha fora porque
acha seu trabalho mais importante que cuidar dos filhos, então
é outra história.
Mentira 10:
Algumas vidas valem mais do que outras.
MAS a verdade
é que para o coração de Deus cada vida tem um propósito e é uma
alma que Ele ama. Veja Salmo 139:13-18. Hoje em dia os casais se
submetem a uma bateria de exames pré-natais para a satisfação
do(a) médico(a). Exames que servem, infelizmente, para promover a
prática do aborto contra certas criancinhas consideradas imperfeitas. Acredito que Deus seja radicalmente contra isso.
Salmo 139 nos diz que o próprio Deus, o Pai, o Aba, forma EM
SEGREDO estas vidas. Há certas coisas que não precisamos saber
antes deste bebezinho chegar. Conheço muitas mães que sofreram
demais depois de fazerem um ultrassom, ouvirem o técnico ou médico
delicadamente sugerir que TALVEZ tenha um probleminha. Me lembro de
uma amiga que recebeu a notícia logo no início da gravidez que o
bebê dela tinha um rim que não estava se desenvolvendo como
deveria. Ela me telefonou em prantos. Conversamos por muito tempo,
e falei para ela que este bebê ainda estava sendo formado. Deus não
tinha completado a obra que estava moldando e tecendo no seu ventre.
Ela ficou consolada, mas não conseguiu apreciar a gravidez
totalmente porque tinha este pensamento tirando a sua paz. Não faz
bem para a mãe e nem para o
filho.
Deus
sabe o que faz e Ele tem um plano BOM para cada vida. Cada vida deve
ser aceita e amada em nome de Jesus. Recentemente um casal em nossa
igreja teve um bebezinho com síndrome de Down. Apesar de ainda
muito novo, este menino tem trazido MUITA alegria e amor à nossa
congregação inteira. Ele nasceu cego com cataratas congênitas,
mas a igreja toda batalhou para que ele fosse operado e pudesse ter a visão restaurada. Todos nós oramos, ofertamos e demos apoio aos
pais. Ele pertence a todos nós e a vida dele, tão curta até
agora, já abençoou grandemente muitas pessoas.
Nós
temos uma neta que nasceu com um tumor no cérebro. Foi um choque
quando ficamos sabendo, MAS foi na hora certa, depois do nascimento
dela quando podia tratar do problema, não antes quando teria causado
muita tristeza e medo nos nossos corações.
Meu
desafio hoje é que possamos medir tudo aquilo que ouvimos e herdamos
de nossa cultura à luz da Palavra do Senhor, e que tomemos a posição
de sempre obedecer a esta Palavra! A Susanna, como mãe, já fez esta
escolha, e fico tão contente de ver os membros desta família
servindo o Senhor juntos. Ela escolheu a VIDA, e estamos aqui hoje
para apoiá-la, para amá-la e para encorajá-la nesta escolha!
Louvado seja o nome do Senhor. No nome do Pai, do Filho e do
Espírito Santo. Amén.
terça-feira, 15 de janeiro de 2013
Violência obstétrica em foco - sobre o documentário e a minha experiência
No fim do mês passado recebi por e-mail a divulgação do vídeo-documentário popular Violência Obstétrica - A voz das brasileiras, publicado no youtube em 24/11/2012, com os seguintes esclarecimentos:
"Peço que assistam e divulguem em todas as suas redes. Esse vídeo-documentário popular foi produzido por colegas do grupo de pesquisa GEMAS da Faculdade de Saúde Pública da USP, coordenado pela Professora Simone Diniz. Foi realizado a partir de vídeos caseiros gravados pelas próprias mulheres vítimas de violência obstétrica, absolutamente rotineira em serviços públicos e privados no momento do parto / nascimento. São 51 minutos de compartilhamento de angústias. Vamos auxiliar a dar visibilidade a esta questão, e assim resgatar para as mulheres o direito a uma assistência digna e baseada em escolhas informadas pela evidência".
Considerações Finais
Pelo documentário, uma em cada dez brasileiras sofre violência no parto (Fundação Perseu Abramo, 2010). Violência obstétrica é um termo bem forte - certamente o trauma das mulheres que contaram suas histórias no documentário também o é. Muito difícil não se emocionar ouvindo seus relatos, principalmente se você também em algum momento se sentiu constrangida, desamparada ou desrespeitada no seu TP ou pós-parto e não soube ou não pôde fazer nada para se defender ou diminuir a intensidade da dor. Como o caso da Patrícia Roberta Bellanda que, mesmo depois de dois anos, ainda não se recuperou totalmente. Se ao pensar sobre o assunto e relembrar os momentos vividos os olhos se enchem de lágrimas significa que a pessoa não superou por completo um trauma, então talvez eu também tenha de admitir que eu ainda não o superei. Chorei em vários momentos enquanto escrevia este texto e acho, inclusive, que falar sobre o assunto, destrinchar e tentar entender tin-tin por tin-tin tudo o que eu vivi e senti, me ajudou a dar passos largos rumo a essa superação. O mais importante, sem dúvidas, é perdoar: arrancar as raízes de amargura, jogar fora o rancor e deixar o Pai usar toda e qualquer situação - por melhor que seja - para nos curar, nos moldar e transformar à imagem do Seu Filho.
É verdade também que encontrar um obstetra de plano de saúde pró-parto normal é uma tarefa árdua. Porém, confesso que apesar disso tudo (inclusive de eu também me enquadrar como vítima desse tipo de violência), tenho bastante receio de usar o termo "violência obstétrica" de qualquer maneira. Como sempre, gosto de filosofar e, no meu entendimento, dizer que alguém foi vítima de "violência obstétrica" pressupõe que houve um vilão na história. Pressupõe também que esse vilão seja uma pessoa de carne e osso e que essa pessoa, necessariamente, seja o médico e/ou sua equipe obstétrica. Mas será que eles são realmente os culpados? Ou, de certa forma, eles também são vítimas de algo maior (o sistema)? Claro que com isso não estou tentando justificar a mentira, a enganação, a má fé, a ganância e nem mesmo o "jeitinho brasileiro" de querer tirar vantagem de tudo e de todos pra sair ganhando, doa a quem doer - porque, afinal, os fins não justificam os meios. Pelo contrário, quero denunciar esses vilões... porém lembrar que os verdadeiros vilões não são de carne e osso. São invisíveis, porém reais. Sim, em algumas denúncias de abuso, o agressor é mesmo uma pessoa, mas em muitas outras não - o vilão é o próprio sistema de saúde, de formação de médicos e, principalmente, do que nossa cultura valoriza como bom e desejável (e que nós muitas vezes aderimos sem sabedoria do Alto). Tanto num caso como no outro, precisamos nos lembrar que não somos deste mundo! Nossa Pátria não é aqui e o Reino a que pertencemos é outro. Por isso, precisamos estar sintonizadas com o nosso Pai e Salvador para vivermos plenamente nesta Terra, a salvo do verdadeiro e único inimigo de nossas almas. Há um mundo espiritual invisível a nossa volta que não podemos ignorar.
Como a Palavra nos orienta, em vez de sairmos atacando as pessoas que nos prejudicaram de alguma forma, vamos lembrar de orar por aqueles que nos maltratam. Ao Senhor pertence a vingança. Ele fará justiça se formos fiéis.
Lucas 6:27-36 - "Mas eu digo a vocês que estão me ouvindo: Amem os seus inimigos, façam o bem aos que os odeiam, abençoem os que os amaldiçoam, orem por aqueles que os maltratam. Se alguém lhe bater numa face, ofereça-lhe também a outra. Se alguém lhe tirar a capa, não o impeça de tirar-lhe a túnica. Dê a todo o que lhe pedir, e se alguém tirar o que pertence a você, não lhe exija que o devolva. Como vocês querem que os outros lhe façam, façam também vocês a eles. 'Que mérito vocês terão, se amarem aos que os amam? Até os 'pecadores' agem assim. E que mérito terão, se emprestarem a pessoas de quem esperam devolução? Até os 'pecadores' emprestam a 'pecadores', esperando receber devolução integral. Amem, porém, os seus inimigos, façam-lhes o bem e emprestem a eles, sem esperar receber nada de volta. Então, a recompensa que terão será grande e vocês serão filhos do Altíssimo, porque ele é bondoso para com os ingratos e maus. Sejam misericordiosos, assim como o Pai de vocês é misericordioso".
PARA LER O RELATO COMPLETO DOS MEUS PARTOS, CLIQUE EM:
Parto normal vale à pena?
Série Parto no Brasil: a caminho da humanização
"Peço que assistam e divulguem em todas as suas redes. Esse vídeo-documentário popular foi produzido por colegas do grupo de pesquisa GEMAS da Faculdade de Saúde Pública da USP, coordenado pela Professora Simone Diniz. Foi realizado a partir de vídeos caseiros gravados pelas próprias mulheres vítimas de violência obstétrica, absolutamente rotineira em serviços públicos e privados no momento do parto / nascimento. São 51 minutos de compartilhamento de angústias. Vamos auxiliar a dar visibilidade a esta questão, e assim resgatar para as mulheres o direito a uma assistência digna e baseada em escolhas informadas pela evidência".
O termo "violência obstétrica" é novo para mim e achei a iniciativa desse grupo de pesquisa muito válida! No entanto, sem querer desmerecer o esforço de quem se envolveu nessa bela empreitada (com certeza deu um trabalhão), a produção do vídeo deixou a desejar em alguns quesitos que eu considero importantes. Isso, infelizmente, me desmotivou a continuar assistindo e quase me fez desistir duas vezes - eu que amo esse assunto, imagine quem tacha como "frescura" esse movimento pró parto normal?
Considerações sobre a produção do documentário
1. Cada mulher filmou seu próprio depoimento em casa, então a qualidade do áudio ficou ruim - o que é compreensível, mas poderiam ter colocado uma legenda; há momentos que, em meio a barulho de cachorro, papagaio e carros na rua, não dá para entender o que a pessoa está dizendo.
1. Cada mulher filmou seu próprio depoimento em casa, então a qualidade do áudio ficou ruim - o que é compreensível, mas poderiam ter colocado uma legenda; há momentos que, em meio a barulho de cachorro, papagaio e carros na rua, não dá para entender o que a pessoa está dizendo.
2. Eu particularmente também não gostei da forma como foi feito o recorte dos depoimentos - ficaram picados e eu tive dificuldade de acompanhar a história inteira de cada mulher.
3. Após poucas palavras, já havia um longo intervalo para reforçá-las, sem conteúdo relevante que justificasse isso. Isso tornou o vídeo cansativo para mim. Sem querer, obviamente, menosprezar a dor das mulheres que contaram suas histórias (porque me empatizo com elas!), o recurso dos intervalos exagerados para provocar tensão, como nos jornais sensacionalistas - pouca informação clara e muito drama - não era necessário e me incomodou. O "relato simples", eu creio, já teria sido suficiente para emocionar.
4. Em algumas falas, as mulheres usam nomes técnicos para comentar procedimentos adotados pela equipe médica e não há um esclarecimento em linguagem comum do que eles significam. Como a intenção do documentário é atingir, dentre outros, o público feminino leigo para que se atente à esta importante questão, acho que poderia ter havido um pouco mais de esclarecimento de pontos que passaram batido.
Apesar desses pontos contras, como falei acima, o tema é muito pertinente e acredito que merece sim ser divulgado! Inclusive, para quem se interessar, a Lígia Moreiras Sena, uma das principais defensoras do movimento contra a chamada 'violência obstétrica' e autora do blog Cientista que Virou Mãe, publicou um post contando um pouco sobre como foi A repercussão do documentário.
Claro que não posso terminar esse post sem falar do que é o mais importante: o essencial do documentário - aquilo que ele agregou de conhecimento a mim e a reflexão que pude fazer à medida que ouvia os relatos e pensava na minha própria experiência. Para fazer esse post, fiz questão de assisti-lo todo mais uma vez e, como eu já sabia do que se tratava, achei que a experiência da segunda vez foi muito melhor. : )
Minhas duas experiências de parto foram na mesma maternidade. Curiosamente, numa das maternidades campeãs em nº. de cesarianas aqui em SP, segundo informação divulgada pelo documentário (Sinasc 2011). Em 2011, ano do nascimento de minha segunda filha, 93,8% dos partos que aconteceram no Hospital e Maternidade Santa Joana foram cesarianas! Parece que eu fui uma das poucas mamães que conseguiu ter o filho por parto normal (ou anormal, como eu costumo dizer) ali. De cara isso já diz algo sobre a experiência da equipe obstétrica em conduzir partos normais. Partos naturais então nem se fala! Pelas minhas duas experiências, ninguém ali conhecia (ou tentou me orientar sobre) técnicas não-farmacológicas para amenizar a dor da parturiente ou para ajudar na evolução do TP (=trabalho de parto). A equipe não estava preparada para dar esse tipo de suporte para as suas pacientes.
Reflexões sobre o documentário e a minha experiência
A minha primeira experiência de parto no Hospital Santa Joana dois anos antes (em 2009) eu considerei muito boa - mas isso eu atribuo basicamente ao fato de eu ter chegado lá quase parindo. Em três horas minha filha nasceu. Aguentei as contrações, que para mim eram toleráveis, em casa - apesar de ter sido orientada a chegar no hospital logo para dar tempo de tomar duas doses de um antibiótico contra estreptococos, sendo a primeira com seis horas de antecedência. Como cheguei ao hospital com 4 pra 5 cm de dilatação (após quase sete horas do início das contrações de TP), só deu tempo de tomar uma dose, mas, felizmente, não houve contaminação e tudo correu rápido e bem, exceto pelo fato de eu ter vomitado durante o momento expulsivo por causa da anestesia raqui na hora de fazer a episiotomia (corte no períneo supostamente para facilitar a passagem do bebê e que hoje eu sei que é uma intervenção cientificamente considerada desnecessária). Eu me lembro que estava enjoada e tinha pedido para comer e também para tomar banho enquanto aguardava passivamente o fim do TP. Estava calor e eu muito suada, mas não fui autorizada! Também não me ofereceram água pra beber durante todo o tempo em que fiquei ali deitada. Na hora de fazer força para a bebê nascer (após anestesiada estouraram artificialmente minha bolsa), pedi algumas vezes para ligar novamente o ar condicionado porque eu estava sentindo um calor absurdo (quem já vomitou deve se lembrar do suador e mal-estar que dá!). Nesse momento estava uma movimentação louca dentro da sala, entrando e saindo várias pessoas ao mesmo tempo e foi uma agitação que só. A resposta foi que não podiam ligar o ar porque a bebê estava prestes a nascer, mas alguém ali bem que poderia ter se oferecido para me abanar, né? Rsrs.
(Apenas um rápido parêntese, quero tirar uma dúvida - se alguém souber responder, ficarei muito grata - no documentário alguém fala que não pôde usar a banheira por risco de infecção. Acho que foi uma das mulheres que ganhou no Hospital Albert Einstein aqui em SP. Isso me chamou a atenção porque uma conhecida minha ganhou lá recentemente e disse a mesma coisa! É verdade que usar a banheira existe risco de infecção? Não bastaria apenas esterilizá-la?).
Apesar de hoje saber que muitas coisas não foram como recomenda a Organização Mundial da Saúde sobre assistência humanizada ao parto, para mim foi tudo lindo. As coisas desagradáveis foram ofuscadas pela beleza do momento e a sensação de ter conseguido parir. Me senti vitoriosa! Fui tratada com respeito, meu marido ficou ali o tempo todo do meu lado, as pessoas foram gentis, estavam de bom humor, me deram muitos parabéns quando a bebê nasceu e eu me senti realizada de ver aquele rostinho lindo e saudável. É algo inexplicável. Infelizmente, não trouxeram minha filha para mamar assim que ela nasceu - como eu tinha imaginado que seria - e tive um pós-parto muito ruim: ainda enjoando e vomitando muito, sem poder ter a companhia do meu marido (pois estava em enfermaria e tinha acabado o horário de visita). Me senti muito sozinha aquela primeira noite no hospital. O dia tinha sido intenso e agora eu me sentia abandonada. Queria muito ver minha filha, mas só a trouxeram para o quarto muitas horas depois. Também continuei sem tomar banho, o que me deixou muito indignada - estava toda nojenta, como poderia descansar daquele jeito? Apesar de extremamente feliz, eu também estava muito sensível, me sentindo vulnerável e só.
Enquanto o primeiro parto foi um "quase" parto dos sonhos (uma vez que pelos meus padrões da época já que não sabia nada sobre parto humanizado), o segundo foi um pesadelo. Terrível erro de ter ido cedo demais para o hospital - fez toda a diferença e triplicou a intensidade da dor e do estresse emocional que eu senti. As pessoas costumam dizer que imediatamente depois que o bebê nasce a mãe esquece todo o sofrimento que passou para parir a criança. O meu primeiro parto foi assim, tanto que eu quis repetir a dose e abri mão até da anestesia, na esperança de ter um parto ainda mais tranquilo (dessa vez sem vômitos). Mas no segundo parto não. Esse terminou comigo aos prantos. E eu não chorava de alegria. Me sentia ferida por dentro e por fora. Meu palpite é que a mãe se esquece sim das dores do parto, sobretudo se foi tratada com respeito durante o TP, se recebeu incentivo positivo no momento da agonia. Dor física a gente esquece fácil, já dor emocional é bem mais difícil - porque envolve perdoar.
Acredito que eu posso afirmar que o que eu vivi no parto de minha segunda filha foi, de fato, "violência obstétrica". E digo mais, para a minha própria vergonha, foi "violência obstétrica consentida", se é que este termo existe. E consentida não apenas porque ao me internar no hospital eu estava espontaneamente me submetendo às normas e procedimentos médicos daquele local, mas principalmente porque eu não fiz mais em me preparar para ser a protagonista do meu próprio parto. Sem perceber entreguei a responsabilidade que era minha nas mãos de terceiros. Abdiquei do meu papel na ilusão de que é assim mesmo que tem de ser: o médico e a equipe fazem tudo e eu apenas obedeço porque são eles quem sabem das coisas - me limitei a ser mera coadjuvante de um evento fisiológico do meu próprio corpo! Fui passiva antes e durante. "A primeira experiência foi tão boa", pensei, "que nem preciso fazer nada. Basta ficar ali deitadinha como fiz da primeira vez, esperando alguém me dizer o que fazer, que vai dar tudo certo". Ledo engano!
Abaixo relato três situações de que me lembrei enquanto assistia ao documentário; são tratamentos que eu acredito que caracterizam a violência obstétrica da qual trata o documentário. Todas dizem respeito à minha segunda experiência de parto.
No pré-parto:
A auxiliar de enfermeira diz ao me colocar na ocitocina duas a três horas após a minha internação: "Agora você vai saber o que é sentir dor, agora é que o couro vai comer".
Minha resposta: Fiquei sem graça, mas acho que não disse nada. Hoje fico pensando no que levaria uma auxiliar de enfermagem de maternidade a falar uma coisa dessas para uma parturiente. Parecem absurdas suas palavras, né? Pois é, eu também acho, mas meu palpite é que ela não falou aquilo como profissional da saúde treinada para dar assistência a partos normais (que dirá assistência humanizada!). Ela falou como mulher que provavelmente teve uma experiência de parto bem ruim, como alguém que conhece na pele a ação desse hormônio artificialmente produzido e, em sua ignorância, deve achar que é assim mesmo - parto tem de ser com "sorinho" pra acabar logo e tem de doer muito, a mulher tem de se descabelar e berrar como uma condenada, igualzinho a gente vê nas cenas dos filmes. Em seu treinamento de enfermagem com certeza nunca disseram a ela que há outras formas (naturais) de acelerar as contrações do TP e também de aliviar a dor. E também ela com certeza nunca ouviu falar que o apoio e amparo psicológico à parturiente visando seu bem-estar emocional fazem toda diferença para a evolução do TP. Mas, por algum motivo, não fiquei com raiva dela. Fiquei com raiva do hospital por ter treinado mal a sua equipe. Fiquei com mais raiva ainda da enfermeira responsável pelo turno da madrugada que não deu a mínima pra mim. Da meia-noite às 7:00 da manhã só a vi duas vezes - pra amarrar a fita do cardiotoco na minha barriga, aparentemente algo que a auxiliar de enfermagem não poderia fazer. Ela sim tinha a obrigação de entender sobre partos e sobre o que recomenda a OMS (=Organização Mundial da Saúde) sobre assistência humanizada ao parto!
No pós-parto:
Após o nascimento, depois de eu ter berrado de dor e sofrido absurdamente por causa das contrações induzidas com ocitocina sintética, a médica irritada porque ainda reclamo de dor e fico me contorcendo enquanto ela tenta tirar a placenta (e hoje sei que, se na posição adequada, o corpo a expele sozinha!) e me suturar solta: "Foi do jeito que você quis. Foi do jeito que você quis". Nas entrelinhas entendi: Foi você quem pediu para ser sem anestesia, agora cale a boca e aguente até o fim. Ela repetiu a mesma frase algumas vezes. Minha primeira reação foi engolir em seco e ignorar (mesmo porque não estava conseguindo me concentrar ou pensar direito naquela hora!), mas como ela falou de novo, não me contive e retruquei irada. Com os dentes cerrados falei: "Não, não foi nada do jeito que eu quis". Tive vontade de falar muito mais, mas não consegui. Estava doendo demais e eu queria apenas que acabasse logo. Queria que todo mundo sumisse da sala para eu poder desabar aos prantos. Nem minha filha eu queria ver naquele momento, tamanho era o meu desespero interior. Eu sei que a médica falou aquilo porque ela também estava nervosa, porque ela também tinha ficado descompensada com a minha reação e sofrimento e certamente porque sentia o peso da responsabilidade nos seus ombros. Mas transferir a culpa para mim e dizer que eu quem quis que fosse daquele jeito? Doeu demais. E doeu também porque meu marido não me defendeu. É óbvio que eu não quis ter passado a noite presa à uma cama e quarto de hospital, tomando ocitocina por horas, praticamente abandonada e sem orientação! Me identifiquei com a fala da Patrícia Roberta Bellanda no documentário quando ela diz "Não precisava de nada daquilo". Hoje me informando sobre o assunto, sei que poderia ter sido tudo tão diferente!
Não tomei anestesia porque não queria vomitar como da primeira vez (e também porque quando a solicitei eu não tinha mais condições de ficar imóvel), não porque eu quisesse bancar a heroína! Eu queria um parto natural humanizado como nos relatos que li durante a gestação e esperava que a médica e a equipe obstétrica do hospital fossem me ajudar a consegui-lo, com afirmação e apoio, não fazendo eu me sentir culpada por estar atrapalhando o descanso de todos durante um TP na madrugada de um domingo. Mas não foi o que aconteceu! Pra mim hoje é nítido que as intervenções médicas só pioraram a evolução do meu TP: elas tiraram minha liberdade de caminhar (como a Priscila Perlatti contou no documentário, depois que amarram a fita de cardiotoco na nossa barriga, a gente "não pode se mexer para não perder o coraçãozinho do bebê"), de comer e de beber à vontade, de ir ao banheiro, de ficar na posição que fosse mais confortável para mim durante as contrações, fui desrespeitada com muitos toques doloridos (feitos bruscamente), levei bronca quando no momento da dor intensa perdi o controle e não "me comportei" como queriam e, no fim, ainda humilhada ao ouvir que tudo tinha acontecido como eu pedi que fosse - ou seja, pra deixar bem claro mesmo que "a minha vontade" tinha sido respeitada.
Minha resposta: Na última visita médica antes da alta hospitalar, envergonhada por ter agido daquela maneira, pedi desculpas a ela e entreguei um cartão-foto pelo seu aniversário dali uma semana. Desculpas porque eu estava irada no dia do parto (havia sido internada contra a minha vontade e não me conformei) e, como diz a Palavra, "a ira do homem não produz a justiça de Deus". Além dessa médica ser uma pessoa muito especial para mim (um ato desumano, por pior que ele seja, não desqualifica dezenas de manifestações de carinho e respeito), eu sabia que não podia carregar toda aquela mágoa e amargura dentro de mim e pedi a Deus que me ajudasse a perdoá-la. Eu continuava muito irada e na primeira visita pós-parto (no dia anterior) foi meu marido quem lhe entregou o presentinho que havíamos comprado porque eu não tive coragem de fazê-lo. Ainda estava muito machucada por dentro. Então, no dia seguinte fiquei só (meu marido voltou pra casa pra ficar com a nossa outra filha) e eu passei o tempo todo conversando com o Senhor sobre isso. Eu queria muito e sabia que precisava perdoá-la de coração. Como é difícil! Sabia que nada foge dos desígnios de Deus e que Ele estava usando aquela situação traumática para me tratar, me aperfeiçoar, me aproximar dEle. Até hoje me emociono e sinto vontade de chorar quando penso no assunto porque foi muito intenso tudo o que eu senti. Uma experiência que me marcou profundamente.
No pré-natal:
No consultório, após eu falar para a médica que pesquisei bastante sobre o que é toxemia gravídica, ela me repreende dizendo: "Quem é a sua médica: eu ou a internet?".
Minha resposta: Fiquei chocada, mas imediatamente pedi desculpas e me calei. Obviamente minhas intenções ao pesquisar sobre o assunto tinham sido as melhores possíveis. Eu queria apenas entender o que era aquilo que ela disse por telefone que eu tinha (por causa da minha constante pressão alta). Pensei que estaria ajudando ao ser uma paciente bem-informada e, claro, tomei o cuidado de ler apenas sites e conteúdos confiáveis, escritos por especialistas. Não tinha ido pesquisar ou mesmo dito aquilo na consulta para afrontá-la! Claro também que essa repreensão não me impediu de continuar pesquisando... só não o fiz mais porque estava física e mentalmente esgotada nos últimos dias (foi uma gravidez muito difícil pra mim).
A busca por um médico que aceite fazer parto normal
A fala da Anne Rami me intrigou. No documentário ela conta como caiu nas mãos de um médico cesarista que se gabava de ser campeão de partos normais, dizendo, inclusive, que se sentia muito mais obstetra fazendo partos normais mas que, no fim da gestação, a pressionou para agendar uma cesária, usando uma série de argumentos falsos sobre a sua não-possibilidade de ter parto normal. Essa parte do documentário realmente vale a pena assistir porque ao meu ver ela desmascara a sutileza da violência obstétrica: a parte que abala o emocional da gestante, fazendo-a sentir-se culpada por querer algo que pode "prejudicar" a criança quando, na verdade, é o contrário! A cesariana é muito mais perigosa para a saúde do bebê.
Vendo a Anne falar me lembrei de quando buscava por um médico que aceitasse fazer parto normal. Antes de engravidar eu me consultava com uma ginecologista que conhecia há pouco tempo. Gostava muito dela porque ela passava confiança de que era vocacionada e profissionalmente competente. Até me intimidava um pouco, porém era muito atenciosa e simpática e suas consultas duravam de 30 min para mais. Quando eu engravidei pela primeira vez, por influência de uma amiga que já tinha me alertado que alguns médicos enganavam suas pacientes para induzi-las a aceitar uma cesária, já na primeira consulta pré-natal perguntei à esta médica se ela fazia partos normais e, especificamente, perguntei de todos os partos que ela já havia feito quantos haviam sido normais. Ela não me deu um número exato, mas admitiu que sua média ainda não era o que ela gostaria - como a de alguns colegas de profissão - mas que certamente fazia partos normais sim porque, segundo ela, eram partos normais que "lhe davam tesão". Fiquei tranquila com a resposta e confiante de que havia "dado sorte" achando uma boa médica de primeira!
Passada a segunda consulta, após o atendimento fui informada pela secretária da médica que, a partir de tal data (acho que dali uns 2-3 meses), a médica não atenderia mais pré-natal de convênio enfermaria. Achei estranho porque tinha acabado de sair da sala da médica que não havia comentado nada. Deixei a próxima consulta agendada para o mês seguinte e entrei em contato com o meu plano de saúde para subir de categoria. Na consulta seguinte, como de costume, foi tudo ótimo - ela foi dinâmica e agradável. Citei que havia feito o upgrade do meu plano e que a partir do próximo mês passaria a ser categoria apartamento. Ela agiu normalmente e ficou tudo bem, continuou garantindo que faria meu parto normal sem qualquer problema. Porém, grande foi a minha surpresa ao descer da sala dela até a recepção e receber novamente a notícia da "desavisada secretária" que a médica estaria em processo de desligamento da Unimed Paulistana (explicou que era porque pagavam mal e não estava mais compensando) e que a partir de x data ela só atenderia consultas particulares. Fiz aquela cara de "Como assim?" e a secretária disse: "Ué, ela não falou?". Não, ela não tinha falado! Nessa hora, meu "mundo" desmoronou. Como ainda teria direito a mais uma consulta pelo convênio, deixei agendada a consulta do mês seguinte só para garantir mesmo, mas já cancelei o upgrade do meu plano (já que a mudança àquela altura do campeonato não me daria direito a usufruir da acomodação apto antes de 10 meses) e comecei a busca por um novo obstetra.
O primeiro, indicado pela secretária da própria médica que eu gostava, segundo ela, fazia parte de sua equipe, mas ele mal olhou na minha cara. Não gostei e, sendo gestante de primeira viagem, comecei a ficar preocupada. Voltei à consulta com ela, falei que não tinha gostado do tal médico, e ela falou tranquilamente que ainda poderia fazer o meu parto. A proposta era que eu pagasse todas as consultas particulares e um valor extra para o parto. A internação hospitalar ela disse que eu poderia fazer via convênio, mas explicou que no dia do parto, outro médico iria assinar como médico responsável (porque ela não seria mais credenciada pelo plano), mas que ela entraria como parte da equipe e pessoalmente se encarregaria do meu parto. Ela explicou que estava se desligando da Unimed porque pagavam muito pouco e era difícil encontrar profissionais que aceitassem compor a equipe uma vez que o valor pago dava uma "mixaria pra cada um".
Bem, é óbvio que eu não aceitei. Minha mãe até se ofereceu pra pagar o parto porque ela viu como isso era importante para mim, mas era "muita mutreta para o meu gosto". Além de ser pura enganação (e mentir é sempre errado), tinha todas as chances do mundo de dar algo errado no meio do caminho. Não, eu não me sentia segura com essa possibilidade. O depoimento da Anne Rami no vídeo-documentário me lembrou essa história porque o obstetra dela a enganou com um discurso parecido. Ele havia dito que só se sentia obstetra de verdade fazendo partos normais e que jamais fazia cesárias desnecessárias, mas no finzinho da gestação, usou de sua autoridade para apresentar justificativas falsas para o agendamento da cesária. No meu caso, eu não tenho como saber se ela mentiu sobre preferir fazer partos normais ou não, mas que ela preferiu deixar para a secretária me falar sobre o descredenciamento do plano e aparentemente também não se constrangia em mentir para o hospital e plano de saúde. O fato é que infelizmente não cheguei a conhecer nenhuma paciente dela que tenha tido parto normal - ironicamente, as duas únicas pacientes dela que conheci fizeram cesarianas - e isso só me caiu a ficha agora! Uma informação importante, mas sobre a qual eu não me atentei na época. Quem sabe se esse desligamento do plano que me obrigou a procurar outro obstetra quando eu já estava tão contente e satisfeita com a minha médica não tenha sido livramento de Deus para eu não ter de passar por uma cesariana desnecessária? A dica que fica é: converse com outras pacientes na sala de espera antes de suas consultas, faça perguntas à secretária e tente sutilmente descobrir se o médico em questão realmente tem experiência com partos normais. Alguém no documentário também dá a dica de desconfiar se nenhuma de suas consultas for reagendada porque o médico teve de fazer um parto normal.
Passei por quatro médicos (e já estava com a consulta do quinto médico agendada) antes de encontrar a médica que fez os meus dois partos. Ela foi um presente de Deus na minha vida! Em todos tinha sempre alguma coisa que o/a obstetra dizia que não me passava confiança. Um deles, em particular, fazia ultrassom na consulta (não sabia, mas segundo a Anne este é um forte indício de que seja cesarista, rsrs) e foi bem sincero avisando que as consultas pré-natais ele garantiria mas, dependendo de quando eu entrasse em TP, ele indicaria alguém da equipe dele para fazê-lo e não descartava a possibilidade de que eu tivesse de ganhar com o plantonista do hospital (se fosse mesmo pra ser parto normal). A pessoa que me indicou este médico (minha tia) tentou parto normal duas vezes, mas não conseguiu em nenhum, então eu já pulei fora depois da primeira consulta.
A médica que fez os meus partos me conquistou na primeira consulta quando contou um pouco sobre sua experiência de parto. Mãe aos quarenta, ela teve um parto normal com fórceps depois de não sei quantas horas de TP (bem sofrido), mas garantiu que não se arrependia porque, nas palavras dela, "até hoje fecho os olhos e consigo me lembrar da sensação do meu filho descendo". Quando perguntei sobre a porcentagem de partos normais e cesarianas que ela havia feito, ela também não respondeu diretamente (acho que os médicos se esquivam de responder isso), disse apenas que o tipo de parto dependia do desejo de cada mulher e que ela faria o que a gestante pedisse. Tem mulher que pede cesária de cara porque tem medo da dor, então a médica faz cesária e pronto, não tenta convencer ninguém a fazer parto normal. Pelo contrário, se a paciente está temerosa ou indecisa, ela levanta a bandeira de que tanto um como o outro dá na mesma, não tem diferença. Outras dizem que preferem parto normal e ela aceita também, mas eu desconfio que durante as consultas ela vá jogando algumas frases para sentir o quanto a gestante realmente quer o parto normal e se está disposta a lutar por ele. Se a gestante for do tipo mole pra dor, insegura e ainda por cima desinformada, acho que ela deve empurrar para a cesária que é mais conveniente. Por exemplo, ela pode apertar sua barriga e se você choramingar de dor ou reclamar, ela dirá algo do tipo: "Se isso daqui está doendo, não sei não... tem certeza de que vai aguentar parto normal?". Ela fez isso com uma paciente que eu conheço (que, no fim, optou pela cesariana). Graças a Deus, ela não tentou isso comigo (ou se fez eu nem percebi, vai saber!), mas se eu tivesse percebido, eu acho que teria mudado de médica! Outra estratégia pra colocar medo na gestante ela tentou com essa paciente e também comigo. Engraçado que na ocasião eu "nem tchum", só fui me dar conta muito tempo depois (devo ser muito tapada mesmo, rs!): Numa determinada consulta, ao ler o resultado de uma USG, ela soltou o seguinte comentário como quem não queria nada: "Nossa, como a bebê já está grande para a idade...". Eu fiz cara de que não entendi e ficou por isso mesmo. Claro que não passava de blefe para testar meu medo de parir um neném grande - mesmo porque minha bebê era toda pequenina e nasceu com menos de 2,500 kg!
Aproveitando o assunto do "bebê grande", lembro de outra situação que presenciei neste mesmo hospital três anos atrás. Alguns dias antes da minha primeira filha nascer, passei no pronto atendimento do hospital para avaliar a intensidade das contrações que eu estava sentindo (era um falso TP). Enquanto fazia o exame de cardiotocografia, ouvi a conversa de uma paciente novinha e duas auxilares de enfermagem que a atendiam no biombo do lado. A moça dizia que estava esperando para ter parto normal e uma das funcionárias do hospital começou a botar medo nela, dizendo algo do tipo: "O quê? Mas olha o tamanho da sua barriga, menina. Seu bebê é enorme. Você vai sofrer demais pra ele nascer. Marque logo uma cesária. Ouve o que eu estou te dizendo...". Absurdo, né?! Acho que se fosse hoje eu denunciava, rsrs.
Mas voltando a falar da minha médica, o fato é que ela faz sim partos normais: além de mim, conheço duas outras (amigas minhas) que tiveram parto normal com ela e também sei que ela já reagendou dias de consulta (inclusive para o sábado) por causa de partos normais em horário de expediente durante a semana. Por outro lado, também conheço outras duas pacientes dela que "queriam" normal mas acabaram indo para a cesariana mesmo. Coloquei entre aspas porque não basta que o parto normal seja a sua preferência, você precisará batalhar por ele, se informar, ser determinada e vencer suas próprias ansiedades e medos. Por fim, é uma obstetra que indico (dadas as citadas ressalvas). Apesar de ter problema com horário (em praticamente todas as consultas tive de esperar uma a duas horas para ser atendida), o consultório dela está sempre lotado porque ela é muito calma, amável e querida por suas pacientes. Ou seja, se a agenda dela está sempre cheia, certamente é porque as pacientes gostam do atendimento dela e a indicam para suas amigas e conhecidas (como eu faço).
Minhas duas experiências de parto foram na mesma maternidade. Curiosamente, numa das maternidades campeãs em nº. de cesarianas aqui em SP, segundo informação divulgada pelo documentário (Sinasc 2011). Em 2011, ano do nascimento de minha segunda filha, 93,8% dos partos que aconteceram no Hospital e Maternidade Santa Joana foram cesarianas! Parece que eu fui uma das poucas mamães que conseguiu ter o filho por parto normal (ou anormal, como eu costumo dizer) ali. De cara isso já diz algo sobre a experiência da equipe obstétrica em conduzir partos normais. Partos naturais então nem se fala! Pelas minhas duas experiências, ninguém ali conhecia (ou tentou me orientar sobre) técnicas não-farmacológicas para amenizar a dor da parturiente ou para ajudar na evolução do TP (=trabalho de parto). A equipe não estava preparada para dar esse tipo de suporte para as suas pacientes.
Reflexões sobre o documentário e a minha experiência
A minha primeira experiência de parto no Hospital Santa Joana dois anos antes (em 2009) eu considerei muito boa - mas isso eu atribuo basicamente ao fato de eu ter chegado lá quase parindo. Em três horas minha filha nasceu. Aguentei as contrações, que para mim eram toleráveis, em casa - apesar de ter sido orientada a chegar no hospital logo para dar tempo de tomar duas doses de um antibiótico contra estreptococos, sendo a primeira com seis horas de antecedência. Como cheguei ao hospital com 4 pra 5 cm de dilatação (após quase sete horas do início das contrações de TP), só deu tempo de tomar uma dose, mas, felizmente, não houve contaminação e tudo correu rápido e bem, exceto pelo fato de eu ter vomitado durante o momento expulsivo por causa da anestesia raqui na hora de fazer a episiotomia (corte no períneo supostamente para facilitar a passagem do bebê e que hoje eu sei que é uma intervenção cientificamente considerada desnecessária). Eu me lembro que estava enjoada e tinha pedido para comer e também para tomar banho enquanto aguardava passivamente o fim do TP. Estava calor e eu muito suada, mas não fui autorizada! Também não me ofereceram água pra beber durante todo o tempo em que fiquei ali deitada. Na hora de fazer força para a bebê nascer (após anestesiada estouraram artificialmente minha bolsa), pedi algumas vezes para ligar novamente o ar condicionado porque eu estava sentindo um calor absurdo (quem já vomitou deve se lembrar do suador e mal-estar que dá!). Nesse momento estava uma movimentação louca dentro da sala, entrando e saindo várias pessoas ao mesmo tempo e foi uma agitação que só. A resposta foi que não podiam ligar o ar porque a bebê estava prestes a nascer, mas alguém ali bem que poderia ter se oferecido para me abanar, né? Rsrs.
(Apenas um rápido parêntese, quero tirar uma dúvida - se alguém souber responder, ficarei muito grata - no documentário alguém fala que não pôde usar a banheira por risco de infecção. Acho que foi uma das mulheres que ganhou no Hospital Albert Einstein aqui em SP. Isso me chamou a atenção porque uma conhecida minha ganhou lá recentemente e disse a mesma coisa! É verdade que usar a banheira existe risco de infecção? Não bastaria apenas esterilizá-la?).
Apesar de hoje saber que muitas coisas não foram como recomenda a Organização Mundial da Saúde sobre assistência humanizada ao parto, para mim foi tudo lindo. As coisas desagradáveis foram ofuscadas pela beleza do momento e a sensação de ter conseguido parir. Me senti vitoriosa! Fui tratada com respeito, meu marido ficou ali o tempo todo do meu lado, as pessoas foram gentis, estavam de bom humor, me deram muitos parabéns quando a bebê nasceu e eu me senti realizada de ver aquele rostinho lindo e saudável. É algo inexplicável. Infelizmente, não trouxeram minha filha para mamar assim que ela nasceu - como eu tinha imaginado que seria - e tive um pós-parto muito ruim: ainda enjoando e vomitando muito, sem poder ter a companhia do meu marido (pois estava em enfermaria e tinha acabado o horário de visita). Me senti muito sozinha aquela primeira noite no hospital. O dia tinha sido intenso e agora eu me sentia abandonada. Queria muito ver minha filha, mas só a trouxeram para o quarto muitas horas depois. Também continuei sem tomar banho, o que me deixou muito indignada - estava toda nojenta, como poderia descansar daquele jeito? Apesar de extremamente feliz, eu também estava muito sensível, me sentindo vulnerável e só.
Enquanto o primeiro parto foi um "quase" parto dos sonhos (uma vez que pelos meus padrões da época já que não sabia nada sobre parto humanizado), o segundo foi um pesadelo. Terrível erro de ter ido cedo demais para o hospital - fez toda a diferença e triplicou a intensidade da dor e do estresse emocional que eu senti. As pessoas costumam dizer que imediatamente depois que o bebê nasce a mãe esquece todo o sofrimento que passou para parir a criança. O meu primeiro parto foi assim, tanto que eu quis repetir a dose e abri mão até da anestesia, na esperança de ter um parto ainda mais tranquilo (dessa vez sem vômitos). Mas no segundo parto não. Esse terminou comigo aos prantos. E eu não chorava de alegria. Me sentia ferida por dentro e por fora. Meu palpite é que a mãe se esquece sim das dores do parto, sobretudo se foi tratada com respeito durante o TP, se recebeu incentivo positivo no momento da agonia. Dor física a gente esquece fácil, já dor emocional é bem mais difícil - porque envolve perdoar.
Acredito que eu posso afirmar que o que eu vivi no parto de minha segunda filha foi, de fato, "violência obstétrica". E digo mais, para a minha própria vergonha, foi "violência obstétrica consentida", se é que este termo existe. E consentida não apenas porque ao me internar no hospital eu estava espontaneamente me submetendo às normas e procedimentos médicos daquele local, mas principalmente porque eu não fiz mais em me preparar para ser a protagonista do meu próprio parto. Sem perceber entreguei a responsabilidade que era minha nas mãos de terceiros. Abdiquei do meu papel na ilusão de que é assim mesmo que tem de ser: o médico e a equipe fazem tudo e eu apenas obedeço porque são eles quem sabem das coisas - me limitei a ser mera coadjuvante de um evento fisiológico do meu próprio corpo! Fui passiva antes e durante. "A primeira experiência foi tão boa", pensei, "que nem preciso fazer nada. Basta ficar ali deitadinha como fiz da primeira vez, esperando alguém me dizer o que fazer, que vai dar tudo certo". Ledo engano!
Abaixo relato três situações de que me lembrei enquanto assistia ao documentário; são tratamentos que eu acredito que caracterizam a violência obstétrica da qual trata o documentário. Todas dizem respeito à minha segunda experiência de parto.
No pré-parto:
A auxiliar de enfermeira diz ao me colocar na ocitocina duas a três horas após a minha internação: "Agora você vai saber o que é sentir dor, agora é que o couro vai comer".
Minha resposta: Fiquei sem graça, mas acho que não disse nada. Hoje fico pensando no que levaria uma auxiliar de enfermagem de maternidade a falar uma coisa dessas para uma parturiente. Parecem absurdas suas palavras, né? Pois é, eu também acho, mas meu palpite é que ela não falou aquilo como profissional da saúde treinada para dar assistência a partos normais (que dirá assistência humanizada!). Ela falou como mulher que provavelmente teve uma experiência de parto bem ruim, como alguém que conhece na pele a ação desse hormônio artificialmente produzido e, em sua ignorância, deve achar que é assim mesmo - parto tem de ser com "sorinho" pra acabar logo e tem de doer muito, a mulher tem de se descabelar e berrar como uma condenada, igualzinho a gente vê nas cenas dos filmes. Em seu treinamento de enfermagem com certeza nunca disseram a ela que há outras formas (naturais) de acelerar as contrações do TP e também de aliviar a dor. E também ela com certeza nunca ouviu falar que o apoio e amparo psicológico à parturiente visando seu bem-estar emocional fazem toda diferença para a evolução do TP. Mas, por algum motivo, não fiquei com raiva dela. Fiquei com raiva do hospital por ter treinado mal a sua equipe. Fiquei com mais raiva ainda da enfermeira responsável pelo turno da madrugada que não deu a mínima pra mim. Da meia-noite às 7:00 da manhã só a vi duas vezes - pra amarrar a fita do cardiotoco na minha barriga, aparentemente algo que a auxiliar de enfermagem não poderia fazer. Ela sim tinha a obrigação de entender sobre partos e sobre o que recomenda a OMS (=Organização Mundial da Saúde) sobre assistência humanizada ao parto!
No pós-parto:
Após o nascimento, depois de eu ter berrado de dor e sofrido absurdamente por causa das contrações induzidas com ocitocina sintética, a médica irritada porque ainda reclamo de dor e fico me contorcendo enquanto ela tenta tirar a placenta (e hoje sei que, se na posição adequada, o corpo a expele sozinha!) e me suturar solta: "Foi do jeito que você quis. Foi do jeito que você quis". Nas entrelinhas entendi: Foi você quem pediu para ser sem anestesia, agora cale a boca e aguente até o fim. Ela repetiu a mesma frase algumas vezes. Minha primeira reação foi engolir em seco e ignorar (mesmo porque não estava conseguindo me concentrar ou pensar direito naquela hora!), mas como ela falou de novo, não me contive e retruquei irada. Com os dentes cerrados falei: "Não, não foi nada do jeito que eu quis". Tive vontade de falar muito mais, mas não consegui. Estava doendo demais e eu queria apenas que acabasse logo. Queria que todo mundo sumisse da sala para eu poder desabar aos prantos. Nem minha filha eu queria ver naquele momento, tamanho era o meu desespero interior. Eu sei que a médica falou aquilo porque ela também estava nervosa, porque ela também tinha ficado descompensada com a minha reação e sofrimento e certamente porque sentia o peso da responsabilidade nos seus ombros. Mas transferir a culpa para mim e dizer que eu quem quis que fosse daquele jeito? Doeu demais. E doeu também porque meu marido não me defendeu. É óbvio que eu não quis ter passado a noite presa à uma cama e quarto de hospital, tomando ocitocina por horas, praticamente abandonada e sem orientação! Me identifiquei com a fala da Patrícia Roberta Bellanda no documentário quando ela diz "Não precisava de nada daquilo". Hoje me informando sobre o assunto, sei que poderia ter sido tudo tão diferente!
Não tomei anestesia porque não queria vomitar como da primeira vez (e também porque quando a solicitei eu não tinha mais condições de ficar imóvel), não porque eu quisesse bancar a heroína! Eu queria um parto natural humanizado como nos relatos que li durante a gestação e esperava que a médica e a equipe obstétrica do hospital fossem me ajudar a consegui-lo, com afirmação e apoio, não fazendo eu me sentir culpada por estar atrapalhando o descanso de todos durante um TP na madrugada de um domingo. Mas não foi o que aconteceu! Pra mim hoje é nítido que as intervenções médicas só pioraram a evolução do meu TP: elas tiraram minha liberdade de caminhar (como a Priscila Perlatti contou no documentário, depois que amarram a fita de cardiotoco na nossa barriga, a gente "não pode se mexer para não perder o coraçãozinho do bebê"), de comer e de beber à vontade, de ir ao banheiro, de ficar na posição que fosse mais confortável para mim durante as contrações, fui desrespeitada com muitos toques doloridos (feitos bruscamente), levei bronca quando no momento da dor intensa perdi o controle e não "me comportei" como queriam e, no fim, ainda humilhada ao ouvir que tudo tinha acontecido como eu pedi que fosse - ou seja, pra deixar bem claro mesmo que "a minha vontade" tinha sido respeitada.
Minha resposta: Na última visita médica antes da alta hospitalar, envergonhada por ter agido daquela maneira, pedi desculpas a ela e entreguei um cartão-foto pelo seu aniversário dali uma semana. Desculpas porque eu estava irada no dia do parto (havia sido internada contra a minha vontade e não me conformei) e, como diz a Palavra, "a ira do homem não produz a justiça de Deus". Além dessa médica ser uma pessoa muito especial para mim (um ato desumano, por pior que ele seja, não desqualifica dezenas de manifestações de carinho e respeito), eu sabia que não podia carregar toda aquela mágoa e amargura dentro de mim e pedi a Deus que me ajudasse a perdoá-la. Eu continuava muito irada e na primeira visita pós-parto (no dia anterior) foi meu marido quem lhe entregou o presentinho que havíamos comprado porque eu não tive coragem de fazê-lo. Ainda estava muito machucada por dentro. Então, no dia seguinte fiquei só (meu marido voltou pra casa pra ficar com a nossa outra filha) e eu passei o tempo todo conversando com o Senhor sobre isso. Eu queria muito e sabia que precisava perdoá-la de coração. Como é difícil! Sabia que nada foge dos desígnios de Deus e que Ele estava usando aquela situação traumática para me tratar, me aperfeiçoar, me aproximar dEle. Até hoje me emociono e sinto vontade de chorar quando penso no assunto porque foi muito intenso tudo o que eu senti. Uma experiência que me marcou profundamente.
No pré-natal:
No consultório, após eu falar para a médica que pesquisei bastante sobre o que é toxemia gravídica, ela me repreende dizendo: "Quem é a sua médica: eu ou a internet?".
Minha resposta: Fiquei chocada, mas imediatamente pedi desculpas e me calei. Obviamente minhas intenções ao pesquisar sobre o assunto tinham sido as melhores possíveis. Eu queria apenas entender o que era aquilo que ela disse por telefone que eu tinha (por causa da minha constante pressão alta). Pensei que estaria ajudando ao ser uma paciente bem-informada e, claro, tomei o cuidado de ler apenas sites e conteúdos confiáveis, escritos por especialistas. Não tinha ido pesquisar ou mesmo dito aquilo na consulta para afrontá-la! Claro também que essa repreensão não me impediu de continuar pesquisando... só não o fiz mais porque estava física e mentalmente esgotada nos últimos dias (foi uma gravidez muito difícil pra mim).
A busca por um médico que aceite fazer parto normal
A fala da Anne Rami me intrigou. No documentário ela conta como caiu nas mãos de um médico cesarista que se gabava de ser campeão de partos normais, dizendo, inclusive, que se sentia muito mais obstetra fazendo partos normais mas que, no fim da gestação, a pressionou para agendar uma cesária, usando uma série de argumentos falsos sobre a sua não-possibilidade de ter parto normal. Essa parte do documentário realmente vale a pena assistir porque ao meu ver ela desmascara a sutileza da violência obstétrica: a parte que abala o emocional da gestante, fazendo-a sentir-se culpada por querer algo que pode "prejudicar" a criança quando, na verdade, é o contrário! A cesariana é muito mais perigosa para a saúde do bebê.
Vendo a Anne falar me lembrei de quando buscava por um médico que aceitasse fazer parto normal. Antes de engravidar eu me consultava com uma ginecologista que conhecia há pouco tempo. Gostava muito dela porque ela passava confiança de que era vocacionada e profissionalmente competente. Até me intimidava um pouco, porém era muito atenciosa e simpática e suas consultas duravam de 30 min para mais. Quando eu engravidei pela primeira vez, por influência de uma amiga que já tinha me alertado que alguns médicos enganavam suas pacientes para induzi-las a aceitar uma cesária, já na primeira consulta pré-natal perguntei à esta médica se ela fazia partos normais e, especificamente, perguntei de todos os partos que ela já havia feito quantos haviam sido normais. Ela não me deu um número exato, mas admitiu que sua média ainda não era o que ela gostaria - como a de alguns colegas de profissão - mas que certamente fazia partos normais sim porque, segundo ela, eram partos normais que "lhe davam tesão". Fiquei tranquila com a resposta e confiante de que havia "dado sorte" achando uma boa médica de primeira!
Passada a segunda consulta, após o atendimento fui informada pela secretária da médica que, a partir de tal data (acho que dali uns 2-3 meses), a médica não atenderia mais pré-natal de convênio enfermaria. Achei estranho porque tinha acabado de sair da sala da médica que não havia comentado nada. Deixei a próxima consulta agendada para o mês seguinte e entrei em contato com o meu plano de saúde para subir de categoria. Na consulta seguinte, como de costume, foi tudo ótimo - ela foi dinâmica e agradável. Citei que havia feito o upgrade do meu plano e que a partir do próximo mês passaria a ser categoria apartamento. Ela agiu normalmente e ficou tudo bem, continuou garantindo que faria meu parto normal sem qualquer problema. Porém, grande foi a minha surpresa ao descer da sala dela até a recepção e receber novamente a notícia da "desavisada secretária" que a médica estaria em processo de desligamento da Unimed Paulistana (explicou que era porque pagavam mal e não estava mais compensando) e que a partir de x data ela só atenderia consultas particulares. Fiz aquela cara de "Como assim?" e a secretária disse: "Ué, ela não falou?". Não, ela não tinha falado! Nessa hora, meu "mundo" desmoronou. Como ainda teria direito a mais uma consulta pelo convênio, deixei agendada a consulta do mês seguinte só para garantir mesmo, mas já cancelei o upgrade do meu plano (já que a mudança àquela altura do campeonato não me daria direito a usufruir da acomodação apto antes de 10 meses) e comecei a busca por um novo obstetra.
O primeiro, indicado pela secretária da própria médica que eu gostava, segundo ela, fazia parte de sua equipe, mas ele mal olhou na minha cara. Não gostei e, sendo gestante de primeira viagem, comecei a ficar preocupada. Voltei à consulta com ela, falei que não tinha gostado do tal médico, e ela falou tranquilamente que ainda poderia fazer o meu parto. A proposta era que eu pagasse todas as consultas particulares e um valor extra para o parto. A internação hospitalar ela disse que eu poderia fazer via convênio, mas explicou que no dia do parto, outro médico iria assinar como médico responsável (porque ela não seria mais credenciada pelo plano), mas que ela entraria como parte da equipe e pessoalmente se encarregaria do meu parto. Ela explicou que estava se desligando da Unimed porque pagavam muito pouco e era difícil encontrar profissionais que aceitassem compor a equipe uma vez que o valor pago dava uma "mixaria pra cada um".
Bem, é óbvio que eu não aceitei. Minha mãe até se ofereceu pra pagar o parto porque ela viu como isso era importante para mim, mas era "muita mutreta para o meu gosto". Além de ser pura enganação (e mentir é sempre errado), tinha todas as chances do mundo de dar algo errado no meio do caminho. Não, eu não me sentia segura com essa possibilidade. O depoimento da Anne Rami no vídeo-documentário me lembrou essa história porque o obstetra dela a enganou com um discurso parecido. Ele havia dito que só se sentia obstetra de verdade fazendo partos normais e que jamais fazia cesárias desnecessárias, mas no finzinho da gestação, usou de sua autoridade para apresentar justificativas falsas para o agendamento da cesária. No meu caso, eu não tenho como saber se ela mentiu sobre preferir fazer partos normais ou não, mas que ela preferiu deixar para a secretária me falar sobre o descredenciamento do plano e aparentemente também não se constrangia em mentir para o hospital e plano de saúde. O fato é que infelizmente não cheguei a conhecer nenhuma paciente dela que tenha tido parto normal - ironicamente, as duas únicas pacientes dela que conheci fizeram cesarianas - e isso só me caiu a ficha agora! Uma informação importante, mas sobre a qual eu não me atentei na época. Quem sabe se esse desligamento do plano que me obrigou a procurar outro obstetra quando eu já estava tão contente e satisfeita com a minha médica não tenha sido livramento de Deus para eu não ter de passar por uma cesariana desnecessária? A dica que fica é: converse com outras pacientes na sala de espera antes de suas consultas, faça perguntas à secretária e tente sutilmente descobrir se o médico em questão realmente tem experiência com partos normais. Alguém no documentário também dá a dica de desconfiar se nenhuma de suas consultas for reagendada porque o médico teve de fazer um parto normal.
Passei por quatro médicos (e já estava com a consulta do quinto médico agendada) antes de encontrar a médica que fez os meus dois partos. Ela foi um presente de Deus na minha vida! Em todos tinha sempre alguma coisa que o/a obstetra dizia que não me passava confiança. Um deles, em particular, fazia ultrassom na consulta (não sabia, mas segundo a Anne este é um forte indício de que seja cesarista, rsrs) e foi bem sincero avisando que as consultas pré-natais ele garantiria mas, dependendo de quando eu entrasse em TP, ele indicaria alguém da equipe dele para fazê-lo e não descartava a possibilidade de que eu tivesse de ganhar com o plantonista do hospital (se fosse mesmo pra ser parto normal). A pessoa que me indicou este médico (minha tia) tentou parto normal duas vezes, mas não conseguiu em nenhum, então eu já pulei fora depois da primeira consulta.
A médica que fez os meus partos me conquistou na primeira consulta quando contou um pouco sobre sua experiência de parto. Mãe aos quarenta, ela teve um parto normal com fórceps depois de não sei quantas horas de TP (bem sofrido), mas garantiu que não se arrependia porque, nas palavras dela, "até hoje fecho os olhos e consigo me lembrar da sensação do meu filho descendo". Quando perguntei sobre a porcentagem de partos normais e cesarianas que ela havia feito, ela também não respondeu diretamente (acho que os médicos se esquivam de responder isso), disse apenas que o tipo de parto dependia do desejo de cada mulher e que ela faria o que a gestante pedisse. Tem mulher que pede cesária de cara porque tem medo da dor, então a médica faz cesária e pronto, não tenta convencer ninguém a fazer parto normal. Pelo contrário, se a paciente está temerosa ou indecisa, ela levanta a bandeira de que tanto um como o outro dá na mesma, não tem diferença. Outras dizem que preferem parto normal e ela aceita também, mas eu desconfio que durante as consultas ela vá jogando algumas frases para sentir o quanto a gestante realmente quer o parto normal e se está disposta a lutar por ele. Se a gestante for do tipo mole pra dor, insegura e ainda por cima desinformada, acho que ela deve empurrar para a cesária que é mais conveniente. Por exemplo, ela pode apertar sua barriga e se você choramingar de dor ou reclamar, ela dirá algo do tipo: "Se isso daqui está doendo, não sei não... tem certeza de que vai aguentar parto normal?". Ela fez isso com uma paciente que eu conheço (que, no fim, optou pela cesariana). Graças a Deus, ela não tentou isso comigo (ou se fez eu nem percebi, vai saber!), mas se eu tivesse percebido, eu acho que teria mudado de médica! Outra estratégia pra colocar medo na gestante ela tentou com essa paciente e também comigo. Engraçado que na ocasião eu "nem tchum", só fui me dar conta muito tempo depois (devo ser muito tapada mesmo, rs!): Numa determinada consulta, ao ler o resultado de uma USG, ela soltou o seguinte comentário como quem não queria nada: "Nossa, como a bebê já está grande para a idade...". Eu fiz cara de que não entendi e ficou por isso mesmo. Claro que não passava de blefe para testar meu medo de parir um neném grande - mesmo porque minha bebê era toda pequenina e nasceu com menos de 2,500 kg!
Aproveitando o assunto do "bebê grande", lembro de outra situação que presenciei neste mesmo hospital três anos atrás. Alguns dias antes da minha primeira filha nascer, passei no pronto atendimento do hospital para avaliar a intensidade das contrações que eu estava sentindo (era um falso TP). Enquanto fazia o exame de cardiotocografia, ouvi a conversa de uma paciente novinha e duas auxilares de enfermagem que a atendiam no biombo do lado. A moça dizia que estava esperando para ter parto normal e uma das funcionárias do hospital começou a botar medo nela, dizendo algo do tipo: "O quê? Mas olha o tamanho da sua barriga, menina. Seu bebê é enorme. Você vai sofrer demais pra ele nascer. Marque logo uma cesária. Ouve o que eu estou te dizendo...". Absurdo, né?! Acho que se fosse hoje eu denunciava, rsrs.
Mas voltando a falar da minha médica, o fato é que ela faz sim partos normais: além de mim, conheço duas outras (amigas minhas) que tiveram parto normal com ela e também sei que ela já reagendou dias de consulta (inclusive para o sábado) por causa de partos normais em horário de expediente durante a semana. Por outro lado, também conheço outras duas pacientes dela que "queriam" normal mas acabaram indo para a cesariana mesmo. Coloquei entre aspas porque não basta que o parto normal seja a sua preferência, você precisará batalhar por ele, se informar, ser determinada e vencer suas próprias ansiedades e medos. Por fim, é uma obstetra que indico (dadas as citadas ressalvas). Apesar de ter problema com horário (em praticamente todas as consultas tive de esperar uma a duas horas para ser atendida), o consultório dela está sempre lotado porque ela é muito calma, amável e querida por suas pacientes. Ou seja, se a agenda dela está sempre cheia, certamente é porque as pacientes gostam do atendimento dela e a indicam para suas amigas e conhecidas (como eu faço).
Considerações Finais
Pelo documentário, uma em cada dez brasileiras sofre violência no parto (Fundação Perseu Abramo, 2010). Violência obstétrica é um termo bem forte - certamente o trauma das mulheres que contaram suas histórias no documentário também o é. Muito difícil não se emocionar ouvindo seus relatos, principalmente se você também em algum momento se sentiu constrangida, desamparada ou desrespeitada no seu TP ou pós-parto e não soube ou não pôde fazer nada para se defender ou diminuir a intensidade da dor. Como o caso da Patrícia Roberta Bellanda que, mesmo depois de dois anos, ainda não se recuperou totalmente. Se ao pensar sobre o assunto e relembrar os momentos vividos os olhos se enchem de lágrimas significa que a pessoa não superou por completo um trauma, então talvez eu também tenha de admitir que eu ainda não o superei. Chorei em vários momentos enquanto escrevia este texto e acho, inclusive, que falar sobre o assunto, destrinchar e tentar entender tin-tin por tin-tin tudo o que eu vivi e senti, me ajudou a dar passos largos rumo a essa superação. O mais importante, sem dúvidas, é perdoar: arrancar as raízes de amargura, jogar fora o rancor e deixar o Pai usar toda e qualquer situação - por melhor que seja - para nos curar, nos moldar e transformar à imagem do Seu Filho.
É verdade também que encontrar um obstetra de plano de saúde pró-parto normal é uma tarefa árdua. Porém, confesso que apesar disso tudo (inclusive de eu também me enquadrar como vítima desse tipo de violência), tenho bastante receio de usar o termo "violência obstétrica" de qualquer maneira. Como sempre, gosto de filosofar e, no meu entendimento, dizer que alguém foi vítima de "violência obstétrica" pressupõe que houve um vilão na história. Pressupõe também que esse vilão seja uma pessoa de carne e osso e que essa pessoa, necessariamente, seja o médico e/ou sua equipe obstétrica. Mas será que eles são realmente os culpados? Ou, de certa forma, eles também são vítimas de algo maior (o sistema)? Claro que com isso não estou tentando justificar a mentira, a enganação, a má fé, a ganância e nem mesmo o "jeitinho brasileiro" de querer tirar vantagem de tudo e de todos pra sair ganhando, doa a quem doer - porque, afinal, os fins não justificam os meios. Pelo contrário, quero denunciar esses vilões... porém lembrar que os verdadeiros vilões não são de carne e osso. São invisíveis, porém reais. Sim, em algumas denúncias de abuso, o agressor é mesmo uma pessoa, mas em muitas outras não - o vilão é o próprio sistema de saúde, de formação de médicos e, principalmente, do que nossa cultura valoriza como bom e desejável (e que nós muitas vezes aderimos sem sabedoria do Alto). Tanto num caso como no outro, precisamos nos lembrar que não somos deste mundo! Nossa Pátria não é aqui e o Reino a que pertencemos é outro. Por isso, precisamos estar sintonizadas com o nosso Pai e Salvador para vivermos plenamente nesta Terra, a salvo do verdadeiro e único inimigo de nossas almas. Há um mundo espiritual invisível a nossa volta que não podemos ignorar.
Como a Palavra nos orienta, em vez de sairmos atacando as pessoas que nos prejudicaram de alguma forma, vamos lembrar de orar por aqueles que nos maltratam. Ao Senhor pertence a vingança. Ele fará justiça se formos fiéis.
Lucas 6:27-36 - "Mas eu digo a vocês que estão me ouvindo: Amem os seus inimigos, façam o bem aos que os odeiam, abençoem os que os amaldiçoam, orem por aqueles que os maltratam. Se alguém lhe bater numa face, ofereça-lhe também a outra. Se alguém lhe tirar a capa, não o impeça de tirar-lhe a túnica. Dê a todo o que lhe pedir, e se alguém tirar o que pertence a você, não lhe exija que o devolva. Como vocês querem que os outros lhe façam, façam também vocês a eles. 'Que mérito vocês terão, se amarem aos que os amam? Até os 'pecadores' agem assim. E que mérito terão, se emprestarem a pessoas de quem esperam devolução? Até os 'pecadores' emprestam a 'pecadores', esperando receber devolução integral. Amem, porém, os seus inimigos, façam-lhes o bem e emprestem a eles, sem esperar receber nada de volta. Então, a recompensa que terão será grande e vocês serão filhos do Altíssimo, porque ele é bondoso para com os ingratos e maus. Sejam misericordiosos, assim como o Pai de vocês é misericordioso".
PARA LER O RELATO COMPLETO DOS MEUS PARTOS, CLIQUE EM:
Parto normal vale à pena?
Série Parto no Brasil: a caminho da humanização
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
Rotina do Vinícius – 1 a 3 meses – Parte 1: O primeiro mês
Ao ser apresentada aos princípios
do Nana Nenê e da Encantadora de Bebês, fiquei simplesmente maravilhada - em
especial porque admirava muito a forma como a Tine educava o Tiago – e mal
podia esperar a Giovanna nascer para aplicá-los (atualmente com quase três anos
de idade).
Não deixei chorar, nem para sonecas, nem para o sono noturno. Concentrei-me em criar a rotina do sono e me esforcei para que ele dormisse no berço sozinho. Nessa fase é mais fácil, porque eles literalmente capotam, ainda mais o meu sendo prematuro. Tirando algumas poucas vezes em que foi necessário ninar, em boa parte das sonecas ele desmaiava sem qualquer esforço da minha parte.
Com a Gi (minha primeira filha), passei a deixar chorar dez dias após o nascimento. Foi simplesmente o caos. Fico angustiada só de ler meu diário da época. Definitivamente, com o Vini foi bem mais fácil e não acho que ele “perdeu sono”. Ao contrário, ele dormiu bem melhor que ela, que desperdiçou horas chorando ao invés de dormir.
Especulando (sim, porque não dá para saber com certeza), acho que o sucesso dessa primeira etapa se deu principalmente pela minha postura. Claro que a prematuridade é um fator que favorece o sono. Porém, acredito que as mães passam segurança ou insegurança para os filhos. Quando eu ia colocar a Gi no berço, já começava a ficar tensa, pensando no choro que teria que ouvir. Com o Vini tudo era tranquilo. Eu ia para o quarto dele com paz de espírito. Isso na minha opinião, foi um fator decisivo.
Contudo, depois de uns meses
desenvolvi uma verdadeira repulsa a toda essa literatura, não porque duvidava
de sua eficácia, mas simplesmente porque não funcionava como no livro. Acho que
esse repúdio se deu porque eu tinha certas expectativas que não foram
alcançadas e, para piorar, me sentia culpada por acreditar que isso ocorreu por
minha incompetência em aplicar o método. Resultado: somando o temor do primeiro
filho, com uma depressão leve pós-parto, mais uma choradeira interminável e um
resultado que nunca chegava, acabei frustrada e acuada.
Somente depois de abandonar o CIO
(deixar chorar) é que consegui reunir forças novamente para me concentrar na
minha bebê e aos poucos fui resolvendo as pendências de um modo mais sereno.
Consegui me recuperar e a vida seguiu. Meu desabafo pode ser lido em uma das
poucas postagens antigas de minha autoria “A vida sem Ezzo ou Tracy Hogg”.
Aí fiquei grávida do meu segundo
filho e tinha que decidir o que fazer. Aplicar os princípios? Não aplicar? O
que aplicar?
Tornei a ler boa parte dos
livros, dessa vez com outros olhos e sem a pressão de querer ser “a mãe
perfeita”. Também li outros textos, principalmente na internet. Conversei com
meu marido. Pensei nas experiências de outras mães, adeptas e não adeptas dos
Ezzos. Lembrei da minha própria experiência, dessa vez com uma reflexão mais
fria, mais crítica.
Abaixo compartilho as opções que
fizemos em relação ao Vinícius, dispostos em três partes: Alimentação –
Atividade – Sono. A Tracy Hogg
chama isso de EASY (eat-activity-sleep-you).
1º mês:
Alimentação:
O Vinícius nasceu prematuro e por
problemas respiratórios teve que ficar internado por duas semanas. Na UTI o
colocaram em uma rotina de mamadas de três em três horas rigorosa.
Já havíamos decidido aplicar o
princípio da AOP (Alimentação Orientada pelos Pais), presente tanto no Nana
Nenê quanto no livro “Encantadora de Bebês”. Acredito muito nesse princípio
porque ele te permite compreender melhor o choro da criança. A partir do
momento que você sabe que horas o bebê mamou, é possível prever, por exemplo,
que um choro meia hora depois dificilmente será fome.
Além disso, a mamada espaçada
permite ao bebê mamar quando realmente está com fome (não só para se acalmar,
por exemplo), o que fará com que ele sugue até chegar à parte gordurosa do
leite.
Também existe o ponto emocional.
Não acho saudável fazer a associação de que devemos nos acalmar com comida. Peito
é só para refeições e ponto final.
Quando chegamos em casa,
aplicamos o princípio de imediato. Embora já estivesse acostumado com as três
horas, resolvi baixar esse intervalo para 2 e ½ horas. O motivo? Na UTI eles
sabem que o bebê mamou bem, porque depois do peito existe um complemento por
sonda ou via oral. Além disso, as fraldas são pesadas e o próprio bebê é pesado
diariamente. Sem esses recursos, preferi baixar o intervalo e aderi a uma
flexibilidade de 30 minutos, tanto para mais, como para menos.
Atividade:
Depois da mamada, se ele
dormisse, eu o deixava ereto por um tempo e depois colocava no berço. Se
acordasse, tudo bem. Não insistia no período de atividade – afinal, era para
ele estar no meu ventre.
Tirando um ou outro dia, ele
praticamente mamou e dormiu por três semanas. A atividade principal era o banho
e a troca de fraldas, sendo que optei por realizá-las antes das mamadas, para evitar regurgitações. Com a Gi, eu trocava
uns 20 minutos depois das mamadas, porque o EASY da Tracy indicam essa como a
principal atividade do bebê. Comparando, eis minhas observações:
1. As fraldas vazaram bem menos. Acho que é porque quando trocamos após a mamada, a barriguinha está mais cheia. Conforme vai esvaziando, a fralda fica menos ajustada e o xixi vaza. Trocando antes da mamada, o ajuste fica melhor.
Sono:1. As fraldas vazaram bem menos. Acho que é porque quando trocamos após a mamada, a barriguinha está mais cheia. Conforme vai esvaziando, a fralda fica menos ajustada e o xixi vaza. Trocando antes da mamada, o ajuste fica melhor.
2. Há
menos incidentes de xixi no trocador. Trocando antes da mamada, tudo o que
o nenê tinha para fazer já foi feito. No caso da Gi, mesmo trocando depois de
um intervalo, era quase certo que ela faria mais durante a troca.
3. Diminuição
no número de regurgitações. Esse era o único resultado que eu esperava e
realmente se confirmou, principalmente no banho. Conto nos dedos as vezes que isso
aconteceu e ele nunca golfou. Ressalto que não tive muito problema com a Gi,
mas com o Vini foi quase perfeito nesse quesito.
4. Maior
dificuldade para trocar. Foi o único ponto negativo que observei.
Justamente por estar com fome, o Vini as vezes chorava e se remexia no
trocador, fato que praticamente não aconteceu com a Giovanna (que geralmente
desmaiava no trocador). Contudo, essa dificuldade aconteceu mais nas duas
primeiras semanas. Depois que o Vini pegou o jeito da coisa, passou a se comportar
bem e esperar pela troca, sabendo que em seguida ia mamar.
Não deixei chorar, nem para sonecas, nem para o sono noturno. Concentrei-me em criar a rotina do sono e me esforcei para que ele dormisse no berço sozinho. Nessa fase é mais fácil, porque eles literalmente capotam, ainda mais o meu sendo prematuro. Tirando algumas poucas vezes em que foi necessário ninar, em boa parte das sonecas ele desmaiava sem qualquer esforço da minha parte.
Com a Gi (minha primeira filha), passei a deixar chorar dez dias após o nascimento. Foi simplesmente o caos. Fico angustiada só de ler meu diário da época. Definitivamente, com o Vini foi bem mais fácil e não acho que ele “perdeu sono”. Ao contrário, ele dormiu bem melhor que ela, que desperdiçou horas chorando ao invés de dormir.
Especulando (sim, porque não dá para saber com certeza), acho que o sucesso dessa primeira etapa se deu principalmente pela minha postura. Claro que a prematuridade é um fator que favorece o sono. Porém, acredito que as mães passam segurança ou insegurança para os filhos. Quando eu ia colocar a Gi no berço, já começava a ficar tensa, pensando no choro que teria que ouvir. Com o Vini tudo era tranquilo. Eu ia para o quarto dele com paz de espírito. Isso na minha opinião, foi um fator decisivo.
Resumindo:
O primeiro mês do meu filho em casa foi de paz e sossego. Ele comeu bem, dormiu bem e minha família idem. Acredito que para minha personalidade e estilo, esse “mix” de princípios serviu e não acredito que ter adiado o “deixar chorar” foi um empecilho para impor uma rotina adequada nessa primeira etapa da vida do Vini.
Contudo, lembro que há tantos fatores que é difícil prever o que acontecerá em cada caso concreto. Talvez para um terceiro filho essa minha opção de agora não seja adequada. Daí a importância de sempre manter a calma e fazer escolhas que funcionem para SUA família.
Aprendi que esse foi meu erro com a Giovanna: acreditar que se eu não conseguisse aplicar os princípios desde logo, teria mais trabalho em fazer isso mais para frente. Obriguei-me a passar por cima dos meus limites e criei um ambiente tenso na minha casa que redundou no fracasso de tudo. Foi só depois de jogar tudo fora e começar do zero que as coisas deram certo.
CIO é bom. Não descartei e vocês verão que passei a usar nos meses seguintes (aguardem as próximas postagens). Mas com a Gi, sinceramente, não achei que valeu a pena nessa fase. Daí minha opção para agora.
Até a próxima.
O primeiro mês do meu filho em casa foi de paz e sossego. Ele comeu bem, dormiu bem e minha família idem. Acredito que para minha personalidade e estilo, esse “mix” de princípios serviu e não acredito que ter adiado o “deixar chorar” foi um empecilho para impor uma rotina adequada nessa primeira etapa da vida do Vini.
Contudo, lembro que há tantos fatores que é difícil prever o que acontecerá em cada caso concreto. Talvez para um terceiro filho essa minha opção de agora não seja adequada. Daí a importância de sempre manter a calma e fazer escolhas que funcionem para SUA família.
Aprendi que esse foi meu erro com a Giovanna: acreditar que se eu não conseguisse aplicar os princípios desde logo, teria mais trabalho em fazer isso mais para frente. Obriguei-me a passar por cima dos meus limites e criei um ambiente tenso na minha casa que redundou no fracasso de tudo. Foi só depois de jogar tudo fora e começar do zero que as coisas deram certo.
CIO é bom. Não descartei e vocês verão que passei a usar nos meses seguintes (aguardem as próximas postagens). Mas com a Gi, sinceramente, não achei que valeu a pena nessa fase. Daí minha opção para agora.
Até a próxima.
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
Eu largar o emprego e depender financeiramente do meu marido? Você só pode estar louca!
Recentemente em pé numa fila ouvi mãe e filha conversarem bem atrás de mim. Falavam do namorado da filha que, pelo que pude entender, tinha carro e a levava para os lugares onde ela precisava ir. Insatisfeita, a jovem se queixava de que precisava logo arrumar um emprego pra poder ter "as coisas dela". A justificativa, para citar as exatas palavras que ela usou, foi que "não tem nada pior do que depender de homem", ao que a mãe prontamente confirmou: "Ah, isso é. Não tem nada pior mesmo".
Essa conversa imediatamente me fez lembrar de uma matéria publicada em 30/10/2012 no UOL Mulher intitulada "Ao abrirem mão da carreira para serem donas de casa, mulheres sofrem preconceito". A matéria fala de mulheres que estudaram, se especializaram, construíram uma carreira bem sucedida, ganharam dinheiro mas que, "após tantas conquistas, decidiram abrir mão da independência e da autonomia financeira para fazer o caminho inverso" e estão voltando a assumir os cuidados com o lar e as crianças. No caso das duas mamães em foco na matéria, frisou-se que o apoio financeiro e emocional dos maridos foi fundamental.
Eu associei a conversa acima à reportagem justamente por causa da mentalidade de "meu dinheiro" e "seu dinheiro" que está impregnada na mente da maioria das pessoas, infelizmente! Você já deve ter ouvido falar de casais que, em nome da liberdade e individualidade dos cônjuges, um não sabe quanto o outro ganha. Ou então de marido e mulher que fazem 'comprinhas escondidas' para não arrumar confusão em casa. São poucas as famílias que consideram todo dinheiro que entra como "nosso dinheiro" e não dividam as contas que um paga e que outro paga. Penso se, no caso das mulheres "do lar", isso é causado por algum comportamento egoísta do marido - de repente de má vontade para com as necessidades da esposa já que mulher normalmente é vista como 'gastona'? Ou talvez seja coisa da cabeça da esposa mesmo que acredita que precisa do "seu dinheirinho" para se sentir uma mulher independente e "poderosa".
Não sei, mas independente da raiz do pensamento, parece que a mulher DEPENDER do homem é sinal de retrocesso ao movimento feminista que conquistou "direitos iguais" entre os sexos em nossa sociedade, já repararam? E o preconceito contra a mulher que fica em casa (e não ganha salário) não me parece ser exclusividade do público feminino. Muitos homens aderem à apologia da mulher valorosa e poderosa como aquela que está no mercado de trabalho, que ganha e que administra o próprio dinheiro - ainda que secretamente alguns possam desejar algo diferente para suas parcerias, é verdade. No contexto da pós-modernidade intelectual em que vivemos, ai do homem que disser que gostaria que a esposa ficasse em casa e pessoalmente cuidasse da educação dos filhos, não é mesmo! Já imaginou a revolta? Bom, pelo menos na minha faculdade eu sei que esse indivíduo seria ferozmente execrado como machista, dominador e opressor das mulheres! O acusariam ferrenhamente e ainda acrescentariam: "Ah, bonito, então por que não fica em casa você pra limpar, cozinhar, trocar fralda de bebê e cuidar de criança o dia todo já que faz tanta questão assim de não pagar alguém para fazer esse serviço?", indicando nas entrelinhas que dedicar-se aos filhos e à administração do lar não é uma realização muito importante. A supremacia do local de trabalho (ou do estudo) sobre o ambiente familiar está tão impregnada em nós que é que como se ficar em casa fosse sinônimo de emburrecer, de atrofiar o cérebro por falta de uso, de viver uma vida medíocre dependendo de outro (o marido, que é quem desempenha uma atividade que realmente tem relevância para esta sociedade que pouco valoriza a família). Você já percebeu a maneira como consideramos que o bom e saudável para qualquer indivíduo (seja homem, mulher, criança, adulto ou velho) é estar em todo e qualquer lugar que não seja em casa, vivendo a vida comum do lar?
Eu gostei tanto da reportagem porque ela aponta o contrário!
A mulher que fica em casa tem uma nobre missão e um imenso privilégio de ficar perto dos filhos nos anos em que as bases para as suas vidas estão sendo formadas. Primeiro, o fato dela poder escolher ficar em casa e cuidar da prole significa simplesmente isso: que ela tem escolha! Apenas isso. Não significa que ela é menos do que o homem, apenas que ela não precisa vender o seu tempo para outro em troca de dinheiro para conseguir colocar comida na mesa. Significa que o marido ganha suficientemente bem para sustentar toda a família e garantir a ela esse PRIVILÉGIO de ser mãe em tempo integral. Claro que em muitos casos sacrifícios são feitos, grandes sacrifícios até!
No meu caso e no caso de algumas mulheres que eu conheço (e estou cada vez mais surpresa com os depoimentos que ouço!), a opção de ficar em casa foi feita por acreditarem que era o melhor para o bem-estar das suas FAMÍLIAS, que elas decidiram priorizar acima de suas próprias carreiras profissionais. E elas toparam abaixar o padrão de vida (por tempo indeterminado) e abrir mão de certos luxos e/ou regalias e até certas necessidades, em prol desse objetivo. No meu caso, pelo menos, foi o que aconteceu. Cortes substanciais foram feitos no orçamento familiar depois que a renda caiu pela metade quando eu parei de trabalhar fora. Planejamos que aguentaríamos as pontas por 18 meses, que era o tempo previsto para eu terminar a faculdade, mas para ser sincera eu gostaria de ficar em casa com as meninas por mais tempo. Se até lá o salário do meu marido for suficiente para dar conta de nossas despesas, acho que é o que farei. Está sendo muito bom assumir, em tempo integral, a tarefa de ensiná-las a respeito de praticamente tudo no nosso dia-a-dia de vida, tanto em termos de desenvolvimento intelectual, quanto espiritual e físico. Além disso, em casa tenho liberdade para trabalhar em projetos pessoais, a fazer o que gosto no tempo e da maneira que eu quero (ou consigo), sem pressão externa de cumprir horário.
Como a psicóloga da matéria diz, a mulher que não trabalha fora não é menos importante que o homem. Ela está ao lado dele, eles são parceiros nessa empreitada (de construir uma família). E ela também não é pior do que a mulher que passa todos os dias da semana dentro de uma empresa, no ambiente profissional do mercado de trabalho. Percebo que o ponto nevrálgico dessa questão é que o preconceito contra ficar em casa não vem somente de fora. Sim, a sociedade cobra, existem as pressões externas. Mas talvez muito mais fortes sejam as internas, o preconceito que está dentro de nós mesmas. E eu me pergunto por que será que sofremos tanto com este estigma e autoconceito negativo por ficar em casa? De onde vem a vergonha e/ou a culpa por "não estar fazendo nada"? Será que tem a ver que a gente secretamente pensa que tem de ir para o trabalho para fazer algo de útil e importante com as nossas vidas? E essa neura de que não merece gastar "o dinheiro do marido" e sentir que precisa dar um jeito de ter sua graninha por fora, de onde vem? Pode ser mesmo que uma nova fonte de renda seja algo necessário para alcançar os objetivos da família a longo prazo, mas até que ponto também não é fruto do desejo de "contribuir financeiramente" de alguma forma por achar que o que faz em casa (cuidar dos filhos, por exemplo) não é suficiente para torná-la uma mulher de valor? O que alimentou esse pensamento que nos acusa de estarmos sendo folgadas?
Todos os exemplos que eu dei são de preconceitos que eu já presenciei ou mesmo já tive, inclusive contra mim mesma. Mas, puxa, tenho percebido que dizer que a mulher que cuida do lar e dos filhos não trabalha é uma baita inverdade. Nunca trabalhei tanto em minha vida! Claro que eu também cansava quando passava o dia todo fora de casa, mas o cansaço de trabalhar em casa e cuidar dos filhos é um cansaço bem diferente. Exige muitas habilidades ao mesmo tempo, exige atenção redobrada, exige disciplina... e às vezes significa mal ter privacidade pra ir ao banheiro sozinha! Nesse sentido, passar horas sentada na frente do computador escrevendo, criando e resolvendo "pepinos" era menos cansativo. Ficar em casa dá mais trabalho!
Eu associei a conversa acima à reportagem justamente por causa da mentalidade de "meu dinheiro" e "seu dinheiro" que está impregnada na mente da maioria das pessoas, infelizmente! Você já deve ter ouvido falar de casais que, em nome da liberdade e individualidade dos cônjuges, um não sabe quanto o outro ganha. Ou então de marido e mulher que fazem 'comprinhas escondidas' para não arrumar confusão em casa. São poucas as famílias que consideram todo dinheiro que entra como "nosso dinheiro" e não dividam as contas que um paga e que outro paga. Penso se, no caso das mulheres "do lar", isso é causado por algum comportamento egoísta do marido - de repente de má vontade para com as necessidades da esposa já que mulher normalmente é vista como 'gastona'? Ou talvez seja coisa da cabeça da esposa mesmo que acredita que precisa do "seu dinheirinho" para se sentir uma mulher independente e "poderosa".
Não sei, mas independente da raiz do pensamento, parece que a mulher DEPENDER do homem é sinal de retrocesso ao movimento feminista que conquistou "direitos iguais" entre os sexos em nossa sociedade, já repararam? E o preconceito contra a mulher que fica em casa (e não ganha salário) não me parece ser exclusividade do público feminino. Muitos homens aderem à apologia da mulher valorosa e poderosa como aquela que está no mercado de trabalho, que ganha e que administra o próprio dinheiro - ainda que secretamente alguns possam desejar algo diferente para suas parcerias, é verdade. No contexto da pós-modernidade intelectual em que vivemos, ai do homem que disser que gostaria que a esposa ficasse em casa e pessoalmente cuidasse da educação dos filhos, não é mesmo! Já imaginou a revolta? Bom, pelo menos na minha faculdade eu sei que esse indivíduo seria ferozmente execrado como machista, dominador e opressor das mulheres! O acusariam ferrenhamente e ainda acrescentariam: "Ah, bonito, então por que não fica em casa você pra limpar, cozinhar, trocar fralda de bebê e cuidar de criança o dia todo já que faz tanta questão assim de não pagar alguém para fazer esse serviço?", indicando nas entrelinhas que dedicar-se aos filhos e à administração do lar não é uma realização muito importante. A supremacia do local de trabalho (ou do estudo) sobre o ambiente familiar está tão impregnada em nós que é que como se ficar em casa fosse sinônimo de emburrecer, de atrofiar o cérebro por falta de uso, de viver uma vida medíocre dependendo de outro (o marido, que é quem desempenha uma atividade que realmente tem relevância para esta sociedade que pouco valoriza a família). Você já percebeu a maneira como consideramos que o bom e saudável para qualquer indivíduo (seja homem, mulher, criança, adulto ou velho) é estar em todo e qualquer lugar que não seja em casa, vivendo a vida comum do lar?
Eu gostei tanto da reportagem porque ela aponta o contrário!
A mulher que fica em casa tem uma nobre missão e um imenso privilégio de ficar perto dos filhos nos anos em que as bases para as suas vidas estão sendo formadas. Primeiro, o fato dela poder escolher ficar em casa e cuidar da prole significa simplesmente isso: que ela tem escolha! Apenas isso. Não significa que ela é menos do que o homem, apenas que ela não precisa vender o seu tempo para outro em troca de dinheiro para conseguir colocar comida na mesa. Significa que o marido ganha suficientemente bem para sustentar toda a família e garantir a ela esse PRIVILÉGIO de ser mãe em tempo integral. Claro que em muitos casos sacrifícios são feitos, grandes sacrifícios até!
No meu caso e no caso de algumas mulheres que eu conheço (e estou cada vez mais surpresa com os depoimentos que ouço!), a opção de ficar em casa foi feita por acreditarem que era o melhor para o bem-estar das suas FAMÍLIAS, que elas decidiram priorizar acima de suas próprias carreiras profissionais. E elas toparam abaixar o padrão de vida (por tempo indeterminado) e abrir mão de certos luxos e/ou regalias e até certas necessidades, em prol desse objetivo. No meu caso, pelo menos, foi o que aconteceu. Cortes substanciais foram feitos no orçamento familiar depois que a renda caiu pela metade quando eu parei de trabalhar fora. Planejamos que aguentaríamos as pontas por 18 meses, que era o tempo previsto para eu terminar a faculdade, mas para ser sincera eu gostaria de ficar em casa com as meninas por mais tempo. Se até lá o salário do meu marido for suficiente para dar conta de nossas despesas, acho que é o que farei. Está sendo muito bom assumir, em tempo integral, a tarefa de ensiná-las a respeito de praticamente tudo no nosso dia-a-dia de vida, tanto em termos de desenvolvimento intelectual, quanto espiritual e físico. Além disso, em casa tenho liberdade para trabalhar em projetos pessoais, a fazer o que gosto no tempo e da maneira que eu quero (ou consigo), sem pressão externa de cumprir horário.
Como a psicóloga da matéria diz, a mulher que não trabalha fora não é menos importante que o homem. Ela está ao lado dele, eles são parceiros nessa empreitada (de construir uma família). E ela também não é pior do que a mulher que passa todos os dias da semana dentro de uma empresa, no ambiente profissional do mercado de trabalho. Percebo que o ponto nevrálgico dessa questão é que o preconceito contra ficar em casa não vem somente de fora. Sim, a sociedade cobra, existem as pressões externas. Mas talvez muito mais fortes sejam as internas, o preconceito que está dentro de nós mesmas. E eu me pergunto por que será que sofremos tanto com este estigma e autoconceito negativo por ficar em casa? De onde vem a vergonha e/ou a culpa por "não estar fazendo nada"? Será que tem a ver que a gente secretamente pensa que tem de ir para o trabalho para fazer algo de útil e importante com as nossas vidas? E essa neura de que não merece gastar "o dinheiro do marido" e sentir que precisa dar um jeito de ter sua graninha por fora, de onde vem? Pode ser mesmo que uma nova fonte de renda seja algo necessário para alcançar os objetivos da família a longo prazo, mas até que ponto também não é fruto do desejo de "contribuir financeiramente" de alguma forma por achar que o que faz em casa (cuidar dos filhos, por exemplo) não é suficiente para torná-la uma mulher de valor? O que alimentou esse pensamento que nos acusa de estarmos sendo folgadas?
Todos os exemplos que eu dei são de preconceitos que eu já presenciei ou mesmo já tive, inclusive contra mim mesma. Mas, puxa, tenho percebido que dizer que a mulher que cuida do lar e dos filhos não trabalha é uma baita inverdade. Nunca trabalhei tanto em minha vida! Claro que eu também cansava quando passava o dia todo fora de casa, mas o cansaço de trabalhar em casa e cuidar dos filhos é um cansaço bem diferente. Exige muitas habilidades ao mesmo tempo, exige atenção redobrada, exige disciplina... e às vezes significa mal ter privacidade pra ir ao banheiro sozinha! Nesse sentido, passar horas sentada na frente do computador escrevendo, criando e resolvendo "pepinos" era menos cansativo. Ficar em casa dá mais trabalho!
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