Faz pouco mais de 2,5 anos que eu iniciei a minha jornada de aprendizado sobre homeschooling e quase dois que eu comecei a intencionalmente praticá-lo com as minhas filhas. A caçula tinha acabado de completar 1 ano quando eu pedi demissão da empresa, em julho de 2012, e seis meses depois, ao fim do ano letivo, depois de orar a respeito e conversar com o marido, decidimos tirar a mais velha (na época com quase 3 anos e meio) da escola que ela frequentava em regime de meio-período para experimentar a educação domiciliar.
O que a princípio seria uma experiência de um ano já viraram dois e nós seguimos animados diante das possibilidades que o homeschooling nos traz como família. No post de hoje elegi o que, para nós, representam os 5 pontos mais altos dessa prática na intenção de inspirar mamães, papais e educadores curiosos que estão pesquisando sobre o assunto!
1. POR UMA MAIOR FLEXIBILIDADE NA ROTINA
Nesses dois anos de prática e aprendizado, devido às circunstâncias em que nos encontrávamos, meu marido e eu dividimos a responsabilidade, alternando quem ficava incumbido de conduzir as atividades de ensino em casa. E este é justamente um dos grandes benefícios inerentes à prática da educação domiciliar: a possibilidade de flexibilidade na rotina familiar. Não estamos presos a um calendário escolar, tampouco a uma localização geográfica. As nossas férias não precisam ser na época mais cara do ano para se viajar. O homeschooling nos traz a possibilidade de viver com mais liberdade, de aproveitar oportunidades e de efetivamente perseguir os nossos sonhos.
Vejam como foi o nosso caso nesse período de dois anos:
Nos primeiros 8 meses, eu ficava em casa o dia todo com as meninas e ia para a faculdade à noite enquanto meu marido trabalhava fora. Nos 5 meses seguintes, nos mudamos para o Canadá e, como eu precisava estudar em período integral, ele ficou em casa ensinando as meninas. Durante os 3 meses seguintes tivemos uma fase um pouco diferente já que elas frequentaram uma creche de Montreal em meio-período; o motivo é que meu marido havia conseguido um emprego e as minhas aulas na universidade ainda não tinham acabado. Em seguida, passamos os últimos 3 meses lá curtindo o verão canadense - eu em casa com as meninas enquanto meu marido estava trabalhando fora. Extremamente feliz porque era o que eu queria fazer, pude novamente me dedicar a ensiná-las - nessa época, inclusive, aproveitei para comprar o kit de Pre-Kindergarten do Sonlight.
Quando voltamos para o Brasil, há exatos três meses, retomei meus estudos e estágios para terminar a licenciatura em Pedagogia e, por isso, meu marido novamente assumiu as funções de homeschool. No momento finalizei meu estágio (pelo menos o deste semestre, no próximo tem mais!) e estou em casa boa parte do tempo, indo para as aulas somente 1x por semana. Assim, pretendo aproveitar para colocar em dia algumas leituras e atividades com as meninas, me envolver mais com a comunidade de homeschoolers da minha região e, quem sabe também, eu consiga escrever mais no blog!
2. POR UM ESTILO DE VIDA MENOS COMPLICADO
Para nós fazer homeschooling é mais do que praticar uma modalidade alternativa de ensino que opta pelo lar em vez da escola. Vemos-a também como a opção por um estilo de vida mais simples, um jeito diferente de encarar a vida e de ser feliz com menos, sem os excessos que nos dão uma falsa sensação de preenchimento. E isso porque um dos benefícios que essa opção nos traz é que ela expõe menos a nossa família (principalmente as crianças) a pressões externas de como se vestir, o que comprar, que lugares frequentar, o que assistir... enfim, a padrões pré-estabelecidos de consumo, das últimas tendências da moda, do mundo do entretenimento, etc. Claro que essa pressão ainda existe em outros círculos de amizades, mas tende a ser menor se a frequência de contato não for diária. Se, por um lado, fazer homeschooling para muitas famílias exige um padrão de vida mais humilde porque a renda familiar cai (já que um dos cônjuges precisa parar de trabalhar ou diminuir consideravelmente sua carga horária de trabalho), há de se pensar que, por outro também, economiza-se nas altas mensalidades e outros custos com taxas escolares, materiais, uniformes e alimentação fora de casa. :)
Além disso, a educação domiciliar também propicia um estilo de vida que nos impulsiona para fora da caixa e dos limites que muitas vezes poluem nossa imaginação e cegam nossa perspectiva para o futuro, um estilo de vida que prioriza um viver mais fluido, menos rígido e compartimentalizado por compromissos diários que sobrecarregam a nossa alma e nos fazem desejar ardentemente que o final de semana (ou do ano!) chegue logo. Para a nossa família hoje não existe essencialmente nada que diferencie uma quarta-feira de um sábado, ou um mês de outro. Os ciclos e dias nunca são iguais. Por mais que tenhamos um currículo como referencial e uma estrutura idealizada que gostaríamos de cumprir, não estamos numa corrida de ratos que nos obriga a acordar todo dia no mesmo horário, sair de casa às pressas (muitas vezes enfrentando um trânsito lascado!) para nos conformar a uma agenda fixa, que serve ao coletivo maior. Aqui em casa nós fazemos a nossa agenda, nós delimitamos as nossas prioridades e nós escolhemos o que queremos estudar a cada dia, mês e ano. Não somos reféns do "não tenho tempo" porque em casa temos todo o tempo que quisermos para usar como quisermos. E nós procuramos usá-lo com sabedoria. Se porventura as crianças tiverem alguma idéia brilhante de passeio, experimento ou atividade, ou mesmo certa curiosidade em pesquisarem sobre algo que surgiu do nada, podemos "parar tudo" e dar atenção àquilo, sem crise. Mudanças são permitidas e não acarretam grandes prejuízos como, por exemplo, se um sábado e domingo tiverem sido particularmente puxados, podemos tirar a segunda-feira para descansar e ter um dia menos acelerado. Passeios ao museu, casa da vovó, biblioteca ou praças não precisam ser planejados com muita antecedência. Podem até ser de um dia para o outro!
3. POR UM RELACIONAMENTO FAMILIAR MAIS SADIO
Estou convencida de que eu e meu marido somos as pessoas com quem nossos filhos mais precisam ter contato durante a infância. O convívio dos avós é importante e ter boas amizades também, mas eu acredito que nenhum deles deveria tomar o lugar dos pais na vida de uma criança. Também acho saudável que irmãos amem estar juntos, se ajudem, se defendam e valorizem a companhia um do outro mais do que a de amigos da mesma idade. Com a compartimentalização escolar da vida moderna fica cada vez mais desafiador os pais serem a primeira influência na vida dos filhos e os irmãos, que passam tantas horas do dia em salas diferentes, terem afinidade afetiva e apreço uns pelos outros. Sei que algumas brigas e desentendimentos fazem parte de todo relacionamento (aqui eles também acontecem!), mas acredito que devam ser exceção, não ocorrências constantes.
Para nós um dos benefícios de homeschool é que ele tem nos permitido construir memórias maravilhosas em família. Passamos muitas horas do nosso dia juntos e para mim como mãe é um privilégio imensurável estar disponível para ouvir minha filha quando uma dúvida ou pensamento sobre a vida passa pela sua cabecinha no meio do dia - às vezes durante uma refeição, quando estamos juntas arrumando a cama, guardando brinquedos, recolhendo roupa do varal, ou indo ao banheiro fazer xixi. Uma dúvida talvez que, se ela tivesse na escola, ela não dirigiria a mim, ou mesmo se lembrasse de me contar depois! Esses momentos preciosos ficarão para sempre guardados na minha lembrança, e sei que terão um impacto importante na vida dela também.
Outro aspecto é que diante do tamanho das mudanças pelas quais passamos nos últimos dois anos, o impacto de mudar de país não foi traumático para elas. E eu atribuo isso justamente ao fato de a base de segurança emocional delas ser o LAR, os relacionamentos dentro da família, que não mudaram daqui pra lá e nem de lá pra cá. Por isso, tanto faz se é Brasil ou Canadá, elas estão bem.
4. PELO ENTUSIASMO EM EXPLORAR E CONHECER O MUNDO
Eu acredito que toda criança nasce curiosa e desejosa de aprender, explorar e conhecer o mundo. O problema é que muitas vezes o sistema escolar mata esse desejo! Eu tenho plena consciência de que o mesmo pode acontecer em casa, com uma família que pratica a educação domiciliar, porque não é uma questão de local, mas de imposições e rigidez de expectativas sobre o aprendizado. Nesse sentido, eu sou fã do unschooling, da ideia de um ensino mais livre e que busca explorar a curiosidade natural da criança, que ouve suas perguntas, procura em conjunto respostas para elas e segue um ritmo que respeite sua personalidade. Por essa forma de enxergar, unschooling não tem nada a ver com deixar as crianças completamente soltas e esperar que elas determinem o currículo de estudos. Não é o caso. Meu papel é de instigar sua imaginação por meio de bons livros e de uma rica oralidade: contação de histórias, brincadeiras de advinhas, rimas, encenação, jogos e outras atividades educativas que sejam divertidas. Crianças amam uma boa história e minha casa está cheia de livros! Nós lemos em voz alta para as meninas todos os dias. Pelo menos nesta fase pré-escolar, eu tenho muita preocupação em não pecar pelo excesso, de forçar conteúdos escolares de uma forma maçante. Não tenho, por exemplo, pressa de que elas aprendam a ler. Eu alfabetizo de forma lúdica, mas não forço. Deixo sempre com gostinho de "quero mais" para que elas peçam para a gente fazer mais lição. Não quero privar minhas filhas de ter tempo para brincar e de inventar mil coisas!
E, por falar, em inventar... isso elas fazem de montão e, o melhor, espontaneamente... como deveria ser. Esse final de semana mesmo, voltamos de um casamento com duas pulseiras de neon (daquelas que brilham no escuro para usar em pista de dança) e que fizeram a minha filha de 5 anos pensar em uma armação de óculos. Ela perguntou ao pai como é que poderia fazer um par de óculos de brinquedo e o pai incentivou-a a encontrar uma solução sozinha. Foi um verdadeiro e autêntico projeto de ciências que ela desenvolveu num domingo ensolarado após voltarmos da igreja enquanto eu esfregava roupa no tanque e meu marido preparava o almoço.
Está aqui o resultado: Ela usou três chuquinhas de cabelo e uma tiara para executar sua invenção!
5. PELA LIBERDADE DE EXPERIMENTAR E SE DESENVOLVER EM ARTES VARIADAS
Outro benefício maravilhoso do homeschooling é a possibilidade de experimentar de tudo um pouco. Quando estávamos no Canadá, as meninas fizeram, em momentos diferentes ao longo do ano, aulas de cerâmica, aulas de balé, aulas de artes, aulas de dança, aulas de natação e aulas de piano. Agora, aqui no Brasil, elas estão fazendo ginástica olímpica e eu estou cogitando aulas de pintura em tela (se não derem certo as aulas, eu pretendo comprar o material pra fazer em casa). A Nicole também já me pediu para continuar aprendendo piano. Não pretendo ficar escrava de um número excessivo de aulas durante a semana, mas a idéia é aos poucos irmos descobrindo suas aptidões e talentos - algo que, se estivéssemos presos a uma agenda escolar, sem dúvidas seria muito mais difícil, principalmente numa cidade grande e agitada como a que vivemos em que conciliar horários é sempre um desafio.
Por fim, esses são os cinco principais motivos que nos fazem amar o homeschooling. Há outros que eu não citei aqui, esses são os mais importantes. Para muitos a educação domiciliar ainda é uma prática desconhecida e bastante estranha, mas para nós que estamos experimentando-a há algum tempo é algo que cada vez nos fascina mais! Sei que existem escolas excelentes (embora é evidente que não sejam a maioria e que custem muito dinheiro) e propiciam resultados ótimos também. Eu mesmo estudei numa escola assim, fui privilegiada!! Meu sonho sempre foi colocar meus filhos um dia para estudarem lá, mas parece que os planos do Senhor para nós eram outros.
Como sempre, os planos dEle são superiores aos nossos, como está escrito em 1 Coríntios 2:9 (o versículo que colocamos no nosso convite de casamento quase 12 anos atrás) que diz:
"Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem penetrou em coração humano o que Deus preparou para aqueles que O amam".
Bem-vinda!!
Bem-vinda ao nosso blog!
Aqui, mamães muito diferentes mas com um único objetivo compartilham suas experiências nesta grande aventura que é a maternidade! Nós queremos, acima de tudo, ser mamães sábias, que edificam seus lares e vivem com toda plenitude o privilégio de sermos mães! Usamos muitos dos princípios ensinados pelo Nana Nenê - Gary Ezzo, assim como outros livros. Nosso objetivo é compartilhar o que aprendemos a fim de facilitar a vida das mamães! Fomos realmente abençoadas com livros (e cursos) e queremos passar isso para frente!
Aqui, mamães muito diferentes mas com um único objetivo compartilham suas experiências nesta grande aventura que é a maternidade! Nós queremos, acima de tudo, ser mamães sábias, que edificam seus lares e vivem com toda plenitude o privilégio de sermos mães! Usamos muitos dos princípios ensinados pelo Nana Nenê - Gary Ezzo, assim como outros livros. Nosso objetivo é compartilhar o que aprendemos a fim de facilitar a vida das mamães! Fomos realmente abençoadas com livros (e cursos) e queremos passar isso para frente!
"Com sabedoria se constroi a casa, e com discernimento se consolida.
Pelo conhecimento os seus cômodos se enchem do que é precioso e agradável"
Prov. 24:4,5
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terça-feira, 2 de dezembro de 2014
sexta-feira, 23 de maio de 2014
A nossa vida no Québec - Os últimos 8 meses (Parte 1)
Eba, voltei ao blog! Entreguei meu último trabalho na universidade em meados de abril e ainda estou me recuperando da maratona que foram os últimos oito meses aqui no Canadá. Que alívio e que alegria; agora posso finalmente me dedicar ao homeschooling!
E cá entre nós, ficar em casa é tudo de bom. :)
Meu nível de cansaço mental e físico nos últimos meses estava tão profundo que eu tinha a nítida visão e sensação de estar envelhecendo. Um ano e meio atrás eu disse que o trabalho de ficar em casa com os filhos cansava mais do que trabalhar fora o dia todo, não disse? E é verdade, cansa mais mesmo, mas agora descobri algo que para mim desgasta ainda mais: tentar conciliar as duas coisas - vida dentro e fora de casa, estudando em período integral, levando criança pra escola, tentando conciliar tudo. Eu sei que existem muitas mães capazes de lidar numa boa com a pressão de tantos afazeres e preocupações, trabalham fora o dia todo e ainda estudam à noite, mas eu sinceramente não consigo... eu fico à beira de um ataque de nervos!
Simplesmente não consigo educar à distância e ficar feliz com o resultado, sabe? As muitas horas fora e a constante preocupação de textos para ler ou trabalhos para fazer não me deixavam fazer em casa um trabalho que eu considero decente. Pior, viver esgotada também me impedia de curtir a maternidade, o casamento, meu relacionamento com Deus... enfim, no meu caso tudo vira obrigação e torna-se um fardo pesado demais para carregar (e admito que o problema também é porque eu não me contento em não dar o meu melhor nos estudos). Quando estou cansada dia após dia, fico irritada com facilidade e sem paciência para brincar com minhas filhas ou mesmo corrigi-las de forma amorosa. Acabo virando uma mãe brava e autoritária, e reajo a situações inesperadas como não gostaria de reagir. Agora que estou em casa, tomo precauções para não debandar para o outro lado: ficar bitolada com as preocupações da casa e não respirar ar puro (figurativamente) periodicamente para renovar as energias. Nada como o bom e velho equilíbrio para garantir que não "endoidemos", hehe.
Bem, há seis meses, em 20 de outubro, eu escrevi um relato (leia aqui) sobre nossa mudança para o Canadá e como estava sendo nossa adaptação ao novo país. De lá pra cá muitas novidades aconteceram, mas eu vou tentar resumir os pontos mais importantes.
Em retrospectiva - Um milagre após outro...
Vim para o Canadá com bolsa de estudos e, portanto, decidimos que o meu marido ficaria em casa nos primeiros meses de adaptação. Assim, ele poderia pessoalmente cuidar das meninas (para amenizar o choque da mudança) enquanto eu estudava. No fim de setembro (no mesmo mês em que chegamos), ele solicitou o work permit pela internet e, três meses depois, recebeu o visto pelo correio. Ainda no fim do ano, ele já começou a procurar emprego pela internet, enviou currículos e chegou até a fazer algumas entrevistas e foi chamado para treinamento numa empresa. Apesar disso, a contratação na empresa onde ele está hoje só foi acontecer mesmo dois meses depois (reparamos que as coisas aqui andam mais devagar), em meados de fevereiro. Este foi o primeiro milagre! Chegamos no Québec, a única província francófona do Canadá, sem falar praticamente NADA de francês, e sabíamos que conseguir emprego aqui sem falar francês era algo muito difícil. A nossa oração sempre foi que ele pudesse trabalhar em algo em que falar bem o inglês e o português fosse o diferencial. E Deus nos ouviu! Ele não só conseguiu o "emprego ideal" (com um salário acima da média para quem está chegando no país), mas também foi contratado justamente no mês em que eu parei de receber a bolsa de estudos (que durou seis meses). Ou seja, não tivemos falta de nada! O tempo de Deus foi, como sempre, perfeito.
O segundo milagre foi a creche para as meninas. Serviço de creche no Canadá custa caro. O valor para apenas uma filha custaria praticamente o mesmo (ou mais) de um mês de aluguel no nosso apartamento de 2 dormitórios. Imagine então ter de pagar creche para duas filhas?! Para quem é residente temporário, as chances de conseguir pagar menos (por causa do reembolso do governo para residentes permanentes) diminuem. A nossa única chance de conseguir pagar menos seria por meio de matrícula em garderie administrada pelo governo, a chamada CPE (Centre de La Petite Enfance), algo que, o que mais se ouve por aqui, é praticamente impossível. Coloca-se o nome da criança numa lista de espera online ou direto na CPE e espera-se, por tempo indeterminado, por uma vaga. Ouvi relatos de mulheres que inscreveram o bebê assim que souberam estar grávidas e esperaram por anos, sem nunca serem chamadas. No fim de dezembro, consegui vaga para a Nicole começar numa CPE perto da universidade no início de janeiro. Era bilíngue e em período integral. No primeiro dia ela gostou muito, estava felicíssima de ser a new butterfly do grupo de crianças, mas foi só perceber que teria de ir todos os dias e passar muitas horas lá que começou a se desesperar. Ela precisava chegar antes das 9:30 da manhã para o início das atividades e tinha de ficar por pelo menos 5 horas direto, sob pena de perder o direito à vaga. Era inverno e quando a buscávamos já estava praticamente escuro (aqui o dia escurece às 4 da tarde no inverno!!), então ela voltava pra casa arrasada porque o dia já tinha acabado. Implorava para não ir mais e poder ficar em casa fazendo homeschool, principalmente porque ela sabia que a Alícia ficava o dia todo comigo (obs. Estávamos aguardando abrir uma vaga para a Alícia na mesma CPE já que agora a irmã estava lá e ela teria prioridade). Nesta época, o Douglas ainda procurava emprego e eu, sem botar fé que conseguiríamos vaga em alguma garderie pagável, no fim do semestre anterior tinha decidido passar o máximo de aulas para o período da noite. O resultado não poderia ser pior: quando a Nicole chegava em casa, eu já tinha saído para as minhas aulas!
O fato é que ela durou nesta CPE por apenas 2 semanas e 2 dias! Toda manhã era um escândalo e na creche ela ficava inconsolável, se negando a participar das atividades. Tanto que em alguns dias as educadoras precisaram nos ligar para buscá-la mais cedo. Quem conhece a Nicole sabe que ela não tem a menor dificuldade de interação e independência. Acontece que ela realmente estava com o coração partido, queria de todo jeito ficar em casa. Todo dia me perguntava porque precisava ir... eu explicava, mas ela continuava inconformada. Eu também não estava gostando de vê-la tão pouco todos os dias, então um certo dia eu propus a ela o desafio de orarmos e pedirmos a Deus uma solução para o problema. Pois a resposta de Deus chegou em menos de dois dias! Ela saiu dessa CPE e foi direto para outra muito melhor - desta vez totalmente francófona, em 1/2 período (apenas 4 horas por dia) e com vaga para as minhas duas filhas! A localização desta também era melhor já que, diferente da primeira, bastava sair do metrô e já estava quase na porta da garderie. E o melhor, por causa da carga horária reduzida, eu pagava para as duas o mesmo valor cobrado somente para uma na CPE anterior. Para completar, o esquema desta garderie era diferente: crianças de 18 meses em diante ficavam juntas o tempo todo, o que achei ótimo. Além das minhas filhas poderem ficar juntas (justamente o que eu queria), essa forma de trabalhar permite uma socialização muito mais saudável já que a criança aprende a lidar com faixas etárias diferentes. Ou seja, não podia ser mais perfeito, foi presente de Deus!
Resumindo, elas frequentaram esta CPE por um total de apenas 3 meses (do fim de janeiro até o fim de abril), mas foi um tempo muito memorável! Não iam todos os dias (a coordenadora não se importava desde que continuássemos pagando, rs), usávamos a creche somente quando eu precisava de verdade (por causa das minhas aulas e porque era cansativo demais ir com as duas de ônibus e metrô). Mas neste tempo, elas puderam aprender muitas palavras e musiquinhas em francês, se divertiram com os coleguinhas e, principalmente, sei que elas foram muito bem cuidadas pela equipe que tinha muito carinho por elas.
Ah... antes de encerrar esta parte, preciso contar mais um detalhe do milagre do emprego do Douglas! Uma grande preocupação que tínhamos era com relação ao horário de trabalho dele. De cara, na entrevista, ele já foi avisado da possibilidade de ter de trabalhar no período noturno, até meia-noite, caso fosse aprovado no treinamento. Aceitamos a condição mesmo sabendo que eu estudava à noite 3 noites por semana e isso colocaria um peso terrível nos meus ombros. Significava que ou eu levava as meninas para a aula comigo ou corria o risco de perder o semestre! Pedimos a Deus por uma solução e descansamos nEle. O treinamento teórico, que estava previsto para durar 5 semanas, iniciou em 17 de fevereiro e, durante este período, o horário das 8:00 às 16:00 seria perfeito para ele buscar as meninas na CPE assim que saísse do trabalho. Pela manhã eu ficava com as meninas em casa, dava almoço e depois as levava para a garderie antes de ir para a universidade estudar. Passaram-se as primeiras cinco semanas e, na sequência, avisaram que eles teriam mais 2 semanas de incubação para treinamento prático, cumprindo o mesmo horário de trabalho. Como se já não bastasse tanta graça, a empresa iria receber gente importante na semana seguinte e todos os gerentes estariam ocupados para dar suporte. Sabem o que isso significou? Que o período de incubação foi estendido, calhando perfeitamente com a semana em que eu entreguei meu último trabalho da faculdade! Foi somente em 21 de abril, quando eu já estava de férias, que ele começou no novo horário de trabalho, das 16:00 à meia-noite.
A nossa vida de um mês pra cá - Praticando homeschooling!
Desde que minhas aulas terminaram, estou num ritmo de vida totalmente novo!! Está uma delícia fazer homeschool com as meninas. E com a nova rotina, estou até conseguindo fazer exercício físico! A primeira providência foi me matricular numa academia para fazer Pilates e outras aulas. Estava precisando muito me exercitar! Agora tenho tempo livre para ler por prazer (comecei dois livros - um é sobre educação, chama-se Dumbing Us Down - The Hidden Curriculum of Compulsory Schooling e outro sobre saúde reprodutiva, chama-se Taking Charge of Your Fertility - The Definitive Guide to Natural Birth Control, Pregnancy Achievement, and Reproductive Health), algo que era impossível de fazer quando eu estudava full time.
Haha, já deu pra perceber que eu estou bem feliz com as mudanças, né! :)
Para o homeschool optei por usar dois programas ao mesmo tempo. Os dois são cristãos. Um é gratuito (Easy Peasy All-In-One-Homeschool) e o material está todo na internet. Comecei do Getting Started 1 (bem do início) para que a Alícia consiga acompanhar com a Nicole. Fizemos o Day 25 hoje (ainda tem chão, são 222 dias essa primeira parte!). A proposta do Getting Started 1 e Getting Started 2 é que a criança aprenda a ler cedo para que possa trabalhar sozinha quando começar o Level 1. Eu não tenho intenção nenhuma de acelerar as coisas... quero ir no tempo delas. Porém, vejo que elas estão ávidas por aprender. A Nicole me pede para estudar! As lições são bem gostosas e curtas o suficiente para que a Alícia, que ainda nem completou 3 anos, consiga acompanhar - ela está aprendendo a clicar com o mouse, rs. Eu prevejo que no futuro, quando ela crescer e ganhar mais maturidade, eu tenha de refazer muitas lições com ela, mas pode ser que eu esteja enganada. Só a experiência dirá. Quase todo dia tem alguma sugestão de craft para fazer, e quase sempre inclui pintar, recortar e colar. Pra mim se tornou terapia! Como não temos impressora, eu já fui algumas vezes à faculdade e imprimi com antecedência uma quantidade razoável de lições de que vamos precisar.
O outro currículo que usamos é da mesma empresa de quem compramos livros no ano passado (Sonlight Christian Homeschool Curriculum). Desta vez, comprei o Pre-Kindergarten Program para crianças de 4-5 anos. O pacote anterior, Preschool Program, para crianças de 3-4 anos, nós já tínhamos e o trouxemos na mala para cá. Simplesmente amamos o tempo de leitura no sofá! Terminamos hoje a Week 4 com elas (cada ano tem 36 semanas). O tempo diário previsto para as atividades desse programa é 20-40 minutos e dá para fazer a qualquer hora do dia. Os Read-Alouds (as leituras em voz alta) têm bastante poesia, rimas, contos e curiosidades em geral. Às vezes lemos e encenamos a história para recontá-la ao papai depois. Uma novidade no programa deste ano é um livro sem imagens, só de texto. No começo foi difícil para a Nicole e exigiu um tipo de concentração diferente já que o seu hábito era ficar do lado "lendo" as ilustrações enquanto eu lia em voz alta. Mas agora percebo que já estamos engrenando melhor e aos poucos ela está se acostumando a usar a própria imaginação.
Finalmente, às vezes ouço mães que gostariam de homeschool dizer que acham excelente, mas que não se consideram suficientemente organizadas ou disciplinadas para fazê-lo. Pode ser ilusão minha de principiante, mas estou usando dois programas diferentes e posso garantir que não toma tanto tempo assim - no máximo 2 horas por dia, mas pra falar a verdade raramente chega a tanto! As meninas ainda têm tempo de sobra pra brincar, assistir desenho, e fazer outras atividades livres. No momento, a Nicole também está fazendo aulas de piano e de balé durante a semana. Como eu sou muito simpatizante do unschooling, prezo mais o raciocínio e lógica do que conteúdo em si. Minha filosofia tem sido me permitir toda autonomia e liberdade de que preciso para fazer ajustes conforme a vida pede pois, é tanto impossível como indesejável seguir uma rotina rígida. Por exemplo, o meu horário ideal de fazer as atividades é pela manhã, logo após o café (digo meu porque é quando meu cérebro está mais ativo), mas neste um mês de experiência, houve dias em que não foi possível fazer toda manhã, então fizemos de tarde ou de noite. Outros dias, pra ser sincera, nós nem fizemos!! Mesmo assim, estamos "em dia com a matéria", ou seja, cumprimos com o programa sugerido para a semana. Pelo menos neste estágio, o programa é bem simples... o principal, ao meu ver, é o que elas aprendam com a vida e que sejam instigadas pela curiosidade natural à medida que fazem perguntas. A curiosidade infantil é aguçada! Como muitas coisas que eu não sei explicar ou não lembro direito, pesquisamos juntas no google e no Youtube. Olha só os temas que já exploramos (sem esgotá-los, é evidente) nas últimas duas semanas que nada tiveram a ver com o programa oficial de estudos:
- Porque o céu fica laranja no pôr-do-sol;
- Que "bicho" é a joaninha é antes de virar joaninha;
- O que é um furacão; - O que as cobras comem;
- Como as aves constroem seus ninhos (assistimos a alguns vídeos sobre o joão-de-barro):
- Porque a gente tem febre.
Eu tenho outros assuntos relevantes sobre os quais ainda gostaria de escrever, mas o post está ficando longo demais. Vou deixar para começar um novo em breve. Espero conseguir me organizar para voltar a escrever no blog com mais frequência...
Confira a parte 2 aqui.
Um grande abraço a todos e todas que me leem!
E cá entre nós, ficar em casa é tudo de bom. :)
Meu nível de cansaço mental e físico nos últimos meses estava tão profundo que eu tinha a nítida visão e sensação de estar envelhecendo. Um ano e meio atrás eu disse que o trabalho de ficar em casa com os filhos cansava mais do que trabalhar fora o dia todo, não disse? E é verdade, cansa mais mesmo, mas agora descobri algo que para mim desgasta ainda mais: tentar conciliar as duas coisas - vida dentro e fora de casa, estudando em período integral, levando criança pra escola, tentando conciliar tudo. Eu sei que existem muitas mães capazes de lidar numa boa com a pressão de tantos afazeres e preocupações, trabalham fora o dia todo e ainda estudam à noite, mas eu sinceramente não consigo... eu fico à beira de um ataque de nervos!
Simplesmente não consigo educar à distância e ficar feliz com o resultado, sabe? As muitas horas fora e a constante preocupação de textos para ler ou trabalhos para fazer não me deixavam fazer em casa um trabalho que eu considero decente. Pior, viver esgotada também me impedia de curtir a maternidade, o casamento, meu relacionamento com Deus... enfim, no meu caso tudo vira obrigação e torna-se um fardo pesado demais para carregar (e admito que o problema também é porque eu não me contento em não dar o meu melhor nos estudos). Quando estou cansada dia após dia, fico irritada com facilidade e sem paciência para brincar com minhas filhas ou mesmo corrigi-las de forma amorosa. Acabo virando uma mãe brava e autoritária, e reajo a situações inesperadas como não gostaria de reagir. Agora que estou em casa, tomo precauções para não debandar para o outro lado: ficar bitolada com as preocupações da casa e não respirar ar puro (figurativamente) periodicamente para renovar as energias. Nada como o bom e velho equilíbrio para garantir que não "endoidemos", hehe.
Bem, há seis meses, em 20 de outubro, eu escrevi um relato (leia aqui) sobre nossa mudança para o Canadá e como estava sendo nossa adaptação ao novo país. De lá pra cá muitas novidades aconteceram, mas eu vou tentar resumir os pontos mais importantes.
Em retrospectiva - Um milagre após outro...
Vim para o Canadá com bolsa de estudos e, portanto, decidimos que o meu marido ficaria em casa nos primeiros meses de adaptação. Assim, ele poderia pessoalmente cuidar das meninas (para amenizar o choque da mudança) enquanto eu estudava. No fim de setembro (no mesmo mês em que chegamos), ele solicitou o work permit pela internet e, três meses depois, recebeu o visto pelo correio. Ainda no fim do ano, ele já começou a procurar emprego pela internet, enviou currículos e chegou até a fazer algumas entrevistas e foi chamado para treinamento numa empresa. Apesar disso, a contratação na empresa onde ele está hoje só foi acontecer mesmo dois meses depois (reparamos que as coisas aqui andam mais devagar), em meados de fevereiro. Este foi o primeiro milagre! Chegamos no Québec, a única província francófona do Canadá, sem falar praticamente NADA de francês, e sabíamos que conseguir emprego aqui sem falar francês era algo muito difícil. A nossa oração sempre foi que ele pudesse trabalhar em algo em que falar bem o inglês e o português fosse o diferencial. E Deus nos ouviu! Ele não só conseguiu o "emprego ideal" (com um salário acima da média para quem está chegando no país), mas também foi contratado justamente no mês em que eu parei de receber a bolsa de estudos (que durou seis meses). Ou seja, não tivemos falta de nada! O tempo de Deus foi, como sempre, perfeito.
O segundo milagre foi a creche para as meninas. Serviço de creche no Canadá custa caro. O valor para apenas uma filha custaria praticamente o mesmo (ou mais) de um mês de aluguel no nosso apartamento de 2 dormitórios. Imagine então ter de pagar creche para duas filhas?! Para quem é residente temporário, as chances de conseguir pagar menos (por causa do reembolso do governo para residentes permanentes) diminuem. A nossa única chance de conseguir pagar menos seria por meio de matrícula em garderie administrada pelo governo, a chamada CPE (Centre de La Petite Enfance), algo que, o que mais se ouve por aqui, é praticamente impossível. Coloca-se o nome da criança numa lista de espera online ou direto na CPE e espera-se, por tempo indeterminado, por uma vaga. Ouvi relatos de mulheres que inscreveram o bebê assim que souberam estar grávidas e esperaram por anos, sem nunca serem chamadas. No fim de dezembro, consegui vaga para a Nicole começar numa CPE perto da universidade no início de janeiro. Era bilíngue e em período integral. No primeiro dia ela gostou muito, estava felicíssima de ser a new butterfly do grupo de crianças, mas foi só perceber que teria de ir todos os dias e passar muitas horas lá que começou a se desesperar. Ela precisava chegar antes das 9:30 da manhã para o início das atividades e tinha de ficar por pelo menos 5 horas direto, sob pena de perder o direito à vaga. Era inverno e quando a buscávamos já estava praticamente escuro (aqui o dia escurece às 4 da tarde no inverno!!), então ela voltava pra casa arrasada porque o dia já tinha acabado. Implorava para não ir mais e poder ficar em casa fazendo homeschool, principalmente porque ela sabia que a Alícia ficava o dia todo comigo (obs. Estávamos aguardando abrir uma vaga para a Alícia na mesma CPE já que agora a irmã estava lá e ela teria prioridade). Nesta época, o Douglas ainda procurava emprego e eu, sem botar fé que conseguiríamos vaga em alguma garderie pagável, no fim do semestre anterior tinha decidido passar o máximo de aulas para o período da noite. O resultado não poderia ser pior: quando a Nicole chegava em casa, eu já tinha saído para as minhas aulas!
O fato é que ela durou nesta CPE por apenas 2 semanas e 2 dias! Toda manhã era um escândalo e na creche ela ficava inconsolável, se negando a participar das atividades. Tanto que em alguns dias as educadoras precisaram nos ligar para buscá-la mais cedo. Quem conhece a Nicole sabe que ela não tem a menor dificuldade de interação e independência. Acontece que ela realmente estava com o coração partido, queria de todo jeito ficar em casa. Todo dia me perguntava porque precisava ir... eu explicava, mas ela continuava inconformada. Eu também não estava gostando de vê-la tão pouco todos os dias, então um certo dia eu propus a ela o desafio de orarmos e pedirmos a Deus uma solução para o problema. Pois a resposta de Deus chegou em menos de dois dias! Ela saiu dessa CPE e foi direto para outra muito melhor - desta vez totalmente francófona, em 1/2 período (apenas 4 horas por dia) e com vaga para as minhas duas filhas! A localização desta também era melhor já que, diferente da primeira, bastava sair do metrô e já estava quase na porta da garderie. E o melhor, por causa da carga horária reduzida, eu pagava para as duas o mesmo valor cobrado somente para uma na CPE anterior. Para completar, o esquema desta garderie era diferente: crianças de 18 meses em diante ficavam juntas o tempo todo, o que achei ótimo. Além das minhas filhas poderem ficar juntas (justamente o que eu queria), essa forma de trabalhar permite uma socialização muito mais saudável já que a criança aprende a lidar com faixas etárias diferentes. Ou seja, não podia ser mais perfeito, foi presente de Deus!
Resumindo, elas frequentaram esta CPE por um total de apenas 3 meses (do fim de janeiro até o fim de abril), mas foi um tempo muito memorável! Não iam todos os dias (a coordenadora não se importava desde que continuássemos pagando, rs), usávamos a creche somente quando eu precisava de verdade (por causa das minhas aulas e porque era cansativo demais ir com as duas de ônibus e metrô). Mas neste tempo, elas puderam aprender muitas palavras e musiquinhas em francês, se divertiram com os coleguinhas e, principalmente, sei que elas foram muito bem cuidadas pela equipe que tinha muito carinho por elas.
| Esta foto foi tirada com a educadora preferida delas no dia da despedida. |
Ah... antes de encerrar esta parte, preciso contar mais um detalhe do milagre do emprego do Douglas! Uma grande preocupação que tínhamos era com relação ao horário de trabalho dele. De cara, na entrevista, ele já foi avisado da possibilidade de ter de trabalhar no período noturno, até meia-noite, caso fosse aprovado no treinamento. Aceitamos a condição mesmo sabendo que eu estudava à noite 3 noites por semana e isso colocaria um peso terrível nos meus ombros. Significava que ou eu levava as meninas para a aula comigo ou corria o risco de perder o semestre! Pedimos a Deus por uma solução e descansamos nEle. O treinamento teórico, que estava previsto para durar 5 semanas, iniciou em 17 de fevereiro e, durante este período, o horário das 8:00 às 16:00 seria perfeito para ele buscar as meninas na CPE assim que saísse do trabalho. Pela manhã eu ficava com as meninas em casa, dava almoço e depois as levava para a garderie antes de ir para a universidade estudar. Passaram-se as primeiras cinco semanas e, na sequência, avisaram que eles teriam mais 2 semanas de incubação para treinamento prático, cumprindo o mesmo horário de trabalho. Como se já não bastasse tanta graça, a empresa iria receber gente importante na semana seguinte e todos os gerentes estariam ocupados para dar suporte. Sabem o que isso significou? Que o período de incubação foi estendido, calhando perfeitamente com a semana em que eu entreguei meu último trabalho da faculdade! Foi somente em 21 de abril, quando eu já estava de férias, que ele começou no novo horário de trabalho, das 16:00 à meia-noite.
A nossa vida de um mês pra cá - Praticando homeschooling!
Desde que minhas aulas terminaram, estou num ritmo de vida totalmente novo!! Está uma delícia fazer homeschool com as meninas. E com a nova rotina, estou até conseguindo fazer exercício físico! A primeira providência foi me matricular numa academia para fazer Pilates e outras aulas. Estava precisando muito me exercitar! Agora tenho tempo livre para ler por prazer (comecei dois livros - um é sobre educação, chama-se Dumbing Us Down - The Hidden Curriculum of Compulsory Schooling e outro sobre saúde reprodutiva, chama-se Taking Charge of Your Fertility - The Definitive Guide to Natural Birth Control, Pregnancy Achievement, and Reproductive Health), algo que era impossível de fazer quando eu estudava full time.
Haha, já deu pra perceber que eu estou bem feliz com as mudanças, né! :)
Para o homeschool optei por usar dois programas ao mesmo tempo. Os dois são cristãos. Um é gratuito (Easy Peasy All-In-One-Homeschool) e o material está todo na internet. Comecei do Getting Started 1 (bem do início) para que a Alícia consiga acompanhar com a Nicole. Fizemos o Day 25 hoje (ainda tem chão, são 222 dias essa primeira parte!). A proposta do Getting Started 1 e Getting Started 2 é que a criança aprenda a ler cedo para que possa trabalhar sozinha quando começar o Level 1. Eu não tenho intenção nenhuma de acelerar as coisas... quero ir no tempo delas. Porém, vejo que elas estão ávidas por aprender. A Nicole me pede para estudar! As lições são bem gostosas e curtas o suficiente para que a Alícia, que ainda nem completou 3 anos, consiga acompanhar - ela está aprendendo a clicar com o mouse, rs. Eu prevejo que no futuro, quando ela crescer e ganhar mais maturidade, eu tenha de refazer muitas lições com ela, mas pode ser que eu esteja enganada. Só a experiência dirá. Quase todo dia tem alguma sugestão de craft para fazer, e quase sempre inclui pintar, recortar e colar. Pra mim se tornou terapia! Como não temos impressora, eu já fui algumas vezes à faculdade e imprimi com antecedência uma quantidade razoável de lições de que vamos precisar.
| Hoje excepcionalmente usamos canetinhas para fazer o craft, mas normalmente usamos lápis de cor (Nicole) e giz de cera (Alícia). |
O outro currículo que usamos é da mesma empresa de quem compramos livros no ano passado (Sonlight Christian Homeschool Curriculum). Desta vez, comprei o Pre-Kindergarten Program para crianças de 4-5 anos. O pacote anterior, Preschool Program, para crianças de 3-4 anos, nós já tínhamos e o trouxemos na mala para cá. Simplesmente amamos o tempo de leitura no sofá! Terminamos hoje a Week 4 com elas (cada ano tem 36 semanas). O tempo diário previsto para as atividades desse programa é 20-40 minutos e dá para fazer a qualquer hora do dia. Os Read-Alouds (as leituras em voz alta) têm bastante poesia, rimas, contos e curiosidades em geral. Às vezes lemos e encenamos a história para recontá-la ao papai depois. Uma novidade no programa deste ano é um livro sem imagens, só de texto. No começo foi difícil para a Nicole e exigiu um tipo de concentração diferente já que o seu hábito era ficar do lado "lendo" as ilustrações enquanto eu lia em voz alta. Mas agora percebo que já estamos engrenando melhor e aos poucos ela está se acostumando a usar a própria imaginação.
Como gostei muito do Mighty Mind que veio no kit do ano passado, acrescentei ao pacote deste ano, por um valor à parte, um material de matemática chamado Patternables. São figuras geométricas que acompanham folhas com desenhos para as crianças encaixarem. Elas gostam muito de montar com as pecinhas. Além disso, usamos muito o ipad tanto para exercícios de matemática quanto de alfabetização. Tem cada aplicativo maravilhoso! Como devem ter percebido, não sou contra tecnologia para crianças. Acho que devemos usá-la, com sabedoria, a favor da nossa educação. É uma ferramenta muito útil. Esclareço ainda que, curiosamente, matemática e alfabetização são as únicas duas matérias de metodologia de ensino que ainda não cursei na faculdade (sou estudante de Pedagogia). Por isso, quando voltarmos para o Brasil, agora no próximo semestre, estou ansiosa para saber o que os teóricos da educação têm a dizer sobre essas duas áreas. Vai ser interessante! Terei a oportunidade de estudar a teoria de algo que eu já estou adquirindo um certo "saber fazer" (e, claro, formulando minhas próprias concepções teóricas) e isso, com certeza, vai potencializar minha capacidade de crítica durante o curso.
Finalmente, às vezes ouço mães que gostariam de homeschool dizer que acham excelente, mas que não se consideram suficientemente organizadas ou disciplinadas para fazê-lo. Pode ser ilusão minha de principiante, mas estou usando dois programas diferentes e posso garantir que não toma tanto tempo assim - no máximo 2 horas por dia, mas pra falar a verdade raramente chega a tanto! As meninas ainda têm tempo de sobra pra brincar, assistir desenho, e fazer outras atividades livres. No momento, a Nicole também está fazendo aulas de piano e de balé durante a semana. Como eu sou muito simpatizante do unschooling, prezo mais o raciocínio e lógica do que conteúdo em si. Minha filosofia tem sido me permitir toda autonomia e liberdade de que preciso para fazer ajustes conforme a vida pede pois, é tanto impossível como indesejável seguir uma rotina rígida. Por exemplo, o meu horário ideal de fazer as atividades é pela manhã, logo após o café (digo meu porque é quando meu cérebro está mais ativo), mas neste um mês de experiência, houve dias em que não foi possível fazer toda manhã, então fizemos de tarde ou de noite. Outros dias, pra ser sincera, nós nem fizemos!! Mesmo assim, estamos "em dia com a matéria", ou seja, cumprimos com o programa sugerido para a semana. Pelo menos neste estágio, o programa é bem simples... o principal, ao meu ver, é o que elas aprendam com a vida e que sejam instigadas pela curiosidade natural à medida que fazem perguntas. A curiosidade infantil é aguçada! Como muitas coisas que eu não sei explicar ou não lembro direito, pesquisamos juntas no google e no Youtube. Olha só os temas que já exploramos (sem esgotá-los, é evidente) nas últimas duas semanas que nada tiveram a ver com o programa oficial de estudos:
- Porque o céu fica laranja no pôr-do-sol;
- Que "bicho" é a joaninha é antes de virar joaninha;
- O que é um furacão; - O que as cobras comem;
- Como as aves constroem seus ninhos (assistimos a alguns vídeos sobre o joão-de-barro):
- Porque a gente tem febre.
Eu tenho outros assuntos relevantes sobre os quais ainda gostaria de escrever, mas o post está ficando longo demais. Vou deixar para começar um novo em breve. Espero conseguir me organizar para voltar a escrever no blog com mais frequência...
Confira a parte 2 aqui.
Um grande abraço a todos e todas que me leem!
sexta-feira, 29 de março de 2013
Conversa do futuro sobre "homeschooling"!
Em minhas "andanças" virtuais, lendo e pesquisando na internet sobre ED (educação domiciliar) e procurando relatos e experiências de outras famílias que pudessem me inspirar e dar ideias, me deparei com um texto que eu achei brilhante porque desafia o nosso conceito sobre o que é efetivamente "normal" ou "natural" quando se pensa em ensino, educação, formação do homem, socialização e escolarização.
Não digo que concordo necessariamente com tudo, mas que pelo menos vale a pena ler e refletir!
HOMESCHOOLING CONVERSATION FROM THE FUTURE
Não digo que concordo necessariamente com tudo, mas que pelo menos vale a pena ler e refletir!
O post original, em inglês, pode ser encontrado aqui. Ele foi tirado do blog An Unschooling Life.
HOMESCHOOLING CONVERSATION FROM THE FUTURE
Duas mulheres se encontram num playground, onde seus filhos brincam no balanço e com a bola. As mulheres estão sentadas no banco observando. Finalmente, elas começam a conversar.
Mulher nº. 1 - Oi. Meu nome é Maggie. Meus filhos são aqueles três usando camisetas vermelhas - me ajuda a não perdê-los de vista.
Mulher nº. 2 - (Sorri) Eu sou a Terri. Os meus são aqueles de camiseta rosa e amarela. Você vem muito por aqui?
M1 - Geralmente duas ou três vezes por semana, depois de passarmos pela biblioteca.
M2 - Puxa, como você encontra tempo?
M1 - A gente pratica a educação domiciliar, então geralmente vamos durante o dia.
M2 - Tenho alguns vizinhos que também educam em casa, mas os meus filhos estudam em escola pública.
M1 - Nossa - como você dá conta?
M2 - Não é fácil. Eu participo de todas as reuniões de pais e mestres e trabalho com as crianças todos os dias depois da aula, tento me envolver bastante.
M1 - Mas e a socialização? Você não se preocupa que elas fiquem presas o dia todo apenas com crianças da mesma faixa etária, nunca tendo oportunidade para formar relacionamentos naturais?
M2 - Bem, sim. Mas eu me esforço para equilibrar isso. Meus filhos tem coleguinhas que são educados em casa e a gente procura visitar os avós deles quase todo mês.
M1 - Você parece uma mãe bem dedicada. Mas você não se preocupa com todas as oportunidades que eles estão perdendo? Quer dizer, eles estão tão isolados da vida real - como saberão como o mundo é de verdade, o que as pessoas fazem para se sustentar, como lidar com diferentes tipos de pessoas?
M2 - Ah, nós discutimos sobre isso na reunião de pais e mestres, e começamos um fundo para poder trazer pessoas reais à sala de aula. No mês passado, trouxemos um policial e um médico para conversar com os alunos durante a aula. E, no mês que vem, receberemos uma senhora japonesa e um homem do Quênia.
M1 - Uhm, nós conhecemos um homem do Japão no mercado algumas semanas atrás, e ele contou um pouco sobre a sua infância em Tóquio. Meus filhos ficaram absolutamente fascinados. Nós o convidamos para jantar e conhecemos sua esposa e seus três filhos.
M2 - Que legal. Hmm. Talvez possamos planejar comida japonesa no refeitório no Dia Multicultural.
M1 - Talvez sua convidada japonesa possa comer com as crianças.
M2 - Ah não, ela tem a agenda muito apertada. Tem mais duas escolas para ela visitar no mesmo dia. É uma atividade em rede que estamos fazendo.
M1 - Ai, que pena. Bem, talvez você consiga conhecer algumas pessoas interessantes no mercado e você pode convidá-los para jantar em sua casa também.
M2 - Acho que não. Eu nunca converso com ninguém no mercado - ainda mais alguém que talvez nem fale a minha língua. E se aquele homem japonês que vocês conheceram não falasse inglês?
M1 - Pra falar a verdade, nem tive tempo de pensar nisso. Antes mesmo de eu vê-lo, meu filho de 6 anos perguntou o que ele iria fazer com todas aquelas laranjas que ele estava comprando.
M2 - O seu filho fala com estranhos?
M1 - Eu estava bem ali com ele. Ele sabe que enquanto estiver comigo, ele pode falar com qualquer pessoa que quiser.
M2 - Os meus filhos nunca falam com estranhos.
M1 - Nem mesmo quando estão com você?
M2 - Eles nunca estão comigo, exceto em casa depois que chegam da escola. Então você entende porque é tão importante que eles entendam que falar com estranhos está fora de cogitação.
M1 - Sim, eu entendo. Mas se eles estivessem com você, poderiam conhecer pessoas interessantes e ainda ficar seguros. Eles experimentariam o mundo real, em situações reais. Eles também aprenderiam a reconhecer quando uma situação é perigosa, quando é preciso suspeitar.
M2 - Eles aprenderão isso na 3ª e 5ª série nas aulas sobre saúde.
M1 - Bem, dá pra ver que você é uma mãe muito empenhada. Vou lhe passar meu número de telefone - se você precisar conversar algum dia, me dê uma ligada. Foi bom conhecê-la.
terça-feira, 5 de março de 2013
Delayed Academics: Key to Preventing Learning Problems (tradução para o Português)
Adiar
o Início do Ensino Acadêmico Formal: A Chave para Prevenir
Problemas de Aprendizado
Por
Martin e Carolyn Forte do site
www.excellenceineducation.com
Enquanto crianças são incentivadas a alcançar objetivos acadêmicos cada vez mais precocemente, a incidência de dificuldades no aprendizado cresce num ritmo alarmante (alguns diriam epidêmico). Isso pode decorrer de inúmeras causas, desde problemas de resposta imunológica a questões alimentares e familiares, mas um fator que está sujeito ao controle imediato de pais que escolhem educar seus filhos em casa é a idade em que estabelecem atividades acadêmicas formais para os filhos realizarem. Cem anos atrás, era comum crianças entrarem na escola com 8 anos ou mais. Há duzentos anos, muitas escolas sequer aceitavam crianças que não soubessem ler.
Enquanto crianças são incentivadas a alcançar objetivos acadêmicos cada vez mais precocemente, a incidência de dificuldades no aprendizado cresce num ritmo alarmante (alguns diriam epidêmico). Isso pode decorrer de inúmeras causas, desde problemas de resposta imunológica a questões alimentares e familiares, mas um fator que está sujeito ao controle imediato de pais que escolhem educar seus filhos em casa é a idade em que estabelecem atividades acadêmicas formais para os filhos realizarem. Cem anos atrás, era comum crianças entrarem na escola com 8 anos ou mais. Há duzentos anos, muitas escolas sequer aceitavam crianças que não soubessem ler.
Hoje,
em contraste, os esforços mais árduos de nossas escolas públicas
não conseguem produzir formandos do ensino médio que tenham um
nível compatível
ao conhecimento e às habilidades que um formando do ensino
fundamental possuía
em 1900. O que está acontecendo? O sistema educacional coloca a
culpa nas crianças (que têm dificuldades de aprendizado), nos pais
(que são incompetentes e/ou descomprometidos), no
governo/sonegadores de impostos (que pagam pouco), ou nos três. Os
educadores raramente culpabilizam seus próprios métodos, materiais,
grade horária, etc. A maioria das pessoas concorda que peças de
“tamanho único” geralmente não vestem bem
a
maioria das pessoas, mas quando se fala em educação, pessoas que
são
inteligentes para outros assuntos, tendem a curvar-se diante da
“sabedoria” do sistema educacional vigente
no que diz respeito ao que uma criança deve aprender e quando deve
fazê-lo. Pais que educam em casa me procuram todos os dias pra
pedir
“a lista” do que seus filhos deveriam estar aprendendo em cada
ano letivo. Ou me procuram bastante preocupados porque o Júnior está
no 3º ano e ainda não consegue
fazer multiplicação direito, não
sabe nomear
as partes do discurso ou não
conhece a
diferença entre um paralelogramo e um trapezoide! Ó, céus!
Como
ex-professora de ensino fundamental, eu posso atestar à quase
completa incompetência da burocracia escolar – desde as faculdades
de formação de
docentes aos
livros didáticos impostos pelo Estado. Muito embora a nova ênfase
em fonética seja uma realidade promissora, me parece que a doentia
insistência em persistir objetivos “acadêmicos” inapropriados
em termos do
desenvolvimento infantil
vai garantir, para os próximos anos, um alto número de crianças
deficientes intelectualmente, coincidentemente proporcionando
um vasto mercado para os profissionais da educação especial. Como
diretora de um Programa de Estudos Independentes particular que
atende a um grande grupo de famílias que optaram pela educação
domiciliar (que
funciona
como uma guarda-chuva para abrigá-las), vejo crianças sendo
agredidas por esse sistema insano e desumano.
Mas
isto não é o pior. O problema é agravado pela tirania dos
“especialistas” que estão determinados a “ajudar” alunos que
estudam em casa “diagnosticando” e oferecendo “tratamento”
para tudo quanto é tipo de doença que
foi
descoberta de uma hora para outra, desde TDO (transtorno desafiador
de oposição), à TDAH (transtorno de déficit de atenção e
hiperatividade), ao meu preferido: DPA (distúrbio de processamento
auditivo), que engloba, de maneira brilhante, todas aquelas crianças
que não conseguiram ainda se entender com o código fonético da
língua inglesa. Estes “especialistas” querem nos convencer que
crianças normais de repente se tornam “portadoras de distúrbios”
quando entram na escola ou formalmente começam o ensino em casa. Não
digo que não existam crianças com reais problemas físicos e/ou
psicológicos, mas a grande maioria das crianças diagnosticadas com
alguma “incapacidade de aprendizado” são simplesmente crianças
normais com pouca tolerância ao tédio (TDA), com muita energia para
conseguir ficar sentada fazendo exercícios chatos e repetitivos
(TDAH), que
ainda
não aptas intelectualmente para absorver o conteúdo apresentado
(DA, TDA, DPA, disléxico, disgráfico, etc.) ou possuem
um estilo de aprendizado incompatível com o currículo vigente (TDA,
etc. e etc.). Os rótulos são dados tão rápida e previsivelmente a
tantas crianças que ficam
desprovidos de qualquer
sentido para nós; eles
fazem
sentido somente aos
“especialistas”, que ganham a vida em cima desses distúrbios de
aprendizado.
Muitos
pais consternados optam pela educação domiciliar depois de receber
um ou mais desses diagnósticos pavorosos sobre seus filhos. Eles os
retiram da escola a fim de ajudá-los a superar sua “incapacidade”
e “remediar” suas “deficiências”. Embora intuitivamente
saibam que que seus filhos são inteligentes e que têm a
capacidade
para aprender, eles
ficam presos
aos padrões e prazos do sistema que condenaram seus filhos e, ao
fazê-lo, criam dificuldades desnecessárias para si mesmos e para
sua
prole. Frequentemente, os pais me pedem um currículo que ajude seus
filhos a “alcançarem o nível”. E eu pergunto: “Alcançar que
nível?”. Ao acreditar que o Estado e as escolas públicas sabem
qual a melhor forma de educar uma criança, eles colocam em risco a
melhor oportunidade que seus filhos teriam de aprender no ambiente
doméstico. Ao exigir muito e
cedo demais, a resistência, a aversão e o medo do fracasso criam
barreiras ao aprendizado, apenas agravando os danos já causados pelo
sistema escolar.
Ensinar
e aprender não são processos difíceis tampouco misteriosos.
Ensinar o código fonético a uma criança que está pronta para
aprender não requer um especialista treinado. QUE ESTÁ PRONTA PARA
APRENDER é o termo-chave. Como ex-professora do 1º ano que aprendeu
a ler no 1º ano, eu pensava que todas as crianças poderiam e
deveriam aprender a ler aos 6 anos de idade. Foi preciso um vizinho
determinado que educava os filhos em casa, minhas próprias filhas
que começaram
a ler
“tarde” e as pesquisas dos pioneiros e defensores da educação
domiciliar, Raymond e Dorothy Moore, para me convencer do contrário.
Estávamos
muito empolgados em adotar a educação domiciliar e começamos
imediatamente com o MCP (Modern Curriculum Press) Plaid Phonics
quando a Tenaya tinha 5 anos. Ela aprendeu o som das letras
rapidamente, mas não conseguia juntá-las para formar palavras.
Ficamos as duas frustradas enquanto os vizinhos, que eram 2 anos mais
velhos do que minhas filhas, brincavam contentes e não
estavam tentando aprender a
ler. Susan, a mãe deles, me falou dos livros e filosofias dos
Moores. Eu não estava convencida, mas não tinha outra
escolha.
Minha filha inteligente e ansiosa por aprender não conseguia
ler independente do que eu fizesse para ensiná-la. Se ela estivesse
na escola, teria sido rotulada como disléxica apenas
porque não sabia ler. A irmã dela, contudo, teria ganhado uma lista
completa de rótulos: TDAH (ela se jogava contra as paredes quando
não estava tentando escalá-las), DPA (só conseguiu associar som e
símbolo quando tinha uns 9 anos), disléxica (não sabia ler),
disgráfica (não sabia escrever), dentre outros.
O
primeiro livro do Dr. e da Sra. Moore, “A Escola Pode Esperar” e
a versão para leigos, “Melhor Tarde do Que Cedo”, me expôs aos
fatos sobre educação e desenvolvimento infantil. Os Moores
coletaram pesquisas médicas, olftalmológicas, neurológicas e
psicológicas sobre a primeira infância e chegaram à inevitável
conclusão de
que,
para a maioria das crianças, a melhor idade para iniciar o ensino
acadêmico formal é entre 8 e 12 anos de idade! Para aqueles de nós
que estamos mergulhados na cultura da escolarização precoce, esse
parece um remédio difícil de engolir. Mas os Moores não se
contentaram
apenas com os
dados das pesquisas
laboratoriais; eles estudaram famílias que educavam em casa nos anos 70 e 80 para ver o que acontecia com crianças que
tinham liberdade para aprender num ritmo
mais natural. O resultado foram muito mais livros, culminando no
“Manual de Educação Domiciliar da Família Bem Sucedida”. Este
volume detalha “A Fórmula Moore” que o Dr. e a Sra. Moore
desenvolveram ao longo dos anos ao mesclar
pesquisa com aplicação prática.
“A
Fórmula Moore” inclui três elementos em porções aproximadamente
iguais: estudo, trabalho e serviço. Eles não recomendam educação
formal antes dos 8 anos de idade e, em alguns casos, antes dos 12
(minha filha caçula se encaixou nesta categoria do
aprendizado mais tardio).
Isto não significa que a criança não aprende nada até ter 8 ou
mais anos. As crianças aprendem vorazmente desde o nascimento e é
somente
o obstáculo da “escolarização” desajeitada que
consegue
retardar ou impedir a outrora insaciável sede pelo conhecimento de
uma criança. Os livros são ferramentas úteis e importantes, mas
para uma criança pequena, o mundo está cheio de oportunidades de
aprendizado, oportunidades
muito mais ricas do que as
que podem
ser encontradas numa folha impressa. Quando a criança tem liberdade
para explorar, para questionar e para imaginar, mundos
interessantíssimos, que possivelmente jamais seriam conhecidos de
outra forma, se apresentam. No estilo da educação domiciliar, a
criança pode aprender a ler aos 5, aos 7 ou aos 12 anos de idade,
depende de cada criança.
Esse
estilo de ensino-aprendizagem mais leve quanto à
transmissão de
conteúdo formal incorpora importantes áreas do desenvolvimento
frequentemente negligenciadas ou ignoradas pelo currículo formal:
habilidade de escutar, coordenação olho-mão, grandes habilidades
motoras, relações espaciais, relações pessoais, conhecimento
sobre o meio-ambiente, desenvolvimento da memória, imaginação,
lógica e muito mais. Por causa da esmagadora presença de mídias
eletrônicas em nossas vidas, as crianças frequentemente têm
dificuldade de usar a imaginação ou mesmo de
ouvir
histórias sem ilustrações que
acompanhem.
Elas são tão bombardeadas com o barulho constante do rádio, da TV
e de jogos eletrônicos que elas mal conseguem pensar por si mesmas.
Conceder à criança tempo nos primeiros anos de vida (de preferência
com o mínimo de TV possível,
etc.) para ela se desenvolver física, neurológica e emocionalmente a
prepara para absorver
o conteúdo escolar formal com
mais ânimo.
Já
que estamos falando de prontidão física e acadêmica, não podemos
deixar de mencionar
a questão dos estilos
de aprendizado. É importante entender que cada criança tem seu
próprio estilo de aprendizado e
que
ele
pode
ser diferente do seu ou de
seus
outros filhos. Independente de quando você começar o ensino formal,
é imprescindível
ensinar da maneira que melhor se encaixa com o estilo de aprendizado
dele.
A melhor publicação que conhecemos para auxiliá-lo a
determinar
e a
compreender
o estilo de aprendizado do seu filho é o livro “Descubra o Estilo
de Aprendizado do Seu Filho” de Mariaemma Willis e Victoria Hodson.
A combinação desse livro com os trabalhos dos Moores servirão
de base para você ter
uma experiência de educação domiciliar muito bem-sucedida.
Adiar
o ensino acadêmico formal não pressupõe aprender a ler
tardiamente,
mas encoraja os pais a esperarem os filhos estarem prontos. Até lá,
os pais podem ler para seus filhos, brincar com as letras e os sons e
ficar atentos aos sinais de que os filhos estão começando a
entender o código. Uma vez que isso acontece, você não pode
impedir uma criança de ler. Algumas irão progredir rapidamente e
outros o farão mais lentamente, mas conquanto a instrução seja
fonética (isto é vital), as crianças caminharão gradualmente até
que estejam lendo num
nível adulto. Ainda
que
você descarte os rótulos de disfunções de aprendizado, você vai
descobrir que talvez não
consiga usar os currículos prontos
(Ah, droga!). Uma das minhas filhas aprendeu a ler (sem esforço) aos
8 anos e a outra aos 10,5 anos. Uma usou o material Primary Phonics e
a outra preferiu a cartilha “Eu Posso Ler” do Dr. Seuss.
Completados esses compêndios iniciais, elas simplesmente
selecionaram (com a minha orientação) livros dos quais elas
gostavam. Gradualmente, elas progrediram para livros cada vez mais
difíceis. Hoje ambas são graduadas e têm carreiras agradáveis.
Nós
utilizamos
a Fórmula Moore em vez de um currículo formal. As meninas tiveram
muitos empregos e iniciaram uma série de negócios, incluindo o Fun
Ed, que muito requisitado no nosso site
Excellence
in Education Resource Center. Elas fizeram parte de inúmeros
projetos de serviço à
comunidade que
culminou num trabalho de missões internacional. A maioria das
pessoas nos classificaria como “unschoolers” (=desescolarizados)
e eu não negaria,
apenas acrescento
a
este
rótulo a
informação de
que usamos a Fórmula Moore para equilibrar nossas vidas.
Este
final feliz não teria sido possível sem o conceito de “adiar o
ensino acadêmico formal” uma vez que nossas filhas teriam sido
rotuladas rapida
e frequentemente,
caso tivéssemos levado-as para os “especialistas” quando elas
ainda não sabiam ler. Felizmente, nos dirigimos primeiro ao Dr.
Raymond
Moore e sua maravilhosa esposa, Dorothy, que nos disseram que
conquanto elas estivessem progredindo não tínhamos com que nos
preocupar. Eles estavam certos!
As
escolas da modernidade foram projetadas para fazer para a educação
o que Henry Ford fez para a indústria automobilística. E em alguns
aspectos elas têm tido sucesso, mas lembre-se que as crianças não
são como metais derretidos
que podem ser redesenhados por qualquer molde para se encaixar em
qualquer espaço com
qualquer propósito. As crianças são seres humanos únicos e
delicados, com talentos especiais, pontos fortes e fraquezas. Cada
uma tem seu próprio ritmo de desenvolvimento, que pode
ser
ignorado
por
nossa conta e risco. Como adeptos da educação domiciliar,
rejeitamos o “sistema” por uma série de razões e
saímos
da caixa. Lembre-se de que a caixa inclui muito mais do que apenas o
prédio. Sair da caixa e dar aos nossos filhos a melhor educação
feita sob medida possível inclui questionar o programa e também o
currículo
escolar. Coisas que são produzidas em massa nunca são da melhor
qualidade e o mesmo vale para a cópia do produto feito em massa.
A
educação de melhor qualidade para o seu filho é aquela que se
adéqua ao
seu ritmo e estilo de aprendizado. Apenas o pai pode julgar a
adequação desse ritmo de aprendizado ao observar os sinais, mas
podemos obter bastante orientação dos muitos livros sobre educação
domiciliar
de Raymond e da Dorothy Moore e do Perfil de Estilos de Aprendizado
do
livro “Descubra o Estilo de Aprendizado do Seu Filho”, de
Willi e Hodson. Forçar uma escolarização precoce pode
surtir
efeitos indesejados na futura vida escolar dos filhos. Em vez de se
preocupar com a “dificuldade de aprendizado” porque seu filho não
se encaixa no estilo e sequência didática de escolas “dentro da
caixa”, invista sua energia ajudando-o
a desenvolver seus
interesses naturais. Você se surpreenderá com os resultados.
Texto original em inglês traduzido e publicado com a autorização dos autores.
Fonte: http://www.excellenceineducation.com/better_late_than_early.php e
http://www.excellenceineducation.com/mm5/merchant.mvc?Screen=WORD6&Store_Code=EIE
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quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
3 anos e 4 meses de Nicole!
Atrasada em alguns dias, eu sei, mas aqui estou para tentar falar um pouco sobre os quatro últimos meses da Nicole, minha filha primogênita. Queria ter vindo um mês atrás para fazer o post "3 anos e 3 meses", mas não consegui separar um tempo pra isso!
A foto abaixo foi tirada num estudo de campo no centro de SP que eu fiz com o grupo da faculdade pouco mais de um mês atrás. Foi antes de eu levar as meninas para cortarem o cabelo nas férias. Apesar de achar lindinho criança de franja, desisti de manter a franja da Nicole. Não imaginei que manter franja fosse tão trabalhoso. Tem de apará-la mês sim mês não porque o cabelo cresce rápido demais! Na foto a franja estava presa de lado com um tic-tac para não ficar caindo no olho.
Sono e Alimentação
Ela continua dormindo bem à noite (das 19:00 às 6:00), mas para continuar assim decidimos lentamente ir substituindo a soneca da tarde por um momento de descanso no sofá (sem dormir). Embora ela demonstre sinais de cansaço, em muitos dias tenho preferido não insistir mais para que ela realmente durma à tarde porque quando ela está cansada e dorme, as sonecas são geralmente longas - de pelo menos 2 horas - e nessa idade vejo que isso já começa a comprometer o horário de dormir à noite. E é aquela história: dá o horário de ir para cama e ela não está nem um pouco cansada ou com sono! Daí entra no ciclo da criança inventar desculpas para sair da cama - pede água, pede comida, pede pra fazer xixi ou cocô, fica cantando ou conversando sozinha (atrapalhando a irmã que algumas vezes acorda) ou simplesmente nos chamando no quarto para falar "qualquer coisa" que lhe venha à mente. Inclusive, acho que até demoramos muito para detectar o problema e no começo não entendemos que fosse "falta de sono" mas sim manipulação infantil. Se você parar para pensar, foi uma atitude bem injusta da nossa parte.
Para você que nos lê, entenda isso como constatação de que nós, papais e mamães proativos, também cometemos erros - mais do que desejaríamos! E, embora o blog sirva para compartilhar aquilo que nós fizemos que deu certo, às vezes é bom também mostrar o outro lado da moeda: os nossos erros e como nós contornamos a situação diante de um fracasso. Até para você não pensar erroneamente que conosco tudo sempre foi perfeito. Se inspirar na história de alguém que escreve um blog tem esse viés perigoso porque a tendência é idealizarmos demais. Se você é mamãe de primeira viagem, aceite o fato de que por mais que leia, se instrua e se dedique para criar seus filhos da melhor maneira possível, em algum momento você também vai errar. Somos falíveis e dependemos da graça de Deus todos os dias! E embora seja normal nos sentirmos frustradas e decepcionadas quando erramos com os nossos filhos (ainda mais com algo que depois nos parece tão óbvio), não podemos deixar que a culpa nos corroa por dentro e nos afaste ainda mais do objetivo proposto. Buscar o perdão e a restauração no Pai é o melhor caminho para alcançá-lo.
Quanto à alimentação, tudo continua indo muito bem! Ela come devagar e sempre, mas come de tudo - legumes, verduras, frutas - e tem uma alimentação diária equilibrada e saudável. Um comentário a fazer é um pico de crescimento recente que ela teve: durante uma semana ela parecia faminta - vinha pedir comida antes da hora e comia muito além do normal! Ah, eu já comentei que ela não curte muito comer bolacha? Acho engraçado isso porque pra mim toda criança gostava de bolacha. Ela até come, mas uma só e pronto. Quando ofereço mais, ela diz: "No, thanks". Tenho pensado que no fundo a gente é que acostuma o paladar da criança com diferentes alimentos desde cedo. A Nicole desde sempre só comeu "doces saudáveis" (=frutas)! Já com a Alícia percebo que eu fui bem menos rígida no primeiro e segundo ano de vida com relação a deixar experimentar alimentos ou bebidas pouco nutritivos e considerados prejudiciais à saúde, como refrigerantes, balas, bolachas, chocolates e doces em geral. Infelizmente, fui baixando a guarda.
Emoções
Não sei se eu que sou uma motorista apressada, mas recentemente a Nicole passou por uma fase de "medo de velocidade". Já aconteceu com vocês? Eu ia buscá-la na escola e durante todo o caminho da volta pra casa ela não parava de pedir para eu ir mais devagar. Mesmo eu diminuindo bastante a velocidade (quase parando), ela continuava repetindo que o carro estava indo rápido demais. Ela também fez isso com o pai algumas vezes. Reparei também que de uns meses pra cá ela começou a ficar muito mais atenta ao seu redor no trânsito (para além das três cores do semáforo), observando tudo e fazendo questão de comentar nossas conversas ou reações sobre qualquer assunto. Se eu suspirasse e falasse sozinha porque entrei numa rua errada ou parei na fila errada, ou se meu marido comentasse algo sobre o carro da frente ou de um estabelecimento à vista, ou mesmo se o carro pulasse por causa de um buraco ou uma lombada, ela queria saber todos os detalhes - porque, como e onde!
É uma fase muito gostosa porque sua curiosidade para entender como as coisas funcionam (e porque elas funcionam dessa maneira) na minha opinião é fascinante - ela faz perguntas muito inteligentes! Mas ao mesmo tempo, preciso confessar, dá uma canseira. Primeiro porque com isso nós, os pais, "perdemos" nossa privacidade de conversar sobre o que quisermos no carro ou à mesa de jantar porque ela ouve, presta atenção e repete tudo. E segundo porque não basta perguntar, ela faz questão de repetir nossa resposta acrescentando o famoso "Mas por quê isso e aquilo?". Ou seja, as perguntas não têm fim! Não importa o que a gente responder, sempre virá o "por quê?" no fim. Há dias que é tão cansativo que eu tenho vontade de brincar de "Vaca amarela" para ter alguns minutos de silêncio, organizar meus pensamentos e recarregar as baterias!!
Disciplina
Outra novidade sobre comportamento do último update para cá foi a introdução do "cantinho da reflexão" aqui em casa. Até então só a estávamos corrigindo e disciplinando com a vara (na verdade, batemos no bumbum com o chinelo) para casos de desobediência, mas percebemos alguns comportamentos errados que não eram necessariamente desobediência direta - como, por exemplo, mentir ou bater na irmã - e que, portanto, precisavam de um tratamento diferenciado. Na verdade, a primeira vez que apliquei o "cantinho da reflexão" foi meio de supetão, não foi algo planejado ou combinado previamente com meu marido. Eu estava já nervosa por algum motivo e ela fez algo errado dessa natureza que me tirou ainda mais do sério. Não lembro direito o que foi, mas com certeza envolveu machucar a irmã. Aprendi que jamais devo disciplinar minha filha irada (porque a intenção não é descontar minha raiva, mas sim resgatá-la do perigo da desobediência), por isso minha primeira reação nesse dia foi pegar o banquinho de madeira que fica no banheiro (e que ela usa para sentar no vaso), levá-lo para um canto isolado da sala e colocá-la para ficar sentada ali pensando no que fez por 3 minutos, mais ou menos como a Super Nanny ensina. Se não me engano, a apostila do curso Educação de Filhos à Maneira de Deus chama isso de "time-out". Usei o despertador do meu celular para marcar o tempo e fiquei segurando a Alícia longe (que toda hora queria ir lá ficar perto da irmã que estava aos prantos). Funcionou bem porque, ao término do tempo, eu também havia me acalmado e para ela a disciplina valeu. Em seguida, repeti o mesmo processo que faço quando a disciplinamos por desobediência (como ensina o Pastoreando o Coração da Criança, leia mais aqui) porque tanto num caso como no outro o objetivo é buscar a total restauração do relacionamento. Por isso, me certifico de que ela entendeu que o que ela fez é errado (consciência), a convido a orar para juntas pedirmos que Deus ajude-a a obedecer (ou, nesse caso, a tratar a irmã com amor) e encerro a conversa com um beijo, um abraço e a afirmação do quanto ela é amada. Quando sou correspondida no beijo e no abraço sei que o objetivo final foi alcançado!
Comportamento
Já ouviu falar de criança pequena que rói unhas? Eu não... até minha filha de 3 anos começar a roer! Tudo começou um belo dia, quando ela ainda tinha 2 anos e foi comigo até o salão de cabeleireiro que fica aqui na minha rua. A gente sempre brincava de pintar as unhas dela "de brincadeirinha" em casa, mas ela nunca havia se interessado que eu as pintasse de verdade. E, sinceramente, eu não pensava em fazê-lo tão cedo. O fato é que ela se contentava com a imaginação - pra ela já estava de bom tamanho. Até que, nesse fatídico dia, uma manicure desocupada do salão em que estávamos se ofereceu para pintá-la... e adivinhe? Não pediu minha autorização em off para a Nicole não ouvir caso eu dissesse não. Ela simplesmente se dirigiu à Nicole dizendo para ela sentar-se na cadeira porque ela ia deixar as unhas dela bem bonitas - das mãos e dos pés. Claro que elas ficaram lindinhas, mas quando penso nisso hoje me dá uma raiva. Eu deveria ter interferido, mas na hora fiquei sem graça porque a mulher estava querendo fazer uma gentileza, um agrado porque havia gostado da Nicole. Enfim, é uma característica típica do nosso povo que eu não gosto: as pessoas são atrevidas e não respeitam certos limites sociais - nem quando se trata de bebês, já reparou? Já viu algum adulto dando refrigerante para bebê tomar (ou bala pra chupar) sem perguntar para a mãe se pode? E se ela for do tipo que reclama ou dá bronca, a pessoa acha ruim e ainda responde "mas o que é que tem?". Eu particularmente sou avessa a confusões públicas (não sou do tipo que roda a baiana, eu geralmente engulo calada), mas acho esse atrevimento de não respeitar o espaço, a privacidade ou o posicionamento dos outros tão feio. Como quando ia buscar a Nicole na escola e a tia da perua escolar vinha com a filhinha dar bolinho Ana Maria para a Alícia comer - sem perguntar pra mim se podia e sem ter a mínima noção de que era horário de almoço!
Mas como dizia, desse diante em diante, a Nicole adquiriu o hábito de roer unha. Como não estava acostumada com a sensação do esmalte nas unhas, passou a levá-las à boca. Até a unha do dedão do pé ela pegou o hábito de roer deitada na cama. Eu ficava agoniada de ver o resultado! Aí começou um processo chato. Toda vez que a gente ia à manicure, ela queria pintar as unhas de novo. Dessa vez ela me pedia e eu deixava porque como as unhas estavam roídas, eu pensava que iria estimulá-la a parar de roer e deixá-las crescer. Mas não estava funcionando. Roer tinha virado vício mesmo, ela fazia sem perceber. Ficava triste quando via o resultado porque sabia que isso me chateava também (ela é muito sensível aos meus sentimentos). Às vezes eu mesmo pintava, deixava a unha dela bonitinha antes de dormir (levava um tempão porque era um tiquinho de unha) e de manhã ela já tinha roído um monte! Procurei em tudo quanto é site dicas que pudessem ajudar. Até passar babosa eu tentei. Quando eu a pegava com o dedo na boca, ela tirava apressada e dizia "I'm not biting anymore, Mommy". Ou seja, ela queria parar - entendia que isso não era bom, que ela estava se machucando - mas não estava conseguindo. Eu sei bem como ela se sentia porque também já tive problema com isso (e às vezes ainda tenho), até admiti isso pra ela e pedi pra ela dar bronca em mim se me visse mordendo a unha. Ela ficou toda feliz com a nova responsabilidade de vigiar a mamãe e chegou a me pegar algumas vezes com a mão na boca também, rsrs! Finalmente, pela graça de Deus, ela conseguiu se livrar desse terrível hábito depois de uns 3 meses de muita insistência - de conversar, de explicar, de orar com ela, de mostrar que o branquinho da unha dela tinha sumido, de comparar as unhas dela com as do papai, da mamãe, da irmã, etc. Na ocasião, eu tinha largado mão de pintar suas unhas e ela já estava insistindo fazia alguns dias para eu pintá-las novamente. Bem, ela é muito insistente. Pediu, pediu até que eu cedi, mas antes de pintá-las falei bem sério que se no outro dia ela acordasse com as unhas roídas novamente não adiantaria ela pedir porque eu não iria pintá-las de novo. Ela aceitou. Pintei as unhas das mãos e dos pés. Antes de dormir oramos e pedimos a ajuda de Deus. E ela conseguiu manter sua palavra! Em poucas semanas, as unhas delas já estavam bonitas e compridas novamente. = )
Linguagem
Esses dias a Nicole soltou uma frase com "She's ___" (em vez de "Her ___" como ela fazia, leia sobre aqui). Fiquei feliz porque mesmo corrigindo-a pouco (na maior parte das vezes eu deixo passar), ela já está se auto-corrigindo (só de me ouvir falando o certo)! Muito bom!
Vez ou outra ela inventa certas palavras em inglês, rsrs. As três que eu percebi e anotei foram: "Mommy, let it sec" (quando ela está brincando de pintar minha unha), "count a story" e "It is solting" (se referindo ao enfeite de cabelo que fica caindo). Em todos os casos, eu repito a frase (às vezes em forma de pergunta) pra ela ouvir e falar o certo. É bem tranquilo porque, na realidade, ela sabe as formas corretas ( "let it dry", "tell a story", "it is falling"), apenas se confunde às vezes.
Brincadeiras
A brincadeira favorita da Nicole é fingir que é mamãe. Ora ela é mamãe de alguma boneca (e a Alícia o papai, rsrs), ora ela é a mamãe e eu a filhinha. E ela ama me chamar de "daughter". Essas brincadeiras são um bom espelho para mim de como ela me enxerga porque ela imita tudo o que me vê fazer: na hora de escovar os dentes, de levar a nenê para fazer xixi, de colocar na cama para dormir, de ler alguma historinha, de beijar e fazer carinho quando está chorando, de preparar e dar a comida ou o leitinho, de chamar a atenção quando faz algo errado (batendo no bumbum) e, mais engraçado, quando sento na frente do computador para trabalhar. São as imagens que ela tem de mim que ela reflete ao brincar e que provavelmente vão ficar registradas na memória dela quando ela for adulta. Considerar isso me faz querer ser uma mãe cada vez melhor porque quero que suas recordações de mim sejam as melhores possíveis! Me motiva, por exemplo, nos dias em que acordo cansada porque as horas de sono não me foram o suficientes, a não descontar nelas meu mau-humor ou não levar o dia de barriga só porque estou cansada. Me estimula a planejar e organizar as atividades do dia pra não ficar presa muito tempo no computador ou no celular - seja respondendo e-mail, comentando no facebook, lendo ou pesquisando em blogs ou simplesmente escrevendo aqui no blog também (o que tende a ser um problema!).
Escola
Esse ano tirei a Nicole da escola. Por uma série de motivos. Como estou sem trabalhar, vou ficar com as duas em casa - tanto pela questão financeira como pela questão disponibilidade. Nesta idade ela ainda não precisa ir à escola. Na realidade, é algo óbvio - ela acabou de completar 3 anos, logo faltam mais 3 para ela entrar em idade escolar - mas a suposta necessidade de matricular o filho na escola o quanto antes (para ele "se socializar e se desenvolver adequadamente") é algo tão latente em nossa cultura que a minha decisão de ficar em casa com a Nicole esse ano causou estranheza. E, sinceramente, para além das finanças e da disponibilidade, tem também a questão do homeschooling. É uma prática que, até abril do ano passado, eu conhecia muito superficialmente - sabia apenas que era algo que alguns americanos residentes no Brasil faziam. Não imaginava que no Brasil houvesse um movimento em prol da regulamentação da educação domiciliar! O interesse de estudar sobre isso surgiu de conversas que tive com pessoas conhecidas que educam seus filhos em casa. A princípio, a intenção era mais questionar mesmo. Eu queria entender porque cargas d´água alguém iria preferir ensinar em casa em vez de mandar os filhos para a escola. Para mim era coisa de louco, rsrs. Curiosamente, quanto mais lia a respeito do assunto mais fui gostando da ideia. Até meu marido, que no começo também foi muito contrário, foi contagiado pelos pressupostos por trás dessa filosofia e começou a me incentivar. É uma filosofia de vida apaixonante e, eu creio, bíblica. Mas não posso negar que exige muito do pai ou mãe educador!! É preciso abdicar de algumas coisas para conseguir ter êxito nessa empreitada. Por isso, por esse ano vamos fazer o teste. Na realidade, nem dá para dizer que é homeschooling porque, como já disse, minha filha não está em idade escolar, mas a ideia é eu sentir como seria minha vida (e a delas) caso a gente adotasse a educação domiciliar.
Nosso desejo sempre foi matricular nossas filhas no colégio onde eu estudei. É um colégio cristão internacional, mas é caro e não temos condições financeiras para pagar as mensalidades. Para nós é essencial que as meninas estudem perto de casa e o colégio onde a Nicole estava atende a esse requisito, além de ser pequeno e bem organizado. Mas, confesso, que ainda não estava muito em paz com algumas questões. A principal foi a feira cultural do 2º. semestre. O tema era anos 60, 70, 80 e 90 e os pais foram convidados para ir à escola num sábado e assistir às apresentações dos alunos - desde o mini-maternal até o 8º. ano. Pra começar, o mini-maternal (turminha da minha filha) e o maternal dançaram a música "Biquíni de bolinha amarelinho". Precoce, não? E depois teve de tudo, desde casais de menino e menina de sainha curta dançando lambada no palco até meninas vestidas à moda "é o tchan" dançando ao som de "depois de nove meses você vê o resultado", fazendo sinal de barriga de grávida. Cultural eu concordo que é, mas não consigo entender como isso pode ser educativo! E nem estou entrando no mérito de ser cristão ou não (porque eu sabia que não estava matriculando-a numa escola cristã), estou falando de algo ser benéfico moralmente. Não sei se foram os professores ou os alunos quem selecionaram as músicas (no caso da turminha da minha filha, com certeza não foram as crianças), mas se a escola não soube peneirar o que é moralmente benéfico para uma criança menor ver ou ouvir (no caso, a apresentação dos maiores), então tem algo de muito errado. Que outras influências enganosas / perigosas ela pode estar recebendo numa idade em que se encontra indefesa? Porque, afinal, eu não estou lá para ver e ouvir os princípios por trás dos ensinamentos passados para poder interpretá-los por ela e direcioná-la a como pensar, concordam?
Na minha faculdade (FEUSP) provavelmente diriam diferente. Por lá eles acreditam que a imposição de qualquer ensinamento, principalmente religioso, numa criança é violência contra ela. Obviamente eu não concordo e já saí injuriada de muitas aulas depois de ouvir o que pra mim são absurdos. Numa aula de Metodologia do Ensino de Educação Física, por exemplo, estavam discutindo se o conteúdo de músicas estilo funk (com forte conotação sexual, bem vulgar) era interessante de ser trabalhado com crianças de educação infantil (0 a 5 anos) e ensino fundamental (1ª a 4ª série). A discussão pegou fogo e pelas reações exaltadas de alguns quando certo aluno se opôs, quem era conservador preferiu ficar calado para não ser ridicularizado. Esse aluno demonstrou preocupação de colocar crianças tão novas para ouvir uma música que dizia "senta no meu pau" porque não convinha explicar para elas o que isso significava, e uma aluna respondeu que para criança não tem esse negócio de conotação sexual como para os adultos, que ela tinha dançado "é o tchan" quando criança e que nem por isso hoje ela entra rebolando na sala de aula! Ou seja, eles defendem que um dos papeis da escola é valorizar a cultura dos alunos uma vez que muitos já ouvem esse tipo de música em casa ou no bairro onde moram e, no caso dos alunos que não ouvem funk e o ridicularizam, o fazem por desconhecê-lo e não reconhecê-lo como produção cultural, sendo papel da escola trabalhar o assunto com os alunos no sentido de erradicar os preconceitos sociais para que eles aprendam a conviver com a diversidade (de gênero, sexual e religiosa).
Do ponto de vista cristão, sei que existe toda uma polêmica sobre estarmos no mundo, mas não sermos do mundo e que, portanto, não devemos criar nossos filhos numa bolha, alheios ao que acontece no mundo real sem Deus. Por outro lado, creio que a minha responsabilidade para com a minha filha HOJE é protegê-la de perigos físicos, emocionais e espirituais e fazer as escolhas por ela. Não me sinto à vontade em expô-la, nessa idade, a músicas como essa e esperar que ela tenha maturidade para refletir e distinguir o certo do errado. Ninguém ensina um bebê a nadar jogando-o numa piscina e esperando que ele bata as pernas sozinho, não é mesmo? Do mesmo modo, não acredito que seja inofensivo (ou prudente) jogá-la em situações assim e esperar que ela saia dela ilesa uma vez que ela está em seus anos de formação!
De qualquer modo, fiquei com o coração apertado porque sei o quanto a Nicole gosta dessa escola, das tias e dos coleguinhas. No ano passado quando ela mudou de escola foi a mesma história: fiquei me sentindo culpada um tempão pois sabia o quanto ela gostava da primeira escola e, pra ajudar, ela passou boa parte das férias falando da tia Fabi. No fim das contas, hoje ela nem lembra mais. Esse ano a história se repete, com a diferença de que ela está mais velha e entende melhor. Por ser perto, quando passamos em frente ela aponta o prédio azul e diz feliz que aquela é a escola dela. Qualquer presentinho que ela ganha, ela fala de levar para a escola para mostrar para a tia Kelly. Num passeio que fizemos ao Sesc algumas semanas atrás, eu mostrei duas embalagens vazias de suquinho que estavam em cima da grama e sugeri que as pegássemos e jogássemos no lixo. Ensinei que era muito feio quando as pessoas jogam lixo no chão e que a gente não deveria fazer isso para não estragar a natureza. Sabe o que ela me respondeu? Que eu tinha de falar para a tia Kelly quem foi para ela dar uma bronca na pessoa que fez isso!
Meu marido e eu temos explicado que a escola dela agora vai ser em casa, com a mamãe, e ressaltamos que vai ser muito legal. Não sei até que ponto ela consegue compreender, no fim eu acho que ela pensa que esse tempo em casa com a mamãe vai ser só durante as férias e que depois ela vai pra escola de novo. Independente dos meus sentimentos de insegurança, creio que foi o Senhor que nos conduziu a essa decisão. Portanto, confio que Ele nos dará sabedoria para lidar com a situação da melhor maneira possível!
A foto abaixo foi tirada num estudo de campo no centro de SP que eu fiz com o grupo da faculdade pouco mais de um mês atrás. Foi antes de eu levar as meninas para cortarem o cabelo nas férias. Apesar de achar lindinho criança de franja, desisti de manter a franja da Nicole. Não imaginei que manter franja fosse tão trabalhoso. Tem de apará-la mês sim mês não porque o cabelo cresce rápido demais! Na foto a franja estava presa de lado com um tic-tac para não ficar caindo no olho.
Sono e Alimentação
Ela continua dormindo bem à noite (das 19:00 às 6:00), mas para continuar assim decidimos lentamente ir substituindo a soneca da tarde por um momento de descanso no sofá (sem dormir). Embora ela demonstre sinais de cansaço, em muitos dias tenho preferido não insistir mais para que ela realmente durma à tarde porque quando ela está cansada e dorme, as sonecas são geralmente longas - de pelo menos 2 horas - e nessa idade vejo que isso já começa a comprometer o horário de dormir à noite. E é aquela história: dá o horário de ir para cama e ela não está nem um pouco cansada ou com sono! Daí entra no ciclo da criança inventar desculpas para sair da cama - pede água, pede comida, pede pra fazer xixi ou cocô, fica cantando ou conversando sozinha (atrapalhando a irmã que algumas vezes acorda) ou simplesmente nos chamando no quarto para falar "qualquer coisa" que lhe venha à mente. Inclusive, acho que até demoramos muito para detectar o problema e no começo não entendemos que fosse "falta de sono" mas sim manipulação infantil. Se você parar para pensar, foi uma atitude bem injusta da nossa parte.
Para você que nos lê, entenda isso como constatação de que nós, papais e mamães proativos, também cometemos erros - mais do que desejaríamos! E, embora o blog sirva para compartilhar aquilo que nós fizemos que deu certo, às vezes é bom também mostrar o outro lado da moeda: os nossos erros e como nós contornamos a situação diante de um fracasso. Até para você não pensar erroneamente que conosco tudo sempre foi perfeito. Se inspirar na história de alguém que escreve um blog tem esse viés perigoso porque a tendência é idealizarmos demais. Se você é mamãe de primeira viagem, aceite o fato de que por mais que leia, se instrua e se dedique para criar seus filhos da melhor maneira possível, em algum momento você também vai errar. Somos falíveis e dependemos da graça de Deus todos os dias! E embora seja normal nos sentirmos frustradas e decepcionadas quando erramos com os nossos filhos (ainda mais com algo que depois nos parece tão óbvio), não podemos deixar que a culpa nos corroa por dentro e nos afaste ainda mais do objetivo proposto. Buscar o perdão e a restauração no Pai é o melhor caminho para alcançá-lo.
Quanto à alimentação, tudo continua indo muito bem! Ela come devagar e sempre, mas come de tudo - legumes, verduras, frutas - e tem uma alimentação diária equilibrada e saudável. Um comentário a fazer é um pico de crescimento recente que ela teve: durante uma semana ela parecia faminta - vinha pedir comida antes da hora e comia muito além do normal! Ah, eu já comentei que ela não curte muito comer bolacha? Acho engraçado isso porque pra mim toda criança gostava de bolacha. Ela até come, mas uma só e pronto. Quando ofereço mais, ela diz: "No, thanks". Tenho pensado que no fundo a gente é que acostuma o paladar da criança com diferentes alimentos desde cedo. A Nicole desde sempre só comeu "doces saudáveis" (=frutas)! Já com a Alícia percebo que eu fui bem menos rígida no primeiro e segundo ano de vida com relação a deixar experimentar alimentos ou bebidas pouco nutritivos e considerados prejudiciais à saúde, como refrigerantes, balas, bolachas, chocolates e doces em geral. Infelizmente, fui baixando a guarda.
Emoções
Não sei se eu que sou uma motorista apressada, mas recentemente a Nicole passou por uma fase de "medo de velocidade". Já aconteceu com vocês? Eu ia buscá-la na escola e durante todo o caminho da volta pra casa ela não parava de pedir para eu ir mais devagar. Mesmo eu diminuindo bastante a velocidade (quase parando), ela continuava repetindo que o carro estava indo rápido demais. Ela também fez isso com o pai algumas vezes. Reparei também que de uns meses pra cá ela começou a ficar muito mais atenta ao seu redor no trânsito (para além das três cores do semáforo), observando tudo e fazendo questão de comentar nossas conversas ou reações sobre qualquer assunto. Se eu suspirasse e falasse sozinha porque entrei numa rua errada ou parei na fila errada, ou se meu marido comentasse algo sobre o carro da frente ou de um estabelecimento à vista, ou mesmo se o carro pulasse por causa de um buraco ou uma lombada, ela queria saber todos os detalhes - porque, como e onde!
É uma fase muito gostosa porque sua curiosidade para entender como as coisas funcionam (e porque elas funcionam dessa maneira) na minha opinião é fascinante - ela faz perguntas muito inteligentes! Mas ao mesmo tempo, preciso confessar, dá uma canseira. Primeiro porque com isso nós, os pais, "perdemos" nossa privacidade de conversar sobre o que quisermos no carro ou à mesa de jantar porque ela ouve, presta atenção e repete tudo. E segundo porque não basta perguntar, ela faz questão de repetir nossa resposta acrescentando o famoso "Mas por quê isso e aquilo?". Ou seja, as perguntas não têm fim! Não importa o que a gente responder, sempre virá o "por quê?" no fim. Há dias que é tão cansativo que eu tenho vontade de brincar de "Vaca amarela" para ter alguns minutos de silêncio, organizar meus pensamentos e recarregar as baterias!!
Disciplina
Outra novidade sobre comportamento do último update para cá foi a introdução do "cantinho da reflexão" aqui em casa. Até então só a estávamos corrigindo e disciplinando com a vara (na verdade, batemos no bumbum com o chinelo) para casos de desobediência, mas percebemos alguns comportamentos errados que não eram necessariamente desobediência direta - como, por exemplo, mentir ou bater na irmã - e que, portanto, precisavam de um tratamento diferenciado. Na verdade, a primeira vez que apliquei o "cantinho da reflexão" foi meio de supetão, não foi algo planejado ou combinado previamente com meu marido. Eu estava já nervosa por algum motivo e ela fez algo errado dessa natureza que me tirou ainda mais do sério. Não lembro direito o que foi, mas com certeza envolveu machucar a irmã. Aprendi que jamais devo disciplinar minha filha irada (porque a intenção não é descontar minha raiva, mas sim resgatá-la do perigo da desobediência), por isso minha primeira reação nesse dia foi pegar o banquinho de madeira que fica no banheiro (e que ela usa para sentar no vaso), levá-lo para um canto isolado da sala e colocá-la para ficar sentada ali pensando no que fez por 3 minutos, mais ou menos como a Super Nanny ensina. Se não me engano, a apostila do curso Educação de Filhos à Maneira de Deus chama isso de "time-out". Usei o despertador do meu celular para marcar o tempo e fiquei segurando a Alícia longe (que toda hora queria ir lá ficar perto da irmã que estava aos prantos). Funcionou bem porque, ao término do tempo, eu também havia me acalmado e para ela a disciplina valeu. Em seguida, repeti o mesmo processo que faço quando a disciplinamos por desobediência (como ensina o Pastoreando o Coração da Criança, leia mais aqui) porque tanto num caso como no outro o objetivo é buscar a total restauração do relacionamento. Por isso, me certifico de que ela entendeu que o que ela fez é errado (consciência), a convido a orar para juntas pedirmos que Deus ajude-a a obedecer (ou, nesse caso, a tratar a irmã com amor) e encerro a conversa com um beijo, um abraço e a afirmação do quanto ela é amada. Quando sou correspondida no beijo e no abraço sei que o objetivo final foi alcançado!
Comportamento
Já ouviu falar de criança pequena que rói unhas? Eu não... até minha filha de 3 anos começar a roer! Tudo começou um belo dia, quando ela ainda tinha 2 anos e foi comigo até o salão de cabeleireiro que fica aqui na minha rua. A gente sempre brincava de pintar as unhas dela "de brincadeirinha" em casa, mas ela nunca havia se interessado que eu as pintasse de verdade. E, sinceramente, eu não pensava em fazê-lo tão cedo. O fato é que ela se contentava com a imaginação - pra ela já estava de bom tamanho. Até que, nesse fatídico dia, uma manicure desocupada do salão em que estávamos se ofereceu para pintá-la... e adivinhe? Não pediu minha autorização em off para a Nicole não ouvir caso eu dissesse não. Ela simplesmente se dirigiu à Nicole dizendo para ela sentar-se na cadeira porque ela ia deixar as unhas dela bem bonitas - das mãos e dos pés. Claro que elas ficaram lindinhas, mas quando penso nisso hoje me dá uma raiva. Eu deveria ter interferido, mas na hora fiquei sem graça porque a mulher estava querendo fazer uma gentileza, um agrado porque havia gostado da Nicole. Enfim, é uma característica típica do nosso povo que eu não gosto: as pessoas são atrevidas e não respeitam certos limites sociais - nem quando se trata de bebês, já reparou? Já viu algum adulto dando refrigerante para bebê tomar (ou bala pra chupar) sem perguntar para a mãe se pode? E se ela for do tipo que reclama ou dá bronca, a pessoa acha ruim e ainda responde "mas o que é que tem?". Eu particularmente sou avessa a confusões públicas (não sou do tipo que roda a baiana, eu geralmente engulo calada), mas acho esse atrevimento de não respeitar o espaço, a privacidade ou o posicionamento dos outros tão feio. Como quando ia buscar a Nicole na escola e a tia da perua escolar vinha com a filhinha dar bolinho Ana Maria para a Alícia comer - sem perguntar pra mim se podia e sem ter a mínima noção de que era horário de almoço!
Mas como dizia, desse diante em diante, a Nicole adquiriu o hábito de roer unha. Como não estava acostumada com a sensação do esmalte nas unhas, passou a levá-las à boca. Até a unha do dedão do pé ela pegou o hábito de roer deitada na cama. Eu ficava agoniada de ver o resultado! Aí começou um processo chato. Toda vez que a gente ia à manicure, ela queria pintar as unhas de novo. Dessa vez ela me pedia e eu deixava porque como as unhas estavam roídas, eu pensava que iria estimulá-la a parar de roer e deixá-las crescer. Mas não estava funcionando. Roer tinha virado vício mesmo, ela fazia sem perceber. Ficava triste quando via o resultado porque sabia que isso me chateava também (ela é muito sensível aos meus sentimentos). Às vezes eu mesmo pintava, deixava a unha dela bonitinha antes de dormir (levava um tempão porque era um tiquinho de unha) e de manhã ela já tinha roído um monte! Procurei em tudo quanto é site dicas que pudessem ajudar. Até passar babosa eu tentei. Quando eu a pegava com o dedo na boca, ela tirava apressada e dizia "I'm not biting anymore, Mommy". Ou seja, ela queria parar - entendia que isso não era bom, que ela estava se machucando - mas não estava conseguindo. Eu sei bem como ela se sentia porque também já tive problema com isso (e às vezes ainda tenho), até admiti isso pra ela e pedi pra ela dar bronca em mim se me visse mordendo a unha. Ela ficou toda feliz com a nova responsabilidade de vigiar a mamãe e chegou a me pegar algumas vezes com a mão na boca também, rsrs! Finalmente, pela graça de Deus, ela conseguiu se livrar desse terrível hábito depois de uns 3 meses de muita insistência - de conversar, de explicar, de orar com ela, de mostrar que o branquinho da unha dela tinha sumido, de comparar as unhas dela com as do papai, da mamãe, da irmã, etc. Na ocasião, eu tinha largado mão de pintar suas unhas e ela já estava insistindo fazia alguns dias para eu pintá-las novamente. Bem, ela é muito insistente. Pediu, pediu até que eu cedi, mas antes de pintá-las falei bem sério que se no outro dia ela acordasse com as unhas roídas novamente não adiantaria ela pedir porque eu não iria pintá-las de novo. Ela aceitou. Pintei as unhas das mãos e dos pés. Antes de dormir oramos e pedimos a ajuda de Deus. E ela conseguiu manter sua palavra! Em poucas semanas, as unhas delas já estavam bonitas e compridas novamente. = )
Linguagem
Esses dias a Nicole soltou uma frase com "She's ___" (em vez de "Her ___" como ela fazia, leia sobre aqui). Fiquei feliz porque mesmo corrigindo-a pouco (na maior parte das vezes eu deixo passar), ela já está se auto-corrigindo (só de me ouvir falando o certo)! Muito bom!
Vez ou outra ela inventa certas palavras em inglês, rsrs. As três que eu percebi e anotei foram: "Mommy, let it sec" (quando ela está brincando de pintar minha unha), "count a story" e "It is solting" (se referindo ao enfeite de cabelo que fica caindo). Em todos os casos, eu repito a frase (às vezes em forma de pergunta) pra ela ouvir e falar o certo. É bem tranquilo porque, na realidade, ela sabe as formas corretas ( "let it dry", "tell a story", "it is falling"), apenas se confunde às vezes.
Brincadeiras
A brincadeira favorita da Nicole é fingir que é mamãe. Ora ela é mamãe de alguma boneca (e a Alícia o papai, rsrs), ora ela é a mamãe e eu a filhinha. E ela ama me chamar de "daughter". Essas brincadeiras são um bom espelho para mim de como ela me enxerga porque ela imita tudo o que me vê fazer: na hora de escovar os dentes, de levar a nenê para fazer xixi, de colocar na cama para dormir, de ler alguma historinha, de beijar e fazer carinho quando está chorando, de preparar e dar a comida ou o leitinho, de chamar a atenção quando faz algo errado (batendo no bumbum) e, mais engraçado, quando sento na frente do computador para trabalhar. São as imagens que ela tem de mim que ela reflete ao brincar e que provavelmente vão ficar registradas na memória dela quando ela for adulta. Considerar isso me faz querer ser uma mãe cada vez melhor porque quero que suas recordações de mim sejam as melhores possíveis! Me motiva, por exemplo, nos dias em que acordo cansada porque as horas de sono não me foram o suficientes, a não descontar nelas meu mau-humor ou não levar o dia de barriga só porque estou cansada. Me estimula a planejar e organizar as atividades do dia pra não ficar presa muito tempo no computador ou no celular - seja respondendo e-mail, comentando no facebook, lendo ou pesquisando em blogs ou simplesmente escrevendo aqui no blog também (o que tende a ser um problema!).
Escola
Esse ano tirei a Nicole da escola. Por uma série de motivos. Como estou sem trabalhar, vou ficar com as duas em casa - tanto pela questão financeira como pela questão disponibilidade. Nesta idade ela ainda não precisa ir à escola. Na realidade, é algo óbvio - ela acabou de completar 3 anos, logo faltam mais 3 para ela entrar em idade escolar - mas a suposta necessidade de matricular o filho na escola o quanto antes (para ele "se socializar e se desenvolver adequadamente") é algo tão latente em nossa cultura que a minha decisão de ficar em casa com a Nicole esse ano causou estranheza. E, sinceramente, para além das finanças e da disponibilidade, tem também a questão do homeschooling. É uma prática que, até abril do ano passado, eu conhecia muito superficialmente - sabia apenas que era algo que alguns americanos residentes no Brasil faziam. Não imaginava que no Brasil houvesse um movimento em prol da regulamentação da educação domiciliar! O interesse de estudar sobre isso surgiu de conversas que tive com pessoas conhecidas que educam seus filhos em casa. A princípio, a intenção era mais questionar mesmo. Eu queria entender porque cargas d´água alguém iria preferir ensinar em casa em vez de mandar os filhos para a escola. Para mim era coisa de louco, rsrs. Curiosamente, quanto mais lia a respeito do assunto mais fui gostando da ideia. Até meu marido, que no começo também foi muito contrário, foi contagiado pelos pressupostos por trás dessa filosofia e começou a me incentivar. É uma filosofia de vida apaixonante e, eu creio, bíblica. Mas não posso negar que exige muito do pai ou mãe educador!! É preciso abdicar de algumas coisas para conseguir ter êxito nessa empreitada. Por isso, por esse ano vamos fazer o teste. Na realidade, nem dá para dizer que é homeschooling porque, como já disse, minha filha não está em idade escolar, mas a ideia é eu sentir como seria minha vida (e a delas) caso a gente adotasse a educação domiciliar.
Nosso desejo sempre foi matricular nossas filhas no colégio onde eu estudei. É um colégio cristão internacional, mas é caro e não temos condições financeiras para pagar as mensalidades. Para nós é essencial que as meninas estudem perto de casa e o colégio onde a Nicole estava atende a esse requisito, além de ser pequeno e bem organizado. Mas, confesso, que ainda não estava muito em paz com algumas questões. A principal foi a feira cultural do 2º. semestre. O tema era anos 60, 70, 80 e 90 e os pais foram convidados para ir à escola num sábado e assistir às apresentações dos alunos - desde o mini-maternal até o 8º. ano. Pra começar, o mini-maternal (turminha da minha filha) e o maternal dançaram a música "Biquíni de bolinha amarelinho". Precoce, não? E depois teve de tudo, desde casais de menino e menina de sainha curta dançando lambada no palco até meninas vestidas à moda "é o tchan" dançando ao som de "depois de nove meses você vê o resultado", fazendo sinal de barriga de grávida. Cultural eu concordo que é, mas não consigo entender como isso pode ser educativo! E nem estou entrando no mérito de ser cristão ou não (porque eu sabia que não estava matriculando-a numa escola cristã), estou falando de algo ser benéfico moralmente. Não sei se foram os professores ou os alunos quem selecionaram as músicas (no caso da turminha da minha filha, com certeza não foram as crianças), mas se a escola não soube peneirar o que é moralmente benéfico para uma criança menor ver ou ouvir (no caso, a apresentação dos maiores), então tem algo de muito errado. Que outras influências enganosas / perigosas ela pode estar recebendo numa idade em que se encontra indefesa? Porque, afinal, eu não estou lá para ver e ouvir os princípios por trás dos ensinamentos passados para poder interpretá-los por ela e direcioná-la a como pensar, concordam?
Na minha faculdade (FEUSP) provavelmente diriam diferente. Por lá eles acreditam que a imposição de qualquer ensinamento, principalmente religioso, numa criança é violência contra ela. Obviamente eu não concordo e já saí injuriada de muitas aulas depois de ouvir o que pra mim são absurdos. Numa aula de Metodologia do Ensino de Educação Física, por exemplo, estavam discutindo se o conteúdo de músicas estilo funk (com forte conotação sexual, bem vulgar) era interessante de ser trabalhado com crianças de educação infantil (0 a 5 anos) e ensino fundamental (1ª a 4ª série). A discussão pegou fogo e pelas reações exaltadas de alguns quando certo aluno se opôs, quem era conservador preferiu ficar calado para não ser ridicularizado. Esse aluno demonstrou preocupação de colocar crianças tão novas para ouvir uma música que dizia "senta no meu pau" porque não convinha explicar para elas o que isso significava, e uma aluna respondeu que para criança não tem esse negócio de conotação sexual como para os adultos, que ela tinha dançado "é o tchan" quando criança e que nem por isso hoje ela entra rebolando na sala de aula! Ou seja, eles defendem que um dos papeis da escola é valorizar a cultura dos alunos uma vez que muitos já ouvem esse tipo de música em casa ou no bairro onde moram e, no caso dos alunos que não ouvem funk e o ridicularizam, o fazem por desconhecê-lo e não reconhecê-lo como produção cultural, sendo papel da escola trabalhar o assunto com os alunos no sentido de erradicar os preconceitos sociais para que eles aprendam a conviver com a diversidade (de gênero, sexual e religiosa).
Do ponto de vista cristão, sei que existe toda uma polêmica sobre estarmos no mundo, mas não sermos do mundo e que, portanto, não devemos criar nossos filhos numa bolha, alheios ao que acontece no mundo real sem Deus. Por outro lado, creio que a minha responsabilidade para com a minha filha HOJE é protegê-la de perigos físicos, emocionais e espirituais e fazer as escolhas por ela. Não me sinto à vontade em expô-la, nessa idade, a músicas como essa e esperar que ela tenha maturidade para refletir e distinguir o certo do errado. Ninguém ensina um bebê a nadar jogando-o numa piscina e esperando que ele bata as pernas sozinho, não é mesmo? Do mesmo modo, não acredito que seja inofensivo (ou prudente) jogá-la em situações assim e esperar que ela saia dela ilesa uma vez que ela está em seus anos de formação!
De qualquer modo, fiquei com o coração apertado porque sei o quanto a Nicole gosta dessa escola, das tias e dos coleguinhas. No ano passado quando ela mudou de escola foi a mesma história: fiquei me sentindo culpada um tempão pois sabia o quanto ela gostava da primeira escola e, pra ajudar, ela passou boa parte das férias falando da tia Fabi. No fim das contas, hoje ela nem lembra mais. Esse ano a história se repete, com a diferença de que ela está mais velha e entende melhor. Por ser perto, quando passamos em frente ela aponta o prédio azul e diz feliz que aquela é a escola dela. Qualquer presentinho que ela ganha, ela fala de levar para a escola para mostrar para a tia Kelly. Num passeio que fizemos ao Sesc algumas semanas atrás, eu mostrei duas embalagens vazias de suquinho que estavam em cima da grama e sugeri que as pegássemos e jogássemos no lixo. Ensinei que era muito feio quando as pessoas jogam lixo no chão e que a gente não deveria fazer isso para não estragar a natureza. Sabe o que ela me respondeu? Que eu tinha de falar para a tia Kelly quem foi para ela dar uma bronca na pessoa que fez isso!
Meu marido e eu temos explicado que a escola dela agora vai ser em casa, com a mamãe, e ressaltamos que vai ser muito legal. Não sei até que ponto ela consegue compreender, no fim eu acho que ela pensa que esse tempo em casa com a mamãe vai ser só durante as férias e que depois ela vai pra escola de novo. Independente dos meus sentimentos de insegurança, creio que foi o Senhor que nos conduziu a essa decisão. Portanto, confio que Ele nos dará sabedoria para lidar com a situação da melhor maneira possível!
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Talita
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16:13
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quinta-feira, 18 de outubro de 2012
A pequena caixinha chamada escola
Este ano completei 30 anos de idade. Refletindo sobre os meus aprendizados, percebo como as minhas experiências de um tempo pra cá têm servido para eu repensar e amadurecer alguns conceitos de vida. Já aconteceu com você? Por exemplo, as bases de uma crença que você defendia desmoronarem diante dos seus olhos, ou ainda, uma prática que você tanto criticava de repente lhe tornar atrativa? Fazendo a minha retrospectiva, vejo que isso aconteceu comigo em diferentes níveis. E o elemento comum nas mudanças de pensamento era essencialmente o reconhecimento de que a minha perspectiva original baseava-se não em conhecimento real, mas em preconceitos e no senso comum que eu, de alguma forma, incorporei ao longo dos anos.
Para começar com a experiência do parto, lembro-me vividamente discutindo a questão enquanto adolescente com colegas de classe. Eu morria de medo da dor e falava que não teria coragem de parir, que iria com certeza adotar (engraçado que cesária não era uma possibilidade para mim). Claro, hoje penso completamente diferente, creio na perfeição do corpo humano e como Deus criou o parto para beneficiar mãe e bebê, além de ser uma experiência maravilhosa e rito de passagem.
Outra mudança de pensamento recente é a ideia da mãe abandonar o trabalho para ficar em casa e criar os filhos, jamais conseguia me imaginar fazendo isso, achava uma prática retrógrada e sem sentido - justo eu que comecei a trabalhar adolescente, amava o que fazia e me considerava bem-sucedida profissionalmente. Não preciso nem dizer que como a minha visão mudou depois que a Nicole nasceu e chegou o momento de decidir onde deixá-la para eu voltar às minhas atividades na empresa. E eu então percebi que a maternidade ampliava meus horizontes, horizontes esses que antes, olhando de fora, eu não era capaz de enxergar.
Também teve a questão espiritual, tendo crescido numa igreja protestante histórica eu era preconceituosa com outros grupos evangélicos mais carismáticos e seus cultos avivados. Mas a verdade é que a gente só pode criticar com propriedade algo depois de conhecê-lo de verdade - não como expectadora, mas como participante engajada. E foi o que eu fiz, por sete anos me envolvi com uma igreja cristã neopentecostal e, apesar de atualmente estar de volta numa igreja de linha mais tradicional, aprendi muito na igreja anterior. A experiência serviu para eu amadurecer na minha caminhada com o Senhor e também compreender que há irmãos em Cristo sinceros e fervorosos, que amam a Deus e querem viver Seus propósitos, em toda a parte (inclusive católicos). Em essência, há mais pontos que nos unem do que nos separam.
Outra mudança de pensamento recente é a ideia da mãe abandonar o trabalho para ficar em casa e criar os filhos, jamais conseguia me imaginar fazendo isso, achava uma prática retrógrada e sem sentido - justo eu que comecei a trabalhar adolescente, amava o que fazia e me considerava bem-sucedida profissionalmente. Não preciso nem dizer que como a minha visão mudou depois que a Nicole nasceu e chegou o momento de decidir onde deixá-la para eu voltar às minhas atividades na empresa. E eu então percebi que a maternidade ampliava meus horizontes, horizontes esses que antes, olhando de fora, eu não era capaz de enxergar.
Também teve a questão espiritual, tendo crescido numa igreja protestante histórica eu era preconceituosa com outros grupos evangélicos mais carismáticos e seus cultos avivados. Mas a verdade é que a gente só pode criticar com propriedade algo depois de conhecê-lo de verdade - não como expectadora, mas como participante engajada. E foi o que eu fiz, por sete anos me envolvi com uma igreja cristã neopentecostal e, apesar de atualmente estar de volta numa igreja de linha mais tradicional, aprendi muito na igreja anterior. A experiência serviu para eu amadurecer na minha caminhada com o Senhor e também compreender que há irmãos em Cristo sinceros e fervorosos, que amam a Deus e querem viver Seus propósitos, em toda a parte (inclusive católicos). Em essência, há mais pontos que nos unem do que nos separam.
E você, já parou para pensar o quanto você absorve e é influenciado pelo senso comum do dia-a-dia? O post de hoje vai tratar sobre um assunto que vem me perseguindo ultimamente e que está me desafiando a conhecer e pensar mais profundamente a respeito: o homeschooling!! Você já ouviu falar? Sabia que existe até uma Agência Nacional de Educação Domiciliar? Pois é, eu não - descobri só recentemente. O que acontece é que, assim como Edilberto Sastre explica no post intitulado Homeschooling: senso comum, bom senso e saber científico (do blog Desescolariza), a maioria de nós - inclusive autoridades públicas e "especialistas" - baseia-se unicamente no senso comum para achar que esta prática é um verdadeiro absurdo e, assim, criticar famílias que optam por uma forma alternativa de educar os filhos sem, contudo, realmente saber o que é e em que se fundamenta atualmente as crenças e práticas da educação domiciliar!
Foi o que a Dra. Rosely Sayão, psicóloga e consultora educacional do quadro "Seus Filhos" da Band News FM (junto com Inês de Castro), fez quando escreveu para a Folha de S. Paulo o artigo "Fora da Panelinha". Em resposta, o advogado e teólogo Fábio Blanco publicou no blog Discursos de Cadeira uma carta a ela. Chama-se "A pequena caixinha chamada escola - uma resposta à Dra. Rosely Sayão" que, por ser um texto absolutamente brilhante que exprime bem como eu penso e sinto atualmente com relação às "sandices universitárias" (para usar um termo irônico que ele usa) que ouço na USP, reproduzo abaixo.
Foi o que a Dra. Rosely Sayão, psicóloga e consultora educacional do quadro "Seus Filhos" da Band News FM (junto com Inês de Castro), fez quando escreveu para a Folha de S. Paulo o artigo "Fora da Panelinha". Em resposta, o advogado e teólogo Fábio Blanco publicou no blog Discursos de Cadeira uma carta a ela. Chama-se "A pequena caixinha chamada escola - uma resposta à Dra. Rosely Sayão" que, por ser um texto absolutamente brilhante que exprime bem como eu penso e sinto atualmente com relação às "sandices universitárias" (para usar um termo irônico que ele usa) que ouço na USP, reproduzo abaixo.
A
pequena caixinha chamada escola - uma resposta à Dra. Rosely Sayão
Dra.
Rosely Sayão:
Em
teu texto publicado no jornal Folha de São Paulo, chamado "Fora
da panelinha", é admirável tua preocupação com as crianças
que vivem em famílias que optaram pela educação em casa, aquilo
que em outros países é conhecido como homeschooling.
Tuas afirmações são espantosas e merecem ser bem avaliadas.
Como
psicóloga, sabes que qualquer ser humano, seja adulto ou criança,
necessita de instrução e de direcionamento. Por si mesmo, o homem
tende a se perder. Tu mesmo adquiriste teus conhecimentos aprendendo
de teus mestres e lendo autores que, antes de ti, descobriram o que
hoje tu podes saber simplesmente correndo teus olhos pelas letras de
um livro.
Onde
está, portanto, o conhecimento? Em edifícios criados para receber
centenas ou milhares de crianças de uma única vez? Não, e tu
sabes disso. O conhecimento está nos livros, nos trabalhos, nas
publicações, nos registros das experiências e dos pensamentos.
Também está na cabeça dos mestres que possuem a capacidade de
transmiti-lo com sabedoria e paciência.
No
entanto, quem escolhe os livros e os professores que ensinarão
nossos filhos nas escolas? E qual o método de ensino? E o
acompanhamento, quem fará? Ora, se eu posso escolher, segundo meu
entendimento sobre qual o melhor material a ser usado, a capacidade
do mestre que ensinará meus filhos, segundo o método que eu
entendo mais eficiente, por que devo ser obrigado a depositar minhas
crianças em um prédio no qual elas serão apenas mais uma dentro
de um universo gigantesco, aprendendo não de acordo com suas
capacidades e possibilidades, mas conforme uma média de
conhecimento que possa abarcar todos que lá estão?
E
que tu não venhas me dizer que os filhos não me pertencem e que eu
não tenho direito de direcionar suas vidas. Tens filhos? Sabes o
que é isso? Se tens, colocaste eles em uma escola que tu acreditas
ser a melhor, que dará melhor ensino e os preparará melhor para o
futuro. O que é isso senão o direcionamento de suas vidas? Não
estás fazendo com tuas crias o que um proprietário faz com seus
bens, aplicando onde acreditas ser o mais rendoso? Os motivos que me
fazem preferir que eu escolha a forma como meus filhos vão estudar
são os mesmos que tu tens para escolher a escola dos teus.
A
diferença entre nós é que tu crês que a escola é realmente um
lugar de conhecimento. Como típica acadêmica, prostra-te diante
deste ídolo de pedra, que promete, sem cumprir, um futuro brilhante
para aqueles que ingressam em seus templos. Tu és, inclusive, cria
desse lugar. Como uma sacerdotisa, embriagada pelo vinho do falso
conhecimento, inebriada pelas visões quiméricas de catedráticos
charlatões, acreditas que fora desse seu universo não há
conhecimento, não há sequer vida que valha alguma coisa.
Por
isso tu afirmas que aqueles que optam pelo homeschooling o
façam por medo do conhecimento. Em tua sandice universitária, vês
esses como ignorantes, retrógrados, que temem expor seus filhos a
novas teorias, novas formas de pensar. Diante disso, só posso te
fazer uma simples perguntinha: de onde tiras tais parvoíces?
Em
teu orgulho acadêmico, acreditas sinceramente que uma escola,
simplesmente por ser escola, é a depositária do verdadeiro
conhecimento. É óbvio que acreditas que todas as teorias, todas as
descrições históricas, todas as hipóteses levantadas em sala de
aula são inatacáveis. Para ti, o conhecimento é algo estático,
propriedade de um grupo, principalmente daqueles que possuem a
autorização governamental para fornecer diplomas.
Não
percebes que o conhecimento é algo que está além dos muros da
academia. Que são os homens que o carregam e o transmitem. Por
isso, não entendes que a opção desses pais é, ao contrário do
que afirmas, possibilitar que suas crianças tenham acesso a um
conhecimento mais amplo, mais sólido e mais profundo do que as
escolas podem oferecer.
Defendes
as escolas como se elas fossem o paraíso do saber. Com isso,
mostras que, além de não compreender o que é o conhecimento,
ainda tens o olhar obscurecido para a realidade. Nunca ouvistes
falar da péssima formação dos professores, da falta de estrutura
das escolas públicas, da ausência de método no ensino e da grade
curricular limitadíssima imposta pelo governo? De que escola te
referes? Talvez, daquelas que apenas pessoas abastadas podem dar a
seus filhos, das quais apenas as mensalidades são de valor maior
que o salário de 90% dos brasileiros. Agora entendo porque
acreditas que a educação em casa é o mesmo do que a perda do
convívio social. Para ti, mulher de posses, há apenas dois
ambientes sociais para teus filhos: a família e a escola. Não
conheces nada além disso. Para ti, uma criança viver socialmente é
ingressar em prédios que parecem mais presídios, cercados de
seguranças e arame farpado, sendo monitorada todo o tempo, com
horário para todas as atividades. Este é o teu conceito de
liberdade, não é? Bom, é bem parecido com as utopias totalitárias
imaginadas durante mais de quatro séculos até hoje.
Nunca
passou pela tua cabeça que quando escolhes uma dessas escolas estás
tentando dar a melhor instrução e o melhor ambiente para teus
próprios filhos? E que diferença há entre isso e decidir dar toda
a educação fora desse ambiente cerrado? Não, os adeptos
do homeschooling não
temem o conhecimento, mas querem oferecer para seus filhos mais
conhecimento do que qualquer escola pode dar. Tu queres passar a
idéia de que são estes os entenebrecidos, quando, na verdade, o
que eles buscam é a verdadeira luz do saber.
Tu,
com estas divagações, pelo contrário, demonstra-te
preconceituosa. O que dizes parece demonstrar uma afeição à
diversidade e à universalidade, mas denota, apenas, que não
consegues pensar nada fora da pequena caixinha chamada escola.
Devias saber que se há algum conhecimento na escola, ele veio de
fora e não foi criado em sala de aula. Ora, se ele reside fora dos
prédios escolares, por que não buscá-lo diretamente em suas
fontes?
E
ainda tens coragem de te mostrares amante da liberdade? Acusas os
pais adeptos da educação em casa de a ofenderem ou temerem, mas
não percebes que és tu que a odeia? Tu não consegues aceitar que
os pais possam ter liberdade de escolher a melhor maneira de educar
seus filhos. Nem de que esses filhos tenham a liberdade de aprender
diferente e além do que se ensina dentro dos currículos herméticos
determinados pelo Estado. Se tu amas a liberdade, se te delicias com
a diversidade, por que tens tanta dificuldade de aceitar que pais
tenham a liberdade de decidir pelo melhor para seus filhos e por que
não aceitas a diferença que há entre a visão de mundo deles e a
tua?
Na
verdade, tu és como os outros: fingem amar a liberdade, fingem
defender a diversidade, mas odeiam tudo aquilo que é diferente do
que consideram seu mundo ideal. És, de fato, intolerante e não
sabes lidar com o que não conheces.
Além
disso, o que escreveste apenas demonstra que sequer te informaste
sobre a tradição do homeschooling,
seus métodos, suas formas, suas possibilidades. Despejaste no papel
apenas impressões e preconceitos. Com isso, demonstras muito bem o
que acontece com aqueles que são forjados dentro dos pátios das
academias.
Dra.
Rosely Sayão:
Em
teu texto publicado no jornal Folha de São Paulo, chamado "Fora
da panelinha", é admirável tua preocupação com as crianças
que vivem em famílias que optaram pela educação em casa, aquilo
que em outros países é conhecido como homeschooling.
Tuas afirmações são espantosas e merecem ser bem avaliadas.
Como
psicóloga, sabes que qualquer ser humano, seja adulto ou criança,
necessita de instrução e de direcionamento. Por si mesmo, o homem
tende a se perder. Tu mesmo adquiriste teus conhecimentos aprendendo
de teus mestres e lendo autores que, antes de ti, descobriram o que
hoje tu podes saber simplesmente correndo teus olhos pelas letras de
um livro.
Onde
está, portanto, o conhecimento? Em edifícios criados para receber
centenas ou milhares de crianças de uma única vez? Não, e tu
sabes disso. O conhecimento está nos livros, nos trabalhos, nas
publicações, nos registros das experiências e dos pensamentos.
Também está na cabeça dos mestres que possuem a capacidade de
transmiti-lo com sabedoria e paciência.
No
entanto, quem escolhe os livros e os professores que ensinarão
nossos filhos nas escolas? E qual o método de ensino? E o
acompanhamento, quem fará? Ora, se eu posso escolher, segundo meu
entendimento sobre qual o melhor material a ser usado, a capacidade
do mestre que ensinará meus filhos, segundo o método que eu
entendo mais eficiente, por que devo ser obrigado a depositar minhas
crianças em um prédio no qual elas serão apenas mais uma dentro
de um universo gigantesco, aprendendo não de acordo com suas
capacidades e possibilidades, mas conforme uma média de
conhecimento que possa abarcar todos que lá estão?
E
que tu não venhas me dizer que os filhos não me pertencem e que eu
não tenho direito de direcionar suas vidas. Tens filhos? Sabes o
que é isso? Se tens, colocaste eles em uma escola que tu acreditas
ser a melhor, que dará melhor ensino e os preparará melhor para o
futuro. O que é isso senão o direcionamento de suas vidas? Não
estás fazendo com tuas crias o que um proprietário faz com seus
bens, aplicando onde acreditas ser o mais rendoso? Os motivos que me
fazem preferir que eu escolha a forma como meus filhos vão estudar
são os mesmos que tu tens para escolher a escola dos teus.
A
diferença entre nós é que tu crês que a escola é realmente um
lugar de conhecimento. Como típica acadêmica, prostra-te diante
deste ídolo de pedra, que promete, sem cumprir, um futuro brilhante
para aqueles que ingressam em seus templos. Tu és, inclusive, cria
desse lugar. Como uma sacerdotisa, embriagada pelo vinho do falso
conhecimento, inebriada pelas visões quiméricas de catedráticos
charlatões, acreditas que fora desse seu universo não há
conhecimento, não há sequer vida que valha alguma coisa.
Por
isso tu afirmas que aqueles que optam pelo homeschooling o
façam por medo do conhecimento. Em tua sandice universitária, vês
esses como ignorantes, retrógrados, que temem expor seus filhos a
novas teorias, novas formas de pensar. Diante disso, só posso te
fazer uma simples perguntinha: de onde tiras tais parvoíces?
Em
teu orgulho acadêmico, acreditas sinceramente que uma escola,
simplesmente por ser escola, é a depositária do verdadeiro
conhecimento. É óbvio que acreditas que todas as teorias, todas as
descrições históricas, todas as hipóteses levantadas em sala de
aula são inatacáveis. Para ti, o conhecimento é algo estático,
propriedade de um grupo, principalmente daqueles que possuem a
autorização governamental para fornecer diplomas.
Não
percebes que o conhecimento é algo que está além dos muros da
academia. Que são os homens que o carregam e o transmitem. Por
isso, não entendes que a opção desses pais é, ao contrário do
que afirmas, possibilitar que suas crianças tenham acesso a um
conhecimento mais amplo, mais sólido e mais profundo do que as
escolas podem oferecer.
Defendes
as escolas como se elas fossem o paraíso do saber. Com isso,
mostras que, além de não compreender o que é o conhecimento,
ainda tens o olhar obscurecido para a realidade. Nunca ouvistes
falar da péssima formação dos professores, da falta de estrutura
das escolas públicas, da ausência de método no ensino e da grade
curricular limitadíssima imposta pelo governo? De que escola te
referes? Talvez, daquelas que apenas pessoas abastadas podem dar a
seus filhos, das quais apenas as mensalidades são de valor maior
que o salário de 90% dos brasileiros. Agora entendo porque
acreditas que a educação em casa é o mesmo do que a perda do
convívio social. Para ti, mulher de posses, há apenas dois
ambientes sociais para teus filhos: a família e a escola. Não
conheces nada além disso. Para ti, uma criança viver socialmente é
ingressar em prédios que parecem mais presídios, cercados de
seguranças e arame farpado, sendo monitorada todo o tempo, com
horário para todas as atividades. Este é o teu conceito de
liberdade, não é? Bom, é bem parecido com as utopias totalitárias
imaginadas durante mais de quatro séculos até hoje.
Nunca
passou pela tua cabeça que quando escolhes uma dessas escolas estás
tentando dar a melhor instrução e o melhor ambiente para teus
próprios filhos? E que diferença há entre isso e decidir dar toda
a educação fora desse ambiente cerrado? Não, os adeptos
do homeschooling não
temem o conhecimento, mas querem oferecer para seus filhos mais
conhecimento do que qualquer escola pode dar. Tu queres passar a
idéia de que são estes os entenebrecidos, quando, na verdade, o
que eles buscam é a verdadeira luz do saber.
Tu,
com estas divagações, pelo contrário, demonstra-te
preconceituosa. O que dizes parece demonstrar uma afeição à
diversidade e à universalidade, mas denota, apenas, que não
consegues pensar nada fora da pequena caixinha chamada escola.
Devias saber que se há algum conhecimento na escola, ele veio de
fora e não foi criado em sala de aula. Ora, se ele reside fora dos
prédios escolares, por que não buscá-lo diretamente em suas
fontes?
E
ainda tens coragem de te mostrares amante da liberdade? Acusas os
pais adeptos da educação em casa de a ofenderem ou temerem, mas
não percebes que és tu que a odeia? Tu não consegues aceitar que
os pais possam ter liberdade de escolher a melhor maneira de educar
seus filhos. Nem de que esses filhos tenham a liberdade de aprender
diferente e além do que se ensina dentro dos currículos herméticos
determinados pelo Estado. Se tu amas a liberdade, se te delicias com
a diversidade, por que tens tanta dificuldade de aceitar que pais
tenham a liberdade de decidir pelo melhor para seus filhos e por que
não aceitas a diferença que há entre a visão de mundo deles e a
tua?
Na
verdade, tu és como os outros: fingem amar a liberdade, fingem
defender a diversidade, mas odeiam tudo aquilo que é diferente do
que consideram seu mundo ideal. És, de fato, intolerante e não
sabes lidar com o que não conheces.
Além
disso, o que escreveste apenas demonstra que sequer te informaste
sobre a tradição do homeschooling,
seus métodos, suas formas, suas possibilidades. Despejaste no papel
apenas impressões e preconceitos. Com isso, demonstras muito bem o
que acontece com aqueles que são forjados dentro dos pátios das
academias.
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