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Bem-vinda ao nosso blog!
Aqui, mamães muito diferentes mas com um único objetivo compartilham suas experiências nesta grande aventura que é a maternidade! Nós queremos, acima de tudo, ser mamães sábias, que edificam seus lares e vivem com toda plenitude o privilégio de sermos mães! Usamos muitos dos princípios ensinados pelo Nana Nenê - Gary Ezzo, assim como outros livros. Nosso objetivo é compartilhar o que aprendemos a fim de facilitar a vida das mamães! Fomos realmente abençoadas com livros (e cursos) e queremos passar isso para frente!


"Com sabedoria se constroi a casa, e com discernimento se consolida.
Pelo conhecimento os seus cômodos se enchem do que é precioso e agradável"
Prov. 24:4,5
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terça-feira, 23 de julho de 2013

2 anos de Alícia!


Atrasadíssima, mas aqui estou para contar um pouco das novidades dos últimos 2-3 meses. Sim, porque já se passaram 34 dias do 2º. aniversário dela. Ou seja, ela já está com 2 anos e 1 mês!

Rotina, Sono, Dentição e Alimentação
A rotina da Alícia continua a mesma. Ela dorme bem à noite (no mínimo 11 horas seguidas) e tira sonecas de 3 horas à tarde (geralmente das 12:00 às 15:00). Aliás, eu tenho a impressão de que ela dorme melhor do que a irmã nesta idade. Raras vezes a Nicole passou das 7:00 da manhã (era um reloginho), a Alícia já algumas vezes. Um dia me surpreendeu acordando às 8:15!

Os dentes dela demoraram a começar a nascer, mas agora ela já está com o sorriso praticamente completo. Depois de publicar o último post (leia aqui) contei e ela já estava com 12 dentes! Faltavam 8 pra completar os 20 dentes de leite. Preciso contar de novo pra saber quantos ela já tem agora, rs. O que me impressionou é que do 1º dente até o 12º se passaram menos de 8 meses. Pouco tempo, né?

Quanto à diarreia, ela tomou o vermífugo daquele vez e não fiquei convencida de que o problema era esse. Eu acho que era de engolir pasta de dente! Agora ela está usando um creme dental específico pra crianças bem pequenas (sem flúor) e a diarreia parou de vez (embora ela continue fazendo cocô muitas vezes por dia, pelo menos duas, que eu entendo que seja sinal de boa alimentação e saúde). Eu explico que ela precisa cuspir e não pode engolir, ela faz que 'sim' e tenta, mas não adianta. No fim das contas, ela engole muita água com pasta ainda assim!

Uma observação é que aos poucos percebo que a Alícia está diminuindo a ingestão de alimentos. Mas ela continua comendo com muita pressa (igual à mamãe e diferente da irmã e do papai que comem devagar). Hoje, por exemplo, parti uma pera em 4 partes para dar de lanche da tarde. Enquanto a Nicole comia 1/4 da pera, a Alícia comeu as outras três partes!! Muito veloz essa menina, eu preciso ensinar para ela que é preciso mastigar melhor, com calma, e não engolir a comida toda de uma vez.

Desenvolvimento, Temperamento e Relacionamento com a irmã
Preciso confessar: tenho uma dificuldade imensa de não compará-la com a minha outra filha. Eu tento, prometo que tento, mas a Nicole acaba sendo a minha referência. O problema é que a minha memória NÃO é confiável. Não mesmo porque eu fico achando que a Nicole sabia muito mais coisas nesta idade, tinha uma pronúncia muito melhor, etc. E vai ver até sabia mesmo (porque ainda não consegui ensinar as cores pra Alícia!!), mas o fato é que um dia desses o Douglas me mostrou um vídeo da Nicole com 2 aninhos (aprox.) brincando com a Alícia recém-nascida e a pronúncia dela estava horrível também, kkkk!

Eu me admirei e achei engraçado porque naquela época a minha percepção do "bom" e "ruim" era outra completamente. Para os meus ouvidos a Nicole falava super bem, eu entendia tudo direitinho... rsrs. E agora eu fico com essa cisma com a Alícia, tadinho do segundo filho, né? A mãe o compara injustamente com o filho mais velho. Eu sei que faço isso inconscientemente e tento me policiar para incentivá-la e elogiá-la de igual modo. Ainda bem que existe a tecnologia para nos mostrar o que REALMENTE aconteceu. :-)



Tudo isso para dizer que estou me esforçando para deixar a Alícia se desenvolver no seu próprio tempo e acho que ela está indo muito bem. Ela repete as palavras espontaneamente, forma frases com 3-4 palavras (inglês e português misturado, quero só ver quando começarmos a aprender francês no Canadá!), enfim está se esforçando para se comunicar e interagir. E aprendendo a ser tagarela e insistente como a irmã (socorro!). Está cada vez mais parecendo mocinha crescida. Aprendeu a pular de verdade recentemente (antes ela mexia o tronco como se estivesse pulando, só que sem tirar os pés do chão). Aprendeu a beijar também - antes fazia só o barulhinho "uá" (a Nicole fazia "bi", rs).


Quanto ao temperamento, noto que a Alícia está aos poucos deixando de ser tão insegura e agarrada em mim. Ela é do tipo criança agarrada nas pernas da mãe, sabe? Aquela que fica seguindo-a pela casa o dia todo. Cheguei a me perguntar algumas vezes o que eu tinha feito para ela ser assim, rs. É difícil aceitar que esta é a personalidade dela, eu fico achando que é a minha culpa! Esse apego todo me frustra às vezes. Eu sinto que ela não está tão confiante e independente quanto a Nicole (que começou a ir para a escolinha aos 18 meses) estava nesta idade. Desde bebê a Alícia aceitava bem ficar no berçário da igreja (nunca ou raramente chorava), mas agora ela não está mais querendo ficar e eu fico sem entender o porquê. Depois que aconteceu um acidente lá dentro há alguns meses, em que ela caiu e machucou a boca, eu estou com receio de ficar insistindo. Por causa da diferença de idade, as meninas ficam em salas diferentes e percebo também que isto deixa a Alícia chateada. Ela aponta para a sala da irmã e diz que quer entrar lá com ela.


Parando para refletir agora, uma vez por mês durante a semana eu as levo comigo para uma reunião de mamães que tem na igreja. E nesse dia as tias juntam as salas e elas brincam juntas. Foi em um dia da semana que ela caiu e se machucou. Mas aos domingos é separado e a Alícia não se conforma que um dia ela pode brincar com a irmã e outro dia não, então ela chora e esperneia muito quando a deixamos na porta.

Como acho que já deu pra notar, ela é muito apegada à irmã e se espelha muito nela (imita tudo, rs). Se algum dia ela acorda mais tarde e não vê a irmã na cama, a primeira coisa que ela pergunta é "Dê Kicky?" (ela não consegue dizer Nicky ainda, rs). Uma das expressões que ela mais tem usado ultimamente é "___ Kicky too", sempre incluindo a irmã em tudo o que faz ou quer/pede pra fazer. É bem fofo de ver. Esses dias ela me pediu pra ir na casa da vovó, eu respondi que a gente iria tal dia e daí ela perguntou: "Vovó house Kicky too?" Ou o contrário, a Nicole pede algo e no mesmo instante ela vem para mim e diz "Me too." ou "Isha too." (Isha é o jeito que ela pronuncia o próprio nome, mas às vezes ela diz Ily também).

No geral, ela é muito simpática e amável com as pessoas (as pessoas comentam), exceto com o pediatra - até hoje ela chora muito quando ele vai examiná-la. E eu percebo também o coração materno dela, é uma graça observar como ela ama cuidar de suas bonecas, cobri-las com o paninho, alimentá-las, etc. Ela é bem carinhosa e espirituosa. E olha que não tem nenhum bebê na família para poder dizer que ela está imitando o comportamento adulto de alguém (como a Nicole quando a irmãzinha chegou da maternidade), mas quando ela encontra bebês em festas ou outros lugares públicos, ela fica extasiada de alegria e voluntariamente se aproxima do carrinho ou do colo da mãe pra conversar e fazer carinho nele(a).

Peripécias
Algumas semanas atrás ela se machucou feio em casa - cortou o lábio e precisou levar três pontos! Ela não estava fazendo nada de perigoso. Meu marido tinha saído com as meninas pra eu poder dar uma geral na casa e lavar a roupa. Quando elas voltaram, umas 3 da tarde, eu estava na sala passando roupa. A Alícia havia pulado a soneca e estava cambaleando de sono, deveria ter ido direto tirar uma soneca. Mas a Nicole estava firme e forte, toda agitada, e chamou-a pra brincar de "barquinho" com os meus cestos de roupa pra passar (que têm formato parecido com barco mesmo). São três, um de cada tamanho, e já estavam vazios. A Nicole entrou no maior e a Alícia no menor. Na hora de levantar, ela se desequilibrou e caiu pra trás contra a parede. O cesto virou junto e bateu com tudo na boca dela. Quando vi o sangue pensei que ela tivesse quebrado um dente! Eu sou muito mole para essas coisas (era meu marido sempre que as segurava para tomar vacina no posto!) e comecei a passar mal de ver (e imaginar) o corte aberto. Eu falei para o meu marido que eu dirigiria, mas ela só queria o meu colo e ficou chorando no caminho. Então tive de enfrentar minha própria fraqueza pra segurá-la no colo no banco de trás enquanto íamos para o pronto socorro!
Esta foto é de fev/13, mas dá para ver como são os cestos.
Comportamento e Disciplina
No momento estou ensinando a Alícia a não falar "não" para a mamãe (é a resposta padrão dela para qualquer comando - a fase conhecida como "terrible twos"). Estou insistindo na frase "Yes, Mommy" para ensinar a submissão. E quando ela desobedece e eu a disciplino também insisto para que ela use o "Sorry, Mommy" para ensinar a humildade. No relacionamento entre irmãos, o meu foco em casa é ensinar a generosidade. Quem tem filhos nesta idade sabe muito bem como é complicado administrar conflitos. Uma criança sempre quer o brinquedo que está nas mãos da outra. E, geralmente, é o filho mais velho que precisa ceder. Aqui em casa eu faço diferente. As duas recebem tratamento igual (na medida do possível) porque meu objetivo é que as duas aprendam a dividir e a ser amáveis.

Então quando uma quer o brinquedo que está nas mãos da outra (acredite, isso acontece várias vezes por dia), primeiro eu me certifico que de que ela está pedindo de forma apropriada - com calma e usando "por favor". Digo isso porque, principalmente com os menores, o desafio é ensiná-los que não pode-se arrancar as coisas das mãos dos outros (o famoso 'domínio próprio', tão importante de ser ensinado desde bebês). Em segundo lugar, eu reforço o pedido feito, dizendo algo do tipo: "Alícia, Nicole wants to play with that toy too. Can you share it with your sister, please?" (traduzindo: Alícia, a Nicole quer brincar com este brinquedo também. Você pode dividi-lo com ela, por favor?). Se a criança se recusa e diz que não, daí eu digo: "If you can't share your toys, then you can't have them. Give it to me, please" (Se você não consegue compartilhar seus brinquedos, então você não pode brincar com eles. Me dê ele aqui, por favor). Daí claro ela entrega o brinquedo para a irmã rapidinho, rs. Só que daí advinhe o que acontece? Isso mesmo, alguns minutinhos e a irmã que emprestou pede o brinquedo de volta (do jeitinho certo, com o "please") e daí o processo se repete, com a outra irmã tendo a oportunidade de aprender a ser generosa e a preferir o outro a si mesma (cedendo a sua vez, o seu brinquedo, etc.). No meu entender, isso é pastorear o coração da criança!

Outra grande dificuldade da Alícia no momento é aprender a lidar com o "não". Pasmem: a Alícia é do tipo de criança que se joga no chão, chuta e bate quando é contrariada! Ah, ela também faz desaforo e joga as coisas no chão quando está com raiva. Eu fico perplexa às vezes com o temperamento forte dela, mas daí meu marido vem e me lembra que com a Nicole foi a mesma coisa (pior que eu não lembro direito, de novo minha memória me iludindo com um falso "mar de rosas", rsrs!!). Quando ela faz essa cena de frustração, minha reação é ser firme. Normalmente eu a tiro de cena no mesmo instante para eu poder orientá-la no particular - mesmo em casa, para ela ser disciplinada com dignidade, sem a presença da irmã.

Uma mania que ela tem que me deixa maluca é tirar as meias e sapatos. Ela gosta de ficar descalça, inclusive na hora de dormir. Eu não consigo entender isso. Meus pés congelam nesse frio. Eu posso entrar no quarto delas para colocar as meias de volta nela, mas pode ter certeza: pela manhã ela estará sem meias de novo. E lembro que com a Nicole foi diferente, mas hoje graças a Deus ela não faz mais isso, rs.

Desfraldamento
Pra encerrar o post, preciso falar do desfraldamento. Depois que voltamos da viagem em abril, me empenhei em desfraldá-la pra valer (durante o dia). Ela estava progredindo bem, dentro do esperado (com muitas calças molhadas por dia). Um dia ficamos o dia todo fora (buscar os passaportes no shopping, ir ao sacolão, dentre outras paradas) e ela só deixou vazar xixi uma vez. Eu fiquei tão orgulhosa dela! Mas tem dias que parece que a criança regride (com a Nicole também foi assim, então eu sabia que fazia parte), mas eu estava ficando estressada com o fim do semestre da faculdade (normal também) e, sem ajuda doméstica, eu não estava conseguindo dar conta de tudo, principalmente de lavar a roupa com a frequência necessária... Então achei mais prudente levantar a bandeira branca e dar um tempo. Era coisa demais para eu administrar e desfraldamento é algo demanda atenção, paciência e TEMPO, coisa que eu não tinha.

Enfim, agora estou de férias ainda me recuperando do semestre difícil e ainda por cima planejando nossa viagem no mês que vem (vamos passar 1 ano no Canadá), por isso não estou muito animada ainda para voltar no propósito de desfraldá-la com força total. Vamos ter muitas mudanças daqui pra frente e a minha mente já está tão cheia de preocupações (como sempre - ai, Senhor, me ajude!), estou orando para o melhor momento... confesso que tem dias que acordo revigorada e disposta para encarar o desafio, mas daí ao primeiro acidente eu já me desanimo de novo, rs. Eu sei que a constância é importante e estou falhando muito nisso. Mas o meu consolo é que a Alícia está amadurecendo e às vezes ela me surpreende. Hoje mesmo coloquei-a pra tirar a soneca da tarde e, minutos depois, quando entrei no quarto a encontrei totalmente sem roupa e fralda (nesse frio!!) pedindo pra fazer xixi. Senti que a fralda estava quente porque ela já tinha feito, mas levei-a para o banheiro mesmo assim. Não é que ela terminou de fazer no vaso?

Não sei quando volto para fazer o próximo update. Acho que a partir de agora vai ser a cada 3 ou 4 meses. Tenho tantas coisas que gostaria de escrever e publicar aqui no blog, mas não consigo. :-(

Meu próximo desafio é fazer um resumo (com fotos) do nosso semestre de homeschooling, aguardem!!

sexta-feira, 19 de abril de 2013

1 ano e 10 meses de Alícia!

Meu marido e eu estamos fora de casa há quase uma semana, numa viagem a dois para comemorar nossos 10 anos de casados, e hoje nossa filhota mais nova completa 1 ano e 10 meses de vida. = )

O tempo não pára e em breve ela terá 2 aninhos! E se tem uma única lição que como mãe eu não posso deixar de lembrar é a importância de investir no meu bem-estar e, principalmente, na qualidade do meu relacionamento com o meu marido. Sim, meu marido e eu também precisamos de tempos juntos, a sós, para curtirmos um ao outro, conversarmos e, claro, para também descansarmos, sem focar nosso pensamento o tempo todo na casa e nas crianças.

Mas eu vou confessar, não foi moleza resistir à tentação de trazer as meninas conosco nesta viagem!! Ao pesquisar os hotéis meses antes da viagem, eu fugia dos que tinham muitas atividades para crianças porque eu não queria ficar me sentindo mal durante a viagem, rsrs, com remorso de estar num lugar bacana e de não tê-las levado comigo. E o pior é que não adiantou!!


Chegando aqui, tudo o que eu via (inclusive outras crianças pequenas brincando ou comendo no restaurante) me fazia lembrar delas e imaginar o quanto elas poderiam gostar do passeio e estar se divertindo! Até chorei depois da primeira conversa por skype com elas, me sentindo 'culpada' de estar aqui e elas lá. Eu sei, eu sei... são coisas bobas de mãe sentimental. É apenas uma semaninha fora e essas viagens de lua-de-mel meu marido e eu só comemoramos a cada 5 anos. O importante é a gente aproveitar bem esses dias "de folga" para que, quando voltarmos, possamos assumir novamente as tarefas do dia-a-dia, com renovados empenho e vigor!


Mas o motivo deste post é contar como foram os últimos 2 meses da Alícia. Então, mãos à obra!




Alimentação e Dentição
A Alícia passou maus bocados nos últimos meses por causa dos dentes nascendo. Muitos dentes! Num determinado momento chegamos a contar SEIS dentinhos cortando a gengiva dela ao mesmo tempo. Ela sofreu, viu! E algumas vezes - nos piores dias - até chorava ao morder alguma coisa mais dura, chegando a recusar alimento na hora da refeição (algo bem atípico). Por outro lado, ela também já consegue se alimentar muito melhor sozinha (tanto com garfo quanto com colher). Inclusive, ela não gosta muito de ser ajudada. Isso só tende a melhorar e a facilitar a minha vida!

Desfraldamento e Doença

Os últimos meses também foram conturbados na questão saúde. Na verdade, não sei se por causa da dentição, mas a Alícia teve diarreia por muitas semanas seguidas. Acho que chegou a durar um mês! Na primeira semana julgamos que fosse uma virose porque a família inteira ficou mal, com dor de barriga. Depois todo mundo foi melhorando, menos a Alícia, que continuava defecando uma média de 3-4 vezes por dia. E o coco era tão ácido que só de tocar na pele dela já a deixava todinha vermelha e assada, ainda que eu trocasse a fralda imediatamente. Quanto sofrimento vê-la assim! Chegou ao ponto de ela nem deixar eu encostar o algodão com água para limpá-la, fechava as pernas com força e chorava. Era um sufoco trocá-la. Muitas vezes eu pensei quão bom seria se ela já estivesse desfraldada porque pelo menos estaria fazendo as necessidades no vaso e não teria esse problema da assadura... Por outro lado, como continuar o desfraldamento em um bebê com diarreia?? Eu até tentei nos 2 primeiros dias da diarréia, mas depois de alguns incidentes de fezes mole e fedida no chão da sala, me rendi novamente ao uso da fralda e declarei interrompido o treinamento!

Justo no mês em que achei que fosse economizar na compra de pacotes de fraldas... humpf, que nada! Fazendo cocô tantas vezes por dia, acabei gastando muito mais, rsrs!


A interrupção do treinamento de desfraldamento acabou sendo muito mais longa do que eu imaginei porque a diarreia não parava. Até que comecei a desconfiar de vermes - afinal, com os dentes nascendo e a Alícia colocando na boca tudo o que encontra pela frente, esta era uma real possibilidade. Sim, e com o sério agravante da minha suspeita de que ela andou comendo terra do canteiro da garagem! Felizmente, chegou o dia da visita periódica ao pediatra e ele receitou um vermífugo para elas tomarem. Bingo, parece que o problema foi sanado – mas isto foi na semana que antecedeu a nossa viagem para cá. Portanto, só pretendo pensar no assunto do desfraldamento novamente agora quando eu voltar para casa. Mas confesso que quanto mais tempo passa, maior tem parecido este gigante para mim! É um desafio que eu preciso encarar, o de treinar a minha pequena para fazer suas necessidades no vaso sanitário, e não mais na fralda.

E eu tenho sentido que com duas filhas está sendo mais complicado eu parar tudo o que estou fazendo para ir ao banheiro com a menor – muito embora a mais nova querer imitar a mais velha em tudo ser uma vantagem... Porém, me parece que o meu dia fica todo truncado com tantas idas ao banheiro - ficar ali sentada esperando ela fazer alguma coisa, o que nem sempre acontece. Perco muito tempo com isso! E, o que é pior, tem também o tempo gasto com tantas trocas de calcinha e limpando xixi do chão pela casa por causa dos acidentes frequentes.


Mas, como toda mãe está cansada de ouvir, não adianta nos desesperarmos e transferirmos à criança a nossa frustração pelo insucesso do desfraldamento. Nem tudo acontece como e quando queremos. Tirar a fralda é um processo mais lento do que gostaríamos que fosse. E despejar na criança a nossa ansiedade só vai alongar e complicar ainda mais o processo. Então, o que eu preciso é buscar serenidade, pensar num plano realista e coerente e fazer tudo com muita, mais muita, paciência e perseverança!


Como se fosse fácil, rsrs.

Rotina e Sonecas

As sonecas da Alícia à tarde têm sido mais tranquilas do que nunca. Ela adormece facilmente, na própria cama, em apenas 5 minutinhos, e eu nem preciso mais fechar a porta para escurecer muito o quarto! Normalmente é assim: elas terminam de almoçar (a Alícia mais rápido do que a Nicole) e eu a levo para escovar os dentes enquanto a Nicole ainda termina de mastigar as últimas colheradas. Levo-a para o quarto, troco a fralda, puxo a cama, dou a Nana e digo para ela se deitar porque está na hora da soneca. Saio do quarto (deixo a porta aberta) e repito o processo todo com a Nicole – escovar os dentes e levar para fazer xixi. Antes mesmo da Nicole voltar, a Alícia já está dormindo! Em poucas tardes, a Nicole pede para dormir junto (na cama dela), geralmente apenas no dia do ballet – que é numa segunda-feira, justamente o dia em que ela fica mais cansada. Nos outros dias, eu fecho a porta do quarto para a Alícia tirar a soneca longa dela sem barulho e a Nicole faz o seu horário de descanso quietinha na sala.

Numa determinada semana, eu tive um compromisso fora de casa pela manhã em que levei as meninas comigo de carro. Era um longo trajeto de ida e volta. Na volta, como era quarta-feira, resolvi passar na feira aqui perto para comprar frutas e legumes que estavam faltando em casa. Resumo: o dia foi totalmente diferente e a soneca da tarde acabou não acontecendo para a Alícia, pois ela dormiu uns minutinhos no carro no caminho pra casa. À noite, quando voltamos da faculdade perto da 23h:30, ela despertou quando a tiramos do carro e não conseguiu voltar a dormir facilmente. Ficou chorando um tempão, não queria ficar em sua própria cama! No dia seguinte, mais agitação: era o dia do nosso "playdate" quinzenal em que passamos o dia todo fora e a soneca dela à tarde também pulada.


Vocês conseguem imaginar como ficou esta criança na sexta-feira, depois de dois dias sem uma soneca decente e uma noite mal dormida? Ela ficou acabada!! E advinhem só? De manhã, depois do café, devocional e atividade de leitura, ela me pediu para dormir!! Foi para o quarto e começou a tentar puxar sozinha a cama para pegar a Nana. Eu disse que ela não podia pegar a Nana, que a Nana era só para a hora de dormir e, em seguida, como ela insistiu muito em querer a Nana e já estava se desabando a chorar, perguntei sela ela queria dormir. Ela fez que sim com a cabeça! Eu duvidei um pouco na hora porque eram apenas 9h:00, mas mesmo assim arrumei a cama para ela dormir e dei a Nana. Pois ela deitou bonitinha e começou a chupar o dedo. Saí do quarto pensando que dentro de poucos momentos ela fosse aparecer na sala para brincar, mas que nada... ela dormiu direto até a hora do almoço, rs. Na verdade, quando ela acordou, eu e a Nicole já tínhamos terminado de almoçar. Ela estava realmente cansada e precisando dormir!


Adaptação à cama e Sono noturno

A transição do berço para a bi-cama (a Nicole dorme em cima e a Alícia em baixo) tem sido algo engraçado, embora trabalhoso. Engraçado porque, como você pode ver na foto ao lado, a Alícia logo descobriu que subir para o colchão da irmã é muito mais interessante do que ficar sozinha no dela. E trabalhoso porque agora não existem mais grades para detê-la lá.

Nope,
agora a única barreira capaz de mantê-la deitada e quietinha na hora de dormir é a nossa autoridade e voz de comando. Ou seja, é a oportunidade perfeita que, como pais, temos para ensinarmos a ela quais são os limites invisíveis. Um verdadeiro treinamento para a obediência!


E aqui entra aquela célebre frase: "Educar dá trabalho".... e como!


Ainda neste tópico do sono e da adaptação à nova cama, a Alícia já entendeu que na hora de dormir a gente tem de puxar a cama dela para fora e, que ao acordar, a gente empurra a cama de volta para baixo da cama da Nicole. E, para evitar que ela passe o dia andando pela casa com a Nana (sua fiel companheira, uma boneca de dormir) nos braços – o que também favorece que ela chupe dedo fora de horário - instituímos que o lugar das Nanas é sempre nas camas. No caso da Nana da Alícia, eu geralmente a empurro junto com a cama dela para baixo da cama da Nicole. Ela não gostou muito da regra nas primeiras vezes e resistiu em deixar eu levar a Nana de volta para a cama, mas meu marido e eu temos insistido e agora ela já está pegando o jeito de como as coisas precisam funcionar. Quando ela tira a Nana da cama e eu dou a ordem para ela levá-la de volta, 90% das vezes ela obedece prontamente.


Outra observação quanto ao sono é que temos notado que o sono da Alícia tem sido agitado. Muitas vezes ela chora dormindo, como se estivesse tendo pesadelos, e fica geralmente suada. A Nicole teve muito disso também, acho que mais ou menos nesta idade, se não me engano. Começava a gritar/chorar sem motivo aparente. Confesso que a minha tendência e a de meu marido é achar que é alguma dorzinha, como gases por causa de alguma coisa diferente (e mais gordurosa) que elas tenham comido naquele dia. Nestes casos, a gente observa se elas soltam pum enquanto a gente massageia a barriga delas e, se sim, dá algumas gotas de simeticona. É um hábito que a gente tem desde que elas eram bebezinhas.


Ultimamente, porém, esse "sono conturbado" da Alícia tem acontecido com maior frequência e, tenho refletido, se de repente ele não tem alguma relação com o "salto de desenvolvimento" pelo qual achamos que ela está passando – justamente o assunto do próximo ponto!


Desenvolvimento e Comportamento

Como dizia, eu senti que nos últimos meses a Alícia deu um grande salto de desenvolvimento. Vejo-a fisicamente mais ativa – com melhor equilíbrio, agilidade, destreza etc. – e também mais concentrada para acompanhar atividades intelectuais – o momento de leitura, o quebra-cabeça, etc. No outro post desta semana comentei sobre suas habilidades de comunicação, que ela já é capaz de usar 2 palavras juntas para tentar me contar as coisas. Muitas vezes ela me surpreende com as palavras novas que fala ou mesmo as que reconhece nas figuras dos livros de vocabulário que lemos juntas, sobretudo, quando eu peço para ela encontrar uma em meio a várias.

A Alícia está cada vez mais esperta e exploradora. Para citar alguns exemplos, ela aprendeu a calçar as próprias sandálias (que fecha com velcro), me ajuda a colocar a fralda nela em pé, já sabe colocar de volta os braços corretamente dentro do cinto de segurança na cadeira de bebê (do automóvel) e, como eu comentei lá em cima, consegue se alimentar muito bem sozinha. Além de imitar a irmã em tudo (sons e gestos) e querer calçar e andar com os nossos sapatos pela casa (ou calçá-los em nós, que também é muito engraçadinho), ela descobriu no banquinho seu grande aliado para fazer as suas peripécias – leva-o para cá e pra lá para tentar subir nos lugares mais altos (como a minha cama) e fica radiante quando consegue! Na verdade, não é só a irmã que ela quer imitar. Se ela me vê passando batom, desodorante ou perfume, usando óculos ou fazendo qualquer outra coisa de diferente para ela, ela quer fazer também. Isso é normal, eu imagino, para crianças nesta idade. Não que ela já não fizesse muitas dessas coisas antes, mas é que de repente essa perspicácia dela ficou mais latente.

Quanto ao comportamento dela, há certos hábitos que deixamos que fossem estabelecidos e agora tem sido o nosso desafio, como pais, eliminá-los. São hábitos ruins porque geram "retrabalho" para nós. Um deles é ela tirar os sapatos (e as meias!) assim que entra no carro para irmos a algum lugar (e isto também acontece com frequência quando senta no cadeirão para comer). Ou então tirar o elástico ou presilha do cabelo que deu o maior trabalhão arrumar antes de sair de casa. Já deu para perceber que minha filha preza pelo conforto acima da estética, né, rsrs! Pois é, mas para nós, pais, isto não é nem um pouco legal... principalmente se demorou um bocado de tempo para a gente conseguir com que ela ficasse quietinha o suficiente para dividir mais ou menos decentemente o cabelo e prendê-lo do jeito "certo". Também já virou hábito ela (e a irmã!) levantarem no cadeirão para mostrar como estão crescendo porque estão comendo toda a comida. Ou ficarem se distraindo, girando pelo cadeirão e ficando de joelhos, enquanto comem. A culpa, na verdade, é nossa que não as prendemos com o cinto de segurança, né... E por isso agora a gente fica o tempo todo repetindo que é para elas se sentarem e virarem pra frente. Preciso parar com esse falatório que desgasta o ânimo de qualquer relacionamento e começar a aplicar consequências concretas para a desobediência delas (não sem antes falar bem sério e explicar quais serão). Ambas têm idade suficiente para entender e respeitar os limites, basta que os pais não subestimem sua capacidade para o aprendizado!


Bem, por hoje é só. Agora vou curtir meu penúltimo dia de estadia aqui no hotel à beira da piscina, hehe!

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Desenvolvimento da linguagem antes dos 2 anos

Quando a Nicole completou 1 ano e 5 meses, eu escrevi este post sobre o seu desenvolvimento cognitivo e aquisição de vocabulário. Faz tempo que estou me cobrando fazer um sobre a Alícia também. Abaixo pretendo compartilhar um pouco da minha percepção sobre o seu desenvolvimento da linguagem até aqui.

Antes, porém, é preciso evidenciar alguns pontos sobre como fazemos as coisas aqui em casa. O primeiro deles é que meu marido e eu acreditamos que desde muito cedo, quando ainda bebês, embora ainda não falem, as crianças têm capacidade mental para se comunicarem (obs. Aprendemos este ensinamento no livro "Além do Nana Nenê", do Gary Ezzo e Robert Buckman). Por isso, já a partir dos 7 meses, procuramos ensinar às nossas filhas outro método de comunicação, a linguagem de sinais, como alternativa ao choro e birra tão comuns entre crianças pequenas. O pouco que sabemos da linguagem de sinais já é suficiente.

Nesta idade, as crianças gostam muito de imitar o que as pessoas à sua volta estão fazendo - seus sons e gestos. Aliás, a gente brinca que a Alícia - que dentro de poucos dias completará 1 ano e 10 meses - é a sombra da irmã - a Nicole, que está com quase 3 anos e 8 meses. Isso porque grande parte do tempo o que a gente vê é a Alícia observando a irmã e imitando todos os seus gestos, ações e comportamentos. E como as duas se divertem com isso e dão boas gargalhadas!

Assim, não fica difícil entender porque, embora ainda não fale, a Alícia consiga aprender tão facilmente novos sinais, dentre eles, gestos que acompanham músicas ou os versículos bíblicos que estamos memorizando em família no momento devocional a cada manhã.

Os sinais que a Alícia mais usa atualmente (e os faz espontaneamente ou com o nosso estímulo) são: "please" (por favor), "no, thanks" (não, obrigada), "excuse me" (com licença) e "sorry" (me desculpe).

Mas hoje não vim falar sobre a 'linguagem de sinais' em si (se este é o seu interesse, existe um marcador na coluna à direita com este nome), o que quero é me deter mais no assunto "bilinguismo". Meu marido e eu falamos inglês e português e, portanto, sempre quisemos que nossos filhos de pequenos aprendessem os dois, naturalmente. Eu sei que, aqui no Brasil principalmente, existe toda uma polêmica em cima desse tema. Alguns acreditam que falar mais do que um idioma confunde a criança e retarda o desenvolvimento da sua fala, além de dificultar o seu relacionamento com outras pessoas. Para falar a verdade, eu não concordo com esses argumentos. Acho que é subestimar a capacidade de comunicação das crianças. Além disso, conheço casos que me fazem pensar diferente.

E ainda que o bilinguismo possa de fato retardar o início da fala (o que eu não sei se é verdade), não acho que isso seja substancial a ponto de comprometer ou prejudicar a criança. Que diferença faz se a criança começou a falar aos 2 anos, 2 anos e meio ou 3 anos? Será que faz tanta diferença assim? Será que não é uma questão que também envolve temperamento e outras habilidades, como a de interação social?

Bem, não sou especialista em linguística e confesso que não fui atrás de ler muitas informações sobre o assunto. Apenas conversei um pouco com pessoas experientes na área (no sentido de experiência prática mesmo, não necessariamente de conhecimentos teóricos) e fui seguindo minha própria intuição sobre o que fazer. O que vou compartilhar abaixo é apenas fruto da minha experiência e opinião sobre o assunto.

Como dizia, falamos os dois idiomas em casa. Me deram a dica de não misturá-los dentro da mesma frase, para que fique sempre bem claro o que é um idioma e o que é outro. Isso faz total sentido para mim, mas confesso que nem sempre é fácil de se fazer. Aliás, se você não tem o hábito de separar os idiomas é um tanto quanto difícil! Com a Nicole, de certa forma, eu acho que consegui ser mais disciplinada do que sou hoje em dia quanto a isso. Com medo de confundi-la, eu realmente me esforcei para falar somente em um idioma com ela. Quando estávamos somente as duas, ou em família, era o inglês que usávamos para nos dirigir a ela. Porém, com meu marido falo em português (por preferência nossa), então ela sempre foi acostumada a ouvir os dois idiomas naturalmente.

Se eu tivesse de nomear o nosso método de ensinar eu o chamaria de o método da convivência, rs. Ou, como o chamam nas escolas bilíngues, é o ensino por imersão. Isso significa que sim, eu li livrinhos de palavras em inglês para ela, mas não que eu tenha partido do português para ensinar o inglês. Como eu sempre considerei ser falta de educação falar inglês na frente de pessoas que não falam o idioma, nos momentos fora de casa (ex. na igreja - até os 2 anos da Nicole frequentamos uma igreja brasileira) ou quando estávamos na companhia de outras pessoas, eu me dirigia a ela em português.

Um fator interessante é que por nove meses (dos 18 aos 27 meses), a Nicole frequentou uma escola bilíngue. Ela entrou 3 meses antes de eu ganhar a Alícia e, neste período, só ia 3x por semana, por meio-período. Lá o ensino era por imersão também, mas a verdade é que inglês mesmo ela só ouvia da professora, já que as outras crianças (na turminha dos babies) só falavam em português. Mesmo assim, acredito que a experiência tenha sido válida para ela. No ano seguinte (em 2012), eu a mudei de escola. Ela passou a frequentar uma escola de educação infantil brasileira e, nem por isso, o inglês dela ficou prejudicado. Muito pelo contrário, a fluência dela só melhorou. Ficou mais fácil para ela dividir os idiomas: de manhã / na escola se fala em português, à tarde / em casa se fala inglês, simples assim.

Agora em 2013, ela não está mais em escola alguma, está em casa comigo. Os dois idiomas estão muito bem consolidados na mente dela. Claro que há deslizes e traduções equivocadas que ela faz de vez em quando, mas no geral acho que ela tem uma excelente capacidade de tradução português-inglês e vice-versa. Como sei que tanto para ela quanto para mim, o português é a língua materna, tento me deter mais em atividades em inglês. Leio e conto histórias em inglês, tento mostrar desenhos em inglês, canto músicas em inglês, etc. Mas confesso que não é fácil ficar num idioma só, rsrs. É uma luta interna, principalmente quando não lembro ou não sei como se fala uma determinada palavra.

Bem, mas como eu disse lá em cima, este post é para falar sobre a aquisição de linguagem da Alícia, a minha mais nova. Contei tudo isso, na verdade, para contrastar o histórico das duas e tentar compreender o processo pelo qual ela está passando. Por um lado, o aprendizado da Alícia tem dependido muito mais dos meus estímulos e influência (já que ela nunca foi para escolinha alguma) e, por outro, como a aquisição de fluência da Nicole transcorreu tão bem eu percebo que tenho sido menos rígida com ela, no sentido de não cobrar tanto, praticar menos e, principalmente, me disciplinar para misturar o mínimo os idiomas.

A Alícia não fala tão bem ainda (por causa da pronúncia ruim, às vezes o som que ela diz é muito diferente do que ela pretende que ele seja!), mas já tenta se comunicar com duas palavras ao mesmo tempo (está começando a construir frases). Algo que eu tenho notado é que as palavras que eu intencionalmente ensinei, ela fala em inglês. Já as palavras que ela aprendeu sozinha (que ela fala espontaneamente de ouvir outros dizendo) são geralmente em português. O que isso me faz concluir? Que estou sendo mesmo relaxada e falando bem mais português do que em inglês em casa!! Para a Nicole essa falta de disciplina não é mais tão comprometedora já que ela domina bem os dois idiomas, e sabe ir de um para o outro sem problemas, já para a Alícia que não tem nem um nem outro idioma consolidado ainda, isto pode vir a ser um problema!

Outro ponto muito curioso é a pronúncia dela e a insistência em falar certas palavras em português (apesar de compreendê-las perfeitamente em inglês). Por exemplo, se eu digo: "Lily, where is your foot?" ou "Show me your foot", ela me mostra o pé e diz "Pé", em português!! O mesmo acontece rotineiramente com "daddy", "mommy" e "baby", são palavras que ela não fala de jeito nenhum em inglês. Não sei porque!! Se tiver algum especialista aí lendo este post, não deixe de comentar! Vou até colocar alguns vídeos que meu marido gravou para vocês terem uma ideia mais clara do que estou tentando explicar. É bem engraçado porque parece até que ela está fazendo de propósito, para tirar sarro dele!






Para finalizar o post, segue uma pequena lista de palavras que eu fui anotando nas últimas semanas que sei que ela conhece e tentar usar ao se comunicar! Claro que não consegui anotar todas, mas com essa lista já dá para ter uma ideia de como está o vocabulário dela. Vocês vão reparar que a pronúncia de algumas, principalmente as em português, têm pouco a ver com a palavra em si. Pedi ajuda ao meu marido sobre a forma de representar a pronúncia dela e não concordamos em um monte delas - eu acho que ela fala de um jeito e ele acha que ela fala de outro, rsrs. Mas vamos à lista:

Em Português
- dada (=obrigada)
- côco (=colo)
- oto (=o outro)
- ete (=este)
- ovo (=de novo)
- bô (=acabou)
- Kicky (=Nicky)
- nona (=danoninho)
- pá / pato (=sapato)
- au au (serve para qualquer animal)
- toto (=gostoso)
- Nana (nome da boneca, pode ser banana tb)
- pei (=espera/pare)

In English
- peese (=please)
- bye bye
- wawa (=water/shower)
- poo poo
- oo (=shoe/juice)
- apple (may mean other fruit too)
- more
- bib
- ball
- boh (=book)
- poon (=spoon)
- ep (=help)
- nee (=me)
- mine
- meh (=milk)
- puhple (=purple)
- why (=white)
- cuh (=cover)

Bem, por hoje é só. Espero conseguir voltar dentro de alguns dias para fazer o update de 1 ano e 10 meses dela. Um abraço!

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

1 ano e 8 meses de Alícia!


Faz dois dias que a Alícia completou 1 ano e 8 meses e hoje mesmo meu marido comentou que não temos mais uma bebê em casa. Ela cresceu e já é uma menininha! A foto acima é dela cortando o cabelo no fim do ano passado. Foi o seu segundo corte e, como da primeira vez, ela foi paciente e se comportou muito bem.


Outra novidade é que no mês passado ela também foi à praia pela primeira vez! Ficamos apenas dois dias e choveu muito. Diferente da Nicole que foi à praia pela primeira vez com 1 ano e 1 mês e mal andava mas já queria de todo jeito entrar na água sozinha (correndo!), a Alícia não quis saber de brincar na água do mar. Só gostou de brincar na areia ao lado da irmã. Isso porque desta vez a Nicole também ficou medo das ondas e preferiu os brinquedinhos na areia.


Do berço para a cama
Como agora ela é uma "little girl", meu marido achou que nós já poderíamos promovê-la do berço para a cama. Eu achei meio precoce porque ela não está tão obediente ainda (apesar de a transição do berço pra cama com a Nicole ter sido até mais cedo por causa da preparação para o nascimento da irmã), e também um pouco repentino já que com a Nicole eu fui acostumando-a com a cama aos poucos, começando pelas sonecas da tarde. Mas, como eu amo mudanças de ambiente (sou do tipo que fica mudando os móveis de lugar, hehe) e a ideia de ter mais espaço no quarto delas me agradou bastante, eu topei sem pensar muito. Então desmontamos o berço e hoje ela já dormiu na parte debaixo da bicama da Nicole. A princípio, enquanto arrumávamos tudo foi uma agitação que só, as duas deliraram com a "cama nova", mas na hora de dormir foi um pequeno caos, agravado pelo fato de que todas as Nanas (bonecas de dormir) da Alícia estavam de molho (algumas por estarem encardidas e outras porque molharam de xixi agora que ela pegou a mania de tirar a fralda sozinha quando está no berço, acho que por causa do calor!) e ela não quis nenhuma das Nanas da Nicole emprestada. Bem, no próximo post eu comento como foi essa adaptação, por ora vamos às demais novidades.

Dentição e Alimentação
O sexto dentinho já saiu, mas ainda não está no mesmo tamanho dos demais. Em todo o caso, agora ela tem 4 dentes em cima e 2 embaixo! A dentição dessa vez atrapalhou um pouco a alimentação, talvez porque coincidiu com um resfriado que ela teve - com direito a tosse, nariz entupido e febre. Até o sono ficou prejudicado! De qualquer maneira, percebi que a gengiva estava coçando e incomodando bastante, além da baba e dela colocar a mão toda dentro da boca com muita frequência. Resgatei os mordedores que estavam guardados e ela se interessou pelo mordedor em formato de pé. Ele foi bastante útil. Também passava Nene Dent na gengiva dela quando me lembrava.

Rotina e Horários
Estamos acordando um pouco mais tarde agora - 6:45 em vez de 6:00. Mesmo que as meninas acordem antes (o que às vezes ainda acontece), a regra é que elas fiquem em suas próprias camas até o despertador tocar (minha casa é pequena então elas conseguem ouvir o alarme tocando do meu quarto). A Nicole sabe como funciona e costuma obedecer (embora tenha seus deslizes vez ou outra), agora quero ver com a Alícia  amanhã cedo... no próximo post eu conto como foi!

Outra mudança na rotina é que pulei o lanche da manhã para poder dar o almoço mais cedo. A Alícia tira uma única soneca por dia, entre 12:00 e 15:00. Sirvo o almoço por volta das 11:15. O lanche da tarde (que elas tomam assim que acordam) é bem leve para não atrapalhar o jantar que também é bem cedo (17:15) por causa da minha ida para a faculdade à noite (preciso sair por volta das 18:15). O Douglas fica com as meninas à noite e, além do leitinho pra dormir, eu estou combinando com ele de dar mais alguma coisa para elas comerem antes de deitarem (às 19:00-19:30) porque senão ficarão muitas horas em jejum.

Toilet-training (processo de desfraldamento)
Estou com preguiça de voltar "com tudo" ao treinamento para tirar a fralda, preciso ser mais consistente! O primeiro impeditivo foi o tempo chuvoso dos últimos meses que atrapalhou muito. Depois teve nossas viagens que também bagunçaram o processo. O problema é que com isso a Alícia ainda não fez xixi nenhuma vez no vaso. Cocô ela faz se a levarmos, mas xixi não. Quando a gente percebe que ela está se concentrando um de nós corre com ela para o banheiro, mas com o xixi ainda não tivemos êxito. Difícil, né! Ela fica sentada lá e nada, só para alguns momentos depois fazer xixi no chão em algum lugar da casa. O bom é que ela já está percebendo e diz "Uh-oh". Outro sinal é que a fralda já a está incomodando. Algumas vezes ela chegou a resistir quando eu a colocava nela e já aprendeu também a soltar os adesivos (como nos incidentes de molhar a cama durante a soneca, que já aconteceu duas vezes).

Linguagem e Desenvolvimento
A Alícia ainda não pronuncia muito bem os sons, mas está se interessando mais em repetir as palavras. Ela não consegue dizer Nicky e a pronúncia sai Kicky, uma gracinha. Já em termos de compreensão, ela está ótima - compreende bem os dois idiomas e obedece a comandos simples. Ela também continua usando os sinais que nós ensinamos, embora esteja na hora de eu exigir que ela pronuncie a palavra para praticar. Preciso me policiar para ser mais proativa nesse sentido porque na correria do dia-a-dia a gente acaba compreendendo o que a criança quer sem ela precisar falar e, na pressa, a gente faz o que sabe que ela quer e pronto, em vez de parar e usar aquele momento oportuno para ensiná-la e ajudá-la a se comunicar verbalmente e da forma apropriada (sem choramingar, por exemplo).

Com relação ao bilinguismo, percebi algo curioso. Falo mais em inglês do que em português com elas em casa, mas não são tão disciplinada a ponto de não misturar ambos (às vezes na mesma frase). Às vezes quando peço para a Alícia repetir o som de alguma palavra em inglês, ela traduz para o português! Será que isso é normal?! Por exemplo, eu digo: "Lily, say mommy". Ela diz: mamãe. "Lily, say daddy". Ela diz: papai.

Quanto ao desenvolvimento cognitivo, comecei a ensinar as cores para ela agora. As partes do corpo que ela já conhece (em inglês) ela sabe apontar em si, nas outras pessoas e também nas figuras dos livrinhos. Por exemplo: olhos, boca, nariz, orelha, cabeça, cabelo, barriga, mãos e pés. Os animais por enquanto ela só imita o som que cada um faz, isso depois que eu fiz o som pra ela porque pra ela todo animal é o "au au".

Temperamento e Relacionamento com a Irmã
Felizmente sinto que a Alícia voltou a ser a nossa filha serena. Se vivêssemos em tempos bíblicos e tivéssemos esperado ela nascer para então decidir o seu nome, acho que ela teria se chamado Serena! Ela que sempre fora um bebê doce e tranquilo passou por uma fase bem chorona e birrenta (com muitos acessos de raiva!), mas agora está no seu normal de novo. Não sei bem o que mudou, suspeito que tenha sido algum tipo de carência emocional porque o remédio foi dar doses extras de carinho e atenção. Ela também está cheia de gracinhas (aprendeu a fingir que está chorando, de brincadeira, às vezes para fazer a gente rir e às vezes para manipular mesmo), ama distribuir sorrisos e está naquela fase em que é o centro das atenções por onde passa (as pessoas param para brincar com ela). No mais, ela e a irmã têm se relacionado bem. É uma das minhas maiores alegrias ouvi-las gargalhando juntas quando estão brincando. É claro que nem tudo são flores, há os momentos de tensão e desentendimento, mas no geral as duas têm aprendido a ceder quando é preciso e a ser amorosa uma com a outra.

O mais engraçado é ver como a Alícia se espelha na irmã, imitando absolutamente TUDO o que ela faz. Tudo mesmo. Se a Nicole senta, ela senta; se a Nicole levanta, ela levanta; se a Nicole mexe no cabelo, cruza os pés, grita, corre, o que for, a Alícia fica de olho para fazer igual. Ela é a sombra da Nicole! E o inverso para algumas coisas é verdadeiro, às vezes a Nicole gosta de imitar a Alícia, fingindo que não sabe pronunciar direito algumas palavras ou que não consegue falar frases mais longas.


Obediência e Autocontrole
Ainda estamos trabalhando nesta área. Eu estou me empenhando em ensiná-la a obedecer da primeira vez. Não é tarefa simples porque você não pode ser inconstante (uma hora corrige, outra deixa passar) e com duas crianças pra cuidar e um monte de preocupações diárias, muitas vezes falho como mãe. Deixo de priorizar o que é realmente importante. Falho não somente porque não a corrijo na hora e fico repetindo a mesma instrução um zilhão de vezes, mas principalmente porque como esse processo todo é estressante demais eu acabo deixando meu coração se encher de ira e frustração. E mamães iradas e frustradas não são boas mães! Estando irada e frustrada eu não consigo educar com amor e respeito, esbravejo continuamente e perco a alegria de cumprir minha missão porque, como está escrito em Tiago 1:20, a ira do homem não produz a justiça de Deus. Eu lembro que alguns anos atrás ouvia uma vizinha que não conheço gritar com os filhos o dia todo e eu achava tão feio, pensava "nunca vou fazer isso", mas em alguns dias me pego fazendo o mesmo, sendo uma mãe zangada e estressada. Tenho cada vez mais aprendido que para ser uma boa mãe preciso me despir de mim mesma, admitir que sozinha eu não dou conta e que preciso da GRAÇA e da MISERICÓRDIA de Deus diariamente. Afinal, como ensinar autocontrole se eu não o exercito? Como ensinar submissão se meu espírito está insubmisso? Como ensinar a compaixão e o amor sem exemplificá-los? Compartilhei com lágrimas nos olhos e o coração contrito esta manhã para o meu marido como a maternidade está revelando o que há de pior dentro de mim. Como sou imperfeita, tão cheia de falhas e defeitos! Aquilo que antes ficava escondido quando eu trabalhava fora e era "todo sorrisos" está vindo à tona. Entre adultos no ambiente profissional era muito fácil varrer para debaixo do tapete as minhas fragilidades, mas em casa com as crianças meus defeitos ficam tão evidentes! E Deus deseja ensinar-me, deseja me disciplinar porque me ama e porque sou sua filha. No fim de semana do feriado participei de um retiro espiritual e a palavra que mais me impactou nos estudos que fizemos (o tema era "Vivendo os sonhos de Deus") foi a mensagem de que Deus sonhou com a nossa santificação (= regeneração / transformação). No episódio de João 13 em que Jesus lava os pés dos discípulos, quando Pedro se nega a deixar Jesus lavar-lhe os pés, Ele responde: "Se eu não os lavar, você não terá parte comigo" (v. 8). Às vezes como Pedro, não queremos tirar as sandálias e expôr nossa sujeira, queremos deixar o chulé ali escondidinho, mas Jesus não se contenta apenas com a nossa salvação (corpo limpo), Ele quer os pés limpos também (santificação).

Bem, por hoje é só. Quem quiser acompanhar os últimos updates da Alícia, é só clicar abaixo.

1 ano e 6 meses de Alícia!
1 ano e 4 meses de Alícia!
1 ano e 2 meses de Alícia!
12 meses de Alícia!

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

O incrível mundo dos "toddlers"!

Você conhece a expressão toddler? Em seu livro, "On Becoming Toddlerwise", Gary Ezzo e Robert Buckman tratam justamente dessa fase, o 2º e 3º anos de vida da criança, mais particularmente dos 12 a 24 meses. Todderlhood refere-se àquela fase de vida em que nossos bebês deixam de ser bebês stricto senso, e começam andar, falar e explorar tudo ao seu redor! A Alícia se encaixa exatamente nesta fase (completou 1 ano e 3 meses esta semana). É uma fase deliciosa, mas também - sem dúvida - muito cansativa. Por isso, resolvi mergulhar novamente na leitura deste livro porque senti que estava precisando relembrar alguns conceitos e princípios para poder me inspirar e me focar novamente!

Hoje quero compartilhar somente alguns dos conceitos que os autores trabalham nos dois primeiros capítulos do livro. Apenas como pano de fundo para quem nunca ouviu falar desta série, este é o 4º livro do "On Becoming Series" (também conhecida como "The Wise Series") e este livro, em particular, não chegou a ser traduzido para o português. Há muitos anos, a Editora Mundo Cristão traduziu o 2º e 3º livros da mesma série e intitulou-os "Nana Nenê" e "Além do Nana Nenê" (em inglês os títulos originais são "On Becoming Babywise" e "On Becoming Babywise II"). Caso você seja nova por aqui talvez não saiba que foram estes dois livros que nos impulsionaram a começar o blog! Outro detalhe é que existe também o 1º livro da série que não foi publicado no Brasil, chama-se "On Becoming Birthwise". Eu soube recentemente que a Universidade da Família oferece um curso pautado justamente nos princípios deste material. Se você está grávida ou conhece alguém que esteja, eu recomendo o curso "Preparação para a Chegada do Bebê"!

Recomendo mesmo! Como minha amiga Cristine perguntou num post, você não acha curioso que enquanto sociedade achamos necessário estudar anos e anos para nos formarmos nas mais variadas profissões, mas quando se trata de nos prepararmos para sermos mães ou pais, não lemos um livro sequer e não buscamos qualquer conhecimento na área? Nos contentamos com o senso comum e com o que vemos as pessoas ao redor fazerem. A maioria de nós não se interessa em se inteirar sobre as diferentes filosofias de educação de bebês e crianças, não procura refletir sobre como quer criar o próprio filho e, o que me deixa ainda mais preocupada, não discute nada disso com o cônjuge, o principal parceiro e influenciador direto desta criança que está pra nascer!! Na minha opinião, se preocupar excessivamente com a decoração do quarto do bebê, com as roupinhas e todos os itens e apetrechos que não podem faltar, por mais delicioso que seja fazer isso durante a gestação, é esquecer do que é mais importante na maternidade: a educação dos nossos filhos, a qualidade da relações dentro do lar e o tipo de pessoas queremos que eles se desenvolvam para ser!

Dito tudo isso, agora sim vamos a um pequeno resumo do começo do livro. = )

Capítulo 1 - O que tem dentro do pacote
O livro começa comparando o trabalho de um pai e o de uma mãe ao de um jardineiro. O jardineiro não cria suas plantas, ele não tem o poder da vida e nem o da beleza que cada flor irradia. Mas ele conhece o ambiente, sabe quanto de luz solar e umidade são necessários para que todo tipo de planta desabroche e se desenvolva. Assim como o jardineiro, os pais não são os arquitetos e nem a fonte da vida dos filhos, mas são os guardiões dela, são os responsáveis por cuidar dos filhos, protegê-los, ensiná-los, estimulá-los, etc.

O livro continua falando das principais influências que contribuem para moldar quem esta criança se tornará. Ele cita uma frase de H.H. Horne, em seu livro "Idealism in Education", que diz: "Genética determina a capacidade, o ambiente proporciona a oportunidade e a personalidade reconhece a capacidade e melhora a oportunidade" (tradução e ênfase minha).

Genética
Para reconhecer e otimizar os talentos de cada filho (seus dons naturais, recebidos geneticamente), os autores sugerem que é necessário três posturas por parte dos pais. A primeira postura diz respeito à própria percepção deles ao observar e considerar características marcantes de pessoas da família que podem ter sido passadas geneticamente aos filhos. Por exemplo, se houver casos de pessoas talentosas musicalmente na família é bem possível que este dom tenha sido passado geneticamente à criança também, então seria uma boa ideia colocá-la para aprender a tocar algum instrumento musical e descobrir se esta facilidade foi herdada. Um dado que achei interessante pensar é que 1/2 (ou 50%) da genética de cada pessoa é herdada dos pais, 1/4 (ou 25%) herdada dos quatro avós e 1/8 (12,5%) herdada dos oito bisavós?! A segunda postura apontada é a necessidade dos pais pensarem numa educação global (em inglês: "parent the whole child"). Ou seja, que adianta seu filho ter potencial para ser um gênio, se ele não sabe brincar sozinho? Ou então ter talento para ser um super atleta, mas não ter delicadeza para brincar com a irmãzinha? Nas palavras dos autores, "Muito embora qualquer atitude desfavorável por parte dos pais possa trazer prejuízos ruins para a criança, a atitude que mais prejudica e tem efeitos mais duradouros é o conceito de produzir o filho dos sonhos" (p. 16 - tradução minha), ou seja, forçá-la a se encaixar no seu perfil ideal de filho pode prejudicar o potencial genético do seu filho à medida em que gera pressão emocional excessiva nele e o impede de viver uma série de experiências normais para a infância. A terceira postura diz respeito ao fato de que nenhuma característica genética, por mais brilhante que seja, pode ser amadurecida e desenvolvida sem as disciplinas básicas da vida. Ser um excelente escritor vai ser impossível se o seu filho não desenvolver a capacidade de sentar e ficar quieto para poder concentrar-se para ler. Aulas de piano se tornarão uma batalha sem fim se o seu filho não desenvolver paciência e perseverança para praticar. Mesmo um atleta excepcional não chega ao topo apenas porque é habilidoso, e sim porque aprendeu a ouvir e seguir instruções de seus mentores. Aprender a ouvir uma instrução já é meio caminho andado no processo de educar os filhos - quanto seu filho hoje já é capaz de ouvir suas instruções e obedecê-las?

O resumo da ópera é este: a criança não vai aprender enquanto ela não estiver pronta para aprender e ela não vai conseguir dominar nenhuma habilidade sem o importante recurso do "auto-controle". Isto significa que, independente de quais sejam as aptidões naturais do seu filho, elas deverão ser cultivadas e trabalhadas dentro do contexto natural da infância e do treinamento infantil. Como na jardinagem, sementes boas plantadas em solo ruim não produzirão plantas saudáveis - as sementes podem até germinar e crescer rapidamente, mas logo irão murchar por falta de fertilizantes adequados!

Ambiente
Você já parou para pensar que o ambiente de educação que você proporciona aos seus filhos (os tipos de estímulos, os valores impregnados nas decisões que você toma, os critérios que você usa quando diz 'sim' ou 'não', etc.) moldam os hábitos do coração deles? Nas palavras dos autores, "As decisões que você toma hoje, as crenças que impulsionam suas decisões e os pressupostos de educação que você valoriza podem e irão afetar as gerações futuras" (p. 17 - tradução minha).

Personalidade
Normalmente há uma confusão com o significado do termo personalidade e muita gente crê que personalidade é algo que não muda, que a pessoa é assim e pronto. Porém, na definição dos autores, personalidade é a soma de três variáveis: genética, ambiente e temperamento. Desta forma, temperamento é a variável da personalidade do ser humano que outras pessoas não podem mudar. Você pode procurar conhecer e entender o temperamento do seu filho, e pode até tomar atitudes que cooperem com este determinado temperamento, porém você não pode alterá-lo. Você também não pode alterar as influências genéticas sobre os seus filhos, mas pode minimizar propensões negativas, fortalecer as positivas, etc. Das três variáveis citadas acima, advinha qual é a única área sobre a qual você, como pai, tem enorme influência na formação da personalidade dos seus filhos? Isto mesmo, o ambiente! E isto tem tudo a ver com estímulos para o aprendizado. E que aqui fique claro que não estamos falando de escolarização, pois educação e escolarização não são a mesma coisa. A educação de que estamos falando aqui diz respeito a três áreas vitais em que nos esforçamos para ensinar nossos filhos: moralidade, saúde & segurança e habilidades para a vida. Veremos abaixo alguns exemplos a que se refere cada uma.

Moralidade - Ensiná-lo a ser bondoso, generoso, paciente, responsável, etc.
Saúde & Segurança - Ensiná-lo a escovar os dentes, tomar banho, cuidar da higiene pessoal, etc.
Habilidades para a Vida - Ensiná-lo a raciocinar e usar a lógica para tomar boas decisões, etc.

Capítulo 2 - A criança falante, que anda e é curiosa
Neste capítulo, os autores focam nas múltiplas possibilidades que se apresentam à criança quando ela começa a andar. Eles lembram que a mobilidade é um dos marcos mais importantes dessa fase e ressaltam ainda que a união da mobilidade com a curiosidade são a essência do toddlerhood. Sim, todo toddler é uma criança curiosa e exploradora! E a mãe do toddler, bem... uma mulher cansada (hehe, me sinto assim!). Com novas perspectivas de exploração para a criança, a mãe do toddler logo perceberá que nenhuma outra fase da sua vida exigirá tanto tempo, energia e paciência. Aqui vale copiar um trecho que achei engraçado do livro: "Se deixado solto, sem preocupação com questões morais ou de segurança, essa pequena criaturinha consegue em segundos esvaziar um estante inteira de livros, fazer uma chamada para Hong Kong pelo celular do pai, beber água do prato do passarinho, espirrar água de dentro do vaso sanitário, beber as últimas gotas da latinha de refrigerante, sair correndo da cozinha com uma faca nas mãos, ou tirar um cochilo na casinha do cachorro - que, considerando todos as outras façanhas, seria algo positivo (...) A energia emocional e física necessárias para supervisionar uma criançazinha ligada no 220 conseguem drenar as energias até daquela mãe que está super em forma. E se seu toddler for um menino, acrescente outros 50% de energia. Nunca uma criança fica tão bonita para sua mãe exausta do que quando está de olhos fechados dormindo " (p. 23 - tradução minha)! Hilário, não? Se você está vivendo a exata situação descrita em cima, em vez de sentar e chorar, sorria - você tem um toddler em casa! E como todas as outras, esta fase passa. Então procure conhecer as variáveis em questão e tirar o melhor proveito delas, até porque eu acredito que como você lidar com a situação agora implicará na qualidade da fase seguinte.

Por conta da curiosidade natural para esta fase, muitos conflitos de vontade entre mãe e filho (qual prevalecerá?) acontecerão. E é aqui que o cerco estreita! A curiosidade é necessária porque ela é a propulsora para a imaginação da criança. Entre os 2 e 3 anos, a curiosidade ficará menos forte e será a imaginação que ganhará força. Isto significa que a curiosidade não deve ser reprimida! Por outro lado, precisamos entender - conforme explicam os autores - que a curiosidade não é um fim em si mesmo e que, além disso, ela não tem proveito sem supervisão de um adulto. Ou seja, a ação dos pais não deve ser a de negar ou reprimir a curiosidade da criança, mas de administrá-la. Os autores defendem veementemente que conceder liberdades ilimitadas à criança como forma de estimular sua curiosidade não é uma administração proveitosa - pelo contrário, é uma forma negativa de cultivar a mente da criança.

A curiosidade é apenas o primeiro passo para o processo infantil da descoberta. Associada a ela estão a concentração e a investigação. Todas as três são necessárias para o aprendizado. O processo é mais ou menos este: a curiosidade atrai a criança para determinado objeto, a concentração mantém sua atenção voltada para ele, e a investigação permite a ela a euforia e alegria da descoberta e do aprendizado. Como se percebe, a curiosidade em si não é a professora da criança - ela é a propulsora, ou o veículo que o conduz, ao ambiente com o potencial para o aprendizado. E aqui uma explicação se faz necessária para compreendermos ainda melhor todo este processo da descoberta: a principal característica do estímulo que atrai a curiosidade da criança é a novidade. Isso significa que depois que determinado brinquedo ou objeto deixou de ser novidade, ou seja, quando não há mais desafio porque ficou fácil manuseá-lo, por exemplo, o interesse da criança (a curiosidade) se dissipa. Use esta característica para sua vantagem! Como?

Como administrar situações potencialmente perigosas ou não saudáveis para a criança? Em vez de reprimir a curiosidade da criança ou procurar distraí-la, a sugestão é ir pelo caminho da substituição. Os autores dão vários exemplos práticos. Um deles é como matar a curiosidade da criança que quer brincar de abrir e fechar o tampo do vaso sanitário e bater as mãozinhas na água, se molhando no processo. Uma cena de deixar qualquer mãe de cabelo em pé! Neste caso, o local é secundário para a criança (mas primário para a mãe!), então por que não encher de água um recipiente com tampa e colocar no quintal para ela brincar?

O capítulo encerra com o lembrete de que em todo o processo de guiar e orientar nossos filhos, a chave será sempre o equilíbrio. O desafio é não ir para nenhum dos dois extremos - proibir tudo ou permitir tudo. Nas palavras dos autores, "Você não vai conseguir evitar que seu filho se desaponte, e nem deve pensar que é sua responsabilidade fazê-lo. Pelo contrário, deve treinar seu filho para lidar com os desapontamentos. É impossível criar ambientes livres de conflito porque a natureza da criança, seus padrões de crescimento e as expectativas dos pais irão criar conflitos. Aprenda a lidar com eles. Entre os 12 e 24 meses, os conflitos devem ser administrados, não censurados" (p. 28 - tradução minha).

Bem, pessoal, por hoje é só. À medida que eu for relendo os próximos capítulos, voltarei aqui para publicar mais. Espero que as reflexões acima tenham sido norteadoras para você, mamãe de um toddler!!

domingo, 2 de setembro de 2012

3 anos de Nicole!


A Nicole completou 3 anos esta semana e eu vim contar como estão as coisas já que o último update sobre ela foi publicado há seis meses. Primeiramente, queria dizer que está sendo uma fase deliciosa para mim! As outras também foram, claro, mas parece que esta está ainda mais especial. Deve ser porque sempre que eu imaginava como seria ter filhos, me via justamente com crianças mais ou menos desta idade em que a Nicole está hoje. E aqui vou fazer uma confissão: acreditem se quiser, mas eu nunca sonhei muito com ter e cuidar de um bebezinho recém-nascido, haha! Eu não era como as mulheres que se derretem toda quando veem um bebê e já querem logo pegá-lo no colo. Engraçado, né? Principalmente porque hoje escrevo num blog sobre maternidade que começou com este foco de treinar o bebê desde o primeiro dia!

Vou tentar fazer um breve relato, por partes, daquilo que acho que vale ressaltar:

Sono
As noites têm sido tranquilas (11 horas de sono ininterrupto pelo menos, aproximadamente das 19:00 às 6:00) e, de alguns meses para cá, a frequência das sonecas da tarde diminuiu de todo dia para 4 ou 5 vezes por semana. Há dias em que eu a deixo "pular a soneca" (das 13:00 às 15:00 ou 16:00) e fazer alguma outra atividade mais "tranquila" durante esse período (como assistir a um desenho, ler seus livrinhos, desenhar), pois tenho percebido que ela não está mais precisando dormir tanto. Na maioria das vezes, quando ela insiste muito que não quer dormir, eu estabeleço que ela tem de ficar deitadinha descansando na cama por 40 min a 1 hora e, mesmo que ela não durma, sei que esse tempinho é bom para ela renovar as energias. Como disse acima, isto não acontece sempre, apenas 2 ou 3 vezes por semana (incluindo os domingos).

Alimentação
Ela está se alimentando bem! Com uma mistura de alívio e orgulho em vista do progresso nos últimos 18 meses, arrisco dizer que praticamente superamos a fase "picky eater" da Nicole!! Se quiser saber sobre os problemas que tivemos, leia o post Alimentação a partir dos 12 meses - aprendendo com os erros. Ela continua sendo uma criança relativamente pequena e magra, mas ela come de tudo - legumes e verduras, inclusive (não necessariamente de bom grado toda vez, rs). Uma observação importante é que ela come devagar, beeem devagar, sem pressa alguma! Se deixar, ela fica com a comida na boca sem mastigar um tempão e por isso ainda estamos trabalhando esta dificuldade com ela. Porém, o mais importante e o que eu valorizo muito é que ela conseguiu superar muito de seus "pré conceitos" com relação a qualquer alimento que não seja o arroz/feijão/carne (que ela adora) de todo dia! Sério, ela fazia cara de nojo para qualquer outro tipo de refeição que não fosse essa composição habitual, não gostava de massas, pães, enfim, não queria nem experimentar. Sinto que está cada vez mais facil para ela aceitar (sem reclamar) de que precisa comer um pouquinho de tudo o que eu preparar (isto mesmo: todos os legumes ou verduras/saladas também). Já as frutas nunca foram um problema para ela. Ela come fruta no café da manhã, leva fruta de lanche para a escola e, às vezes, come também de lanche da tarde. Ela gosta de todas!

Comportamento
Meu marido já comentou muitas vezes no último ano como a Nicole não parecia ter somente pouco mais de 2 anos de idade. Há momentos em que ela é tão madura, amável e obediente!! E isto fica ainda mais saliente agora que podemos comparar o seu comportamento com o da irmã (de apenas 1 ano e 2 meses) que está no início deste processo de disciplina e correção (e que resiste a submeter-se à autoridade dos pais). Não posso deixar de pensar como o fato dela ser obediente em 80% (ou mais) do tempo contribui MUITO para curtirmos não somente nossos momentos juntas como mãe e filha - mas, principalmente, os momentos em família e no relacionamento com outras pessoas quando estamos em público. Fico cada vez mais convencida da sabedoria que há nas Escrituras, como o texto de Provérbios 29:15. Sei por experiência o que é passar vergonha em público por algum mau comportamento dela (por exemplo, virar o rosto quando alguém vem todo simpático cumprimentá-la!), mas também já experimentei as alegrias que perseverar em corrigi-la com a vara da disciplina, em amor, trazem! Um dos segredos, sem dúvidas, é aplicar a "educação diretiva", compreendendo o conceito de "criar dentro do funil" (Ezzos). Até hoje, por exemplo, a Nicole não tem permissão de sair da cama sozinha ao acordar. As liberdades nós damos à medida em que ela está pronta para usá-las com responsabilidade, ou seja, quando desenvolveu um nível satisfatório de autocontrole (para ler mais sobre este assunto, clique nos posts: Desenvolvimento do autocontrole, Eduque, não reeduque! e Comportamento e Mobilidade).

Hoje em dia uma das minhas maiores ALEGRIAS como mãe é colher os frutos das boas sementes plantadas (arduamente, devo acrescentar) até aqui! E, acredite, arduamente mesmo! Ser uma mãe proativa é remar contra a correnteza do mais cômodo, é tomar uma postura contra a inércia, é antecipar, prever, planejar. É não ficar parada esperando e apenas reagindo às situações que aparecem. Sim, é um processo árduo, mas também muito recompensador porque não é apenas a criança que se desenvolve e aprende, nós também crescemos e nos tornamos pessoas melhores. Por isso, aqui venho encarecidamente pedir a você, mamãe leitora, de não cair no engano (que é muito comum) de pensar "Ai, como ela é sortuda: a filha dela é boazinha e obedece" ou "Se meu filho também fosse assim seria muito fácil, mas eu não tive a mesma sorte". Não é sorte!! Em vez de pensar assim, corra atrás de conhecimento que possa auxiliá-la na sua tarefa de educar. É difícil, eu sei, mas Deus honra os nossos esforços, renova as nossas forças e nos dá novas estratégias para cada situação porque, afinal, Ele é o maior interessado de nos ver prosperar neste intento de criar filhos segundo o Seu coração e edificar uma família unida. Quem acompanha o blog há mais tempo com certeza já percebeu que eu sou fã do livro do Tedd Tripp chamado "Pastoreando o Coração da Criança" (você encontra resumos dele neste blog) e sabe que eu também recomendo o curso "Educação de Filhos À Maneira de Deus" (que é oferecido pela UDF - saiba mais)!

Linguagem
A fluência da Nicole nos dois idiomas - português e inglês - melhorou muito. Bem, pelo menos na minha concepção, ela fala os dois idiomas muito bem! Estou muito contente por isto. Lembro-me de que, exatamente um ano atrás, eu me sentia desorientada com relação a este processo todo da aquisição de fluência, temendo que ela não fosse aprender direito nem um nem outro porque eu misturava os dois idiomas em casa. Mas não, ela sabe distinguir os dois e já entendeu, inconscientemente, que na igreja e em casa nós nos comunicamos em inglês, mas que na escola e em outros ambientes nós nos comunicamos em português. Isto é especialmente bom porque o fato dela falar bem o inglês vai me ajudar a ensiná-lo à Alícia também.

Como professora de inglês por vocação, esta é uma área que me fascina! Até a chegada das meninas, minha experiência de ensinar inglês sempre fora com o público adulto. Embora esteja sendo uma experiência inusitada para mim, estou descobrindo muitas semelhanças no processo de aquisição da fluência da Nicole e dos alunos com quem tive contato durante os meus quase 15 anos de experiência nesta área! Por isto, apenas para fins de curiosidade, vou registrar alguns erros de estrutura em inglês (e também em português) que a vejo cometer.
  • Não conseguir conjugar os verbos no passado muito bem ainda e confudir os pronomes "he/him" e "she/her". Quando ela quer me dizer que a irmã levantou do berço, por exemplo, em vez de dizer: "She got up", ela diz "Her get up". Eu acho que erros deste tipo (de conjugação) são bem comuns entre crianças que estão aprendendo a falar. E ela faz isto em português também, outro dia mesmo disse: "Eu já bebei, mãe" e esta manhã perguntou: "Onde você fazeu isso, pai?".
  • Ainda falando em pronomes, houve uma época em que, em português, todas as pessoas para ela eram "ELE". Muito curioso! Ela não conhecia ou sabia usar os outros pronomes em português. Quando ela fazia isso, eu brincava que ela era minha "gringazinha", rs.
  • Em inglês percebo que isso ainda acontece quando ela quer dizer "sozinha" e, em vez de dizer "by myself", ela fala "by yourself" (que pra ela serve para todas as pessoas). Deduzo que isto acontece como resultado dela automaticamente reproduzir aquilo que me ouve dizer - por exemplo, quando eu digo "Can you do it by yourself?"- e ela não sabe que tem de mudar a pessoa na hora de responder.
  • Acho muito curioso que quando ela quer dizer "Não consigo fazer" em inglês, ela fala "No can do it" e o "Não quero isso" dela fica "I no want it"! Esses erros seguem a mesma lógica de tradução de alguém que já tem a estrutura da língua bem sendimentada em português usa quando está aprendendo o inglês, rs! Seguindo essa tendência de traduzir ao 'pé da letra', ela diz "Give for me" em vez de "Give it to me". E, ainda, usa o "yet" significando "ainda" no lugar de "still" em frases afirmativas (por exemplo, "I'm eating yet"). Minha teoria é que ela costumeiramente me ouviu fazer perguntas com o "yet" - como por exemplo "Did you finish yet?" - e deduziu que "yet" é "ainda" e pronto.
  • Já em relação à vocabulário, ela sabe bastante coisa e aprende com facilidade - está sempre nos surpreendendo com palavras novas! Geralmente meu marido e eu nos entreolhamos como quem diz "Uau, ela sabe isto!", haha. :) Há outras estruturas que ela domina bem, como o uso do gerúndio e da 3a pessoa no presente (no afirmativo apenas, já ela não domina o uso do auxiliar ainda), o que não deixa de ser algo fantástico.
Emoções
Como já comentei, a fase em que a Nicole está hoje é muito gostosa porque ela consegue conversar e interagir com as pessoas e entende muito mais o que acontece ao seu redor. Acho a lógica do pensamento infantil extraordinária! Quem não se diverte com as perguntas inteligentes ou frases engraçadas que criança nesta idade diz?! Estou amando acompanhar de perto como a capacidade de raciocínio dela se desenvolve, responder às suas muitas dúvidas (ela é uma tagarela!!), perceber quais são suas curiosidades, seus medos, sua relação afetiva com as pessoas, ensiná-la sobre os princípios de Deus para o convívio em sociedade, a bênção da submissão, do respeito e da honra, enfim, ter o privilégio de pastorear o seu coração (suas emoções), ajudando a compreender o que sente e como lidar com todas essas emoções.

Um exemplo de sua sensibilidade para com o que acontece ao seu redor aconteceu hoje. Estávamos saindo da igreja e nos dirigindo ao carro para ir pra casa quando vimos uma moradora de rua deitada na calçada. A Nicole olhou para aquela pessoa ali há alguns metros de nós e foi logo me perguntando quem era aquela pessoa e onde estava a mamãe dela! Falei que ela provavelmente havia perdido sua mamãe e que por isto ela estava ali, e ela pensativa se pôs a me fazer mais perguntas (sobre onde era a casa dela, se ela tinha cama pra dormir, etc). O fato da mulher estar ali naquela condição mexeu com ela! Já reparei também como certas cenas de desenho infantil a comovem ou perturbam. Vou citar dois em particular que me lembro agora, ambos do Veggie Tales. Na história sobre Moisés ainda bebê deixado no rio, ela chora quando a correnteza o leva para longe da irmã. Nessa hora eu normalmente tenho de ficar ali perto dela e abraçá-la, ou simplesmente pulo a cena. Em outra história ela se apavora quando o espírito fantasmagórico da avó de um dos personagens sai de um retrato pendurado na parede (é uma visão que o personagem tem)! Ah, acabei de me lembrar outro desenho - um dia ela estava na casa da minha mãe e estava passando Shrek. Não sei qual cena foi, mas minha mãe contou que ela ficou aflita, apontando para a TV e dizendo que estava com medo.

Outro exemplo de sua sensibilidade está no relacionamento com a irmã. E não posso expressar como ver as duas se dando bem enche meu coração de alegria (Salmo 133)! Claro que já houve momentos tensos de conflito entre elas, mas a Nicole (que antes era muito egoísta e não aceitava dividir seus brinquedos) aos poucos tem aprendido a me imitar no tratamento com a Alícia e a ser carinhosa, protetora, companheira, etc. Ela beija, abraça, cuida e se esforça para fazê-la dar gargalhadas - é muito gostoso de ver! Mesmo contrariada às vezes cede algum brinquedo para dar preferência à irmã e pede desculpas com um beijo quando a machuca (direciono-a a fazer as pazes, mesmo que a Alícia não esteja entendendo nada).

Escola
Como mãe tenho enfrentado um dilema com relação a algumas das atividades especiais que a escola da Nicole organiza. Na verdade, não tenho queixas da escola em si, é um lugar organizado e acolhedor e, embora faça uso de propostas pedagógicas consideradas tradicionais, estou muito satisfeita. Porém, não é uma escola cristã e eu não estou sabendo muito bem como lidar com isto ainda (já que eu estudei num colégio cristão minha vida toda e a escola em que ela estudou no ano passado também era cristã). No início do ano, por exemplo, a escola promoveu uma festinha de carnaval para as crianças e a Nicole não participou. Como pais entendemos que, por mais inocente que esta atividade fosse para as crianças nesta idade, não queríamos "naturalizar" a idéia de uma festa tão contrária aos princípios de Deus (e também morais, de culto ao corpo). Achamos que 'não convinha' ela participar e, portanto, comuniquei a escola com antecedência que ela faltaria neste dia. Para compensar, chamei uma amiguinha da mesma escola (só que mais velha) para vir em casa e as duas brincaram na piscina enquanto nós, mamães, conversávamos, rs. A questão é que quando este evento escolar aconteceu a Nicole era tão nova que ir ou não ir não teve a menor importância para ela! Ela não compreendia o suficiente para saber que tinha perdido uma atividade "legal" com os amigos. E, lembrando agora, na verdade quem "sofreu" mais com isto fui eu quando saíram as fotos do evento no site da escola e minha filha não estava nelas, hehe! Isto foi há mais de seis meses e agora a Nicole já entende muito mais.

E um dia desses ela chegou em casa falando do Parque da Xuxa. Eu não gosto nadinha da Xuxa - mais ou menos pelo menos motivo de não achar o carnaval uma festa inocente: na minha opinião, a Xuxa representa um péssimo modelo a ser seguido, admirado ou valorizado por qualquer sociedade que se preze por seus valores morais!! É tão descarado ela incitando as crianças - principalmente as menininhas - à sensualidade que fico boba que muita gente ache isto normal. Enfim, não é apenas por uma questão cristã, mas moral!! A cena daquelas paquitas dançando e vestidas como prostitutas, na minha opinião, deveria assustar qualquer pai e indigná-lo! Nenhuma mãe deveria permitir que seu filho alimente sua mente e coração com essas ´baixarias´, mesmo as veladas. Bem, mas como dizia, achei esquisito a Nicole falar em Parque da Xuxa, mas só entendi mesmo quando li o comunicado na agenda que dizia que a escola está organizando um passeio para lá. E, por isso, agora estamos num dilema cruel! Não queremos prestigiar a Xuxa investindo dinheiro para que ela fique mais rica do que ainda já é, ou ganhe mais notoriedade. Além disso, há tantos outros parques legais na cidade, tinha de ser justo o da Xuxa?! Outro motivo é que vai ser um passeio de um dia inteiro (das 9:00 às 17:30) e acho cansativo demais para uma criança de apenas 3 anos. Mas, apesar disso, não quero que minha filha se sinta mal no dia seguinte ao evento quando os amiguinhos da escola estiverem comentando a experiência, falando dos brinquedos em que foram, o que comeram, o que fizeram, etc!

É tão difícil saber o que fazer em situações como essas, não é? Se você já passou por alguma experiência semelhante, conte-nos como foi. Quem sabe você me dá uma "luz", rs.

Bem, é isto!

Um abraço, Talita

domingo, 22 de abril de 2012

A importância de ensinar a brincar sozinho

Olá mamães!

Hoje estava pensando neste assunto porque é algo que precisei lembrar a mim mesma, agora com o segundo filho, a Larissa, que aliás já está quase com 2 aninhos!

É nesta idade (na verdade até antes) que começamos a colher muitos dos frutos do que plantamos nos primeiros meses ou ano da vida do nosso bebê. Muitas das coisas que fizemos ou deixamos de fazer quando eles são bebês começam então a comprovar se o que fizemos foi bom ou foi ruim! Às vezes fazer um bebê dormir no colo, balançando, etc, não parece ser tão ruim nos primeiros meses, mas depois que esse bebê está com 1 aninho começamos a nos arrepender quando nossos braços doem ou quando a curiosidade pelo mundo começa a fazer nossos queridos anjinhos testarem muito mais os seus limites! Por isso que o livro Nana Nenê ensina a criarmos nossos filhos dentro do funil (leia mais aqui) - dando liberdade aos poucos para não termos de corrigir tanto depois. Se damos mais limites hoje, amanhã poderemos dar mais liberdade quando nosso filho já estiver maduro para ter essa liberdade. Se damos muita liberdade hoje, poderemos ter problemas mais sérios amanhã, quando decidirmos que precisam de mais limites! Precisamos ensinar hoje pensando no amanhã!

Como estava dizendo, lembrei disso tudo outra vez com a Larissa. Com o Tiago, seguimos o conselho do Nana Nenê em ensinar a brincar sozinho, ou independente. Ter o tempo de "cercadinho" onde o bebê brinca sozinho por um tempinho (se quiser ler mais sobre o tempo de cercadinho, ou brincar independente, clique no marcador "cercadinho"), depois passando a ser tempo no quarto, que chamamos de "quiet time" ou "horário silencioso". Com o primeiro filho sinto que isso é mais fácil, pois não é possível dar atenção o tempo todo para ele ou ela (como disse a Talita neste update). Então acabam aprendendo a brincar sozinho às vezes, mesmo que não haja um tempo designado para isso. Porém, sinto que com o segundo filho exige uma atitude pró-ativa da mãe e do pai em realmente fazer algo pensando nos frutos do futuro. Digo isso porque o segundo filho tem o mais velho/velha para brincar junto, o que é maravilhoso! É muito bom ter alguém com quem seu filho possa brincar em casa, o tempo todo. O Tiago (4 anos) e a Larissa (quase 2 aninhos) se dão muito bem e amam brincar juntos! Ela já cresceu com ele sempre presente então ela está acostumada a estar sempre com alguém pra brincar, principalmente porque aqui nos EUA o Tiago só vai a escola 2x por semana, e neste momento eu e ela temos nosso tempo juntas. Por isso nunca senti a NECESSIDADE de designar um tempo para ela brincar sozinha.

Porém, quando a rotina aqui em casa mudou, começamos a ver que falhamos nisso. Meu marido começou a ficar com a Larissa em casa enquanto eu trabalhava, só ele e ela. Ele está fazendo MBA então às vezes precisa estudar ou fazer lição de casa e a Larissa não deixava ele fazer NADA. Ela exige atenção o tempo inteiro e não sossega até que alguém esteja brincando com ela, dando 100% de atenção a ela. Isso começou a ser um problema! Quando comentei com minha cunhada (que foi minha maior inspiração a ler e conhecer o material dos Ezzos e aplicar com meus próprios filhos) que a Larissa não deixava o Marcos fazer nada, ela me lembrou da importância de ensinar a brincar sozinho. Hoje comecei a colocar isso em prática, então ainda coloco um update aqui sobre como o processo será, mas preciso muito ser pró-ativa nesse sentido agora! Claro que brincamos com ela e temos tempo de qualidade com ela, mas sabemos que é muito importante a criança saber brincar sozinha também, usar a criatividade e a imaginação e saber se concentrar numa atividade ou brinquedo.

Normalmente nosso mais velho tem "quiet time" após o almoço, que seria o horário da soneca que ele não tira mais. Mamães, não tenho como expressar a importância desse horário silencioso. Quando nossos bebês crescem e não precisam mais de soneca (dependendo da criança isso pode acontecer perto dos 3 aninhos, às vezes mais tarde) parabenizamos nossos filhos por terem crescido tanto e por poderem substituir o tempo da soneca pelo horário silencioso, um momento em que eles podem brincar no quarto com os brinquedos, ver livrinhos, etc. O Tiago sabe que neste momento do dia ele não pode sair do quarto a não ser que seja para ir no banheiro e não pode fazer muito barulho (pra não acordar a Larissa). Hoje, ao invés de colocar a Larissa para tirar uma soneca depois do almoço, dei a ela o seu próprio "quiet time" igual ao irmãozinho. Como ela gosta muito de imitá-lo, achei que seria mais fácil ela fazer ao mesmo tempo que ele. Falei pra ela, "agora o Tiago vai ter quiet time no quarto dele e a Lala no quarto dela!". Dei um livro de colorir pra cada um e falei pra ela ficar no quarto dela. Ela queria ficar saindo, mas fiquei lembrando-a de que agora era hora dela ficar no quarto dela, e o Tiago no dele. Quando ela finalmente ficou, esperei um pouco e, antes de se tornar algo "ruim" pra ela já entrei falando "pronto! Agora está na hora da Lala nanar" e coloquei-a no berço. Aos poucos vou estendendo esse momento dela brincar sozinha e de repente quando estiver acostumada eu troco para outro horário do dia. Vamos ver!

E você, como ensinou seu filho/filha a ter tempo de brincar independente?