Bem-vinda!!

Bem-vinda ao nosso blog!
Aqui, mamães muito diferentes mas com um único objetivo compartilham suas experiências nesta grande aventura que é a maternidade! Nós queremos, acima de tudo, ser mamães sábias, que edificam seus lares e vivem com toda plenitude o privilégio de sermos mães! Usamos muitos dos princípios ensinados pelo Nana Nenê - Gary Ezzo, assim como outros livros. Nosso objetivo é compartilhar o que aprendemos a fim de facilitar a vida das mamães! Fomos realmente abençoadas com livros (e cursos) e queremos passar isso para frente!


"Com sabedoria se constroi a casa, e com discernimento se consolida.
Pelo conhecimento os seus cômodos se enchem do que é precioso e agradável"
Prov. 24:4,5
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sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Os primeiros mil dias da criança e a importância dos pais!

Um assunto que sempre chama a minha atenção é a importância dos laços afetivos para a formação emocional saudável de uma criança. Há menos de um ano tive o privilégio de ler um livro que fala justamente sobre isto. Escrito por uma psicanalista e psicoterapeuta de Oxford chamada Sue Gerhardt, ele demonstra através da ciência como as primeiras interações psíquicas e sociais de um bebê afetam a constituição fisiológica do seu cérebro em desenvolvimento. Não é um livro de cunho cristão e acredito que ele ainda não tenha sido traduzido para o português - em inglês o título é Why Love Matters - How Affection Shapes a Baby's Brain - mas se você lê em inglês eu fortemente recomendo a leitura. Ele apresenta evidências científicas interessantíssimas confirmando o que fica cada vez mais claro para mim: a diferença que faz para a educação dos filhos a presença amorosa e diretiva dos pais no dia-a-dia.

Sem querer julgar ninguém por suas escolhas pessoais, até porque vejo que é antes de tudo um problema de políticas públicas, eu admito que tenho dificuldade de engolir o argumento de que o único fator que importa é a qualidade de tempo que se dedica aos filhos. Sim, claro que a qualidade é essencial, mas ela é intimamente ligada ao fator 'tempo'. Como é possível ter qualidade de tempo sem quantidade?? Eu acho bem difícil, ainda mais nos primeiros anos, quando o cérebro da criança ainda está em formação e sendo literalmente marcado para a vida toda, como mostra a autora.

Por isso, hoje venho compartilhar as sábias palavras do pediatra e ex-reitor da UNICAMP, José Martins Filho, que "discute a atual licença-maternidade no Brasil e defende uma mudança na legislação que permita à mãe ficar mais próxima de seu filho nos primeiros anos de vida, sem que tenha que abrir mão do trabalho" (conforme a descrição publicada pelo Instituto Alana no Youtube).

São menos de 4 minutos de entrevista que espero que a ajudem a refletir sobre o seu papel como mãe. Desejo que você seja inspirada ao vislumbrar a diferença que a sua presença faz na vida dos seus pequenos, hoje e amanhã, e o impacto que isto fará na construção de um mundo melhor! E, finalmente, que encontre forças em Deus para não desistir de ficar mais perto deles hoje, apesar das inúmeras dificuldades e resistência que talvez você encontre pelo caminho.



Antes de terminar e seguindo esta mesma linha da importância dos vínculos familiares para a vida social bem sucedida do ser humano, existe um outro livro, escrito pelo psicólogo canadense Gordon Neufeld e o médico húngaro Gabor Maté, que eu também estou muito interessada em ler.  O título é Hold On to Your Kids: Why Parents Need to Matter More Than Peers. Na verdade, eu assisti a uma entrevista de 2004 em que o Dr. Gordon Neufeld denuncia a falsa suposição de que quanto mais cedo a criança entrar na escola melhor. Ele mostra que o contrário é verdadeiro e aponta para o perigo da formação precoce de vínculos com os pares (crianças da mesma idade), em vez de com os pais, numa idade em que o que a criança precisa é de amor incondicional e de direção de um adulto. Afinal, salvo minorias exceções de pais abusivos, quem melhor do que mãe e pai para suprir esta necessidade da criança?! Veja a entrevista toda, se souber inglês, e compartilhe com seus amigos. Garanto que serão 26 minutos muito bem investidos!

Aproveito o assunto de hoje para também direcioná-los à leitura de outros posts em que já falei sobre o assunto de maternidade, família, creche e políticas públicas.

Basta clicar nos links abaixo para lê-los.

Creche noturna beneficia a sociedade?
Você concorda com o aumento da jornada escolar?
Eu largar o emprego e depender financeiramente do meu marido? Você só pode estar louca!
Meu bebê nasceu e logo termina minha licença. O que eu faço agora?

Um grande abraço,
Talita

sábado, 15 de junho de 2013

Maternidade pela perspectiva bíblica

Mais um post sensacional sobre maternidade aos olhos de Deus!

Embora eu concorde com tudo o que a autora diz a respeito do chamado à maternidade, quero fazer um contra-ponto: eu acho que o marido precisa vir antes dos filhos (para o bem dos próprios filhos). Quando nos tornamos mães, não deixamos de ser esposas. 

"Bons cônjuges produzem bons pais" - frase dos Ezzos que eu amo tanto!

Outro comentário é que eu acho que nunca vivenciei esta hostilidade de que ela fala com relação à reação das pessoas quando estou com minhas filhas na rua. Bem, eu também só tenho duas por enquanto e percebo que, em nossa sociedade, ter dois filhos ainda é algo comum e considerado "normal". Mais do que isso já é mais facilmente estranhável.

Claro, não estou falando de mulheres de classes sociais mais baixas que têm muitos filhos e, infelizmente, pouca ou nenhuma condição de alimentá-los, vesti-los, etc. adequadamente. Mas parece que quanto mais instruída a mulher, menos filhos ela tem... uma pena.

Na minha experiência, a reação mais comum (depois do "que lindinhas"), é falarem da minha coragem - não somente por ter tido duas, mas por tê-las seguidinho, uma atrás da outra. Agora quando comento que gostaria de ter 4 filhos, aí sim é que elas esbugalham os olhos!

Eu espero sinceramente que a minha "coragem" sirva de inspiração para outras mulheres a darem o passo de fé de atender ao chamado divino para a maternidade... da mesma forma como outras mamães mais experientes, que têm 3, 4, 5 ou mais o são para mim hoje em dia. Sim, porque Deus me agraciou com muitos bons exemplos de mamães proativas. Mulheres que entenderam o seu chamado, se entregam diariamente aos pés da cruz e se dedicam integralmente à vida no lar, a suas famílias e, inclusive, à educação 'escolar' dos filhos.

Beijos, Talita

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Maternidade é um chamado
(e o valor que você dá a seus filhos)
Publicado em 14/07/2011 no site http://www.desiringgod.org/blog
Por Rachel Jankovic, esposa e mãe de seis filhos


Alguns anos atrás, quando eu tinha apenas quatro filhos e quando o mais velho ainda tinha 3, eu arrumei todo mundo para sairmos fazer uma caminhada. Depois que eu finalmente consegui achar um cantinho na mochila para o último copinho de treinamento e estávamos prontos para sair, a minha filha de dois anos vira pra mim e diz: "Eita, como as suas mãos estão cheias!".

Ela poderia muito bem ter dito: "Você nunca ouviu falar de pílula anticoncepcional?" ou "São todos seus?".

Aonde quer que você vá, as pessoas querem falar sobre os seus filhos - porque você não deveria tê-los tido, como você poderia tê-los evitado, e porque elas jamais fariam o que você fez. Elas fazem questão que você saiba que você não estará mais sorrindo quando as crianças forem adolescentes. E tudo isso na fila do supermercado, com os seus filhos ouvindo.

Um trabalho ingrato?

A verdade é que anos atrás, antes que essa geração de mães nascesse, nossa sociedade decidiu o valor que os filhos teriam na lista de coisas importantes. Quando o aborto foi legalizado, essa decisão foi escrita em forma de lei.

Ter filhos tem bem menos valor do que conquistar uma graduação. Certamente bem menos do que fazer viagens. Menos valor do que a liberdade de sair à noite a seu bel prazer. Menos valor do que esculpir o corpo numa academia. Menos do que qualquer emprego que você tenha ou espere um dia ter. Aliás, os filhos têm menos valor até do que o seu desejo de ficar por aí, à toa, apenas fuçando nas unhas. Eles estão abaixo de tudo. Ter filhos é a última coisa que você deve pensar em fazer com o seu tempo.

Se você cresceu nesta cultura, é bem difícil ver a maternidade pela perspectiva bíblica e, a partir dela, enxergar a sua vida e a vida dos seus filhos como uma mulher cristã livre. Quantas vezes já não demos ouvidos a meias-verdades e outros enganos? Será que acreditamos que queremos ter filhos porque há algum tipo de inclinação biológica ou "instinto materno"? Será que o real motivo de desejarmos tê-los é por causa das roupas lindinhas e da oportunidade de tirar muitas fotos? Será a maternidade um trabalho ingrato para aquelas mulheres que não são capazes de fazer mais, ou para aquelas que se contentam com pouco? Se sim, onde é que estávamos com as nossas cabeças?

Não é um hobby.

Maternidade não é um hobby, é um chamado. Você não coleciona filhos porque acha que eles são mais bonitinhos do que figurinhas. Ter filhos não é algo para se fazer quando for possível achar tempo na agenda. O tempo que Deus lhe deu é para cumprir esse propósito.

Mães cristãs carregam seus filhos num território hostil. Quando você está em público com eles, você está acompanhando e defendendo objetos do desdém cultural. Você está publicamente confirmando que você valoriza o que Deus valoriza, e que você se recusa a valorizar o que o mundo valoriza. Você se posiciona ao lado dos que não podem se defender sozinhos e se posiciona à frente dos necessitados. Você simboliza tudo o que a nossa cultura detesta, porque você simboliza o entregar-se por alguém - e entregar a própria vida pelo próximo é o símbolo do evangelho.

A nossa cultura tem medo da morte. Entregar a própria vida é sempre aterrorizador. Curiosamente, é esse medo da morte que impulsiona a indústria do aborto: o medo que os seus sonhos morram, que o seu futuro morra, que a sua liberdade morra - é tentar escapar dessa morte correndo para os braços da morte.

Corra para a cruz

Mas o paradigma do cristão deve ser outro. Nós devemos correr para a cruz. Para a morte. Então entregue suas esperanças. Entregue o seu futuro. Entregue as coisas pequenas que a irritam. Entregue seu desejo de ser reconhecida. Entregue a sua impaciência com as crianças. Entregue a sua casa perfeitamente limpa. Entregue as queixas que você tem com relação à vida que você leva hoje. Entregue a vida imaginária que você poderia estar vivendo se não tivesse filhos. Apenas entregue.

Morte para si mesma não é o fim da história. Nós, mais do que todas as pessoas, deveríamos saber o que vem após a morte. A vida cristã é uma vida de ressurreição, uma vida que não pode ser contida pela morte, o tipo de vida que só é possível quando você já foi para a cruz e de lá voltou.

A Bíblia é clara quanto ao valor que os filhos têm. Jesus amou as crianças, e somos ordenadas a amá-las e a educá-las no caminho do Senhor. Devemos imitá-lo e nos deleitarmos em nossos filhos.

A pergunta é "como".

A pergunta aqui não é se você está representando ou não o evangelho, mas como você o está fazendo. Você tem entregado a sua vida aos seus filhos com rancor? Você enumera todas as coisas que faz por eles como um agiota contabiliza débitos? Ou você dá vida a eles da mesma forma que Deus o fez por nós - liberalmente?

Não adianta fingir. Talvez você consiga enganar algumas pessoas. Aquela pessoa na fila da loja pode acreditar no seu sorriso amarelo, mas os seus filhos não acreditarão. Eles sabem exatamente o valor que eles têm para você. Eles sabem quais são as coisas que você valoriza mais do que a eles. Eles sabem cada rancor que você guarda contra eles. Eles sabem que você fingiu uma resposta simpática àquela senhora apenas para depois ameaçá-los ou gritar com eles no carro.

Filhos sabem a diferença entre uma mãe que está fingindo para um estranho e uma mãe que defende suas vidas e o seu valor com seu sorriso, seu amor e sua absoluta lealdade.

Mãos cheias de coisas boas.

Quando minha filhinha disse: "Como as suas mãos estão cheias!", eu fiquei feliz porque ela já sabia qual seria a minha resposta. Era a mesma de sempre: "Sim, elas estão cheias - cheias de coisas boas!".

Viva o evangelho nas coisas que ninguém vê. Sacrifique-se pelos seus filhos em áreas que somente eles saberão. Valorize-os acima de si mesma. Eduque-os no ambiente puro da vida no evangelho. Seu testemunho do evangelho nos pequenos detalhes da vida tem mais valor para eles do que você pode imaginar. Se você falar para eles do evangelho, mas viver para si mesma, eles jamais crerão. Entregue com alegria a sua vida por eles todos os dias. Entregue a mesquinhez. Entregue a irritação. Entregue o rebuliço por causa da louça, por causa da roupa, ou porque ninguém sabe o duro que você dá.

Pare de se apoiar em si mesma e apoie-se na cruz. Há mais alegria, mais vida e mais gargalhadas do outro lado da morte do que você é capaz de alcançar por si mesma.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Maternidade aos olhos de Deus

Hoje eu preparei um post bem especial que, embora atrasado, traz uma mensagem profunda em homenagem à celebração do Dia das Mães. Ele não é de minha autoria (foi extraído do site Vision Forum Ministries), mas foi traduzido por mim. É sobre um assunto que eu amo e que este blog pretende valorizar: a maternidade aos olhos de Deus

Embora o autor se refira especificamente à história e atualidade dos EUA, vejo muitas semelhanças com o que acontece aqui no Brasil. Bem, na realidade, eu gostaria de dizer muitas coisas a respeito do texto abaixo, mas vou poupar você dos meus comentários e permitir que Deus fale diretamente ao seu coração enquanto você lê e absorve essas preciosas verdades. Que o Senhor se revele a você e a toque de um jeito especial hoje!

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A ascensão e queda e ascensão
da maternidade nos EUA
Publicado em 10/05/2013 no site http://www.visionforumministries.org
Por Doug Phillips, presidente da Vision Forum Ministries

As mulheres são as únicas que podem ser mães. Será que estamos nos esquecendo disso?

Apenas uma mulher pode carregar em seu corpo um ser eterno que carrega a própria imagem de Deus. Apenas ela é a recebedora do milagre da vida. Apenas uma mulher pode conceber e nutrir esta vida usando sua própria carne e sangue, e depois parir uma alma vivente para o mundo. Deus concedeu unicamente a ela um milagre genuíno – a criação da vida, e a fusão de uma alma eterna com uma carne mortal. Este fato por si só estabelece a glória da maternidade.

Apesar das mais criativas tentativas de cientistas humanos e legisladores para redefinir os sexos, homem algum jamais poderá conceber e parir uma criança. O ventre fértil é um dom sagrado dado por Deus para a mulher. Esta é uma das razões pelas quais o ofício de esposa e mãe é um dos maiores chamados que uma mulher pode almejar.

Este é o motivo pelo qual nações que temem o Senhor estimam e protejem as mães. Elas se gloriam nas distinções entre homens e mulheres, e tentam estabelecer culturas em que a maternidade é honrada e protegida.

Em seu famoso comentário sobre a vida americana primitiva, Democracia na América, Alexis de Tocqueville explicou:

Portanto, os americanos não acham que homens e mulheres têm o dever ou o direito de desempenhar os mesmos ofícios, mas eles demonstram equidade na consideração que têm por ambas as partes; e embora sua porção seja diferente, eles consideram ambos seres de igual valor. Eles não dão à coragem da mulher a mesma forma ou a mesma direção dada à do homem, mas eles nunca duvidam de sua coragem; e se têm para si que o homem e a sua parceira não devem exercitar seu intelecto e entendimento da mesma forma, eles creem pelo menos que o entendimento de um é tão são quanto o do outro, e o intelecto dela igualmente claro. Deste modo, portanto, embora eles tenham permitido que a inferioridade social da mulher continue, eles fizeram tudo o que podiam para elevá-la moral e intelectualmente ao nível do homem; e a este respeito me parece que eles compreenderam com excelência o verdadeiro princípio de aperfeiçoamento democrático.

De Tocqueville contrastou a compreensão americana das mulheres com sentimentos europeus:

Há pessoas na Europa que, confundindo as diferentes características dos sexos, transformavam o homem e a mulher não apenas em seres de igual valor, mas idênticos. Elas davam a ambos as mesmas funções, impunham sobre ambos as mesmas obrigações, e concediam a ambos os mesmos direitos; eles os misturavam em tudo – nas ocupações, nos prazeres e nos negócios. Pode-se facilmente perceber que ao tentar tornar um sexo igual ao outro, ambos são degradados, e de tão absurdas misturas sobre a obra da natureza o resultado não poderia ser outro, mas homens fracos e mulheres desordeiras.

A Guerra Contra a Maternidade

A glória da América eram suas mulheres. Era nisto que Tocqueville cria quando escreveu:

Quanto a mim, eu não hesito em declarar que embora as mulheres dos Estados Unidos estão confinadas no estreito círculo da vida doméstica, e sua situação seja em certo respeito uma de extrema dependência, em lugar nenhum eu vi mulheres ocupando uma posição tão exaltada; e se me perguntassem, agora que estou chegando à conclusão deste trabalho, em que eu falei de tantas coisas importantes feitas pelos americanos, a que em grande parte pode-se atribuir a singular prosperidade e crescente força deste povo, eu responderia: À superioridade de suas mulheres.
Mas este direito de nascença foi trocado durante o último século por algo trivial. Talvez o maior legado do século 20 foi a guerra contra a maternidade o patriarcalismo bíblico. Feministas, marxistas e teólogos liberais fizeram do seu alvo atingir a instituição familiar e desviá-la da estrutura e prioridades bíblicas. Os resultados são androginia, um declínio radical na taxa de natalidade, aborto, famílias de mães solteiras e confusão social.
Por incrível que pareça, a maior história do século 20 nunca virou manchete de jornal. De alguma forma passou desapercebida. Foi o massivo êxodo feminino dos lares e a consequente queda da maternidade. Pela primeira vez na história registrada do Ocidente, mais mães deixaram seus lares do que ficaram neles. Ao deixar o lar, a experiência e realidade da infância, vida familiar e feminilidade foram fundamentalmente redefinidas, e os resultados têm sido tão ruins que se este padrão não for revertido, nossos netos possivelmente viverão num mundo onde tanto a verdadeira cultura da família cristã quanto a definição histórica do casamento serão coisa dos contos de fadas.
Muitos “ismos” influenciaram esse padrão – evolucionismo, feminismo, estatismo, eugenismo, marxismo, dentre outros. Mas no fim das contas, o abismo filosófico entre os pressupostos de ateus, eugenistas e marxistas do início do século 20 e os pressupostos professados pela Igreja do século 21, se estreitou dramaticamente. Os objetivos do estado e os objetivos da corrente principal da igreja se uniram de tal forma que a família bíblica, com sua ênfase no homem como cabeça, na sucessão geracional e na maternidade fecunda, é uma ameaça à ordem social de ambas instituições.
Menos de cem anos atrás, arquitetos do estado soviético de caráter comunista e ateísta anteciparam a morte da família cristã. Eles explicaram a necessidade de destruir a família cristã com sua ênfase na maternidade, e substituí-la com a visão de uma “nova família”. Lenin escreveu:
Lenin
Devemos dizer com orgulho e sem exagero que, à parte da Rússia Soviética, não há um país no mundo onde as mulheres gozem de completa igualdade e onde as mulheres não sejam colocadas na humilhante posição sentida na vida familiar diária. Esta é uma de nossas primeiras e mais importantes tarefas... Trabalho doméstico é a tarefa mais improdutiva, mais bárbara e mais árdua que uma mulher pode fazer. É de excepcional pouca importância e não acrescenta nada que de alguma forma possa promover o desenvolvimento da mulher... A construção do socialismo se dará somente quando alcançarmos a completa igualdade das mulheres e quando nos empenharmos à nova obra, juntamente com mulheres que foram emancipadas desta insignificante, desanimadora e improdutiva tarefa... Essas instituições que liberam as mulheres de sua posição como escravas domésticas estão surgindo por toda a parte... Nossa missão é fazer políticas públicas para a mulher trabalhadora.
Em 1920, em seu discurso para o Dia Internacional da Mulher Trabalhadora, Lenin enfatizou:
O principal é levar as mulheres a se engajarem em trabalhos socialmente produtivos, liberá-las da 'escravidão doméstica', libertá-las de sua embrutecedora e humilhante subjugação à eterna fadiga que é ir para a cozinha e cuidar de crianças pequenas. Esta será uma longa luta, e ela demanda uma reconstrução radical, tanto da técnica social quanto moral. Mas ela findará no completo triunfo do Comunismo.
Trotsky, o companheiro de Lenin, teve papel chave em comunicar a visão marxista do que ele chamou de a “nova família”. Lenin e Trotsky acreditavam que podiam derrubar o cristianismo ao destruir a família bíblica. Eles buscaram formar um novo estado, livre dos pressupostos cristãos de longa data a respeito da família. Isto significava denegrir a noção bíblica da autoridade masculina e hierarquia dentro da família. Significava desfazer qualquer sentido que pudesse haver de dividir o trabalho entre homem e mulher. Isto exigia libertar as mulheres das dores do parto e do peso de cuidar de crianças. Significava adotar mecanismos contraceptivos como garantia de que as mulheres estariam livres para permanecer no mercado de trabalho. Trotsky disse o seguinte:
Trotsky, o companheiro de Lenin
Socialização dos cuidados do lar e educação pública para as crianças são impensáveis sem uma significativa melhora de nossa economia como um todo. Precisamos de moldes econômicos mais socialistas. Apenas sob tais condições podemos libertar a família das funções e cuidados que hoje a oprimem e desintegram. As roupas devem ser lavadas por uma lavanderia pública, o fornecimento de refeições por um restaurante público, costuras por um serviço têxtil público. As crianças precisam ser educadas por bons professores públicos os quais têm verdadeira vocação para tal trabalho. Então, o vínculo entre marido e mulher estaria livre de tudo o que é externo e acidental, e um deixaria de absorver a vida do outro. Igualdade genuína seria finalmente estabelecida...
A parte mais desconcertante de citações como as que lemos acima é a semelhança, em espírito e em sentimento, a vozes de indivíduos que hoje em dia afirmam pertencer à Igreja de Jesus Cristo. Ainda mais desconcertante é saber quantas das reformas sociais anti-família são pressupostos de cristãos modernos nos EUA.
Como a Consciência Americana foi Marcada em Prol da Maternidade
Mas a maternidade não é facilmente vencida. Ela existe desde o princípio e sempre levou a Igreja e a civilização para frente. A maternidade não somente perpetua a civilização, como a define.
A princípio, Jamestown era uma sociedade de homens lutando para sobreviver. Mas ela se tornou uma civilização quando as mulheres chegaram. Plymouth, por outro lado, começou como civilização – famílias de fé comprometidas com a procriação e multiplicação para a glória de Deus, uma impossibilidade sem a maternidade.
A maternidade não é facilmente vencida porque Deus colocou lembretes de sua importância no próprio corpo das mulheres que Ele criou. Para derrubar a maternidade, os inimigos da família precisam fazer mais do que torná-la um inconveniente social, eles precisam ensinar as mulheres a se desprezarem ao verem o próprio ventre como um inimigo de sua autorealização. Isso significa minimizar o glorioso dom da vida que é dado somente à mulher. Significa redefinir o que significa ser mulher.
Mas até isso não é suficiente. Para derrubar a maternidade, os inimigos da família bíblica precisam cauterizar a consciência de uma geração inteira de mulheres. Isso é feito por meio de doutrinas de emancipação social do lar, liberação sexual, controle de natalidade e aborto – quatro que fazem a mulher entrar em guerra contra sua própria natureza criada. Em vez de ser a bendita guardiã do lar para a sociedade, ela é ensinada que o contentamento só pode ser encontrado em agir, se vestir e competir com os homens. Em vez de serem objeto de respeito, proteção e virtude, ela se vende a um baixo preço, assim desvalorizando sua condição de mulher. Em vez de se gloriar num ventre fecundo, ela poda a própria semente da vida. Às vezes, ela corta a própria vida.
Anos de viver o papel do homem endurece a mulher. E treina-a para encontrar sua identidade na corporação, não no lar. Ensina-a a se sentir desconfortável quando está perto de crianças ou de famílias grandes – a própria presença deles é um lembrete da antítese entre o desenho de Deus para a mulher e as normas de sociedades pós-cristãs.
Mas as mulheres não são as únicas com consciências cauterizadas. As dos homens ficam também. Considere que cinquenta anos atrás um homem teria estremecido ao pensar em mulheres como soldados se dirigindo para o combate enquanto pais em tempo integral ficam em casa trocando fraldas. O homem de hoje tem a mente cauterizada. Ele não mais se vê como o protetor da maternidade, e o defensor das mulheres. Ele se consola repetindo os mantras do feminismo moderno, e se assegurando de quão razoável e iluminado ele é – quão diferente de pais intolerantes e opressivos. Mas em seu coração, o homem moderno sabe que ele perdeu algo. Ele perdeu sua hombridade.
Para ser um homem, você precisa se preocupar com as mulheres. E você precisa se preocupar com elas da forma certa. Você precisa cuidar delas como criaturas dignas de proteção, honra e amor. Isso significa genuinamente apreciá-las por suas diferenças enquanto mulheres. Significa reconhecer a preciosidade da feminilidade acima do glamour, do serviço do lar acima da careira, e da maternidade madura acima da juventude perpétua. Mas quando as mulheres são reduzidas a soldados, objetos sexuais e competidoras sociais, não são apenas as mulheres que perdem a identidade que receberam do Criador, mas os homens também. É por isso que o ataque à maternidade produziu uma nação de eunucos – homens impotentes social e espiritualmente que têm pouca capacidade para liderar, que dirá amar as mulheres da forma como Deus intencionou que o homem as amasse – como mães, esposas, irmãs e filhas.
A Maternidade Triunfará
Existe um motivo especial pelo qual a maternidade não será vencida – a Igreja é sua guardiã. Enquanto ela perseverar – e perseverar ela irá – a maternidade prevalecerá.
A Igreja é a precursora máxima de tudo o que é mais precioso e santo. Ela detém os oráculos de Deus que ousam proclamar para uma nação egoísta e egocêntrica: “Filhos são uma bênção e o fruto do ventre uma recompensa que Ele dá”. Salmo 127:3
A Igreja se posiciona nos portões da cidade, disposta a ouvir o protesto de feministas, ateístas e multidões empenhadas contra a família bíblica, e ela lembra o povo de Deus: “As mulheres mais velhas devem ensinar as mais novas a amarem seus filhos, a serem donas de casa”. Tito 2:3-5
Talvez seja o próprio amor à vida das crianças, a paixão pela feminilidade e maternidade que servirão de instrumento de Deus para abençoar os Estados Unidos nos dias por vir. Com a taxa de natalidade ainda em queda, as taxas de divórcio em alta e a vida familiar nos EUA se dissipando a ponto de extinguir-se, famílias que amam a vida não apenas terão uma importante mensagem para compartilhar, mas terão um exército de filhos para ajudar a compartilhá-la.
A Pergunta
Professor: Susie, o que você quer ser quando crescer?
Susie: Quero ser médica.
Professor: Que maravilha! E você, Julie?
Julie: Quer ser soldado.
Professor: Que louvável! E você, Hannah?
Hannah: Quando eu crescer, quero ser esposa e mãe!
Professor: [silêncio mortal]...
Mesmo após anos da sociedade diminuir o chamado à maternidade, algo maravilhoso está acontecendo – algo maravilhosamente contra-cultural! Em meio a filosofias anti-vida e anti-maternidade que impregnam a cultura, há uma nova geração de moças emergindo cujas prioridades não são determinadas pelas expectativas que o mundo tem para elas. Elas cresceram em lares cujos pais pastorearam seus corações e as crianças não eram somente bem-vindas, eram profundamente amadas. Algumas dessas mulheres foram educadas em casa, o que significa que muitas delas cresceram com bebês e mães por perto. Elas aprenderam a ver a maternidade como uma alegria e um nobre chamado, porque é assim que os seus pais a veem.
E quando lhe perguntam sobre o seu futuro, essas moças sabem o que querem. Elas são as futuras mães da Igreja. Jovens moças que não têm medo de dizer que o objetivo de toda a sua formação e preparo é equipar-se para cumprir o mais elevado chamado de uma mulher, o ofício de ser esposa e mãe.
O Preço da Maternidade
Um dia uma senhora foi visitar sua amiga. Durante a visita, os filhos da amiga entraram no cômodo e começaram a brincar juntos. Enquanto esta senhora e a amiga conversavam, a senhora virou-se para ela e disse avidamente, embora evidentemente sem se dar conta do significado de suas palavras: “Ó, eu daria a vida para ter filhos como os seus”. A mãe respondeu com controlada sinceridade após um breve silêncio remetendo à profundidade da experiência das palavras que viriam: “É exatamente este o preço a ser pago”.
A maternidade tem um preço. E o preço não é uma soma pequena. E se você não estiver disposta a pagar este preço, nenhum encorajamento sobre as alegrias da maternidade lhe satisfarão.
Mas o preço da maternidade não é fundamentalmente diferente do preço de ser discípula de Jesus Cristo. Aliás, mães cristãs veem seu dever como mães fluindo do seu chamado a Jesus Cristo. E qual é o preço?
Maternidade cristã significa dedicar toda a sua vida em serviço de outras pessoas. Significa ficar ao lado do marido, acompanhá-lo e investir na vida das crianças que você espera que um dia irão ultrapassá-la. Significa sacrificar satisfação presente para ter recompensas eternas. Significa investir nas vidas de outras pessoas que talvez nunca completamente apreciem o seu sacrifício ou compreendam a profundidade do seu amor. E significa fazer todas essas coisas, não somente porque você irá receber louvor de homens – pois você não irá – mas porque Deus fez você para ser mulher e mãe, e há grande contentamento neste chamado bíblico.
Noutras palavras, a Maternidade requer visão. Requer viver por fé, não por vista.
Essas são algumas das razões pelas quais a Maternidade é o papel mais nobre biblicamente e desvalorizado socialmente que uma jovem moça pode almejar. Há muitas pessoas que se perguntam: Minha vida tem importância? Mas uma mãe que teme o Senhor jamais precisa se fazer esta pergunta. De sua fiel obediência dependem o futuro da igreja e a esperança da nação.
Em 1950, diante do Senado dos Estados Unidos, Peter Marshall, o grande pregador americano-escocês, explicou-o desta forma:
O desafio moderno à maternidade é um desafio eterno – o de ser uma mulher temente a Deus. A expressão em si já soa estranha em nossos ouvidos. Não mais a ouvimos nos dias atuais. Ouvimos falar de todos os outros tipos de mulheres – mulheres bonitas, mulheres inteligentes, mulheres sofisticadas, mulheres bem-sucedidas profissionalmente, mulheres talentosas, mulheres divorciadas, mas raramente ouvimos falar de uma mulher temente a Deus – ou de um homem temente a Deus.
Eu acredito que as mulheres chegam mais perto de cumprir a missão a elas divinamente outorgada no lar do que em qualquer outro lugar. É muito mais nobre ser uma boa esposa do que ser a Miss América. É uma realização muito maior estabelecer um lar cristão do que é produzir uma novela de segunda categoria cheia de lixo. É algo muito, muito melhor na dimensão da moral ser antiga do que ser ultramoderna. O mundo tem mulheres demais que sabem segurar suas taças, que perderam todas suas ilusões e sua fé. O mundo tem mulheres demais que sabem ser espertas.
O que o mundo precisa é de mulheres dispostas a serem simples. O mundo tem mulheres demais que sabem ser brilhantes. Ele precisa de algumas que sejam corajosas. O mundo tem mulheres demais que são populares. Ele precisa de mais que sejam puras. Precisamos de mulheres, e de homens também, que prefiram ser moralmente certas do que socialmente corretas.
Ao chegarmos próximo da comemoração do Dia das Mães, lembremos-nos que estamos lutando pelo Senhor, e é Ele quem prioriza a maternidade e o lar como o maior chamado e domínio da mulher, “a fim de que a palavra de Deus não seja difamada”. Tito 2:5
Que o Senhor encha as nossas igrejas com mães fiéis.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Dez mentiras que a Igreja de Jesus Cristo acredita sobre família e filhos - por Mary Fawcett

Abaixo segue o esboço da palavra que foi ministrada há algumas semanas no Chá de Bebê de uma mamãe aqui de nossa igreja. A autora é a esposa do meu pastor.
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Orei muito sobre esta palestra porque desejo ser fiel à Palavra de Deus e quero também poder desafiar todas a ouvirem e obedecerem-na. Cada vez mais O agradeço por sua tão preciosa Palavra que nos ensina tudo o que precisamos para viver – de forma que possamos agradar o nosso Pai e crescer em Sua graça.
O título de hoje é DEZ MENTIRAS QUE A IGREJA DE JESUS CRISTO ACREDITA SOBRE A FAMÍLIA E FILHOS.
Você pode perguntar-se: “Nós? A Igreja? Acreditando em mentiras?”. Tenho visto mais e mais como nós, na igreja, estamos sendo enganados pela sociedade, pela cultura sobre estes assuntos tão importantes.
Mentira 1: Filhos são um peso nas nossas vidas - exigem muito, dão pouco e por isso, não devemos ter mais que um ou dois, no máximo!
MAS a verdade é o que lemos em Salmo 127:3: “Os filhos são herança do Senhor, uma recompensa que Ele dá”. Outra versão diz que filhos são bênção do Senhor! Que outras bênçãos o Senhor concede e nós rejeitamos? Em outras palavras, eu NUNCA ouvi ninguém dizendo para o Senhor: “Por favor, não me dê mais saúde, mais dinheiro, mais bens, casas, etc., etc.”, mas é muito comum ouvir isto sobre filhos. “Ah, Senhor, não quero mais filhos. Não quero mais das tuas bênçãos!”. Ora, se são bênçãos, por que limitar-se a ter apenas um ou dois, no máximo?
Mentira 2: Ter filhos exige sacrifícios demais, além de demandar tempo e dinheiro... Quero evitar este trabalho em minha vida.
MAS a verdade é que quando aprendemos a sacrificar-nos somos aperfeiçoados em e por Cristo, trazendo glória para o Seu nome. Hebreus 13:15-16 diz: “Por meio de Jesus, portanto, ofereçamos continuamente a Deus um sacrifício de louvor, que é fruto de lábios que confessam o seu nome. Não se esqueçam de fazer o bem e de repartir com os outros o que vocês têm, pois de tais sacrifícios Deus se agrada”. Aprender a sacrificar-se em favor do próximo aumenta a nossa percepção do sacrifício que Jesus fez na Cruz por nós – que, por sua vez, gera em nós louvor e adoração mais intencionais e verdadeiros.
Mentira 3: Financeiramente falando, não tenho condições de ter mais do que um ou dois filhos.
MAS a verdade é que Deus promete suprir TODAS as nossas NECESSIDADES se formos obedientes e fiéis a Ele. Veja Filipenses 4:19. TUDO pertence ao Senhor Jesus. Dinheiro NUNCA é um problema para Ele. Ele pode muito bem dar a Seus filhos tudo o que precisam, desde que eles estejam em comunhão com Ele e crendo em Suas promessas.
Mentira 4: Os filhos são meus e, por isso, crio-os do jeito que eu quiser (para me agradar). Afinal, eu tenho todo o direito de querer que meus filhos estejam sempre perto de mim e satisfaçam as minhas vontades.
MAS a verdade é que os nossos filhos pertencem em primeiro lugar ao Senhor Jesus. É Ele quem lhes dá a vida e planeja todos os seus dias. Cabe a nós orar e buscar a vontade de Deus para cada um e prepará-los para cumprir esta vontade. Salmo 127:4 diz: “Como flechas nas mãos do guerreiro são os filhos nascidos na juventude...”. Para que serve uma flecha? Para ser enviada para longe, fora de nós, e realizar uma missão que nós não podemos realizar, ir a lugares onde nós não podemos ir. Este é o propósito de uma flecha. Assim também com os filhos - eles são confiados a nós por um tempo. Durante este tempo, precisamos prepará-los para cumprir o desejo que DEUS tem para suas vidas. Naquela época, o guerreiro passava muito tempo escolhendo a madeira certa, cortando-a, polindo-a e lixando cada uma de suas flechas. Era necessário INVESTIR muito tempo, talento e suor pra torná-las úteis e aptas para cumprir o seu propósito. Como pais, precisamos fazer o mesmo com os nossos filhos.
Mentira 5: Antes de pensar em ter e cuidar de filhos, preciso ME cuidar e ME realizar primeiro. Só então posso pensar em engravidar.
Que texto bíblico respalda esta ideia de que realização pessoal vem primeiro? Eu não vejo em nenhum lugar que filhos devem ficar em segundo plano quanto à realização de nossos sonhos pessoais.
MAS a verdade é que casar e ter filhos era normal até o advento da pílula anticoncepcional. A ideia de evitar filhos não nasceu do coração do Pai Celestial. Ele sempre quer MAIS filhos na família dEle. Quanto mais, melhor. E Ele é o nosso exemplo.  Cada vida é importante e tem valor para Ele.
Mentira 6: A razão do casamento ou sexo é puramente o prazer que ele oferece.
MAS a verdade é que sexo deve ser prazeroso, mas prazer não é a RAZÃO do sexo. Deixe-me explicar. Por que nos alimentamos? O fazemos para nos mantermos vivos. Sem comida nós morremos. O ato de comer é prazeroso, MAS prazer não é a razão de comer. O prazer acompanha o ato de comer, mas não é a razão - o sustento de nossos corpos. O alvo principal do sexo é a reprodução – ou seja, ter filhos. O prazer acompanha o ato, mas não é o alvo ou a razão. Quando nós colocamos o prazer como a razão para o sexo, abrimos a caixa da Pandora para todo tipo de aberração, como nós estamos vendo hoje em dia. Se é só para ter prazer, então pode ser entre três ou quatro pessoas ao mesmo tempo, pode ser com alguém do mesmo sexo, pode incluir todo tipo de perversão. Deus fez o casamento para ser a tenda da proteção dentro da qual um casal recebe e cria filhos para a glória do Senhor Jesus Cristo. O ato sexual foi dado ao homem para propagar a raça e unir a mulher e o homem para toda a vida.
Mentira 7: Deus não se preocupa com o tamanho da minha família. Isso não tem importância para Ele.
MAS a verdade é o que lemos em Gênesis 1: 27 e 28: “Criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. Deus os abençoou, e lhes disse, “Sejam férteis e multipliquem-se! Encham a subjuguem a terra! Dominem sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos o animais que se movem pela terra”. Alguém pode me dizer onde na Palavra do Senhor este mandamento foi abolido? De onde veio a nova onda de planos sofisticados sobre o tamanho da família que a igreja e a sociedade engoliu? Por que na igreja vemos moças e moços reduzindo ou acabando com a fertilidade que Deus lhes deu ao ponto de nem engravidarem de um único filho? Pensamentos assim vêm do inimigo. E sabem por quê? Porque ele odeia a vida.
Mentira 8: Investir tempo para pessoalmente criar os filhos não vale a pena. Outra pessoa pode preencher este papel no meu lugar. Como mãe, eu não faço uma grande diferença na vida cotidiana dos meus filhos.
MAS a verdade é que a presença da mãe e o investimento dela na vida do filho é TÃO IMPORTANTE que Deus escolheu a dedo a mulher que seria a mãe de Seu próprio Filho. Não temos tempo de fazer um estudo hoje sobre a vida de Maria, mãe de Jesus, mas é interessante entender que tipo de mãe Deus escolheu para cuidar e ensinar o Filho dEle. NÃO HÁ PRESENÇA MAIS IMPORTANTE na vida de uma criança do que a de sua mãe! O desenvolvimento do córtex cerebral que acontece dos 0 aos 3 anos é fortemente afetado pela presença, cuidados diários e demonstração de afeto que a criança recebe, principalmente, da mãe.
Mentira 9: Posso ter mais influência no mundo exercendo uma carreira lá fora do que criando os meus filhos em casa. A minha carreira no mundo importa mais do que a carreira de ser mãe e ficar em casa com os meus filhos.
MAS a verdade é que a carreira de ser mãe é a MAIS EXIGENTE E MAIS IMPORTANTE QUE EXISTE. Vamos ver o que Deus pensa sobre esta carreira. I Timóteo 5: 9 e 10 diz: “Nenhuma mulher deve ser inscrita na lista de viúvas, a não ser que tenha mais de sessenta anos de idade, tenha sido fiel a seu marido, e seja bem conhecida por suas boas obras, tais como criar filhos, ser hospitaleira, lavar os pés dos santos, socorrer os atribulados e dedicar-se a todo tipo de boa obra”. Na lista de boas obras a primeira é criar filhos. Glória a Deus. Ele vê esta obra como de grande valor. E também em Provérbios 31 vemos que a mulher virtuosa se dedica à família, ao marido e aos filhos.
Durante a minha vida, fui convidada a fazer muitas coisas. Antes de aceitá-las, sempre me fiz a seguinte pergunta: Daqui 25 anos, quem vai se lembrar do que eu fiz hoje? O mundo vai esquecer, não vai dar valor, MAS os filhos se lembram e dão valor. Recentemente, o Nathanael agradeceu o pai mais uma vez por apoiá-lo em tudo o que fazia, nos esportes, etc. E todos os nossos filhos me agradecem até hoje por ter ficado em casa, cuidando das coisas importantes da vida. A presença da mãe é de extrema importância. Porém, se alguém realmente precisa trabalhar fora para pôr comida na mesa, e não tem outra opção, a graça do Senhor pode cobrir a falta. Se alguém trabalha fora porque acha seu trabalho mais importante que cuidar dos filhos, então é outra história.
Mentira 10: Algumas vidas valem mais do que outras.
MAS a verdade é que para o coração de Deus cada vida tem um propósito e é uma alma que Ele ama. Veja Salmo 139:13-18. Hoje em dia os casais se submetem a uma bateria de exames pré-natais para a satisfação do(a) médico(a). Exames que servem, infelizmente, para promover a prática do aborto contra certas criancinhas consideradas imperfeitas. Acredito que Deus seja radicalmente contra isso. Salmo 139 nos diz que o próprio Deus, o Pai, o Aba, forma EM SEGREDO estas vidas. Há certas coisas que não precisamos saber antes deste bebezinho chegar. Conheço muitas mães que sofreram demais depois de fazerem um ultrassom, ouvirem o técnico ou médico delicadamente sugerir que TALVEZ tenha um probleminha. Me lembro de uma amiga que recebeu a notícia logo no início da gravidez que o bebê dela tinha um rim que não estava se desenvolvendo como deveria. Ela me telefonou em prantos. Conversamos por muito tempo, e falei para ela que este bebê ainda estava sendo formado. Deus não tinha completado a obra que estava moldando e tecendo no seu ventre. Ela ficou consolada, mas não conseguiu apreciar a gravidez totalmente porque tinha este pensamento tirando a sua paz. Não faz bem para a mãe e nem para o filho.
Deus sabe o que faz e Ele tem um plano BOM para cada vida. Cada vida deve ser aceita e amada em nome de Jesus. Recentemente um casal em nossa igreja teve um bebezinho com síndrome de Down. Apesar de ainda muito novo, este menino tem trazido MUITA alegria e amor à nossa congregação inteira. Ele nasceu cego com cataratas congênitas, mas a igreja toda batalhou para que ele fosse operado e pudesse ter a visão restaurada. Todos nós oramos, ofertamos e demos apoio aos pais. Ele pertence a todos nós e a vida dele, tão curta até agora, já abençoou grandemente muitas pessoas.
Nós temos uma neta que nasceu com um tumor no cérebro. Foi um choque quando ficamos sabendo, MAS foi na hora certa, depois do nascimento dela quando podia tratar do problema, não antes quando teria causado muita tristeza e medo nos nossos corações.
Meu desafio hoje é que possamos medir tudo aquilo que ouvimos e herdamos de nossa cultura à luz da Palavra do Senhor, e que tomemos a posição de sempre obedecer a esta Palavra! A Susanna, como mãe, já fez esta escolha, e fico tão contente de ver os membros desta família servindo o Senhor juntos. Ela escolheu a VIDA, e estamos aqui hoje para apoiá-la, para amá-la e para encorajá-la nesta escolha! Louvado seja o nome do Senhor. No nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amén.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

O treinamento é importante, mas lembre-se de desfrutar!

Querida leitora,

Traduzi esse texto do blog Childwise Chat porque ele é simplesmente lindo! Se você é mamãe em tempo integral sabe bem quão exaustivos e frustrantes seus dias em casa podem ser. E também já deve ter experimentado o desejo de que o dia passe logo para você poder esticar um pouco as pernas e descansar sem nada para fazer. Eu sinto isso durante alguns dias - fico desejando ter um tempo só para mim, pra poder ler um livro, bater papo com alguma amiga, enfim, fazer coisas que me dão prazer e poder relaxar. Mas as palavras da Charisa me emocionaram e cheguei ao fim da leitura com um nó na garganta e lágrima nos olhos!

Espero que as palavras dela a abençoem, encorajem e inspirem!

E que em 2013 você faça o propósito de beijar e abraçar muito mais os seus filhos. Que você possa brincar e curti-los ainda mais do que fez no ano que passou! Criar filhos dá trabalho, mas tem começo, meio e fim. Depois que eles crescerem, só restarão as memórias.

Um forte abraço, Talita


Lembre-se de desfrutar (para ler o original, clique em Remember to Cherish)

São 15:00 e o efeito da cafeína já está passando. Está tarde demais para coar mais um cafezinho e eu fico imaginando de onde vou tirar energias para aguentar até a hora de dormir. Começo a me perguntar porque não coloquei o horário de dormir para 18:00 ao invés das 20:00 quando elas eram menores. Se tivesse, estaria duas horas mais próxima de colocar esses pacotinhos cheios de energia na cama.

Agora são 16:00 e apenas uma hora se passou desde a última vez que olhei no relógio. Como posso ainda estar tão longe do horário de dormir e da paz e do silêncio? Agora são 17:00 e finalmente posso começar a preparar o jantar. Isso há de preencher o tempo! São 19:30 e é hora de começar a preparação para ir pra cama. Rápido, rápido, rápido e levo-as para deitar. Finalmente, são 20:00 e tudo vai bem. As crianças estão na cama e agora eu posso ter um pouco de paz e silêncio.

Se você é como eu, talvez alguns dos seus dias sejam assim. É tão fácil querermos pular os momentos difíceis da vida para chegar nos mais fáceis. Mas que ganho há nisso? Já ouvimos tantas vezes que os tempos difíceis tornam os tempos bons mais doces. Isso é verdade para muitas coisas. Por exemplo, pense no seu trabalho de parto. As contrações, os suspiros e gemidos, e a espera. Agora lembre-se do momento em que você viu pela primeira vez aquele rostinho fofo todo amassado. Perninhas, bracinhos, dedinhos e a cabecinha balançando e berrando no seu peito. A dor valeu a pena.

Agora acelere o filme até os dias de hoje. Seu toddler fica literalmente no seu pé o dia todo. Braços e pernas agarrados em você e ela não larga por nada. Sua criança em idade pré-escolar está fazendo uma centena de perguntas ou simplesmente narrando o seu dia. Seu bebê está em pico de crescimento e quer comer a cada hora. Dói? Bem, talvez não doa, mas definitivamente cansa. Limpar baba da boca, limpar bumbum, limpar catarro de nariz, limpar superfícies, limpar melecas da janela... meus dias às vezes são assim. Quando chega 15:00 ou 16:00, eu já estou um bagaço.

Eu sinceramente tento treinar minhas filhas para serem adultas responsáveis. Este é o meu alvo e o meu objetivo. Às vezes em meio ao trabalho de treinamento eu me esqueço de desfrutá-las. Pra ser honesta, às vezes em meio ao trabalho eu me esqueço até de treiná-las! Eu sei que é importante ensinar minhas filhas a obedecerem imediatamente. É tão importante ensiná-las que se querem usar a canetinha rosa basta apenas pedir e não montar em cima da irmã para pegá-la. São lições que precisam ser ensinadas e os momentos propícios para isso frequentemente são no dia-a-dia da vida. Ser mãe é difícil. Eu sei que é. Posso me ausentar e ficar apenas de corpo presente ou me concentrar em olhar no relógio (que imediatamente pára de funcionar) esperando a hora de dormir. Meu ponto é que há muitas distrações que nos distanciam das alegrias de termos filhos. A alegria que eu tenho de ser mãe pode facilmente ser abafada pelo caos da vida.

Uma amiga já me disse inúmeras vezes que "os dias são longos, mas os anos são curtos". E eu digo isso para você também. Beije aquelas cabeças fofas mais uma vez, desfrute daqueles bumbunzinhos aos seus pés e ouça a enxurrada de palavras que sai da boca de sua amada criança.

Lembre-se que é um privilégio fazer parte dessas vidinhas. O seu trabalho é duro. É exaustivo, mas não dura para sempre. Os anos voam e não restará nada além de memórias. Não haverá mais menininhas implorando para você fazer cocegazinhas nelas. Não haverá mais menininhos querendo pular nas suas costas. Não haverá mais chás da tarde com as bonecas ou cabaninhas de lençol.

Eu olho para o rosto de minha filha mais nova e eu fico de boca aberta. Ela cresceu tanto nos últimos três anos. Minha outra filha de quase 5 anos está ficando cada dia mais madura e complexa. Eu sinto saudade da época que ela falava "Tatêtchi" em vez de "Tá quente". Ela tem metade da minha altura e eu mal consigo carregá-la mais. Quando senta no meu colo, não sobra nenhum pedacinho vazio.

Às vezes para conseguir desfrutar do meu tempo com as minhas meninas, eu preciso agir com estratégia. Faço questão de anotar todas as coisas engraçadinhas que elas dizem. Fico atenta ao que elas falam. Percebo que seu eu fizer questão de anotar uma ou duas coisas fofas por dia, eu escuto mais dessas fofuras. E ao ouvir mais, eu  passo a apreciar mais. Fico mais sintonizada com elas. Eu também faço questão de abraçá-las e de beijá-las toda vez que estou por perto. É simplesmente o que eu faço. Outra coisa é pular e brincar com elas durante o dia em pequenas partes. Eu aumento o volume do rádio e danço com elas na sala de estar, ou apenas sento-me no chão perto delas e faço perguntas. Pequenas ações, mas que me ajudam a direcionar o meu tempo para curtir minhas meninas. Que tipo de coisas você faz para ajudá-la a parar o que está fazendo e cheirar o chulé daqueles pezinhos?

O treinamento é importante. O jantar à mesa é importante, e as roupas limpas também. Mas ainda mais importantes são aquelas preciosas crianças. Elas não vão continuar assim para sempre. Elas vão crescer mesmo que você não se lembre que elas o farão. Elas estão numa estrada agitada de mão única pela qual nunca passarão novamente.

Então beije aquelas bochechas fofas. Dê mais abraços. Jogue mais uma partida. Lembre-se de desfrutá-las.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Meu bebê nasceu e logo termina minha licença. O que eu faço agora?

O comentário da Fabi à postagem Eu largar o emprego e depender financeiramente do meu marido? Você só pode estar louca! me inspirou a escrever o post de hoje.

É verdade que embora a renda extra seja um fator importante (e como é!) por causa da instabilidade econômica do país, ela não é o único motivo que leva as mulheres a se apegarem tanto às suas carreiras. Sim, é um tema complexo e, no meu ponto de vista, outro fator de igual peso à independência financeira feminina é a desvalorização da maternidade, assunto sobre o qual tratei aqui cinco meses atrás. Ser mãe hoje em dia não é mais a atividade principal na vida de uma mulher. Desde novas outros sonhos são postos à nossa frente - por meio da mídia, da escola, dos discursos que ouvimos sobre o que é "ter sucesso".

Aspiramos a uma vida profissional bem sucedida, almejamos estudar, conhecer, explorar, crescer, etc. Queremos fazer algo de importante com as nossas vidas, sonhamos em ser reconhecidas pelo nosso conhecimento e pelo trabalho que realizamos, enfim, desejamos fazer algo que de alguma forma impacte e ajude a transformar a sociedade em que vivemos. Esses novos sonhos não são ruins. Pelo contrário! O fato é que, em meio a tantos anseios e objetivos, a maternidade torna-se apenas "mais uma" de uma série de obrigações e responsabilidades que vamos assumindo ao longo de nossas vidas. E acho que posso afirmar com segurança e você há de concordar que, de modo geral, a maternidade deixou de ser prioridade.

E justamente por isso, em meio à toda euforia da gestação e inúmeros preparativos para a chegada do bebê, não pensamos muito em como será a nossa vida (e a do bebezinho que carregamos no ventre) após os 4 meses - ou para algumas privilegiadas, 6 meses - da licença-maternidade. Não é assim? A gente nem imagina como será difícil deixá-lo tão pequeno e indefeso aos cuidados de outra pessoa para retomarmos nossas funções profissionais. Passamos pelo parto e pelo pós-parto, superamos a fase de aprender a cuidar de um recém-nascido, aprendemos a amamentar, nos esforçamos para implementar uma rotina adequada e quando nos damos conta, o tempo acabou! Hora de voltar ao mercado de trabalho. O bebê nem saiu do peito ainda, mal começou a comer sólidos e já precisa passar por uma nova e difícil mudança: a separação da mãe e adaptação ao jeito de fazer as coisas de uma nova pessoa (talvez desconhecida).

E agora, quem vai ficar com o meu bebê para eu voltar a trabalhar? Deixo-o numa creche? Matriculo-o numa escolinha? Se sim, qual? Pago alguém para cuidar dele dentro da minha casa? Ou será que peço favor a algum parente próximo? Parece que dentre as diferentes possibilidades, não cogita-se ficar em casa. Isto mesmo quando o custo da escolinha em tempo integral equipara-se praticamente ao salário da mãe!!

Por isso, diferente da Fabi, eu não tenho receio de orientar mulheres nessa situação a deixarem de trabalhar. Ou de pelo menos ajudá-las a considerar que existe essa alternativa! E que é uma ótima alternativa, diga-se de passagem, uma vez que o comum e o que já está na mente de quase toda mulher (de classe média para cima) é voltar para o emprego!! Como a própria Fabi disse, as mulheres que ela atende como defensora pública são de baixa renda e, na grande maioria dos casos, desqualificadas para as boas posições no mercado de trabalho. Assim, presumo que elas não optaram por dedicar-se às prendas domésticas, mas o fazem porque não há outra saída. "Voltar para o emprego" para elas não era uma opção.

O que quero dizer que é que ficar em casa e ser "apenas mãe" por um tempo maior do que o permitido pela licença-maternidade não é uma opção que passa pela nossa cabeça de "mulher moderna" de classe média. Os contras são muito mais evidentes do que os prós. É o que tenho notado. Com certeza a possibilidade de algum dia ser "exclusiva do lar" não passa pela cabeça de muitas mulheres imersas na carreira antes de engravidar. Na minha não passava. E também não é muito frequente considerarem esta possibilidade após o bebê nascer. Depois que o filho nasce, achamos que temos de ser fortes e prosseguir com a vida como "toda mulher" faz - deixando-o numa escolinha, ou creche, ou com outra pessoa para cuidar dele pra nós.

Claro que o conselho que a gente dá sempre está vinculado à decisão que a gente tomou, mas se a mulher está angustiada porque sente que seu papel principal é estar ali do lado do filho e se vê relutando contra aqueles preconceitos (internos e externos) dos quais falei no último post, então sim eu a aconselharia a dar este passo de fé e abrir mão de sua carreira e independência financeira em prol da educação do seu filho! Pelo menos por um tempo, até ela e o marido sentirem que Deus os está guiando para algo diferente.

Os prós que a Fabi apontou são reais, mas se a mulher prioriza o casamento, penso que ela prioriza os filhos e a família também, até porque está tudo de certa forma interligado. Então eu imagino que se ela cogita essa possibilidade de ficar em casa com os filhos e o marido a apóia, muito provavelmente é porque desfrutam de uma estabilidade conjugal e existe cumplicidade e partilha de objetivos entre o casal. Quanto à instabilidade econômica, acho que ela sempre existiu, no nosso país e em qualquer outro, e todos independente de classe estamos sujeitos a adversidades e infortúnios financeiros de vários tipos (falência, desemprego, etc. mas, sobretudo, se formos mau administradores!). Não creio que faça tanta diferença assim se os dois estão empregados ou se apenas um. Aqui entra a questão de fé - quando estamos no centro da vontade de Deus, não temeremos más notícias pois Ele irá prover tudo o que precisarmos. Nada faltará, pois junto com a missão, Deus dá os recursos!

Com isso estou dizendo que a mãe que fica em casa é melhor do que a que sai para trabalhar? Não. Isso seria generalizar. Há mães que ficam em casa e fazem um péssimo trabalho enquanto outras ralam o dia todo fora e conseguem dar uma ótima educação para os filhos. Meu ponto é que se existe a possibilidade de a mãe ficar mais tempo com a criança e ela aproveita bem esses momentos isso é, sem sombra de dúvida, muito melhor para o estabelecimento de vínculos emocionais com a criança e, portanto, para a família.

No momento estou lendo o livro "Why Love Matters", de Sue Gerhardt, uma psicanalista e psicoterapeuta que fala sobre o papel do afeto no desenvolvimento do cérebro do bebê. O livro está repleto de dados referentes às últimas pesquisas na área da bioquímica, neurologia, psicologia e psicanálise que apontam para a importância dos primeiros dois anos de vida e que como as experiências vividas durante esse curto período refletem, inconscientemente, em nossas ações na vida adulta. Cá entre nós, conquanto haja escolinhas infantis e educadores maravilhosos em muitos cantos desse país, as chances de ter uma bem pertinho de você e que seja acessível ao seu bolso são baixas. E por mais amoroso, dedicado e bem-intencionado que seja o parente ou a babá que você arrumou para ficar com seu filho, dificilmente ele fará o trabalho melhor do que a mãe que o ama incondicionalmente e que, eu creio, é a pessoa ideal para educar e cuidar desta criança. Oras, não dá para ser ingênuo e pensar que a forma como a sociedade está estruturada hoje em dia realmente esteja com os melhores interesses da criança (ou da família) em mente.

O lema "socialização por meio da escola", tão em voga atualmente, foi elaborado para nos fazer crer que não enviar nossos filhos à escola tão cedo quanto possível é fazê-los um mal terrível e privá-los de um direito (que em nome dele, priva-os de outro talvez ainda mais importante, vai entender...) quando sabemos que, por trás dessa bandeira de 'escolarização precoce' está a necessidade de que ambos os pais trabalhem e produzam para a sociedade.

De qualquer modo, é preciso fazer a distinção entre a situação ideal da possível. Nem todas as famílias têm essa possibilidade da mãe pessoalmente cuidar da criança (mesmo que com ajuda em parte do dia). Por isso, se a possibilidade existir, acredito que a mãe (ou pai) deva sim aproveitá-la, atendendo a este chamado como um dos mais importantes da sua vida. Mas, se realmente não houver a possibilidade e o casal entender de Deus que este não é o caminho para sua família, então devem descansar e crer que Ele irá sustentar sua família de outras formas, dando novas estratégias e meios para que possam realizar a missão que Ele lhes deu. Algumas histórias que tenho ouvido têm me enchido de fé. Mulheres que enfrentaram esse dilema, agiram em obediência àquilo que criam ser um princípio da Palavra, apesar dos temores financeiros, e sendo grandemente abençoadas. Quem sabe algumas delas topem escrever para nós a sua história!

Para terminar, gostaria de contar um pouco da minha. Afinal, as nossas escolhas não são à toa, não é mesmo? Sempre tem um porquê por trás que mostra o trabalhar de Deus em nossas vidas.

Como a Fabi, minha mãe era funcionária pública. Até onde eu sei, por muito tempo ela ganhou mais do que o meu pai e, talvez por isso, quando eu e meu irmão nascemos (ele é 2 anos mais novo), ela começou a pagar empregada para ficar em casa com a gente durante o dia. Aos três anos comecei a ir à escola. Nunca conversei com a minha mãe sobre isso, mas hoje que também sou mãe imagino que não tenha sido uma situação fácil para ela. Já ouvi algumas histórias de babá que batia em mim e outros incidentes, como eu ter deslocado o braço aos 7 meses e sofrido uma queimadura grave nas costas com leite fervendo aos 4 anos. Isso deve tê-la deixado angustiada. Talvez culpada? Como ela sempre trabalhou muito longe (no centro da cidade), saía de casa cedinho, antes mesmo de acordarmos de manhã. Era meu pai que nos levava para a  escola e eu tenho boas lembranças de conversas com ele dentro do carro. Mas eu via a minha mãe bem pouco durante a semana, pois ela só chegava em casa por volta das 18:00.

Eu e meus irmãos (a mais nova nasceu 9 anos depois de mim) fomos criados por empregadas. Uma delas cuida de mim desde os 7 anos, ela é como minha irmã mais velha. Até hoje está na casa da minha mãe (faz 23 anos!) e me ajuda com os serviços domésticos aqui em casa também. Não posso reclamar porque, como dizem, "tive do bom e do melhor". Fui muito abençoada por estudar num colégio caro e maravilhoso (de onde quase saí várias vezes por causa do alto valor da mensalidade), pelo qual sou eternamente grata! Mas é inegável que minha mãe pagou um alto preço. Um preço que me faz estremecer só de me imaginar na pele dela. Nesse sentido, minha mãe é muito mais forte do que eu! Além de problemas no casamento (lembro que meus pais tiveram crises horríveis e quase se separaram na minha pré-adolescência), o preço mais alto, acredito, foi o vínculo com os filhos. É vergonhoso para eu admitir isso agora depois de adulta, mas gostávamos de brincar e conversar mais com o meu pai do que com ela porque ele tinha mais tempo e paciência para nos ouvir e disposição para brincar. Minha mãe vivia estressada. Também, pudera! E na adolescência, além do meu pai que sempre foi o meu mentor espiritual, eu acabei buscando em outros adultos um referencial com quem eu pudesse me abrir e compartilhar minhas lutas. Eu invejava as meninas que tinham na mãe uma amiga porque com a minha eu não me dava tão bem. Sentia que ela não me entendia, não me conhecia. Confesso que tive muitas resistências a ela por isso. Achava, por exemplo, que ela queria 'me comprar' com os excessivos presentes que ela dava (hoje entendo que essa era a linguagem de amor dela) e somente depois de me casar é que o nosso relacionamento começou a melhorar.

Será que se a minha mãe tivesse optado por ficar em casa nosso relacionamento teria sido melhor - ao ponto de sermos best friends? Talvez sim, talvez não. Não tem como eu saber. Mas suponho que se ela tivesse exonerado o cargo, talvez eu não tivesse estudado na PACA e dificilmente eu teria tido exemplos tão inspiradores de pessoas de Deus com quem eu pudesse me identificar a ponto de desejar seguir na fé em Cristo. Só por isso, eu já tenho motivo de sobra para ser grata à minha mãe pela escolha que ela fez: de ter priorizado a estabilidade financeira da família e me dado esta oportunidade de estudar por treze anos lá. Ou, de igual modo, ela poderia ter exonerado o cargo, ficado sem emprego e Deus abençoado minha família de tal forma que meu pai ganhasse o dobro ou o triplo do que ela?! Haha, não sei... são apenas suposições.

O fato é que não tem como mudar o passado. Apenas olhar para trás e procurar entender como chegamos onde estamos para então decidir que caminho tomar daqui pra frente, pois o que está feito, está feito. Deus foi fiel em tudo, em cada detalhe. Só tenho o que agradecer!

Quando chegou a minha vez de voltar para a empresa, eu fiquei num terrível dilema e a decisão de parar de trabalhar passou por um período de amadurecimento. Como sempre trabalhei em empresa familiar, quando a Nicole nasceu tive a regalia de continuar desempenhando minhas tarefas de casa. Eu trabalhava duro. A levava para a empresa comigo algumas vezes e quando estava em casa aproveitava cada segundo das sonecas dela para dar conta de tudo. Quase não descansava. Quando a Alícia nasceu, por um ano tentei fazer o mesmo esquema, mas com duas era muito mais difícil. Eu me sentia entre a cruz e a espada. Além de terrivelmente exausta, eu vi que não estava fazendo nem um nem outro bem o suficiente. Qualquer coisa estava me irritando e eu descontava tudo no Douglas. Mas parar de trabalhar? Eu passava mal só de pensar na hipótese - pelo financeiro sim, mas principalmente pelo trabalho em si. O depto pedagógico da empresa era o meu xodó!

Enfim, sair da empresa era algo que eu NUNCA me imaginei fazendo e me dava dor de barriga só de pensar. Orei muito. Quando falei para o meu pai o que estava pensando em fazer, ele logo sugeriu que eu pagasse alguém para cuidar das meninas porque a empresa estava precisando de mim. Mas dentro de mim eu sabia que não podia fazer isso! Eu tinha tanto ainda para ensiná-las, não poderia passar essa tarefa para outra pessoa. Era a MINHA responsabilidade e sabia que me arrependeria no futuro se abrisse mão dela. Bem, Deus me conhece e sabe como sou indecisa e bastante insegura para um monte de coisas, então Ele ouviu as minhas súplicas e me deu uma ajudinha. A volta à faculdade foi o empurrão que eu precisava para "sacrificar o meu Isaque (=o trabalho)", porque eu sabia que fazer as 3 coisas bem eu não poderia!

Minha família (a parte que trabalha na empresa) ficou sem acreditar e sem entender também. Minha mãe comenta até hoje que fica abismada com a minha decisão de ficar em casa, porque agora com um salário a menos, precisamos cortar despesas. Um dos cortes foi a escola da Nicole, vou ficar com ela o dia todo em casa no ano que vem. Outro corte é a empregada que passará a vir somente uma vez por semana para fazer a faxina pesada pra mim. A Fabi falou em arrependimento. Acho que é cedo para falar nisso. Mas a esposa do meu pastor, que é uma das pessoas com quem me aconselho, disse que nunca viu uma mãe que optou por ficar em casa se arrepender da decisão (e olha que ela conhece muitos casos!). Estou confiando que sim!

Para terminar (de verdade agora!), preciso fazer uma confissão. Prontas para outra baita revelação sobre a minha pessoa? Um dos meus maiores medos referente à maternidade era ter filha mulher. E olha só hoje eu com duas! Eu achava que eu não seria capaz de ser uma boa mãe de filha mulher. Sério!! Antes mesmo de engravidar, eu já tinha ciúmes do relacionamento de "pai e filha" que meu marido teria com ela(s) - assim como eu tinha com o meu pai - e secretamente sonhava em ter filhos homens para poder ser a 'queridinha' deles. Haha, pois é!! Mas Deus me ajudou a superar esse medo e hoje vejo que não passavam de ilusão! Amo ser mãe de meninas (embora ainda queira meus dois meninos) e estou curtindo muito!

Quais são os seus pensamentos a respeito da mãe colocar a carreira "em espera" (ou abandoná-las de vez) para cuidar dos filhos? Usem o espaço para comentários abaixo e dê sua opinião!

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Eu largar o emprego e depender financeiramente do meu marido? Você só pode estar louca!

Recentemente em pé numa fila ouvi mãe e filha conversarem bem atrás de mim. Falavam do namorado da filha que, pelo que pude entender, tinha carro e a levava para os lugares onde ela precisava ir. Insatisfeita, a jovem se queixava de que precisava logo arrumar um emprego pra poder ter "as coisas dela". A justificativa, para citar as exatas palavras que ela usou, foi que "não tem nada pior do que depender de homem", ao que a mãe prontamente confirmou: "Ah, isso é. Não tem nada pior mesmo".

Essa conversa imediatamente me fez lembrar de uma matéria publicada em 30/10/2012 no UOL Mulher intitulada "Ao abrirem mão da carreira para serem donas de casa, mulheres sofrem preconceito". A matéria fala de mulheres que estudaram, se especializaram, construíram uma carreira bem sucedida, ganharam dinheiro mas que, "após tantas conquistas, decidiram abrir mão da independência e da autonomia financeira para fazer o caminho inverso" e estão voltando a assumir os cuidados com o lar e as crianças. No caso das duas mamães em foco na matéria, frisou-se que o apoio financeiro e emocional dos maridos foi fundamental.

Eu associei a conversa acima à reportagem justamente por causa da mentalidade de "meu dinheiro" e "seu dinheiro" que está impregnada na mente da maioria das pessoas, infelizmente! Você já deve ter ouvido falar de casais que, em nome da liberdade e individualidade dos cônjuges, um não sabe quanto o outro ganha. Ou então de marido e mulher que fazem 'comprinhas escondidas' para não arrumar confusão em casa. São poucas as famílias que consideram todo dinheiro que entra como "nosso dinheiro" e não dividam as contas que um paga e que outro paga. Penso se, no caso das mulheres "do lar", isso é causado por algum comportamento egoísta do marido - de repente de má vontade para com as necessidades da esposa já que mulher normalmente é vista como 'gastona'? Ou talvez seja coisa da cabeça da esposa mesmo que acredita que precisa do "seu dinheirinho" para se sentir uma mulher independente e "poderosa".

Não sei, mas independente da raiz do pensamento, parece que a mulher DEPENDER do homem é sinal de retrocesso ao movimento feminista que conquistou "direitos iguais" entre os sexos em nossa sociedade, já repararam? E o preconceito contra a mulher que fica em casa (e não ganha salário) não me parece ser exclusividade do público feminino. Muitos homens aderem à apologia da mulher valorosa e poderosa como aquela que está no mercado de trabalho, que ganha e que administra o próprio dinheiro - ainda que secretamente alguns possam desejar algo diferente para suas parcerias, é verdade. No contexto da pós-modernidade intelectual em que vivemos, ai do homem que disser que gostaria que a esposa ficasse em casa e pessoalmente cuidasse da educação dos filhos, não é mesmo! Já imaginou a revolta? Bom, pelo menos na minha faculdade eu sei que esse indivíduo seria ferozmente execrado como machista, dominador e opressor das mulheres! O acusariam ferrenhamente e ainda acrescentariam: "Ah, bonito, então por que não fica em casa você pra limpar, cozinhar, trocar fralda de bebê e cuidar de criança o dia todo já que faz tanta questão assim de não pagar alguém para fazer esse serviço?", indicando nas entrelinhas que dedicar-se aos filhos e à administração do lar não é uma realização muito importante. A supremacia do local de trabalho (ou do estudo) sobre o ambiente familiar está tão impregnada em nós que é que como se ficar em casa fosse sinônimo de emburrecer, de atrofiar o cérebro por falta de uso, de viver uma vida medíocre dependendo de outro (o marido, que é quem desempenha uma atividade que realmente tem relevância para esta sociedade que pouco valoriza a família). Você já percebeu a maneira como consideramos que o bom e saudável para qualquer indivíduo (seja homem, mulher, criança, adulto ou velho) é estar em todo e qualquer lugar que não seja em casa, vivendo a vida comum do lar?

Eu gostei tanto da reportagem porque ela aponta o contrário!

A mulher que fica em casa tem uma nobre missão e um imenso privilégio de ficar perto dos filhos nos anos em que as bases para as suas vidas estão sendo formadas. Primeiro, o fato dela poder escolher ficar em casa e cuidar da prole significa simplesmente isso: que ela tem escolha! Apenas isso. Não significa que ela é menos do que o homem, apenas que ela não precisa vender o seu tempo para outro em troca de dinheiro para conseguir colocar comida na mesa. Significa que o marido ganha suficientemente bem para sustentar toda a família e garantir a ela esse PRIVILÉGIO de ser mãe em tempo integral. Claro que em muitos casos sacrifícios são feitos, grandes sacrifícios até!

No meu caso e no caso de algumas mulheres que eu conheço (e estou cada vez mais surpresa com os depoimentos que ouço!), a opção de ficar em casa foi feita por acreditarem que era o melhor para o bem-estar das suas FAMÍLIAS, que elas decidiram priorizar acima de suas próprias carreiras profissionais. E elas toparam abaixar o padrão de vida (por tempo indeterminado) e abrir mão de certos luxos e/ou regalias e até certas necessidades, em prol desse objetivo. No meu caso, pelo menos, foi o que aconteceu. Cortes substanciais foram feitos no orçamento familiar depois que a renda caiu pela metade quando eu parei de trabalhar fora. Planejamos que aguentaríamos as pontas por 18 meses, que era o tempo previsto para eu terminar a faculdade, mas para ser sincera eu gostaria de ficar em casa com as meninas por mais tempo. Se até lá o salário do meu marido for suficiente para dar conta de nossas despesas, acho que é o que farei. Está sendo muito bom assumir, em tempo integral, a tarefa de ensiná-las a respeito de praticamente tudo no nosso dia-a-dia de vida, tanto em termos de desenvolvimento intelectual, quanto espiritual e físico. Além disso, em casa tenho liberdade para trabalhar em projetos pessoais, a fazer o que gosto no tempo e da maneira que eu quero (ou consigo), sem pressão externa de cumprir horário.

Como a psicóloga da matéria diz, a mulher que não trabalha fora não é menos importante que o homem. Ela está ao lado dele, eles são parceiros nessa empreitada (de construir uma família). E ela também não é pior do que a mulher que passa todos os dias da semana dentro de uma empresa, no ambiente profissional do mercado de trabalho. Percebo que o ponto nevrálgico dessa questão é que o preconceito contra ficar em casa não vem somente de fora. Sim, a sociedade cobra, existem as pressões externas. Mas talvez muito mais fortes sejam as internas, o preconceito que está dentro de nós mesmas. E eu me pergunto por que será que sofremos tanto com este estigma e autoconceito negativo por ficar em casa? De onde vem a vergonha e/ou a culpa por "não estar fazendo nada"? Será que tem a ver que a gente secretamente pensa que tem de ir para o trabalho para fazer algo de útil e importante com as nossas vidas? E essa neura de que não merece gastar "o dinheiro do marido" e sentir que precisa dar um jeito de ter sua graninha por fora, de onde vem? Pode ser mesmo que uma nova fonte de renda seja algo necessário para alcançar os objetivos da família a longo prazo, mas até que ponto também não é fruto do desejo de "contribuir financeiramente" de alguma forma por achar que o que faz em casa (cuidar dos filhos, por exemplo) não é suficiente para torná-la uma mulher de valor? O que alimentou esse pensamento que nos acusa de estarmos sendo folgadas?

Todos os exemplos que eu dei são de preconceitos que eu já presenciei ou mesmo já tive, inclusive contra mim mesma. Mas, puxa, tenho percebido que dizer que a mulher que cuida do lar e dos filhos não trabalha é uma baita inverdade. Nunca trabalhei tanto em minha vida! Claro que eu também cansava quando passava o dia todo fora de casa, mas o cansaço de trabalhar em casa e cuidar dos filhos é um cansaço bem diferente. Exige muitas habilidades ao mesmo tempo, exige atenção redobrada, exige disciplina... e às vezes significa mal ter privacidade pra ir ao banheiro sozinha! Nesse sentido, passar horas sentada na frente do computador escrevendo, criando e resolvendo "pepinos" era menos cansativo. Ficar em casa dá mais trabalho!