Texto extraído do blog "The Beginning of Wisdom" e originalmente publicado em 21/05/2013. Traduzido por mim com permissão da autora.
FAQ: Should I make my child apologize? - By Jen Wilkin
Pais frequentemente me perguntam se é errado exigir que seus filhos peçam desculpas quando agem com falta de respeito ou desobedecem. Geralmente, a preocupação é que, ao fazê-lo, eles estejam ensinando o filho a mentir. Não seria muito melhor esperar a criança pedir perdão quando ela está realmente arrependida em vez de forçá-la a repetir um pedido de perdão que você a ensinou?
É louvável que você queira que o seu filho fale e aja sempre pelos motivos certos. E sim, obediência segundo o padrão de Deus vai além do que simplesmente dizer as palavras certas - a obediência segundo o padrão de Deus diz respeito a palavras certas com as motivações certas, é fazer o que é correto pelos motivos corretos. É esse tipo de obediência que pais cristãos desejam que seus filhos aprendam.
Mas como esse tipo de obediência é aprendido? Como a obediência segundo o padrão de Deus é assimilada? A resposta pode surpreendê-lo(a). Diferente dos adultos que aprendem pela razão, as crianças pequenas aprendem pela ação. Os adultos precisam ser convencidos de que uma determinada ação é a correta antes de desejarem adotá-la. As crianças, por outro lado, aprendem a fazer o que é certo antes de serem intelectualmente capazes de compreender as razões por trás da ação. Para elas, agir da maneira certa precede o entendimento do porquê é a atitude certa.
Os pais intuitivamente compreendem e aplicam esta "verdade educativa" com crianças pequenas em muitas áreas:
- Ensinando a linguagem dos bons modos antes que elas desejem ser corteses ("por favor" e "com licença").
- Ensinando a linguagem da gratidão antes que elas se sintam gratas ("obrigado(a)").
- Ensinando a linguagem do respeito antes que elas queiram ser respeitosas ("senhor" e "senhora").
- Ensinando a linguagem da oração antes que elas tenham desejo de orar (Deus é bom, o Pai Nosso, etc.).
Em suma, ensinamos para elas as linguagens que elas devem dominar para interagir com as pessoas antes mesmo que compreendam o valor ou o conceito do porquê essas linguagens são necessárias e boas.
Por isso, minha resposta para a pergunta "Devo exigir que o meu filho peça perdão?" é um enfático "Sim". Se nós fielmente já ensinamos as linguagens dos bons modos, da gratidão, do respeito e da oração, então por que não ensinar a linguagem do perdão? Não é uma linguagem igualmente importante que eles saibam? Por que ensiná-los a pedir perdão os encorajaria a mentir, mas a dizer "obrigado(a)" sem estar com o coração grato não? Não seria cruel deixar nossos filhos de mãos vazias numa situação em que o perdão precisa ser buscado?
A criança litúrgica
Crianças são criaturas extremamente litúrgicas: elas amam a repetição. Isso explica a capacidade que elas têm para ouvir a mesma história ou ver o mesmo filme muitas e muitas vezes, o apego que têm a um ritual na hora de dormir ou a um ursinho de pelúcia, a tendência de gritar "De novo, de novo!" quando andam num carrossel. As crianças são programadas para a repetição porque a repetição as ajuda a aprender.
Assim como o pastor de uma igreja que usa liturgia toda semana não presumiria que sua congregação tem fé genuína só porque ela repete o Credo Apostólico, nós pais não presumimos que os nossos filhos estão realmente arrependidos só porque aprenderam a pedir desculpas. Mas nós damos a eles as palavras certas confiando que a motivação correta irá acompanhá-las à medida que eles amadurecem.
Assim como a congregação precisa ver o pastor viver na prática a liturgia que ele usa na ministração, os nossos filhos precisam ver em nossas vidas a verdade das linguagens que lhes ensinamos. Uma criança que vê seus pais, genuinamente arrependidos, pedir perdão quando erram com eles irá rapidamente aprender a fazer o mesmo. Toda vez que pedimos perdão aos nossos filhos, nós damos a eles uma ideia de como é um genuíno e maduro pedido de perdão: "Me desculpe por tê-lo(a) machucado com as minhas palavras. No seu lugar eu ficaria assustado(a) e triste porque a Mamãe gritou com você. Não é certo eu falar assim com você. Você é precioso(a) para mim. Eu o(a) amo muito e não quero fazer isso novamente. Eu não honrei a Deus e eu não honrei você. Eu oro que Deus me ajude a mudar. Você me perdoa?".
Crianças mais velhas e pedidos de perdão
Devemos exigir que crianças mais velhas peçam perdão? À medida que crescem, elas se tornam intelectualmente capazes de associar a motivação correta à ação correta. Elas se tornam aptas a pedir perdão sem serem mandadas e sem palavras decoradas. Uma criança mais velha que já demonstrou genuíno arrependimento (e tem o exemplo dos pais), provavelmente está pronta para uma abordagem diferente quando um pedido de desculpas se faz necessário.
- "Essa foi uma reação exagerada. O que você acha que precisa acontecer agora?" (Eu preciso pedir desculpas). "Sim. Você está pronto(a) para fazer isso agora ou precisa de alguns minutos para pensar no que quer dizer?".
- "Eu acho que você já sabe qual a coisa certa para se fazer agora. Eu oro para que o Espírito Santo lhe mostre que você precisa de perdão. Estaremos prontos para conversar quando você estiver".
- "Você precisa pedir perdão para a sua mãe. Use alguns minutinhos para pensar sobre o que você quer dizer e, quando estiver pronto(a), venha dizer a ela como você se sente sobre o que aconteceu".
E então sim, espere o arrependimento genuíno se manifestar. Se demorar muito a aparecer, talvez sejam necessárias mais conversas sobre como a falta de perdão prejudica os relacionamentos e também estabelecer consequências que deem conta do recado. Mas a criança que está acostumada com um pai que rapidamente se arrepende e perdoa irá tipicamente fazer o mesmo.
Então, sim, exija um pedido de perdão do(a) seu(sua) filho(a) pequeno(a). Não permita que o medo de ensiná-lo(a) a mentir impeça você de educar seus filhos na liturgia do arrependimento. Seja exemplo para eles do que significa arrepender-se segundo o padrão de Deus, eduque-os fielmente na linguagem do perdão e ore para que o Senhor use as suas palavras e o seu exemplo para trazer genuíno arrependimento aos seus pequenos corações.
Jen Wilkin é esposa, mãe de quatro incríveis crianças e defensora de que as mulheres amem a Deus com suas mentes através do fiel estudo da Sua Palavra. Ela escreve, ministra e ensina mulheres sobre a Bíblia. Ela mora em Flower Mound, no Texas, e sua família chama "The Village Church" seu lar. Você pode encontrá-la em www.jenwilkin.blogspot.com.
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Aqui, mamães muito diferentes mas com um único objetivo compartilham suas experiências nesta grande aventura que é a maternidade! Nós queremos, acima de tudo, ser mamães sábias, que edificam seus lares e vivem com toda plenitude o privilégio de sermos mães! Usamos muitos dos princípios ensinados pelo Nana Nenê - Gary Ezzo, assim como outros livros. Nosso objetivo é compartilhar o que aprendemos a fim de facilitar a vida das mamães! Fomos realmente abençoadas com livros (e cursos) e queremos passar isso para frente!
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"Com sabedoria se constroi a casa, e com discernimento se consolida.
Pelo conhecimento os seus cômodos se enchem do que é precioso e agradável"
Prov. 24:4,5
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quinta-feira, 22 de agosto de 2013
terça-feira, 23 de julho de 2013
2 anos de Alícia!
Atrasadíssima, mas aqui estou para contar um pouco das novidades dos últimos 2-3 meses. Sim, porque já se passaram 34 dias do 2º. aniversário dela. Ou seja, ela já está com 2 anos e 1 mês!
Rotina, Sono, Dentição e Alimentação
A rotina da Alícia continua a mesma. Ela dorme bem à noite (no mínimo 11 horas seguidas) e tira sonecas de 3 horas à tarde (geralmente das 12:00 às 15:00). Aliás, eu tenho a impressão de que ela dorme melhor do que a irmã nesta idade. Raras vezes a Nicole passou das 7:00 da manhã (era um reloginho), a Alícia já algumas vezes. Um dia me surpreendeu acordando às 8:15!
Os dentes dela demoraram a começar a nascer, mas agora ela já está com o sorriso praticamente completo. Depois de publicar o último post (leia aqui) contei e ela já estava com 12 dentes! Faltavam 8 pra completar os 20 dentes de leite. Preciso contar de novo pra saber quantos ela já tem agora, rs. O que me impressionou é que do 1º dente até o 12º se passaram menos de 8 meses. Pouco tempo, né?
Quanto à diarreia, ela tomou o vermífugo daquele vez e não fiquei convencida de que o problema era esse. Eu acho que era de engolir pasta de dente! Agora ela está usando um creme dental específico pra crianças bem pequenas (sem flúor) e a diarreia parou de vez (embora ela continue fazendo cocô muitas vezes por dia, pelo menos duas, que eu entendo que seja sinal de boa alimentação e saúde). Eu explico que ela precisa cuspir e não pode engolir, ela faz que 'sim' e tenta, mas não adianta. No fim das contas, ela engole muita água com pasta ainda assim!
Uma observação é que aos poucos percebo que a Alícia está diminuindo a ingestão de alimentos. Mas ela continua comendo com muita pressa (igual à mamãe e diferente da irmã e do papai que comem devagar). Hoje, por exemplo, parti uma pera em 4 partes para dar de lanche da tarde. Enquanto a Nicole comia 1/4 da pera, a Alícia comeu as outras três partes!! Muito veloz essa menina, eu preciso ensinar para ela que é preciso mastigar melhor, com calma, e não engolir a comida toda de uma vez.
Desenvolvimento, Temperamento e Relacionamento com a irmã
Preciso confessar: tenho uma dificuldade imensa de não compará-la com a minha outra filha. Eu tento, prometo que tento, mas a Nicole acaba sendo a minha referência. O problema é que a minha memória NÃO é confiável. Não mesmo porque eu fico achando que a Nicole sabia muito mais coisas nesta idade, tinha uma pronúncia muito melhor, etc. E vai ver até sabia mesmo (porque ainda não consegui ensinar as cores pra Alícia!!), mas o fato é que um dia desses o Douglas me mostrou um vídeo da Nicole com 2 aninhos (aprox.) brincando com a Alícia recém-nascida e a pronúncia dela estava horrível também, kkkk!
Eu me admirei e achei engraçado porque naquela época a minha percepção do "bom" e "ruim" era outra completamente. Para os meus ouvidos a Nicole falava super bem, eu entendia tudo direitinho... rsrs. E agora eu fico com essa cisma com a Alícia, tadinho do segundo filho, né? A mãe o compara injustamente com o filho mais velho. Eu sei que faço isso inconscientemente e tento me policiar para incentivá-la e elogiá-la de igual modo. Ainda bem que existe a tecnologia para nos mostrar o que REALMENTE aconteceu. :-)
Tudo isso para dizer que estou me esforçando para deixar a Alícia se desenvolver no seu próprio tempo e acho que ela está indo muito bem. Ela repete as palavras espontaneamente, forma frases com 3-4 palavras (inglês e português misturado, quero só ver quando começarmos a aprender francês no Canadá!), enfim está se esforçando para se comunicar e interagir. E aprendendo a ser tagarela e insistente como a irmã (socorro!). Está cada vez mais parecendo mocinha crescida. Aprendeu a pular de verdade recentemente (antes ela mexia o tronco como se estivesse pulando, só que sem tirar os pés do chão). Aprendeu a beijar também - antes fazia só o barulhinho "uá" (a Nicole fazia "bi", rs).
Quanto ao temperamento, noto que a Alícia está aos poucos deixando de ser tão insegura e agarrada em mim. Ela é do tipo criança agarrada nas pernas da mãe, sabe? Aquela que fica seguindo-a pela casa o dia todo. Cheguei a me perguntar algumas vezes o que eu tinha feito para ela ser assim, rs. É difícil aceitar que esta é a personalidade dela, eu fico achando que é a minha culpa! Esse apego todo me frustra às vezes. Eu sinto que ela não está tão confiante e independente quanto a Nicole (que começou a ir para a escolinha aos 18 meses) estava nesta idade. Desde bebê a Alícia aceitava bem ficar no berçário da igreja (nunca ou raramente chorava), mas agora ela não está mais querendo ficar e eu fico sem entender o porquê. Depois que aconteceu um acidente lá dentro há alguns meses, em que ela caiu e machucou a boca, eu estou com receio de ficar insistindo. Por causa da diferença de idade, as meninas ficam em salas diferentes e percebo também que isto deixa a Alícia chateada. Ela aponta para a sala da irmã e diz que quer entrar lá com ela.
Parando para refletir agora, uma vez por mês durante a semana eu as levo comigo para uma reunião de mamães que tem na igreja. E nesse dia as tias juntam as salas e elas brincam juntas. Foi em um dia da semana que ela caiu e se machucou. Mas aos domingos é separado e a Alícia não se conforma que um dia ela pode brincar com a irmã e outro dia não, então ela chora e esperneia muito quando a deixamos na porta.
Como acho que já deu pra notar, ela é muito apegada à irmã e se espelha muito nela (imita tudo, rs). Se algum dia ela acorda mais tarde e não vê a irmã na cama, a primeira coisa que ela pergunta é "Dê Kicky?" (ela não consegue dizer Nicky ainda, rs). Uma das expressões que ela mais tem usado ultimamente é "___ Kicky too", sempre incluindo a irmã em tudo o que faz ou quer/pede pra fazer. É bem fofo de ver. Esses dias ela me pediu pra ir na casa da vovó, eu respondi que a gente iria tal dia e daí ela perguntou: "Vovó house Kicky too?" Ou o contrário, a Nicole pede algo e no mesmo instante ela vem para mim e diz "Me too." ou "Isha too." (Isha é o jeito que ela pronuncia o próprio nome, mas às vezes ela diz Ily também).
No geral, ela é muito simpática e amável com as pessoas (as pessoas comentam), exceto com o pediatra - até hoje ela chora muito quando ele vai examiná-la. E eu percebo também o coração materno dela, é uma graça observar como ela ama cuidar de suas bonecas, cobri-las com o paninho, alimentá-las, etc. Ela é bem carinhosa e espirituosa. E olha que não tem nenhum bebê na família para poder dizer que ela está imitando o comportamento adulto de alguém (como a Nicole quando a irmãzinha chegou da maternidade), mas quando ela encontra bebês em festas ou outros lugares públicos, ela fica extasiada de alegria e voluntariamente se aproxima do carrinho ou do colo da mãe pra conversar e fazer carinho nele(a).
Peripécias
Algumas semanas atrás ela se machucou feio em casa - cortou o lábio e precisou levar três pontos! Ela não estava fazendo nada de perigoso. Meu marido tinha saído com as meninas pra eu poder dar uma geral na casa e lavar a roupa. Quando elas voltaram, umas 3 da tarde, eu estava na sala passando roupa. A Alícia havia pulado a soneca e estava cambaleando de sono, deveria ter ido direto tirar uma soneca. Mas a Nicole estava firme e forte, toda agitada, e chamou-a pra brincar de "barquinho" com os meus cestos de roupa pra passar (que têm formato parecido com barco mesmo). São três, um de cada tamanho, e já estavam vazios. A Nicole entrou no maior e a Alícia no menor. Na hora de levantar, ela se desequilibrou e caiu pra trás contra a parede. O cesto virou junto e bateu com tudo na boca dela. Quando vi o sangue pensei que ela tivesse quebrado um dente! Eu sou muito mole para essas coisas (era meu marido sempre que as segurava para tomar vacina no posto!) e comecei a passar mal de ver (e imaginar) o corte aberto. Eu falei para o meu marido que eu dirigiria, mas ela só queria o meu colo e ficou chorando no caminho. Então tive de enfrentar minha própria fraqueza pra segurá-la no colo no banco de trás enquanto íamos para o pronto socorro!
| Esta foto é de fev/13, mas dá para ver como são os cestos. |
No momento estou ensinando a Alícia a não falar "não" para a mamãe (é a resposta padrão dela para qualquer comando - a fase conhecida como "terrible twos"). Estou insistindo na frase "Yes, Mommy" para ensinar a submissão. E quando ela desobedece e eu a disciplino também insisto para que ela use o "Sorry, Mommy" para ensinar a humildade. No relacionamento entre irmãos, o meu foco em casa é ensinar a generosidade. Quem tem filhos nesta idade sabe muito bem como é complicado administrar conflitos. Uma criança sempre quer o brinquedo que está nas mãos da outra. E, geralmente, é o filho mais velho que precisa ceder. Aqui em casa eu faço diferente. As duas recebem tratamento igual (na medida do possível) porque meu objetivo é que as duas aprendam a dividir e a ser amáveis.
Então quando uma quer o brinquedo que está nas mãos da outra (acredite, isso acontece várias vezes por dia), primeiro eu me certifico que de que ela está pedindo de forma apropriada - com calma e usando "por favor". Digo isso porque, principalmente com os menores, o desafio é ensiná-los que não pode-se arrancar as coisas das mãos dos outros (o famoso 'domínio próprio', tão importante de ser ensinado desde bebês). Em segundo lugar, eu reforço o pedido feito, dizendo algo do tipo: "Alícia, Nicole wants to play with that toy too. Can you share it with your sister, please?" (traduzindo: Alícia, a Nicole quer brincar com este brinquedo também. Você pode dividi-lo com ela, por favor?). Se a criança se recusa e diz que não, daí eu digo: "If you can't share your toys, then you can't have them. Give it to me, please" (Se você não consegue compartilhar seus brinquedos, então você não pode brincar com eles. Me dê ele aqui, por favor). Daí claro ela entrega o brinquedo para a irmã rapidinho, rs. Só que daí advinhe o que acontece? Isso mesmo, alguns minutinhos e a irmã que emprestou pede o brinquedo de volta (do jeitinho certo, com o "please") e daí o processo se repete, com a outra irmã tendo a oportunidade de aprender a ser generosa e a preferir o outro a si mesma (cedendo a sua vez, o seu brinquedo, etc.). No meu entender, isso é pastorear o coração da criança!
Outra grande dificuldade da Alícia no momento é aprender a lidar com o "não". Pasmem: a Alícia é do tipo de criança que se joga no chão, chuta e bate quando é contrariada! Ah, ela também faz desaforo e joga as coisas no chão quando está com raiva. Eu fico perplexa às vezes com o temperamento forte dela, mas daí meu marido vem e me lembra que com a Nicole foi a mesma coisa (pior que eu não lembro direito, de novo minha memória me iludindo com um falso "mar de rosas", rsrs!!). Quando ela faz essa cena de frustração, minha reação é ser firme. Normalmente eu a tiro de cena no mesmo instante para eu poder orientá-la no particular - mesmo em casa, para ela ser disciplinada com dignidade, sem a presença da irmã.
Uma mania que ela tem que me deixa maluca é tirar as meias e sapatos. Ela gosta de ficar descalça, inclusive na hora de dormir. Eu não consigo entender isso. Meus pés congelam nesse frio. Eu posso entrar no quarto delas para colocar as meias de volta nela, mas pode ter certeza: pela manhã ela estará sem meias de novo. E lembro que com a Nicole foi diferente, mas hoje graças a Deus ela não faz mais isso, rs.
Desfraldamento
Pra encerrar o post, preciso falar do desfraldamento. Depois que voltamos da viagem em abril, me empenhei em desfraldá-la pra valer (durante o dia). Ela estava progredindo bem, dentro do esperado (com muitas calças molhadas por dia). Um dia ficamos o dia todo fora (buscar os passaportes no shopping, ir ao sacolão, dentre outras paradas) e ela só deixou vazar xixi uma vez. Eu fiquei tão orgulhosa dela! Mas tem dias que parece que a criança regride (com a Nicole também foi assim, então eu sabia que fazia parte), mas eu estava ficando estressada com o fim do semestre da faculdade (normal também) e, sem ajuda doméstica, eu não estava conseguindo dar conta de tudo, principalmente de lavar a roupa com a frequência necessária... Então achei mais prudente levantar a bandeira branca e dar um tempo. Era coisa demais para eu administrar e desfraldamento é algo demanda atenção, paciência e TEMPO, coisa que eu não tinha.
Enfim, agora estou de férias ainda me recuperando do semestre difícil e ainda por cima planejando nossa viagem no mês que vem (vamos passar 1 ano no Canadá), por isso não estou muito animada ainda para voltar no propósito de desfraldá-la com força total. Vamos ter muitas mudanças daqui pra frente e a minha mente já está tão cheia de preocupações (como sempre - ai, Senhor, me ajude!), estou orando para o melhor momento... confesso que tem dias que acordo revigorada e disposta para encarar o desafio, mas daí ao primeiro acidente eu já me desanimo de novo, rs. Eu sei que a constância é importante e estou falhando muito nisso. Mas o meu consolo é que a Alícia está amadurecendo e às vezes ela me surpreende. Hoje mesmo coloquei-a pra tirar a soneca da tarde e, minutos depois, quando entrei no quarto a encontrei totalmente sem roupa e fralda (nesse frio!!) pedindo pra fazer xixi. Senti que a fralda estava quente porque ela já tinha feito, mas levei-a para o banheiro mesmo assim. Não é que ela terminou de fazer no vaso?
Não sei quando volto para fazer o próximo update. Acho que a partir de agora vai ser a cada 3 ou 4 meses. Tenho tantas coisas que gostaria de escrever e publicar aqui no blog, mas não consigo. :-(
Meu próximo desafio é fazer um resumo (com fotos) do nosso semestre de homeschooling, aguardem!!
quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
3 anos e 4 meses de Nicole!
Atrasada em alguns dias, eu sei, mas aqui estou para tentar falar um pouco sobre os quatro últimos meses da Nicole, minha filha primogênita. Queria ter vindo um mês atrás para fazer o post "3 anos e 3 meses", mas não consegui separar um tempo pra isso!
A foto abaixo foi tirada num estudo de campo no centro de SP que eu fiz com o grupo da faculdade pouco mais de um mês atrás. Foi antes de eu levar as meninas para cortarem o cabelo nas férias. Apesar de achar lindinho criança de franja, desisti de manter a franja da Nicole. Não imaginei que manter franja fosse tão trabalhoso. Tem de apará-la mês sim mês não porque o cabelo cresce rápido demais! Na foto a franja estava presa de lado com um tic-tac para não ficar caindo no olho.
Sono e Alimentação
Ela continua dormindo bem à noite (das 19:00 às 6:00), mas para continuar assim decidimos lentamente ir substituindo a soneca da tarde por um momento de descanso no sofá (sem dormir). Embora ela demonstre sinais de cansaço, em muitos dias tenho preferido não insistir mais para que ela realmente durma à tarde porque quando ela está cansada e dorme, as sonecas são geralmente longas - de pelo menos 2 horas - e nessa idade vejo que isso já começa a comprometer o horário de dormir à noite. E é aquela história: dá o horário de ir para cama e ela não está nem um pouco cansada ou com sono! Daí entra no ciclo da criança inventar desculpas para sair da cama - pede água, pede comida, pede pra fazer xixi ou cocô, fica cantando ou conversando sozinha (atrapalhando a irmã que algumas vezes acorda) ou simplesmente nos chamando no quarto para falar "qualquer coisa" que lhe venha à mente. Inclusive, acho que até demoramos muito para detectar o problema e no começo não entendemos que fosse "falta de sono" mas sim manipulação infantil. Se você parar para pensar, foi uma atitude bem injusta da nossa parte.
Para você que nos lê, entenda isso como constatação de que nós, papais e mamães proativos, também cometemos erros - mais do que desejaríamos! E, embora o blog sirva para compartilhar aquilo que nós fizemos que deu certo, às vezes é bom também mostrar o outro lado da moeda: os nossos erros e como nós contornamos a situação diante de um fracasso. Até para você não pensar erroneamente que conosco tudo sempre foi perfeito. Se inspirar na história de alguém que escreve um blog tem esse viés perigoso porque a tendência é idealizarmos demais. Se você é mamãe de primeira viagem, aceite o fato de que por mais que leia, se instrua e se dedique para criar seus filhos da melhor maneira possível, em algum momento você também vai errar. Somos falíveis e dependemos da graça de Deus todos os dias! E embora seja normal nos sentirmos frustradas e decepcionadas quando erramos com os nossos filhos (ainda mais com algo que depois nos parece tão óbvio), não podemos deixar que a culpa nos corroa por dentro e nos afaste ainda mais do objetivo proposto. Buscar o perdão e a restauração no Pai é o melhor caminho para alcançá-lo.
Quanto à alimentação, tudo continua indo muito bem! Ela come devagar e sempre, mas come de tudo - legumes, verduras, frutas - e tem uma alimentação diária equilibrada e saudável. Um comentário a fazer é um pico de crescimento recente que ela teve: durante uma semana ela parecia faminta - vinha pedir comida antes da hora e comia muito além do normal! Ah, eu já comentei que ela não curte muito comer bolacha? Acho engraçado isso porque pra mim toda criança gostava de bolacha. Ela até come, mas uma só e pronto. Quando ofereço mais, ela diz: "No, thanks". Tenho pensado que no fundo a gente é que acostuma o paladar da criança com diferentes alimentos desde cedo. A Nicole desde sempre só comeu "doces saudáveis" (=frutas)! Já com a Alícia percebo que eu fui bem menos rígida no primeiro e segundo ano de vida com relação a deixar experimentar alimentos ou bebidas pouco nutritivos e considerados prejudiciais à saúde, como refrigerantes, balas, bolachas, chocolates e doces em geral. Infelizmente, fui baixando a guarda.
Emoções
Não sei se eu que sou uma motorista apressada, mas recentemente a Nicole passou por uma fase de "medo de velocidade". Já aconteceu com vocês? Eu ia buscá-la na escola e durante todo o caminho da volta pra casa ela não parava de pedir para eu ir mais devagar. Mesmo eu diminuindo bastante a velocidade (quase parando), ela continuava repetindo que o carro estava indo rápido demais. Ela também fez isso com o pai algumas vezes. Reparei também que de uns meses pra cá ela começou a ficar muito mais atenta ao seu redor no trânsito (para além das três cores do semáforo), observando tudo e fazendo questão de comentar nossas conversas ou reações sobre qualquer assunto. Se eu suspirasse e falasse sozinha porque entrei numa rua errada ou parei na fila errada, ou se meu marido comentasse algo sobre o carro da frente ou de um estabelecimento à vista, ou mesmo se o carro pulasse por causa de um buraco ou uma lombada, ela queria saber todos os detalhes - porque, como e onde!
É uma fase muito gostosa porque sua curiosidade para entender como as coisas funcionam (e porque elas funcionam dessa maneira) na minha opinião é fascinante - ela faz perguntas muito inteligentes! Mas ao mesmo tempo, preciso confessar, dá uma canseira. Primeiro porque com isso nós, os pais, "perdemos" nossa privacidade de conversar sobre o que quisermos no carro ou à mesa de jantar porque ela ouve, presta atenção e repete tudo. E segundo porque não basta perguntar, ela faz questão de repetir nossa resposta acrescentando o famoso "Mas por quê isso e aquilo?". Ou seja, as perguntas não têm fim! Não importa o que a gente responder, sempre virá o "por quê?" no fim. Há dias que é tão cansativo que eu tenho vontade de brincar de "Vaca amarela" para ter alguns minutos de silêncio, organizar meus pensamentos e recarregar as baterias!!
Disciplina
Outra novidade sobre comportamento do último update para cá foi a introdução do "cantinho da reflexão" aqui em casa. Até então só a estávamos corrigindo e disciplinando com a vara (na verdade, batemos no bumbum com o chinelo) para casos de desobediência, mas percebemos alguns comportamentos errados que não eram necessariamente desobediência direta - como, por exemplo, mentir ou bater na irmã - e que, portanto, precisavam de um tratamento diferenciado. Na verdade, a primeira vez que apliquei o "cantinho da reflexão" foi meio de supetão, não foi algo planejado ou combinado previamente com meu marido. Eu estava já nervosa por algum motivo e ela fez algo errado dessa natureza que me tirou ainda mais do sério. Não lembro direito o que foi, mas com certeza envolveu machucar a irmã. Aprendi que jamais devo disciplinar minha filha irada (porque a intenção não é descontar minha raiva, mas sim resgatá-la do perigo da desobediência), por isso minha primeira reação nesse dia foi pegar o banquinho de madeira que fica no banheiro (e que ela usa para sentar no vaso), levá-lo para um canto isolado da sala e colocá-la para ficar sentada ali pensando no que fez por 3 minutos, mais ou menos como a Super Nanny ensina. Se não me engano, a apostila do curso Educação de Filhos à Maneira de Deus chama isso de "time-out". Usei o despertador do meu celular para marcar o tempo e fiquei segurando a Alícia longe (que toda hora queria ir lá ficar perto da irmã que estava aos prantos). Funcionou bem porque, ao término do tempo, eu também havia me acalmado e para ela a disciplina valeu. Em seguida, repeti o mesmo processo que faço quando a disciplinamos por desobediência (como ensina o Pastoreando o Coração da Criança, leia mais aqui) porque tanto num caso como no outro o objetivo é buscar a total restauração do relacionamento. Por isso, me certifico de que ela entendeu que o que ela fez é errado (consciência), a convido a orar para juntas pedirmos que Deus ajude-a a obedecer (ou, nesse caso, a tratar a irmã com amor) e encerro a conversa com um beijo, um abraço e a afirmação do quanto ela é amada. Quando sou correspondida no beijo e no abraço sei que o objetivo final foi alcançado!
Comportamento
Já ouviu falar de criança pequena que rói unhas? Eu não... até minha filha de 3 anos começar a roer! Tudo começou um belo dia, quando ela ainda tinha 2 anos e foi comigo até o salão de cabeleireiro que fica aqui na minha rua. A gente sempre brincava de pintar as unhas dela "de brincadeirinha" em casa, mas ela nunca havia se interessado que eu as pintasse de verdade. E, sinceramente, eu não pensava em fazê-lo tão cedo. O fato é que ela se contentava com a imaginação - pra ela já estava de bom tamanho. Até que, nesse fatídico dia, uma manicure desocupada do salão em que estávamos se ofereceu para pintá-la... e adivinhe? Não pediu minha autorização em off para a Nicole não ouvir caso eu dissesse não. Ela simplesmente se dirigiu à Nicole dizendo para ela sentar-se na cadeira porque ela ia deixar as unhas dela bem bonitas - das mãos e dos pés. Claro que elas ficaram lindinhas, mas quando penso nisso hoje me dá uma raiva. Eu deveria ter interferido, mas na hora fiquei sem graça porque a mulher estava querendo fazer uma gentileza, um agrado porque havia gostado da Nicole. Enfim, é uma característica típica do nosso povo que eu não gosto: as pessoas são atrevidas e não respeitam certos limites sociais - nem quando se trata de bebês, já reparou? Já viu algum adulto dando refrigerante para bebê tomar (ou bala pra chupar) sem perguntar para a mãe se pode? E se ela for do tipo que reclama ou dá bronca, a pessoa acha ruim e ainda responde "mas o que é que tem?". Eu particularmente sou avessa a confusões públicas (não sou do tipo que roda a baiana, eu geralmente engulo calada), mas acho esse atrevimento de não respeitar o espaço, a privacidade ou o posicionamento dos outros tão feio. Como quando ia buscar a Nicole na escola e a tia da perua escolar vinha com a filhinha dar bolinho Ana Maria para a Alícia comer - sem perguntar pra mim se podia e sem ter a mínima noção de que era horário de almoço!
Mas como dizia, desse diante em diante, a Nicole adquiriu o hábito de roer unha. Como não estava acostumada com a sensação do esmalte nas unhas, passou a levá-las à boca. Até a unha do dedão do pé ela pegou o hábito de roer deitada na cama. Eu ficava agoniada de ver o resultado! Aí começou um processo chato. Toda vez que a gente ia à manicure, ela queria pintar as unhas de novo. Dessa vez ela me pedia e eu deixava porque como as unhas estavam roídas, eu pensava que iria estimulá-la a parar de roer e deixá-las crescer. Mas não estava funcionando. Roer tinha virado vício mesmo, ela fazia sem perceber. Ficava triste quando via o resultado porque sabia que isso me chateava também (ela é muito sensível aos meus sentimentos). Às vezes eu mesmo pintava, deixava a unha dela bonitinha antes de dormir (levava um tempão porque era um tiquinho de unha) e de manhã ela já tinha roído um monte! Procurei em tudo quanto é site dicas que pudessem ajudar. Até passar babosa eu tentei. Quando eu a pegava com o dedo na boca, ela tirava apressada e dizia "I'm not biting anymore, Mommy". Ou seja, ela queria parar - entendia que isso não era bom, que ela estava se machucando - mas não estava conseguindo. Eu sei bem como ela se sentia porque também já tive problema com isso (e às vezes ainda tenho), até admiti isso pra ela e pedi pra ela dar bronca em mim se me visse mordendo a unha. Ela ficou toda feliz com a nova responsabilidade de vigiar a mamãe e chegou a me pegar algumas vezes com a mão na boca também, rsrs! Finalmente, pela graça de Deus, ela conseguiu se livrar desse terrível hábito depois de uns 3 meses de muita insistência - de conversar, de explicar, de orar com ela, de mostrar que o branquinho da unha dela tinha sumido, de comparar as unhas dela com as do papai, da mamãe, da irmã, etc. Na ocasião, eu tinha largado mão de pintar suas unhas e ela já estava insistindo fazia alguns dias para eu pintá-las novamente. Bem, ela é muito insistente. Pediu, pediu até que eu cedi, mas antes de pintá-las falei bem sério que se no outro dia ela acordasse com as unhas roídas novamente não adiantaria ela pedir porque eu não iria pintá-las de novo. Ela aceitou. Pintei as unhas das mãos e dos pés. Antes de dormir oramos e pedimos a ajuda de Deus. E ela conseguiu manter sua palavra! Em poucas semanas, as unhas delas já estavam bonitas e compridas novamente. = )
Linguagem
Esses dias a Nicole soltou uma frase com "She's ___" (em vez de "Her ___" como ela fazia, leia sobre aqui). Fiquei feliz porque mesmo corrigindo-a pouco (na maior parte das vezes eu deixo passar), ela já está se auto-corrigindo (só de me ouvir falando o certo)! Muito bom!
Vez ou outra ela inventa certas palavras em inglês, rsrs. As três que eu percebi e anotei foram: "Mommy, let it sec" (quando ela está brincando de pintar minha unha), "count a story" e "It is solting" (se referindo ao enfeite de cabelo que fica caindo). Em todos os casos, eu repito a frase (às vezes em forma de pergunta) pra ela ouvir e falar o certo. É bem tranquilo porque, na realidade, ela sabe as formas corretas ( "let it dry", "tell a story", "it is falling"), apenas se confunde às vezes.
Brincadeiras
A brincadeira favorita da Nicole é fingir que é mamãe. Ora ela é mamãe de alguma boneca (e a Alícia o papai, rsrs), ora ela é a mamãe e eu a filhinha. E ela ama me chamar de "daughter". Essas brincadeiras são um bom espelho para mim de como ela me enxerga porque ela imita tudo o que me vê fazer: na hora de escovar os dentes, de levar a nenê para fazer xixi, de colocar na cama para dormir, de ler alguma historinha, de beijar e fazer carinho quando está chorando, de preparar e dar a comida ou o leitinho, de chamar a atenção quando faz algo errado (batendo no bumbum) e, mais engraçado, quando sento na frente do computador para trabalhar. São as imagens que ela tem de mim que ela reflete ao brincar e que provavelmente vão ficar registradas na memória dela quando ela for adulta. Considerar isso me faz querer ser uma mãe cada vez melhor porque quero que suas recordações de mim sejam as melhores possíveis! Me motiva, por exemplo, nos dias em que acordo cansada porque as horas de sono não me foram o suficientes, a não descontar nelas meu mau-humor ou não levar o dia de barriga só porque estou cansada. Me estimula a planejar e organizar as atividades do dia pra não ficar presa muito tempo no computador ou no celular - seja respondendo e-mail, comentando no facebook, lendo ou pesquisando em blogs ou simplesmente escrevendo aqui no blog também (o que tende a ser um problema!).
Escola
Esse ano tirei a Nicole da escola. Por uma série de motivos. Como estou sem trabalhar, vou ficar com as duas em casa - tanto pela questão financeira como pela questão disponibilidade. Nesta idade ela ainda não precisa ir à escola. Na realidade, é algo óbvio - ela acabou de completar 3 anos, logo faltam mais 3 para ela entrar em idade escolar - mas a suposta necessidade de matricular o filho na escola o quanto antes (para ele "se socializar e se desenvolver adequadamente") é algo tão latente em nossa cultura que a minha decisão de ficar em casa com a Nicole esse ano causou estranheza. E, sinceramente, para além das finanças e da disponibilidade, tem também a questão do homeschooling. É uma prática que, até abril do ano passado, eu conhecia muito superficialmente - sabia apenas que era algo que alguns americanos residentes no Brasil faziam. Não imaginava que no Brasil houvesse um movimento em prol da regulamentação da educação domiciliar! O interesse de estudar sobre isso surgiu de conversas que tive com pessoas conhecidas que educam seus filhos em casa. A princípio, a intenção era mais questionar mesmo. Eu queria entender porque cargas d´água alguém iria preferir ensinar em casa em vez de mandar os filhos para a escola. Para mim era coisa de louco, rsrs. Curiosamente, quanto mais lia a respeito do assunto mais fui gostando da ideia. Até meu marido, que no começo também foi muito contrário, foi contagiado pelos pressupostos por trás dessa filosofia e começou a me incentivar. É uma filosofia de vida apaixonante e, eu creio, bíblica. Mas não posso negar que exige muito do pai ou mãe educador!! É preciso abdicar de algumas coisas para conseguir ter êxito nessa empreitada. Por isso, por esse ano vamos fazer o teste. Na realidade, nem dá para dizer que é homeschooling porque, como já disse, minha filha não está em idade escolar, mas a ideia é eu sentir como seria minha vida (e a delas) caso a gente adotasse a educação domiciliar.
Nosso desejo sempre foi matricular nossas filhas no colégio onde eu estudei. É um colégio cristão internacional, mas é caro e não temos condições financeiras para pagar as mensalidades. Para nós é essencial que as meninas estudem perto de casa e o colégio onde a Nicole estava atende a esse requisito, além de ser pequeno e bem organizado. Mas, confesso, que ainda não estava muito em paz com algumas questões. A principal foi a feira cultural do 2º. semestre. O tema era anos 60, 70, 80 e 90 e os pais foram convidados para ir à escola num sábado e assistir às apresentações dos alunos - desde o mini-maternal até o 8º. ano. Pra começar, o mini-maternal (turminha da minha filha) e o maternal dançaram a música "Biquíni de bolinha amarelinho". Precoce, não? E depois teve de tudo, desde casais de menino e menina de sainha curta dançando lambada no palco até meninas vestidas à moda "é o tchan" dançando ao som de "depois de nove meses você vê o resultado", fazendo sinal de barriga de grávida. Cultural eu concordo que é, mas não consigo entender como isso pode ser educativo! E nem estou entrando no mérito de ser cristão ou não (porque eu sabia que não estava matriculando-a numa escola cristã), estou falando de algo ser benéfico moralmente. Não sei se foram os professores ou os alunos quem selecionaram as músicas (no caso da turminha da minha filha, com certeza não foram as crianças), mas se a escola não soube peneirar o que é moralmente benéfico para uma criança menor ver ou ouvir (no caso, a apresentação dos maiores), então tem algo de muito errado. Que outras influências enganosas / perigosas ela pode estar recebendo numa idade em que se encontra indefesa? Porque, afinal, eu não estou lá para ver e ouvir os princípios por trás dos ensinamentos passados para poder interpretá-los por ela e direcioná-la a como pensar, concordam?
Na minha faculdade (FEUSP) provavelmente diriam diferente. Por lá eles acreditam que a imposição de qualquer ensinamento, principalmente religioso, numa criança é violência contra ela. Obviamente eu não concordo e já saí injuriada de muitas aulas depois de ouvir o que pra mim são absurdos. Numa aula de Metodologia do Ensino de Educação Física, por exemplo, estavam discutindo se o conteúdo de músicas estilo funk (com forte conotação sexual, bem vulgar) era interessante de ser trabalhado com crianças de educação infantil (0 a 5 anos) e ensino fundamental (1ª a 4ª série). A discussão pegou fogo e pelas reações exaltadas de alguns quando certo aluno se opôs, quem era conservador preferiu ficar calado para não ser ridicularizado. Esse aluno demonstrou preocupação de colocar crianças tão novas para ouvir uma música que dizia "senta no meu pau" porque não convinha explicar para elas o que isso significava, e uma aluna respondeu que para criança não tem esse negócio de conotação sexual como para os adultos, que ela tinha dançado "é o tchan" quando criança e que nem por isso hoje ela entra rebolando na sala de aula! Ou seja, eles defendem que um dos papeis da escola é valorizar a cultura dos alunos uma vez que muitos já ouvem esse tipo de música em casa ou no bairro onde moram e, no caso dos alunos que não ouvem funk e o ridicularizam, o fazem por desconhecê-lo e não reconhecê-lo como produção cultural, sendo papel da escola trabalhar o assunto com os alunos no sentido de erradicar os preconceitos sociais para que eles aprendam a conviver com a diversidade (de gênero, sexual e religiosa).
Do ponto de vista cristão, sei que existe toda uma polêmica sobre estarmos no mundo, mas não sermos do mundo e que, portanto, não devemos criar nossos filhos numa bolha, alheios ao que acontece no mundo real sem Deus. Por outro lado, creio que a minha responsabilidade para com a minha filha HOJE é protegê-la de perigos físicos, emocionais e espirituais e fazer as escolhas por ela. Não me sinto à vontade em expô-la, nessa idade, a músicas como essa e esperar que ela tenha maturidade para refletir e distinguir o certo do errado. Ninguém ensina um bebê a nadar jogando-o numa piscina e esperando que ele bata as pernas sozinho, não é mesmo? Do mesmo modo, não acredito que seja inofensivo (ou prudente) jogá-la em situações assim e esperar que ela saia dela ilesa uma vez que ela está em seus anos de formação!
De qualquer modo, fiquei com o coração apertado porque sei o quanto a Nicole gosta dessa escola, das tias e dos coleguinhas. No ano passado quando ela mudou de escola foi a mesma história: fiquei me sentindo culpada um tempão pois sabia o quanto ela gostava da primeira escola e, pra ajudar, ela passou boa parte das férias falando da tia Fabi. No fim das contas, hoje ela nem lembra mais. Esse ano a história se repete, com a diferença de que ela está mais velha e entende melhor. Por ser perto, quando passamos em frente ela aponta o prédio azul e diz feliz que aquela é a escola dela. Qualquer presentinho que ela ganha, ela fala de levar para a escola para mostrar para a tia Kelly. Num passeio que fizemos ao Sesc algumas semanas atrás, eu mostrei duas embalagens vazias de suquinho que estavam em cima da grama e sugeri que as pegássemos e jogássemos no lixo. Ensinei que era muito feio quando as pessoas jogam lixo no chão e que a gente não deveria fazer isso para não estragar a natureza. Sabe o que ela me respondeu? Que eu tinha de falar para a tia Kelly quem foi para ela dar uma bronca na pessoa que fez isso!
Meu marido e eu temos explicado que a escola dela agora vai ser em casa, com a mamãe, e ressaltamos que vai ser muito legal. Não sei até que ponto ela consegue compreender, no fim eu acho que ela pensa que esse tempo em casa com a mamãe vai ser só durante as férias e que depois ela vai pra escola de novo. Independente dos meus sentimentos de insegurança, creio que foi o Senhor que nos conduziu a essa decisão. Portanto, confio que Ele nos dará sabedoria para lidar com a situação da melhor maneira possível!
A foto abaixo foi tirada num estudo de campo no centro de SP que eu fiz com o grupo da faculdade pouco mais de um mês atrás. Foi antes de eu levar as meninas para cortarem o cabelo nas férias. Apesar de achar lindinho criança de franja, desisti de manter a franja da Nicole. Não imaginei que manter franja fosse tão trabalhoso. Tem de apará-la mês sim mês não porque o cabelo cresce rápido demais! Na foto a franja estava presa de lado com um tic-tac para não ficar caindo no olho.
Sono e Alimentação
Ela continua dormindo bem à noite (das 19:00 às 6:00), mas para continuar assim decidimos lentamente ir substituindo a soneca da tarde por um momento de descanso no sofá (sem dormir). Embora ela demonstre sinais de cansaço, em muitos dias tenho preferido não insistir mais para que ela realmente durma à tarde porque quando ela está cansada e dorme, as sonecas são geralmente longas - de pelo menos 2 horas - e nessa idade vejo que isso já começa a comprometer o horário de dormir à noite. E é aquela história: dá o horário de ir para cama e ela não está nem um pouco cansada ou com sono! Daí entra no ciclo da criança inventar desculpas para sair da cama - pede água, pede comida, pede pra fazer xixi ou cocô, fica cantando ou conversando sozinha (atrapalhando a irmã que algumas vezes acorda) ou simplesmente nos chamando no quarto para falar "qualquer coisa" que lhe venha à mente. Inclusive, acho que até demoramos muito para detectar o problema e no começo não entendemos que fosse "falta de sono" mas sim manipulação infantil. Se você parar para pensar, foi uma atitude bem injusta da nossa parte.
Para você que nos lê, entenda isso como constatação de que nós, papais e mamães proativos, também cometemos erros - mais do que desejaríamos! E, embora o blog sirva para compartilhar aquilo que nós fizemos que deu certo, às vezes é bom também mostrar o outro lado da moeda: os nossos erros e como nós contornamos a situação diante de um fracasso. Até para você não pensar erroneamente que conosco tudo sempre foi perfeito. Se inspirar na história de alguém que escreve um blog tem esse viés perigoso porque a tendência é idealizarmos demais. Se você é mamãe de primeira viagem, aceite o fato de que por mais que leia, se instrua e se dedique para criar seus filhos da melhor maneira possível, em algum momento você também vai errar. Somos falíveis e dependemos da graça de Deus todos os dias! E embora seja normal nos sentirmos frustradas e decepcionadas quando erramos com os nossos filhos (ainda mais com algo que depois nos parece tão óbvio), não podemos deixar que a culpa nos corroa por dentro e nos afaste ainda mais do objetivo proposto. Buscar o perdão e a restauração no Pai é o melhor caminho para alcançá-lo.
Quanto à alimentação, tudo continua indo muito bem! Ela come devagar e sempre, mas come de tudo - legumes, verduras, frutas - e tem uma alimentação diária equilibrada e saudável. Um comentário a fazer é um pico de crescimento recente que ela teve: durante uma semana ela parecia faminta - vinha pedir comida antes da hora e comia muito além do normal! Ah, eu já comentei que ela não curte muito comer bolacha? Acho engraçado isso porque pra mim toda criança gostava de bolacha. Ela até come, mas uma só e pronto. Quando ofereço mais, ela diz: "No, thanks". Tenho pensado que no fundo a gente é que acostuma o paladar da criança com diferentes alimentos desde cedo. A Nicole desde sempre só comeu "doces saudáveis" (=frutas)! Já com a Alícia percebo que eu fui bem menos rígida no primeiro e segundo ano de vida com relação a deixar experimentar alimentos ou bebidas pouco nutritivos e considerados prejudiciais à saúde, como refrigerantes, balas, bolachas, chocolates e doces em geral. Infelizmente, fui baixando a guarda.
Emoções
Não sei se eu que sou uma motorista apressada, mas recentemente a Nicole passou por uma fase de "medo de velocidade". Já aconteceu com vocês? Eu ia buscá-la na escola e durante todo o caminho da volta pra casa ela não parava de pedir para eu ir mais devagar. Mesmo eu diminuindo bastante a velocidade (quase parando), ela continuava repetindo que o carro estava indo rápido demais. Ela também fez isso com o pai algumas vezes. Reparei também que de uns meses pra cá ela começou a ficar muito mais atenta ao seu redor no trânsito (para além das três cores do semáforo), observando tudo e fazendo questão de comentar nossas conversas ou reações sobre qualquer assunto. Se eu suspirasse e falasse sozinha porque entrei numa rua errada ou parei na fila errada, ou se meu marido comentasse algo sobre o carro da frente ou de um estabelecimento à vista, ou mesmo se o carro pulasse por causa de um buraco ou uma lombada, ela queria saber todos os detalhes - porque, como e onde!
É uma fase muito gostosa porque sua curiosidade para entender como as coisas funcionam (e porque elas funcionam dessa maneira) na minha opinião é fascinante - ela faz perguntas muito inteligentes! Mas ao mesmo tempo, preciso confessar, dá uma canseira. Primeiro porque com isso nós, os pais, "perdemos" nossa privacidade de conversar sobre o que quisermos no carro ou à mesa de jantar porque ela ouve, presta atenção e repete tudo. E segundo porque não basta perguntar, ela faz questão de repetir nossa resposta acrescentando o famoso "Mas por quê isso e aquilo?". Ou seja, as perguntas não têm fim! Não importa o que a gente responder, sempre virá o "por quê?" no fim. Há dias que é tão cansativo que eu tenho vontade de brincar de "Vaca amarela" para ter alguns minutos de silêncio, organizar meus pensamentos e recarregar as baterias!!
Disciplina
Outra novidade sobre comportamento do último update para cá foi a introdução do "cantinho da reflexão" aqui em casa. Até então só a estávamos corrigindo e disciplinando com a vara (na verdade, batemos no bumbum com o chinelo) para casos de desobediência, mas percebemos alguns comportamentos errados que não eram necessariamente desobediência direta - como, por exemplo, mentir ou bater na irmã - e que, portanto, precisavam de um tratamento diferenciado. Na verdade, a primeira vez que apliquei o "cantinho da reflexão" foi meio de supetão, não foi algo planejado ou combinado previamente com meu marido. Eu estava já nervosa por algum motivo e ela fez algo errado dessa natureza que me tirou ainda mais do sério. Não lembro direito o que foi, mas com certeza envolveu machucar a irmã. Aprendi que jamais devo disciplinar minha filha irada (porque a intenção não é descontar minha raiva, mas sim resgatá-la do perigo da desobediência), por isso minha primeira reação nesse dia foi pegar o banquinho de madeira que fica no banheiro (e que ela usa para sentar no vaso), levá-lo para um canto isolado da sala e colocá-la para ficar sentada ali pensando no que fez por 3 minutos, mais ou menos como a Super Nanny ensina. Se não me engano, a apostila do curso Educação de Filhos à Maneira de Deus chama isso de "time-out". Usei o despertador do meu celular para marcar o tempo e fiquei segurando a Alícia longe (que toda hora queria ir lá ficar perto da irmã que estava aos prantos). Funcionou bem porque, ao término do tempo, eu também havia me acalmado e para ela a disciplina valeu. Em seguida, repeti o mesmo processo que faço quando a disciplinamos por desobediência (como ensina o Pastoreando o Coração da Criança, leia mais aqui) porque tanto num caso como no outro o objetivo é buscar a total restauração do relacionamento. Por isso, me certifico de que ela entendeu que o que ela fez é errado (consciência), a convido a orar para juntas pedirmos que Deus ajude-a a obedecer (ou, nesse caso, a tratar a irmã com amor) e encerro a conversa com um beijo, um abraço e a afirmação do quanto ela é amada. Quando sou correspondida no beijo e no abraço sei que o objetivo final foi alcançado!
Comportamento
Já ouviu falar de criança pequena que rói unhas? Eu não... até minha filha de 3 anos começar a roer! Tudo começou um belo dia, quando ela ainda tinha 2 anos e foi comigo até o salão de cabeleireiro que fica aqui na minha rua. A gente sempre brincava de pintar as unhas dela "de brincadeirinha" em casa, mas ela nunca havia se interessado que eu as pintasse de verdade. E, sinceramente, eu não pensava em fazê-lo tão cedo. O fato é que ela se contentava com a imaginação - pra ela já estava de bom tamanho. Até que, nesse fatídico dia, uma manicure desocupada do salão em que estávamos se ofereceu para pintá-la... e adivinhe? Não pediu minha autorização em off para a Nicole não ouvir caso eu dissesse não. Ela simplesmente se dirigiu à Nicole dizendo para ela sentar-se na cadeira porque ela ia deixar as unhas dela bem bonitas - das mãos e dos pés. Claro que elas ficaram lindinhas, mas quando penso nisso hoje me dá uma raiva. Eu deveria ter interferido, mas na hora fiquei sem graça porque a mulher estava querendo fazer uma gentileza, um agrado porque havia gostado da Nicole. Enfim, é uma característica típica do nosso povo que eu não gosto: as pessoas são atrevidas e não respeitam certos limites sociais - nem quando se trata de bebês, já reparou? Já viu algum adulto dando refrigerante para bebê tomar (ou bala pra chupar) sem perguntar para a mãe se pode? E se ela for do tipo que reclama ou dá bronca, a pessoa acha ruim e ainda responde "mas o que é que tem?". Eu particularmente sou avessa a confusões públicas (não sou do tipo que roda a baiana, eu geralmente engulo calada), mas acho esse atrevimento de não respeitar o espaço, a privacidade ou o posicionamento dos outros tão feio. Como quando ia buscar a Nicole na escola e a tia da perua escolar vinha com a filhinha dar bolinho Ana Maria para a Alícia comer - sem perguntar pra mim se podia e sem ter a mínima noção de que era horário de almoço!
Mas como dizia, desse diante em diante, a Nicole adquiriu o hábito de roer unha. Como não estava acostumada com a sensação do esmalte nas unhas, passou a levá-las à boca. Até a unha do dedão do pé ela pegou o hábito de roer deitada na cama. Eu ficava agoniada de ver o resultado! Aí começou um processo chato. Toda vez que a gente ia à manicure, ela queria pintar as unhas de novo. Dessa vez ela me pedia e eu deixava porque como as unhas estavam roídas, eu pensava que iria estimulá-la a parar de roer e deixá-las crescer. Mas não estava funcionando. Roer tinha virado vício mesmo, ela fazia sem perceber. Ficava triste quando via o resultado porque sabia que isso me chateava também (ela é muito sensível aos meus sentimentos). Às vezes eu mesmo pintava, deixava a unha dela bonitinha antes de dormir (levava um tempão porque era um tiquinho de unha) e de manhã ela já tinha roído um monte! Procurei em tudo quanto é site dicas que pudessem ajudar. Até passar babosa eu tentei. Quando eu a pegava com o dedo na boca, ela tirava apressada e dizia "I'm not biting anymore, Mommy". Ou seja, ela queria parar - entendia que isso não era bom, que ela estava se machucando - mas não estava conseguindo. Eu sei bem como ela se sentia porque também já tive problema com isso (e às vezes ainda tenho), até admiti isso pra ela e pedi pra ela dar bronca em mim se me visse mordendo a unha. Ela ficou toda feliz com a nova responsabilidade de vigiar a mamãe e chegou a me pegar algumas vezes com a mão na boca também, rsrs! Finalmente, pela graça de Deus, ela conseguiu se livrar desse terrível hábito depois de uns 3 meses de muita insistência - de conversar, de explicar, de orar com ela, de mostrar que o branquinho da unha dela tinha sumido, de comparar as unhas dela com as do papai, da mamãe, da irmã, etc. Na ocasião, eu tinha largado mão de pintar suas unhas e ela já estava insistindo fazia alguns dias para eu pintá-las novamente. Bem, ela é muito insistente. Pediu, pediu até que eu cedi, mas antes de pintá-las falei bem sério que se no outro dia ela acordasse com as unhas roídas novamente não adiantaria ela pedir porque eu não iria pintá-las de novo. Ela aceitou. Pintei as unhas das mãos e dos pés. Antes de dormir oramos e pedimos a ajuda de Deus. E ela conseguiu manter sua palavra! Em poucas semanas, as unhas delas já estavam bonitas e compridas novamente. = )
Linguagem
Esses dias a Nicole soltou uma frase com "She's ___" (em vez de "Her ___" como ela fazia, leia sobre aqui). Fiquei feliz porque mesmo corrigindo-a pouco (na maior parte das vezes eu deixo passar), ela já está se auto-corrigindo (só de me ouvir falando o certo)! Muito bom!
Vez ou outra ela inventa certas palavras em inglês, rsrs. As três que eu percebi e anotei foram: "Mommy, let it sec" (quando ela está brincando de pintar minha unha), "count a story" e "It is solting" (se referindo ao enfeite de cabelo que fica caindo). Em todos os casos, eu repito a frase (às vezes em forma de pergunta) pra ela ouvir e falar o certo. É bem tranquilo porque, na realidade, ela sabe as formas corretas ( "let it dry", "tell a story", "it is falling"), apenas se confunde às vezes.
Brincadeiras
A brincadeira favorita da Nicole é fingir que é mamãe. Ora ela é mamãe de alguma boneca (e a Alícia o papai, rsrs), ora ela é a mamãe e eu a filhinha. E ela ama me chamar de "daughter". Essas brincadeiras são um bom espelho para mim de como ela me enxerga porque ela imita tudo o que me vê fazer: na hora de escovar os dentes, de levar a nenê para fazer xixi, de colocar na cama para dormir, de ler alguma historinha, de beijar e fazer carinho quando está chorando, de preparar e dar a comida ou o leitinho, de chamar a atenção quando faz algo errado (batendo no bumbum) e, mais engraçado, quando sento na frente do computador para trabalhar. São as imagens que ela tem de mim que ela reflete ao brincar e que provavelmente vão ficar registradas na memória dela quando ela for adulta. Considerar isso me faz querer ser uma mãe cada vez melhor porque quero que suas recordações de mim sejam as melhores possíveis! Me motiva, por exemplo, nos dias em que acordo cansada porque as horas de sono não me foram o suficientes, a não descontar nelas meu mau-humor ou não levar o dia de barriga só porque estou cansada. Me estimula a planejar e organizar as atividades do dia pra não ficar presa muito tempo no computador ou no celular - seja respondendo e-mail, comentando no facebook, lendo ou pesquisando em blogs ou simplesmente escrevendo aqui no blog também (o que tende a ser um problema!).
Escola
Esse ano tirei a Nicole da escola. Por uma série de motivos. Como estou sem trabalhar, vou ficar com as duas em casa - tanto pela questão financeira como pela questão disponibilidade. Nesta idade ela ainda não precisa ir à escola. Na realidade, é algo óbvio - ela acabou de completar 3 anos, logo faltam mais 3 para ela entrar em idade escolar - mas a suposta necessidade de matricular o filho na escola o quanto antes (para ele "se socializar e se desenvolver adequadamente") é algo tão latente em nossa cultura que a minha decisão de ficar em casa com a Nicole esse ano causou estranheza. E, sinceramente, para além das finanças e da disponibilidade, tem também a questão do homeschooling. É uma prática que, até abril do ano passado, eu conhecia muito superficialmente - sabia apenas que era algo que alguns americanos residentes no Brasil faziam. Não imaginava que no Brasil houvesse um movimento em prol da regulamentação da educação domiciliar! O interesse de estudar sobre isso surgiu de conversas que tive com pessoas conhecidas que educam seus filhos em casa. A princípio, a intenção era mais questionar mesmo. Eu queria entender porque cargas d´água alguém iria preferir ensinar em casa em vez de mandar os filhos para a escola. Para mim era coisa de louco, rsrs. Curiosamente, quanto mais lia a respeito do assunto mais fui gostando da ideia. Até meu marido, que no começo também foi muito contrário, foi contagiado pelos pressupostos por trás dessa filosofia e começou a me incentivar. É uma filosofia de vida apaixonante e, eu creio, bíblica. Mas não posso negar que exige muito do pai ou mãe educador!! É preciso abdicar de algumas coisas para conseguir ter êxito nessa empreitada. Por isso, por esse ano vamos fazer o teste. Na realidade, nem dá para dizer que é homeschooling porque, como já disse, minha filha não está em idade escolar, mas a ideia é eu sentir como seria minha vida (e a delas) caso a gente adotasse a educação domiciliar.
Nosso desejo sempre foi matricular nossas filhas no colégio onde eu estudei. É um colégio cristão internacional, mas é caro e não temos condições financeiras para pagar as mensalidades. Para nós é essencial que as meninas estudem perto de casa e o colégio onde a Nicole estava atende a esse requisito, além de ser pequeno e bem organizado. Mas, confesso, que ainda não estava muito em paz com algumas questões. A principal foi a feira cultural do 2º. semestre. O tema era anos 60, 70, 80 e 90 e os pais foram convidados para ir à escola num sábado e assistir às apresentações dos alunos - desde o mini-maternal até o 8º. ano. Pra começar, o mini-maternal (turminha da minha filha) e o maternal dançaram a música "Biquíni de bolinha amarelinho". Precoce, não? E depois teve de tudo, desde casais de menino e menina de sainha curta dançando lambada no palco até meninas vestidas à moda "é o tchan" dançando ao som de "depois de nove meses você vê o resultado", fazendo sinal de barriga de grávida. Cultural eu concordo que é, mas não consigo entender como isso pode ser educativo! E nem estou entrando no mérito de ser cristão ou não (porque eu sabia que não estava matriculando-a numa escola cristã), estou falando de algo ser benéfico moralmente. Não sei se foram os professores ou os alunos quem selecionaram as músicas (no caso da turminha da minha filha, com certeza não foram as crianças), mas se a escola não soube peneirar o que é moralmente benéfico para uma criança menor ver ou ouvir (no caso, a apresentação dos maiores), então tem algo de muito errado. Que outras influências enganosas / perigosas ela pode estar recebendo numa idade em que se encontra indefesa? Porque, afinal, eu não estou lá para ver e ouvir os princípios por trás dos ensinamentos passados para poder interpretá-los por ela e direcioná-la a como pensar, concordam?
Na minha faculdade (FEUSP) provavelmente diriam diferente. Por lá eles acreditam que a imposição de qualquer ensinamento, principalmente religioso, numa criança é violência contra ela. Obviamente eu não concordo e já saí injuriada de muitas aulas depois de ouvir o que pra mim são absurdos. Numa aula de Metodologia do Ensino de Educação Física, por exemplo, estavam discutindo se o conteúdo de músicas estilo funk (com forte conotação sexual, bem vulgar) era interessante de ser trabalhado com crianças de educação infantil (0 a 5 anos) e ensino fundamental (1ª a 4ª série). A discussão pegou fogo e pelas reações exaltadas de alguns quando certo aluno se opôs, quem era conservador preferiu ficar calado para não ser ridicularizado. Esse aluno demonstrou preocupação de colocar crianças tão novas para ouvir uma música que dizia "senta no meu pau" porque não convinha explicar para elas o que isso significava, e uma aluna respondeu que para criança não tem esse negócio de conotação sexual como para os adultos, que ela tinha dançado "é o tchan" quando criança e que nem por isso hoje ela entra rebolando na sala de aula! Ou seja, eles defendem que um dos papeis da escola é valorizar a cultura dos alunos uma vez que muitos já ouvem esse tipo de música em casa ou no bairro onde moram e, no caso dos alunos que não ouvem funk e o ridicularizam, o fazem por desconhecê-lo e não reconhecê-lo como produção cultural, sendo papel da escola trabalhar o assunto com os alunos no sentido de erradicar os preconceitos sociais para que eles aprendam a conviver com a diversidade (de gênero, sexual e religiosa).
Do ponto de vista cristão, sei que existe toda uma polêmica sobre estarmos no mundo, mas não sermos do mundo e que, portanto, não devemos criar nossos filhos numa bolha, alheios ao que acontece no mundo real sem Deus. Por outro lado, creio que a minha responsabilidade para com a minha filha HOJE é protegê-la de perigos físicos, emocionais e espirituais e fazer as escolhas por ela. Não me sinto à vontade em expô-la, nessa idade, a músicas como essa e esperar que ela tenha maturidade para refletir e distinguir o certo do errado. Ninguém ensina um bebê a nadar jogando-o numa piscina e esperando que ele bata as pernas sozinho, não é mesmo? Do mesmo modo, não acredito que seja inofensivo (ou prudente) jogá-la em situações assim e esperar que ela saia dela ilesa uma vez que ela está em seus anos de formação!
De qualquer modo, fiquei com o coração apertado porque sei o quanto a Nicole gosta dessa escola, das tias e dos coleguinhas. No ano passado quando ela mudou de escola foi a mesma história: fiquei me sentindo culpada um tempão pois sabia o quanto ela gostava da primeira escola e, pra ajudar, ela passou boa parte das férias falando da tia Fabi. No fim das contas, hoje ela nem lembra mais. Esse ano a história se repete, com a diferença de que ela está mais velha e entende melhor. Por ser perto, quando passamos em frente ela aponta o prédio azul e diz feliz que aquela é a escola dela. Qualquer presentinho que ela ganha, ela fala de levar para a escola para mostrar para a tia Kelly. Num passeio que fizemos ao Sesc algumas semanas atrás, eu mostrei duas embalagens vazias de suquinho que estavam em cima da grama e sugeri que as pegássemos e jogássemos no lixo. Ensinei que era muito feio quando as pessoas jogam lixo no chão e que a gente não deveria fazer isso para não estragar a natureza. Sabe o que ela me respondeu? Que eu tinha de falar para a tia Kelly quem foi para ela dar uma bronca na pessoa que fez isso!
Meu marido e eu temos explicado que a escola dela agora vai ser em casa, com a mamãe, e ressaltamos que vai ser muito legal. Não sei até que ponto ela consegue compreender, no fim eu acho que ela pensa que esse tempo em casa com a mamãe vai ser só durante as férias e que depois ela vai pra escola de novo. Independente dos meus sentimentos de insegurança, creio que foi o Senhor que nos conduziu a essa decisão. Portanto, confio que Ele nos dará sabedoria para lidar com a situação da melhor maneira possível!
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Talita
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domingo, 2 de setembro de 2012
3 anos de Nicole!
A Nicole completou 3 anos esta semana e eu vim contar como estão as coisas já que o último update sobre ela foi publicado há seis meses. Primeiramente, queria dizer que está sendo uma fase deliciosa para mim! As outras também foram, claro, mas parece que esta está ainda mais especial. Deve ser porque sempre que eu imaginava como seria ter filhos, me via justamente com crianças mais ou menos desta idade em que a Nicole está hoje. E aqui vou fazer uma confissão: acreditem se quiser, mas eu nunca sonhei muito com ter e cuidar de um bebezinho recém-nascido, haha! Eu não era como as mulheres que se derretem toda quando veem um bebê e já querem logo pegá-lo no colo. Engraçado, né? Principalmente porque hoje escrevo num blog sobre maternidade que começou com este foco de treinar o bebê desde o primeiro dia!
Vou tentar fazer um breve relato, por partes, daquilo que acho que vale ressaltar:
Sono
As noites têm sido tranquilas (11 horas de sono ininterrupto pelo menos, aproximadamente das 19:00 às 6:00) e, de alguns meses para cá, a frequência das sonecas da tarde diminuiu de todo dia para 4 ou 5 vezes por semana. Há dias em que eu a deixo "pular a soneca" (das 13:00 às 15:00 ou 16:00) e fazer alguma outra atividade mais "tranquila" durante esse período (como assistir a um desenho, ler seus livrinhos, desenhar), pois tenho percebido que ela não está mais precisando dormir tanto. Na maioria das vezes, quando ela insiste muito que não quer dormir, eu estabeleço que ela tem de ficar deitadinha descansando na cama por 40 min a 1 hora e, mesmo que ela não durma, sei que esse tempinho é bom para ela renovar as energias. Como disse acima, isto não acontece sempre, apenas 2 ou 3 vezes por semana (incluindo os domingos).
Alimentação
Ela está se alimentando bem! Com uma mistura de alívio e orgulho em vista do progresso nos últimos 18 meses, arrisco dizer que praticamente superamos a fase "picky eater" da Nicole!! Se quiser saber sobre os problemas que tivemos, leia o post Alimentação a partir dos 12 meses - aprendendo com os erros. Ela continua sendo uma criança relativamente pequena e magra, mas ela come de tudo - legumes e verduras, inclusive (não necessariamente de bom grado toda vez, rs). Uma observação importante é que ela come devagar, beeem devagar, sem pressa alguma! Se deixar, ela fica com a comida na boca sem mastigar um tempão e por isso ainda estamos trabalhando esta dificuldade com ela. Porém, o mais importante e o que eu valorizo muito é que ela conseguiu superar muito de seus "pré conceitos" com relação a qualquer alimento que não seja o arroz/feijão/carne (que ela adora) de todo dia! Sério, ela fazia cara de nojo para qualquer outro tipo de refeição que não fosse essa composição habitual, não gostava de massas, pães, enfim, não queria nem experimentar. Sinto que está cada vez mais facil para ela aceitar (sem reclamar) de que precisa comer um pouquinho de tudo o que eu preparar (isto mesmo: todos os legumes ou verduras/saladas também). Já as frutas nunca foram um problema para ela. Ela come fruta no café da manhã, leva fruta de lanche para a escola e, às vezes, come também de lanche da tarde. Ela gosta de todas!
Comportamento
Meu marido já comentou muitas vezes no último ano como a Nicole não parecia ter somente pouco mais de 2 anos de idade. Há momentos em que ela é tão madura, amável e obediente!! E isto fica ainda mais saliente agora que podemos comparar o seu comportamento com o da irmã (de apenas 1 ano e 2 meses) que está no início deste processo de disciplina e correção (e que resiste a submeter-se à autoridade dos pais). Não posso deixar de pensar como o fato dela ser obediente em 80% (ou mais) do tempo contribui MUITO para curtirmos não somente nossos momentos juntas como mãe e filha - mas, principalmente, os momentos em família e no relacionamento com outras pessoas quando estamos em público. Fico cada vez mais convencida da sabedoria que há nas Escrituras, como o texto de Provérbios 29:15. Sei por experiência o que é passar vergonha em público por algum mau comportamento dela (por exemplo, virar o rosto quando alguém vem todo simpático cumprimentá-la!), mas também já experimentei as alegrias que perseverar em corrigi-la com a vara da disciplina, em amor, trazem! Um dos segredos, sem dúvidas, é aplicar a "educação diretiva", compreendendo o conceito de "criar dentro do funil" (Ezzos). Até hoje, por exemplo, a Nicole não tem permissão de sair da cama sozinha ao acordar. As liberdades nós damos à medida em que ela está pronta para usá-las com responsabilidade, ou seja, quando desenvolveu um nível satisfatório de autocontrole (para ler mais sobre este assunto, clique nos posts: Desenvolvimento do autocontrole, Eduque, não reeduque! e Comportamento e Mobilidade).
Hoje em dia uma das minhas maiores ALEGRIAS como mãe é colher os frutos das boas sementes plantadas (arduamente, devo acrescentar) até aqui! E, acredite, arduamente mesmo! Ser uma mãe proativa é remar contra a correnteza do mais cômodo, é tomar uma postura contra a inércia, é antecipar, prever, planejar. É não ficar parada esperando e apenas reagindo às situações que aparecem. Sim, é um processo árduo, mas também muito recompensador porque não é apenas a criança que se desenvolve e aprende, nós também crescemos e nos tornamos pessoas melhores. Por isso, aqui venho encarecidamente pedir a você, mamãe leitora, de não cair no engano (que é muito comum) de pensar "Ai, como ela é sortuda: a filha dela é boazinha e obedece" ou "Se meu filho também fosse assim seria muito fácil, mas eu não tive a mesma sorte". Não é sorte!! Em vez de pensar assim, corra atrás de conhecimento que possa auxiliá-la na sua tarefa de educar. É difícil, eu sei, mas Deus honra os nossos esforços, renova as nossas forças e nos dá novas estratégias para cada situação porque, afinal, Ele é o maior interessado de nos ver prosperar neste intento de criar filhos segundo o Seu coração e edificar uma família unida. Quem acompanha o blog há mais tempo com certeza já percebeu que eu sou fã do livro do Tedd Tripp chamado "Pastoreando o Coração da Criança" (você encontra resumos dele neste blog) e sabe que eu também recomendo o curso "Educação de Filhos À Maneira de Deus" (que é oferecido pela UDF - saiba mais)!
Linguagem
A fluência da Nicole nos dois idiomas - português e inglês - melhorou muito. Bem, pelo menos na minha concepção, ela fala os dois idiomas muito bem! Estou muito contente por isto. Lembro-me de que, exatamente um ano atrás, eu me sentia desorientada com relação a este processo todo da aquisição de fluência, temendo que ela não fosse aprender direito nem um nem outro porque eu misturava os dois idiomas em casa. Mas não, ela sabe distinguir os dois e já entendeu, inconscientemente, que na igreja e em casa nós nos comunicamos em inglês, mas que na escola e em outros ambientes nós nos comunicamos em português. Isto é especialmente bom porque o fato dela falar bem o inglês vai me ajudar a ensiná-lo à Alícia também.
Como professora de inglês por vocação, esta é uma área que me fascina! Até a chegada das meninas, minha experiência de ensinar inglês sempre fora com o público adulto. Embora esteja sendo uma experiência inusitada para mim, estou descobrindo muitas semelhanças no processo de aquisição da fluência da Nicole e dos alunos com quem tive contato durante os meus quase 15 anos de experiência nesta área! Por isto, apenas para fins de curiosidade, vou registrar alguns erros de estrutura em inglês (e também em português) que a vejo cometer.
- Não conseguir conjugar os verbos no passado muito bem ainda e confudir os pronomes "he/him" e "she/her". Quando ela quer me dizer que a irmã levantou do berço, por exemplo, em vez de dizer: "She got up", ela diz "Her get up". Eu acho que erros deste tipo (de conjugação) são bem comuns entre crianças que estão aprendendo a falar. E ela faz isto em português também, outro dia mesmo disse: "Eu já bebei, mãe" e esta manhã perguntou: "Onde você fazeu isso, pai?".
- Ainda falando em pronomes, houve uma época em que, em português, todas as pessoas para ela eram "ELE". Muito curioso! Ela não conhecia ou sabia usar os outros pronomes em português. Quando ela fazia isso, eu brincava que ela era minha "gringazinha", rs.
- Em inglês percebo que isso ainda acontece quando ela quer dizer "sozinha" e, em vez de dizer "by myself", ela fala "by yourself" (que pra ela serve para todas as pessoas). Deduzo que isto acontece como resultado dela automaticamente reproduzir aquilo que me ouve dizer - por exemplo, quando eu digo "Can you do it by yourself?"- e ela não sabe que tem de mudar a pessoa na hora de responder.
- Acho muito curioso que quando ela quer dizer "Não consigo fazer" em inglês, ela fala "No can do it" e o "Não quero isso" dela fica "I no want it"! Esses erros seguem a mesma lógica de tradução de alguém que já tem a estrutura da língua bem sendimentada em português usa quando está aprendendo o inglês, rs! Seguindo essa tendência de traduzir ao 'pé da letra', ela diz "Give for me" em vez de "Give it to me". E, ainda, usa o "yet" significando "ainda" no lugar de "still" em frases afirmativas (por exemplo, "I'm eating yet"). Minha teoria é que ela costumeiramente me ouviu fazer perguntas com o "yet" - como por exemplo "Did you finish yet?" - e deduziu que "yet" é "ainda" e pronto.
- Já em relação à vocabulário, ela sabe bastante coisa e aprende com facilidade - está sempre nos surpreendendo com palavras novas! Geralmente meu marido e eu nos entreolhamos como quem diz "Uau, ela sabe isto!", haha. :) Há outras estruturas que ela domina bem, como o uso do gerúndio e da 3a pessoa no presente (no afirmativo apenas, já ela não domina o uso do auxiliar ainda), o que não deixa de ser algo fantástico.
Como já comentei, a fase em que a Nicole está hoje é muito gostosa porque ela consegue conversar e interagir com as pessoas e entende muito mais o que acontece ao seu redor. Acho a lógica do pensamento infantil extraordinária! Quem não se diverte com as perguntas inteligentes ou frases engraçadas que criança nesta idade diz?! Estou amando acompanhar de perto como a capacidade de raciocínio dela se desenvolve, responder às suas muitas dúvidas (ela é uma tagarela!!), perceber quais são suas curiosidades, seus medos, sua relação afetiva com as pessoas, ensiná-la sobre os princípios de Deus para o convívio em sociedade, a bênção da submissão, do respeito e da honra, enfim, ter o privilégio de pastorear o seu coração (suas emoções), ajudando a compreender o que sente e como lidar com todas essas emoções.
Um exemplo de sua sensibilidade para com o que acontece ao seu redor aconteceu hoje. Estávamos saindo da igreja e nos dirigindo ao carro para ir pra casa quando vimos uma moradora de rua deitada na calçada. A Nicole olhou para aquela pessoa ali há alguns metros de nós e foi logo me perguntando quem era aquela pessoa e onde estava a mamãe dela! Falei que ela provavelmente havia perdido sua mamãe e que por isto ela estava ali, e ela pensativa se pôs a me fazer mais perguntas (sobre onde era a casa dela, se ela tinha cama pra dormir, etc). O fato da mulher estar ali naquela condição mexeu com ela! Já reparei também como certas cenas de desenho infantil a comovem ou perturbam. Vou citar dois em particular que me lembro agora, ambos do Veggie Tales. Na história sobre Moisés ainda bebê deixado no rio, ela chora quando a correnteza o leva para longe da irmã. Nessa hora eu normalmente tenho de ficar ali perto dela e abraçá-la, ou simplesmente pulo a cena. Em outra história ela se apavora quando o espírito fantasmagórico da avó de um dos personagens sai de um retrato pendurado na parede (é uma visão que o personagem tem)! Ah, acabei de me lembrar outro desenho - um dia ela estava na casa da minha mãe e estava passando Shrek. Não sei qual cena foi, mas minha mãe contou que ela ficou aflita, apontando para a TV e dizendo que estava com medo.
Outro exemplo de sua sensibilidade está no relacionamento com a irmã. E não posso expressar como ver as duas se dando bem enche meu coração de alegria (Salmo 133)! Claro que já houve momentos tensos de conflito entre elas, mas a Nicole (que antes era muito egoísta e não aceitava dividir seus brinquedos) aos poucos tem aprendido a me imitar no tratamento com a Alícia e a ser carinhosa, protetora, companheira, etc. Ela beija, abraça, cuida e se esforça para fazê-la dar gargalhadas - é muito gostoso de ver! Mesmo contrariada às vezes cede algum brinquedo para dar preferência à irmã e pede desculpas com um beijo quando a machuca (direciono-a a fazer as pazes, mesmo que a Alícia não esteja entendendo nada).
Escola
Como mãe tenho enfrentado um dilema com relação a algumas das atividades especiais que a escola da Nicole organiza. Na verdade, não tenho queixas da escola em si, é um lugar organizado e acolhedor e, embora faça uso de propostas pedagógicas consideradas tradicionais, estou muito satisfeita. Porém, não é uma escola cristã e eu não estou sabendo muito bem como lidar com isto ainda (já que eu estudei num colégio cristão minha vida toda e a escola em que ela estudou no ano passado também era cristã). No início do ano, por exemplo, a escola promoveu uma festinha de carnaval para as crianças e a Nicole não participou. Como pais entendemos que, por mais inocente que esta atividade fosse para as crianças nesta idade, não queríamos "naturalizar" a idéia de uma festa tão contrária aos princípios de Deus (e também morais, de culto ao corpo). Achamos que 'não convinha' ela participar e, portanto, comuniquei a escola com antecedência que ela faltaria neste dia. Para compensar, chamei uma amiguinha da mesma escola (só que mais velha) para vir em casa e as duas brincaram na piscina enquanto nós, mamães, conversávamos, rs. A questão é que quando este evento escolar aconteceu a Nicole era tão nova que ir ou não ir não teve a menor importância para ela! Ela não compreendia o suficiente para saber que tinha perdido uma atividade "legal" com os amigos. E, lembrando agora, na verdade quem "sofreu" mais com isto fui eu quando saíram as fotos do evento no site da escola e minha filha não estava nelas, hehe! Isto foi há mais de seis meses e agora a Nicole já entende muito mais.
E um dia desses ela chegou em casa falando do Parque da Xuxa. Eu não gosto nadinha da Xuxa - mais ou menos pelo menos motivo de não achar o carnaval uma festa inocente: na minha opinião, a Xuxa representa um péssimo modelo a ser seguido, admirado ou valorizado por qualquer sociedade que se preze por seus valores morais!! É tão descarado ela incitando as crianças - principalmente as menininhas - à sensualidade que fico boba que muita gente ache isto normal. Enfim, não é apenas por uma questão cristã, mas moral!! A cena daquelas paquitas dançando e vestidas como prostitutas, na minha opinião, deveria assustar qualquer pai e indigná-lo! Nenhuma mãe deveria permitir que seu filho alimente sua mente e coração com essas ´baixarias´, mesmo as veladas. Bem, mas como dizia, achei esquisito a Nicole falar em Parque da Xuxa, mas só entendi mesmo quando li o comunicado na agenda que dizia que a escola está organizando um passeio para lá. E, por isso, agora estamos num dilema cruel! Não queremos prestigiar a Xuxa investindo dinheiro para que ela fique mais rica do que ainda já é, ou ganhe mais notoriedade. Além disso, há tantos outros parques legais na cidade, tinha de ser justo o da Xuxa?! Outro motivo é que vai ser um passeio de um dia inteiro (das 9:00 às 17:30) e acho cansativo demais para uma criança de apenas 3 anos. Mas, apesar disso, não quero que minha filha se sinta mal no dia seguinte ao evento quando os amiguinhos da escola estiverem comentando a experiência, falando dos brinquedos em que foram, o que comeram, o que fizeram, etc!
É tão difícil saber o que fazer em situações como essas, não é? Se você já passou por alguma experiência semelhante, conte-nos como foi. Quem sabe você me dá uma "luz", rs.
Bem, é isto!
Um abraço, Talita
sexta-feira, 9 de março de 2012
2 anos e 6 meses de Nicole!
Hoje vim falar sobre a Nicole - a minha princesa mais velha que completou 2 anos e 6 meses há dez dias. Infelizmente, o último post dedicado a ela foi há mais de 1 ano! Com a segunda gravidez e depois os desafios que vieram com a chegada da caçula, eu não consegui organizar o meu tempo para escrever todo mês sobre as duas. Uma pena, pois nesse período vivemos muitos aprendizados e eu amaria ter registrado tin-tin por tin-tin tudo o que aconteceu - o que ela aprendeu e também nos ensinou, os episódios engraçados, as viagens que fizemos, as situações que nos preocuparam, as decisões difíceis que tivemos de tomar. Mas não deu, então estou aqui hoje para fazer um resumão dos principais pontos do último ano de vida dela!
Rotina - Alimentação, Atividades e Sono
A Nicole acorda por conta todas as manhãs - sempre por volta das 6:00 - mas ela ainda não tem permissão de sair da cama sozinha, então quando acorda ela nos chama. Eu a busco e trago para o nosso quarto onde ela toma o seu leitinho enquanto eu amamento a Alícia. Ela está habituada a dormir na cama (com grades) desde + ou - 1 ano e 7 meses, antes da irmã que iria precisar do berço nascer. Eu fiz a mudança cedo para minimizar a possibilidade de situações que pudessem gerar ciúmes nela. Depois do banho e café da manhã, o pai a leva para a escola às 7:50.
Ela fica na escola das 8:00 às 12:00 e eu mando um lanchinho - geralmente uma fruta picada, suco natural (ou yakult) e mais alguma coisa (castanhas, danoninho, cereal, bolo ou biscoito). No momento achamos que ela é muito nova para vir de transporte escolar, por isso vou buscá-la de ônibus na hora da saída. É bem pertinho de casa, então às 12:15 já estamos de volta. Se ela viesse de transporte escolar chegaria somente às 12:35, acho muita diferença! Assim que chega, tiro o uniforme e lavo suas mãos para almoçar. Ela é bem devagar para comer - mastiga, mastiga e mastiga mais um pouco, rsrs. Às vezes parece que não vai engolir nunca, principalmente se tiver pedaços maiores de carne, por isso tudo precisa estar bem cortadinho. Depois eu escovo os dentes dela, coloco-a para fazer xixi e ela vai pra cama tirar a soneca da tarde - de 13:00 até 16:00, mais ou menos. Nem sempre ela dorme por 3 horas seguidas, mas é uma média e dá para dizer com segurança que é o que acontece em pelo menos 65% das vezes.
Depois da soneca, eu dou algum lanche leve. Às vezes ela pede leite, ou danone, ou uma fruta. Eu não deixo ela encher muito a barriga nesse horário porque jantamos cedo aqui em casa. As atividades depois da soneca variam muito, deixo-a brincar livremente no cantinho especial para isso na sala (ela gosta de montar quebra-cabeças, brincar com massinha de modelar, fazer comidinha com as panelinhas) ou então lá fora, levando a boneca para passear no carrinho, brincando de bola ou com a motoca. Ela gosta muito de correr, pular e fazer piruetas, imitando uma bailarina, e não costuma brincar quietinha não. Pelo contrário, é bem tagarela e quer me mostrar tudo o que ela está fazendo. Também gosta de interagir com a irmã e fazê-la dar risada.
Às 18:00 (ou antes) ela janta e como no almoço é aquela demora para terminar a refeição. Ela já melhorou pra comer - de 1 ano até completar 2 anos foi uma época difícil - e não é mais a "picky eater" de antes. Pelo menos agora ela come um pouquinho de tudo - inclusive saladas e legumes refogados. Mesmo que não goste ou não queira experimentar algo novo, eu explico que ela precisa obedecer. Ela usa aquele babador de plástico com bolso para não cair tanta comida no chão. Antes ela fazia questão de comer sozinha, mas hoje como vê a gente dando comida na boca da Alícia, ela quer o mesmo tratamento e algumas vezes pede para darmos comida na boca dela.
Depois da janta já é praticamente hora de ir pra cama de novo. O horário-limite é 19:30 porque quero que ela tenha pelo menos 10 horas de sono ininterrupto à noite, mas temos de começar a preparação para dormir às 19:00 - envolve tomar banho novamente (quando preciso), escovar os dentes, usar o banheiro, ler um livro ou assistir a algum desenho (DVD). Ela toma um leitinho com chocolate também, se pedir. Na hora de dormir, a rotina é colocar as meninas no quarto, ligar o ventilador, sair e fechar a porta para elas ficarem totalmente no escuro. Elas dormem independentemente. Às vezes, a Nicole fica tagarelando com as bonecas e a Alícia chora (acho que porque quer brincar também, rs). Quando isso acontece, tiramos a Nicole do quarto para discipliná-la porque ela sabe que hora de dormir é hora de silêncio. Principalmente quando a Alícia já está no quarto dormindo (alguns dias colocamos ela para dormir uns 20-30 min antes da Nicole), ela precisa aprender a respeitar a irmã e o espaço que elas dividem.
Escola
Este ano a matriculamos numa escola nova. Foi uma decisão difícil porque sabíamos o quanto a Nicole gostava da professora anterior, mas a coordenação e a escola em geral estavam deixando a desejar em certos aspectos - principalmente nos quesitos organização e comunicação com os pais, o que inevitavelmente começou a gerar certas desconfianças da minha parte sobre a execução dos objetivos propostos para o desenvolvimento das crianças também. Eu não queria tirar a Nicole de lá porque era uma escola bilíngue, com alimentação inclusa e ficava bem próximo de casa. Ah, e tinha natação dentro da própria escola, o que achava ótimo. Cheguei a procurar a coordenação algumas vezes para externar minhas preocupações na esperança de ter a confiança na escola recobrada. Estava desejosa de ser convencida a ficar. Mas não foi o que aconteceu. E como a mensalidade iria aumentar consideravalmente de um ano para o outro, eu pesei o custo-benefício e decidi que não valia mais a pena insistir para manter a Nicole lá.
A adaptação na nova escola foi melhor do que eu imaginava. Até hoje não teve um dia sequer que a Nicole não tenha ido feliz para a escola. Agora ela tem mochila, lancheira e vai toda mocinha para a escola de uniforme (que fica enorme nela!). E nos fins de semana ela fica perguntando se vai para a escola também. Enfim, está sendo uma experiência muito positiva para ela.
Ela entrou no Mini-Maternal, pois só vai completar 3 anos depois de 30 de junho. Já a Alícia faz aniversário antes e por isso, quando estiver em idade escolar, vai estar apenas um ano abaixo da irmã. Eu acho isso curioso, pois elas têm 1 ano e 10 meses de diferença de idade (quase 2 anos)!
Linguagem
Essa área está sendo um grande desafio para nós. Não temos sido constantes em falar em inglês 100% do tempo em casa (por preguiça mesmo) e como agora ela está indo para uma escola brasileira, ela quer falar português o tempo todo. Durante boa parte do tempo em que estamos juntas, eu fico traduzindo para o inglês tudo o que ela diz em português e peço para ela repetir. Toma tempo e precisa ter determinação! Há alguns dias eu arrisquei pedir para ela traduzir sozinha e não é que deu certo? Ela sabe traduzir, ela entende o que é um idioma e o que é outro. Fiquei feliz porque pensei que com essa idade ela ainda não seria capaz de distinguir!
Claro que as traduções dela ainda são imperfeitas, às vezes ela traduz apenas uma palavra e fala todo o resto em português. Fica engraçado e não é incomum ela dizer frases do tipo: "Pode jump, mamãe?". Eu sei que a culpa toda é minha, eu misturo muito os idiomas. Preciso me policiar mais e espero que eu não prejudique a capacidade de comunicação de minha filha!
Uma outra mudança positiva este ano foi que nos tornamos membros de uma igreja onde se fala inglês. A Nicole frequenta uma sala especial para crianças de 2 anos e meio e 3 anos (acabou de ser promovida para lá) e é muito bom para ela! Ela gosta, vai feliz e, além de ajudá-la na fluência do inglês, ela ouve histórias de Deus - algo muito valioso. Domingo passado no carro voltando para casa da igreja, ela estava nos contando o que tinha aprendido. Apontou na lição do dia o anjo em frente ao túmulo de Jesus e disse "He's alive!" ("Ele está vivo!"). Achei o máximo!
Disciplina e Obediência
Taí outro grande desafio! Progredimos bastante nessa área de um ano pra cá, depois que li e comecei aplicar muitos dos princípios do livro "Pastoreando o Coração da Criança" de Tedd Tripp. Clique aqui para saber mais. Estou contente com os resultados, mas sei que ainda temos muito pela frente, pois é um processo de aprendizado para a Nicole e para nós, os pais.
Ainda erro algumas vezes quando deixo passar desobediências que não deveria ou quando repito a mesma instrução muitas vezes - com isso estou acostumando-a a esperar pela segunda, terceira ou quarta vez antes de obedecer, o que, evidentemente, deixa qualquer mãe irada e mais propensa a gritar com a criança ou cometer erros piores. Outra dificuldade é o constrangimento da desobediência em público -dá uma vontade de fazer vista grossa e fingir que está tudo bem! Mas para o próprio bem da minha filha, sei que não posso e tenho aprendido a superar o desejo de ignorar a desobediência ou mal-criação, levando-a para um cantinho (ou outro ambiente fora dos olhares) para falar bem sério olhando nos seus olhos e lembrando-a de quais serão as consequências caso ela insista em desobedecer. Às vezes tudo o que a criança precisa mesmo é ser tirada do calor da situação para recompor o foco e conseguir obedecer.
Na fase em que a Nicole está, ela não sabe brincar muito bem com outras crianças ainda (estou batendo na tecla de que ela precisa compartilhar seus brinquedos!). Por isso, quando vamos visitar alguém, eu me esforço para aplicar a educação diretiva (conforme ensinada pelo "Educação de Filhos À Maneira de Deus" de Gary & Anne Marie Ezzo), ou seja, já adianto para ela no caminho o que ela deve fazer quando chegar lá. Eu explico que ela vai cumprimentar as pessoas, sorrir, dar um beijo e que só vai brincar com os brinquedos que a amiguinha oferecer para ela, que ela não vai sair pegando o que quiser pela frente, e que ela vai obedecer a mamãe. Falo tudo com antecedência e faço questão de que ela olhe nos meus olhos e diga que entendeu.
Outro fator que influencia drasticamente na capacidade dela de prestar atenção e obedecer é o cansaço. Ela desobedece muito mais quando pula a soneca da tarde -num domingo em que estamos fora de casa, por exemplo. Então eu preciso redobrar a atenção nesses casos e ajudá-la a ficar mais calminha. Se eu deixá-la solta demais, ela normalmente fica mais desajeitada, caindo à toa, chorando por besteira (com aquela voz bem irritante, forçando o choro), bem manhosa. Aliás, uma das regras que instituímos em casa é que não é permitido choramingar para conseguir as coisas. Eu explico que ela sabe falar e que ela não precisa pedir chorando. Ela estava indo muito bem... até a irmãzinha nascer! Hoje é uma área em que eu estou tendo de constantemente corrigi-la novamente porque não quero perpetuar este terrível hábito de manipulação, mas eu tento dosar firmeza com amor porque sei que é típico da idade e das circunstâncias atuais.
Um exercício que eu aprendi a fazer em casa é não lhe dar muitas liberdades para tomar suas próprias escolhas. Faz parte do treinamento para ela aprender a submissão. Algumas decisões, como escolher com qual colher vai comer ou que babador vai usar, são inofensivas e não faria mal deixá-la nas suas mãos, mas eu limito as áreas em que ela pode decidir sozinha para ela treinar a obediência. Quando ela reclama e diz que quer vestir outra roupa, eu reforço que quem escolhe o que ela vai vestir sou eu e ajudo-a a lidar com a frustração, pois faz parte da vida aceitar o "não". Claro que não vai ser assim para sempre, daqui um tempo eu acredito ela vai ter maturidade e vai conquistar sua liberdade aos poucos. Os Ezzos chamam isso de criar dentro do funil. Foi uma das dicas mais valiosas que aprendi nos últimos tempos!
Um pensamento final antes de concluir este post: Tenho pensado muito sobre o que significa ensinar minha filha no caminho em que ela deve andar e refletido que esse "caminho" inclui tudo, inclusive o respeito e a honra aos pais. Às vezes quando ela tem uma reação negativa à nossa instrução ou correção (bate o braço em ira ou quer mostrar a língua, por exemplo), eu fico perplexa e a minha primeira reação é indagar como ela tem coragem de ter uma atitude dessas, aos meus olhos era tanta ingratidão que me deixava com raiva. Ouvindo uma palestra sobre criação de filhos no fim do ano passado, aprendi que na idade da Nicole (e até aproximadamente os 4 anos de idade), a criança ainda não sabe tomar decisões morais. Em outras palavras, ela não sabe distinguir entre o certo e o errado. Ruminei esse conceito por muito tempo até me cair a ficha que honrar assim como obedecer são decisões morais. Sim, a criança tem inclinação para o pecado, mas não é algo consciente. Depois de entender isso, ficou muito mais fácil ensiná-la que ela precisa me respeitar, sem levar para o lado pessoal, ficar indignada ou querer dar o troco!
Hoje, se ela ameaça uma atitude de deshonra ou de desrespeito, não deixo mais isso me afetar emocionalmente. O que faço é simplesmente segurar no seu rosto com as duas mãos, olhar nos seus olhos e com carinho dizer que ela não pode fazer isso e que precisa respeitar a mamãe (ou o papai) - como faria com qualquer outra lição que eu quisesse transmitir a ela.
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