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Bem-vinda ao nosso blog!
Aqui, mamães muito diferentes mas com um único objetivo compartilham suas experiências nesta grande aventura que é a maternidade! Nós queremos, acima de tudo, ser mamães sábias, que edificam seus lares e vivem com toda plenitude o privilégio de sermos mães! Usamos muitos dos princípios ensinados pelo Nana Nenê - Gary Ezzo, assim como outros livros. Nosso objetivo é compartilhar o que aprendemos a fim de facilitar a vida das mamães! Fomos realmente abençoadas com livros (e cursos) e queremos passar isso para frente!


"Com sabedoria se constroi a casa, e com discernimento se consolida.
Pelo conhecimento os seus cômodos se enchem do que é precioso e agradável"
Prov. 24:4,5
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sexta-feira, 9 de março de 2012

2 anos e 6 meses de Nicole!


Hoje vim falar sobre a Nicole - a minha princesa mais velha que completou 2 anos e 6 meses há dez dias. Infelizmente, o último post dedicado a ela foi há mais de 1 ano! Com a segunda gravidez e depois os desafios que vieram com a chegada da caçula, eu não consegui organizar o meu tempo para escrever todo mês sobre as duas. Uma pena, pois nesse período vivemos muitos aprendizados e eu amaria ter registrado tin-tin por tin-tin tudo o que aconteceu - o que ela aprendeu e também nos ensinou, os episódios engraçados, as viagens que fizemos, as situações que nos preocuparam, as decisões difíceis que tivemos de tomar. Mas não deu, então estou aqui hoje para fazer um resumão dos principais pontos do último ano de vida dela!

Rotina - Alimentação, Atividades e Sono
A Nicole acorda por conta todas as manhãs - sempre por volta das 6:00 - mas ela ainda não tem permissão de sair da cama sozinha, então quando acorda ela nos chama. Eu a busco e trago para o nosso quarto onde ela toma o seu leitinho enquanto eu amamento a Alícia. Ela está habituada a dormir na cama (com grades) desde + ou - 1 ano e 7 meses, antes da irmã que iria precisar do berço nascer. Eu fiz a mudança cedo para minimizar a possibilidade de situações que pudessem gerar ciúmes nela. Depois do banho e café da manhã, o pai a leva para a escola às 7:50.

Ela fica na escola das 8:00 às 12:00 e eu mando um lanchinho - geralmente uma fruta picada, suco natural (ou yakult) e mais alguma coisa (castanhas, danoninho, cereal, bolo ou biscoito). No momento achamos que ela é muito nova para vir de transporte escolar, por isso vou buscá-la de ônibus na hora da saída. É bem pertinho de casa, então às 12:15 já estamos de volta. Se ela viesse de transporte escolar chegaria somente às 12:35, acho muita diferença! Assim que chega, tiro o uniforme e lavo suas mãos para almoçar. Ela é bem devagar para comer - mastiga, mastiga e mastiga mais um pouco, rsrs. Às vezes parece que não vai engolir nunca, principalmente se tiver pedaços maiores de carne, por isso tudo precisa estar bem cortadinho. Depois eu escovo os dentes dela, coloco-a para fazer xixi e ela vai pra cama tirar a soneca da tarde - de 13:00 até 16:00, mais ou menos. Nem sempre ela dorme por 3 horas seguidas, mas é uma média e dá para dizer com segurança que é o que acontece em pelo menos 65% das vezes.

Depois da soneca, eu dou algum lanche leve. Às vezes ela pede leite, ou danone, ou uma fruta. Eu não deixo ela encher muito a barriga nesse horário porque jantamos cedo aqui em casa. As atividades depois da soneca variam muito, deixo-a brincar livremente no cantinho especial para isso na sala (ela gosta de montar quebra-cabeças, brincar com massinha de modelar, fazer comidinha com as panelinhas) ou então lá fora, levando a boneca para passear no carrinho, brincando de bola ou com a motoca. Ela gosta muito de correr, pular e fazer piruetas, imitando uma bailarina, e não costuma brincar quietinha não. Pelo contrário, é bem tagarela e quer me mostrar tudo o que ela está fazendo. Também gosta de interagir com a irmã e fazê-la dar risada.

Às 18:00 (ou antes) ela janta e como no almoço é aquela demora para terminar a refeição. Ela já melhorou pra comer - de 1 ano até completar 2 anos foi uma época difícil - e não é mais a "picky eater" de antes. Pelo menos agora ela come um pouquinho de tudo - inclusive saladas e legumes refogados. Mesmo que não goste ou não queira experimentar algo novo, eu explico que ela precisa obedecer. Ela usa aquele babador de plástico com bolso para não cair tanta comida no chão. Antes ela fazia questão de comer sozinha, mas hoje como vê a gente dando comida na boca da Alícia, ela quer o mesmo tratamento e algumas vezes pede para darmos comida na boca dela.

Depois da janta já é praticamente hora de ir pra cama de novo. O horário-limite é 19:30 porque quero que ela tenha pelo menos 10 horas de sono ininterrupto à noite, mas temos de começar a preparação para dormir às 19:00 - envolve tomar banho novamente (quando preciso), escovar os dentes, usar o banheiro, ler um livro ou assistir a algum desenho (DVD). Ela toma um leitinho com chocolate também, se pedir. Na hora de dormir, a rotina é colocar as meninas no quarto, ligar o ventilador, sair e fechar a porta para elas ficarem totalmente no escuro. Elas dormem independentemente. Às vezes, a Nicole fica tagarelando com as bonecas e a Alícia chora (acho que porque quer brincar também, rs). Quando isso acontece, tiramos a Nicole do quarto para discipliná-la porque ela sabe que hora de dormir é hora de silêncio. Principalmente quando a Alícia já está no quarto dormindo (alguns dias colocamos ela para dormir uns 20-30 min antes da Nicole), ela precisa aprender a respeitar a irmã e o espaço que elas dividem.

Escola
Este ano a matriculamos numa escola nova. Foi uma decisão difícil porque sabíamos o quanto a Nicole gostava da professora anterior, mas a coordenação e a escola em geral estavam deixando a desejar em certos aspectos - principalmente nos quesitos organização e comunicação com os pais, o que inevitavelmente começou a gerar certas desconfianças da minha parte sobre a execução dos objetivos propostos para o desenvolvimento das crianças também. Eu não queria tirar a Nicole de lá porque era uma escola bilíngue, com alimentação inclusa e ficava bem próximo de casa. Ah, e tinha natação dentro da própria escola, o que achava ótimo. Cheguei a procurar a coordenação algumas vezes para externar minhas preocupações na esperança de ter a confiança na escola recobrada. Estava desejosa de ser convencida a ficar. Mas não foi o que aconteceu. E como a mensalidade iria aumentar consideravalmente de um ano para o outro, eu pesei o custo-benefício e decidi que não valia mais a pena insistir para manter a Nicole lá.

A adaptação na nova escola foi melhor do que eu imaginava. Até hoje não teve um dia sequer que a Nicole não tenha ido feliz para a escola. Agora ela tem mochila, lancheira e vai toda mocinha para a escola de uniforme (que fica enorme nela!). E nos fins de semana ela fica perguntando se vai para a escola também. Enfim, está sendo uma experiência muito positiva para ela.

Ela entrou no Mini-Maternal, pois só vai completar 3 anos depois de 30 de junho. Já a Alícia faz aniversário antes e por isso, quando estiver em idade escolar, vai estar apenas um ano abaixo da irmã. Eu acho isso curioso, pois elas têm 1 ano e 10 meses de diferença de idade (quase 2 anos)!

Linguagem
Essa área está sendo um grande desafio para nós. Não temos sido constantes em falar em inglês 100% do tempo em casa (por preguiça mesmo) e como agora ela está indo para uma escola brasileira, ela quer falar português o tempo todo. Durante boa parte do tempo em que estamos juntas, eu fico traduzindo para o inglês tudo o que ela diz em português e peço para ela repetir. Toma tempo e precisa ter determinação! Há alguns dias eu arrisquei pedir para ela traduzir sozinha e não é que deu certo? Ela sabe traduzir, ela entende o que é um idioma e o que é outro. Fiquei feliz porque pensei que com essa idade ela ainda não seria capaz de distinguir!

Claro que as traduções dela ainda são imperfeitas, às vezes ela traduz apenas uma palavra e fala todo o resto em português. Fica engraçado e não é incomum ela dizer frases do tipo: "Pode jump, mamãe?". Eu sei que a culpa toda é minha, eu misturo muito os idiomas. Preciso me policiar mais e espero que eu não prejudique a capacidade de comunicação de minha filha!

Uma outra mudança positiva este ano foi que nos tornamos membros de uma igreja onde se fala inglês. A Nicole frequenta uma sala especial para crianças de 2 anos e meio e 3 anos (acabou de ser promovida para lá) e é muito bom para ela! Ela gosta, vai feliz e, além de ajudá-la na fluência do inglês, ela ouve histórias de Deus - algo muito valioso. Domingo passado no carro voltando para casa da igreja, ela estava nos contando o que tinha aprendido. Apontou na lição do dia o anjo em frente ao túmulo de Jesus e disse "He's alive!" ("Ele está vivo!"). Achei o máximo!

Disciplina e Obediência
Taí outro grande desafio! Progredimos bastante nessa área de um ano pra cá, depois que li e comecei aplicar muitos dos princípios do livro "Pastoreando o Coração da Criança" de Tedd Tripp. Clique aqui para saber mais. Estou contente com os resultados, mas sei que ainda temos muito pela frente, pois é um processo de aprendizado para a Nicole e para nós, os pais.

Ainda erro algumas vezes quando deixo passar desobediências que não deveria ou quando repito a mesma instrução muitas vezes - com isso estou acostumando-a a esperar pela segunda, terceira ou quarta vez antes de obedecer, o que, evidentemente, deixa qualquer mãe irada e mais propensa a gritar com a criança ou cometer erros piores. Outra dificuldade é o constrangimento da desobediência em público -dá uma vontade de fazer vista grossa e fingir que está tudo bem! Mas para o próprio bem da minha filha, sei que não posso e tenho aprendido a superar o desejo de ignorar a desobediência ou mal-criação, levando-a para um cantinho (ou outro ambiente fora dos olhares) para falar bem sério olhando nos seus olhos e lembrando-a de quais serão as consequências caso ela insista em desobedecer. Às vezes tudo o que a criança precisa mesmo é ser tirada do calor da situação para recompor o foco e conseguir obedecer.

Na fase em que a Nicole está, ela não sabe brincar muito bem com outras crianças ainda (estou batendo na tecla de que ela precisa compartilhar seus brinquedos!). Por isso, quando vamos visitar alguém, eu me esforço para aplicar a educação diretiva (conforme ensinada pelo "Educação de Filhos À Maneira de Deus" de Gary & Anne Marie Ezzo), ou seja, já adianto para ela no caminho o que ela deve fazer quando chegar lá. Eu explico que ela vai cumprimentar as pessoas, sorrir, dar um beijo e que só vai brincar com os brinquedos que a amiguinha oferecer para ela, que ela não vai sair pegando o que quiser pela frente, e que ela vai obedecer a mamãe. Falo tudo com antecedência e faço questão de que ela olhe nos meus olhos e diga que entendeu.

Outro fator que influencia drasticamente na capacidade dela de prestar atenção e obedecer é o cansaço. Ela desobedece muito mais quando pula a soneca da tarde -num domingo em que estamos fora de casa, por exemplo. Então eu preciso redobrar a atenção nesses casos e ajudá-la a ficar mais calminha. Se eu deixá-la solta demais, ela normalmente fica mais desajeitada, caindo à toa, chorando por besteira (com aquela voz bem irritante, forçando o choro), bem manhosa. Aliás, uma das regras que instituímos em casa é que não é permitido choramingar para conseguir as coisas. Eu explico que ela sabe falar e que ela não precisa pedir chorando. Ela estava indo muito bem... até a irmãzinha nascer! Hoje é uma área em que eu estou tendo de constantemente corrigi-la novamente porque não quero perpetuar este terrível hábito de manipulação, mas eu tento dosar firmeza com amor porque sei que é típico da idade e das circunstâncias atuais.

Um exercício que eu aprendi a fazer em casa é não lhe dar muitas liberdades para tomar suas próprias escolhas. Faz parte do treinamento para ela aprender a submissão. Algumas decisões, como escolher com qual colher vai comer ou que babador vai usar, são inofensivas e não faria mal deixá-la nas suas mãos, mas eu limito as áreas em que ela pode decidir sozinha para ela treinar a obediência. Quando ela reclama e diz que quer vestir outra roupa, eu reforço que quem escolhe o que ela vai vestir sou eu e ajudo-a a lidar com a frustração, pois faz parte da vida aceitar o "não". Claro que não vai ser assim para sempre, daqui um tempo eu acredito ela vai ter maturidade e vai conquistar sua liberdade aos poucos. Os Ezzos chamam isso de criar dentro do funil. Foi uma das dicas mais valiosas que aprendi nos últimos tempos!

Um pensamento final antes de concluir este post: Tenho pensado muito sobre o que significa ensinar minha filha no caminho em que ela deve andar e refletido que esse "caminho" inclui tudo, inclusive o respeito e a honra aos pais. Às vezes quando ela tem uma reação negativa à nossa instrução ou correção (bate o braço em ira ou quer mostrar a língua, por exemplo), eu fico perplexa e a minha primeira reação é indagar como ela tem coragem de ter uma atitude dessas, aos meus olhos era tanta ingratidão que me deixava com raiva. Ouvindo uma palestra sobre criação de filhos no fim do ano passado, aprendi que na idade da Nicole (e até aproximadamente os 4 anos de idade), a criança ainda não sabe tomar decisões morais. Em outras palavras, ela não sabe distinguir entre o certo e o errado. Ruminei esse conceito por muito tempo até me cair a ficha que honrar assim como obedecer são decisões morais. Sim, a criança tem inclinação para o pecado, mas não é algo consciente. Depois de entender isso, ficou muito mais fácil ensiná-la que ela precisa me respeitar, sem levar para o lado pessoal, ficar indignada ou querer dar o troco!

Hoje, se ela ameaça uma atitude de deshonra ou de desrespeito, não deixo mais isso me afetar emocionalmente. O que faço é simplesmente segurar no seu rosto com as duas mãos, olhar nos seus olhos e com carinho dizer que ela não pode fazer isso e que precisa respeitar a mamãe (ou o papai) - como faria com qualquer outra lição que eu quisesse transmitir a ela.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Alimentação a partir dos 12 meses - Aprendendo com os erros!

Até aproximadamente seu 1º. aniversário e apesar de nunca ter sido um bebê gorducho, a Nicole sempre se alimentou superbem. Até seus 5,5 meses alimentou-se exclusivamente de leite materno. E mesmo depois que começou a comer alimentos sólidos, mamou no peito até completar 9 meses. Ela sempre comeu de tudo, nunca recusou nenhum alimento que eu oferecia, inclusive variadas frutas e legumes. Ela só parou de mamar no peito porque eu optei por substitui-lo por leite industrializado uma vez que desejava ter outro bebê em breve.

Nas primeiras 6 visitas à pediatra (de set/2009 a mar/2010), a Nicole ganhou o total 3.850 kg. Como disse, ela nunca foi um bebê grande (aliás, sempre foi pequena e delicadinha), mas para um bebê que nasceu com 2.475 kg e 46 cm e que saiu da maternidade pesando 2.300 kg, chegar aos 6 meses com 6.150 kg e 62,5 cm estava de bom tamanho! Ela tinha mais do que dobrado o peso que tinha ao nascer, exatamente como os livros e especialistas dizem que deve ser.

Bem, a primeira pediatra precisou sair de licença-maternidade e nós fomos à procura de um outro médico para continuar o acompanhamento da Nicole. Foi aí que começaram os nossos problemas, pois esse novo doutor nunca ficava satisfeito com o ganho de peso dela!

Ele comparava-a comigo e com meu esposo e dizia que a Nicole estava muito pequena para sua idade, que deveria estar ganhando bem mais peso para alcançar os outros bebês que tinham nascido com 3 kg ou mais. Ele me perguntava se ela estava comendo duas papinhas salgadas por dia, eu dizia que sim e explicava pra ele que ela comia um pratão de comida. E comia mesmo! Ela era motivo de orgulho das avós que se gabavam que a netinha era "boa de garfo". Mas no fundo sempre tinha a sensação de que ele não acreditava em mim.

Lembro-me de uma das consultas, quando ela estava com 10 pra 11 meses, em que a balança finalmente apontou um ganho de 500 g, ele disse: "Tá vendo, é só aumentar a ingestão calórica que ela ganha peso". E assim eu sempre saía das consultas cabisbaixa e chateada, como se fosse um fracasso de mãe, sentindo que de alguma forma o fato da minha filha não estar ganhando o peso que o pediatra achava adequado significava que eu havia falhado em alguma coisa. Nessa neura de que minha filha ganhasse mais peso fui, inconscientemente, diminuindo o leite que dava pra ela e aumentando a quantidade de sólidos. Esse foi o meu primeiro erro.

Foi um erro porque até o 1º. ano de vida o que realmente faz com que os bebês ganhem peso é o leite, nessa fase o leite é essencial e a introdução de sólidos deve ser lenta e gradativa. O resultado foi que os exames de sangue de 1 aninho da Nicole constataram fosfatase alcalina alterada, que pelo que entendi é uma alteração que aconteceu como reflexo da falta de fixação de cálcio. Para reverter o quadro, o médico disse que eu precisava aumentar a ingestão de leite e de vitamina D (principal responsável por fixar o cálcio), além de diariamente expô-la ao sol de manhãzinha ou final de tarde e acrescentar um ovo cozido à alimentação dela todos os dias. Fizemos e deu certo, nos exames seguintes a fosfatase estava normalizada.

Mas voltando a falar do ganho de peso, a Nicole realmente não ganhava tantos gramas assim MAS, apesar de dois episódios de gripe fortes com febre (com 7 e 8 meses) - em que ela ganhou apenas 150 g e 100 g de uma consulta pra outra - ela nunca chegou a perder peso. Ou seja, ela estava sempre numa crescente e o comum, em meses sem intercorrências de saúde em que perdia o apetite e literalmente não queria comer nada por uma semana inteira, era o ganho de 300-500 g por mês. Com 1 aninho ela tinha mais do que triplicado o peso que tinha ao nascer. Estava com 7.650 kg e 70 cm. Mas o pediatra continuava insatisfeito.

Acho que o que o incomodava era o fato do peso e altura da Nicole a colocarem sempre próximo aos mínimos na tabela de crescimento (como no percentil 5, por exemplo). Mas pra mim isso não era problema, pois apenas significava que para cada 100 crianças de sua idade, a Nicole estaria entre as 5 menores (considerando tamanho e peso). Qual o problema em ser magro?? Se houvesse outros sintomas preocupantes que indicassem doença, tudo bem. Mas não! A Nicole era uma criança ativa, esperta, estava se desenvolvendo de forma adequada e não tinha a aparência de criança doente - ela era apenas pequena.

Mas o médico reforçava que não, que ela tinha que estar dentro da média, próximo ao percentil 50, o que não fazia o menor sentido pra mim! Eu sempre procurei ser informada e havia lido em vários sites que "a média" simplesmente significava que 50% dos bebês estavam acima daquele número enquanto os outros 50% estariam abaixo, somente isso. Um dia questionei isso e o doutor rispidamente respondeu que não podemos confiar em tudo que lemos na internet. Acho que ele se zangou.

Bem, você deve estar se perguntando porque eu não procurei logo outro médico, pelo menos pra ter uma segunda opinião. Foi o que eu fiz. E dessa vez fiz questão de ir em um indicado em vez de simplesmente abrir o livrinho do convênio e procurar pelo consultório mais próximo da minha casa. Três mamães de bebês pequenos me indicaram um outro pediatra e precisei aguardar 3 meses para conseguir uma consulta com ele!! Mas valeu a pena, pois acho que acertamos. Além de pediatra, ele é também endocrinologista pediátrico e é bem calmo. Leva jeito para lidar com crianças pequenas e pra tranquilizar pais estressados porque eu realmente estava precisando, rs! Nem bronca ele me deu porque a Nicole, pela primeira vez, aos 15 meses perdeu peso (180 g) em vez de ganhar e também só cresceu 0,5 cm!!

Nem eu acreditei e fiquei me perguntando como isso foi acontecer. Depois de mais algumas semanas, muitas leituras sobre o assunto, conversas com pessoas e algumas experiências em casa finalmente compreendi. E é o principal aprendizado que quero compartilhar hoje com vocês.

Para conseguir explicar, preciso voltar um pouco e contar o que aconteceu antes da consulta com o novo pediatra e depois da Nicole completar seu primeiro aniversário. Nesse meio tempo (que duraram 3 meses) continuei visitando o pediatra anterior e ele pediu diversos exames pra tentar investigar o que poderia estar impedindo minha filha de ganhar mais peso, foram vários sofridos exames de sangue (porque ela berrou muito) e um 2º de urina pra saber se ela não estava com alguma infecção ou deficiência de cálcio, fósforo, etc. Os resultados vieram todos normais e indicavam que ela estava saudável. Então ele insistiu para que eu desse Pediasure pra ela como complemento alimentar. Na verdade ele já tinha indicado esse leite desde seus 9 meses, mas eu me recusei a dar porque a própria embalagem diz que esse leite é para crianças de 1 a 10 anos que não comem bem. Como ela não tinha 1 ano e também comia bem, achei totalmente desnecessário (além do que uma lata grande custava mais que 70 reais).

Bem, depois que a Nicole completou 1 aninho algumas coisas estranhas começaram a acontecer com ela, rs. Primeiro notei que ela parou de comer a quantidade habitual. Eu cozinhava os legumes, preparava suas papinhas e as congelava no freezer em potinhos de plástico. Até 1 ano ela comia o conteúdo de um potinho inteiro no almoço e outro na janta. De repente comecei a notar que ela só comia metade de um potinho e ainda sobrava pra janta. E mesmo depois de jantar, ainda sobrava comida que eu tinha que jogar fora! Preocupada com o ganho de peso, cedi e comprei o tal do Pediasure, pois afinal ela já tinha 1 ano e realmente não estava mais comendo bem. Passei a dar uma mamadeira por dia pela manhã.

Considero que foi outro erro. O apetite dela nas refeições só foi piorando. Chegou ao ponto de só dar uma beliscadinha ou mal experimentar as refeições em alguns dias, estava comendo como um passarinho! Os alimentos básicos que ela sempre amou (como cenoura e batata) de repente ela começou a agir como se nunca os tivesse comido. Eu não tinha certeza se devia atribuir esse novo comportamento ao fato dos dentes terem finalmente começado a sair e preocupada fui fazer minhas pesquisas na internet pra tentar entender e saber o que especialistas falavam sobre o assunto. Achei um site excelente da Editora Abril que hoje consulto pra muita coisa.

Chama-se www.bebê.com.br e tem artigos interessantíssimos (divididos por faixa etária e temas variados). As leituras, especificamente sobre alimentação, que mais me ajudaram nessa fase complicada foram:

Vinte sugestões para o seu filho amar comidas saudáveis
http://bebe.abril.com.br/01_03/alimentacao/sugestoes-para-filho-amar-comidas-saudaveis.php (obs. todas as dicas aqui são excelentes, mas faço um destaque especial para as de nº. 8, 11 e 15)

Mitos e verdades sobre o ganho de peso da criança
http://bebe.abril.com.br/01_03/alimentacao/mitos-verdades-ganho-de-peso-crianca.php
(obs. todas essas dicas pra mim foram maravilhosas, vale a pena conferir!!)

A alimentação nos primeiros dois anos de vida
http://bebe.abril.com.br/01_03/alimentacao/conteudo_265988.php

Também foi nessa fase que começamos a liberar outras guloseimas pra ela, como biscoitos, rosquinhas, panetone, danoninho, ou seja, uma infinidade de sabores novos e cheios de açúcar! Aliás, acabei entrando no esquema da minha família de oferecer a ela qualquer coisa que estivéssemos comendo (como sorvete) independente se fosse ou não seu horário de se alimentar.

Não preciso nem dizer que os resultados foram catastróficos, não é mesmo? Apesar de eu não estar percebendo, estava criando um novo hábito em minha filha. E ela como não é boba nem nada, começou a ficar "hooked on preferrence", como explica o curso "Preparation for the Toddler Years - Parenting Your Twelve to Eighteen Month Old", escrito pelo casal Ezzo. Aliás, esse livro salvou a minha vida, rs!!

Peguei-o emprestado na sexta passada com minha amiga e só de ler algumas partes já "matei a charada" de qual estava sendo o nosso problema. Então só foi eu começar a aplicar os princípios que o comportamento da Nicole mudou também!

A primeira grande constatação foi o que está escrito na página 49 (do capítulo "Food Challenges"). Os autores escrevem: "Exceto por condições médicas, crianças que comem mal são criadas, não nascem assim" (tradução minha). Eu usei a expressão 'comem mal' pra traduzir o que em inglês é "picky eaters", literalmente crianças que são chatas pra comer. Em seguida, o livro sugere quatro ações / princípios para serem observados: 1) o tamanho da porção, 2) o horário das refeições, 3) a quantidade de líquidos e 4) o monitoramento dos lanches.

Foi nos itens 3 e 4 que eu estava pecando. Já tinha virado rotina eu dar um copão de suco de laranja pra Nicole antes de cada refeição, ela ia bebendo enquanto eu preparava o prato. E os lanches?! Ah, os lanches eram sem dúvida um dos principais vilões!!

Na página seguinte, eles falam sobre a diferença entre apetite e fome, que eu achei excelente. Normalmente fazemos confusão e damos um sentido único a essas duas palavras que, por serem processos biológicos diferentes, têm significados totalmente diferentes também! Apetite é uma resposta ao desejo e fome uma resposta à necessidade. O que compreendi foi que errei ao permitir que o apetite da Nicole, e não o que ela realmente necessitava comer nutricionalmente falando, determinasse e controlasse os alimentos que eu oferecia a ela.

Foram dois erros, na verdade, e eles só fizeram as coisas piorarem. Primeiro o consumo do Pediasure pela manhã a deixava estufada e sem fome o suficiente para comer os alimentos que não eram seus preferidos para o almoço (segundo o pediatra novo, eu deveria suspender o uso desse leite pois arroz, feijão, carne e salada eram o que minha filha precisava) e à tarde, me sentindo culpada por ela mal ter tocado no almoço e só comido a sobremesa, eu aproveitava que ela parecia com fome novamente e exagerava na porção do lanche. Eu dava leite, fruta e ainda a deixava comer bolacha ou chocotone, se ela pedisse - enfim, o que ela quisesse. O resultado disso é que ela ficava sem fome para o jantar também. Virou um ciclo vicioso!!

Bem, então suspendi o Pediasure como disse e o que foi que aconteceu? Minha filha passou a ter fome no almoço sim, mas como havia tornado-se adepta de alimentos de sabor doce, não queria mais saber de experimentar os salgados (por isso a expressão "hooked on preferrence"). Literalmente, ela não queria experimentar nada que eu colocasse no prato, cuspia tudo!! Ela sabia que se esperasse o suficiente eu daria alguma outra coisa mais gostosa no lugar (por exemplo, a sobremesa). Aliás, ela fazia sinal de que estava com sede e enchia a barriga de líquido em vez de comer, em seguida falava "nana" apontando pra alguma fruta que estivesse em cima da mesa e, se eu desse, ela comia tudo! Mas comida salgada mesmo que é bom, nada! Se eu fosse firme o bastante, ela comia arroz e feijão... mas só, não tocava no resto, nem pra saber que gosto tinha. Desesperador pra uma mãe de primeira viagem, eu garanto!

E se eu insistisse um pouco mais tentando colocar a colher de comida na boca dela, ela abria o maior berreiro. Enfim, seu comportamento na hora da refeição regrediu consideravalmente e a hora da refeição começou a ficar traumatizante, pra nós duas.

Graças a Deus eu descobri a raiz do problema a tempo. Da mesma forma que eu a acostumei de um jeito nesses meses, posso acostumá-la de outro daqui pra frente. Já ouvi alguém dizer que nossos filhos são o que fazemos dele. E acho que é verdade mesmo!

Então de alguns dias pra cá, com essas dicas todas que eu aprendi, revolucionamos o horário das refeições e ela "miraculosamente" voltou a comer. Claro, que a quantidade ainda é menor do que a de antes de 1 aninho e ela também ainda está com frescura para aceitar/experimentar alguns alimentos, mas ela voltou a comer bem! Até repete!

O que eu fiz? 1.) Suspendi o Pediasure. 2.) Cortei o suco antes do almoço e tirei da sua visão todos os outros alimentos de que ela gosta mais do que a comida salgada (ex. tirei a fruteira de cima da mesa). Agora ela só bebe líquido depois que sinalizar que está satisfeita com o almoço. 3.) Diminuí consideravelmente a porção do lanche da tarde. Agora é só um lanchinho pra tapear o estômago e ela aguentar até o jantar. Também parei de dar guloseimas não nutritivas todos os dias; elas ficarão limitadas a serem "lanchinhos especiais" (como o danoninho ou a bolacha que ela ama), apenas 1 ou 2 vezes por semana.

Com relação a ela voltar a comer de tudo, ainda estou trabalhando nisso. Estou usando aquele truque de disfarçar o alimento no prato, amassá-lo ou misturá-lo a alguma coisa que ela goste mais. E também continuarei oferecendo muitas vezes antes de chegar a qualquer conclusão precipitada de que ela não gosta desse ou daquele alimento. Ela sempre gostou de tudo e tenho certeza de que essa "frescura" é uma fase e foi resultado de maus hábitos que eu mesmo criei nela.

E agora para descontrair, dois vídeos recentes que fizemos com ela comendo.
Comendo macarrão e espirrando: http://www.youtube.com/watch?v=Y-gKT0uUiuw
Provas da minha vitória!!! Yay! = )