Bem-vinda!!

Bem-vinda ao nosso blog!
Aqui, mamães muito diferentes mas com um único objetivo compartilham suas experiências nesta grande aventura que é a maternidade! Nós queremos, acima de tudo, ser mamães sábias, que edificam seus lares e vivem com toda plenitude o privilégio de sermos mães! Usamos muitos dos princípios ensinados pelo Nana Nenê - Gary Ezzo, assim como outros livros. Nosso objetivo é compartilhar o que aprendemos a fim de facilitar a vida das mamães! Fomos realmente abençoadas com livros (e cursos) e queremos passar isso para frente!


"Com sabedoria se constroi a casa, e com discernimento se consolida.
Pelo conhecimento os seus cômodos se enchem do que é precioso e agradável"
Prov. 24:4,5
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terça-feira, 17 de julho de 2012

Pastoreando o coração - Parte 7 - Adolescência


Depois de quase 4 meses, aqui estou eu para fazer o último post desta série de 7 etapas sobre o livro "Pastoreando o Coração da Criança" do autor Tedd Tripp. Para ler os seis posts anteriores, clique nos links a seguir: Fundamentos, Objetivos e Métodos, Comunicação, Vara e Consciência, Da infância à pré-escolaDa escola à pré-adolescência.

Os últimos dois capítulos do livro falam sobre a fase da adolescência (que é a partir dos 13 anos).

Capítulos 18 e 19 - Adolescência

PRINCIPAIS BASES BÍBLICAS APRESENTADAS:
Provérbios 1:7-19
Três bases para a vida: o temor do Senhor (v. 7), a aceitação da instrução dos pais (v. 8, 9) e o afastar-se dos ímpios (v. 10-19).
Provérbios 1:7
– O temor do Senhor é o princípio do saber, mas os loucos desprezam a sabedoria e o ensino.
Provérbios 1:8-9
– Filho meu, ouve o ensino de teu pai e não deixes a instrução de tua mãe. Porque serão diadema de graça para a tua cabeça e colares para o teu pescoço.
Provérbios 1:10
– Filho meu, se os pecadores querem seduzir-te, não o consintas.
Provérbios 16:21
– O sábio de coração é chamado prudente, e a doçura no falar aumenta o saber.
Provérbios 16:23
– O coração do sábio é mestre de sua boca e aumenta a persuasão nos seus lábios.
Provérbios 16:24
– Palavras agradáveis são como favo de mel: doces para a alma e medicina para o corpo.
Gênesis 2:24
Lembra-nos de que o relacionamento pai-filho é temporário, o relacionamento marido-mulher é permanente.

Neste capítulo, Tripp nos lembra que é comum o adolescente sentir-se inseguro sobre como agir. Nesta fase, ele está procurando sua identidade independente, sua individualidade. A rebeldia na adolescência, nos alerta Tripp, às vezes é a expressão de ira que sentiu quando o filho sofreu as indignidades da repreensão pública na infância. A explicação é que sendo muito novos e totalmente dependentes dos pais, os filhos não têm condições de rebelar-se abertamente, porém ao imaginarem que já têm a capacidade de viverem por si, sem a ajuda dos pais, começam a expressar sua rebeldia. O autor nos lembra também que um adolescente busca companhia rebelde por ser rebelde; ele não se torna rebelde por causa da companhia que tem.

Objetivos de treinamento
O autor propõe três bases para a vida conforme a passagem de Provérbios 1:7-19 para o treinamento dos filhos adolescentes. Veja os principais pontos e a aplicação para cada base.

1. Temor do Senhor (v. 7)
Faça questão de ler todos os profetas maiores e menores com seus filhos durante a adolescência. Isso o confronta com o Deus santo, tremendo e disposto a chamar Seu povo à prestação de contas. Torne seus filhos conscientes de que a terça parte da Bíblia tem o juízo como tema principal.

Com frequência, a maneira mais eficaz de ensinar é compartilhar nossa própria experiência. Por exemplo, o que nos move: a pressão dos colegas (o temor do homem) ou o temor de Deus?

2. Aceitação da instrução dos pais (v. 8 e 9)
Os filhos serão enriquecidos e grandemente abençoados por aderirem aos valores e instrução dos pais. Lembre-se de que seu relacionamento com seus filhos precisa ser honesto. Jamais dê um conselho que se adapta à sua conveniência ou que lhe poupa embaraços ou vergonha. Sejam pais que demonstrem não estarem usando-os de maneira alguma.

O contexto para a instrução é o ambiente comum da vida diária (Deuteronômio 6). Você não precisa ser perfeito, apenas precisa ser uma pessoa de integridade que vive na rica e consistente verdade da Palavra de Deus.

O culto familiar precisa fazer conexão entre a verdade bíblica e as questões da vida.

3. Afastar-se dos ímpios (v. 10)
Atente para a sedução do "pertencer", do companheirismo, que é a necessidade humana de compartilhar mutualidade com os outros. Saiba que os jovens não fogem dos lugares onde são amados e experimentam aceitação incondicional. Eles não fogem de lares em que a família está planejando atividades e fazendo coisas emocionantes juntos.

Conclusão:
Tripp ensina que quando estas três bases para a vida estão presentes e fazem parte dos objetivos de treinamento que temos para o nosso filho adolescente, podemos esperar que o favor do Senhor repousará sobre os nossos esforços. Ele nos lembra que a internalização do Evangelho demanda a obra do Espírito Santo em nossos filhos. Trabalhamos na esperança e de que Deus honra sua aliança e age através dos Seus meios. Podemos batalhar na expectativa de que o Evangelho é poderoso. A internalização ocorrerá   quando nossos filhos chegarem à maturidade como pessoas que conhecem e adoram a Deus.

Muitos pais desesperadamente procuram alguma promessa da Bíblia assegurando-lhes que seus filhos possuirão fé. Tripp não acredita que esta promessa se encontra na Palavra de Deus, mas afirma que temos bons motivos para nutrirmos esperança como pais que desejam ver seus filhos possuírem fé. A esperança é o poder do Evangelho! Ele ressalta ainda que Deus já mostrou grande misericórdia para com nossos filhos, colocando-os em um lar de abundantes privilégios, um lar onde ouviram Sua verdade. Nossa expectativa e oração constante é que o Evangelho lhes sobrepujará a resistência, assim como o fez em nós.

Procedimentos de treinamento
Tripp diz estar convencido haverem poucos momentos em que um pai tem de exigir que seus adolescentes façam ou não façam algo. Ele acredita que os pais que todos os dias estão fazendo exigências e requisições não estão praticando princípios bíblicos.

Ele lembra também que certamente haverá momentos de dúvida e indagações na vida de qualquer jovem, inclusive os que foram criados em um lar cristão. Isso é natural pois parte da internalização do Evangelho é tornar-se consciente da própria fé.  Todo jovem passa por um período em que examina detalhadamente as reinvidicações da fé cristã e tem de lutar com a dúvida de se crê por sim mesmo ou foi induzido pela família - passará por tempos em que questionará a validade das Escrituras. Tripp aconselha que os pais incentivem seu filho a não fugir destas perguntas uma vez que ele crê que a fé cristã é suficientemente robusta para suportar o esquadrinhamento.

Todo pai precisa se lembrar que palavras agradáveis promovem instrução (Prov 16:21, 24) e saber que, no relacionamento adulto, é possível discordarmos uns dos outros e permanecermos amigos. Tripp alerta para não desperdiçarmos nossa influência em coisas sem importância e aponta que os adolescentes não precisam ser cópias dos pais para serem santos! Ele nos instiga a abandonar o desejo de transformar nossos filhos adolescentes naquilo queremos que eles sejam. Segundo ele, nosso papel é ajudá-los a fazerem escolhas que lhes trarão sucesso no que eles pretendem ser.

Por fim, precisamos lembrar que o relacionamento pai-filho é temporário, mas o relacionamento marido-mulher é permanente. A tarefa de ser pai ou mãe chega ao fim. Devemos confiá-los a Deus. Tripp finaliza dizendo que o que eles se tornarão dependerá também da natureza do compromisso deles para com Deus.

sábado, 14 de julho de 2012

A desvalorização da maternidade e o inverno demográfico - existe uma relação?


Cerca de 2 meses atrás, assisti a um documentário de 2008 chamado Inverno Demográfico - o declínio da família humana. Ele me deixou perplexa e me fez refletir sobre alguns dos impactos negativos que os avanços do feminismo e a constante desvalorização da maternidade em nossa sociedade (em detrimento de outras carreiras consideradas superiores) têm sobre todos nós - mulheres e homens. Não quero atacar os movimentos feministas em si e nem ignorar as conquistas positivas que eles nos trouxeram, mas hoje quero falar um pouco sobre o que este filme em particular trata - resumindo os pontos-chaves - e compartilhar brevemente a minha própria opinião e experiência sobre este tão delicado assunto em nossa sociedade.

No documentário, peritos e acadêmicos de diferentes países e diversas áreas de estudo - dentre eles demógrafos, sociólogos, economistas, parlamentares, psicólogos, para citar alguns - apresentam e alertam para um fenômeno conhecido como "inverno demográfico", que é a sensível queda na taxa de natalidade e consequente envelhecimento da população de determinados países.

Esse fenômeno é o resultado da combinação de uma série de fatores (que sintetizo logo abaixo) e o paradoxo é que, paralelamente a tecnologia e conhecimento da medicina terem avançado a passos largos e aumentado em muitos anos a expectativa de vida da população, cada vez mais a taxa de natalidade desses países ricos decresce e a população envelhece. Dentre eles estão muitos países da Europa, o Japão e até os Estados Unidos, para citar apenas alguns. O filme não fala especificamente sobre o Brasil, mas eu vejo que com os avanços econômicos dos últimos anos estamos nitidamente caminhando na mesma direção. Inclusive, depois que assistimos ao documentário, meu marido foi consultar o site do IBGE e ficou surpreso ao ver as estatísticas - a figura abaixo ele publicou no facebook. Notem como de 30 anos para cá, a população de 0 a 14 anos diminui e continua diminuindo.

Acompanhe as linhas do ibge de 0 a 15 anos, todas elas estão descendo! Isso significa que a população está aumentando, mas não porque nasce muita gente é porque estamos morrendo mais tarde.
Adam Smith, o pai da economia moderna que viveu no século 18, já associava crescimento populacional à prosperidade e declínio populacional à depressão. No entanto, o que se observa na atualidade é que com maior prosperidade, as pessoas tendem a ter menos filhos. Curioso, não? O resultado é que quando, ano após ano, a taxa de natalidade de um país fica inferior à taxa de reposição populacional (que é 2,1 filhos por mulher), a população não é reposta e o país regride economicamente em vez de crescer.

Dentre as muitas preocupações, a mais fácil de se compreender é que com uma população envelhecida, vivendo anos e anos sem trabalhar e usufruindo do benefício da aposentadoria - uma vez que a expectativa de vida só tem crescido - como ficará a situação da nova geração de jovens economicamente ativos que terá de trabalhar para pagar os impostos necessários para manter o sistema funcionando? A bomba da previdência e custos com a saúde é apenas um dos aspectos alarmantes do fenômeno do "inverno demográfico", outro é a forma como as crianças de hoje estão sendo educadas (sem a presença dos pais e, sobretudo, da mãe que passa o dia todo fora de casa) e como isso afeta não somente seu desenvolvimento emocional e cognitivo como também seu comportamento ao longo da vida.

Além de apresentar as terríveis consequências do "inverno demográfico", o filme se propõe a analisar o que considera as 5 principais causas deste fenômeno. E é nelas que desejo focar.

Veja quais são:

AS CAUSAS DO INVERNO DEMOGRÁFICO

1. Mulheres no mercado de trabalho.
Crescente valor do tempo de mães instruídas e que trabalham fora. Quanto mais bem sucedidas as mulheres se tornam no mercado de trabalho antes de terem filhos, mais altos os custos para abrirem mão dele quando têm filhos. Nos EUA, por exemplo, as mulheres terem um nível educacional maior do que os homens já é uma realidade.

2. Maior prosperidade.
Há mais dinheiro para ser gasto, é verdade, mas há também maiores aspirações na vida. Como sociedade desejamos mais bens e serviços para nós mesmos e também para os nossos filhos. Ter maior poder aquisitivo não significa apenas que podemos comprar mais com o nosso dinheiro, mas que preferimos nos isolar em vez de viver em grupo (comunidade). Por isso um pensamento muito comum entre casais jovens de hoje em dia é ter menos filhos para poder investir mais (financeiramente) na vida de cada um deles.

3. Revolução sexual.
Estudiosos concordam que a revolução sexual foi o evento mais marcante do século 20 e da história moderna. Com os direitos iguais entre homem e mulher e o controle da natalidade, não foi somente o comportamento das pessoas que mudou, a família também mudou... enfim, o mundo todo mudou! E mudou de forma tão profunda que afetou drasticamente as escolhas que as pessoas fazem com relação a sexo, casamento, filhos e trabalho. Um impacto dessa mudança de comportamento, por exemplo, é que o uso da pílula anticoncepcional diminuiu em 70% a gravidez indesejada entre mulheres casadas. Outro impacto - pouco discutido atualmente, inclusive - é o número crescente de casais amasiados (pessoas que moram juntas mas que não são casadas). Casais que moram junto tendem a ter menos filhos do que casais casados no papel - e essa experiência também retarda a idade em que as pessoas se casam pra ter filhos. Uma das maiores causas para a baixa fertilidade de um país é as pessoas terem filhos cada vez mais velhas.

4. Reforma na lei dos divórcios.
Pesquisas sugerem que a reforma nas leis concernentes ao divórcio resultou num aumento de cerca de 20% de divórcios nos EUA. O risco de que o casamento se desfaça de uma hora para outra (sem um motivo real já que a nova lei facilita a separação) diminui as chances do casal de ter outro filho uma vez que nem o marido ou a esposa tem qualquer garantia de que o cônjuge permanecerá no lar no ano seguinte.

5. Suposições incorretas.
Previsões alarmantes de superpopulação na década de 1970 em que se perguntava se haveria falta de comida no planeta para alimentar uma população que no último século havia quadruplicado. No maior período de crescimento populacional na história humana, a comida se tornou mais barata e abundante. O preço (ajustado internacionalmente) do arroz, trigo e milho caiu em cerca de 70% durante esse período. Essas concepções falsas foram popularizadas por pessoas que não entendiam de demografia.

Conclusão:
Enquanto sociedade, não gostamos de falar sobre as causas do "inverno demográfico" porque não queremos ofender ninguém. Certamente nenhuma dessas causas pode ser contornada facilmente, porém elas apontam para o que somos e o que nos tornamos nesse período pós-moderno!



 MINHA REFLEXÃO SOBRE A DESVALORIZAÇÃO DA MATERNIDADE

Quando me tornei mãe, muitos dos meus pensamentos com relação à maternidade mudaram radicalmente. Este processo foi e ainda é doloroso porque romper com o que é tão fortemente valorizado pela sociedade (e por você mesmo) está longe de ser algo simples. A gente rema contra a maré e recebe muitas críticas (a maioria velada), mas não julgo ninguém por isso porque alguns anos atrás eu mesmo pensava exatamente igual! Quando ouvia dizer de alguma mulher que havia largado o emprego pra ficar em casa criando os filhos, no meu íntimo julgava-a como sendo fraca e completamente retrógrada, imaginando que um dia ela se arrependeria - afinal, como a gente ouve tanto, "a gente se sacrifica pelos filhos, mas eles não dão valor". E vejo hoje como isso é e foi resultado daquilo reforçado pela sociedade o tempo todo de muitas e variadas formas - dentre elas, exemplos de pessoas reais, de pessoas fictícias, de comentários que a gente ouve por aí, daquilo que é idealizado nas propagandas de TV, nos filmes, enfim, são inúmeros os meios. Para ilustrar com um caso real, recentemente ouvi uma pessoa que pretende casar dizer a seguinte frase sobre a futura noiva e os filhos que um dia terão: "Não, coitada, quero que ela trabalhe sim. Já pensou fulana ficar o dia todo presa dentro de casa cuidando de criança?".

Somos bombardeadas com mensagens que insinuam que uma mulher só é bem sucedida se for reconhecida profissionalmente. E como maternidade não é uma profissão, bem... então o jeito é ter pelo menos um filho para se realizar como pessoa (porque há toda uma aura em cima disso também) e depois pagar alguém para cuidar dele pra nós (não sem ser aterrorizada por culpa, é verdade). E, assim, terceirizamos a educação dos nossos bens mais preciosos porque acreditamos que, sendo muito mais capacitadas do que os homens (e nos orgulhamos disso), nós mulheres precisamos sair pra realizar outras conquistas "maiores e melhores".

Tudo bem, posso estar exagerando, sei que não é todo mundo que pensa assim - pelo menos não conscientemente - e sei também que muitas mulheres não têm opção e precisam trabalhar para sustentar ou complementar a renda em casa. Mas a verdade inegável e o meu ponto principal é que em nossa sociedade pós-moderna a maternidade está cada vez menos valorizada. E o resultado disso é desastroso!
Por favor, antes que você fique brava comigo, entenda que não estou dizendo que sou contra a mulher estudar ou trabalhar fora, está bem? Muito pelo contrário - acho importante e muito válido que a mulher faça faculdade, trabalhe, mesmo porque para ela ser uma boa mãe acredito que ela precisa ser uma ótima profissional e, claro, uma pessoa esclarecida! Caso contrário, como ela administrará bem a própria casa?

Aliás, há uma outra propaganda negativa muito forte que na minha opinião depõe contra a maternidade. Os casos de mulheres que ficam em casa com os filhos geralmente não são nada encorajadores. Normalmente, a gente imagina uma mulher acima do peso, totalmente descabelada, com as unhas feias, mal-vestida, na maioria das vezes desinformada ou alienada, e estressada que grita o dia todo com os filhos. Na boa... quem se inspira com um modelo de mãe assim? Eu prefiro a mãe em forma, vestida de terninho, criativa, com unhas impecáveis, maquiagem e cabelo penteado que a gente vê nas cenas de filme! Haha! Você não? Mas eu acredito que esses modelos estão equivocados e por isso este blog existe - para servir de inspiração para outras mamães que entendem que seu papel é muito mais do que apenas dar à luz aos filhos. E para que elas saibam que podem priorizar a família (como Deus quer) sem deixar de lado outros papeis na vida.

A maternidade não precisa ser um martírio. Educar os próprios filhos é uma bênção de valor e resultados INCALCULÁVEIS! Antes de ter filhos, eu acreditava que nunca seria como as mulheres que largam a carreira para ficar com o filho em casa. Mas quando chegou a minha vez, engoli meu próprio orgulho e admiti que eu não poderia deixar para outro fazer o que é minha responsabilidade: educar minha filha. Como mãe de um recém-nascido, a gente enfrenta muita culpa e sentimentos ambíguos sobre o que é mais importante para o nosso filho e família naquele momento. Penso que não somos suficientemente preparadas para a maternidade, infelizmente. Aliás, somos induzidas a pensar que "ser mãe" é apenas mais uma das muitas realizações pessoais que devemos buscar para sermos pessoas felizes, completas e bem-sucedidas. 

Hoje eu não acredito que este seja o propósito final da maternidade. Acho que ser mãe apenas para se realizar pessoalmente, sem entender o propósito de Deus para a família, é errar o alvo.

Sabia que o impacto que você faz na vida do seu filho - seja ele positivo ou negativo - vai perdurar por muitas e muitas gerações, alcançando pessoas da sua descendência (mas não somente elas) quando você não mais existir? Uau, seus filhos fazem parte do seu legado! Eles são o seu bem mais precioso. E como mulher você tem o dom de gerar, mas não somente isso, tem o dom e o chamado de educá-los para a vida, de ensiná-los no caminho em que devem andar, de pastorear seus corações, de apontá-los para Cristo e de, como flechas na mão do guerreiro (Salmo 127:4), enviá-los para cumprir a missão de Deus para eles nesta Terra. Claro que tudo isso com apoio e ajuda do maridão e também com uma boa dose de conhecimento. Há tantos livros e materiais recheados de conteúdos práticos e relevantes para quem quer alcançar o coração dos filhos, estabelecer uma rotina saudável no lar, ajudá-los a desenvolver suas capacidades inatas e educar à maneira de Deus! É só pesquisar um pouquinho que você encontra muita coisa boa.

O fato é que os primeiros anos de vida são os mais importantes para a formação do caráter de uma pessoa e também é o período em que se formam os laços afetivos mais fortes dela. Eu temo pela atual e futuras gerações de crianças criadas em creches e escolas de período integral. Que mensagens elas recebem? Que visão de mundo elas terão? Que valores serão impregnados em suas mentes e corações?


Sei que Deus pode restaurar e curar tudo no futuro, mas isso não nos exime da nossa responsabilidade como mães que entendem que seu primeiro ministério e carreira é para ser exercido dentro do lar. Criar os filhos é por um tempo determinado - tem começo, meio e fim. E os anos que se passam não voltam mais. Depois de criados, quando os filhos deixam de ser crianças e chegam à vida adulta, seu poder de influência diminuirá e eles viverão suas próprias vidas.

Aceitar o desafio de ter filhos e de educá-los conforme os princípios da Palavra de Deus é uma questão de FÉ porque transcende as condições financeiras do casal. Eu imagino que um dos motivos pelos quais casais parem depois do primeiro filho, ou do segundo, ou mesmo nem querem ter filho algum, é não estarem dispostos a abrir mão do conforto material e padrão de vida que alcançaram a sós. Parecem não acreditar no que diz Salmo 127:3 que promete que "os filhos são herança do Senhor, uma recompensa que ele dá". Esse conceito eu ouvi recentemente do pastor de minha igreja e de sua esposa que disseram: "Ultimamente ter filhos é a única bênção que Deus promete dar e que muitos cristãos não querem receber".

Meu marido e eu já sentimos bem esta pressão. Desde o namoro e primeiros anos de casamento sentíamos o desejo de formar uma família grande, com quatro filhos. E toda vez que compartilhávamos essa vontade com alguma pessoa, a piada invariavelmente era algo do tipo: "O quê, vocês são loucos?! Ter tudo isso de filho na época em que vivemos?" ou então "Ah, tá bom... quero só ver. Depois que vocês tiverem o primeiro, a gente volta a conversar". Como casei bem nova (aos 20 anos), me dei ao luxo de esperar bastante antes de começar a ter filhos. Então, aos 27 anos, nasceu a Nicole. E apesar da gestação difícil (9 meses de enjoos e mal-estar) permanecemos firmes no propósito e chamado que acreditávamos que era de Deus, planejando assim a segunda gravidez para logo depois que nossa primogênita completou um ano.

A gestação da Alícia foi igualmente difícil - nove longos e torturantes meses que resultou num parto natural traumatizante. Pra falar a verdade, é algo que eu e nem o meu esposo gostamos de nos lembrar! A diferença foi que da segunda vez, além de ter de aguentar o mal-estar constante (com direito a vômito, azia, fortes dores lombares e hipertensão gestacional), eu ainda tinha uma pequena para cuidar. Foi duro e esta segunda experiência nos fez fraquejar. Depois do nascimento da Alícia, não foram poucas as vezes que meu marido falou de fazer vasectomia para não corrermos qualquer risco de engravidarmos novamente. Ter mais um filho e passar por tudo aquilo novamente (agora com duas pequenas) para ele era algo impensável. E pra mim também. Mas eu pensava: E o nosso sonho de ter quatro filhos? Iríamos simplesmente abrir mão dele e dizer a Deus  "Não, obrigado, não quero esta bênção. Pode passá-la para outro"? Ou ainda, o que dizer da missão que Ele nos deu como casal de formar uma família grande, forte e segundo o coração de Deus - poderíamos simplesmente abdicar dela?

Ainda não sabemos o que acontecerá, mas estamos abertos para Deus nos conduzir e mostrar como Ele quer nos usar para o Seu Reino. Não pensamos em engravidar tão cedo, mas estamos abertos à adoção e, como li num blog de uma mãe adotiva, à "gestação cardíaca" (amei este conceito). Quem sabe Deus nos dê dois irmãozinhos para cuidar daqui a alguns anos? Não sei, é apenas especulação no momento, até porque não temos condição financeira para isso! Ainda mais que pelos próximos 18 a 24 meses eu abri mão do meu trabalho (que corresponde a 50% da nossa atual renda) para poder voltar a estudar e concluir minha faculdade - uma questão de honra! Foi uma decisão difícil, mas acredito que necessária. Não poderia tentar fazer as três coisas e acabar sacrificando o tempo que dedico às meninas, ainda mais nesta fase em que elas estão (Nicole - quase 3 anos, Alícia - quase 1 ano e 1 mês). Sei que independente do caminho pelo qual Deus escolher nos conduzir, Ele irá prover com todo o necessário para realizarmos a missão que Ele colocar em nosso coração - tanto o querer quanto o realizar (Filipenses 2:13).

O curioso é que este conceito de que ter filhos é uma questão de FÉ vai ao encontro do que um dos especialistas do documentário afirma. Em sua opinião, o "inverno demográfico" provavelmente não leve a população humana à extinção porque, de fato, ainda há muitas crianças nascendo. Porém, ele diz, esse número de crianças que nascem é desproporcionalmente maior entre pessoas de fé. Na análise dele (um acadêmico não-religioso, que fique bem claro), isso é verdade seja entre judeus ortodoxos, cristãos fundamentalistas ou muçulmanos fundamentalistas porque em todo o mundo o que se vê é que essas pessoas têm famílias maiores do que seus pares não-religiosos!

Percebe como ter ou não filhos é uma questão muito mais profunda?!

terça-feira, 12 de julho de 2011

Criança Doente

Até um ano e dois meses de idade minha filha não ficou doente. Não ficou MESMO. Teve uma única vez roséola e a febre durou dois dias, sem derrubá-la. Nem o apetite atrapalhou! Então, nos mudamos para Sorocaba e ela passou a ir para a escolinha.

Tudo mudou.
Em quatro meses, foram inúmeras consultas ao pediatra e pronto socorros, quatro antibióticos diferentes, anti-inflamatórios e um termômetro quebrado.
Eu sempre ouvi falar que criança que vai ao berçário fica mais doente e vulnerável, mas nada me preparou para o que aconteceu. Tinha acabado de me mudar para uma cidade estranha e meu marido, que sempre me ajudou com tudo, passou a sair as 5:00h da manhã e chegar depois das 19:00h. Toda semana eu tinha que faltar pelo menos um dia e, nos dias que comparecia, ficava com o coração na mão, sem saber se ela estava bem.
Para falar a verdade, fiquei muito assustada. Tive medo de que a fase não iria passar nunca! A impressão era de que o pesadelo não teria fim e que só minha filha tomava tanto antibiótico seguidamente. Melhorava, piorava, melhorava, piorava...
Os palpites atrapalharam mais do que ajudaram. Uns ficavam na minha cabeça dizendo que tinham um pediatra fantástico que resolveria todos os problemas. Outros já diziam para eu não me preocupar com nada, porque isso só aconteceria até os dois anos. Infelizmente, não se esqueciam de acrescentar que antibióticos deixam os dentes da criança bem mais frágeis, além de produzirem outros efeitos colaterais.
No auge do meu desespero eu clamei a Deus implorando que fizesse um milagre e que a Gi ficasse boa de uma vez por todas imediatamente. Ela não ficou, e depois de melhorar um pouco voltou a ficar resfriada.
Um dia, não sei nem dizer o porquê, uma vez que nada de especial aconteceu, tive um “click”. Como deve ser difícil para uma mãe lidar com um filho muito doente! De alguma forma, Deus dá força às mães e quando olhamos para traz, a dificuldade passou...mal nos lembramos dos detalhes.
E foi então que me acalmei. Percebi que aquilo que parecia “insuportável” já ocorria há quatro meses e eu me mantinha firme, alegre e serena. Deus fez o milagre desde o começo...só não foi do jeito que eu tinha pedido.
Quando o desespero passou e pude me acalmar, finalmente notei que a situação da Gigi é MUITO comum entre crianças. Só na igreja umas três ou quatro mães me disseram que a história delas é a mesma. No trabalho, mais duas. E todas disseram a mesma coisa: um dia passa e a criança adquire uma super resistência.
Imagino que você se pergunte como estamos hoje. Bem, viajamos uma semana para Bahia e o clima ajudou muito. A Gi passou uma semana excelente e voltou com a imunidade boa. Também passamos a usar uma vitamina e um antialérgico receitados pela pediatra que servem para aumentar a imunidade. Além disso, temos consulta marcada para agosto com um pediatra homeopata (nunca recorri à homeopatia antes, mas ante o número de conselhos, resolvi ceder).
Ela passou duas semanas sem ficar doente e agora teve um início de resfriado bem fraco, que foi só medicado com anti-inflamatório (não precisou de antibiótico).
Ah, e o mais importante: Deus continua me sustentando todos os dias.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Gestação: nove meses de enjôo e mal-estar?

Faz algumas semanas que estou ensaiando publicar algo sobre as aflições de uma gestação com nove meses de enjôo e mal-estar. Estou com 36 semanas. Em várias das noites em que tive insônia, minha mente, recusando-se desligar para que eu pudesse dormir, escrevia e reescrevia em pensamento formas diferentes de expressar o que eu estava sentindo. Ainda bem que me segurei e mantive-me em silêncio esse tempo todo! Eu certamente teria me arrependido das duras palavras entaladas na minha garganta, rs. Pois é, o cansaço pelas noites mal-dormidas estava tão intenso que me deixou amargurada e revoltada com a situação. Bem que dizem que em meio à tempestade de nossas mudanças hormonais, nossas emoções ficam à flor da pele... mas quando vem a calmaria, ah que delícia que é recobrar a paz interior!

Hoje quero falar sobre um tema que pouco se fala: enjôos e mal-estar que se estendem além do primeiro trimestre de gravidez e vão até o fim da gestação. Pela minha experiência são poucas as mulheres que passam por isso, mas eu acho que só o fato de saber que elas não são as únicas já serve de consolo. É incrível pensar nesta necessidade humana de se sentir aceita e compreendida pelos seus pares, não é mesmo? Saber que outros viveram algo parecido com o que você está vivendo por si só já um alívio: a coloca em pé de igualdade com outras pessoas e a enche de forças e novo ânimo para superar os desafios da adversidade imposta. Quem sabe algum psicólogo algum dia não queira se aprofundar nesse tema de pesquisa? =)

A minha amargura era justamente essa. Pensava com revolta em ditos populares como "a mulher grávida está na sua plenitude" e "gravidez não é doença" porque me pareciam frases maldosas que tinham o objetivo de me fazer sentir mal por estar me sentindo mal! E durante aquelas conversas de banheiro então em que, numa tentativa de ser simpática comigo, a mulherada colocava toda aquela aura em volta da delícia que tinha sido para elas estarem grávidas, das saudades que sentiam do lindo barrigão e de como ficaram naturalmente maravilhosas durante essa fase!! Por um lado sentia-me culpada por não estar enxergando ou vivendo a tal da plenitude que toda mulher grávida TINHA QUE sentir; e por outro ficava irritada porque ninguém me compreendia ou parecia se importar que eu estava péssima, me sentia discriminada por não ter superado a fase dos enjôos ainda, que só deviam durar os três primeiros meses.

O fato é que longe de me sentir bela e maravilhosa com o super barrigão, eu me sentia DOENTE! Se não era uma coisa era outra... o mal-estar dos enjôos, os vômitos, as azias constantes, a irritação por ter que ir ao banheiro fazer xixi o tempo todo (e mesmo depois de fazer o aperto na bexiga não cessa), a fadiga extrema por causa da insônia (acordar de madrugada pra fazer xixi, ter que comer por causa do enjôo e não conseguir voltar a dormir é enlouquecedor!!), as câimbras, a inflamação lombar que trava as costas e faz você andar mancando nas manhãs frias, a dor nas costas e pernas por causa do peso da barriga... ufa, cansa só de falar!

Ah, e por falar em barriga... essa era outra frustração minha! Até o 6º. mês de gestação da Nicole nem os assentos preferenciais no trem eu conseguia porque as pessoas não notavam que eu estava grávida (no inverno a gente põe tanta blusa e casaco que disfarça a barriga). Nessa gestação da Alícia não está sendo diferente. Quer deixar uma grávida chateada?? Diga para ela que sua barriga está pequena, principalmente se ela já engordou 18 kg!! Que raiva que dava! Parece até que a feminilidade da mulher está no tamanho da barriga dela enquanto gestante - pura besteira, eu sei, mas esses comentários todos impactam e nos pressionam a seguir um certo padrão externamente imposto do que é bom/ruim, certo/errado, aceitável/inaceitável.

Bem, a conclusão a que chego é a mesma que o salmista chegou numa conversa que teve consigo mesmo há muitos e muitos séculos. Os tempos passaram e muita coisa mudou de lá pra cá, mas as crises internas humanas continuam as mesmas. Ele disse: "Por que você está assim tão triste, ó minha alma? Por que está assim tão perturbada dentro de mim? Ponha a sua esperança em Deus! Pois ainda o louvarei; ele é o meu Salvador e o meu Deus" (Salmo 43:5).

Quando não nos sentimos compreendidos, aceitos ou aprovados por homens, nem tudo está perdido. São em momentos assim que precisamos colocar nossa confiança em Deus e esperar nEle pois somente Ele poderá nos dar paz interior!

Sinto-me bem mais calma agora, confesso que os sintomas não foram embora (ontem tive crise de vômito de novo, essa manhã fortes dores de cabeça e tontura e continuo tomando remédio para controlar a pressão) mas a minha alma está esperando em Deus e isso por si só já me enche de uma paz indescritível! Sei que Ele está comigo e não me abandonará e O louvo porque sei que em breve a pequena Alícia estará em meus braços com muita saúde!!