Bem-vinda!!

Bem-vinda ao nosso blog!
Aqui, mamães muito diferentes mas com um único objetivo compartilham suas experiências nesta grande aventura que é a maternidade! Nós queremos, acima de tudo, ser mamães sábias, que edificam seus lares e vivem com toda plenitude o privilégio de sermos mães! Usamos muitos dos princípios ensinados pelo Nana Nenê - Gary Ezzo, assim como outros livros. Nosso objetivo é compartilhar o que aprendemos a fim de facilitar a vida das mamães! Fomos realmente abençoadas com livros (e cursos) e queremos passar isso para frente!


"Com sabedoria se constroi a casa, e com discernimento se consolida.
Pelo conhecimento os seus cômodos se enchem do que é precioso e agradável"
Prov. 24:4,5

domingo, 20 de outubro de 2013

Mudança de país e adaptações!

Olá a todos e a todas!

Eu amo escrever no blog. Amo mesmo, tudo o que leio de interessante e que me faz refletir ou o que aprendo no dia-a-dia fico com muita vontade de vir correndo aqui compartilhar. Se eu pudesse faria de "blogueira" a minha profissão, hehe. Mas esta não é a minha realidade no momento, então eu preciso fazer um esforço imenso para arrumar tempo pra escrever. Principalmente com as mudanças na minha vida nos últimos tempos, minha vontade de escrever o que vivo e aprendo com a maternidade precisou ficar em segundo plano. E explico o porquê: nós mudamos de país!! Estamos morando no Canadá. 

Chegamos, eu e a Nicole, há exatos 1 mês e 17 dias. O Douglas e a Alícia, infelizmente, chegaram somente uma semana depois por causa da demora para a liberação dos vistos. Tínhamos nos preparado e sonhado tanto com essa viagem em família e, no fim, viemos separados. Ah, antes disso, passamos duas semanas morando na casa dos meus pais (o Douglas e a Alícia uma semana a mais!) porque a nossa casa já estava alugada. Eu viajei primeiro porque minhas aulas na universidade começariam no dia seguinte e eu não podia mais esperar. Vim com uma das filhas (em vez de sozinha) por causa da bagagem - seria muito complicado para um só viajar com duas crianças pequenas e ainda tantas malas. Obs: Me arrependi amargamente de ter trazido malas tão pesadas, passei altos apuros por causa disso!

Agora imaginem vocês que era fim de tarde de uma segunda-feira de feriado quando eu cheguei no nosso apartamento vazio, após passar a noite anterior toda dentro de um avião e boa parte do dia dentro de um trem. Detalhe: com uma criança de 4 anos! Foi física e emocionalmente cansativo, pra dizer o mínimo, principalmente porque a Nicole estava muito teimosa e isso deixa qualquer pai à beira dos nervos. Os mercados estavam todos fechados e na primeira noite comemos comida congelada comprada numa farmácia 24 horas. Começar a vida quase do zero é muito difícil! E percebi que o que dizem é verdade: a gente tende a não dar valor a certas coisas até que não as temos - no nosso caso, eram desde coisas bem básicas do dia-a-dia, como panelas, pratos e, sim, um abridor de latas (tive de fazer macarrão alho e óleo um dia porque comprei o molho de tomate, mas não é que me esqueci do abridor?) até as maiores, como mesa, cadeiras, sofá e cama!! 

Isso sem falar do choque cultural de não saber o idioma (francês) quando alguém lhe dirige a palavra ou então do exercício mental que é ficar freneticamente tentando entender o significado de palavras novas (praticamente todas!). No outro dia de manhã e em todos os dias que seguiram até o meu marido chegar pra ficar com as meninas, eu levei a Nicole comigo para as aulas e também para resolver as inúmeras pendências de alguém que acaba de chegar numa cidade nova - linha telefônica e internet para o celular, seguro de saúde-viagem, carteirinha de estudante, bilhete de ônibus/metrô, livros obrigatórios, mercado, etc. Na universidade, a minha estratégia foi colocar desenhos no netflix para ela assistir (com fones de ouvido, claro) e, felizmente, deu muito certo. Até recebi elogios sobre o quão bem ela havia se comportado... ufa. De todos os desafios, este nós tiramos de letra. :)

Mas o sufoco dos dias/semanas iniciais passou! E hoje já estamos bem melhor adaptados - fazendo amizades, conhecendo as redondezas, aprendendo sobre a cultura, o idioma, nos ajustando à nova rotina, ao clima... enfim, são muitas as mudanças e quero compartilhar um pouquinho disso tudo com vocês, na esperança de que vocês sejam edificados com as reflexões que faço daquilo que tenho vivido.

Mas antes, conheçam o nosso novo carro vermelho!



Acho que a nossa família tem uma atração especial pela cor vermelha. Engraçado pensar isso. A pintura externa da nossa casa no Brasil é vermelha e todos os carros que nós já compramos até hoje (se bem que só foram dois) eram vermelhos. Bem, é uma cor forte e chamativa e acho que combina bem com a nossa família. Este "wagon" não é diferente - nós o compramos há apenas 10 dias e ele já fez muito sucesso aqui no bairro! Decidimos comprá-lo porque estava ficando difícil e complicado carregar as meninas no colo quando saíamos. Criança é assim, anda um pouquinho e já cansa e quer colo (só para brincar é que não cansam!). E como aqui nós não temos um automóvel, fazemos muitas coisas a pé. Andamos até o ponto de ônibus, até o mercado, até o parquinho, até o centro comunitário, etc. Então este "wagon" está sendo extremamente útil. Quero ver como vamos nos virar com ele na neve!

Agora vamos às mudanças e adaptações.

Nossa Casa
Amamos o bairro em que moramos. O nosso apartamento fica numa pequena ilha, perto o suficiente do centro de Montreal e ideal para famílias que estão chegando na cidade. É um lugar especial, tem lago, muitas árvores, gramado e esquilos. No outono agora a paisagem estava espetacular! Me apaixonei pelos diferentes tons de vermelho, laranja e amarelo das folhas. É igualzinho a gente vê nos filmes. Agora o frio está aumentando e as árvores já estão ficando peladas. O inverno está se aproximando (ai que medo!). Aqui é muito tranquilo e gostoso para morar, com diversas opções de parques para as crianças brincarem e se divertirem. É um bairro onde vivem muitos imigrantes (acredite quando eu digo muitos!) e eu me senti bem acolhida, as pessoas que eu conheci foram receptivas e dispostas a ajudar. Fiz amizades muito rápido e com pessoas de lugares do mundo que eu mal saberia apontar no mapa!

Moramos num apartamento que fica no último andar de um prédio de três andares e que não tem elevador. São apenas quatro lances de escada porque o primeiro andar é o térreo, mesmo assim para nós já é uma mudança: subir ou descer os 28 degraus de escadas toda vez que saímos ou chegamos. Os apartamentos do prédio não têm área de serviço privativo, então a novidade para nós é usar uma lavanderia em comum (com um tanque bem esquisito e ruim de usar). Na lavanderia, a gente tem de pagar para usar a máquina de lavar e a máquina de secar roupas. Não é como no Brasil onde a gente estende as roupas para secar no varal. O ponto ruim é que não temos ferro de passar e nem cabides o suficiente para pendurar todas as roupas da família, então mesmo dobrando as roupas ainda quentes, a maioria fica bem amassada. Mas como as pessoas aqui parecem não ligar pra isso, tudo bem, rsrs.

Uma vantagem é que os apartamentos de aluguel já vêm com fogão, geladeira, armários (nos quartos, na cozinha e no banheiro) e também água quente (inclusos no aluguel, que não é barato, mas o "menos caro" que conseguimos encontrar por aqui). Pagaremos somente a conta de luz que vem de 2 em 2 meses (algo que eu achei curioso). A cozinha do nosso apartamento é bem pequena. Bem mesmo. Primeiro eu achei que seria ruim ter uma cozinha tão minúscula desse jeito (um terço do tamanho da nossa casa no Brasil), mas agora já estou gostando! Antes, quando a cozinha estava "de pernas para o ar" depois de uma refeição, eu tinha a sensação de que a casa toda bagunçada e não ficava feliz enquanto ela não estava arrumadinha de novo. Agora a louça por lavar não me incomoda tanto!! E também acho super prático colocar a mesa ou guardar as coisas porque está tudo ali tão pertinho.

Uma desvantagem é que, com exceção do banheiro, da cozinha e da copa, não há lâmpadas no teto, A iluminação é feita via luminárias e/ou abajures e não é a mesma coisa. A casa fica escura, o que me incomoda, principalmente quando preciso ler alguma coisa. Gosto da claridade e quero ver como vamos nos adaptar no inverno já que nos disseram que o dia escurece às 16:30.

O banheiro também é um pouco diferente do que estávamos acostumados. Primeiro, porque ele é um só (e para uma família de quatro pessoas, eu acho pouco!) e porque ele também é pequeno. O banheiro tem um exaustor barulhento (que liga quando você acende as luzes) e lâmpadas bem quentes. Eu não gosto porque fica muito calor, eu sento no vaso e tenho a sensação de estar tomando sol (porque o teto, ainda por cima, é mais baixo). Mas talvez seja uma daquelas coisas que eu vou dar graças a Deus de ter quando estiver um frio de menos 30 graus, não é mesmo?! O lado bom é que temos uma banheira!! Para o tamanho do meu marido ela é pequena e apertada, mas para mim e para as meninas ela é ótima! Eu apenas gostaria de ter uma mangueira com chuveirinho porque acho que facilitaria muito pra dar banho nelas.

Outra mudança é que aqui as meninas dormem numa cama de casal que foi deixada no apartamento pelos moradores anteriores. Tivemos alguns episódios delas caírem da cama no começo (opps!), mas agora que empurramos a cama contra a quina da parede o problema foi solucionado! Colocamos um cobertor no meio pra dividir o espaço e não tivemos grandes problemas delas dividirem a cama. Se bem que às vezes um de nós precisa sim ficar voltando lá pra mandar a Alícia colocar a cabeça de volta no travesseiro dela (ela gosta de mexer com a irmã). Mas isso não é novidade, acontecia em SP também.

Nossa Rotina
Minha rotina mudou muito e ainda não sei dizer se para melhor ou pior. Eu vim com "permissão para estudo" porque vamos ficar por 1 ano, mas o visto do meu marido e o das meninas é de turista. Faz um mês que o Douglas fez o requerimento para obter a "permissão para o trabalho" e enquanto ela não chega, ele fica em casa e passa a maior parte do tempo com as meninas enquanto eu saio para estudar. No Brasil eu também estudava, mas o que mudou mesmo foram os horários. Antes eu ia para a universidade à noite e passava o dia com as meninas homeschooling (e, claro, limpando, cozinhando, lavando, ha!) enquanto o Douglas trabalhava fora. Agora invertemos as tarefas e eu ainda estou me acostumando com a ideia. E as meninas também, principalmente a Alícia que é quem percebo que está mais sentindo essa troca. Eu chego em casa e ela fica louca tentando chamar a minha atenção, pede para eu fazer as coisas no lugar do pai (colocar comida no prato dela, levá-la pra fazer xixi, etc.).

Como os meus horários de aula são variados e eu sou o que a universidade chama de "estudante em tempo integral" (significa que eu faço 4 disciplinas e, em tese, preciso dedicar nove horas semanais de estudo extra-classe por disciplina), nos dias em que tenho aula normalmente passo muitas horas fora. A parte boa é que meu marido é quem ficou com a parte realmente difícil - cuidar da casa, da roupa, da comida e das meninas. Eu não lavei roupa nenhuma vez ainda, rs. Ele está fazendo tudo!

Perto de casa tem um centro comunitário, com biblioteca e inúmeras atividades legais para adultos e crianças. A maioria são pagas, mas é um suporte bem legal que eles dão para os pais do bairro. Nos inscrevemos em algumas aulas. Na 2a feira à tarde as meninas estão fazendo dança (hip hop) e esta é a única atividade que elas fazem sozinhas. Nas demais a mãe, pai ou responsável pela criança tem de participar junto (é uma aula em conjunto). Na 3a feira, por exemplo, eu e a meninas participamos do "Quack-Quack". É um grupo de aprox. 20-25 mães e filhos que brincam juntos por duas horas. A educadora responsável monta uma brinquedoteca, com mesas de atividades diferentes (como massa de modelar, pintura e artesanato), e toda vez faz um curto momento dirigido de leitura e músicas, para bebês e crianças até 5 anos. E, na 6a feira de manhã, a gente faz música e depois aula de cerâmica.

Aqui cabem duas observações. Uma delas é a tentação do "hiperscheduling". Quase caí nessa armadilha, mas consegui perceber a tempo e parei pra analisar no que eu estava me metendo. Mãe tem dessas às vezes, né? A gente quer ver o(s) filho(s) desenvolvendo o máximo do seu potencial o mais cedo possível e sem perceber comete excessos, reduzindo demais o tempo da criança em casa que é tão bom e deve ser curtido e valorizado!! Não é porque a criança está fora de casa o tempo todo, fazendo mil e uma atividades "pedagógicas", que ela está realmente aprendendo e desenvolvendo alguma coisa. Ela pode estar vendo um monte de gente em diversos lugares, mas nem por isso está se sociabilizando adequadamente ou tirando proveito desses momentos fora. A lição que fica aqui é o célebre "menos é mais". E a outra observação que quero fazer segue uma linha bem próxima, o engano de que a gente precisa logo "passar a bola" para outro (o "especialista") que sabe ensinar nosso(s) filho(s) porque não temos capacidade de fazê-lo. Está aí uma mentira deslavada! Quem é que conhece o filho melhor do que mãe e pai? Com criatividade e disposição para aprender, é lógico que eles podem sim estimular pedagogicamente os filhos, fazendo um trabalho de excelência e, se quiserem, com certeza bem melhor do que o de um(a) educador(a) infantil pago para isso. Mas é muito mais fácil acreditar no contrário e, pasmem, me deu bobeira aqui e eu estava quase indo por esse caminho. Vou contar como foi.

Uma das preocupações quando cheguei aqui era saber se quando o Douglas conseguisse um emprego nós teríamos o benefício que o governo dá de subsídio em "garderie" (palavra francesa para creche). Não que eu fizesse questão de que as meninas fossem pra creche (claro que não!!), mas pensei que seria uma oportunidade boa para elas aprenderem o francês. Afinal, não é sempre que a gente passa um ano em outro país. Eu nem pretendia enviá-las todos os dias, mas queria organizar minhas aulas na universidade para coincidir com elas irem algumas vezes por semana, em meio-período, por exemplo. Nessa de eu tentar me informar e perguntar para as pessoas daqui como é que funciona o reembolso do governo, descobri que as "garderies" têm uma lista de espera absurdamente longa. As mães colocam o nome do filho quando ainda estão grávidas e chegam a esperar 3 ou 4 anos por uma vaga (e a gente que pensou que esse problema só existia no Brasil, hein??). Daí as pessoas foram me indicando "garderies priveé" (as particulares), mas os preços são altos demais e não teríamos condições de pagar. Até que fiquei sabendo de um "pre-school program" de dois dias por semana (3 horas por dia, ou seja, bem mais puxado do que as atividades que fazemos hoje), que estava com um preço bom e me empolguei. Detalhes importantes que eu deixei passar: 1) ele era em outro bairro (eu precisaria pegar ônibus, metrô e ainda andar um quarteirão inteiro com as meninas, já pensou fazer isso nos meses de neve?), 2) o foco era preparar crianças de 2 a 5 anos para entrar na escola (hein? eu não preciso disso, estou pensando em "homeschool" minhas filhas!), e 3) o programa era todo em inglês (peraí, o objetivo não era aprender francês?). Ou seja, já tinha saído totalmente do meu propósito e eu nem percebi. Haha! Engraçado como uma coisa puxa a outra. Se o seu objetivo não estiver muito claro, são dois palitos para perder o foco. Foi o que aconteceu. Cheguei a ir até lá pra conhecer, paguei a inscrição e estava "tudo certo" para começarem na semana seguinte. Mas daí percebi a tempo a besteira que eu estava prestes a fazer, voltei atrás e optei pelas atividades mais curtas aqui no centro comunitário perto da minha casa mesmo.

Pensando agora, talvez o que mais tenha me chamado a atenção nesse "pre-school program"(e o que me fez ficar tão empolgada) foi o fato de eu perceber que este era um programa claramente educativo. Sim, porque uma coisa que me chamou a atenção (negativamente) foi ter visto dois grupinhos de "garderie en milieu familial" (creche em ambiente familiar) fazendo passeio num parque aqui perto de casa. Achei muito estranho e jamais teria coragem de colocar as meninas numa "garderie" dessas! Para resumir, a postura da "garderienne" era de cuidadora (e olhe lá) e uma delas ficou o tempo todo no celular. O semblante das crianças era de tristeza e apatia, me deixou com a pulga atrás da orelha! Compartilhei o que vi num grupo de facebook de mães/pais brasileiros que moram no Canadá e o assunto rendeu. A minha conclusão é: Se o "ambiente familiar" é assim ao ar livre, que dirá dentro de quatro paredes onde nenhum outro adulto vê? Eu, hein... Tô fora!

Mas o meu ponto inicial era dizer como é importante e gostoso ficar em casa! Não só para as crianças, mas para mim também. O lar é um lugar propício para ensinar as crianças, fazer atividades divertidas e educativas, ficar à vontade na companhia de quem a gente ama, se alimentar bem, enfim... é o lugar ideal para as crianças pequenas, principalmente, crescerem e se desenvolverem. Elas não precisam ir para escola todo dia para isso, não sei porque às vezes temos a mania de pensar o contrário e achar que, porque estamos em casa, não estamos fazendo nada de bom ou de importante.

Nossa Alimentação
Para o meu paladar, a comida daqui é ruim: acho-a picante e gordurosa.

Na verdade, ainda não sei exatamente qual é a culinária canadense, só sei que quando estamos na rua é difícil achar um lugar para comer bem. E por "bem", claro que me refiro à comida saudável e gostosa, sabe? Tipo um arroz, feijão, mistura e salada, rsrs. Ah, e sim, um suco natural para acompanhar. :)

Outra observação é que a diversidade cultural é tamanha que há restaurantes de comidas típicas de vários lugares, principalmente comidas asiáticas e árabes. Para nós é muito esquisito ainda e não sei se/quando vou me acostumar. Vou pra universidade e, quando não consigo levar o meu próprio lanche, passo o dia à base de Tim Hortons ou Pizza Bella, pois além de CARA, a comida aqui não me apetece.

Em casa, é claro, estamos tentando fazer a nossa comidinha de sempre. A única coisa que ainda não conseguimos fazer com regularidade são os sucos naturais, mas como faço muita questão (porque não sou fã de sucos industrializados!) já estamos dando um jeito, hehe.

Bem, pessoal, escrever esse post foi quase como ter um parto.... demorou, mas saiu!

Beijos e até uma próxima.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Relato de Gravidez e Parto Natural - parte 2

Após uma gravidez tranquila com um pré-natal um pouco diferente do que tive com meus primeiros dois filhos no Brasil, estava mais do que pronta para ter a Natalia! Parece que a minha paciência com a barriga gigante foi diminuindo com cada gestaçao. No final desta, eu já não estava mais aguentando ter que cuidar de 2 filhos (um de 5 e uma de 3 anos) com um barrigão!

Já que o parto da Larissa, minha segunda, foi tão rápido e 1 semana antes do esperado, fiquei imaginando que o parto da Natalia também seria parecido. Veja o relato dos outros dois partos aqui. Com a Larissa, na consulta de 38 semanas eu já estava com 2 para 3 cm de dilatação, e na consulta de 38 semanas da Natalia eu também estava com 3 cm. Estava sentindo contrações fracas alguns dias e sabia que estava dilatando aos poucos. Fiquei animada e confiante que o parto seria rápido como da Larissa, e, conversando com minha médica, decidimos que seria melhor eu ir para a maternidade quando estivesse tendo contrações cada 10 minutos (já que com a Larissa minhas contrações vinham a cada 8 e já estava com 9cm de dilatação).

Na consulta de 39 semanas eu estava com quase 4cm de dilatação e minha médica perguntou se eu queria que ela descolasse minha bolsa (algo que as médicas fizeram também nas outras duas gravidez, do Tiago com 40 semanas e 1 dia, e na da Larissa com 39 semanas). Lembrei que com os outros dois havia dado certo esse método de estimular as contrações, mas não sei o que deu em mim que, apesar da vontade de ter logo a Natalia, acabei falando "não, vou esperar." Na verdade, não mudou nada...porque na mesma madrugada comecei a sentir contrações.

As 2 da manhã comecei a sentir contrações leves. Com um aplicativo do meu celular, comecei a monitorar o intervalo entre cada e vi que estavam vindo cada 10 minutos. Apesar de ter combinado com a médica que iria para a maternidade com intervalos de 10 minutos, senti que as contrações não eram fortes o suficiente para ir. Continuei monitorando e tirando cochilos entre cada contração. As 5 da manhã levantei e tomei banho, as contrações ainda vinham cada 10 minutos. Mandei mensagem para o meu pai avisando que estava em trabalho de parto! Ele já ficou super preocupado que eu deveria ir para a maternidade,  mas eu sentia que não. Esperei mais um pouco e acordei o Marcos com a notícia. Ele ficou animado! Desci e fiz café e logo meus pais chegaram para ficar com meus outros dois filhos que ainda estavam dormindo. Decidimos ir para a maternidade!

Quando cheguei fiquei preocupada porque minhas contrações pareciam não estar vindo tão intensas e nem tão perto uma da outra. Passei pela recepção onde se faz internações e falei que estava em trabalho de parto. Um enfermeira me levou para a sala de parto, onde me troquei e colocaram o aparelho para monitorar o batimento cardíaco do bebê e minhas contrações.
Só porque estava lá, prontinha e animada, minhas contrações começaram a diminuir. A enfermeira veio e achou que eu não estava em trabalho de parto, mas por causa do meu histórico de parto rápido e com contrações espaçadas, ela falou que iria esperar 1 hora, monitorando, para vermos. Quando ela me examinou não conseguia "achar" o cervix (não entendi essa!) e forçando muito para achar (doeu!) achou estranho minha médica ter falado no dia anterior que eu estava com quase 4! Falou que eu estava com 2 ou 3! Fiquei completamente desapontada e com medo de mandarem eu voltar pra casa! Orei e pedi para Deus fazer o trabalho de parto ir adiante!

Esperamos mais uma hora e ela voltou. Viu a frequencia das minhas contrações e achou que talvez eu teria que voltar pra casa mesmo. Ela era muito legal, mas realmente estava achando que não estava na hora ainda...mas não queria ter que me mandar pra casa. Eu então perguntei se a obstetra de plantão não poderia descolar minha bolsa para ver se a coisa ia pra frente. Ela falou que iria conversar com ela. Orei novamente!

Depois de um tempo a enfermeira voltou, junto com a médica que resolveu me examinar mais uma vez. Desta vez, ela mal começou o exame já sentiu o cervix e falou que eu estva com 5cm! A enfermeira ficou espantada e feliz em não ter que me mandar pra casa, e ficou confusa em relação ao exame de toque dela! Achei muito estranho também! Como que ela teve tanta dificuldade em achar meu cervix e sentiu apenas 2 ou 3 cm de dilatação? Algo deu errado!

A médica ficou animada e falou que voltaria em breve para estourar minha bolsa e que então ela nasceria rapidinho. A enfermeira correu para deixar tudo pronto e perguntou se eu ia querer anestesia. Falei que por causa do parto da Larissa, achava que este seria rápido e tranquilo também e que achava que não precisaria de nada mas fiquei pronta para receber anestesia caso mudasse ideia.

No parto da Larissa eu cheguei na maternidade já com 9cm, e tendo contrações cada 8 minutos. Me deram um pouco de anestesia (apesar de eu falar que estava super bem e achava que não precisava), empurrei umas 3 vezes e ela nasceu! Foi fácil demais! Desta vez, porém, eu dilatei um pouco mais devagar. Mas cada vez que a enfermeira vinha me ver, eu estava super contente, super bem, e ela ficava chocada! Até chamou uma outra para vir me ver! Quando eu tinha contrações o quadro mudava, mas estavam completamente suportáveis e eu estava até rindo, com a ajuda do meu marido e do meu pai, que estavam no quarto comigo e me faziam rir toda hora. As risadas aliviavam as contrações!

Logo as contrações começaram a ficar mais fortes e eu comecei e ficar com medo! Apesar de ter falado pra enfermeira que ia tentar fazer tudo natural, eu não havia me preparado muito bem para tal. Fiquei imaginando que se fosse fácil como da Larissa, não ia precisar de preparo nenhum. Mas não estava sendo tão fácil quanto da Larissa, as contrações estavam ficando mais fortes e mais frequentes e eu comecei a imaginar como seria para empurrar sem ter anestesia. Comentei com meu marido e meu pai que estava ficando com medo. Mesmo assim, quando a enfermeira veio me ver acabei não falando que queria um pouco de anestesia. Fiquei pensando "se já cheguei até aqui, vou até o final". Queria poder ter a experiência de um parto natural, mas hoje vejo que deveria ter me preparado melhor e, ja que não me preparei, deveria ter pedido anestesia.

Uns 20 minutos antes dela nascer comecei a ficar desesperada. As contrações eram insuportáveis e minha sensação de que não fosse aguentar mais um segundo daquilo começou a me dar pânico. Queria que ela saisse imediatamente! Queria tanto empurrar, não conseguia entender porque não podia empurrar mesmo sem estar sentindo vontade! Elas me falavam que eu ia saber quando fosse hora de empurrar, porque não ia conseguir "não empurrar". Mas com a Larissa não cheguei a sentir essa vontade incontrolável de empurrar. Simplesmente dilatei tudo e me falaram que eu podia empurrar, empurrei e ela nasceu! Eu queria que a Natalia saisse e ponto final! Meu pai, nessas horas estava do outro lado da cortina, sentado no sofá escutando tudo. E eu sentia dó dele estar me ouvindo sofrer tanto. Estava sentindo um calor absurdo e estava em pânico com aquela dor. Pedia para o Marcos assoprar em mim e vi que a enfermeira uma hora perguntou se ele estava bem. De tanto assoprar em mim e ver minha dor ele estava sentindo que pudesse desmaiar. Mas passou.

De repente a coisa apertou e eu fiquei desesperada, a enfermeira olhou e viu que a Natalia ia nascer e chamou a médica com bastante urgência em sua voz. Quase não deu tempo da médica fazer o parto!
Senti a tal vontade incontrolável de empurrar e comecei a empurrar e a gritar do fundo da alma. Nessas horas, perdi controle do meu corpo e no desespero para que ela saísse fiquei empurrando mesmo sem a contração. Depois descobri que isso deve ter causado as dilacerações que tive (por isso devia ter me preparado melhor para um parto natural!). Enquanto eu gritava (não tinha controle sobre isso) pensava que deveria estar traumatizando meu pai para sempre! rsrs. Não lembro quantas vezes empurrei, mas não foram muitas, talvez umas 3 ou 4 vezes. Só sei que foram os momentos mais intensos da minha vida, onde a dor superou minha capacidade de suportar, e eu perdi controle de mim mesma. Escutava a médica falando sobre a Natalia, pedido para eu ver como a mãozinha dela estava saindo junto com a cabeça e que ela estava fazendo tchauzinho, e só conseguia pensar "tira logo ela de mim!!" Hehe. E enfim, as 14:18 (7 horas depois de chegar na maternidade)... o alívio. Alívio maravilhoso seguido de um rostinho lindo de um pequeno ser no meu colo. Uma menininha tão pequeninha, minha filha. Quanta emoção e quanto alívio. Já disse que estava aliviada? rsrs.

Depois de um tempinho no me colo, limparam ela, pesaram, etc...  2.950 kilos e 49.5cm (meu maior bebê até então!) e dei mamar. :)

Acho lindo como um parto pode ter as emoções mais intensas de uma vida. A emoção de uma dor incontrolável que milagrosamente em questão de segundos se torna a emoção indescritível de olhar pela primeira vez para o rosto de uma nova vida que você já ama absurdamente. Penso que a vida as vezes é assim. As vezes sentimos dor e sofremos aqui neste mundo, mas quando chegarmos no colo do Pai, tudo isso será esquecido e sentiremos alegria indescritível. :)

Desculpa se deixei alguém com medo de parto! Os meus sentimentos mais sinceros em relação a este parto são de que (1) - Para ter um parto natural, deveria ter me preparado melhor (para lidar com a dor e como empurrar, etc), (2) - já que não me preparei, deveria ter pedido sim um pouco de anestesia (o parto da Larissa foi tão emocionante quanto mas sem eu ter precisado passar pela dor insuportável). (3) - Eu não faço questão de ter um parto natural. Normal, sim, mas natural, não vejo por que. Pra mim é como se me dessem a opção de fazer uma cirurgia com ou sem anestesia. Vamos combinar que anestesia, neste caso, é uma bençao de Deus? Graça divina por permitir que o ser humano inventasse/descobrisse tal intervenção? A dor do parto não foi uma maldição dada por Deus após o pecado de Eva e Adão? Então a anestesia é pura graça de Deus! rsrs. Eu sei que muita gente discorda e pensa diferente, mas como disse antes, essa é minha opinião sincera. Gostei muito do parto da Larissa que foi todo natural mas com um pouco de anestesia no final (na parte mais difícil), senti as mesmas emoções (a não ser o alívio absurdo!).

Concluindo, meus conselhors para as grávidas (depois de 3 partos):

  • Parto normal é lindo, emocionante, saudável, benéfico para mamãe e bebê e não deve ser tão assustador aos olhos das mulheres.
  • Cesária é uma benção de Deus, quando existem complicações!
  • Geralmente não é necessário ajuda de ocitocina! Isso é mais para o médico poder ir pra casa logo. Então, a não ser que esteja demorando MUITO e o parto não está progredindo, não é necessário! E por muito, não quero dizer poucas horinhas.  Com o Tiago já logo me colocaram na ocitocina para a coisa ir rápido e a cada hora que a médica me examinava aumentava a ocitocina, e eu pensava que ia morrer. A dor das contrações fica muito pior. Aqui nos EUA muitas mulheres ficam 15, 20 horas em trabalho de parto (as vezes mais!)...como conseguem? Não estão sendo apressadas com ocitocina! O trabalho de parto em si, sem ajuda da ocitocina, é suportável. No parto das duas meninas não tive ocitocina e o trabalho de parto foi supoertável...apenas os últimos 45 minutos do parto da Natalia que foram insuportáveis. Já o trabalho de parto do Tiago foi todo insuportável...e só o final foi tranquilo porque recebi anestesia epidural.
  • O desconforto das 3 dilaceraões de segundo grau que tive foi MENOR do que da episio que tive nos partos do Tiago e da Larissa.
  • É MUITO importante ter apoio junto com você! Infelizmente, muitas das enfermeiras nas maternidades do Brasil não tem muita experiência em ajudar uma mulher passando por um trabalho de parto (pelo menos me parece assim). Aqui, elas tem muita! Foi muito importante para mim ouvir a enfermeira me falar "pode gritar, Cristine, pode fazer o que você quiser!":)

O mais engraçado foi ouvir do meu pai nos dias seguintes que enquanto ele orava por mim, aflito em ouvir minha dor, teve a idéia de gravar com o iphone o som do primeiro chorinho da Natalia quando ela saísse. Só que com isso acabou gravando meus gritos! Será que tenho coragem de ouvir?

De acordo com ele...será uma ferramente útil no futuro, quando ela for adolescente e duvidar do meu amor por ela (espero que não! rsrs). Aí poderei mostrar o quando sofri por ela! Hehe.





Relato de Gravidez e Parto Natural - parte 1

Aqui é a Cristine! Depois de muito tempo ausente aqui do blog vim contar sobre a gravidez e o parto da Natália, minha terceira filha que nasce quatro meses atrás!

Desde a última vez que postei aqui muita coisa mudou na minha vida, e uma delas foi que mudamos para os Estados Unidos! Depois de quase 1 ano morando aqui, meu marido começou a falar em um terceiro! Não imaginei que teria mais um bebê, já que depois do nascimento da Larissa passei por um período muito difícil por causa de um transtorno de ansiedade (leia mais aqui). Naquela época minha vontade de ter mais filhos tinha ido embora, acho que a ansiedade e o medo me deixaram com vontade de simplesmente viver a vida com menos riscos, e amar sempre é um risco! Queria viver a vida de forma segura e previsível (como se isso existisse). Por causa da vontade do meu marido comecei a orar e pedir que Deus trabalhasse no meu coração. Afinal, não queria deixar de viver uma benção por causa de medo. Alguns meses depois acabamos sendo mais relaxados com a prevenção e um belo dia me deparo com duas linhas num teste de gravidez!

Tive uma gravidez tranquila a não ser pelo comecinho...meus primeiros 3 meses sempre são de MUITO, mas MUITO cansaço, sono, fadiga absurda. Me sentia doente, não conseguia levantar do sofá ou ter vontade de fazer qualquer coisa! O pior de tudo é que tudo isso aconteceu bem quando meus sogros e cunhada vieram passar um mês conosco aqui nos EUA...acabei não tendo tanta energia ou disposição para aproveitar tanto eles e também para passear mais. Mas eles ajudaram bastante e, claro, ficaram muito felizes com a notícia de mais um neto ou neta.

O acompanhamento do parto aqui foi bem diferente! Primeiro porque eu pude escolher uma médica para fazer o pre-natal, mas o parto em si seria com o médico da clínica que tivesse de plantão no hospital no momento do parto. Então dentro da clínica que escolhi tive o acompanhamento do pré-natal com uma médica da minha escolha, mas na hora do parto, poderia não ser ela a médica de plantão no hospital onde todos os médicos desta clínica fazem partos. Não fiquei muito chateada com isso porque acho que com o terceiro filho já não temos mais tanta ansiedade em relação ao parto, médico, etc. Pelo menos eu não!

Outra diferença foi a quantidade de ultrasonografias! No Brasil fiz muitas, e aqui apenas fiz com 7 semanas, 12 (este ultrasom e a medição da TN e tudo mais é opcional aqui), 16 e depois só com 35 semanas (porque pedi!!). Achei muito estranho essa falta de ultrasonografias, principalmente no final da gestação. Mas, como também estava super tranquila e já havia descoberto o sexo do bebê no ultrasom de 12 semanas, não senti urgência em fazer ultras. Só pedi o ultrasom com 35 porque queria ver com que tamanho ela estava. No fim, o ultrasom que fizeram foi na sala da consulta mesmo, com um aparelho super simples e uma imagem péssima..não dava pra ver nada!

As consultas a cada mês foram bem simples, pegavam meu peso, mediam minha barriga, conversava um pouco com a médica e pronto. Os exames também pareceram ser os mesmos que no Brasil. Gostei bastante da minha médica mas era bem estranho pensar que talvez nem seria ela a que faria meu parto. Mas tudo bem!

39 semanas e 1 dia (um dia antes do nascimento)
A postura do médico em relação ao parto é bem diferente. Ninguém pergunta se você vai querer parto normal ou cesária, nem se fala em cesária! O parto é normal e ponto final...a não ser que você tenha alguma complicação séria. Pelo que vi, a única situação que exige já logo cedo uma decisão por cesária é quando a mãe já precisou ter uma cesária anteriormente. Aí não se discute, aqui eles fazem outra cesária. No Brasil já tive amigas que tiveram cesária e depois conseguiram ter parto normal!

Meu primeiro filho, o Tiago, e a minha segunda, a Larissa, ambos nasceram de parto normal. Veja o relato do parto deles aqui. Com a Natalia, a terceira, não fiquei ansiosa em relação ao parto e sabia que se tudo fosse bem, seria normal também, ainda mais num país onde se faz de tudo para ser normal! Então quase não conversei com minha médica a respeito do parto.

Veja, no próximo post, o relato de como foi!


quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Devo exigir que o meu filho peça perdão? - Por Jen Wilkin

Texto extraído do blog "The Beginning of Wisdom" e originalmente publicado em 21/05/2013. Traduzido por mim com permissão da autora.

FAQ: Should I make my child apologize? - By Jen Wilkin

Pais frequentemente me perguntam se é errado exigir que seus filhos peçam desculpas quando agem com falta de respeito ou desobedecem. Geralmente, a preocupação é que, ao fazê-lo, eles estejam ensinando o filho a mentir. Não seria muito melhor esperar a criança pedir perdão quando ela está realmente arrependida em vez de forçá-la a repetir um pedido de perdão que você a ensinou?

É louvável que você queira que o seu filho fale e aja sempre pelos motivos certos. E sim, obediência segundo o padrão de Deus vai além do que simplesmente dizer as palavras certas - a obediência segundo o padrão de Deus diz respeito a palavras certas com as motivações certas, é fazer o que é correto pelos motivos corretos. É esse tipo de obediência que pais cristãos desejam que seus filhos aprendam.

Mas como esse tipo de obediência é aprendido? Como a obediência segundo o padrão de Deus é assimilada? A resposta pode surpreendê-lo(a). Diferente dos adultos que aprendem pela razão, as crianças pequenas aprendem pela ação. Os adultos precisam ser convencidos de que uma determinada ação é a correta antes de desejarem adotá-la. As crianças, por outro lado, aprendem a fazer o que é certo antes de serem intelectualmente capazes de compreender as razões por trás da ação. Para elas, agir da maneira certa precede o entendimento do porquê é a atitude certa.

Os pais intuitivamente compreendem e aplicam esta "verdade educativa" com crianças pequenas em muitas áreas:

- Ensinando a linguagem dos bons modos antes que elas desejem ser corteses ("por favor" e "com licença").
- Ensinando a linguagem da gratidão antes que elas se sintam gratas ("obrigado(a)").
- Ensinando a linguagem do respeito antes que elas queiram ser respeitosas ("senhor" e "senhora").
- Ensinando a linguagem da oração antes que elas tenham desejo de orar (Deus é bom, o Pai Nosso, etc.).

Em suma, ensinamos para elas as linguagens que elas devem dominar para interagir com as pessoas antes mesmo que compreendam o valor ou o conceito do porquê essas linguagens são necessárias e boas.

Por isso, minha resposta para a pergunta "Devo exigir que o meu filho peça perdão?" é um enfático "Sim". Se nós fielmente já ensinamos as linguagens dos bons modos, da gratidão, do respeito e da oração, então por que não ensinar a linguagem do perdão? Não é uma linguagem igualmente importante que eles saibam? Por que ensiná-los a pedir perdão os encorajaria a mentir, mas a dizer "obrigado(a)" sem estar com o coração grato não? Não seria cruel deixar nossos filhos de mãos vazias numa situação em que o perdão precisa ser buscado?

A criança litúrgica
Crianças são criaturas extremamente litúrgicas: elas amam a repetição. Isso explica a capacidade que elas têm para ouvir a mesma história ou ver o mesmo filme muitas e muitas vezes, o apego que têm a um ritual na hora de dormir ou a um ursinho de pelúcia, a tendência de gritar "De novo, de novo!" quando andam num carrossel. As crianças são programadas para a repetição porque a repetição as ajuda a aprender.

Assim como o pastor de uma igreja que usa liturgia toda semana não presumiria que sua congregação tem fé genuína só porque ela repete o Credo Apostólico, nós pais não presumimos que os nossos filhos estão realmente arrependidos só porque aprenderam a pedir desculpas. Mas nós damos a eles as palavras certas confiando que a motivação correta irá acompanhá-las à medida que eles amadurecem.

Assim como a congregação precisa ver o pastor viver na prática a liturgia que ele usa na ministração, os nossos filhos precisam ver em nossas vidas a verdade das linguagens que lhes ensinamos. Uma criança que vê seus pais, genuinamente arrependidos, pedir perdão quando erram com eles irá rapidamente aprender a fazer o mesmo. Toda vez que pedimos perdão aos nossos filhos, nós damos a eles uma ideia de como é um genuíno e maduro pedido de perdão: "Me desculpe por tê-lo(a) machucado com as minhas palavras. No seu lugar eu ficaria assustado(a) e triste porque a Mamãe gritou com você. Não é certo eu falar assim com você. Você é precioso(a) para mim. Eu o(a) amo muito e não quero fazer isso novamente. Eu não honrei a Deus e eu não honrei você. Eu oro que Deus me ajude a mudar. Você me perdoa?".

Crianças mais velhas e pedidos de perdão
Devemos exigir que crianças mais velhas peçam perdão? À medida que crescem, elas se tornam intelectualmente capazes de associar a motivação correta à ação correta. Elas se tornam aptas a pedir perdão sem serem mandadas e sem palavras decoradas. Uma criança mais velha que já demonstrou genuíno arrependimento (e tem o exemplo dos pais), provavelmente está pronta para uma abordagem diferente quando um pedido de desculpas se faz necessário.

- "Essa foi uma reação exagerada. O que você acha que precisa acontecer agora?" (Eu preciso pedir desculpas). "Sim. Você está pronto(a) para fazer isso agora ou precisa de alguns minutos para pensar no que quer dizer?".
- "Eu acho que você já sabe qual a coisa certa para se fazer agora. Eu oro para que o Espírito Santo lhe mostre que você precisa de perdão. Estaremos prontos para conversar quando você estiver".
- "Você precisa pedir perdão para a sua mãe. Use alguns minutinhos para pensar sobre o que você quer dizer e, quando estiver pronto(a), venha dizer a ela como você se sente sobre o que aconteceu".

E então sim, espere o arrependimento genuíno se manifestar. Se demorar muito a aparecer, talvez sejam necessárias mais conversas sobre como a falta de perdão prejudica os relacionamentos e também estabelecer consequências que deem conta do recado. Mas a criança que está acostumada com um pai que rapidamente se arrepende e perdoa irá tipicamente fazer o mesmo.

Então, sim, exija um pedido de perdão do(a) seu(sua) filho(a) pequeno(a). Não permita que o medo de ensiná-lo(a) a mentir impeça você de educar seus filhos na liturgia do arrependimento. Seja exemplo para eles do que significa arrepender-se segundo o padrão de Deus, eduque-os fielmente na linguagem do perdão e ore para que o Senhor use as suas palavras e o seu exemplo para trazer genuíno arrependimento aos seus pequenos corações.

Jen Wilkin é esposa, mãe de quatro incríveis crianças e defensora de que as mulheres amem a Deus com suas mentes através do fiel estudo da Sua Palavra. Ela escreve, ministra e ensina mulheres sobre a Bíblia. Ela mora em Flower Mound, no Texas, e sua família chama "The Village Church" seu lar. Você pode encontrá-la em www.jenwilkin.blogspot.com.

sábado, 10 de agosto de 2013

Carta à minha filha Nicole (quase 4 anos)

Querida filha Nicole,

Há um bom tempo - desde que você era bebê - eu venho a este blog escrever coisas a seu respeito. Eu falo do que você está aprendendo, de como são os seus dias e também um pouco da minha experiência em aprender a ser mãe. Agora que você está mais crescidinha, eu vim falar diretamente a você, ao seu coração!

Eu sei que um dia, quando você já souber ler e for uma moçona, você vai se interessar em ler as minhas palavras. Não sei quanto tempo de vida Deus nos dará aqui na terra, mas seu pai e eu queremos aproveitar todas as oportunidades que Ele nos der para ajudar a apontar a direção que você irá seguir quando for adulta e tiver de tomar suas próprias decisões. Sabemos que o seu tempo conosco em casa é um período crucial de preparação para a sua maturidade, portanto todo o tempo que temos juntas é precioso!

Você ainda nem completou 4 anos, mas já tivemos muitas conversas profundas sobre Deus, vida e morte. Geralmente elas acontecem durante o almoço. Tão novinha ainda e você vem cheia de perguntas sobre o passado e o futuro. São perguntas inteligentes, de quem quer entender a vida e o mundo em que vivemos. Você quer saber porque você come para crescer, porque as pessoas ficam velhas e um dia morrem (como a Vovó Romilda), porque você foi à escola quando tinha 2 anos e agora não vai mais, porque algumas pessoas pedem dinheiro no farol, porque picham a parede das ruas, porque os médicos cortam a barriga das mulheres para tirar o neném... e muitas outras perguntas engraçadas e bem difíceis de responder.

Eu faço questão de lhe contar a verdade - de uma forma que você vá entender, é claro, mas meu compromisso é de falar tudo o que eu conheço da verdade. Não quero oferecer substitutos para a verdade na tentativa de amenizar as coisas para você. Você é uma criança, eu sei, mas merece o meu respeito. E eu quero merecer a sua confiança, quero que você sinta-se sempre à vontade para me procurar para fazer as perguntas difíceis da vida. Não tenho todas as respostas, mas o que eu souber lhe falarei com sinceridade porque acredito, do fundo do meu coração, que a verdade liberta. E é fundada na verdade, na Bíblia, na Palavra de Deus, que seu pai e eu queremos educá-la: ensiná-la a andar nos caminhos do Senhor.

Conforme você for crescendo, você vai perceber que não temos as respostas para todas as suas perguntas. Aliás, isso já acontece hoje em dia: você me pergunta algo, eu digo que não sei e você insiste, perguntando: "Mãe, mas por que você não sabe tudo?".

Boa pergunta!! Eu também queria saber, rsrs.

Muitas de suas dúvidas, querida, nós poderemos estudar e pesquisar, para juntas aprendermos. Outras você precisará perguntar diretamente a Deus, o Criador do Universo. Eu não tenho todas as respostas, mas Ele tem, filha. Pode confiar! Busque-o com toda a sua força e Ele irá sussurrar em seu coração nos seus momentos de oração. E quanto àquelas outras perguntas (as mais complexas), você - como eu - precisará guardar no coração para um dia, na Eternidade, poder perguntar diretamente ao Rei dos reis.

Filhinha, eu não vou viver para sempre nesta Terra. Espero viver longos anos, mas o fato é que um dia eu vou morar com Jesus. Hoje estou com 31 anos e sei que parece cedo para falar em partida, mas o que quero é reforçar que, quando eu for, desejo que você continue se sentindo amada. Eu vou mas as minhas palavras ficam! As palavras faladas eu espero que você carregue na memória e as palavras escritas ficarão aqui para um dia você recordar e se sentir encorajada que Deus cuidou de você desde o 1o. momento da sua vida.

Nicole, você é uma garota única, uma pérola preciosa. Nunca se esqueça disso. Você é especial.

Eu olho em seus olhos e eu consigo ver a mulher formosa que você já é, mesmo aos 3 anos de idade. Para a glória de Deus, você crescerá saudável e será uma grande mulher, uma mulher importante e cheia de vigor. Vejo isto nos seus olhos, no seu sorriso, no seu jeito de falar, na sua espontaneidade, carisma e inteligência. Você nasceu para brilhar a luz de Cristo, minha filha, para anunciar a vitória que Jesus conquistou para nós na Cruz. A missão casa bem com o significado do seu nome: "vitória do povo" ou "povo vitorioso".

Tenho convicção de que Deus tem uma missão especial para você cumprir, que irá abençoar muitas vidas. E isso não será algo para um futuro distante, começa desde já na sua infância. Eu sei o quanto você é preciosa, o quanto é amada por Deus e, saiba, tenho muito orgulho de ser sua mãe!! Que privilégio poder caminhar com você nestes dias da sua formação e participar da sua vida!

Querida, para finalizar quero dizer que não importa o que acontecer, você será sempre a nossa princesa. Papai e eu a amamos muito, viu?! É tanto amor que não cabe no peito!

E minha oração de mãe é que você descubra em Deus o propósito da sua vida. Que você seja sensível, focada e ousada no Espírito! Que você experimente mergulhar nos braços do Pai. Que você nunca deixe de confiar nEle e que aprenda a discernir a Sua doce voz. Essa voz, meu amor, é que irá guiá-la pelo caminho seguro até o dia da Sua vinda!!

Guarde essas palavras no seu coração.

Com muito amor,

Talita

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Pensando em ter parto em casa? Inspire-se com esses vídeos!

Seis meses atrás eu postei alguns vídeos inspiradores sobre parto natural humanizado (acesse aqui), vocês se lembram? Hoje eu vim compartilhar outros dois vídeos que encheram meus olhos de lágrimas. Sério, não tem como assistir e não chorar de emoção. Aliás, toda vez que eu assisto eu choro de novo, rs.

Sou manteiga derretida mesmo, eu sei... mas vocês vão ver como não estou exagerando!!


O que eu mais gostei desse parto foi a liberdade e a autonomia da parturiente como protagonista do parto. A parteira estava lá, o marido estava lá e até as crianças e outra pessoa estavam lá... mas eram pessoas em quem ela confiava, não eram estranhos. Ela estava à vontade, em seu próprio ambiente e não parecia acanhada de gemer quando sentia dor porque ela literalmente  estava em casa e podia ser ela mesma!

Ela se movimentava livremente, sentava no chão, se apoiava no marido, subia na bola... fazia o que queria. Tinha liberdade para ouvir o próprio corpo e deixar o parto acontecer no seu próprio ritmo, naturalmente.

Ah, e vocês repararam na técnica da vocalização que ela usou para ajudar o canal se abrir sem lacerar o períneo? Eu achei o máximo aquilo porque foi justamente o que a Dra. Melania Amorim ensinou naquele documentário sobre parto humanizado que eu amei e publiquei aqui no blog um tempo atrás (acesse aqui). Ela explica que durante o parto é preciso relaxar o períneo (e não contrai-lo). Fantástico.

Porém, a parte mais linda mesmo foi a reação dela quando a bebê nasceu. Foi ela mesma quem pegou a criança no colo e trouxe-a para perto do peito. Que diferença de um parto natural no hospital!!

Nos meus partos (ambos 'normais' hospitalares), eu precisei ficar o tempo todo "quietinha" na cama, com as pernas erguidas (presas) e sem poder encostar as mãos no pano azul pra não contaminar o campo estéril. Eu não fui a primeira pessoa a pegar as minhas filhas quando elas nasceram - elas foram direto para a mão de pediatra e enfermeiras que fizeram malabarismo com elas enquanto eu tentava assistir de longe. Depois a limparam, colocaram um lacinho na sua cabeça e a trouxeram para eu ver. Acho que a examinei por uns 30 segundos e daí já a levaram embora de novo. Meu marido teve de sair da sala, a médica terminou o serviço de sutura lá embaixo (por causa da episio) e então eu fiquei sozinha em recuperação (por causa da anestesia). Só fui ver minhas filhas de novo (e pegá-las de verdade) horas depois. E só então pude amamentá-las.

Agora veja que diferença para este parto filmado. A bebê nasce e a mãe tem uma reação tão linda, tão espontânea, tão natural de um momento como esse. Parece que ela delira! Ela agradece a Jesus pelo nascimento da filha e da boca dela começam sair palavras de bênção sobre a vida dela... puxa, que especial! É de arrepiar os pelinhos do braço, rs! Sem falar do privilégio de ter ali sua família perto neste momento, as outras filhas reagindo natural e espontaneamente também, o marido já podendo pegar a bebê no colo, esquentá-la com a toalha, colocar sua primeira roupinha... e sim, cortar o cordão umbilical.

Simplesmente MA-RA-VI-LHO-SO, não é mesmo?!

Agora o próximo vídeo de parto domiciliar...


Se com o primeiro vídeo pude me assegurar que parir é uma experiência de grandes emoções, este me transmite aquela deliciosa sensação de paz após a agonia. Dava para sentir a tensão da dor que a parturiente, que desabou a chorar provavelmente porque estava muito difícil, estava sentindo... e o marido ali o tempo todo encorajando-a, dentro da água junto, apoiando, dando força.

Quando a bebê finalmente nasce vocês repararam no semblante de serenidade e alívio dela? E o sorriso de orgulho do pai? Que casal apaixonado curtindo juntos a vitória. Como se tivessem escalado o Everest e agora podiam comemorar contemplando a linda paisagem lá do alto.

Há muitas semelhanças deste vídeo para o outro. Ambos foram partos na água, em ambos os partos o marido participou do processo mais do que a doula/parteira (o que eu achei lindo de ver!) e em ambos a mãe que deu à luz ficou perfeitamente bem e em paz de espírito tão logo a bebê nasceu. E, sim, ambas estavam perfeitamente à vontade, no conforto do lar, indo e vindo conforme desejavam... aparentemente sem interferências desnecessárias. O vídeo mostrou as parteiras e assistentes apenas observando.

Também pude perceber que nos dois casos elas usaram a técnica da "open glottis" durante as contrações, ou seja, é evidente que se prepararam para este momento. O parto em casa foi algo planejado pelo casal. Elas não caíram ali de pára-quedas e estavam sem saber qual era o próximo passo. Elas estavam cientes de que deveriam deixar o processo acontecer naturalmente. Certamente devem ter estudado a fisiologia do parto e se prepararam física e psicologicamente para enfrentar a dor porque sabiam que ela era necessária para o processo todo.

Bem, os vídeos são lindos e inspiradores, mas eu sei bem que não é todo mundo que encara um parto natural em casa (principalmente na nossa cultura e nesta época da história em que vivemos). Eu sei que o cenário está mudando e que o movimento do "renascimento do parto" (aproveitando o nome do filme que será lançado mês que vem aqui no Brasil!) está ganhando força, o que me deixa bem empolgada. Talvez daqui uma ou duas décadas as mulheres adotem uma nova mentalidade e as estatísticas cesariana x parto normal x parto domiciliar sejam outras completamente. Eu torço para que aconteça!

Até muito recentemente a ideia de parir em casa era algo que eu jamais cogitaria, mas confesso que venho sonhando com isso ultimamente. No mês passado cheguei a comentar com a obstetra que fez os meus dois partos normais (sim, foi ela... e não eu, sniff sniff... meu papel foi ficar passiva e obedecer comandos) e ela quase teve um TRECO! Apenas pra constar, na opinião dela partos domiciliares na cidade de São Paulo são um absurdo e um capricho sem cabimento. :-(

Mas voltando... Não é toda mulher que encara um parto em casa hoje em dia. Se este é o seu caso, eu vou aproveitar o post de hoje para divulgar um outro vídeo, desta vez um documentário bem curtinho (17 min) publicado há 3 anos, sobre parto natural humanizado. Chama-se Parto Natural - Natural Birth. Quem não se sente ousada o suficiente para parir em casa mas também não gostaria de ter em hospital por causa dos procedimentos rotineiros que tolhem a liberdade da mulher, é legal saber que também existem as casas de parto. Eu ainda não sei muito sobre elas, mas sem dúvida é uma opção a ser considerada.

O documentário é rápido e objetivo e os profissionais que participaram deles esclarecem pontos cruciais. Eu recomendo que você assista e divulgue-o para todas as suas amigas grávidas (e mesmo as não grávidas). Quanto mais informações a mulher tiver sobre como acontece o parto, tanto melhor para todos nós! 

terça-feira, 23 de julho de 2013

2 anos de Alícia!


Atrasadíssima, mas aqui estou para contar um pouco das novidades dos últimos 2-3 meses. Sim, porque já se passaram 34 dias do 2º. aniversário dela. Ou seja, ela já está com 2 anos e 1 mês!

Rotina, Sono, Dentição e Alimentação
A rotina da Alícia continua a mesma. Ela dorme bem à noite (no mínimo 11 horas seguidas) e tira sonecas de 3 horas à tarde (geralmente das 12:00 às 15:00). Aliás, eu tenho a impressão de que ela dorme melhor do que a irmã nesta idade. Raras vezes a Nicole passou das 7:00 da manhã (era um reloginho), a Alícia já algumas vezes. Um dia me surpreendeu acordando às 8:15!

Os dentes dela demoraram a começar a nascer, mas agora ela já está com o sorriso praticamente completo. Depois de publicar o último post (leia aqui) contei e ela já estava com 12 dentes! Faltavam 8 pra completar os 20 dentes de leite. Preciso contar de novo pra saber quantos ela já tem agora, rs. O que me impressionou é que do 1º dente até o 12º se passaram menos de 8 meses. Pouco tempo, né?

Quanto à diarreia, ela tomou o vermífugo daquele vez e não fiquei convencida de que o problema era esse. Eu acho que era de engolir pasta de dente! Agora ela está usando um creme dental específico pra crianças bem pequenas (sem flúor) e a diarreia parou de vez (embora ela continue fazendo cocô muitas vezes por dia, pelo menos duas, que eu entendo que seja sinal de boa alimentação e saúde). Eu explico que ela precisa cuspir e não pode engolir, ela faz que 'sim' e tenta, mas não adianta. No fim das contas, ela engole muita água com pasta ainda assim!

Uma observação é que aos poucos percebo que a Alícia está diminuindo a ingestão de alimentos. Mas ela continua comendo com muita pressa (igual à mamãe e diferente da irmã e do papai que comem devagar). Hoje, por exemplo, parti uma pera em 4 partes para dar de lanche da tarde. Enquanto a Nicole comia 1/4 da pera, a Alícia comeu as outras três partes!! Muito veloz essa menina, eu preciso ensinar para ela que é preciso mastigar melhor, com calma, e não engolir a comida toda de uma vez.

Desenvolvimento, Temperamento e Relacionamento com a irmã
Preciso confessar: tenho uma dificuldade imensa de não compará-la com a minha outra filha. Eu tento, prometo que tento, mas a Nicole acaba sendo a minha referência. O problema é que a minha memória NÃO é confiável. Não mesmo porque eu fico achando que a Nicole sabia muito mais coisas nesta idade, tinha uma pronúncia muito melhor, etc. E vai ver até sabia mesmo (porque ainda não consegui ensinar as cores pra Alícia!!), mas o fato é que um dia desses o Douglas me mostrou um vídeo da Nicole com 2 aninhos (aprox.) brincando com a Alícia recém-nascida e a pronúncia dela estava horrível também, kkkk!

Eu me admirei e achei engraçado porque naquela época a minha percepção do "bom" e "ruim" era outra completamente. Para os meus ouvidos a Nicole falava super bem, eu entendia tudo direitinho... rsrs. E agora eu fico com essa cisma com a Alícia, tadinho do segundo filho, né? A mãe o compara injustamente com o filho mais velho. Eu sei que faço isso inconscientemente e tento me policiar para incentivá-la e elogiá-la de igual modo. Ainda bem que existe a tecnologia para nos mostrar o que REALMENTE aconteceu. :-)



Tudo isso para dizer que estou me esforçando para deixar a Alícia se desenvolver no seu próprio tempo e acho que ela está indo muito bem. Ela repete as palavras espontaneamente, forma frases com 3-4 palavras (inglês e português misturado, quero só ver quando começarmos a aprender francês no Canadá!), enfim está se esforçando para se comunicar e interagir. E aprendendo a ser tagarela e insistente como a irmã (socorro!). Está cada vez mais parecendo mocinha crescida. Aprendeu a pular de verdade recentemente (antes ela mexia o tronco como se estivesse pulando, só que sem tirar os pés do chão). Aprendeu a beijar também - antes fazia só o barulhinho "uá" (a Nicole fazia "bi", rs).


Quanto ao temperamento, noto que a Alícia está aos poucos deixando de ser tão insegura e agarrada em mim. Ela é do tipo criança agarrada nas pernas da mãe, sabe? Aquela que fica seguindo-a pela casa o dia todo. Cheguei a me perguntar algumas vezes o que eu tinha feito para ela ser assim, rs. É difícil aceitar que esta é a personalidade dela, eu fico achando que é a minha culpa! Esse apego todo me frustra às vezes. Eu sinto que ela não está tão confiante e independente quanto a Nicole (que começou a ir para a escolinha aos 18 meses) estava nesta idade. Desde bebê a Alícia aceitava bem ficar no berçário da igreja (nunca ou raramente chorava), mas agora ela não está mais querendo ficar e eu fico sem entender o porquê. Depois que aconteceu um acidente lá dentro há alguns meses, em que ela caiu e machucou a boca, eu estou com receio de ficar insistindo. Por causa da diferença de idade, as meninas ficam em salas diferentes e percebo também que isto deixa a Alícia chateada. Ela aponta para a sala da irmã e diz que quer entrar lá com ela.


Parando para refletir agora, uma vez por mês durante a semana eu as levo comigo para uma reunião de mamães que tem na igreja. E nesse dia as tias juntam as salas e elas brincam juntas. Foi em um dia da semana que ela caiu e se machucou. Mas aos domingos é separado e a Alícia não se conforma que um dia ela pode brincar com a irmã e outro dia não, então ela chora e esperneia muito quando a deixamos na porta.

Como acho que já deu pra notar, ela é muito apegada à irmã e se espelha muito nela (imita tudo, rs). Se algum dia ela acorda mais tarde e não vê a irmã na cama, a primeira coisa que ela pergunta é "Dê Kicky?" (ela não consegue dizer Nicky ainda, rs). Uma das expressões que ela mais tem usado ultimamente é "___ Kicky too", sempre incluindo a irmã em tudo o que faz ou quer/pede pra fazer. É bem fofo de ver. Esses dias ela me pediu pra ir na casa da vovó, eu respondi que a gente iria tal dia e daí ela perguntou: "Vovó house Kicky too?" Ou o contrário, a Nicole pede algo e no mesmo instante ela vem para mim e diz "Me too." ou "Isha too." (Isha é o jeito que ela pronuncia o próprio nome, mas às vezes ela diz Ily também).

No geral, ela é muito simpática e amável com as pessoas (as pessoas comentam), exceto com o pediatra - até hoje ela chora muito quando ele vai examiná-la. E eu percebo também o coração materno dela, é uma graça observar como ela ama cuidar de suas bonecas, cobri-las com o paninho, alimentá-las, etc. Ela é bem carinhosa e espirituosa. E olha que não tem nenhum bebê na família para poder dizer que ela está imitando o comportamento adulto de alguém (como a Nicole quando a irmãzinha chegou da maternidade), mas quando ela encontra bebês em festas ou outros lugares públicos, ela fica extasiada de alegria e voluntariamente se aproxima do carrinho ou do colo da mãe pra conversar e fazer carinho nele(a).

Peripécias
Algumas semanas atrás ela se machucou feio em casa - cortou o lábio e precisou levar três pontos! Ela não estava fazendo nada de perigoso. Meu marido tinha saído com as meninas pra eu poder dar uma geral na casa e lavar a roupa. Quando elas voltaram, umas 3 da tarde, eu estava na sala passando roupa. A Alícia havia pulado a soneca e estava cambaleando de sono, deveria ter ido direto tirar uma soneca. Mas a Nicole estava firme e forte, toda agitada, e chamou-a pra brincar de "barquinho" com os meus cestos de roupa pra passar (que têm formato parecido com barco mesmo). São três, um de cada tamanho, e já estavam vazios. A Nicole entrou no maior e a Alícia no menor. Na hora de levantar, ela se desequilibrou e caiu pra trás contra a parede. O cesto virou junto e bateu com tudo na boca dela. Quando vi o sangue pensei que ela tivesse quebrado um dente! Eu sou muito mole para essas coisas (era meu marido sempre que as segurava para tomar vacina no posto!) e comecei a passar mal de ver (e imaginar) o corte aberto. Eu falei para o meu marido que eu dirigiria, mas ela só queria o meu colo e ficou chorando no caminho. Então tive de enfrentar minha própria fraqueza pra segurá-la no colo no banco de trás enquanto íamos para o pronto socorro!
Esta foto é de fev/13, mas dá para ver como são os cestos.
Comportamento e Disciplina
No momento estou ensinando a Alícia a não falar "não" para a mamãe (é a resposta padrão dela para qualquer comando - a fase conhecida como "terrible twos"). Estou insistindo na frase "Yes, Mommy" para ensinar a submissão. E quando ela desobedece e eu a disciplino também insisto para que ela use o "Sorry, Mommy" para ensinar a humildade. No relacionamento entre irmãos, o meu foco em casa é ensinar a generosidade. Quem tem filhos nesta idade sabe muito bem como é complicado administrar conflitos. Uma criança sempre quer o brinquedo que está nas mãos da outra. E, geralmente, é o filho mais velho que precisa ceder. Aqui em casa eu faço diferente. As duas recebem tratamento igual (na medida do possível) porque meu objetivo é que as duas aprendam a dividir e a ser amáveis.

Então quando uma quer o brinquedo que está nas mãos da outra (acredite, isso acontece várias vezes por dia), primeiro eu me certifico que de que ela está pedindo de forma apropriada - com calma e usando "por favor". Digo isso porque, principalmente com os menores, o desafio é ensiná-los que não pode-se arrancar as coisas das mãos dos outros (o famoso 'domínio próprio', tão importante de ser ensinado desde bebês). Em segundo lugar, eu reforço o pedido feito, dizendo algo do tipo: "Alícia, Nicole wants to play with that toy too. Can you share it with your sister, please?" (traduzindo: Alícia, a Nicole quer brincar com este brinquedo também. Você pode dividi-lo com ela, por favor?). Se a criança se recusa e diz que não, daí eu digo: "If you can't share your toys, then you can't have them. Give it to me, please" (Se você não consegue compartilhar seus brinquedos, então você não pode brincar com eles. Me dê ele aqui, por favor). Daí claro ela entrega o brinquedo para a irmã rapidinho, rs. Só que daí advinhe o que acontece? Isso mesmo, alguns minutinhos e a irmã que emprestou pede o brinquedo de volta (do jeitinho certo, com o "please") e daí o processo se repete, com a outra irmã tendo a oportunidade de aprender a ser generosa e a preferir o outro a si mesma (cedendo a sua vez, o seu brinquedo, etc.). No meu entender, isso é pastorear o coração da criança!

Outra grande dificuldade da Alícia no momento é aprender a lidar com o "não". Pasmem: a Alícia é do tipo de criança que se joga no chão, chuta e bate quando é contrariada! Ah, ela também faz desaforo e joga as coisas no chão quando está com raiva. Eu fico perplexa às vezes com o temperamento forte dela, mas daí meu marido vem e me lembra que com a Nicole foi a mesma coisa (pior que eu não lembro direito, de novo minha memória me iludindo com um falso "mar de rosas", rsrs!!). Quando ela faz essa cena de frustração, minha reação é ser firme. Normalmente eu a tiro de cena no mesmo instante para eu poder orientá-la no particular - mesmo em casa, para ela ser disciplinada com dignidade, sem a presença da irmã.

Uma mania que ela tem que me deixa maluca é tirar as meias e sapatos. Ela gosta de ficar descalça, inclusive na hora de dormir. Eu não consigo entender isso. Meus pés congelam nesse frio. Eu posso entrar no quarto delas para colocar as meias de volta nela, mas pode ter certeza: pela manhã ela estará sem meias de novo. E lembro que com a Nicole foi diferente, mas hoje graças a Deus ela não faz mais isso, rs.

Desfraldamento
Pra encerrar o post, preciso falar do desfraldamento. Depois que voltamos da viagem em abril, me empenhei em desfraldá-la pra valer (durante o dia). Ela estava progredindo bem, dentro do esperado (com muitas calças molhadas por dia). Um dia ficamos o dia todo fora (buscar os passaportes no shopping, ir ao sacolão, dentre outras paradas) e ela só deixou vazar xixi uma vez. Eu fiquei tão orgulhosa dela! Mas tem dias que parece que a criança regride (com a Nicole também foi assim, então eu sabia que fazia parte), mas eu estava ficando estressada com o fim do semestre da faculdade (normal também) e, sem ajuda doméstica, eu não estava conseguindo dar conta de tudo, principalmente de lavar a roupa com a frequência necessária... Então achei mais prudente levantar a bandeira branca e dar um tempo. Era coisa demais para eu administrar e desfraldamento é algo demanda atenção, paciência e TEMPO, coisa que eu não tinha.

Enfim, agora estou de férias ainda me recuperando do semestre difícil e ainda por cima planejando nossa viagem no mês que vem (vamos passar 1 ano no Canadá), por isso não estou muito animada ainda para voltar no propósito de desfraldá-la com força total. Vamos ter muitas mudanças daqui pra frente e a minha mente já está tão cheia de preocupações (como sempre - ai, Senhor, me ajude!), estou orando para o melhor momento... confesso que tem dias que acordo revigorada e disposta para encarar o desafio, mas daí ao primeiro acidente eu já me desanimo de novo, rs. Eu sei que a constância é importante e estou falhando muito nisso. Mas o meu consolo é que a Alícia está amadurecendo e às vezes ela me surpreende. Hoje mesmo coloquei-a pra tirar a soneca da tarde e, minutos depois, quando entrei no quarto a encontrei totalmente sem roupa e fralda (nesse frio!!) pedindo pra fazer xixi. Senti que a fralda estava quente porque ela já tinha feito, mas levei-a para o banheiro mesmo assim. Não é que ela terminou de fazer no vaso?

Não sei quando volto para fazer o próximo update. Acho que a partir de agora vai ser a cada 3 ou 4 meses. Tenho tantas coisas que gostaria de escrever e publicar aqui no blog, mas não consigo. :-(

Meu próximo desafio é fazer um resumo (com fotos) do nosso semestre de homeschooling, aguardem!!