Bem-vinda!!

Bem-vinda ao nosso blog!
Aqui, mamães muito diferentes mas com um único objetivo compartilham suas experiências nesta grande aventura que é a maternidade! Nós queremos, acima de tudo, ser mamães sábias, que edificam seus lares e vivem com toda plenitude o privilégio de sermos mães! Usamos muitos dos princípios ensinados pelo Nana Nenê - Gary Ezzo, assim como outros livros. Nosso objetivo é compartilhar o que aprendemos a fim de facilitar a vida das mamães! Fomos realmente abençoadas com livros (e cursos) e queremos passar isso para frente!


"Com sabedoria se constroi a casa, e com discernimento se consolida.
Pelo conhecimento os seus cômodos se enchem do que é precioso e agradável"
Prov. 24:4,5

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Ideias para o seu chá de bebê!

Olá! Meu nome é Sara Scarcelli e, a pedido da minha irmã, a Talita, estou aqui para escrever dicas de atividades para quem está pretendendo organizar um chá de bebê divertido e diferente!

Minha primeira experiência como organizadora de um chá de bebê foi pouco mais de dois anos atrás, quando a Talita estava grávida da Nicole. Até então, eu partia do pressuposto de que chás de bebê em geral eram bastante desorganizados e, por isso, quis inovar com uma proposta diferente para o chá de bebê da minha sobrinha. Afinal, até hoje não entendo qual é a graça de pintar, sujar e ridicularizar a mamãe, que provavelmente já deva estar tão cansada.

Imaginem só um chá de bebê onde todas possam participar de brincadeiras em equipe e torcer para que a sua seja a vencedora! Imaginem um chá onde nem você e nem a mamãe são penalizadas e sim PREMIADAS? Não sei você, mas eu me divirto muito quando recebo prêmios!! O prêmio é um incentivo e sempre uma forma gostosa de brincar e interagir.

Vou compartilhar, detalhadamente, como vocês podem organizar um chá de bebê cheio de atividades, brincadeiras e premiação. Espero que gostem! :)

Quero reforçar que as dicas que dou são fruto da minha imaginação, experiência e também de algumas pesquisas que fiz na internet; cada pessoa pode fazer como achar melhor, conforme o tipo de chá que deseja ter. Veja a seguir:

Atividades:

1. Texto “Profissão Mãe”:
É um texto de Marcelo Dias que homenageia todas as mamães em tempo integral que eu encontrei na internet. Se lido com a entonação certa, traz boas gargalhadas. Gosto de imprimir uma folha do texto para cada convidada que depois pode compartilhá-lo com outras pessoas.

2. Mensagem:
É um período durante o evento para alguém trazer uma mensagem bíblica para reflexão.

Sorteio para as brincadeiras:
I. Anote o nome de todas as convidadas presentes em uma folha de papel.
II. Recorte cada nome, dobre e ponha em uma caixinha para sorteio.

Brincadeiras:
1. Mamãe, que barrigão é este?
Materiais: barbante e tesoura.
Objetivo: Acertar o tamanho da barriga da mamãe com um barbante.
I. Sorteie três convidadas.
II. Dê o final do barbante para cada uma cortar a quantidade que achar que irá dar a volta toda na barriga da mamãe.
III. Meça a barriga com cada barbante e.se necessário, compare um barbante com o outro e depois declare a vencedora!
IV. Não se esqueça de premiar quem chegar mais perto do tamanho certo.

2. Comer bem para crescer!
Materiais: Três sabores de papinha de bebê sem o rótulo e três colheres pequenas.
Objetivo: Acertar os sabores de papinha de bebê.
I. Sorteie três convidadas.
II. A mamãe deve dar as três papinhas para cada sorteada experimentar e adivinhar os sabores.
III. Não se esqueça de premiar a que acertar os três sabores!

3. Eu mamo mais rápido que você!
Materiais: Três mamadeiras cheias de água, cada com um corante para diferenciar do outro.
Objetivo: Quem consegue mamar mais em um minuto.
I. Sorteie três convidadas.
II. Cada sorteada deve ficar de pé segurando sua mamadeira uma ao lado da outra. Todas devem mamar ao mesmo tempo.
III. Quando passar um minuto, mandem elas pararem e confira qual mamadeira está mais vazia!
IV. Não se esqueça de premiar a que mamou mais!

***OUTRA VERSÃO***
Objetivo: Em dois minutos, a dupla deve engatinhar até a mamadeira e voltar engatinhando para entregar à sua dupla que deverá mamar!
I. Sorteie seis convidadas.
II. Faça duplas e deixe elas escolherem quem vai engatinhar e quem vai mamar.
III. Deixe a mamadeira uma distância na frente da dupla. As três sorteadas devem engatinhar ao mesmo tempo.
IV. Quando passarem dois minutos, mandem elas pararem e confira qual mamadeira está mais vazia!
V. Não se esqueça de premiar a dupla que foi mais rápida!

4. Mímica!
Materiais: Preparar uma lista com cinco itens de bebê para a mamãe e cinco itens para o papai.
Objetivo: Mamãe e papai competem para, dentro do tempo de dois minutos, fazer a mimica de suas palavras. Ganha a convidada que adivinhar melhor.
I. Sorteie três convidadas para o grupo da mamãe.
II. A mamãe deve ter a lista em mãos e mimicar na ordem que preferir em apenas dois minutos.
III. A mímica é feita para as três sorteadas ao mesmo tempo e elas devem adivinhar o item.
IV. Não se esqueça de premiar a sorteada que acertou mais palavras!
V. Faça o mesmo para o grupo do papai: sorteie e dê dois minutos para a brincadeira.
VI. Não se esqueça de premiar a sorteada que acertou mais a mímica do papai!

5. Mamãe habilidosa!
Materiais: Um balde com no mínimo 14 pares de meias misturadas.
Objetivo: Combinar o maior número de pares de meias possíveis.
I. Sorteie três convidadas.
II. Cada sorteada tem um minuto para achar os pares certos de cada meia.
III. Quando passar um minuto, confira se os pares estão certos e faça a contagem.
IV. Não se esqueça de premiar a sorteada que acertou o maior número de pares de meia!

6. Jogo da memória!
Materiais: Uma caixa com o maior número de produtos e objetos de bebê possíveis. Três papéis rascunhos e três canetas.
Objetivo: Lembrar e anotar a maior quantidade de objetos e produtos de bebê.
I. Sorteie três convidadas.
II. Dê 45 segundos para elas observarem a caixa ao mesmo tempo.
III. Dê mais 45 segundos para elas anotarem em um rascunho o maior número de objetos e produtos de bebê.
IV. Confira se todos os objetos e produtos realmente estão na caixa.
V. Não se esqueça de premiar quem anotou mais objetos e produtos!

7. Quem sabe como fazer um bebê?
Materiais: Três cores de massinha e três papéis em branco para apoio.
Objetivo: Fazer o bebê mais bonito aos olhos da mamãe e do papai.
I. Sorteie três convidadas.
II. As sorteada tem 1 minuto para preparar um bebê de massinha ao mesmo tempo.
III. Apresente os “bebês” e peça à mamãe e ao papai que escolham o melhor bebê.
IV. Não se esqueça de premiar quem fez o bebê que mais agradou a mamãe e o papai.

8. Mamãe disse que a chupeta não pode cair no chão!
Materiais: Seis palitos de churrasco e duas chupetas.
Objetivo: Passar a chupeta pelo palito de churrasco sem cair no chão e, por fim, achar a mamãe para entregar a chupeta.
I. Sorteie seis convidadas.
II. Enquanto as sorteadas estão distraídas, a mamãe deve se esconder.
III. Divida as sorteadas em dois grupos de três.
IV. Peça para as seis colocarem um palito de churrasco na boca e ficarem em duas filas.
V. Coloque uma chupeta no palito da primeira da fila de cada grupo.
VI. Explique que cada uma deve passar a chupeta para a outra até chegar à última, que deve procurar a mamãe para entregar a chupeta. Elas não podem encostar com a mão no palito e nem deixarem a chupeta cair no chão.
VII. Não se esqueça de premiar o grupo que entregar a chupeta à mamãe primeiro.

Sugestão de prêmios:
1. Tupperwear rosa em formato de cookie.
2. Saboneteira com dois ou três alpinos dentro.
3. Esponja em formato de bichinho fofo.
4. Conjunto de saleiro e palito de dente. Ou apenas premie com:
5. Saquinhos de plástico com chocolates e balas.
Prêmio de participação:
6. Uma unidade de bis para cada sorteada que brincou mas não ganhou.

Resumo de materiais:
* barbante e tesoura;
* três sabores de papinha de bebê sem o rótulo e três colheres pequenas;
* três mamadeiras cheias de água, cada com um corante para diferenciação;
* uma lista com cinco itens de bebê para a mamãe e outra para o papai;
* um balde com no mínimo 14 pares de meias misturados;
* uma caixa com o maior número de produtos e objetos de bebê possíveis, três papéis rascunhos e três canetas;
* três cores de massinha e três papéis em branco para apoio;
* seis palitos de churrasco e duas chupetas.

Contagem Final: Em um chá de bebê de acordo com as brincadeiras acima, podemos dizer que:
* 30 convidadas irão brincar;
* sendo que 19 ganharão bis por participação (equivalente à uma caixa de bis);
* e 11 ganharão prêmios por vencerem a brincadeira.

Compartilhem comigo se colocarem alguma brincadeira acima em prática! Vou ficar muito feliz em saber qual foi o resultado das brincadeiras no seu chá de bebê.

Um abraço!

sábado, 20 de agosto de 2011

2 meses de Alícia!


Ontem a Alícia completou 2 meses e sinto-me contente por poder colher cada vez mais o doce fruto de implementar a rotina desde o 1º. dia em que chegamos da maternidade. Não tem quem olhe para a minha bebê e não diga: "Puxa, como você é sortuda, ela é bem tranquila, dorme tanto". Eu aceno com a cabeça que sim, mas é claro que sei que não tem nada a ver com sorte. Foi informação posta em prática, rs! Tem a bênção de Deus também, claro, mas creio que Ele só pode abençoar o trabalho de nossas mãos quando as nossas mãos fazem alguma coisa. Ou seja, precisamos fazer algo (a nossa parte), senão Ele não tem o que abençoar! Neste caso, Deus nos abençoou com informação e também com graça para nos ajudar a colocá-la em prática, principalmente nos dias mais complicados em que estamos confusos e nos sentimos inseguros.

Aliás, dias assim não são poucos. São muitos. O começo é sempre bem difícil. Mesmo esta sendo a minha segunda experiência, confesso que há dias em que ficamos completamente perdidos e nos perguntando o que "deu errado"! Não sei porque isso acontece, mas percebo que a minha mente está sempre atrás de "respostas prontas" que façam tudo ficar perfeito. Tudo tem de ter um porquê, uma explicação, queremos que alguém nos dê uma fórmula simples e rápida para resolver os nossos problemas. E o exemplo clássico é quando o bebê está chorando! Nenhum pai ou mãe quer ouvir o filho chorar. Nos sentimos impotentes diante do choro deles, principalmente quando, ao nosso ver, fizemos tudo o que achamos que poderia ser feito. Ficamos desesperados por uma resposta, queremos conversar com outras pessoas para saber se já passaram por isso. E é natural, e eu diria até saudável, que em momentos assim tenhamos dúvida e reflitamos sobre as estratégias que estamos usando, analisando se vale a pena mantê-las.

Mas como disse no começo deste post, os frutos estão vindo! E como é bom saboreá-los. Depois de praticamente 10 noites seguidas mal-dormidas (tendo de amamentá-la de madrugada porque algo "deu errado" durante o dia), esta última noite foi esplêndia! Vou contar como foi:

O dia todo já tinha sido bem tranquilo, ela até dormiu sem precisar da chupeta em duas sonecas, o que por si só já me surpreendeu porque eu tinha chegado a pensar que tinha falhado permitindo que a Alícia ficasse dependente da chupeta para dormir. Dei a última mamada do dia, às 18:00, e por volta das 19:30, depois de trocar a fralda e deixá-la um pouco acordada, ela foi para o berço. Às 22:30 dei a mamada dos sonhos (com ela dormindo), troquei novamente a fralda e coloquei-a de volta no berço logo em seguida. E assim ela dormiu direto, no mesmo quarto em que a Nicole! Realmente uma vitória ver as duas dormindo profundamente em suas camas. Às 4:50 da manhã ela acordou resmungando. O Douglas foi buscá-la, eram gases. Meu peito já estava bem duro e cheio de leite (na verdade o leite tinha até vazado e eu estava toda molhada!). Quase cedi à tentação de esvaziá-los amamentando-a àquela hora da madrugada como vinha fazendo, mas depois analisei que não quebraria esse hábito sem um pouco de sacrifício. A Alícia não precisava mais daquela mamada e o meu corpo aos poucos iria entender que não precisava produzir leite naquele horário. Então meu marido a colocou no moisés, a trouxe para o nosso quarto (pois não queríamos arriscar acordar a Nicole antes da hora) e deu a chupeta para ajudá-la a entender que ainda era hora de dormir. Deu certo, ela dormiu por mais uma hora! Só então, às 6:00 da manhã, é que acordei-a para a primeira mamada do dia!

Se você é mamãe de primeira viagem ou pela primeira vez está tentando implementar os princípios do Nana Nenê com o seu recém-nascido, quero encorajá-la a perseverar. Os custos valem a pena e é normal sentir-se bem insegura durante o processo. Eu sei que você quer o melhor para o seu filho e para a sua família, por isso não abra mão deste objetivo! Espero que ao ler nosso blog você se sinta fortalecida e compreendida, sabendo que outras já passaram pelo que você está passando. Os princípios que ensinamos são diretrizes, não regras. Use-os a seu favor, não contra você. Eles foram feitos para você e não você para eles, entende a diferença?

Digo isso porque com a minha primeira filha tive momentos de muita tensão emocional. Eu queria seguir tudo à risca e ficava péssima quando as coisas não saíam do jeito que eu tinha idealizado. A Nicole começou a dormir a noite toda exatamente quando completou 8 semanas e depois nunca mais voltou atrás (exceto em dias de doença). Eu era muito rigorosa com a rotina e foi assim "de repente" que os meus esforços produziram o resultado almejado. Já com a Alícia está sendo diferente, ela é um bebê maior e desde o 11º. dia de vida já mostrou ser capaz de dormir de 6 a 8 horas seguidas à noite, porém nunca com constância (eram alguns dias sim e muitos dias não). Pelas novas circunstâncias da minha vida hoje (e também novo entendimento, maturidade, etc.), tenho me permitido maior flexibilidade durante o dia. Estava até comentando isso com o meu marido um dia desses: salvo raríssimas exceções, não ficávamos fora de casa à noite nos primeiros meses de vida da Nicole. Com a Alícia está sendo bem diferente neste ponto, já tivemos de sair algumas vezes à noite. Ainda evito, é claro, mas aceito em alguns casos como exceção à regra e tudo fica bem. Ou seja, de modo geral, a rotina não é tão exata como antes, mas os princípios básicos (e realmente essenciais) eu domino e sigo sempre!

Ok, agora vamos à uma rápida atualização dos principais pontos da rotina:

Amamentação
A Alícia continua mamando rapidinho, em 5 a 10 minutos, apenas um peito por vez. Ela continua golfando bastante, mas o pediatra não ficou preocupado, apenas disse que ela mama demais. Às vezes ainda tento tirá-la do peito na metade da mamada para arrotar antes, mas nem sempre funciona. Ela mama 6 a 7 vezes por dia e está ganhando peso; a fralda P quase não serve mais. Os seis horários fixos das mamadas são: 6:00, 9:00, 12:00, 15:00, 18:00 e 22:30. Às vezes faço o "cluster feeding" (diminuir o intervalo para acrescentar uma 7a mamada no fim do dia), às vezes não. Tudo depende de como foi o dia e se ela parece com mais fome do que o normal.

Atividade
Esta semana a Alícia começou a sorrir mais, está uma graça! O tempo de atividade continua bem curto, não chega a uma hora. Isso inclui o tempo mamando, trocando a fralda e "brincando". Eu pretendo começar a usar o cercadinho em breve, mas por enquanto a atividade limita-se a ela interagir com alguém da família ou então ficar olhando para algum bichinho ou estampa colorida (por exemplo, no tapetinho).

Sono
Como o tempo acordado dura no máximo uma hora, as sonecas são de duas horas pra mais. Ela tira 4 sonecas por dia, sendo que a última normalmente é mais curta. Ainda uso a chupeta para ajudá-la a dormir e, se necessário, também deixo chorar (CIO = cry it out). Como compartilhei acima, tivemos alguns dias e noites bem difíceis em que ela chorou por horas e nada a acalmava, só o colo mesmo. Ela ficava no colo até adormecer (e mesmo assim resmungando de dor), mas bastava a colocarmos no moisés ou no berço e ela voltava a chorar. Continuo dando antigases, eu tinha diminuído para 2x ao dia, mas depois desses episódios voltei a dar 3x ao dia. A chupeta também pode ser uma boa aliada nessas horas em que o bebê sente dor.

Por hoje é só, um abraço e até mais!

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

A chegada do segundo bebê!

Uma pergunta frequente que as pessoas me fazem ultimamente é como a Nicole (hoje com 1 ano e 11 meses) tem reagido frente à chegada de uma nova bebê em casa (Alícia, de 1 mês e meio). Por isso decidi escrever este post para compartilhar como tem sido a nossa experiência!

O assunto de quando ter outro filho é bem controverso, por uma série de motivos! Alguns acham prudente esperar o primeiro filho completar 4 ou 5 anos de idade antes de engravidar novamente. Eu acho muito tempo! Outros concordam que não é necessário esperar tantos anos mas não têm coragem de ter o segundo filho até que o primogênito tenha completado 2 anos de idade. Há posições diversas, inclusive de especialistas, e cada uma com seus prós e contras - tanto do ponto de vista do desenvolvimento da criança como da recuperação do corpo da mulher. Indo na contramão da sociedade, eu optei por um intervalo de idade inferior a 2 anos essencialmente por dois motivos:

COMPANHEIRISMO E UNIDADE DA FAMÍLIA - Penso que a proximidade da idade entre minhas filhas facilitará para que as elas sejam companheiras. Facilitará as brincadeiras e os passeios em família, por exemplo, pois estarão vivendo "mais ou menos" as mesmas fases da infância e, assim, meu marido e eu poderemos curtir melhor esses momentos em família! Também pesei a questão do caráter e das valiosas lições que ter um irmão/amigo traz para os filhos (se devidamente orientadas e incentivadas pelos pais, é claro), dentre elas: aprender a compartilhar e vencer o egoísmo, além de trabalhar a paciência, o amor, o perdão, etc.

ORGANIZAÇÃO DO TEMPO E VIDA PROFISSIONAL - Ter duas crianças pequenas em casa exige muita dedicação e sacrifício da parte dos pais. Para a mãe, um deles é deixar a vida profissional um pouco de lado ou temporariamente abrir mão de certos objetivos acadêmicos, por exemplo, para poder investir tempo de qualidade nos filhos. Quero uma família grande, por isso pesei os prós e contras e preferi fazer todo o trabalho difícil agora, de uma só vez, sabendo que daqui alguns anos poderei colher os frutos desta escolha. À medida que elas crescerem e ficarem mais independentes, sei que aos poucos terei mais tempo para alcançar outras metas pessoais.

Cada um tem um jeito de agir e de pensar sobre este assunto. No meu caso, eu sei que penso demais e por isso optei por engravidar logo e não correr o risco de perder a coragem à medida que a Nicole crescesse e ficasse cada vez menos dependente de mim. Imaginar que teria de começar do zero novamente poderia me fazer desistir ou procrastinar! Uma amiga que faz Psicologia me contou uma vez que problemas relacionados com ciúmes entre irmãos é significativamente menor quando o bebê nasce antes do mais velho completar seu segundo aniversário. Por todos esses motivos, parei de amamentar a Nicole aos 9 meses e comecei a tentar o segundo filho quando ela completou um aninho! Na verdade, eu queria ter engravidado antes para que a diferença fosse de 18 meses, mas como tinha tratamento dentário pra fazer (arrancar os quatro dentes de ciso), precisei aguardar alguns meses por causa da medicação.

A gestação foi difícil - aliás, MUITO difícil. A Nicole já andava e estava no início daquela fase intensamente exploradora e eu a todo momento sentindo enjôo. Não vou me deter novamente em todos os sintomas ruins que tive. Basta dizer que até hoje suspiro aliviada ao acordar e saber que não preciso correr pra comer alguma coisa se não quiser vomitar! Bem, eu vivia cansada e era complicado aguentar o pique da Nicole para conseguir colocar os limites, discipliná-la, etc. Minha paciência também estava curta, eu me sentia constantemente "no limite". Apesar disso, eu tomei certas providências para prepará-la para a chegada da irmã fazendo algumas transições que achei necessárias, dentre elas: trocar a mamadeira pelo copo, trocar o berço pela cama, parar de usar fraldas, pelo menos durante o dia, e a mais importante de todas as transições: adaptá-la ao novo ambiente e rotina da escolinha.

As duas primeiras transições foram bem tranquilas. A terceira foi um pouco mais complicada porque envolvia um esforço físico adicional da minha parte: tinha de agachar muitas vezes para sentar no banquinho quando a levava para sentar no vaso. Emocionalmente também era desgastante, pois o treinamento para uso do vaso sanitário foi (e continua sendo) longo! E, por fim, a quarta transição também teve suas complicações, principalmente no início. Algum dia escrevo mais detalhadamente sobre cada uma delas (procure no marcador "transições" à direita da página).

Outra providência foi tentar acostumá-la com a ideia de ter um novo membro à família. Por ser muito novinha e ainda estar desenvolvendo a linguagem, não sei até que ponto ela realmente entendeu, acho mesmo que sua compreensão foi se desenvolvendo aos poucos. Apesar disso, nós repetíamos com frequência que a Alícia estava na minha barriga e logo ela aprendeu a beijá-la, a fazer carinho, a princípio sempre estimulada por mim e meu marido até que por fim começou a fazê-lo espontaneamente. Perguntávamos a ela onde estava a Alícia e na grande maioria das vezes ela sabia apontar para a minha barriga - algumas vezes ela se confundia e apontava para a dela ou a do pai também! Quando a Alícia finalmente nasceu foi tudo muito tranquilo. Engraçado que no hospital, por ter ficado longe tanto tempo, ela inicialmente ME estranhou. Era como se ela não tivesse me reconhecido, ficou confusa! Por essa eu não esperava, rsrs! Mas levei numa boa.

Daí pra frente foi só acostumá-la com a ideia de que a Alícia não estava mais na barriga, rsrs! Ela é esperta e aprendeu rápido, logo começou a dar beijos e abraços na irmãzinha espontaneamente também! Toda vez que a Alícia chorava, ela perguntava "Foi, Lissa"? A resposta variava entre uma explicação de que a bebê estava com fome e a mamãe iria dar leite para ela ou de que a neném estava com "dodoi" na barriga porque estava tentando fazer cocô. Não demorou muito tempo para o comportamento dela se adaptar a essas explicações. Vejam que interessante:

A primeira reação da Nicole foi choramingar e repetir "Dodoi biga! Dodoi biga!" quando não queria obedecer, por exemplo, na hora de comer ou de dormir. No começo eu não entendi! Eu realmente pensei que ela estivesse com alguma dorzinha na barriga. Foram alguns dias até eu "me ligar" que se tratava de um novo padrão de comportamento. O que acontece é o seguinte: Temos ensinado nossa filha que manha não é um comportamento aceitável. A ensinamos que ela não vai conseguir nada com manipulação e choro. Desde bebê a temos ajudado a lidar com as emoções e se comunicar de modo aceitável -no início através da linguagem de sinais (sinalizando "por favor" e "não, obrigada", por exemplo) e depois que começou a falar através da linguagem apropriada. Ou seja, a ensinamos a FALAR em vez de pedir as coisas chorando. Aplicamos as consequências naturais se ela faz manha ou a disciplinamos se ela desobedece. Então para a Nicole a lógica estava sendo mais ou menos esta: A Alícia chora porque doi a barriga e mamãe e papai atendem prontamente o pedido dela, então se a minha barriga doer eu também posso chorar porque em vez de brigar, vão me pegar no colo e dar beijinhos pra sarar. Gente, não sei vocês mas eu me surpreendo a cada dia com a capacidade de manipulação de criancinhas, até as mais novas! Bobos somos nós quando as subestimamos!

A segunda reação da Nicole foi oferecer a solução ao ouvir a bebê chorar. Aliás, esta é uma característica bem marcante dela: querer dar ordens e controlar o que acontece ao seu redor. Não sei quem ela puxou! Então o que ela geralmente faz em primeiro lugar é me avisar: "Lissa crying, mamãe". E em seguida me diz qual é o problema e o que nós devemos fazer para ela parar de chorar. Por exemplo, para trocar a fralda ela diz: "Poo poo Lissa" (ou então "Dodoi biga Lissa"). E para amamentá-la ela fala: "Milk Lissa, mamãe" (e aponta para o meu seio). Se a bebê e a chupeta estiverem ao seu alcance, ela não hesita em entuchá-la na boca da irmãzinha!

Por falar em chupeta e amamentação, aqui vale um comentário. A Nicole teve curiosidade de colocar a chupeta da Alícia na boca algumas vezes no início. Eu insisti que ela era um "big baby" e falei que ela não devia colocar a chupeta da Alícia na boca. Ela chegou a testar o limite três ou quatro vezes (colocando-a ou ameaçando colocá-la na boca), mas acabou cedendo e depois nunca mais demonstrou interesse - pelo menos até agora. Quanto a voltar a mamar no peito, eu lembro que um dia desconfiei de que ela estivesse curiosa e com vontade de imitar a Alícia mamando (embora não tivesse pedido), então preparei o copo dela e "fiz festa" dizendo que as duas iriam tomar o leitinho ao mesmo tempo. Funcionou e ela nunca mais pareceu interessada.

Para concluir, gostaria de dizer que em grande parte o ciúmes é provocado ou agravado pela família e pessoas ao redor. Antes mesmo do nascimento da Alícia, ouvimos muitos adultos dizerem à Nicole: "Vai perder o colinho da mamãe, hein?". As pessoas falam sem pensar! E cada absurdo. É claro que meu marido e eu sempre rebatíamos o comentário sem noção com algo do tipo (como se fosse a Nicole respondendo): "Eu não vou perder colinho nenhum não, eu vou GANHAR uma irmãzinha!!". Outro exemplo é agir como se o bebê fosse de cristal, não deixando o filho mais velho acariciá-lo ou mesmo chegar perto dele. Isso provoca raiva na criança pois ela é constantemente repreendida quando tenta se aproximar para "ajudar" (do jeito dela) ou demonstrar carinho, ela se sente excluída. Por mais bruscos que sejam os movimentos da Nicole (suas tentativas de fazer carinho no rosto da irmã), eu me seguro e não demonstro nenhuma recriminação. Pelo contrário, a incentivo a participar, inclusive, deixo-a segurar a irmã (tomando todos os cuidados necessários, é claro!) de vez em quando. Ela ama!

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

40 dias de Alícia!


Durante o mês de julho, meu marido ficou em casa quase todas as manhãs para me ajudar a olhar a Nicole enquanto eu cuidava da Alícia e também tentava tirar uma ou duas horinhas para trabalhar (sim, em plena licença-maternidade, rs!), mas agora que as férias da Nicole acabaram, estamos entrando em uma nova rotina! Por isso estou aproveitando esse primeiro dia de nova rotina para contar um pouco sobre como foram os primeiros 40 dias de vida da Alícia.

Bem, estou muito contente com o desenvolvimento até aqui. Com isso não quero dizer que tem sido fácil, pois ter um bebê é sempre difícil e desafiador! Apenas que como é minha segunda experiência, eu estou mais tranquila com relação ao que fazer e ao que esperar de um recém-nascido. Foi muito tenso da primeira vez, pois lá no fundinho eu carregava o receio de estar fazendo algo "errado" e de me arrepender lá na frente. Como li muito e me preparei o máximo que pude antes da Nicole nascer, eu tinha na cabeça um monte de "regras" do que poderia / deveria ou não fazer (quanto à rotina do bebê). O medo era de errar feio e estragar tudo! É, mamães de primeira viagem realmente são exageradas em seus temores, rs!

Mas estamos aqui - todos felizes, sãos e salvos - e me sinto mais confiante com relação à rotina da Alícia. Abaixo descrevo um pouco sobre cada parte da rotina que estou implementando conforme ensina a Encantadora de Bebês (E.A.S.Y.).

Eat (Comer)
A primeira parte da rotina nesta fase é a amamentação. A Alícia mama muito bem. No hospital não fomos tão bem assim. Era alojamento conjunto (o bebê fica no quarto a maior parte do tempo), mas por uma série de fatores - dentre eles as visitas, o meu cansaço e a própria rotina da maternidade que não deu muito apoio com relação a isso - me impediu de amamentá-la a cada 3 horas como deveria ter feito. Pra ser sincera, eu acho que nos dois primeiros dias ela mamou apenas umas 3 ou 4 vezes por dia, o que é bem pouco considerando que um recém-nascido deve mamar no mínimo 7 ou 8! O resultado foi que ela perdeu mais peso do que deveria e, por causa da icterícia, tivemos de ficar um dia a mais na maternidade para ela fazer fototerapia.

Comecei a implementar o E.A.S.Y a partir do 3º. dia de vida. Os primeiros 4 a 5 dias de amamentar a cada 3 horas 24h por dia pra mim são os piores. Doi muito. Mesmo passando a pomada Lansinoh antes e depois das mamadas. A explicação para isso (segundo o Nana Nenê) é que durante esses primeiros dias de vida o bebê mama um líquido grosso, amarelado, rico em anticorpos e com 5x mais proteína do que o leite maduro. Chama-se colostro. Ele tem menos gordura e açúcar do que o leite mas, por ser grosso, exige maior tempo de digestão e deixa os seios doloridos. O bico dos meus seios não chegam a sangrar, porém aparecem bolhas brancas e ficam bem sensíveis ao toque (no banho ardem com a água batendo contra eles). A boa notícia é que isso passa! Antes da Alícia completar uma semana de vida, o meu leite já havia descido e amamentar deixou de doer!

A Alícia suga forte e na maior parte das vezes faz uma refeição completa em menos de 10 minutos. Eu sei que a maioria dos livros diz que o tempo de amamentação, principalmente no primeiro mês, chega a 30 minutos por vez, mas parece que as minhas filhas não precisam de todo esse tempo para mamar. Além disso, sigo a orientação da Encantadora de Bebês e dou apenas um lado por vez. Raras vezes precisei dar o outro lado também. Aprendi com o Nana Nenê que a sucção não-nutritiva não é recomendável e, por não querer virar uma "chupeta humana", tiro-a do peito para arrotar minutos após eu parar de ouvi-la engolir depois de 5 ou 6 sugadas.

Ela também golfa muito. O leite chega a esguichar, às vezes enquanto ela ainda está no peito (talvez porque ela mama rápido demais?) ou quando a coloco sobre o meu ombro para arrotar. A Nicole não golfava tanto leite ou com tanta frequência. Quando golfava normalmente era porque eu havia sem querer apertado a barriguinha dela na hora de trocar a fralda. Com a Alícia já tomei as devidas precauções como inclinar o berço e também não deixá-la em posição totalmente horizontal após as mamadas. Nem sempre funciona. Na verdade eu desconfio de que a posição inclinada não seja tão favorável pois faz a fralda apertar a barriga (principalmente se ambas estiverem cheias). Então tenho invertido a ordem, procuro trocar a fralda antes de mamar e também faço questão de não apertá-la muito na hora de colar o adesivo. Outra ideia que o meu marido teve é de interromper a mamada para fazê-la arrotar antes de prosseguir. Não consegui fazer isto muito bem ainda porque nunca fui muito boa para ajudar o bebê a arrotar (é difícil!).

Por que eu sei que 10 minutos de um seio só está sendo suficiente para alimentá-la? Por uma série de motivos. Primeiro porque li no Nana Nenê que, com a lactação já estabelecida e desde que o bebê sugue com força, é possível esvaziar os seios da mãe num tempo de 7-10 min. Outro motivo é que ela aguenta até a próxima mamada (os intervalos entre uma mamada e outra são de 2,5 a 3 horas). Também sei que ela está mamando o suficiente porque monitoro as fraldas, troco-a 7 a 8 vezes por dia. A lógica é esta: se as fraldas estão frequentemente molhadas e/ou encharcadas é porque a ingestão de líquidos está adequada. Por fim, o indicador mais importante: ela está ganhando peso! Pra falar a verdade, não sei ainda quanto ela ganhou pois a visita ao pediatra está agendada somente para a semana que vem, porém é notável que ela cresceu e engordou bastante!

Aliás, este é um fator interessante e quero aproveitar para fazer uma última observação. A Nicole eu também amamentei a cada 3 h desde o início, mas estabelecer horários fixos de amamentação eu só fui aprender a fazer um tempo depois, acho que no 2º. mês de vida. No início, se em vez de amamentar às 13:00 eu só conseguisse acordá-la e começar a mamada às 13:25, eu acabava considerando o horário de acordá-la novamente para a próxima mamada às 16:25 e não 16:00 como deveria. O problema é que muito provavelmente eu também teria dificuldade de acordá-la e outros 20-30 min se passariam. Assim, a mamada das 16:00 acabava acontecendo às 16:50, ou seja, quase uma hora depois. O atraso de uma mamada se refletia no horário da próxima (efeito dominó) e, por isso, além da rotina não ficar muito previsível, não era sempre possível garantir as 7-8 mamadas do dia (pois o dia só tem 24 horas!). Desta vez eu estabeleci horários fixos desde o início (6:00, 9:00, 12:00, 15:00, 17:00, 20:00, 23:00 e de madrugada quando/se ela acorda), incluindo o cluster feeding, que significa amamentar com intervalo menor entre 2 mamadas no final da tarde para, como diz a Encantadora, "encher o tanque" (a barriguinha do bebê) para ajudá-lo a dormir mais horas seguidas à noite. O Nana Nenê também explica que no fim do dia é normal o suprimento de leite materno ser menor e, por isso, também aconselha diminuir o intervalo entre as mamadas nessa hora do dia. Uma nota com relação à rotina: Depois de 5 semanas mais ou menos de cluster feeding adaptei os horários para conseguir fazer o dream feed (mamada dos sonhos) mais cedo. Não estava gostando de dar a última mamada do dia tão tarde, às 20:00; ela não dormia direito e acabava acordando novamente para a mamada dos sonhos (em vez de mamar dormindo como deveria). Então a rotina hoje está mais ou menos assim: 6:00, 9:00, 12:00, 14:00, 17:00, 19:00, 22:30 e de madrugada.

Activity (Atividade)
A segunda parte da rotina dela é ficar acordada. Para bebês recém-nascidos isso é um verdadeiro desafio. Aliás, tive MUITA dificuldade de acordar a Alícia para as mamadas durante as primeiras semanas de vida. Levantava-a, fazia cócega na orelha, abria o macacão para resfriar um pouco o corpo (pois o calor dá sono) e mesmo assim não funcionava toda vez. Eu chegava a ficar 20-30 min só tentando acordá-la. Às vezes eu queria simplesmente desistir e deixá-la dormir. Mas enfim o esforço valeu a pena pois aos poucos o corpo dela foi se ajustando e hoje em dia é comum ela acordar sozinha perto do horário de mamar. Isto é muito importante e fruto da AOP (alimentação orientada pelos pais) que o Nana Nenê ensina, pois faz parte do processo de "treinar" o metabolismo do bebê para mamar e ficar acordado nas horas certas (de dia!) até ele ser capaz de dormir a noite toda.

Nesta fase a Alícia ainda não consegue ficar acordada por mais de 40-50 minutos, o que inclui o tempo gasto mamando e a troca de fralda/roupa (ou o banho, 1x por dia). Também tomo o cuidado de não ficar com ela no colo durante todo o período acordada. Tanto o Nana Nenê quanto a Encantadora promovem o lema "Comece como quer terminar" (Start as you mean to go).

Sleep (Dormir)
A última parte da rotina nesta fase é dormir. O objetivo é que o bebê aprenda a dormir sozinho e no seu próprio berço e, para isso, às vezes é necessário deixá-lo chorar um pouco. Até o momento não tenho tido grandes dificuldades. Eu uso a chupeta e/ou a seguro (sem balançar) por alguns instantes, mas quando vejo que ela está calminha o suficiente coloco-a no berço ou no moisés para tirar a soneca. Normalmente ela já deu algumas bocejadas e os olhos delas estão fitos em alguma direção. Pra mim são os dois sinais mais claros de que ela já está pronta para embarcar no sono.

Nos dias em que ela está agitada e com dificuldade para dormir (ou quando temo que seu choro irá acordar a Nicole), deixo-a com a chupeta um tempo maior e ela acaba dormindo. No fim das contas ela sempre cospe a chupeta depois que adormece, mas quando dá entro no quarto antes disso acontecer e eu mesmo tiro-a da boca dela (ela resiste sugando-a com mais força!). Estou fazendo isso porque com a Nicole foi um problema; na ânsia por não ouvi-la chorar acabamos tornando-a dependente da chupeta. Tivemos dias e noites difíceis no começo porque toda vez que a chupeta caía da boca ela abria o berreiro!! Era muito estressante entrar no quarto várias vezes (inclusive durante a noite) para repô-la. Não queremos reviver esses episódios, então estou sendo bem mais cautelosa com a chupeta desta vez.

Além do soluço que a Alícia tem em praticamente todas as mamadas (e não sei como fazer para evitar!), ela também tem muitos gases e isso algumas vezes interrompe o seu sono. Como a Nicole fazia, ela se contorce de dor e chora. A diferença é que, além de massagear a barriguinha fazendo pressão com as perninhas dela dobradas, estou dando antigases (simeticona) a cada 8 horas conforme prescrito pelo pediatra. Não sei porque eu não fiz o mesmo com a Nicole! Quer dizer, até sei, eu quis evitar dar medicamento e tentei resolver o problema de outra forma (com massagem, bolsa de água quente e funchicórea), mas desta vez pesquisei melhor sobre a ação do antigases e resolvi dar. Estou vendo resultado, ele realmente a ajuda a eliminar os gases e ela sofre menos. Também verifiquei que a ação dele é cumulativa, então os resultados são melhores se ele é dado com consistência (e não somente quando ela tem dor).

Tivemos alguns dias, entre 18:00 e 22:00, em que a Alícia ficou bem nervosa e chorou além do normal. Num dos dias sabíamos que ela chorava de dor (gases), mas nos outros não sabíamos o que ela tinha. Ela simplesmente esperneava e chorava, por muito tempo! A ponto de pular a soneca. É o que alguns chamam em inglês de witching hour. Não se sabe bem o motivo mas pelo que li é comum bebês chorarem mais no fim do dia. Tivemos umas três ou quatro crises dessa até agora (no mesmo horário) e eu tenho entendido que não é o momento de deixar chorar (CIO = cry it out). Quando a Nicole era pequena eu não era muito flexível com relação a isso, não tive sabedoria para discernir as diferenças. Se não fosse fome, frio, calor, fralda suja ou outro motivo aparente, eu deixava chorar crendo que isso a ajudaria a dormir por conta própria (o grande objetivo). Claro que me partia o coração ouvi-la chorar tanto e por tanto tempo; eu entrava a cada 15 ou 20 min no quarto para tentar acalmá-la e repetir o processo de colocá-la pra dormir na esperança de que ela aprendesse logo. Deu certo, mas foi sofrido e sei que não é qualquer um que aguenta a pressão.

Com relação à tolerância ao choro, percebo que algo mudou em mim. Estou definitivamente mais tranquila. O choro da Nicole me apavorava e eu não conseguia raciocionar direito se ela estivesse chorando. Trinta segundos de choro me pareciam vários minutos!! E às vezes nem choro era, era só um resmungo mesmo, mas acho que os meus ouvidos ampliavam o som. Claro que outras vezes eram choro sim, e bem estridente também! Um dos motivos da mudança, sem dúvidas, é porque já passei por isso uma vez antes e, portanto, estou melhor preparada. Mas outro motivo igualmente relevante é que agora eu tenho de dividir a minha atenção. Não tenho só um bebê recém-nascido em casa, tenho mais uma filha de quase dois anos e que também precisa de mim. Quantas vezes precisei deixar a Alícia chorando por um ou dois minutos porque estava fazendo alguma coisa para/com a Nicole (exemplo, levando-a ao banheiro, dando banho, comida ou escovando os seus dentes)? Há situações em que simplesmente não dá para largar tudo e ir ver o bebê! Não sou duas! E isso é bom, tanto para mim quanto para elas. Quando finalmente consigo chegar até a Alícia para ver o que está acontecendo ela normalmente já "se resolveu" e não está mais chorando. Eu desconfiava mesmo de que em parte a "culpa" pelo fato das crianças serem exigentes fossem das mães que atendem a todos os choros prontamente!

Desta vez estou sendo mais flexível. Como sei que a Alícia já consegue dormir sozinha (porque ela o faz em praticamente todas as sonecas do dia), tenho me dado ao luxo de segurá-la e deixá-la dormir no meu colo nesses períodos tensos de fim dia. Na verdade quem tem feito isso é o meu marido já que nesta hora do dia ele já chegou do trabalho. A Valerie Plowman, do blog Chronicles of a Babywise Mom, estabelece uma hierarquia quanto às prioridades que dizem respeito ao sono do bebê: 1) dormir na hora certa (conforme a rotina), 2) dormir no local certo (no berço), 3) dormir da forma certa (sozinho). Por isso, antes de mais nada, é preciso que a Alícia durma na hora certa, ainda que isso signifique que ela vai dormir no colo. Sei que fazê-lo algumas vezes em situações atípicas como essas não é suficiente para pôr tudo a perder e faz parte da flexibilidade que tanto o Nana Nenê como a Encantadora enfatizam mas que, por algum motivo, mães de primeira viagem como eu não entendem. Isto está muito claro para mim hoje.

Uma surpresa agradável que tive neste primeiro mês da Alícia foram as noites alongadas. O Nana Nenê ensina a não acordar o bebê pra mamar durante a madrugada, mas deixá-lo acordar sozinho pois entre o 10º. dia e a 8a semana de vida ele já seria capaz de dormir a noite toda. A minha teoria é de que isso depende em grande parte do peso do bebê. Quanto menor o bebê mais difícil é porque seu estômago ainda não comporta uma quantidade suficiente de leite para ele ficar tantas horas sem mamar. À noite a Nicole acordava pra mamar após aprox. 5 horas de sono e batalhei bastante para ela finalmente conseguir dormir a noite inteira (de 7 pra 8 horas), o que só foi acontecer com 8 para 9 semanas de vida, ou seja, bem no limite do prazo que o livro havia dado. Já os resultados com a Alícia vieram bem mais rápido: com 11 e 12 dias ela dormiu de 6 a 7 horas seguidas pela primeira vez!! Tomei um susto quando acordei de manhã. Depois com 17 e 18 dias de novo. Que delícia pra mim! Com 24 e 25 dias de vida nova surpresa: foram 7 a 8 horas de sono ininterrupto dessa vez! E ela não tinha completado nem um mês de vida ainda.

Dormir a noite inteira não é uma constante ainda e nunca aconteceu por mais de quatro noites consecutivas. Aconteceu de novo com 33 dias (6 horas), com 38 dias (8,5 horas), com 39 dias (6,5 horas), com 40 dias (6 horas) e com 41 dias (7,5 horas). Mas as demais noites foram somente 5 horas ou menos de sono ininterrupto. Tenho percebido que o "sucesso" à noite varia de acordo com a qualidade das mamadas do dia e também da implementação da rotina. Se, durante o dia, eu consigo fazer todos os ciclos de "comer/ficar acordada/tirar soneca" direitinho e, assim, ela fica acordada o tempo adequado e ingere o suficiente de calorias, os resultados à noite são melhores. Mas com filha pequena e de férias em casa nem sempre é possível seguir a rotina perfeita, por isso fomos bem flexíveis neste primeiro mês.

You (Você)
No livro da Encantadora de Bebês, a Tracy Hogg enfatiza que a mãe separe períodos do dia para cuidar de si e o horário ideal é enquanto o bebê está dormindo. Por isso é tão importante que as sonecas sejam longas, de 1h30 a 2 horas por ciclo. No Nana Nenê e Educação de Filhos à Maneira de Deus, os Ezzos também falam da importância de investir no relacionamento que é a base da família: o relacionamento marido-mulher. Eles dizem que "bons cônjuges produzem bons pais" e eu concordo plenamente! Com dois filhos o desafio de manter o casamento saudável é ainda maior, por isso meu marido e eu já separamos algumas datas de nossas agendas, 1x por mês até o final do ano, para termos o nosso tempo sem as meninas. Ainda não sabemos qual será o programa cada mês, mas vamos "voluntariar" babás para ficarem com elas nesses dias, rs!

Bem, por hoje é só! Vou postando as novidades conforme elas acontecem.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Criança Doente

Até um ano e dois meses de idade minha filha não ficou doente. Não ficou MESMO. Teve uma única vez roséola e a febre durou dois dias, sem derrubá-la. Nem o apetite atrapalhou! Então, nos mudamos para Sorocaba e ela passou a ir para a escolinha.

Tudo mudou.
Em quatro meses, foram inúmeras consultas ao pediatra e pronto socorros, quatro antibióticos diferentes, anti-inflamatórios e um termômetro quebrado.
Eu sempre ouvi falar que criança que vai ao berçário fica mais doente e vulnerável, mas nada me preparou para o que aconteceu. Tinha acabado de me mudar para uma cidade estranha e meu marido, que sempre me ajudou com tudo, passou a sair as 5:00h da manhã e chegar depois das 19:00h. Toda semana eu tinha que faltar pelo menos um dia e, nos dias que comparecia, ficava com o coração na mão, sem saber se ela estava bem.
Para falar a verdade, fiquei muito assustada. Tive medo de que a fase não iria passar nunca! A impressão era de que o pesadelo não teria fim e que só minha filha tomava tanto antibiótico seguidamente. Melhorava, piorava, melhorava, piorava...
Os palpites atrapalharam mais do que ajudaram. Uns ficavam na minha cabeça dizendo que tinham um pediatra fantástico que resolveria todos os problemas. Outros já diziam para eu não me preocupar com nada, porque isso só aconteceria até os dois anos. Infelizmente, não se esqueciam de acrescentar que antibióticos deixam os dentes da criança bem mais frágeis, além de produzirem outros efeitos colaterais.
No auge do meu desespero eu clamei a Deus implorando que fizesse um milagre e que a Gi ficasse boa de uma vez por todas imediatamente. Ela não ficou, e depois de melhorar um pouco voltou a ficar resfriada.
Um dia, não sei nem dizer o porquê, uma vez que nada de especial aconteceu, tive um “click”. Como deve ser difícil para uma mãe lidar com um filho muito doente! De alguma forma, Deus dá força às mães e quando olhamos para traz, a dificuldade passou...mal nos lembramos dos detalhes.
E foi então que me acalmei. Percebi que aquilo que parecia “insuportável” já ocorria há quatro meses e eu me mantinha firme, alegre e serena. Deus fez o milagre desde o começo...só não foi do jeito que eu tinha pedido.
Quando o desespero passou e pude me acalmar, finalmente notei que a situação da Gigi é MUITO comum entre crianças. Só na igreja umas três ou quatro mães me disseram que a história delas é a mesma. No trabalho, mais duas. E todas disseram a mesma coisa: um dia passa e a criança adquire uma super resistência.
Imagino que você se pergunte como estamos hoje. Bem, viajamos uma semana para Bahia e o clima ajudou muito. A Gi passou uma semana excelente e voltou com a imunidade boa. Também passamos a usar uma vitamina e um antialérgico receitados pela pediatra que servem para aumentar a imunidade. Além disso, temos consulta marcada para agosto com um pediatra homeopata (nunca recorri à homeopatia antes, mas ante o número de conselhos, resolvi ceder).
Ela passou duas semanas sem ficar doente e agora teve um início de resfriado bem fraco, que foi só medicado com anti-inflamatório (não precisou de antibiótico).
Ah, e o mais importante: Deus continua me sustentando todos os dias.

domingo, 3 de julho de 2011

Parto normal vale a pena?

Sinto-me incrivelmente aliviada da Alícia ter nascido e de sentir meu corpo aos poucos voltando ao normal. Grande parte dos sintomas ruins se foram tão logo ela nasceu e, por isso, posso dizer com segurança que ela aqui fora está sendo mais fácil de lidar do que ela dentro de mim!

Quanto ao parto, quando me perguntam se foi normal de novo, eu brinco que "normal" foi o parto da Nicole. Esse aqui foi "anormal", rsrs! Costumam dizer que um parto nunca é igual a outro e, no meu caso, o dito popular realmente se confirmou. Tive experiências bem diferentes. As lembranças que tenho do nascimento da Nicole são de que tudo transcorreu tranquilamente, foi PARTO NORMAL com episiotomia e com anestesia. Já o parto da Alícia, um ano e dez meses depois, foi parto normal sem episiotomia e sem anestesia, ou seja, foi PARTO NATURAL!

Antes de prosseguir com o relato de minhas duas experiências, quero primeiramente fazer algumas considerações sobre o motivo da minha escolha pelo parto normal.

Por que parto normal e não cesária?

Como toda mulher é evidente que eu tinha medo da dor e estava muito apreensiva, mas mesmo assim, diante de tudo o que eu li e sobre o que me informei durante a gestação, me convenci de que o parto normal era, sem sombra de dúvida, a melhor opção - tanto pra mim como para o bebê - e por isso fazia questão de pelo menos tentá-lo! Na verdade eu tinha receio de ser enganada pelos médicos, ou seja, de ser induzida a fazer uma cesária desnecessariamente. Por isso pesquisei bastante sobre o assunto, conversei com pessoas diversas pra ouvir suas experiências e visitei uns quatro ou cinco médicos diferentes antes de optar por um.

Nas minhas pesquisas verifiquei que existe um movimento contra o excesso de cesarianas no nosso país. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que somente 15% dos partos sejam por meio de cesárias, mas no Brasil elas representam 43%! E a notícia mais estarrecedora é esta: a proporção de cesarianas no setor privado está em torno de 80% enquanto que no Sistema Único de Saúde (SUS) de 26%.

Não precisa ser muito inteligente para entender o porquê desse número altíssimo de cesárias no setor privado. Além da comodidade para a paciente de escolher o dia e a hora do nascimento do seu bebê, poder ir tranquilamente à maternidade com a malinha pronta e ser internada sem estresse, a futura mamãe ainda tem a vantagem de não precisar ficar ansiosa com relação a possivelmente ficar horas em trabalho de parto, sentindo a dor das contrações, como vemos nos filmes. Esse sem sombra de dúvidas é o maior medo da mulherada!

Com a cesária agendada, tudo é resolvido em cerca de 40 minutos, o que é extremamente vantajoso também para o médico - ele não precisará ser incomodado de madrugada, muito menos ter a dor de cabeça de cancelar e remarcar um monte de consultas durante a semana (ou outros compromissos pessoais de final de semana) para correr à maternidade se a gestante ligar dizendo que está em trabalho de parto. Não os julgo por isso, pois sei que a situação certamente não é fácil pra eles, principalmente no aspecto financeiro! Suponho que os planos de saúde, por serem empresas com fins lucrativos, pagam o mínimo possível.

Bem, o que aconteceu é que fui percebendo um padrão nas respostas das mulheres que tiveram cesária, o motivo alegado era normalmente algo do tipo "eu não tinha passagem", "eu não tive contrações ou dilatação" e "o bebê era muito grande". Daí quando eu perguntava com quantas semanas o bebê nasceu, a resposta era invariavelmente 38 ou 39. Duh!! É só pesquisar um pouquinho (inclusive sobre como é a situação em outros países) pra saber que essas desculpas são muito esfarrapadas!

A minha conclusão é que vai chegando o finzinho da gestação, e a gestante, já com barriga enorme, fica com aquele temor: "Meu Deus, como é que esse bebê vai sair daqui de dentro?". Se o médico, que é o profissional em quem ela está depositando toda a sua confiança e que a acompanhou durante o pré-natal, der qualquer indício, por menor que seja, de que o parto vai ser sofrido ou que pode haver alguma complicação, É ÓBVIO que ela vai aceitar o que ele disser e concordar rapidinho em fazer a cesária. Mas cá entre nós: Não é coincidência demais tantas cesárias serem agendadas muito antes das 40 ou 41 semanas de gestação? Como é que alguém pode saber se a mulher vai ou não vai ter passagem se ela nem entrou em trabalho de parto ainda? É óbvio que se as contrações ainda não começaram não haverá dilatação. E a desculpa do bebê ser muito grande é a pior. Em países como os EUA os bebês nascem muito maiores do que aqui no Brasil e nem por isso os médicos indicam a cesária.

Não estou aqui tentando afirmar que 100% das mulheres que fizeram cesária o fizeram desnecessariamente, em alguns casos acredito a cesária realmente seja a melhor e única solução. Como disse acima, de acordo com a OMS, até 15% ainda é aceitável. Aliás, graças a Deus que a medicina evoluiu e que existe essa possibilidade! Na época de nossas avós e bisavós, não havia outra opção e imagino que fosse mais comum haver complicações no parto, inclusive levando à morte da mãe e/ou do bebê. Mas dá para ver que muitos estão aproveitando o pavor que as mulheres têm de sentir dor (influenciadas principalmente por histórias que o povo conta, além de cenas de filmes e novelas) e manipulando a situação para benefício próprio, isso com certeza! Por isso precisamos ficar espertas.

Parto da Nicole - 29 de agosto de 2009

O nascimento da Nicole foi o "parto do sonhos": certamente muito mais fácil do que eu imaginava que seria, mas nem por isso menos emocionante ou sem surpresas - pra começar o susto de ter sido internada às pressas no sábado à tarde! Eu não estava preparada psicologicamente pra dar a luz duas semanas antes do previsto, muito menos com aviso prévio de apenas três horas! Era sábado e eu havia amanhecido com cólicas fortes. Elas eram fortes mas duravam poucos segundos, totalmente toleráveis. Quando elas vinham era só eu parar o que estivesse fazendo, me apoiar em algum lugar brevemente e me concentrar que logo passavam. Engraçado que junto com a cólica vinha a vontade de ir ao banheiro. Fiz o nº. 2 várias vezes naquela manhã e depois tomei um bom banho quente antes de sair com meus pais e sogra para ir a um laboratório do outro lado da cidade realizar o último ultrassom pois, como já estava completando 38 semanas naquele sábado, não podia esperar para fazê-lo em um dos laboratórios perto de casa.

Ao me examinar na última consulta de pré-natal, apenas dois dias antes, a médica verificou que eu já estava com 2 cm de dilatação. Quanto ao tampão mucoso, ele já tinha caído cinco dias antes. Apesar disso, eu ainda não sentia dor, apenas um incômodo quando a minha barriga enrijecia (eram as chamadas contrações de Braxton-Hicks). Após a consulta, meu marido, sabendo que eu já estava com dilatação, ficou todo eufórico e me fez ir à maternidade naquela mesma noite depois de constatar que a minha barriga estava enrijecendo a cada 10 minutos. A médica havia dito que eu precisava chegar com seis horas de antecedência pra poder tomar duas doses de antibiótico contra streptococcus antes do parto. Mas apesar disso, o que eu queria mesmo era chegar e ganhar o bebê, não ficar horas lá na cama do hospital deitada e sofrendo, esperando a dilatação evoluir para o parto! A dica mais frequente que eu ouvi em minhas conversas com outras mulheres que tiveram seus bebês por meio de parto normal era: "Aguente o máximo que você puder em casa, pois se você chegar na maternidade e estiver muito no início do trabalho de parto, vão colocá-la no sorinho e daí a tensão e dor da contração serão muito piores". Por isso fiquei chateada com meu marido naquela quinta-feira, meu plano era ir ao hospital somente quando não estivesse mais aguentando e naquela noite em específico nem dor eu sentia!

Então no sábado saí com meus pais e sogra em vez de com meu marido porque eles estavam ansiosos por ver a netinha pelo ultrassom; durante o caminho dentro do carro as contrações iam e vinham, algumas mais fortes e outras mais fracas, mas eram sempre toleráveis. O intervalo entre uma e outra ainda era de aprox. 10 minutos, então eu tinha tempo de sobra para me recompor da dor e me preparar psicologicamente para a próxima. Estava sol e o trânsito não estava bom, atrasamos e quando chegamos no laboratório já era perto do meio-dia; quase não deu tempo de fazer o exame que estava marcado para às 11:00 horas!

Nesse meio tempo também comecei a sentir uma dorzinha no pé das costas e continuei indo ao banheiro pra fazer o nº. 2 sempre que podia. Hoje quando me perguntam como é a dor da contração, eu digo que é como uma dor de barriga, você sente cólica e vontade de fazer força. Apesar da dor, eu não queria alarmar ninguém pois acreditava piamente que ainda não era hora, mas tenho uma sogra enfermeira que ficou de olho em mim o tempo todo, insistindo durante o caminho todo que fôssemos para a maternidade. Eu sorria e tentava disfarçar a dor, mas ela não se convencia! Bem, mesmo assim eu acho que disfarcei bem porque na hora do ultrassom, minha mãe perguntou à médica que fez o exame: "E aí, doutora, nasce hoje?" ao que ela respondeu: "Não, ela nem está tendo contrações ainda". Ha! Mal sabia ela!

Na volta pegamos engarrafamento novamente, já tinha passado das 14:00 horas e, cedendo à pressão da minha sogra, aceitei dar "só uma passadinha" na maternidade pra fazer o cardiotoco e medir a intensidade das contrações. Passei no pronto atendimento por volta das 15:00 horas e após fazer o exame de toque recebi a notícia de que, como eu já estava com 4 pra 5 cm de dilatação, precisaria dar entrada na minha internação para o parto porque o bebê nasceria dentro de três horas! "Mas já??", pensei. Não acreditava!

Não tinha trazido nada comigo, tudo tinha ficado em casa. Nem meu marido estava lá e tínhamos planejado que ele filmaria o parto. Apesar do susto, Deus foi bondoso comigo e me encheu de paz! Fiquei tranquila e tudo correu de uma maneira muito especial - deu tempo do Douglas chegar para assistir ao parto. E olha que ele ainda correu no shopping pra comprar o presentinho que combinamos que daríamos à médica que, diga-se de passagem, foi simplesmente excelente. Sou muito grata a ela!! Em pleno sábado à tarde ela chegou na maternidade super rápido (antes do Douglas). Uns 40 minutos depois, no máximo, ela fez o exame de toque eu já estava com 8 pra 9 cm de dilatação. A dor ainda estava totalmente suportável, eram fortes mas duravam 30-40 segundos e quando se iam eu ficava bem de novo. Na sala de parto ficamos conversando, ouvindo música e esperando. Me colocaram no tal do sorinho com ocitocina para acelerar as contrações assim que cheguei, mas tudo foi tão rápido que acho que nem deu tempo dele fazer muito efeito. Duas enfermeiras acharam engraçado porque toda vez que elas entravam na sala eu estava sorridente e papeando, mesmo com contrações e dor de parto.

Quando cheguei nos 10 cm de dilatação, tomei a anestesia, esperamos uma meia-hora para ela fazer efeito, romperam a minha bolsa e depois já fui instruída a começar a fazer força. Foi "pá-pum", acho que empurrei umas cinco vezes (ou menos) e a Nicole já nasceu, às 18:37. A parte ruim é que eu estava sem nada no estômago (não tinha almoçado) e a anestesia intensificou o meu enjôo, então na "reta final", digamos assim, eu comecei a vomitar. A gestação toda foi assim, se eu ficasse mais de 2-3 horas sem comer vomitava bile. Esta é a única lembrança ruim que eu tenho daquela sala de parto, pois fazer força pra ganhar a neném e vomitar ao mesmo tempo simplesmente não combinam!!

E por causa disso o "pós-parto" também foi muito ruim, pois continuei vomitando!! Quando cheguei no quarto depois da recuperação já eram 21:00 horas e o Douglas teve que ir embora porque meu plano só cobria hospedagem em enfermaria. Confesso que fiquei mal-humorada e estava exausta. Por causa da tontura (efeito da anestesia) por algumas horas não me deixaram comer, levantar, tomar banho ou ver e amamentar a Nicole. Essa parte foi beeeeem chata, foi uma noite conturbada para mim, chorei bastante mas depois tudo ficou bem de novo!


Parto da Alícia - 19 de junho de 2011


Como uma mulher "corajosa" que sou, depois da experiência sem dor do primeiro parto normal, comecei a pesquisar e ler a respeito de partos naturais. Na verdade a intenção era encontrar uma saída para não ter que repetir o episódio de náusea e vômito em pleno momento expulsivo do bebê já que passei tão mal na segunda gestação quanto na primeira. Eu sabia que a grande vilã tinha sido a anestesia. Falei acima que sou corajosa só pra desconstrair porque a verdade mesmo é que sou a pessoa mais medrosa e chorona que conheço - de verdade! Meus pais e marido que o digam, pode perguntar para eles! Alguns relatos que encontrei e li na internet me inspiraram, outros me deixaram apavorada. Afinal, quem em sã consciência deseja sentir dor, não é mesmo?

Comentei com a minha médica em algumas consultas de pré-natal que talvez gostaria de tentar o parto sem anestesia dessa vez. Ela me olhou com cara de perplexa e falou da preocupação com a episiotomia e da sutura em seguida. Eu perguntei se não dava pra tomar apenas a anestesia local já que no parto da Nicole, mesmo tendo tomado a geral, na hora da sutura eu senti dor e acabei tendo que tomar a anestesia local de qualquer maneira. Ela consentiu e não falamos mais no assunto, mas eu continuei insegura quanto ao que realmente eu queria.

Tive toxemia gravídica nas últimas três semanas de gestação, inchei muito e minha pressão, que sempre foi baixa, começou a subir. Precisei tomar remédio para hipertensão. Como a única cura para a toxemia, também conhecida como pré-eclâmpsia, que nada mais é do que uma reação do meu organismo ao hormônio da placenta, é o bebê nascer, minha médica começou a falar sobre a possibilidade de adiantar o parto tão logo fosse possível (a partir da 37ª semana).

Essa notícia não me agradou nem um pouco, pois minha mente logo traduziu "adiantar o parto" como "marcar uma cesária" ou "induzir o parto normal", o que inevitavelmente significaria fazer uso do tão temido "sorinho": a ocitocina. Se para muitas cogitar tentar o parto normal sem anestesia já beira à loucura, pensar em induzi-lo é certamente pior ainda!

O finzinho da gestação foi especialmente difícil pra mim. Aliás, por causa dos enjôos, dores e mal-estar constantes ela toda foi. O problema da toxemia só a tornou ainda pior. Sentia-me continuamente exausta, inchada, tendo que fazer e repetir exames praticamente toda semana... era uma loucura. Não tinha energia pra cuidar da Nicole ou trabalhar e não via a hora de dar logo à luz! A última consulta de pré-natal foi numa sexta-feira. O tampão mucoso não tinha saído e o meu colo do útero ainda estava fechado. A médica apenas mencionou que ele estava querendo começar a dilatar. Na volta para casa, talvez porque tinha acabado de fazer o exame de toque, senti umas duas daquelas cólicas mais fortes que comecei a sentir no dia em que ganhei a Nicole. Isso me deixou bem contente porque tive certeza de que não seria preciso induzir o parto, pois o meu próprio corpo faria o trabalho sozinho.

No dia seguinte continuei a tê-las mas elas ainda não eram regulares. Às vezes vinham a cada 10 minutos, às vezes a cada 15 e outras vezes passavam 30 ou 40 minutos e eu não tinha mais nenhuma! Elas também estavam bem toleráveis (fracas) e duravam poucos segundos. Na minha ansiedade de que estava chegando a hora, caí na besteira de contar para o meu marido. Meu primeiro erro, pois contar tão cedo só serviu para deixá-lo apreensivo. Deixe eu explicar o porquê. Depois de relatar, alguns meses antes, a uma amiga que é enfermeira de maternidade nos EUA, como foi a experiência do meu primeiro parto, ela brincou que essa segunda vez seria tão rápido que quem iria fazer o parto seria o meu próprio marido. Imaginem como ele ficou!!

Não deu outra: Antes mesmo do almoço, sem eu saber, o Douglas ligou para a médica que disse para irmos ao hospital. Depois ele contou para a mãe dele. Segundo grande erro. Ela falou não sei quantas vezes que eu estava tranquila demais pra alguém que estava pra ganhar neném e que se eu não fosse logo para o hospital a Alícia iria nascer dentro do carro! Quanta pressão! Bati o pé e disse que eu não iria para a maternidade ainda e pronto, não tinha conversa, mas era uma pressão doida dos dois. A tarde toda!

O Douglas ficava controlando com o relógio e a cada dez minutos + ou - perguntava: "Você teve outra contração?". Eu dizia que não, que avisaria quando tivesse, mas a sensação que eu ficava é que eles não acreditavam. Dali em diante o dia empacou, sabe quando ninguém quer fazer nada porque sente que a qualquer momento terão que sair às pressas para o hospital? Ficava um olhando para a cara do outro esperando o meu "sinal verde" de que já era hora. Já estava tudo dentro do carro, só esperando mesmo eu aceitar entrar nele pra sair.

Sinceramente? Se eu tivesse que nomear um único sentimento que fosse capaz de colocar tudo a perder eu escolheria a ANSIEDADE. Ela tira seu foco (das coisas importantes, pelo menos), o impede de usar a razão, exagera completamente os fatos e contamina quem está por perto, pra citar alguns prejuízos. Outras pessoas sem querer também contribuíram com a ansiedade geral que pairava sobre a minha casa naquele dia com frases do tipo: "E aí? Essa bebê nasce hoje ou não nasce?" e "Não vai enrolar dessa vez, hein, se estiver tendo contração vá pra maternidade".

Então eu finalmente cedi. Esse foi o terceiro erro do dia e o que mais trouxe consequências ruins! Se ao menos eu tivesse ficado em casa e esperado o amanhecer para ir à maternidade, tenho certeza de que chegaria lá "já ganhando", exatamente como eu queria! Mas não, tomada por apreensão, comi um lanche, tomei um banho e lá pelas 18:00 horas saí de casa.

Dei entrada no pronto atendimento por volta das 18:40 e, por causa da hipertensão gestacional, fiz mais uma vez todos aqueles exames a que já estava habituada - sangue, urina, USG com doppler e cardiotoco - e esperei sair o resultado. Continuei monitorando as contrações e agora elas vinham um pouco mais fortes, porém continuavam toleráveis e ainda estavam em intervalos de 7, 9 ou 13 minutos.

No exame de toque a obstetriz disse que eu estava com 2 para 3 cm de dilatação e por isso julgou que eu estivesse em início de trabalho de parto. Já estava bem tarde e eu muuuuito cansada. Queria muito ir pra casa. Insisti com a obstetriz pra me deixar ir prometendo que voltaria bem cedo na manhã seguinte, mas ela não quis saber! Como não haviam conseguido localizar a minha médica até então, achou melhor que o meu marido já desse entrada na internação enquanto aguardávamos a médica entrar em contato. Eram 23:46 horas do sábado à noite.

Fui para a LDR (Labor and Delivery Room) e tentei ligar para a médica para dizer a ela que tudo não passava de um grande mal-entendido, que ela não precisava vir tão logo porque não estava na hora ainda. Mas era tarde demais! Ela já estava no hospital, saindo do vestiário e andando em direção à sala de parto. Ela me examinou e, para minha surpresa, eu já estava com 5 cm. Mas estava de madrugada e, diferente da minha primeira experiência, não ficou conosco o tempo todo na sala. É evidente que ela teve um longo dia e precisava tentar descansar e dormir um pouco. Eu também não estava me aguentando de sono. No começo o Douglas até tentou ficar acordado fazendo massagem em mim enquanto ouvíamos música, mas no fim das contas ele também se entregou e resolveu tirar um cochilo. Quando a médica voltava pra me examinar, ela comentava que o colo do útero ainda estava alto, mas nós estávamos tão zonzos de sono que não entendemos que era pra ajudar empurrando quando a contração viesse. Esse foi o nosso quarto erro! Em vez de assumir uma postura ativa para ajudar no trabalho de parto e não precisar tomar ocitocina na veia, fiquei totalmente passiva esperando o meu corpo fazer todo o trabalho sozinho!

Por volta da 1:00 hora da manhã, a dilatação estava em 7 cm e às 2:00 em 8 cm, porém o colo continuava alto e eu não estava sentindo dor porque as contrações ainda eram bem espaçadas. Às 2:45, a médica mandou colocar ocitocina no soro para acelerar a evolução do parto. De hora em hora ela me examinava e, ao constatar que eu continuava com os 8 cm, pedia para aumentar a dosagem da ocitona. Mesmo assim, as horas foram passando e nada do colo do útero descer ou do tampão mucoso sair! Eu não aguentava mais fazer o exame de toque porque era muito doloroso e ouvir, vez após outra, que a dilatação continuava igual era frustrante. Eu estava esgotada, confusa e estressada com aquela situação.

Quando entre 5:00 e 6:00 horas da manhã a médica pediu para me darem a dosagem máxima de ocitona e mencionou que se o colo do útero não descesse logo, ela iria fazer uma cesária, eu fiquei ainda mais apreensiva. Na verdade eu cheguei a considerar a hipótese de fazer a cesária. Estava tão injuriada e cansada de ficar ali presa àquela cama de hospital que a possibilidade de acabar logo com tudo aquilo de uma forma rápida, com pouco esforço e indolor pareceu uma saída bem conveniente. Mas daí me lembrei da anestesia e de como é horrível vomitar. Já estava enjoada, sem nada no estômago, a única coisa que tinham liberado para eu comer foi um potinho de gelatina e suco por volta da 1:00 da manhã e isso já fazia horas; tomar anestesia pra uma cesária não iria ajudar. Também me lembrei de como valeu a pena ter parto normal da primeira vez e fiquei aflita de imaginar fazendo uma cesária agora!

Nesta hora o Douglas ligou para os meus pais; meu pai orou conosco pelo viva-voz do celular e nós fomos concordando com ele à medida que ele profetizava a bênção de Deus sobre o meu parto. Foi somente então que "a nossa ficha caiu" e o Douglas e eu nos mexemos pra tentar fazer alguma coisa. Tinha passado a noite toda no hospital pra nada? Claro que não! Eu não queria cesária de jeito nenhum e, apesar da certeza de que não existia absolutamente nada de errado com o meu corpo que pudesse impedir um parto normal e de saber que a situação só tinha chegado a esse ponto por erro meu mesmo (que fui para o hospital antes da hora), percebi que continuar brava e frustrada com a situação não iriam resolver a situação. Eu precisa me mexer.

Estávamos somente eu e meu marido ali na sala quando decidimos que eu começaria a empurrar junto com a contração. Queríamos surpreender a médica e deu certo! Quando por volta das 6:45 ela me examinou de novo, a dilatação já estava em quase 9 cm e parte do tampão mucoso saiu nas mãos dela. Ela pareceu satisfeita e anunciou que às 7:15 iriam estourar a bolsa.

Dali pra frente a evolução do parto foi tão intensa que eu tenho dificuldade de me lembrar dos detalhes. Empurrar junto com a contração me deixou exausta e as dores estavam ficando bem fortes - a ponto de me fazerem gemer, algo que eu não senti no parto anterior, pois nesta altura do trabalho de parto eu já tinha tomado a anestesia. Eram 7:35 e a médica ainda não tinha voltado para romper a bolsa, então o Douglas foi chamá-la pois percebeu que já estava na hora!

Daí em diante tudo aconteceu muito rápido. O intervalo entre as contrações diminuiu a ponto de eu não conseguir retomar o fôlego e me recuperar entre o fim de uma contração e o início da outra. Os gemidos de dor viraram um longo e alto berro. Até eu me assustei com a minha reação! Rapidinho eu perguntei à médica se ainda dava tempo de tomar a anestesia. Ela disse que sim e de repente a sala começou a ficar cheia de gente; o anestesista entrou, o Douglas teve que sair para trocar de roupa e começaram a esterelizar o ambiente para o momento do nascimento.

As contrações não paravam e eu estava emocionalmente abalada, não conseguia me concentrar em nada do que as médicas diziam para eu fazer. Estava levando bronca porque eu me contorcia toda, o que impedia a passagem do bebê, mas a dor estava tão forte que eu queria levantar e me jogar para fora da cama. Não tinha posição que aliviasse a minha tensão! Quando vi o anestesista ali do meu lado e imaginei que eu não conseguiria ficar parada tempo o suficiente para ele aplicar a raqui nas minhas costas, fiquei com medo e voltei atrás. Decisão louca, eu sei! Mas no momento da dor a gente não consegue pensar direito.

A contração seguinte me fez dar outro berro estridente. O Douglas ainda não tinha voltado, então eu levantei e abracei a médica chorando. De repente senti um aperto lá embaixo e tinha certeza de que era a cabecinha do bebê coroando. Fiquei eufórica e gritei: "Está saindo! Está saindo!".

Deitei com pressa e me estiquei com medo de machucar minha filha. Deus foi bondoso e misericordioso nesta hora: tive uns instantes de trégua entre as contrações. Eu sabia que duraria pouco também mas foi um alívio tão grande! Olhei e o Douglas já estava ali do meu lado de novo. Lembro-me de ter conseguido fechar os olhos, respirar fundo e perguntar à médica: "Está bem, o que é para eu fazer mesmo?". Ela repetiu as instruções, eu obedeci, empurrei com toda a minha força mais 1 ou 2x e... ufa, a Alícia nasceu, às 8:09 do domingo de manhã!

No fim das contas não deu tempo da médica me dar a anestesia local ou de fazer a episiotomia antes do nascimento, por isso tecnicamente foi um parto natural. Depois de eu conhecer minha filha, o Douglas ficou tentando me distrair com fotos que havia acabado de tirar dela enquanto a médica tentava tirar a placenta, mas eu não queria papo. Fiquei reclamando com ela e pedindo que me desse logo a anestesia local! Me sentia tão traumatizada pelo que acabara de acontecer que só queria chorar pra aliviar a tensão.

Quando finalmente tomei a anestesia e ela me deu os pontos, daí sim ficou tudo bem... quer dizer, quase. Continuei com a região abdominal bem dolorida e me deram medicação na veia, mas não precisei ficar horas na sala de recuperação como da outra vez. Praticamente assim que ela nasceu fui levada para o quarto e pude comer! E o melhor: dessa vez não tive qualquer enjôo ou vômito!

Se você leu até aqui provavelmente quer saber se eu acho que valeu a pena ter passado por todo esse sofrimento para ter a minha filha. Eu não preciso pensar duas vezes para afirmar que o parto normal sim, valeu MUITO a pena. Estaria arrependida hoje se tivesse cedido e pegado o atalho - ter aceitado fazer a cesária quando o processo ficou demorado e cansativo.

Já com relação ao parto natural (o fato de na hora "H"eu ter optado por não tomar a anestesia) eu não saberia responder de imediato com 100% de certeza. A resposta é: DEPENDE.

Confesso que fiquei bem estranha durante os primeiros dois dias após o parto, não queria falar sobre o assunto para não ter que me lembrar da experiência. Tinha sido horrível e eu ficava envergonhada só de pensar que eu me descontrolei e berrei como louca na hora da dor. Além disso, fiquei me martirizando e sentia certa revolta por tudo ter dado tão errado - ou pelo menos diferente de tudo o que eu havia planejado. Por isso não canso de repetir o conselho que recebi: se você está grávida e quer parto normal, não vá para o hospital cedo demais; chegar antes da hora e ficar lá por horas a fio é extremamente desgastante e mexe demais com as nossas emoções e capacidade de raciocínio. Mas depois do segundo dia os meus sentimentos mudaram com relação à experiência, comecei a sentir orgulho por ter conseguido essa proeza e consegui avaliar melhor os benefícios que esse parto "insano" me proporcionou.

Com o meu histórico de duas gestações difíceis, com incessante mal-estar e vômito (acho que só quem passou por isso consegue realmente entender como é ruim), não ter tomado anestesia e vivido 30 min de dor intensa nos "finalmentes" do trabalho de parto compensou sim, foi uma vitória! Hoje sinto satisfação ao lembrar e tenho aquela sensação de "missão cumprida".

Foi difícil? Sem dúvidas! Eu faria tudo de novo? Com exceção de ter ido tão cedo para o hospital (rsrs!), certamente que sim. O motivo? Passei por uma experiência que pouquíssimas mulheres nessa era moderna têm coragem de encarar e isso por si só faz-me sentir como uma guerreira!

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Gestação: nove meses de enjôo e mal-estar?

Faz algumas semanas que estou ensaiando publicar algo sobre as aflições de uma gestação com nove meses de enjôo e mal-estar. Estou com 36 semanas. Em várias das noites em que tive insônia, minha mente, recusando-se desligar para que eu pudesse dormir, escrevia e reescrevia em pensamento formas diferentes de expressar o que eu estava sentindo. Ainda bem que me segurei e mantive-me em silêncio esse tempo todo! Eu certamente teria me arrependido das duras palavras entaladas na minha garganta, rs. Pois é, o cansaço pelas noites mal-dormidas estava tão intenso que me deixou amargurada e revoltada com a situação. Bem que dizem que em meio à tempestade de nossas mudanças hormonais, nossas emoções ficam à flor da pele... mas quando vem a calmaria, ah que delícia que é recobrar a paz interior!

Hoje quero falar sobre um tema que pouco se fala: enjôos e mal-estar que se estendem além do primeiro trimestre de gravidez e vão até o fim da gestação. Pela minha experiência são poucas as mulheres que passam por isso, mas eu acho que só o fato de saber que elas não são as únicas já serve de consolo. É incrível pensar nesta necessidade humana de se sentir aceita e compreendida pelos seus pares, não é mesmo? Saber que outros viveram algo parecido com o que você está vivendo por si só já um alívio: a coloca em pé de igualdade com outras pessoas e a enche de forças e novo ânimo para superar os desafios da adversidade imposta. Quem sabe algum psicólogo algum dia não queira se aprofundar nesse tema de pesquisa? =)

A minha amargura era justamente essa. Pensava com revolta em ditos populares como "a mulher grávida está na sua plenitude" e "gravidez não é doença" porque me pareciam frases maldosas que tinham o objetivo de me fazer sentir mal por estar me sentindo mal! E durante aquelas conversas de banheiro então em que, numa tentativa de ser simpática comigo, a mulherada colocava toda aquela aura em volta da delícia que tinha sido para elas estarem grávidas, das saudades que sentiam do lindo barrigão e de como ficaram naturalmente maravilhosas durante essa fase!! Por um lado sentia-me culpada por não estar enxergando ou vivendo a tal da plenitude que toda mulher grávida TINHA QUE sentir; e por outro ficava irritada porque ninguém me compreendia ou parecia se importar que eu estava péssima, me sentia discriminada por não ter superado a fase dos enjôos ainda, que só deviam durar os três primeiros meses.

O fato é que longe de me sentir bela e maravilhosa com o super barrigão, eu me sentia DOENTE! Se não era uma coisa era outra... o mal-estar dos enjôos, os vômitos, as azias constantes, a irritação por ter que ir ao banheiro fazer xixi o tempo todo (e mesmo depois de fazer o aperto na bexiga não cessa), a fadiga extrema por causa da insônia (acordar de madrugada pra fazer xixi, ter que comer por causa do enjôo e não conseguir voltar a dormir é enlouquecedor!!), as câimbras, a inflamação lombar que trava as costas e faz você andar mancando nas manhãs frias, a dor nas costas e pernas por causa do peso da barriga... ufa, cansa só de falar!

Ah, e por falar em barriga... essa era outra frustração minha! Até o 6º. mês de gestação da Nicole nem os assentos preferenciais no trem eu conseguia porque as pessoas não notavam que eu estava grávida (no inverno a gente põe tanta blusa e casaco que disfarça a barriga). Nessa gestação da Alícia não está sendo diferente. Quer deixar uma grávida chateada?? Diga para ela que sua barriga está pequena, principalmente se ela já engordou 18 kg!! Que raiva que dava! Parece até que a feminilidade da mulher está no tamanho da barriga dela enquanto gestante - pura besteira, eu sei, mas esses comentários todos impactam e nos pressionam a seguir um certo padrão externamente imposto do que é bom/ruim, certo/errado, aceitável/inaceitável.

Bem, a conclusão a que chego é a mesma que o salmista chegou numa conversa que teve consigo mesmo há muitos e muitos séculos. Os tempos passaram e muita coisa mudou de lá pra cá, mas as crises internas humanas continuam as mesmas. Ele disse: "Por que você está assim tão triste, ó minha alma? Por que está assim tão perturbada dentro de mim? Ponha a sua esperança em Deus! Pois ainda o louvarei; ele é o meu Salvador e o meu Deus" (Salmo 43:5).

Quando não nos sentimos compreendidos, aceitos ou aprovados por homens, nem tudo está perdido. São em momentos assim que precisamos colocar nossa confiança em Deus e esperar nEle pois somente Ele poderá nos dar paz interior!

Sinto-me bem mais calma agora, confesso que os sintomas não foram embora (ontem tive crise de vômito de novo, essa manhã fortes dores de cabeça e tontura e continuo tomando remédio para controlar a pressão) mas a minha alma está esperando em Deus e isso por si só já me enche de uma paz indescritível! Sei que Ele está comigo e não me abandonará e O louvo porque sei que em breve a pequena Alícia estará em meus braços com muita saúde!!