Bem-vinda!!

Bem-vinda ao nosso blog!
Aqui, mamães muito diferentes mas com um único objetivo compartilham suas experiências nesta grande aventura que é a maternidade! Nós queremos, acima de tudo, ser mamães sábias, que edificam seus lares e vivem com toda plenitude o privilégio de sermos mães! Usamos muitos dos princípios ensinados pelo Nana Nenê - Gary Ezzo, assim como outros livros. Nosso objetivo é compartilhar o que aprendemos a fim de facilitar a vida das mamães! Fomos realmente abençoadas com livros (e cursos) e queremos passar isso para frente!


"Com sabedoria se constroi a casa, e com discernimento se consolida.
Pelo conhecimento os seus cômodos se enchem do que é precioso e agradável"
Prov. 24:4,5

sexta-feira, 19 de abril de 2013

1 ano e 10 meses de Alícia!

Meu marido e eu estamos fora de casa há quase uma semana, numa viagem a dois para comemorar nossos 10 anos de casados, e hoje nossa filhota mais nova completa 1 ano e 10 meses de vida. = )

O tempo não pára e em breve ela terá 2 aninhos! E se tem uma única lição que como mãe eu não posso deixar de lembrar é a importância de investir no meu bem-estar e, principalmente, na qualidade do meu relacionamento com o meu marido. Sim, meu marido e eu também precisamos de tempos juntos, a sós, para curtirmos um ao outro, conversarmos e, claro, para também descansarmos, sem focar nosso pensamento o tempo todo na casa e nas crianças.

Mas eu vou confessar, não foi moleza resistir à tentação de trazer as meninas conosco nesta viagem!! Ao pesquisar os hotéis meses antes da viagem, eu fugia dos que tinham muitas atividades para crianças porque eu não queria ficar me sentindo mal durante a viagem, rsrs, com remorso de estar num lugar bacana e de não tê-las levado comigo. E o pior é que não adiantou!!


Chegando aqui, tudo o que eu via (inclusive outras crianças pequenas brincando ou comendo no restaurante) me fazia lembrar delas e imaginar o quanto elas poderiam gostar do passeio e estar se divertindo! Até chorei depois da primeira conversa por skype com elas, me sentindo 'culpada' de estar aqui e elas lá. Eu sei, eu sei... são coisas bobas de mãe sentimental. É apenas uma semaninha fora e essas viagens de lua-de-mel meu marido e eu só comemoramos a cada 5 anos. O importante é a gente aproveitar bem esses dias "de folga" para que, quando voltarmos, possamos assumir novamente as tarefas do dia-a-dia, com renovados empenho e vigor!


Mas o motivo deste post é contar como foram os últimos 2 meses da Alícia. Então, mãos à obra!




Alimentação e Dentição
A Alícia passou maus bocados nos últimos meses por causa dos dentes nascendo. Muitos dentes! Num determinado momento chegamos a contar SEIS dentinhos cortando a gengiva dela ao mesmo tempo. Ela sofreu, viu! E algumas vezes - nos piores dias - até chorava ao morder alguma coisa mais dura, chegando a recusar alimento na hora da refeição (algo bem atípico). Por outro lado, ela também já consegue se alimentar muito melhor sozinha (tanto com garfo quanto com colher). Inclusive, ela não gosta muito de ser ajudada. Isso só tende a melhorar e a facilitar a minha vida!

Desfraldamento e Doença

Os últimos meses também foram conturbados na questão saúde. Na verdade, não sei se por causa da dentição, mas a Alícia teve diarreia por muitas semanas seguidas. Acho que chegou a durar um mês! Na primeira semana julgamos que fosse uma virose porque a família inteira ficou mal, com dor de barriga. Depois todo mundo foi melhorando, menos a Alícia, que continuava defecando uma média de 3-4 vezes por dia. E o coco era tão ácido que só de tocar na pele dela já a deixava todinha vermelha e assada, ainda que eu trocasse a fralda imediatamente. Quanto sofrimento vê-la assim! Chegou ao ponto de ela nem deixar eu encostar o algodão com água para limpá-la, fechava as pernas com força e chorava. Era um sufoco trocá-la. Muitas vezes eu pensei quão bom seria se ela já estivesse desfraldada porque pelo menos estaria fazendo as necessidades no vaso e não teria esse problema da assadura... Por outro lado, como continuar o desfraldamento em um bebê com diarreia?? Eu até tentei nos 2 primeiros dias da diarréia, mas depois de alguns incidentes de fezes mole e fedida no chão da sala, me rendi novamente ao uso da fralda e declarei interrompido o treinamento!

Justo no mês em que achei que fosse economizar na compra de pacotes de fraldas... humpf, que nada! Fazendo cocô tantas vezes por dia, acabei gastando muito mais, rsrs!


A interrupção do treinamento de desfraldamento acabou sendo muito mais longa do que eu imaginei porque a diarreia não parava. Até que comecei a desconfiar de vermes - afinal, com os dentes nascendo e a Alícia colocando na boca tudo o que encontra pela frente, esta era uma real possibilidade. Sim, e com o sério agravante da minha suspeita de que ela andou comendo terra do canteiro da garagem! Felizmente, chegou o dia da visita periódica ao pediatra e ele receitou um vermífugo para elas tomarem. Bingo, parece que o problema foi sanado – mas isto foi na semana que antecedeu a nossa viagem para cá. Portanto, só pretendo pensar no assunto do desfraldamento novamente agora quando eu voltar para casa. Mas confesso que quanto mais tempo passa, maior tem parecido este gigante para mim! É um desafio que eu preciso encarar, o de treinar a minha pequena para fazer suas necessidades no vaso sanitário, e não mais na fralda.

E eu tenho sentido que com duas filhas está sendo mais complicado eu parar tudo o que estou fazendo para ir ao banheiro com a menor – muito embora a mais nova querer imitar a mais velha em tudo ser uma vantagem... Porém, me parece que o meu dia fica todo truncado com tantas idas ao banheiro - ficar ali sentada esperando ela fazer alguma coisa, o que nem sempre acontece. Perco muito tempo com isso! E, o que é pior, tem também o tempo gasto com tantas trocas de calcinha e limpando xixi do chão pela casa por causa dos acidentes frequentes.


Mas, como toda mãe está cansada de ouvir, não adianta nos desesperarmos e transferirmos à criança a nossa frustração pelo insucesso do desfraldamento. Nem tudo acontece como e quando queremos. Tirar a fralda é um processo mais lento do que gostaríamos que fosse. E despejar na criança a nossa ansiedade só vai alongar e complicar ainda mais o processo. Então, o que eu preciso é buscar serenidade, pensar num plano realista e coerente e fazer tudo com muita, mais muita, paciência e perseverança!


Como se fosse fácil, rsrs.

Rotina e Sonecas

As sonecas da Alícia à tarde têm sido mais tranquilas do que nunca. Ela adormece facilmente, na própria cama, em apenas 5 minutinhos, e eu nem preciso mais fechar a porta para escurecer muito o quarto! Normalmente é assim: elas terminam de almoçar (a Alícia mais rápido do que a Nicole) e eu a levo para escovar os dentes enquanto a Nicole ainda termina de mastigar as últimas colheradas. Levo-a para o quarto, troco a fralda, puxo a cama, dou a Nana e digo para ela se deitar porque está na hora da soneca. Saio do quarto (deixo a porta aberta) e repito o processo todo com a Nicole – escovar os dentes e levar para fazer xixi. Antes mesmo da Nicole voltar, a Alícia já está dormindo! Em poucas tardes, a Nicole pede para dormir junto (na cama dela), geralmente apenas no dia do ballet – que é numa segunda-feira, justamente o dia em que ela fica mais cansada. Nos outros dias, eu fecho a porta do quarto para a Alícia tirar a soneca longa dela sem barulho e a Nicole faz o seu horário de descanso quietinha na sala.

Numa determinada semana, eu tive um compromisso fora de casa pela manhã em que levei as meninas comigo de carro. Era um longo trajeto de ida e volta. Na volta, como era quarta-feira, resolvi passar na feira aqui perto para comprar frutas e legumes que estavam faltando em casa. Resumo: o dia foi totalmente diferente e a soneca da tarde acabou não acontecendo para a Alícia, pois ela dormiu uns minutinhos no carro no caminho pra casa. À noite, quando voltamos da faculdade perto da 23h:30, ela despertou quando a tiramos do carro e não conseguiu voltar a dormir facilmente. Ficou chorando um tempão, não queria ficar em sua própria cama! No dia seguinte, mais agitação: era o dia do nosso "playdate" quinzenal em que passamos o dia todo fora e a soneca dela à tarde também pulada.


Vocês conseguem imaginar como ficou esta criança na sexta-feira, depois de dois dias sem uma soneca decente e uma noite mal dormida? Ela ficou acabada!! E advinhem só? De manhã, depois do café, devocional e atividade de leitura, ela me pediu para dormir!! Foi para o quarto e começou a tentar puxar sozinha a cama para pegar a Nana. Eu disse que ela não podia pegar a Nana, que a Nana era só para a hora de dormir e, em seguida, como ela insistiu muito em querer a Nana e já estava se desabando a chorar, perguntei sela ela queria dormir. Ela fez que sim com a cabeça! Eu duvidei um pouco na hora porque eram apenas 9h:00, mas mesmo assim arrumei a cama para ela dormir e dei a Nana. Pois ela deitou bonitinha e começou a chupar o dedo. Saí do quarto pensando que dentro de poucos momentos ela fosse aparecer na sala para brincar, mas que nada... ela dormiu direto até a hora do almoço, rs. Na verdade, quando ela acordou, eu e a Nicole já tínhamos terminado de almoçar. Ela estava realmente cansada e precisando dormir!


Adaptação à cama e Sono noturno

A transição do berço para a bi-cama (a Nicole dorme em cima e a Alícia em baixo) tem sido algo engraçado, embora trabalhoso. Engraçado porque, como você pode ver na foto ao lado, a Alícia logo descobriu que subir para o colchão da irmã é muito mais interessante do que ficar sozinha no dela. E trabalhoso porque agora não existem mais grades para detê-la lá.

Nope,
agora a única barreira capaz de mantê-la deitada e quietinha na hora de dormir é a nossa autoridade e voz de comando. Ou seja, é a oportunidade perfeita que, como pais, temos para ensinarmos a ela quais são os limites invisíveis. Um verdadeiro treinamento para a obediência!


E aqui entra aquela célebre frase: "Educar dá trabalho".... e como!


Ainda neste tópico do sono e da adaptação à nova cama, a Alícia já entendeu que na hora de dormir a gente tem de puxar a cama dela para fora e, que ao acordar, a gente empurra a cama de volta para baixo da cama da Nicole. E, para evitar que ela passe o dia andando pela casa com a Nana (sua fiel companheira, uma boneca de dormir) nos braços – o que também favorece que ela chupe dedo fora de horário - instituímos que o lugar das Nanas é sempre nas camas. No caso da Nana da Alícia, eu geralmente a empurro junto com a cama dela para baixo da cama da Nicole. Ela não gostou muito da regra nas primeiras vezes e resistiu em deixar eu levar a Nana de volta para a cama, mas meu marido e eu temos insistido e agora ela já está pegando o jeito de como as coisas precisam funcionar. Quando ela tira a Nana da cama e eu dou a ordem para ela levá-la de volta, 90% das vezes ela obedece prontamente.


Outra observação quanto ao sono é que temos notado que o sono da Alícia tem sido agitado. Muitas vezes ela chora dormindo, como se estivesse tendo pesadelos, e fica geralmente suada. A Nicole teve muito disso também, acho que mais ou menos nesta idade, se não me engano. Começava a gritar/chorar sem motivo aparente. Confesso que a minha tendência e a de meu marido é achar que é alguma dorzinha, como gases por causa de alguma coisa diferente (e mais gordurosa) que elas tenham comido naquele dia. Nestes casos, a gente observa se elas soltam pum enquanto a gente massageia a barriga delas e, se sim, dá algumas gotas de simeticona. É um hábito que a gente tem desde que elas eram bebezinhas.


Ultimamente, porém, esse "sono conturbado" da Alícia tem acontecido com maior frequência e, tenho refletido, se de repente ele não tem alguma relação com o "salto de desenvolvimento" pelo qual achamos que ela está passando – justamente o assunto do próximo ponto!


Desenvolvimento e Comportamento

Como dizia, eu senti que nos últimos meses a Alícia deu um grande salto de desenvolvimento. Vejo-a fisicamente mais ativa – com melhor equilíbrio, agilidade, destreza etc. – e também mais concentrada para acompanhar atividades intelectuais – o momento de leitura, o quebra-cabeça, etc. No outro post desta semana comentei sobre suas habilidades de comunicação, que ela já é capaz de usar 2 palavras juntas para tentar me contar as coisas. Muitas vezes ela me surpreende com as palavras novas que fala ou mesmo as que reconhece nas figuras dos livros de vocabulário que lemos juntas, sobretudo, quando eu peço para ela encontrar uma em meio a várias.

A Alícia está cada vez mais esperta e exploradora. Para citar alguns exemplos, ela aprendeu a calçar as próprias sandálias (que fecha com velcro), me ajuda a colocar a fralda nela em pé, já sabe colocar de volta os braços corretamente dentro do cinto de segurança na cadeira de bebê (do automóvel) e, como eu comentei lá em cima, consegue se alimentar muito bem sozinha. Além de imitar a irmã em tudo (sons e gestos) e querer calçar e andar com os nossos sapatos pela casa (ou calçá-los em nós, que também é muito engraçadinho), ela descobriu no banquinho seu grande aliado para fazer as suas peripécias – leva-o para cá e pra lá para tentar subir nos lugares mais altos (como a minha cama) e fica radiante quando consegue! Na verdade, não é só a irmã que ela quer imitar. Se ela me vê passando batom, desodorante ou perfume, usando óculos ou fazendo qualquer outra coisa de diferente para ela, ela quer fazer também. Isso é normal, eu imagino, para crianças nesta idade. Não que ela já não fizesse muitas dessas coisas antes, mas é que de repente essa perspicácia dela ficou mais latente.

Quanto ao comportamento dela, há certos hábitos que deixamos que fossem estabelecidos e agora tem sido o nosso desafio, como pais, eliminá-los. São hábitos ruins porque geram "retrabalho" para nós. Um deles é ela tirar os sapatos (e as meias!) assim que entra no carro para irmos a algum lugar (e isto também acontece com frequência quando senta no cadeirão para comer). Ou então tirar o elástico ou presilha do cabelo que deu o maior trabalhão arrumar antes de sair de casa. Já deu para perceber que minha filha preza pelo conforto acima da estética, né, rsrs! Pois é, mas para nós, pais, isto não é nem um pouco legal... principalmente se demorou um bocado de tempo para a gente conseguir com que ela ficasse quietinha o suficiente para dividir mais ou menos decentemente o cabelo e prendê-lo do jeito "certo". Também já virou hábito ela (e a irmã!) levantarem no cadeirão para mostrar como estão crescendo porque estão comendo toda a comida. Ou ficarem se distraindo, girando pelo cadeirão e ficando de joelhos, enquanto comem. A culpa, na verdade, é nossa que não as prendemos com o cinto de segurança, né... E por isso agora a gente fica o tempo todo repetindo que é para elas se sentarem e virarem pra frente. Preciso parar com esse falatório que desgasta o ânimo de qualquer relacionamento e começar a aplicar consequências concretas para a desobediência delas (não sem antes falar bem sério e explicar quais serão). Ambas têm idade suficiente para entender e respeitar os limites, basta que os pais não subestimem sua capacidade para o aprendizado!


Bem, por hoje é só. Agora vou curtir meu penúltimo dia de estadia aqui no hotel à beira da piscina, hehe!

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Desenvolvimento da linguagem antes dos 2 anos

Quando a Nicole completou 1 ano e 5 meses, eu escrevi este post sobre o seu desenvolvimento cognitivo e aquisição de vocabulário. Faz tempo que estou me cobrando fazer um sobre a Alícia também. Abaixo pretendo compartilhar um pouco da minha percepção sobre o seu desenvolvimento da linguagem até aqui.

Antes, porém, é preciso evidenciar alguns pontos sobre como fazemos as coisas aqui em casa. O primeiro deles é que meu marido e eu acreditamos que desde muito cedo, quando ainda bebês, embora ainda não falem, as crianças têm capacidade mental para se comunicarem (obs. Aprendemos este ensinamento no livro "Além do Nana Nenê", do Gary Ezzo e Robert Buckman). Por isso, já a partir dos 7 meses, procuramos ensinar às nossas filhas outro método de comunicação, a linguagem de sinais, como alternativa ao choro e birra tão comuns entre crianças pequenas. O pouco que sabemos da linguagem de sinais já é suficiente.

Nesta idade, as crianças gostam muito de imitar o que as pessoas à sua volta estão fazendo - seus sons e gestos. Aliás, a gente brinca que a Alícia - que dentro de poucos dias completará 1 ano e 10 meses - é a sombra da irmã - a Nicole, que está com quase 3 anos e 8 meses. Isso porque grande parte do tempo o que a gente vê é a Alícia observando a irmã e imitando todos os seus gestos, ações e comportamentos. E como as duas se divertem com isso e dão boas gargalhadas!

Assim, não fica difícil entender porque, embora ainda não fale, a Alícia consiga aprender tão facilmente novos sinais, dentre eles, gestos que acompanham músicas ou os versículos bíblicos que estamos memorizando em família no momento devocional a cada manhã.

Os sinais que a Alícia mais usa atualmente (e os faz espontaneamente ou com o nosso estímulo) são: "please" (por favor), "no, thanks" (não, obrigada), "excuse me" (com licença) e "sorry" (me desculpe).

Mas hoje não vim falar sobre a 'linguagem de sinais' em si (se este é o seu interesse, existe um marcador na coluna à direita com este nome), o que quero é me deter mais no assunto "bilinguismo". Meu marido e eu falamos inglês e português e, portanto, sempre quisemos que nossos filhos de pequenos aprendessem os dois, naturalmente. Eu sei que, aqui no Brasil principalmente, existe toda uma polêmica em cima desse tema. Alguns acreditam que falar mais do que um idioma confunde a criança e retarda o desenvolvimento da sua fala, além de dificultar o seu relacionamento com outras pessoas. Para falar a verdade, eu não concordo com esses argumentos. Acho que é subestimar a capacidade de comunicação das crianças. Além disso, conheço casos que me fazem pensar diferente.

E ainda que o bilinguismo possa de fato retardar o início da fala (o que eu não sei se é verdade), não acho que isso seja substancial a ponto de comprometer ou prejudicar a criança. Que diferença faz se a criança começou a falar aos 2 anos, 2 anos e meio ou 3 anos? Será que faz tanta diferença assim? Será que não é uma questão que também envolve temperamento e outras habilidades, como a de interação social?

Bem, não sou especialista em linguística e confesso que não fui atrás de ler muitas informações sobre o assunto. Apenas conversei um pouco com pessoas experientes na área (no sentido de experiência prática mesmo, não necessariamente de conhecimentos teóricos) e fui seguindo minha própria intuição sobre o que fazer. O que vou compartilhar abaixo é apenas fruto da minha experiência e opinião sobre o assunto.

Como dizia, falamos os dois idiomas em casa. Me deram a dica de não misturá-los dentro da mesma frase, para que fique sempre bem claro o que é um idioma e o que é outro. Isso faz total sentido para mim, mas confesso que nem sempre é fácil de se fazer. Aliás, se você não tem o hábito de separar os idiomas é um tanto quanto difícil! Com a Nicole, de certa forma, eu acho que consegui ser mais disciplinada do que sou hoje em dia quanto a isso. Com medo de confundi-la, eu realmente me esforcei para falar somente em um idioma com ela. Quando estávamos somente as duas, ou em família, era o inglês que usávamos para nos dirigir a ela. Porém, com meu marido falo em português (por preferência nossa), então ela sempre foi acostumada a ouvir os dois idiomas naturalmente.

Se eu tivesse de nomear o nosso método de ensinar eu o chamaria de o método da convivência, rs. Ou, como o chamam nas escolas bilíngues, é o ensino por imersão. Isso significa que sim, eu li livrinhos de palavras em inglês para ela, mas não que eu tenha partido do português para ensinar o inglês. Como eu sempre considerei ser falta de educação falar inglês na frente de pessoas que não falam o idioma, nos momentos fora de casa (ex. na igreja - até os 2 anos da Nicole frequentamos uma igreja brasileira) ou quando estávamos na companhia de outras pessoas, eu me dirigia a ela em português.

Um fator interessante é que por nove meses (dos 18 aos 27 meses), a Nicole frequentou uma escola bilíngue. Ela entrou 3 meses antes de eu ganhar a Alícia e, neste período, só ia 3x por semana, por meio-período. Lá o ensino era por imersão também, mas a verdade é que inglês mesmo ela só ouvia da professora, já que as outras crianças (na turminha dos babies) só falavam em português. Mesmo assim, acredito que a experiência tenha sido válida para ela. No ano seguinte (em 2012), eu a mudei de escola. Ela passou a frequentar uma escola de educação infantil brasileira e, nem por isso, o inglês dela ficou prejudicado. Muito pelo contrário, a fluência dela só melhorou. Ficou mais fácil para ela dividir os idiomas: de manhã / na escola se fala em português, à tarde / em casa se fala inglês, simples assim.

Agora em 2013, ela não está mais em escola alguma, está em casa comigo. Os dois idiomas estão muito bem consolidados na mente dela. Claro que há deslizes e traduções equivocadas que ela faz de vez em quando, mas no geral acho que ela tem uma excelente capacidade de tradução português-inglês e vice-versa. Como sei que tanto para ela quanto para mim, o português é a língua materna, tento me deter mais em atividades em inglês. Leio e conto histórias em inglês, tento mostrar desenhos em inglês, canto músicas em inglês, etc. Mas confesso que não é fácil ficar num idioma só, rsrs. É uma luta interna, principalmente quando não lembro ou não sei como se fala uma determinada palavra.

Bem, mas como eu disse lá em cima, este post é para falar sobre a aquisição de linguagem da Alícia, a minha mais nova. Contei tudo isso, na verdade, para contrastar o histórico das duas e tentar compreender o processo pelo qual ela está passando. Por um lado, o aprendizado da Alícia tem dependido muito mais dos meus estímulos e influência (já que ela nunca foi para escolinha alguma) e, por outro, como a aquisição de fluência da Nicole transcorreu tão bem eu percebo que tenho sido menos rígida com ela, no sentido de não cobrar tanto, praticar menos e, principalmente, me disciplinar para misturar o mínimo os idiomas.

A Alícia não fala tão bem ainda (por causa da pronúncia ruim, às vezes o som que ela diz é muito diferente do que ela pretende que ele seja!), mas já tenta se comunicar com duas palavras ao mesmo tempo (está começando a construir frases). Algo que eu tenho notado é que as palavras que eu intencionalmente ensinei, ela fala em inglês. Já as palavras que ela aprendeu sozinha (que ela fala espontaneamente de ouvir outros dizendo) são geralmente em português. O que isso me faz concluir? Que estou sendo mesmo relaxada e falando bem mais português do que em inglês em casa!! Para a Nicole essa falta de disciplina não é mais tão comprometedora já que ela domina bem os dois idiomas, e sabe ir de um para o outro sem problemas, já para a Alícia que não tem nem um nem outro idioma consolidado ainda, isto pode vir a ser um problema!

Outro ponto muito curioso é a pronúncia dela e a insistência em falar certas palavras em português (apesar de compreendê-las perfeitamente em inglês). Por exemplo, se eu digo: "Lily, where is your foot?" ou "Show me your foot", ela me mostra o pé e diz "Pé", em português!! O mesmo acontece rotineiramente com "daddy", "mommy" e "baby", são palavras que ela não fala de jeito nenhum em inglês. Não sei porque!! Se tiver algum especialista aí lendo este post, não deixe de comentar! Vou até colocar alguns vídeos que meu marido gravou para vocês terem uma ideia mais clara do que estou tentando explicar. É bem engraçado porque parece até que ela está fazendo de propósito, para tirar sarro dele!






Para finalizar o post, segue uma pequena lista de palavras que eu fui anotando nas últimas semanas que sei que ela conhece e tentar usar ao se comunicar! Claro que não consegui anotar todas, mas com essa lista já dá para ter uma ideia de como está o vocabulário dela. Vocês vão reparar que a pronúncia de algumas, principalmente as em português, têm pouco a ver com a palavra em si. Pedi ajuda ao meu marido sobre a forma de representar a pronúncia dela e não concordamos em um monte delas - eu acho que ela fala de um jeito e ele acha que ela fala de outro, rsrs. Mas vamos à lista:

Em Português
- dada (=obrigada)
- côco (=colo)
- oto (=o outro)
- ete (=este)
- ovo (=de novo)
- bô (=acabou)
- Kicky (=Nicky)
- nona (=danoninho)
- pá / pato (=sapato)
- au au (serve para qualquer animal)
- toto (=gostoso)
- Nana (nome da boneca, pode ser banana tb)
- pei (=espera/pare)

In English
- peese (=please)
- bye bye
- wawa (=water/shower)
- poo poo
- oo (=shoe/juice)
- apple (may mean other fruit too)
- more
- bib
- ball
- boh (=book)
- poon (=spoon)
- ep (=help)
- nee (=me)
- mine
- meh (=milk)
- puhple (=purple)
- why (=white)
- cuh (=cover)

Bem, por hoje é só. Espero conseguir voltar dentro de alguns dias para fazer o update de 1 ano e 10 meses dela. Um abraço!

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Vida sem empregada. E agora?

Como é de conhecimento geral, agora os empregados domésticos passaram a ter os mesmos direitos que haviam sido assegurados aos demais trabalhadores na Constituição de 1988. Justo ou injusto? Sinceramente, não vou nem discutir porque há argumentos para todos os lados e se trata de uma batalha inútil. 

O fato é: ter uma empregada doméstica, algo tão comum no Brasil, ficou mais caro. E não sou otimista: a tendência é piorar, porque o salário mínimo subiu consideravelmente nos últimos anos e seguirá subindo. Assim, daqui um tempo uma família de classe média realmente não terá mais essa ajuda providencial. A solução, em um primeiro momento, será recorrer a diaristas, mas para um segundo momento, acredito que essas profissionais também reajustarão seus valores. 

Concluo que logo seremos como os Estados Unidos. Ajuda com a casa será coisa de rico.

Vocês leitoras devem se perguntar o que esse assunto tem a ver com blog de maternidade. Minha resposta? Tudo.

Minha avó tinha empregada. Minha mãe tinha empregada. Nenhuma das duas nunca considerou que eu não teria uma. Fui criada sem aprender a fazer coisas básicas como lavar uma roupa bem lavada, passar direitinho ou fazer comida. Essa nunca foi uma preocupação dos meus pais, porque sempre consideraram que eu teria ajuda, ainda que de uma diarista.

E isso não aconteceu só comigo. Praticamente TODAS as minhas amigas foram criadas do mesmo jeito. É extremamente raro encontrar alguém da classe média com filhos sem ajuda de, ao menos, uma diarista. Acho que esse é o caso de boa parte de nossas leitoras.

Mas agora ficou evidente que a perspectiva para o futuro é outra. Vejam, não queria entrar nesse mérito, mas acho que não vai ter jeito: essa emenda constitucional só fez “cair a ficha”. Já estava bem evidente que essa mudança de paradigma aconteceria. Hoje, faxineiras ganham bem, conseguem estudar seus filhos e não os criam para serem faxineiros no futuro. O mesmo vale para empregadas. Alguém duvida que faltaria mão de obra no futuro, se é que já não falta nos dias de hoje? E qual é a lei básica de mercado? Se a oferta é menor que a procura, o preço sobe. 

Cá estou eu educando minha filha de três anos e meu filho bebê e percebo que tenho que fazer algo inédito até para mim: ensiná-los a cuidar da casa. Ensinar e exigir que participem das tarefas de casa, principalmente agora, não é só algo sobre disciplina. Eles vão precisar disso mais para frente, quando contratar uma empregada não for mais uma opção! Sim, leiam bem: tenho plena convicção que dificilmente todos terão empregados ou até diaristas daqui uns 20 anos

Como mãe pró-ativa, preciso me adequar a essa nova perspectiva e me esforçar para ensinar “as prendas” aos meus filhos, tanto quanto exigir um bom aproveitamento escola (tudo bem que a Gi ainda não tá nessa fase, mas entenderam, né?). Isso começa desde cedo. O Vini precisa me ver guardando seus brinquedos. A Gi terá tarefas, ainda que simples, como guardar os copos, panelas e enxugar a louça não perigosa. 

Aos poucos, meus filhos aprenderão e serão responsáveis por coisas diferenças. Eu não serei a única beneficiada quando cada um fizer sua tarefa... eles colherão os melhores frutos: saberão cuidar da casa e já estarão disciplinados e acostumados a desempenhar as tarefas. 

Caiu a ficha?

terça-feira, 2 de abril de 2013

Brasileira que mora nos EUA conta como é a sua rotina diária em casa.

Em resposta ao post Educação domiciliar e a busca por uma "rotina ideal" publicado aqui no blog na semana passada, uma amiga que atualmente mora em Oklahoma, me enviou uma mensagem contando como é a sua rotina doméstica nos EUA. A Mariela é uma pessoa que eu conheço "desde sempre" porque estudamos a vida toda no mesmo colégio e também congregamos na mesma igreja boa parte de nossas vidas. Aos 18 anos, depois de terminar o ensino médio aqui no Brasil, ela foi para os EUA fazer faculdade de Enfermagem. Lá ela conheceu o marido, Garrett, com quem se casou em 2010 e, um ano depois, nasceu a Natalie (hoje com 18 meses), a primeira filha do casal. Atualmente, a Mariela está grávida de novo, com 27 semanas, esperando o segundo bebê, um menininho. Conversamos um pouco pela internet e ela consentiu que eu escrevesse este post contando alguns detalhes da vida dela, na intenção de que a forma como ela estrutura seu dia-a-dia, conciliando os cuidados da casa, o tempo com o marido, com a filha, o cansaço da gestação e ainda um trabalho fora de casa, sirva de inspiração e ajude mamães com ideias de como se organizarem em suas próprias casas!

Descrição da rotina diária da Família Barbosa Hamm
7:00 - Acordamos, tomamos café, nos trocamos, fazemos devocional em família, etc.
8:00 - Meu marido sai para trabalhar e a Natalie e eu vamos para a academia.

Na academia, a Natalie fica com as babás do "nursery", onde ela fica brincando com crianças da mesma idade. Eu consigo ver o que ela está fazendo enquanto estou na esteira, pois são paredes de vidro.

9:15 - Chegamos em casa, tomamos banho e comemos um lanche.
10:00 ou 10:30 (depende do dia) - Atividades especiais fora de casa.

A minha cidade oferece uma série de programações para crianças de várias idades.

Segunda-feira: Dia de biblioteca - um período de leitura e atividades relacionadas à leitura, direcionado a crianças de 12 a 24 meses, que acontece na biblioteca da cidade.
Terça-feira: Dia de ginástica, especial para as mães interagirem com os filhos.
Quarta-feira: Dia de "play date"(com 2 ou 3 amiguinhas) no "Leonardo's", um centro recreativo indoor que oferece atividades variadas (ex. cozinha de brincar, consultório médico, pintura, etc.)
Quinta-feira: Dia de dança "Wee Move With Mommy", para mães e bebês se mexerem e desenvolverem sua musicalidade.
Sexta-feira: "Mom's day out" - um dia na semana para a mãe ficar fora. É um programa cristão que funciona das 9:00 às 15:00. A Natalie começará nele quando voltarmos para casa (porque no momento estamos no Brasil visitando a minha família). Ela ficará numa classe com crianças da mesma idade, terá um currículo bíblico, com várias atividades, inclusive hora da soneca. Esse será o dia que terei para adiantar tudo! Fazer compras, faxina, lavar roupa, manicure, cabelo, etc. seja o que for que precisa ser feito.

11:00-11:30 - Chegamos em casa e meu marido também vem para casa para almoçarmos em família.
12:30 - Eu e a Natalie tiramos a nossa soneca da tarde (antes eu não tirava, mas agora grávida... ai, como eu canso!). Eu só durmo 1 hora e meia, mas a Natalie dorme até 15:00-15:30.
15:00 - Hora do lanche.
15:30 - Hora de dar toda a minha atenção à Natalie - e hora de aprendizado. Por meia hora lemos livros, aprendemos "shapes", "colors", etc. e, por meia hora, brinco com ela de mercado, de boneca, etc.
16:30 - Hora das tarefas de casa.

Para dar conta de tudo, eu divido uma tarefa grande por dia. Por exemplo, se segunda-feira eu lavar os banheiros, então na terça-feira eu aspiro e passo pano na casa, na quarta-feira eu lavo roupa (na verdade, são 2 dias designados para as roupas!) e assim por diante. Isso além das tarefas diárias de ajuntar os brinquedos, esvaziar a lava-louças e etc.. Enquanto faço essas tarefas, a Natalie me "ajuda" - dou um paninho e ela finge que tira pó ou esfrega a parede. Quando estou dobrando as roupas, ela quer fazer igual, entre outras coisas.

17:30 - Preparo o jantar e dou janta para a Natalie. Enquanto preparo a janta, ela assiste a um desenho (como, por exemplo, "Veggie Tales"). Ela janta mais cedo, pois meu marido só chega em casa às 18:30 e aí fica muito tarde para ela jantar.

18:30 - Meu marido chega em casa e prepara a Natalie para dormir (troca, faz uma leitura, ora e coloca ela no berço). Aí sim, ufa... hora de relaxar, jantar, conversar e curtir o maridão! Ah, e uma vez a cada duas semanas, em uma das noites, minha sogra vem e fica em casa para podermos ter um "date night". = )

Bom, mas tudo isso para falar que tempo para cozinhar é muito difícil quando o nosso dia é tão agitado. E realmente é difícil ficar na cozinha cozinhando por uma hora com criança pequena. Por isso, eu pesquisei muito em vários sites e blogs, e no pinterest, e organizei um esquema de "meal planning" para a nossa família, onde já preparo várias refeições e congelo para a semana. Ou escolho receitas em que posso deixar a carne e todos os legumes em um "slow cooker" por 8 horas e na hora da janta já está prontinho!

Esse negócio de "meal planning" requer bastante preparação de antemão, mas vale muito a pena no dia-a-dia! Eu costumava me estressar muito com comida porque nunca sabia o que ia fazer, e aí não tinha certos ingredientes em casa quando queria fazer alguma coisa. Geralmente escolho um dos dias da semana à noite ou de domingo à tarde para preparar as refeições, quando meu marido está em casa porque com ele vai rapidinho. Coloco cada refeição em um "zip-lock bag" grande e congelo. E escrevo com canetinha permanente qual refeição está em cada plástico.

Repito aqui o comentário que escrevi naquele post da Talita. Não tenho empregada doméstica e posso dizer que é sim possível dar conta de tudo e de manter um lar limpinho e organizado quando nos programamos e nos planejamos para isso. No momento, eu ainda trabalho "part-time-per diem", o que significa que eu faço alguns plantões no hospital, mas só quando eu quero (a condição é que eu trabalhe pelo menos dois dias por mês). Dessa maneira, consegui conciliar ser mamãe em tempo integral e também ganhar experiência profissional. Mas quando meu segundo filho nascer, vou parar de trabalhar fora por um tempo. Agora que a Natalie está começando a ter mais e mais atividades durante o dia, tenho trabalhado menos dias fora.

O estabelecimento de uma rotina diária tem sido uma bênção para o bem-estar da nossa família, pois é como a Talita disse: a rotina é só um guia para organizar os nossos dias e conseguirmos ser produtivos, fazendo atividades com conteúdo e aprendizado. Planejamos a rotina, mas também nos adaptamos às circunstâncias e acontecimentos do dia-a-dia. E agora, com um bebezinho chegando, terei de realmente replanejar essa rotina!

É isso, espero ter compartilhado algumas dicas boas!

Mariela Barbosa Hamm

sexta-feira, 29 de março de 2013

Conversa do futuro sobre "homeschooling"!

Em minhas "andanças" virtuais, lendo e pesquisando na internet sobre ED (educação domiciliar) e procurando relatos e experiências de outras famílias que pudessem me inspirar e dar ideias, me deparei com um texto que eu achei brilhante porque desafia o nosso conceito sobre o que é efetivamente "normal" ou "natural" quando se pensa em ensino, educação, formação do homem, socialização e escolarização.

Não digo que concordo necessariamente com tudo, mas que pelo menos vale a pena ler e refletir!

O post original, em inglês, pode ser encontrado aqui. Ele foi tirado do blog An Unschooling Life.

HOMESCHOOLING CONVERSATION FROM THE FUTURE
Duas mulheres se encontram num playground, onde seus filhos brincam no balanço e com a bola. As mulheres estão sentadas no banco observando. Finalmente, elas começam a conversar.

Mulher nº. 1 - Oi. Meu nome é Maggie. Meus filhos são aqueles três usando camisetas vermelhas - me ajuda a não perdê-los de vista.
Mulher nº. 2 - (Sorri) Eu sou a Terri. Os meus são aqueles de camiseta rosa e amarela. Você vem muito por aqui?
M1 - Geralmente duas ou três vezes por semana, depois de passarmos pela biblioteca.
M2 - Puxa, como você encontra tempo?
M1 - A gente pratica a educação domiciliar, então geralmente vamos durante o dia.
M2 - Tenho alguns vizinhos que também educam em casa, mas os meus filhos estudam em escola pública.
M1 - Nossa - como você dá conta?
M2 - Não é fácil. Eu participo de todas as reuniões de pais e mestres e trabalho com as crianças todos os dias depois da aula, tento me envolver bastante.
M1 - Mas e a socialização? Você não se preocupa que elas fiquem presas o dia todo apenas com crianças da mesma faixa etária, nunca tendo oportunidade para formar relacionamentos naturais?
M2 - Bem, sim. Mas eu me esforço para equilibrar isso. Meus filhos tem coleguinhas que são educados em casa e a gente procura visitar os avós deles quase todo mês.
M1 - Você parece uma mãe bem dedicada. Mas você não se preocupa com todas as oportunidades que eles estão perdendo? Quer dizer, eles estão tão isolados da vida real - como saberão como o mundo é de verdade, o que as pessoas fazem para se sustentar, como lidar com diferentes tipos de pessoas?
M2 - Ah, nós discutimos sobre isso na reunião de pais e mestres, e começamos um fundo para poder trazer pessoas reais à sala de aula. No mês passado, trouxemos um policial e um médico para conversar com os alunos durante a aula. E, no mês que vem, receberemos uma senhora japonesa e um homem do Quênia.
M1 - Uhm, nós conhecemos um homem do Japão no mercado algumas semanas atrás, e ele contou um pouco sobre a sua infância em Tóquio. Meus filhos ficaram absolutamente fascinados. Nós o convidamos para jantar e conhecemos sua esposa e seus três filhos.
M2 - Que legal. Hmm. Talvez possamos planejar comida japonesa no refeitório no Dia Multicultural.
M1 - Talvez sua convidada japonesa possa comer com as crianças.
M2 - Ah não, ela tem a agenda muito apertada. Tem mais duas escolas para ela visitar no mesmo dia. É uma atividade em rede que estamos fazendo.
M1 - Ai, que pena. Bem, talvez você consiga conhecer algumas pessoas interessantes no mercado e você pode convidá-los para jantar em sua casa também.
M2 - Acho que não. Eu nunca converso com ninguém no mercado - ainda mais alguém que talvez nem fale a minha língua. E se aquele homem japonês que vocês conheceram não falasse inglês?
M1 - Pra falar a verdade, nem tive tempo de pensar nisso. Antes mesmo de eu vê-lo, meu filho de 6 anos perguntou o que ele iria fazer com todas aquelas laranjas que ele estava comprando.
M2 - O seu filho fala com estranhos?
M1 - Eu estava bem ali com ele. Ele sabe que enquanto estiver comigo, ele pode falar com qualquer pessoa que quiser.
M2 - Os meus filhos nunca falam com estranhos.
M1 - Nem mesmo quando estão com você?
M2 - Eles nunca estão comigo, exceto em casa depois que chegam da escola. Então você entende porque é tão importante que eles entendam que falar com estranhos está fora de cogitação.
M1 - Sim, eu entendo. Mas se eles estivessem com você, poderiam conhecer pessoas interessantes e ainda ficar seguros. Eles experimentariam o mundo real, em situações reais. Eles também aprenderiam a reconhecer quando uma situação é perigosa, quando é preciso suspeitar.
M2 - Eles aprenderão isso na 3ª e 5ª série nas aulas sobre saúde.
M1 - Bem, dá pra ver que você é uma mãe muito empenhada. Vou lhe passar meu número de telefone - se você precisar conversar algum dia, me dê uma ligada. Foi bom conhecê-la.

quarta-feira, 27 de março de 2013

Educação domiciliar e a busca por uma "rotina ideal".

Nessa busca por uma "rotina ideal" para o nosso lar, que vem sendo alterada e aperfeiçoada com frequência, me deparo, na prática, com aquilo que eu evidentemente já conhecia na teoria (e que todas nós sabemos!): planejamento e flexibilidade andam juntos. Não dá para optar por um ou por outro, tem de ter os dois no balanço, precisa do equilíbrio. E esse conceito, tenho percebido, também é muito pertinente para a educação domiciliar.

Afinal, como anda a nossa rotina aqui em casa?

Bem, em janeiro idealizamos um plano (leia aqui), em fevereiro achamos por bem realizar algumas modificações na estrutura do nosso dia (veja figura ao lado) e agora, já em meados de março, estamos vendo que um novo plano haverá de ser elaborado por causa de mudanças em nossa vida e, claro, porque também somos novos nisso e ainda estamos aprendendo o que significa "educar em casa".

A principal mudança na nossa vida doméstica é que a pessoa que vinha uma vez por semana me ajudar com a roupa e com a limpeza da casa descobriu que estava grávida de 7 meses. Ficamos muito felizes por ela, mas também um pouco desorientados com a notícia (além de chocados porque ninguém - nem ela - desconfiou dessa gestação!). Agora preciso aprender não somente a lavar e a passar, mas também a dar um jeito de incluir essas atividades no meu dia-a-dia que, por sinal, já é bem cheio. Confesso que estou apreensiva quanto à minha capacidade de "dar conta".

Mas Deus é BOM! Eu amo o fato de Deus ser didático e, além disso, sei que Ele nunca permite em nossa vida dificuldades ou obstáculos maiores do que podemos suportar ou transpor.

Em retrospectiva, vejo a mão dEle nos preparando para cada mudança. Acompanhe a minha história.

Em agosto do ano passado, parei de trabalhar fora para ficar em casa com as meninas durante o dia e para retomar as aulas na faculdade à noite. Durante todo aquele semestre, a Nicole ainda frequentava a escola pela manhã e foi justamente o tempo que eu precisei para, aos poucos, ir aprendendo a cozinhar e a ganhar prática em fazê-lo (algo que eu quase não fazia antes já que eu, mesmo depois de casada, sempre tive quem cozinhasse pra mim). Hoje tenho prazer em cozinhar para a minha família, mas antes era algo que eu não gostava nem um pouco de fazer - que já era de se esperar já que dificilmente iremos gostar daquilo que não dominamos ou, pelo menos, não conhecemos o suficiente para termos alguma confiança em nós mesmos. Claro, não sou nenhuma expert na cozinha e nem sei cozinhar para muita gente, mas me empenho o suficiente para que as minhas comidas fiquem gostosas (embora simples) e acho que o fato do meu marido me elogiar bastante (principalmente as minhas saladas com frutas que todos aqui em casa gostamos muito), me dá ousadia de experimentar e, de vez em quando, até de inventar pratos diferentes. Não ter um grande repertório de receitas também não é problema, a internet é a minha grande aliada, rs - viva à tecnologia!

Do fim do ano passado para cá, uma nova mudança em nossa vida: dessa vez, tivemos de, como família, aprender e nos habituar a manter a limpeza da casa durante a semana já que, por motivos financeiros (porque parei de trabalhar fora), a pessoa que nos ajudava com os serviços domésticos passou a vir apenas de sábado para fazer a faxina e para cuidar da roupa (antes ela vinha 3x). E isso com a novidade também de que agora as duas crianças ficavam o dia todo comigo em casa. Isso já foi um tremendo desafio pra mim.

Imaginar que, em meio ao tempo que eu ficava na cozinha para preparar as refeições (e depois para limpar toda a bagunça: tirar o lixo, varrer e passar pano no chão, lavar a louça, guardá-la, etc) e também brincando e ensinando as meninas (nossa atividade de homeschooling pela manhã), eu ainda teria de encontrar alguma horinha durante o dia para dar conta de ler os textos da faculdade. E, no fim do dia, quando minha bateria já estivesse quase toda esgotada, lá iria eu pegar o trem para ir assistir aula na faculdade - quatro noites por semana! Um expediente rigoroso de três turnos, não só para mim, mas também para o maridão que assumiria o "turno noturno" da casa (leia-se: lavar toda a louça da janta, colocar as meninas pra dormir e depois ainda pegá-las dormindo, colocá-las no carro pra ir me buscar na faculdade bem tarde da noite - 40 min para ir e 40 min para voltar!). Quase não sobraria tempo para ele descansar também.

Pois eis que de duas semanas para cá, há uma nova tarefa a ser incorporada: aprender a lavar e passar roupa! Ouço com frequência que lavar é moleza, afinal eu tenho máquina e não tem segredo. Eu até acredito, mas como nunca a fiz regularmente (de verdade, admito!) me dá um friozinho na barriga de imaginar como vai ser. Em primeiro lugar, estou ciente de que vou precisar me ORGANIZAR melhor (tem muitos blogs que ajudam e já estou começando a lê-los, além de pedir dicas a amigas que ficam em casa para saber como elas fazem tudo). Também preciso começar a aceitar o fato de que não vou mais ter o privilégio de ver minha casa toda limpinha e organizada no mesmo dia. Recentemente alguém compartilhou no Facebook um texto engraçado com o título "Dez Mandamentos da Maternidade". O 1º. mandamento dizia: "Renunciarás a uma casa limpa". E é bem isso que estou tendo de fazer ultimamente, rs. Vou aprender a me contentar com os banheiros limpos num dia, a roupa lavada no outro (passada então, só muitos dias depois!), os brinquedos organizados no outro, e assim sucessivamente. Mas tudo limpo e organizado no mesmo dia, acho bem difícil daqui pra frente. Em vez de me matar por um ideal que por ora é inatingível, vou aprender a aceitar, com alegria, minha nova realidade.

A maior bênção disso tudo é o meu esposo. Não conseguiria fazer nada disso sem o apoio dele. Ele é do tipo que arregaça as mangas e faz junto, sabe? Não coloca todo o peso sobre os meus ombros. Não tem esse negócio de que ele "trabalha fora" e eu "dentro", ou seja, ele não fica esperando tudo de mão beijada em casa só porque ele é o provedor financeiro da nossa família atualmente e eu fico em casa o dia inteiro. É claro que ele fica feliz quando eu faço as coisas dentro de casa, principalmente para ele (como passar suas camisas), mas não é dependente disso. Ele sabe se virar até melhor do que eu porque já tinha morado sozinho antes de nos casarmos e isso o ajudou bastante. Não me sinto cobrada por ele. Aliás, ele me surpreendeu um dia dizendo que ficava feliz quando chegava em casa e encontrava a garagem revirada de brinquedos porque era sinal de que as meninas haviam se divertido muito ali aquele dia. E eu pensando que o objetivo era deixar tudo guardadinho e organizado para ele não encontrar uma casa caótica, hehe. : )

De qualquer forma, preciso preparar uma nova agenda de atividades para o nosso lar (confesso que não sei quando vou conseguir arrumar tempo para isso!) e, dessa vez, gostaria de aplicar o princípio dos Moores para o homeschooling: estudo, trabalho e serviço. Leia este post para entender um pouco sobre a filosofia de educação domiciliar sobre o qual eles escreveram. Além de incluir à nossa rotina o trabalho da casa (serviços domésticos), dividido em partes para cada dia da semana, e permitir que as meninas participem dele (na medida do possível, de acordo com a idade de cada uma, claro), também quero pensar em formas de serviço à comunidade a nossa volta que minhas filhas e eu podemos gostar de nos envolver, para abençoar o próximo. Esta é uma visão bastante interessante de formação do cidadão (e do cristão) e acho que seremos grandemente abençoadas se isto fizer parte de nossas atividades regulares.

Como vou fazer tudo isso? Bem, isso eu ainda não sei. Mas aceito dicas e sugestões! O que está mais latente para mim no momento é a constatação de que eu vivi a minha vida toda num HOTEL e não sabia, rs. Alguém mais aí? Desde pequena passava quase o dia todo na escola, chegava em casa pra tomar banho, jantar, fazer lição de casa e dormir. Eu sujava as roupas, mas bastava colocá-las no "cesto mágico" e, dentro de poucos dias, elas apareciam limpinhas e cheirosas na minha gaveta novamente. Comida fresca e quentinha também sempre tinha à mesa, em todas as refeições, e eu nem sabia de onde elas vinham e o tempo e o trabalho que dava prepará-las. Sucos? Sempre tinha natural. Nada desse negócio de pozinho. O lençol da minha cama estava sempre esticado apesar de eu sair de manhã e deixá-lo todo embolado. O meu trabalho e obrigação, enfim, eram estudar e ser boa aluna. Tirar boas notas. Apenas isto era cobrado de mim porque, afinal, eu estudava num colégio caro e precisava fazer valer este investimento dos meus pais. Mesmo tendo começado a trabalhar cedo (aos 16), o trabalho era fora, no escritório, não em casa.

Assim, além de manter a organização de meu armário e prateleiras (algo que nem precisava mandar eu fazer), raras vezes precisei ajudar nos serviços domésticos. No domingo, às vezes, minha mãe nos fazia arrumar a própria cama ou distribuía tarefas para agilizar o almoço, uma vez ou outra até falou para meu irmão e eu lavarmos o banheiro. Ela tinha essa noção de que precisávamos aprender, mas as oportunidades não foram tantas a ponto de eu poder dizer que aprendi e, por isso talvez, hoje eu me sinta um tanto incapaz para desenvolver essas tarefas. O resumo da ópera é que meus pais (com todo o amor e entendimento que tiveram na época) tentaram nos poupar e com isso tive uma formação "deficiente" nesse sentido. Mesmo depois de casada, quando eu não tinha condições $$ de pagar alguém para trabalhar para mim, eu mandava roupa suja para a empregada da minha mãe lavar e passar (isto apesar de eu ter máquina em casa!).

Mas, agora que fui "pega com as calças curtas", estou aprendendo a VALORIZAR esse serviço!! Como a Beth conseguia faxinar toda a casa, cozinhar, lavar e passar tudo em um único dia de trabalho está além da minha compreensão, rsrs. Me perguntaram se eu vou querer contratar outra diarista para fazer o que ela fazia. Minha resposta, pelo menos por agora, é não. Por quê? Primeiro pela questão financeira (vou guardar esse dinheiro para outras coisas) e segundo porque por muito tempo ouvi de minha mãe que eu tinha de aprender a fazer o serviço para poder falar como eu queria que fosse feito. Pois é, então se for para eu ter uma diarista de novo algum dia, então primeiro eu tenho de aprender a fazer o serviço!! E fazer bem feito, no capricho. Sabe que se tornou uma questão de honra pra mim? Eu preciso fazer isso por mim mesma, para eu me sentir capaz, para eu saber que consigo me virar sem uma empregada doméstica, que eu não sou incapaz de cuidar da minha própria casa. Eu não sou burra e nem inválida, tenho total condição de aprender. Basta eu querer e me empenhar. E também porque eu quero passar essa filosofia de autonomia para as minhas filhas, quero ajudar a desenvolver isso nelas. Quero que elas saibam se virar, não quero que elas fiquem dependentes de alguém sempre tendo de fazer tudo por eles, com essa sensação de incapacidade que eu estou sentindo. E, em terceiro lugar tem a questão cultural - e se no futuro nossas filhas quiserem morar em outro país? Nunca morei fora, mas já ouvi muito que em outros lugares não é essa mamata que temos aqui em SP, de ter alguém que faça tudo por nós (mão-de-obra barata que, por sinal, está deixando de ficar barata). Lá nos EUA, por exemplo, é muito comum as mulheres fazerem as próprias unhas, escovarem os próprios cabelos, fazerem a própria depilação, cortarem o cabelo dos filhos, limparem a própria casa e muitas, inclusive, ensinam os filhos em vez de enviá-los para a escola!! Os maridos também, até onde eu sei, costumam ser ativos e participativos - alguns constroem a própria casa, fazem mudanças quando preciso, constroem os armários da cozinha (ou outros móveis para a casa), pintam a casa... enfim, se metem a serviços de pedreiro, de marceneiro, de pintor e afins. E tudo isso sem deixar de estudar, fazer faculdade, se especializar, etc. Um conhecimento não precisa desprezar ou excluir o outro, eles se agregam!

Mas voltando a falar sobre o tema deste post, como vocês perceberam eu ainda não acertei a "rotina ideal" para o nosso homeschooling. Se você olhar para o meu plano de fevereiro (acima), vai ver que ele está lindo. Eu aparentemente pensei em todos os pormenores, me empenhei em preparar algo redondo, coeso. É sempre assim, não é? As teorias, no papel, costumam ser lindas. Eu preparo algo brilhante e "perfeito", mas quando chega a hora de aplicar o plano, bem... nem sempre sai como eu idealizei. No meu caso, posso dizer absolutamente o contrário: nesse último mês os meus dias quase nunca saíram como o idealizado no papel! Um verdadeiro fracasso, se você parar para pensar, rs. Mas tudo bem! Numa palestra a que assisti recentemente, cujo tema era gerenciamento do tempo, fui inspirada por um princípio que deve ser o norteador de nossas escolhas: pessoas, e não coisas, vêm em primeiro lugar. O termo "coisas" neste momento para mim significa o meu plano para a nossa rotina de atividades diárias. : )

E não posso nem botar a culpa na faculdade. Mesmo quando as minhas aulas ainda não tinham começado, foram raros dias que eu consegui seguir o plano das 2 horas de estudo, intercalado os momentos individuais e os momentos com as meninas juntas. Era coisa demais para eu preparar e, no fim, eu acabava improvisando com base no que acontecia. Por outro lado, tivemos experiências riquíssimas! De verdade. Vou dar dois exemplos.

Numa manhã estava eu "lendo" um livro de figuras para a Alícia e, numa das páginas, tinha a foto de uma menininha vestida de rainha, com coroa, manto e moedas simbolizando sua riqueza. A Nicole se interessou muito, começou a fazer perguntas sobre reis e rainhas e fizemos um projeto em cima disso. Peguei uma cartolina e criamos nossas próprias coroas, pintamos as pedras preciosas nelas com cola de diferentes cores e depois brincamos de usá-las.

Outro dia ela ficou falando de binóculos (que tem na mochila da Dora Aventureira) e aproveitei a curiosidade dela para fazer outra atividade artística! Juntei alguns rolos de papel higiênico, os encapamos com papel crepom (que era o que tínhamos em casa) e criamos dois binóculos e um monóculo. Depois procurei na internet fotos de binóculos e monóculos de verdade para ela poder comparar. Ela se divertiu brincando de tentar enxergar pelos binóculos e monóculo que havíamos criado.


Não estou me martirizando pelo "fracasso" da minha rotina idealizada, estou olhando pelo lado positivo, pelo lado "construtivista" de nossas atividades improvisadas e descobrindo que "homeschooling" tem muito mais a ver com VIVER A VIDA do que escolarização em si.

No mais, continuamos com os "play dates" quinzenais (uma amiga e suas duas filhas vêm à nossa casa pra passar o dia conosco no Sesc, uma bênção!). E mesmo quando elas não vêm, eu continuo fazendo o passeio ao ar livre só entre nós. Abaixo vejam algumas fotos de um passeio recente que fizemos sozinhas. : )



Está ficando cada vez mais claro para mim que, pelo menos enquanto as crianças forem pequenas e estiverem em casa, essa busca por uma "rotina ideal" se transformará, quase sempre, numa "rotina possível". A cada dia, semana e mês surgem novidades e desafios - novos ou diferentes - para serem superados. Apesar de racionalmente ter consciência desses pontos, confesso que emocionalmente ainda é uma luta! 

segunda-feira, 25 de março de 2013

A história da Páscoa - um incentivo para enriquecer suas tradições familiares!

Em dezembro do ano passado, nossa amiga Cristine falou sobre Tradições Natalinas com os Filhos e deu ideias de atividades significativas que podemos fazer com as crianças em antecipação da comemoração do nascimento de Jesus. Bem, a Páscoa está chegando e a lembrança da morte e ressurreição de Jesus Cristo é, sem dúvida, a data mais importante do calendário cristão!

Aqui em casa começamos a falar sobre o assunto no início do mês de março com meu marido relembrando a história da crucificação nos momentos devocionais em família que fazemos pela manhã. Porém, alguém recentemente compartilhou pelo Facebook um vídeo lindo que não resisti em trazer aqui para o blog: é a história da Páscoa encenada só por criancinhas. É bem curtinho, mas delicioso de assistir! Minha filha de 3,5 anos simplesmente amou e me pede para assisti-lo novamente quase que diariamente, rs.


O engraçado é que o dia em que o assistimos pela primeira vez de manhã, a mensagem impactante da Cruz ficou ressonando em sua mente, levando-a a insistir na mesma pergunta várias vezes durante o dia: "Mamãe, por que os homens quiseram bater em Deus?". O vídeo de Jesus mexeu com ela. Eu tento explicar que as pessoas não sabiam e não acreditavam que Jesus era o Filho de Deus e que tinham raiva dEle, queriam que Ele morresse porque achavam que Ele estava mentindo para elas. Ela ouve pensativa e não fala nada. Parece contentar-se, mas dali a pouco, não satisfeita, torna fazer a mesma pergunta!! Não se cansa de tentar entender e lá vou eu tentar explicar tudo novamente, rs.

No dia seguinte, na hora do café da manhã, advinhem a primeira coisa que vem à mente dela na hora do devocional? Sim, ela pede de novo: "Eu quero ver a história de Jesus no ipad". Rsrs.

Tenho refletido que oportunidades como essas são magníficas para alcançarmos o coração de nossos filhos, para expormos as fragilidades da natureza humana e para falarmos de princípios espirituais profundos que dizem respeito à nossa existência nesta Terra. E lembrarmos do infinito e incondicional amor de Deus por nós, do sacrifício de Jesus que se entregou à morte para que não precisássemos ser condenados, que por meio de uma vida justa nos reconciliou com o nosso Criador, permitindo que nos tornássemos FILHOS do Altíssimo. A história da Páscoa é a mais linda de todas e quando, em meio à nossa religiosidade vazia, nos esquecemos dela, a nossa perspectiva muda e nos tornamos cristãos soberbos, egoístas, frios, arrogantes e afins. É a HISTÓRIA DA CRUZ que nos lembra quem nós somos e, principalmente, quem Ele é. E é essa história que não podemos deixar de contar e recontar aos nossos filhos muitas e muitas vezes!!

Nesta Páscoa, quero incentivar você, querida mamãe leitora, a não colocar o foco no coelhinho ou no ovo de chocolate em seu lar. Chocolate é bom, é sim - e eu amo! - mas nesses meus 10 anos de casada, comprar "ovos de páscoa" não fez parte da nossa tradição de páscoa em casa, e isso mesmo quando não tínhamos as meninas. Claro que se eu recebê-los, aceito com a maior tranquilidade e alegria, hehe. Como hoje, por exemplo, em que a Nicole ganhou chocolate na aula de balé e veio para casa fantasiada de coelhinha. De toda forma, eu quero aproveitar a data para focar no que a Páscoa realmente significa, fugindo das confusões que a mídia faz ao colocar todos os holofotes na figura do coelho e dos ovos!

Domingo passado foi "Domingo de Ramos" e agora só falta uma semana até a "Sexta-feira Santa" e o "Domingo de Aleluia". Você pode aproveitar os próximos dias que antecedem o final de semana da Páscoa para narrar para os seus filhos a história da última semana de Jesus na Terra, numa atividade bem gostosa em família. Você pode fazer em forma de encenação (como o do vídeo acima) de modo que cada integrante da família represente um personagem. Ou, dependendo da idade dos seus filhos, pode imprimir desenhos que ilustrem a parte do relato daquele dia para colorir. Cada dia você foca numa parte, por exemplo:

1 - A Entrada Triunfal em Jerusalém - Jesus montado sobre um jumento
2 - A Última Ceia - Jesus prediz a sua morte aos discípulos
3 - No Getsêmani - Jesus é preso, traído por Judas e negado por Pedro
4 - A Crucificação - As zombarias, a coroa de espinhos, os cravos, o sepultamento
5 - A Ressurreição - A pedra removida e o sepulcro vazio
6 - A Ascensão - Jesus aparece aos discípulos

Aqui está apenas uma sugestão. Quanto mais velhos forem os seus filhos, mais fácil fica acrescentar detalhes e ler o relato todo da própria Bíblia. Este sempre é o objetivo! Que você aproveite essas dicas para criar tradições e memórias bem especiais em família com os seus.

Um abraço, Talita