Bem-vinda!!

Bem-vinda ao nosso blog!
Aqui, mamães muito diferentes mas com um único objetivo compartilham suas experiências nesta grande aventura que é a maternidade! Nós queremos, acima de tudo, ser mamães sábias, que edificam seus lares e vivem com toda plenitude o privilégio de sermos mães! Usamos muitos dos princípios ensinados pelo Nana Nenê - Gary Ezzo, assim como outros livros. Nosso objetivo é compartilhar o que aprendemos a fim de facilitar a vida das mamães! Fomos realmente abençoadas com livros (e cursos) e queremos passar isso para frente!


"Com sabedoria se constroi a casa, e com discernimento se consolida.
Pelo conhecimento os seus cômodos se enchem do que é precioso e agradável"
Prov. 24:4,5

domingo, 17 de março de 2013

Está na dúvida entre parto normal e cesárea?

O post de hoje é para mamães que estão gestando e em dúvida sobre o tipo de parto que querem ter. Se você está na dúvida muito provavelmente é porque você já ouviu falar que o parto normal é a MELHOR OPÇÃO, por "n" motivos, e sabe (racionalmente) que há incontáveis benefícios tanto para a mãe como para o bebê... mas, por outro lado, você pensa que não tem estrutura psicológica para encarar um parto normal, tem MEDO DA DOR e, assim, imagina que a cesárea possa ser um bom atalho para um parto "seguro" e "sem complicações". Se você chegou a este post, talvez seja o seu caso. Acertei?

Para ajudá-la, primeiro eu gostaria de dizer que esta noção de poder escolher é, em si, algo bastante curioso e muito típico de nossa mentalidade brasileira. O mesmo não acontece em muitos outros países, inclusive nos mais desenvolvidos - por isso não é uma questão de pobreza ou de riqueza, mas sim de mentalidade. Você sabia que em muitos países, fazer uma cesárea eletiva, sem indicação médica, é um pensamento absurdo? Sim, porque para essas mulheres é inconcebível que se prefira - apenas por opção e não por real necessidade - realizar uma operação cirúrgica para algo que é um evento fisiológico.

Outra diferença de pensamento está ligada às práticas médicas e à nossa dependência dos "especialistas". Aqui no Brasil faz parte da nossa cultura de classe média terceirizar tudo... pagamos alguém para lavar o nosso carro, fazer a nossa unha, cortar o nosso cabelo, limpar a nossa casa, lavar a nossa roupa, fazer a nossa comida, trocar o óleo do nosso carro, fazer a nossa mudança e criar ou educar os nossos filhos, para citar alguns exemplos. Como povo brasileiro internalizamos esse modo de pensar e de viver para quase todas as áreas das nossas vidas, o que invariavelmente se estende às práticas médicas, chegando ao ponto de querermos que o pediatra nos ensine como fazer a primeira papinha do bebê!! Já reparou? É até engraçado, se você parar para pensar bem. Mas, infelizmente, uma das consequências dessa mentalidade - tão diferente da "do it yourself" (=faça você mesmo) típica de outros países - é que NOS SENTIMOS INCAPAZES para realizar as funções mais básicas de nossa existência, sendo uma delas a de PARIR. Algo que deveria ser um processo tão natural entre mãe e bebê acaba sendo delegado a uma terceira figura, o especialista. Sim, porque a raiz do pensamento é justamente este: inconscientemente, achamos que o médico é quem vai realizar o parto. Ele vai fazer o que nós achamos que não conseguimos fazer sozinhas. E, assim, essa "terceira pessoa" é quem vai trabalhar no nosso "trabalho de parto". Nós não vamos fazer nada, vamos nos contentar em ficar passivas e quietinhas porque ele é quem entende de partos. Nós pagamos, e ele faz.

Dito esses dois primeiros pontos relacionados à mentalidade e cultura brasileiras frente ao parto e à confiança em nossa própria capacidade de realizar coisas por nós mesmas, acrescento outro ponto - desta vez ligado especificamente à vida cristã, afinal, este blog também se propõe a isso, a ajudar mamães a aplicarem sua fé nas questões mais triviais do dia-a-dia. Vamos falar da questão do "medo da dor". Uma amiga recentemente me confidenciou que sempre imaginou que quando engravidasse iria chorar, mas não de emoção, e sim de pensar que "aquilo" teria de sair de dentro dela, rs. Atire a primeira pedra quem nunca teve medo de parir! Confesso que eu também pensava algo parecido. Aliás, cheguei ao cúmulo de dizer, quando era adolescente, que não iria querer engravidar nunca - tamanho era o meu medo da dor! - e dizia que iria adotar todos os meus filhos. 

Quando minhas amigas blogueiras (Cristine e Fabiana) e eu entramos nesse mundo da maternidade, "parto" era o assunto principal de nossas conversas por e-mail. Na minha família mais imediata não havia casos de mulheres que tiveram partos normais. Minha mãe fez 3 cesáreas e todas as minhas tias também - um total de 8 nascimentos por operações cirúrgicas! Claro que com esse histórico meu medo e ansiedade não desapareceram, só aumentaram. O mais natural seria olhar para esses números e pensar: "Vixi, já era! Na minha família as mulheres não têm dilatação suficiente para parir naturalmente, vou ter de ter cesárea também...". Até que eu concluí que, na verdade, o que aconteceu foi que minha mãe e tias provavelmente foram "vítimas" do fenômeno brasileiro das cesarianas induzidas por médicos. Depois de ouvir sobre o que eu andava pesquisando, minha mãe mesmo acabou admitindo que os partos dela foram cesáreas porque o médico era preguiçoso, não quis esperar ela dilatar e acabou agendando o parto para antes da hora.  Sim, porque minhas avós não tiveram escolha e elas tiveram partos naturais em casa, ou seja, sem anestesia. Na raça mesmo!

Diante dessa constatação, você pode pensar que minhas avós não eram sedentárias como a maioria das mulheres de hoje e que, por isso, seus corpos estavam mais preparados para um trabalho de parto natural, sem intervenções médicas. Em parte sim, porque uma das minhas avós inclusive trabalhou por muito tempo na roça e ralava o dia todo debaixo de sol e chuva (ela teve 4 filhos). Já minha outra avó (falecida) viveu boa parte da vida na cidade, até onde eu saiba dentro de casa e cuidando dos filhos (ela teve 3). De toda forma, o condicionamento físico não era algo que me amedrontava tanto porque eu sempre fui muito ativa fisicamente. E ainda que não estivesse "em forma" como gostaria (fazendo exercícios físicos regularmente), isso era algo que eu poderia mudar. Não estava além de mim, não era algo impossível porque dizia respeito a práticas importantes para uma boa saúde, certo?

A Cristine foi a primeira de nós a dar à luz (leia o relato de parto dela aqui) e, embora tenha sido um parto induzido e, portanto, bem sofrido, a história dela me animou a tentar também. Meu medo, como disse acima, era não ter dilatação. Pensei que se ela, que era uma pessoa tão magra, tinha tido dilatação suficiente para parir, por quê eu que sou bem mais larga do que ela não teria? Comecei a conversar com as pessoas para ouvir suas histórias de parto. Nas minhas visitas ao salão de beleza me interessava por ouvir os relatos de parto normal. Geralmente vinham de mulheres que tinham tido bebês em casa (como as minhas avós) ou no sistema público. E a dica delas sempre era algo do tipo: aguente o máximo que puder em casa, não vá correndo para o hospital ao primeiro sinal de contração; o parto é um processo e, se você estiver atenta, vai saber quando é a hora.

E é aí que entra a questão de aplicar a fé em tudo. Algumas mulheres, em tese, até optam por um parto normal, mas no fim da gestação, com a barriga pesando e o cansaço acumulando, a ansiedade vence e elas desistem. A espera é difícil, eu sei, mas faz parte do trabalhar de Deus, para nos fortalecer e lapidar. Ele não se preocupa apenas com o destino. Ele está interessado no percurso também, nas oportunidades que temos de nos deixarmos moldar por Ele, de aprendermos a ter paciência e a esperar! Vivemos vidas agitadas e estamos sempre com pressa. Pressa pra quê?! Rsrs. Com isso, acabamos desperdiçando os momentos de silêncio que poderíamos ter nos dias finais da gestação, por exemplo, para pensarmos, refletirmos, meditarmos e orarmos. Todos os dias são um presente de Deus para nós, inclusive os dias difíceis das últimas semanas de gestação. Num piscar de olhos eles se passam e não voltam mais! Temos de nos deleitar neles, entregar nossas preocupações a Deus e aprendermos a descansar no Senhor.

Mas voltando à questão original deste post, para você que ainda tem dúvida se quer parto normal ou cesárea, compartilho o seguinte princípio espiritual de que sou constantemente lembrada na minha caminhada cristã: Deus não quer ser senhor apenas de uma ou algumas áreas de nossas vidas, Ele nos quer por completo. Nós temos mania de compartimentalizar a nossa fé e de achar que certas áreas não são relevantes para Ele. Como, por exemplo, achar que Deus não se preocupa com o nosso corpo. É claro que Ele se preocupa! Afinal, foi Ele quem o criou para desempenhar suas funções vitais mais básicas, desde respirar, dormir, se alimentar, se hidratar, transpirar, eliminar fezes e urina, fazer sexo, enfim... E Ele também criou o seu corpo para gerar vida e DAR À LUZ pela vagina, naturalmente!

Já pensou que o bebê ter de sair pela vagina NÃO foi erro de Deus? Ele sempre faz o melhor! Como cristãs, cremos nisso, ou será que não? Pois se "sim", então por quê cogitamos algo diferente apenas por medo? Será que quando permitimos que o nosso medo da dor seja maior do que a nossa fé - a ponto de preferimos uma cesárea eletiva - no fundo no fundo não estamos dizendo justamente isto: que, na verdade, o jeito como Deus criou as coisas não é tão bom assim e que há uma outra maneira melhor?

Acredito que a dor faz parte da preparação para a maternidade. E o seu corpo tem condições de superá-la. Você não deve fugir da dor, mas se preparar para ela porque, como você bem sabe, não é algo que não seja suportável. Tem um livro do Philip Yancey que nunca li, mas lembro-me que quando o vi pela primeira vez o título me chamou muito a atenção: "A Dádiva da Dor". Bem sugestivo, não é? Pois é, e eu creio que superar a dor de parir nos torna mulheres mais FORTES. Seria como pensar na lagarta que quando vira borboleta precisa romper com o casulo para criar forças nas asas pra voar mundo afora.

Acho que não devemos buscar atalhos. O caminho mais fácil ou mais curto nem sempre é o melhor para nós. São experiências pelas quais a gente precisa passar porque elas ajudam a nos moldar, a transformar e, principalmente, nos fazem agarrar em Deus com todas as nossas forças. Ele SABE do nosso medo, mas Ele promete não nos abandonar um minuto sequer. Parir é tão especial, mas tão especial, que se torna uma marca que a gente carrega para sempre no coração - um rito de passagem, um obstáculo a se superar para entrar na próxima etapa da vida. Ela nos inspira e nos enche de confiança para sermos a mãe ATIVA do bebê que Ele nos confiou. E o que acontece é que toda vez que nos lembramos dessa experiência, queremos louvar o Deus da criação pelo dom da VIDA e pelo privilégio de ser mãe!

Eu creio que Deus é Deus de tudo. E eu também creio que Ele deseja participar das nossas decisões, inclusive no que se refere ao tipo de parto que vamos ter (por mais 'absurda' que essa decisão possa ser). O propósito original de Deus ao criar o homem não ficou ultrapassado com a modernidade! A cesárea pode ser mais cômoda, talvez menos dolorida, mais barata e até mais rápida do que o parto normal, mas quando optamos pelo parto normal estamos escolhendo honrar a criação de Deus. É como se disséssemos que, apesar dos nossos medos e inseguranças, confiamos que Deus tem o melhor para nós, que sabemos que Ele é o mesmo ontem, hoje e será eternamente, e que confiamos que Ele cumprirá Sua promessa de estar conosco todos os dias de nossas vidas, inclusive nos momentos de dor durante o parto.

Acho que se você chegou até aqui é porque você estava interessada em ser convencida a ter parto normal, rs. E fico feliz que você tenha lido até o final porque meu desejo era justamente ajudar a inspirá-la e a despertá-la para uma realidade que possivelmente fosse desconhecida para você. Mas lamento dizer que desejar ter um parto normal, principalmente aqui no Brasil, é apenas o primeiro passo, não o único. Além de haver a possibilidade de você realmente precisar de uma cesárea (as chances são mínimas, mas ainda assim é uma possibilidade em casos especiais ou de emergência), há muitos outros passos a serem dados daqui pra frente para você conseguir ter uma boa experiência de trazer seu filho ao mundo, de uma forma que seja a mais natural possível. Vai ser preciso uma mudança de mentalidade da sua parte, no sentido de acreditar que, com a graça de Deus, você é capaz de parir. Por isso, se você já estiver grávida (o que eu acredito que seja o caso!), não deixe de pesquisar mais. Em suas pesquisas, procure pelo termo "parto humanizado".

Aqui no blog já compilamos algumas informações que podem lhe ser bem úteis - desde vídeos documentários feitos por pessoas que se dedicam a pesquisar este assunto como relatos de partos de mamães que conhecemos, inclusive de uma que tentou normal e precisou recorrer à cesárea. Segue uma relação das postagens que já temos sobre o assunto. Espero que em breve tenhamos mais relatos para postar!

Parto humanizado - vídeos que inspiram e notícias que aborrecem!

Violência obstétrica em foco - sobre o documentário e a minha experiência.
Parto no Brasil - a caminho da humanização. (em 4 partes)
O que é parto humanizado?
Experiências de parto de uma brasileira no Canadá - os benefícios de uma doula para dar assistência à parturiente (Mamãe Vanessa)
Parto normal, cesárea ou natural? (Mamãe Fabiana)
Relatos de parto normal - Tiago e Larissa! (Mamãe Cristine)
Relato de parto natural (Mamãe Luciana)
Parto normal vale a pena? (Mamãe Talita)

Muitos médicos de planos de saúde e hospitais particulares atualmente estão dando preferência para a cesárea, por uma questão de logística e custo-benefício para eles, afinal querem tirar o máximo de dinheiro dos planos de saúde (que, sendo empresas com fins lucrativos, para racionalizar os custos, muitos vezes pagam pouco a seus profissionais e fornecedores). Alguns obstetras de plano de saúde de cara já dizem à paciente que cobram um valor por fora para realizar partos normais (por isso eu disse acima que, para algumas mulheres, a cesárea é mais barata). Outros, como sabem que vão perder muitas de suas pacientes se revelarem de princípio esse não-desejo pelo parto normal, preferem ir levando a questão de barriga durante todo o pré-natal. Ou pior, se mostram favoráveis ao parto normal nas primeiras consultas, mas ao longo do caminho vão criando situações fictícias para colocar medo na cabeça da gestante quanto ao "preço a se pagar" (não-monetário) pelo parto normal, distorcendo os fatos para dar a entender que, no caso dela, a cesárea é a opção mais segura para a saúde do bebê. O resultado de tudo isso é que fica cada vez mais difícil encontrar um profissional com experiência em partos normais. E os poucos partos normais que esses obstetras fazem normalmente são cheios de intervenções desnecessárias!

E o que isso tudo significa para você, mamãe que está lendo este blog? Significa que, se você não for proativa em buscar informações confiáveis sobre o processo fisiológico do parto, você corre o risco de ser induzida a fazer uma cesárea desnecessária, ou pior, corre o sério risco de se submeter a um parto normal muito sofrido desnecessariamente (e me odiar por tê-la convencido a tentá-lo!) - com direito a ocitocina, episiotomia e uma série de outros procedimentos rotineiros que fazem parte do protocolo hospitalar, mas que acabam atrapalhar o trabalho de parto natural!

Uma amiga minha brasileira, depois de 2 partos normais hospitalares e estando grávida do 3º. filho, chegou à conclusão de que não quer mais de parir no hospital. Eu sei que, a princípio, parece loucura hoje em dia querer ter um filho fora do hospital (seja na própria casa ou em casa de parto). Quando ouvem uma história dessas, muitas pessoas logo pensam: "Mas que imprudência! Quanta irresponsabilidade!". Mas se você parar para pensar, hospital é lugar de pessoas doentes, que ficam presas numa cama, bem quietinhas e passivas, conectadas a aparelhos e recebendo medicação na veia. E o que normalmente não pensamos é que um lugar assim, evidentemente tão propício para transmissão de doenças, dificilmente possibilita um parto ativo, um parto da mulher, um parto natural, um parto com liberdade. 

Como todas ouvimos sempre, gravidez não é doença. E digo mais: a parturiente não pode deitar pra ficar "confortável" durante o trabalho de parto. Ela tem de se mexer! No trabalho de parto, a mulher e o bebê têm de trabalhar! É natural que a mulher queira se mexer até encontrar a melhor posição, não só para aliviar a dor, mas também para o bebê se encaixar melhor para o momento expulsivo... enfim, faz parte da preparação e o corpo pede isso! Mas muitas vezes os protocolos hospitalares dificultam o processo natural porque, por causa de uma série de regras padronizadas e comuns ao tratamento de doentes, você... 1. perde a sua privacidade (um monte de pessoas entra e sai da sala o tempo todo... e você nua ou com as pernas arreganhadas!), 2. perde o direito de comer e de beber, 3. é obrigada a tomar soro na veia para se hidratar (como um doente que não pode se alimentar por vias naturais ou então um paciente que vai passar por uma cirurgia), 4. perde a liberdade de caminhar e de se movimentar livremente (por causa dos equipamentos de monitoramento do coração do bebê) e, 5. muitas vezes, ainda é impedida de fazer xixi no banheiro (tem de usar a comadre!) ou mesmo de tomar banho. Apenas para citar os exemplos mais constrangedores, no meu ponto de vista.

Com isso, que fique claro, minha intenção NÃO é recomendar qual o melhor lugar para você ter o seu parto, e sim alertá-la para que você leve essas questões em consideração e converse com o seu médico sobre as possibilidades, para que você tenha um parto mais humanizado o possível. E que, inclusive, faça um 'plano de parto' para determinar o que você concorda que seja feito ou não.

Bem, depois de tantas palavras, espero ter ajudado a esclarecer a sua dúvida. Desejo um parto maravilhoso para você!

Um abraço, Talita

terça-feira, 5 de março de 2013

Delayed Academics: Key to Preventing Learning Problems (tradução para o Português)

Adiar o Início do Ensino Acadêmico Formal: A Chave para Prevenir Problemas de Aprendizado
Por Martin e Carolyn Forte do site www.excellenceineducation.com

Enquanto crianças são incentivadas a alcançar objetivos acadêmicos cada vez mais
precocemente, a incidência de dificuldades no aprendizado cresce num ritmo alarmante (alguns diriam epidêmico). Isso pode decorrer de inúmeras causas, desde problemas de resposta imunológica a questões alimentares e familiares, mas um fator que está sujeito ao controle imediato de pais que escolhem educar seus filhos em casa é a idade em que estabelecem atividades acadêmicas formais para os filhos realizarem. Cem anos atrás, era comum crianças entrarem na escola com 8 anos ou mais. Há duzentos anos, muitas escolas sequer aceitavam crianças que não soubessem ler.
Hoje, em contraste, os esforços mais árduos de nossas escolas públicas não conseguem produzir formandos do ensino médio que tenham um nível compatível ao conhecimento e às habilidades que um formando do ensino fundamental possuía em 1900. O que está acontecendo? O sistema educacional coloca a culpa nas crianças (que têm dificuldades de aprendizado), nos pais (que são incompetentes e/ou descomprometidos), no governo/sonegadores de impostos (que pagam pouco), ou nos três. Os educadores raramente culpabilizam seus próprios métodos, materiais, grade horária, etc. A maioria das pessoas concorda que peças de “tamanho único” geralmente não vestem bem a maioria das pessoas, mas quando se fala em educação, pessoas que são inteligentes para outros assuntos, tendem a curvar-se diante da “sabedoria” do sistema educacional vigente no que diz respeito ao que uma criança deve aprender e quando deve fazê-lo. Pais que educam em casa me procuram todos os dias pra pedir “a lista” do que seus filhos deveriam estar aprendendo em cada ano letivo. Ou me procuram bastante preocupados porque o Júnior está no 3º ano e ainda não consegue fazer multiplicação direito, não sabe nomear as partes do discurso ou não conhece a diferença entre um paralelogramo e um trapezoide! Ó, céus!
Como ex-professora de ensino fundamental, eu posso atestar à quase completa incompetência da burocracia escolar – desde as faculdades de formação de docentes aos livros didáticos impostos pelo Estado. Muito embora a nova ênfase em fonética seja uma realidade promissora, me parece que a doentia insistência em persistir objetivos “acadêmicos” inapropriados em termos do desenvolvimento infantil vai garantir, para os próximos anos, um alto número de crianças deficientes intelectualmente, coincidentemente proporcionando um vasto mercado para os profissionais da educação especial. Como diretora de um Programa de Estudos Independentes particular que atende a um grande grupo de famílias que optaram pela educação domiciliar (que funciona como uma guarda-chuva para abrigá-las), vejo crianças sendo agredidas por esse sistema insano e desumano.
Mas isto não é o pior. O problema é agravado pela tirania dos “especialistas” que estão determinados a “ajudar” alunos que estudam em casa “diagnosticando” e oferecendo “tratamento” para tudo quanto é tipo de doença que foi descoberta de uma hora para outra, desde TDO (transtorno desafiador de oposição), à TDAH (transtorno de déficit de atenção e hiperatividade), ao meu preferido: DPA (distúrbio de processamento auditivo), que engloba, de maneira brilhante, todas aquelas crianças que não conseguiram ainda se entender com o código fonético da língua inglesa. Estes “especialistas” querem nos convencer que crianças normais de repente se tornam “portadoras de distúrbios” quando entram na escola ou formalmente começam o ensino em casa. Não digo que não existam crianças com reais problemas físicos e/ou psicológicos, mas a grande maioria das crianças diagnosticadas com alguma “incapacidade de aprendizado” são simplesmente crianças normais com pouca tolerância ao tédio (TDA), com muita energia para conseguir ficar sentada fazendo exercícios chatos e repetitivos (TDAH), que ainda não aptas intelectualmente para absorver o conteúdo apresentado (DA, TDA, DPA, disléxico, disgráfico, etc.) ou possuem um estilo de aprendizado incompatível com o currículo vigente (TDA, etc. e etc.). Os rótulos são dados tão rápida e previsivelmente a tantas crianças que ficam desprovidos de qualquer sentido para nós; eles fazem sentido somente aos “especialistas”, que ganham a vida em cima desses distúrbios de aprendizado.
Muitos pais consternados optam pela educação domiciliar depois de receber um ou mais desses diagnósticos pavorosos sobre seus filhos. Eles os retiram da escola a fim de ajudá-los a superar sua “incapacidade” e “remediar” suas “deficiências”. Embora intuitivamente saibam que que seus filhos são inteligentes e que têm a capacidade para aprender, eles ficam presos aos padrões e prazos do sistema que condenaram seus filhos e, ao fazê-lo, criam dificuldades desnecessárias para si mesmos e para sua prole. Frequentemente, os pais me pedem um currículo que ajude seus filhos a “alcançarem o nível”. E eu pergunto: “Alcançar que nível?”. Ao acreditar que o Estado e as escolas públicas sabem qual a melhor forma de educar uma criança, eles colocam em risco a melhor oportunidade que seus filhos teriam de aprender no ambiente doméstico. Ao exigir muito e cedo demais, a resistência, a aversão e o medo do fracasso criam barreiras ao aprendizado, apenas agravando os danos já causados pelo sistema escolar.
Ensinar e aprender não são processos difíceis tampouco misteriosos. Ensinar o código fonético a uma criança que está pronta para aprender não requer um especialista treinado. QUE ESTÁ PRONTA PARA APRENDER é o termo-chave. Como ex-professora do 1º ano que aprendeu a ler no 1º ano, eu pensava que todas as crianças poderiam e deveriam aprender a ler aos 6 anos de idade. Foi preciso um vizinho determinado que educava os filhos em casa, minhas próprias filhas que começaram a ler “tarde” e as pesquisas dos pioneiros e defensores da educação domiciliar, Raymond e Dorothy Moore, para me convencer do contrário.
Estávamos muito empolgados em adotar a educação domiciliar e começamos imediatamente com o MCP (Modern Curriculum Press) Plaid Phonics quando a Tenaya tinha 5 anos. Ela aprendeu o som das letras rapidamente, mas não conseguia juntá-las para formar palavras. Ficamos as duas frustradas enquanto os vizinhos, que eram 2 anos mais velhos do que minhas filhas, brincavam contentes e não estavam tentando aprender a ler. Susan, a mãe deles, me falou dos livros e filosofias dos Moores. Eu não estava convencida, mas não tinha outra escolha. Minha filha inteligente e ansiosa por aprender não conseguia ler independente do que eu fizesse para ensiná-la. Se ela estivesse na escola, teria sido rotulada como disléxica apenas porque não sabia ler. A irmã dela, contudo, teria ganhado uma lista completa de rótulos: TDAH (ela se jogava contra as paredes quando não estava tentando escalá-las), DPA (só conseguiu associar som e símbolo quando tinha uns 9 anos), disléxica (não sabia ler), disgráfica (não sabia escrever), dentre outros.
O primeiro livro do Dr. e da Sra. Moore, “A Escola Pode Esperar” e a versão para leigos, “Melhor Tarde do Que Cedo”, me expôs aos fatos sobre educação e desenvolvimento infantil. Os Moores coletaram pesquisas médicas, olftalmológicas, neurológicas e psicológicas sobre a primeira infância e chegaram à inevitável conclusão de que, para a maioria das crianças, a melhor idade para iniciar o ensino acadêmico formal é entre 8 e 12 anos de idade! Para aqueles de nós que estamos mergulhados na cultura da escolarização precoce, esse parece um remédio difícil de engolir. Mas os Moores não se contentaram apenas com os dados das pesquisas laboratoriais; eles estudaram famílias que educavam em casa nos anos 70 e 80 para ver o que acontecia com crianças que tinham liberdade para aprender num ritmo mais natural. O resultado foram muito mais livros, culminando no “Manual de Educação Domiciliar da Família Bem Sucedida”. Este volume detalha “A Fórmula Moore” que o Dr. e a Sra. Moore desenvolveram ao longo dos anos ao mesclar pesquisa com aplicação prática.
“A Fórmula Moore” inclui três elementos em porções aproximadamente iguais: estudo, trabalho e serviço. Eles não recomendam educação formal antes dos 8 anos de idade e, em alguns casos, antes dos 12 (minha filha caçula se encaixou nesta categoria do aprendizado mais tardio). Isto não significa que a criança não aprende nada até ter 8 ou mais anos. As crianças aprendem vorazmente desde o nascimento e é somente o obstáculo da “escolarização” desajeitada que consegue retardar ou impedir a outrora insaciável sede pelo conhecimento de uma criança. Os livros são ferramentas úteis e importantes, mas para uma criança pequena, o mundo está cheio de oportunidades de aprendizado, oportunidades muito mais ricas do que as que podem ser encontradas numa folha impressa. Quando a criança tem liberdade para explorar, para questionar e para imaginar, mundos interessantíssimos, que possivelmente jamais seriam conhecidos de outra forma, se apresentam. No estilo da educação domiciliar, a criança pode aprender a ler aos 5, aos 7 ou aos 12 anos de idade, depende de cada criança.
Esse estilo de ensino-aprendizagem mais leve quanto à transmissão de conteúdo formal incorpora importantes áreas do desenvolvimento frequentemente negligenciadas ou ignoradas pelo currículo formal: habilidade de escutar, coordenação olho-mão, grandes habilidades motoras, relações espaciais, relações pessoais, conhecimento sobre o meio-ambiente, desenvolvimento da memória, imaginação, lógica e muito mais. Por causa da esmagadora presença de mídias eletrônicas em nossas vidas, as crianças frequentemente têm dificuldade de usar a imaginação ou mesmo de ouvir histórias sem ilustrações que acompanhem. Elas são tão bombardeadas com o barulho constante do rádio, da TV e de jogos eletrônicos que elas mal conseguem pensar por si mesmas. Conceder à criança tempo nos primeiros anos de vida (de preferência com o mínimo de TV possível, etc.) para ela se desenvolver física, neurológica e emocionalmente a prepara para absorver o conteúdo escolar formal com mais ânimo.
Já que estamos falando de prontidão física e acadêmica, não podemos deixar de mencionar a questão dos estilos de aprendizado. É importante entender que cada criança tem seu próprio estilo de aprendizado e que ele pode ser diferente do seu ou de seus outros filhos. Independente de quando você começar o ensino formal, é imprescindível ensinar da maneira que melhor se encaixa com o estilo de aprendizado dele. A melhor publicação que conhecemos para auxiliá-lo a determinar e a compreender o estilo de aprendizado do seu filho é o livro “Descubra o Estilo de Aprendizado do Seu Filho” de Mariaemma Willis e Victoria Hodson. A combinação desse livro com os trabalhos dos Moores servirão de base para você ter uma experiência de educação domiciliar muito bem-sucedida.
Adiar o ensino acadêmico formal não pressupõe aprender a ler tardiamente, mas encoraja os pais a esperarem os filhos estarem prontos. Até lá, os pais podem ler para seus filhos, brincar com as letras e os sons e ficar atentos aos sinais de que os filhos estão começando a entender o código. Uma vez que isso acontece, você não pode impedir uma criança de ler. Algumas irão progredir rapidamente e outros o farão mais lentamente, mas conquanto a instrução seja fonética (isto é vital), as crianças caminharão gradualmente até que estejam lendo num nível adulto. Ainda que você descarte os rótulos de disfunções de aprendizado, você vai descobrir que talvez não consiga usar os currículos prontos (Ah, droga!). Uma das minhas filhas aprendeu a ler (sem esforço) aos 8 anos e a outra aos 10,5 anos. Uma usou o material Primary Phonics e a outra preferiu a cartilha “Eu Posso Ler” do Dr. Seuss. Completados esses compêndios iniciais, elas simplesmente selecionaram (com a minha orientação) livros dos quais elas gostavam. Gradualmente, elas progrediram para livros cada vez mais difíceis. Hoje ambas são graduadas e têm carreiras agradáveis.
Nós utilizamos a Fórmula Moore em vez de um currículo formal. As meninas tiveram muitos empregos e iniciaram uma série de negócios, incluindo o Fun Ed, que muito requisitado no nosso site Excellence in Education Resource Center. Elas fizeram parte de inúmeros projetos de serviço à comunidade que culminou num trabalho de missões internacional. A maioria das pessoas nos classificaria como “unschoolers” (=desescolarizados) e eu não negaria, apenas acrescento a este rótulo a informação de que usamos a Fórmula Moore para equilibrar nossas vidas.
Este final feliz não teria sido possível sem o conceito de “adiar o ensino acadêmico formal” uma vez que nossas filhas teriam sido rotuladas rapida e frequentemente, caso tivéssemos levado-as para os “especialistas” quando elas ainda não sabiam ler. Felizmente, nos dirigimos primeiro ao Dr. Raymond Moore e sua maravilhosa esposa, Dorothy, que nos disseram que conquanto elas estivessem progredindo não tínhamos com que nos preocupar. Eles estavam certos!
As escolas da modernidade foram projetadas para fazer para a educação o que Henry Ford fez para a indústria automobilística. E em alguns aspectos elas têm tido sucesso, mas lembre-se que as crianças não são como metais derretidos que podem ser redesenhados por qualquer molde para se encaixar em qualquer espaço com qualquer propósito. As crianças são seres humanos únicos e delicados, com talentos especiais, pontos fortes e fraquezas. Cada uma tem seu próprio ritmo de desenvolvimento, que pode ser ignorado por nossa conta e risco. Como adeptos da educação domiciliar, rejeitamos o “sistema” por uma série de razões e saímos da caixa. Lembre-se de que a caixa inclui muito mais do que apenas o prédio. Sair da caixa e dar aos nossos filhos a melhor educação feita sob medida possível inclui questionar o programa e também o currículo escolar. Coisas que são produzidas em massa nunca são da melhor qualidade e o mesmo vale para a cópia do produto feito em massa.
A educação de melhor qualidade para o seu filho é aquela que se adéqua ao seu ritmo e estilo de aprendizado. Apenas o pai pode julgar a adequação desse ritmo de aprendizado ao observar os sinais, mas podemos obter bastante orientação dos muitos livros sobre educação domiciliar de Raymond e da Dorothy Moore e do Perfil de Estilos de Aprendizado do livro “Descubra o Estilo de Aprendizado do Seu Filho”, de Willi e Hodson. Forçar uma escolarização precoce pode surtir efeitos indesejados na futura vida escolar dos filhos. Em vez de se preocupar com a “dificuldade de aprendizado” porque seu filho não se encaixa no estilo e sequência didática de escolas “dentro da caixa”, invista sua energia ajudando-o a desenvolver seus interesses naturais. Você se surpreenderá com os resultados.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Experiências de parto de uma brasileira no Canadá – os benefícios de uma doula para dar assistência à parturiente

Nascida no Brasil, Vanessa tem 30 anos e reside no Canadá, onde ela e Devin, seu esposo (de nacionalidade sul-africana) tiveram seus dois filhos, Hudson (2 anos) e Sienna (4 meses)No sistema canadense, o sistema de saúde é público e gratuito e, talvez também por isso, cesáreas eletivas não são permitidas. Lá a gestante tem a opção de escolher entre ser atendida por um(a) médico(a) ginecologista e obstetra ou ainda por uma obstetriz. Tanto obstetras quanto obstetrizes são profissionais qualificados e reconhecidos no país para acompanhar o pré-natal e realizar partos normais. A diferença é que obstetras são médicos propriamente dito, ou seja, atendem somente em hospitais, são treinados para atender problemas no parto e fazem intervenções rotineiras, não porque elas sejam necessárias (como a episiotomia), mas porque é o que estão acostumados a fazer. Já as obstetrizes não podem fazer cesárea (por ser considerado um procedimento cirúrgico) e são especializadas em assistir a partos normais de mulheres de baixo risco, podendo realizar partos na residência da parturiente, em casas de parto e também no hospital. Há um protocolo rígido sobre que procedimentos são ou não permitidos que obstetrizes façam. Por exemplo, partos em casa só podem ser realizados a partir da 37a semana de gestação.

O primeiro parto de Vanessa foi hospitalar e o segundo foi em casa. Ambos partos normais realizados por obstetrizes. Ela conta que sua mãe tentou a todo custo convencê-la a fazer cesárea na primeira gestação porque não conseguia compreender o que levaria uma mulher a querer parir naturalmente, mas Vanessa seguiu firme em sua determinação porque acredita que o parto natural é infinitamente melhor para mãe e para o bebê. Para ela, os bebês ficam dentro do útero até estarem prontos para sair e que tirá-los prematuramente pode causar impactos negativos à sua saúde. “Parto natural é menos conveniente para os médicos?”, ela pergunta. “Que seja. Eu me preocupo mais com a saúde do meu bebê do que com os horários do médico!”.
O parto do primeiro filho foi no hospital simplesmente porque ela não conhecia nenhuma casa de parto perto de sua casa. Perguntei à Vanessa porque ela optou por receber assistência de uma obstetriz para fazer os seus partos em vez da de um obstetra. Ela explicou que no Canadá boa parte das mulheres prefere obstetras por desinformação, julgando que seja melhor ter um médico “de verdade”, mas ela preferiu a obstetriz que iria acompanhá-la em toda a gestação e também no parto. O obstetra não – você é acompanhado por um durante a gravidez, mas na hora de ganhar quem faz o parto é outro (o que estiver de plantão naquele dia no hospital). Além disso, o obstetra de plantão atende a um monte de mulheres ao mesmo tempo e só vê se está tudo bem com você de tempos em tempos (nos outros momentos são as enfermeiras que cuidam de você). as obstetrizes ficam o tempo todo com você dentro do quarto do hospital. Ela explicou também que no Canadá as obstetrizes são obrigadas a fazer cursos de atualização a cada ano e podem se filiar a um único hospital de sua escolha para fazer os partos. Saber em qual hospital a obstetriz está registrada para trabalhar é algo que a gestante deve considerar antes de decidir por uma.
Por ter optado ser acompanhada por uma obstetriz em vez de um obstetra, Vanessa presumiu que não precisaria de uma doula. (No Canadá os serviços de doula não são financiados pelo governo e custam mil dólares - valor que inclui também visitas pré e pós-natal.) Ela conta que esse acabou sendo seu maior arrependimento na primeira gestação. Ela foi descobrir na prática que obstetrizes, assim como obstetras em geral, não trabalham o parto “com” a mulher do jeito que faz uma doula. Em suas palavras: “Elas estão lá para cuidar da segurança do parto e assistir ao bebê na hora do nascimento”. Já as doulas, ela explica, se dedicam a garantir o bem-estar da mulher em cada etapa do processo e oferecem todo amparo e apoio emocional de que ela precisa durante o trabalho de parto – fazendo massagens, trazendo comida/bebida, orientando o parceiro sobre como ajudá-la, ensinando-a como respirar e sugerindo posições que amenizem sua dor, por exemplo. Ao contar sobre sua primeira experiência de parto, Vanessa lamenta: “Como eu queria que alguém com conhecimento e experiência estivesse lá para cuidar das minhas necessidades! Meu marido e eu não fazíamos a menor ideia do que estávamos fazendo...”.
Abaixo vamos conferir o relato de suas duas experiências!
Primeiro parto (hospitalar) – 24/12/2010 – com 40 semanas de gestação
Hudson nasceu com 3,950 kg e 54 cm
Na primeira gestação, minha bolsa rompeu durante a noite. O líquido não saiu de uma vez, mas foi escorrendo aos poucos e, embora eu tenha sentido algumas contrações, elas eram leves e foram diminuindo até desaparecerem de vez. Como o resultado do exame de cotonete (comumente feito na 37a semana para detectar a presença de uma bactéria na vagina) deu positivo, meu parto acabou sendo induzido para evitar o risco de infecção. Isso me deixou muito chateada porque eu tinha sonhado com um parto natural, sem estar presa a aparelhos. Foi horrível ficar deitada numa cama de hospital, com fios e tubos amarrados em mim durante todo o trabalho de parto.
A ocitocina sintética utilizada para induzir o parto fez efeito rapidamente e intensificou absurdamente as contrações. Depois de 6 a 7 horas de fortes contrações, eu não aguentava mais. A dor era tanta que eu berrava. Eu estava apavorada com o que estava acontecendo comigo, mas como não havia intervalo entre as contrações, eu mal conseguia falar. Me senti completamente fora do controle, sem poder retomar o fôlego. A dor era descomunal.
Eu implorava por alívio. Finalmente, o anestesista chegou para aplicar a pelidural quando eu estava com 7 cm de dilatação. A primeira picada doeu e a agulha na minha coluna causou ainda mais dor – como não era para doer, o anestesista retirou a agulha para tentar de novo. Na segunda vez ele comentou que não “parecia certo” e resolveu retirá-la DE NOVO. Na terceira tentativa parecia “perfeito” para ele, mas não diminuiu em NADA a minha dor e, durante todo esse tempo em que ele picava as minhas costas, apesar de as contrações continuarem vindo, eu precisava ficar imóvel. Foi terrível. O processo todo levou quase uma hora, até que finalmente ele conseguiu administrar uma dose suficiente para aliviar um pouco a dor.
Estando anestesiada ainda era possível sentir as contrações, mas com menos intensidade. Como meu corpo não estava completamente dormente, eu ainda podia me movimentar com certa facilidade (limitada pelos fios e tubos ligados a mim, é evidente). Algum tempo depois cheguei à dilatação máxima e estava pronta para o momento expulsivo. A obstetriz assistente me manteve deitada de barriga para cima o tempo todo, dizendo pra eu segurar a respiração e fazer força. Não estava funcionando e eu perguntei muitas vezes se não tinha outro jeito de empurrar. Ela disse que esta era a única forma (eu não acreditei nela, mas não sabia o que mais poderia fazer) e, depois de duas horas fazendo isso, eu me rendi. Eu estava completamente exausta. Todos os meus esforços não tinham levado a lugar nenhum. Eu estava em trabalho de parto há 12 horas e com muito medo do meu bebê nunca nascer.
A obstetriz principal me mandou para o banheiro, para eu me sentar no vaso, apagar a luz, ficar um pouco a sós e tentar me “recompor”. Caminhei até lá (sem auxílio e ainda carregando comigo os tubos intravenosos e o cateter da pelidural!) e me sentei no vaso. Pensei comigo: “Meu filho precisa nascer AGORA ou algo horrível vai acontecer!”. Fechei os olhos e comecei a berrar e a empurrar como se a minha vida dependesse daquilo. As obstetrizes e enfermeiras correram para dentro do banheiro para me acudir e tentar me levar de volta para a cama. Mal sabiam elas que eu estava decidida a não ir a lugar algum! Dois minutos depois da minha decisão de fazer o bebê nascer a qualquer custo, meu filho voou para baixo. A obstetriz assistente precisou se jogar no chão do banheiro para conseguir pegá-lo.
Como o expulsivo foi rápido demais e sem auxílio, tive lascerações de 3º grau no meu reto. As obstetrizes presumiram que meu corpo estava completamente dormente (mas não estava!) e fizeram a sutura sem anestesia local. Foi uma dor horrível, mas as agulhas costurando as minhas partes mais íntimas foram insignificantes perto da dor que eu já sentira no trabalho de parto até aquele momento. Àquela altura eu já não me importava mais.
Passaram-se seis meses até eu conseguir fazer sexo de novo. E ainda assim, com muita dor. Felizmente, posso dizer que com o tempo as feridas sararam por completo, sem deixar sequelas. Apesar do seu nascimento dramático, o que senti ao ver meu filho pela primeira vez foi algo profundo e inexplicável. Eu sabia, naquele momento, que daria a minha vida por ele. E a intensidade desse amor só cresceu nos dois anos que passamos juntos até agora. Toda a dor, as feridas e o tempo de recuperação pelo qual tive de passar valeram MUITO a pena. Eu não sabia o que era amor incondicional até conhecer o meu filho.
Segundo parto (domiciliar) – 22/10/2012 – com 41 semanas e 1 dia de gestação
Sienna nasceu com 4,450 kg e 54 cm
Na segunda gestação, eu queria muito “consertar” o que eu tinha feito de errado da primeira vez. Planejei um parto natural em casa com o auxílio de uma doula (além das obstetrizes). Infelizmente, o exame de cotonete deu positivo de novo, porém fui informada de que não precisaria ir ao hospital, pois poderia tomar o antibiótico em casa.
Passaram-se oito dias da data provável de parto e, nesse meio tempo, tive dois falsos trabalhos de parto. Nas duas vezes tive contrações medianas por muito tempo – pensei que fosse a hora! – mas elas simplesmente desapareceram depois de algumas horas e eu acordava no dia seguinte grávida de novo. Foi muito FRUSTRANTE! Fiquei pensando que minha filha não fosse nascer. Por isso, quando as contrações voltaram eu não quis contar para ninguém e passar vergonha de novo por estar “errada”.
As contrações retornaram de uma hora para outra e estavam muito, mas muito fortes. Ela vinha em intervalos de 10-15 min e era TÃO intensa que eu precisava parar tudo o que eu estava fazendo para me concentrar até ela cessar. Liguei para a obstetriz e ela me disse que ainda era cedo porque eu estava no início do trabalho de parto e que ainda levaria horas. Ela me orientou a ligar de novo quando o intervalo entre uma contração e outra fosse de 5 minutos há pelo menos 1 hora.
Tomei banho e almocei entre as contrações, sempre parando tudo quando elas vinham para me concentrar até que a dor passasse. Avisei meu marido que precisaria ir ao hospital tomar anestesia caso as dores ficassem muito piores porque eu achava que eu não conseguiria aguentá-las. Por aproximadamente três horas, o padrão se manteve. Apesar da dor intensa, o intervalo entre contrações permanecia de 10 min e era tempo mais do que suficiente para eu me recuperar!
Meu marido tinha saído para dar uma volta com meu filho e o cachorro e, por isso, eu não precisei me preocupar com eles por um tempo. Mas, infelizmente, justamente quando ele estava fora, o intervalo entre as contrações diminuiu de a cada 10 min para CADA MINUTO! Elas passaram a vir entre 30 a 60 segundos, durando cerca de 1 min cada.
Telefonamos para a obstetriz de novo e ela falou para eu ligar para o 911 se minha bolsa estourasse porque a bebê poderia nascer a qualquer momento! Eu quase surtei e fiquei pedindo a Deus que as obstetrizes chegassem a tempo. A obstetriz chegou 30 minutos depois. Até lá, fiquei o tempo todo andando pela casa - pulando, estralando os dedos e orando durante as contrações. Elas vinham com força, mas eu estava mais preocupada que a obstetriz não fosse chegar a tempo e assustada com a velocidade com que as coisas estavam acontecendo!
Eu precisava tomar o antibiótico pelo menos 4 horas antes do nascimento, mas não deu tempo – só foi possível tomá-lo com 45 minutos de antecedência. Minha intenção era ter entrado na banheira, mas àquela altura as contrações já estavam tão fortes que a banheira não ajudaria. Quando a obstetriz chegou eu já estava com 7 cm de dilatação. Pouco tempo depois eu já estava em transição para o momento expulsivo. Ela me sugeriu ficar de quatro durante as contrações e foi uma posição boa para mim. Boa parte do tempo eu passei apertando o meu marido quando vinha uma contração ou recebendo massagens dele na região lombar para aliviar a dor.
Fiquei decepcionada que a minha doula só conseguiu aparecer no fim, já na hora de empurrar! A minha bolsa ainda não tinha rompido e a obstetriz falou para eu sentar no vaso e tentar relaxar. Dito e feito, assim que me sentei, ouvi e senti a bolsa rompendo! A água saiu esverdeada e isso significava que havia a presença de mecônio. Tecnicamente eu deveria ser transferida para o hospital, mas não havia mais tempo! Voltei para o quarto e me deitei sobre a cama. Eu queria empurrar com calma dessa vez para não ter lacerações como da primeira vez.

A doula chegou e imediatamente me tranquilizou. Ela me ajudou a me concentrar e a empurrar. Achei incrível que durante TODO o trabalho de parto continuou havendo intervalo entre as contrações (isso não acontece quando o parto é induzido!), o que me permitia retomar o fôlego entre elas. Foi algo fantástico, pra falar a verdade. Eu tinha ficado apavorada no momento expulsivo da primeira vez e, por incrível que pareça, o momento de empurrar foi a minha parte preferida do segundo parto. Senti que, de fato, eu estava FAZENDO alguma coisa, que é muito diferente de tentar reagir a algo que está sendo feito a você. 
Depois que a cérvix dilata por completo, a dor das contrações desaparece. O que você sente no lugar é uma baita pressão. Nesse momento senti que sabia exatamente o que estava fazendo e como fazer para expelir o bebê. Quando a pressão cedia, eu também PARAVA de fazer força e deixava o meu corpo se abrir. Fiz o processo devagar e com cuidado e consegui parir minha filha sem lacerar o períneo! (Para mim o processo pareceu durar uma eternidade, mas foram apenas 5 min!) Para mim, a experiência de parir em casa foi algo incrível e eu definitivamente recomendo o parto em casa!
Rebatendo argumentos comuns contra o parto natural
O parto natural é muito melhor... para a mãe, o bebê, a amamentação, o apego emocional mãe-filho, a recuperação pós-parto, as futuras gestações... enfim, tudo! Estou convencida de que qualquer mulher, auxiliada por uma doula, consegue parir sem anestesia!
Acho que as mulheres precisam investir mais na sua educação sobre o processo fisiológico do parto. A minha inspiração para me educar sobre o parto foi o filme “The Business of Being Born” (Ricki Lake). Abaixo coloquei alguns contra-argumentos para desculpas comuns para não se ter um parto natural.
1. A DOR É INSUPORTÁVEL - Em primeiro lugar, a dor não é insuportável. Afinal, fomos criadas para parir! A dor é perfeitamente tolerável. Ela é intensa, mas sempre desaparece. Além disso, a pelidural (anestesia) traz riscos e aumenta complicações tanto para a mãe como para o bebê.
2. O MARIDO PERDE O INTERESSE NA MULHER – O argumento de que o marido perde interesse na mulher é balela. A gestação em si altera a cérvix e a vagina – mesmo as mulheres que se submetem à uma cesárea sofrem essas mudanças no corpo e têm as mesmas chances de ter problema de incontinência urinária que uma mulher que tem parto normal. Tive lascerações profundas no meu primeiro parto e foram 6 meses de recuperação porque eu sentia muita dor. Mas depois que os meus machucados sararam, TUDO voltou ao que era antes – o sexo voltou a ser como era para mim como para meu marido. E depois que minha filha nasceu e não houve lascerações (apesar dela ser uma bebê de quase 4 kg e meio!), pude voltar a fazer sexo com 6 semanas sem qualquer problema.
3. O BEBÊ É MUITO GRANDE E NÃO VAI PASSAR - Papo furado essa história de que o bebê é grande demais para nascer pela vagina. Isso é raridade e, se acontecer com você, você vai saber a tempo para poder fazer uma cesárea. Além disso, não é possível saber o tamanho exato dos bebês dentro do ventre. As USGs têm uma grande margem de erro, de até 1 kg se não me engano. Eu tive dois bebês bem grandes, então parir uma criança de 3 kg (a média dos bebês no Brasil) seria um prazer! Se eu consegui parir um bebê de 4,5 kg, sem anestesia, sem lacerações e sem lágrimas, outras mulheres também conseguem! Quando eu estava grávida, li sobre uma mulher que pariu um bebê de 5,5 kg, sem anestesia e sem lágrimas. A história dela me encorajou porque como já tinha passado muitos dias da data provável de parto e os bebês da minha família são GRANDES, eu já estava apavorada!.
Se você tiver alguma dúvida ou quiser conversar mais a respeito, será o meu prazer ajudá-la. Meu endereço de e-mail é: nessjoy@gmail.com

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

1 ano e 8 meses de Alícia!


Faz dois dias que a Alícia completou 1 ano e 8 meses e hoje mesmo meu marido comentou que não temos mais uma bebê em casa. Ela cresceu e já é uma menininha! A foto acima é dela cortando o cabelo no fim do ano passado. Foi o seu segundo corte e, como da primeira vez, ela foi paciente e se comportou muito bem.


Outra novidade é que no mês passado ela também foi à praia pela primeira vez! Ficamos apenas dois dias e choveu muito. Diferente da Nicole que foi à praia pela primeira vez com 1 ano e 1 mês e mal andava mas já queria de todo jeito entrar na água sozinha (correndo!), a Alícia não quis saber de brincar na água do mar. Só gostou de brincar na areia ao lado da irmã. Isso porque desta vez a Nicole também ficou medo das ondas e preferiu os brinquedinhos na areia.


Do berço para a cama
Como agora ela é uma "little girl", meu marido achou que nós já poderíamos promovê-la do berço para a cama. Eu achei meio precoce porque ela não está tão obediente ainda (apesar de a transição do berço pra cama com a Nicole ter sido até mais cedo por causa da preparação para o nascimento da irmã), e também um pouco repentino já que com a Nicole eu fui acostumando-a com a cama aos poucos, começando pelas sonecas da tarde. Mas, como eu amo mudanças de ambiente (sou do tipo que fica mudando os móveis de lugar, hehe) e a ideia de ter mais espaço no quarto delas me agradou bastante, eu topei sem pensar muito. Então desmontamos o berço e hoje ela já dormiu na parte debaixo da bicama da Nicole. A princípio, enquanto arrumávamos tudo foi uma agitação que só, as duas deliraram com a "cama nova", mas na hora de dormir foi um pequeno caos, agravado pelo fato de que todas as Nanas (bonecas de dormir) da Alícia estavam de molho (algumas por estarem encardidas e outras porque molharam de xixi agora que ela pegou a mania de tirar a fralda sozinha quando está no berço, acho que por causa do calor!) e ela não quis nenhuma das Nanas da Nicole emprestada. Bem, no próximo post eu comento como foi essa adaptação, por ora vamos às demais novidades.

Dentição e Alimentação
O sexto dentinho já saiu, mas ainda não está no mesmo tamanho dos demais. Em todo o caso, agora ela tem 4 dentes em cima e 2 embaixo! A dentição dessa vez atrapalhou um pouco a alimentação, talvez porque coincidiu com um resfriado que ela teve - com direito a tosse, nariz entupido e febre. Até o sono ficou prejudicado! De qualquer maneira, percebi que a gengiva estava coçando e incomodando bastante, além da baba e dela colocar a mão toda dentro da boca com muita frequência. Resgatei os mordedores que estavam guardados e ela se interessou pelo mordedor em formato de pé. Ele foi bastante útil. Também passava Nene Dent na gengiva dela quando me lembrava.

Rotina e Horários
Estamos acordando um pouco mais tarde agora - 6:45 em vez de 6:00. Mesmo que as meninas acordem antes (o que às vezes ainda acontece), a regra é que elas fiquem em suas próprias camas até o despertador tocar (minha casa é pequena então elas conseguem ouvir o alarme tocando do meu quarto). A Nicole sabe como funciona e costuma obedecer (embora tenha seus deslizes vez ou outra), agora quero ver com a Alícia  amanhã cedo... no próximo post eu conto como foi!

Outra mudança na rotina é que pulei o lanche da manhã para poder dar o almoço mais cedo. A Alícia tira uma única soneca por dia, entre 12:00 e 15:00. Sirvo o almoço por volta das 11:15. O lanche da tarde (que elas tomam assim que acordam) é bem leve para não atrapalhar o jantar que também é bem cedo (17:15) por causa da minha ida para a faculdade à noite (preciso sair por volta das 18:15). O Douglas fica com as meninas à noite e, além do leitinho pra dormir, eu estou combinando com ele de dar mais alguma coisa para elas comerem antes de deitarem (às 19:00-19:30) porque senão ficarão muitas horas em jejum.

Toilet-training (processo de desfraldamento)
Estou com preguiça de voltar "com tudo" ao treinamento para tirar a fralda, preciso ser mais consistente! O primeiro impeditivo foi o tempo chuvoso dos últimos meses que atrapalhou muito. Depois teve nossas viagens que também bagunçaram o processo. O problema é que com isso a Alícia ainda não fez xixi nenhuma vez no vaso. Cocô ela faz se a levarmos, mas xixi não. Quando a gente percebe que ela está se concentrando um de nós corre com ela para o banheiro, mas com o xixi ainda não tivemos êxito. Difícil, né! Ela fica sentada lá e nada, só para alguns momentos depois fazer xixi no chão em algum lugar da casa. O bom é que ela já está percebendo e diz "Uh-oh". Outro sinal é que a fralda já a está incomodando. Algumas vezes ela chegou a resistir quando eu a colocava nela e já aprendeu também a soltar os adesivos (como nos incidentes de molhar a cama durante a soneca, que já aconteceu duas vezes).

Linguagem e Desenvolvimento
A Alícia ainda não pronuncia muito bem os sons, mas está se interessando mais em repetir as palavras. Ela não consegue dizer Nicky e a pronúncia sai Kicky, uma gracinha. Já em termos de compreensão, ela está ótima - compreende bem os dois idiomas e obedece a comandos simples. Ela também continua usando os sinais que nós ensinamos, embora esteja na hora de eu exigir que ela pronuncie a palavra para praticar. Preciso me policiar para ser mais proativa nesse sentido porque na correria do dia-a-dia a gente acaba compreendendo o que a criança quer sem ela precisar falar e, na pressa, a gente faz o que sabe que ela quer e pronto, em vez de parar e usar aquele momento oportuno para ensiná-la e ajudá-la a se comunicar verbalmente e da forma apropriada (sem choramingar, por exemplo).

Com relação ao bilinguismo, percebi algo curioso. Falo mais em inglês do que em português com elas em casa, mas não são tão disciplinada a ponto de não misturar ambos (às vezes na mesma frase). Às vezes quando peço para a Alícia repetir o som de alguma palavra em inglês, ela traduz para o português! Será que isso é normal?! Por exemplo, eu digo: "Lily, say mommy". Ela diz: mamãe. "Lily, say daddy". Ela diz: papai.

Quanto ao desenvolvimento cognitivo, comecei a ensinar as cores para ela agora. As partes do corpo que ela já conhece (em inglês) ela sabe apontar em si, nas outras pessoas e também nas figuras dos livrinhos. Por exemplo: olhos, boca, nariz, orelha, cabeça, cabelo, barriga, mãos e pés. Os animais por enquanto ela só imita o som que cada um faz, isso depois que eu fiz o som pra ela porque pra ela todo animal é o "au au".

Temperamento e Relacionamento com a Irmã
Felizmente sinto que a Alícia voltou a ser a nossa filha serena. Se vivêssemos em tempos bíblicos e tivéssemos esperado ela nascer para então decidir o seu nome, acho que ela teria se chamado Serena! Ela que sempre fora um bebê doce e tranquilo passou por uma fase bem chorona e birrenta (com muitos acessos de raiva!), mas agora está no seu normal de novo. Não sei bem o que mudou, suspeito que tenha sido algum tipo de carência emocional porque o remédio foi dar doses extras de carinho e atenção. Ela também está cheia de gracinhas (aprendeu a fingir que está chorando, de brincadeira, às vezes para fazer a gente rir e às vezes para manipular mesmo), ama distribuir sorrisos e está naquela fase em que é o centro das atenções por onde passa (as pessoas param para brincar com ela). No mais, ela e a irmã têm se relacionado bem. É uma das minhas maiores alegrias ouvi-las gargalhando juntas quando estão brincando. É claro que nem tudo são flores, há os momentos de tensão e desentendimento, mas no geral as duas têm aprendido a ceder quando é preciso e a ser amorosa uma com a outra.

O mais engraçado é ver como a Alícia se espelha na irmã, imitando absolutamente TUDO o que ela faz. Tudo mesmo. Se a Nicole senta, ela senta; se a Nicole levanta, ela levanta; se a Nicole mexe no cabelo, cruza os pés, grita, corre, o que for, a Alícia fica de olho para fazer igual. Ela é a sombra da Nicole! E o inverso para algumas coisas é verdadeiro, às vezes a Nicole gosta de imitar a Alícia, fingindo que não sabe pronunciar direito algumas palavras ou que não consegue falar frases mais longas.


Obediência e Autocontrole
Ainda estamos trabalhando nesta área. Eu estou me empenhando em ensiná-la a obedecer da primeira vez. Não é tarefa simples porque você não pode ser inconstante (uma hora corrige, outra deixa passar) e com duas crianças pra cuidar e um monte de preocupações diárias, muitas vezes falho como mãe. Deixo de priorizar o que é realmente importante. Falho não somente porque não a corrijo na hora e fico repetindo a mesma instrução um zilhão de vezes, mas principalmente porque como esse processo todo é estressante demais eu acabo deixando meu coração se encher de ira e frustração. E mamães iradas e frustradas não são boas mães! Estando irada e frustrada eu não consigo educar com amor e respeito, esbravejo continuamente e perco a alegria de cumprir minha missão porque, como está escrito em Tiago 1:20, a ira do homem não produz a justiça de Deus. Eu lembro que alguns anos atrás ouvia uma vizinha que não conheço gritar com os filhos o dia todo e eu achava tão feio, pensava "nunca vou fazer isso", mas em alguns dias me pego fazendo o mesmo, sendo uma mãe zangada e estressada. Tenho cada vez mais aprendido que para ser uma boa mãe preciso me despir de mim mesma, admitir que sozinha eu não dou conta e que preciso da GRAÇA e da MISERICÓRDIA de Deus diariamente. Afinal, como ensinar autocontrole se eu não o exercito? Como ensinar submissão se meu espírito está insubmisso? Como ensinar a compaixão e o amor sem exemplificá-los? Compartilhei com lágrimas nos olhos e o coração contrito esta manhã para o meu marido como a maternidade está revelando o que há de pior dentro de mim. Como sou imperfeita, tão cheia de falhas e defeitos! Aquilo que antes ficava escondido quando eu trabalhava fora e era "todo sorrisos" está vindo à tona. Entre adultos no ambiente profissional era muito fácil varrer para debaixo do tapete as minhas fragilidades, mas em casa com as crianças meus defeitos ficam tão evidentes! E Deus deseja ensinar-me, deseja me disciplinar porque me ama e porque sou sua filha. No fim de semana do feriado participei de um retiro espiritual e a palavra que mais me impactou nos estudos que fizemos (o tema era "Vivendo os sonhos de Deus") foi a mensagem de que Deus sonhou com a nossa santificação (= regeneração / transformação). No episódio de João 13 em que Jesus lava os pés dos discípulos, quando Pedro se nega a deixar Jesus lavar-lhe os pés, Ele responde: "Se eu não os lavar, você não terá parte comigo" (v. 8). Às vezes como Pedro, não queremos tirar as sandálias e expôr nossa sujeira, queremos deixar o chulé ali escondidinho, mas Jesus não se contenta apenas com a nossa salvação (corpo limpo), Ele quer os pés limpos também (santificação).

Bem, por hoje é só. Quem quiser acompanhar os últimos updates da Alícia, é só clicar abaixo.

1 ano e 6 meses de Alícia!
1 ano e 4 meses de Alícia!
1 ano e 2 meses de Alícia!
12 meses de Alícia!