Bem-vinda!!

Bem-vinda ao nosso blog!
Aqui, mamães muito diferentes mas com um único objetivo compartilham suas experiências nesta grande aventura que é a maternidade! Nós queremos, acima de tudo, ser mamães sábias, que edificam seus lares e vivem com toda plenitude o privilégio de sermos mães! Usamos muitos dos princípios ensinados pelo Nana Nenê - Gary Ezzo, assim como outros livros. Nosso objetivo é compartilhar o que aprendemos a fim de facilitar a vida das mamães! Fomos realmente abençoadas com livros (e cursos) e queremos passar isso para frente!


"Com sabedoria se constroi a casa, e com discernimento se consolida.
Pelo conhecimento os seus cômodos se enchem do que é precioso e agradável"
Prov. 24:4,5

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Você ainda existe, mesmo após a maternidade!

Olá queridos do blog!

Estou aqui pela segunda vez, mas acho que agora nos encontraremos com mais frequência! Para mim é uma alegria, pois esse blog é muito útil e interessante! E também pratico os métodos dos livros citados aqui e os ensinamentos do melhor manual de vida já existente: a Bíblia!

Um dia após chegar da ginástica o tema que me veio à mente foi este, por isso logo comecei a escrever. Fiquei um tempão escrevendo essa mensagem e quando fui postar, ela sumiu. Perdi tudo... coisa de iniciante... rsrsrs , mas aqui estou para começar de novo!

Sou mãe da Sofia de 1 ano e 5 meses. Ao término da minha licença-maternidade decidi me desligar da empresa em que trabalhava, então fui agraciada por Deus com o privilégio de poder cuidar da minha princesa em tempo integral. Trabalho fora desde os 16 anos (já tenho 30) - o dia inteiro - e por um bom tempo também estudei à noite, mas confesso a vocês que nunca trabalhei tanto como nesses últimos 1 ano e 5 meses. O tempo não passa, ele voa!!!!!!!!!!! Quando vejo a semana já se foi! Por isso, tento com todas as minhas forças não me esquecer do tão importante Y (YOU – do EASY do livro da “Encantadora”) e é sobre ele que quero comentar um pouquinho!

Vou escrever como normalmente é a rotina da minha família:

- 7h – todos acordamos, meu esposo vai para o banho para logo ir trabalhar, enquanto isso, preparo o leite da Sofia e nosso café da manhã, tomamos café juntos.

- 9h-10h – até esse período tenho um tempo com a Sofia, assistimos a desenhos, ou brincamos no quintal, ou lemos; depois ela come uma fruta e vai para a primeira soneca.

- 11h-12h – até esse horário eu faço alguma tarefa da casa, ou tenho um tempo para mim: vejo um filme, ou leio, ou oro, ou uso a internet, ou não faço nada... mas, na maioria das vezes, faço uma tarefa da casa mesmo!rs

- 12h-15h – almoçamos, depois arrumo a cozinha enquanto a Sofia fica andando e brincando pelo quintal e pela cozinha, depois temos mais um tempo juntas. Próximo das 15h dou o banho e o leite e ela vai para segunda soneca. E eu vou para os mesmos programas: vejo um filme, ou leio, ou oro, ou uso a internet, ou não faço nada, ou faço alguma tarefa da casa.

- 17h – a Sofia acorda, por volta das 18h ela janta, meu esposo chega e jantamos juntos, brincamos com a Sofia e por volta das 21h ela dorme e meu esposo e eu temos mais um tempo juntos até as 22h-23h. Ah... e 3x por semana vou à ginástica e ele fica sozinho com ela por +/- 1h ! E 1 ou 2x por semana ele vai ao futebol e chega mais tarde.

Lembrando que cada soneca da Sofia é de aproximadamente 2 horas e ela dorme entre 10 e 12 horas por noite!

Claro que isso é o que acontece normalmente, mas há dias que vamos ao médico, outros ao shopping, ao mercado, ao parque, ou há dias em que a Sofia está doente então a rotina fica um pouco comprometida, e também os finais de semana quando vamos passear, à igreja ou recebemos visitas. O que quero ressaltar é o fato da aplicação da rotina proporcionar esses tempos para nós!

É difícil e trabalhoso aplicar uma rotina, cozinhar, lavar, manter a casa em ordem (no meu caso só tenho uma ajudante 1x a cada 15 dias para a faxina pesada) e ainda estar bem humorada, feliz e com o sentimento de dever cumprido, sem estar fora do planeta, podendo assistir a um noticiário ou ler uma revista ou um artigo na internet. O mais importante é que esse esforço em manter uma organização no nosso dia nos proporciona o tão sonhado e fundamental tempo para nós!

Precisamos pensar, planejar, organizar algo que ainda não está muito bom em casa, descobrir uma maneira de economizar mais para reduzir despesas, ou o que faremos nas próximas férias, ou, no meu caso, como farei quando decidir voltar a trabalhar, ou me auto-avaliar, ou estudar para reciclar meus conhecimentos ou adquirir outros que ainda não tenho, ou como farei para emagrecer um pouco ou que corte de cabelo vai me deixar mais bonita... enfim, a questão é que precisamos desse tempo no qual EXISTIMOS!

Isso faz com que nos sintamos vivas e possamos ser boas esposas, boas mães, não mães frustradas que se sentem escravizadas pelo trabalho da casa e da criação dos filhos. Além disso, ainda precisamos ser esposas cheirosas, alegres, com tempo para ouvir e contar ao esposo sobre como foi o dia. Também somos as intercessoras do lar, nosso trabalho principal é orar pela família e ainda precisamos de um tempo para nos dedicar à obra do Senhor e também bater um papo com as amigas! Para que tudo isso aconteça nós precisamos trabalhar arduamente, pois esse não é um processo natural. A casa não vai ficar arrumada sozinha, nem o seu filho vai se criar por si só e você não vai ficar bonita e cheirosa se não se cuidar!

Enfim, o que quero dizer é que ser esposa, mãe, profissional, amiga, intercessora, ministra na casa de Deus etc etc etc não é fácil, mas eu posso afirmar que se não nos esforçarmos para termos o nosso lugar bem definido e executado em cada uma dessas áreas não seremos tão felizes como poderíamos. Creio que muitas mulheres estão chateadas com suas vidas porque não estão conseguindo ser quem elas precisam ser segundo o padrão de Deus.

Ninguém falou que a vida da mulher seria fácil. Em Prov. 31 podemos ter certeza disso: a mulher virtuosa tem muuuiiitttooo trabalho! :-)

E tem mais! Nós somos o coração da casa. Se nos anularmos, nossa casa começará a ter problemas, começará a morrer aos poucos... Por isso vale a pena lutar para que esse coração (que somos nós) continue batendo com força e alegria! Certamente nós e todos ao nosso redor seremos beneficiados por isso!!

Foi um prazer escrever um pouco e graças à bondade e misericórdia de Deus dividir com vocês coisas que considero tão importantes!

4 meses de Alícia!


Ontem a Alícia completou 4 meses, ou seja, ela já está com 18 semanas de vida!
E hoje vim postar um update de como foi o último mês!

Hora de Ma
mar
A Alícia continua sendo "fera" em mamar rápido; continuamos com a rotina de 3 em 3 horas em média e ela faz a refeição completa (esvazia o meu seio) em apenas 4 a 8 minutos, raras vezes mais do que isso. Quando demora mais é porque ela não acordou direito e está mamando lentamente. Se eu tento insistir pra ela mamar um pouquinho mais, ela fica brava e começa a chorar. Sinceramente eu acho isso incrível. Como ela pode mamar tão rápido eu não sei! O fato é que eu ouço-a engolindo (o barulho é bem alto, aliás dá até pra ouvir o líquido batendo no estômago dela!) e a cada troca as fraldas estão sempre cheias de xixi (algumas bem encharcadas) então só posso concluir que a ingestão está sendo satisfatória. Além disso, ela está bem bochechuda, com as coxas grossas, ganhando peso etc., não há com o que me preocupar.

Uma ou duas vezes por mês ofereço a ela leite materno expresso na mamadeira. Temos uma bombinha elétrica da Evenflo que o meu marido trouxe do exterior que é prática e muito útil. Em 15 a 20 minutos eu consigo tirar 100 a 120 ml de leite (de um lado só). Com a Nicole eu cheguei a usar a bomba manual e não gostei - além de demorar, é muito dolorido fazer a ordenha manual. Doi as mamas e também as costas por causa da posição que você tem de ficar pra conseguir que míseras gotinhas de leite saiam. Ai, muito sofrido! Na ocasião minha amiga me emprestou a bombinha dela e eu amei, tanto que dessa vez fizemos questão de comprar a nossa. Como disse, não uso-a com frequência mas costumo deixar uma "porção" congelada para eventualidades.

Na última semana meu marido e eu saímos para o nosso monthly date (passeio a sós mensal) e deixamos as meninas com a minha sogra que estava visitando do interior. Deixei 120 ml de leite expresso para ela dar a mamada das 15:00, mas ela disse que a Alícia recusou o bico da mamadeira (daqueles tradicionais que vem com a própria bomba elétrica) e chorava muito quando ela tentava, então ela teve de dar o leite com uma colher. Isso nunca aconteceu antes, das outras vezes ela usou o mesmo bico e mamou sem problemas. Compramos outra mamadeira com bico ortodôntico (o mesmo da chupeta) para a próxima vez, no caso de acontecer novamente.

Em seu livro A Encantadora de Bebês Resolve Todos os Seus Problemas, a autora Tracy Hogg dá uma dica interessante. Ela diz que mamães que pretendem voltar a trabalhar devem acostumar o bebê ao bico da mamadeira um tempo antes de acabar o período de licença-maternidade. Isso faz parte de ser uma mamãe proativa. Por isso ela sugere que ocasionalmente se dê o leite numa mamadeira para evitar "greves de fome" durante o dia quando o bebê estiver sob os cuidados de outra pessoa. Ela alerta, contudo, que essa adaptação seja gradual e só inicie depois que a lactação já estiver estabelecida (se não me engano, isso só acontece a partir da 5a ou 6a semana de vida, meu livro está emprestado então não deu pra consultar). Apesar de trabalhar de casa, eu segui a recomendação dela com as minhas duas meninas.

Por fim, ainda dentro do tema alimentação, a Alícia continua evacuando poucas vezes por semana. Esse ainda é um problema sem solução aqui em casa. Ela passa dias sem evacuar e normalmente do 3º. em diante fica muito chorona, até no colo. É bem difícil. Eu tenho feito uso do supositório de glicerina infantil, mas confesso que estou receosa. Andei pesquisando na internet e li algumas matérias que dizem que é normal bebês que mamam no peito evacuarem com menor frequência porque o leite materno tem menos resíduo do que o leite em pó e, por isso, o corpo absorve quase tudo e não há o que eliminar todo dia. Mesmo assim fico insegura e "com o pé atrás", pois a Nicole não teve esse problema. Ela evacuava no mínimo todo dia, quando não 2x ou 3x por dia. O metabolismo dela sempre foi rápido, de repente por isso também ela é sempre foi magra. Bem, temos consulta com o pediatra das meninas na próxima semana e pretendo conversar melhor com ele sobre esse assunto. Não quero que minha filha fique dependente do supositório para evacuar, mas também não quero vê-la sofrendo desse jeito! Quem sabe quando ela começar a comer sólidos, esse problema desapareça?

Hora de Brincar
O tempo acordada da Alícia continua limitado a 1 hora, às vezes um pouquinho mais. Quando ela está acordada fica bem disposta, é atenta a tudo o que acontece ao redor e distribui alegres sorrisos a quem conversa com ela. Eu faço questão de deixá-la "brincar" sozinha também, pois sei da importância dela desenvolver a habilidade de entreter-se sozinha. São inúmeros benefícios, dentre eles o da capacidade de concentração e criatividade. Tem um post de 2010 em que eu falo exclusivamente sobre isso (procure clicando no marcador "cercadinho" na relação de temas à direita). Para vocês entenderem melhor do que estou falando, compartilho alguns vídeos recentes da Alícia brincando com o "gym" dela e também no cercadinho. Ela está na fase de começar a pegar os objetos e tentar levá-los à boca, hehe! Uma delícia!

Vídeo 1 - Brincando com o peixão colorido.
Vídeo 2 - Brincando com o móbile no cercadinho.
Vídeo 3 - Brincando com o "gym - ocean wonders".

Hora de Dormir
Salvo raras exceções, as sonecas durante o dia estão ótimas, principalmente as duas pela manhã. Ela já aprendeu a adormecer sozinha no próprio berço e, se/quando chora, é raro e dura poucos segundos. Faço uso da chupeta, apesar dos livros que li e que recomendamos neste blog alertarem para o perigo dela tornar-se um acessório para o bebê adormecer. Eu concordo que não é o ideal, mas sinceramente não era uma briga que eu quis comprar. Eu acho a chupeta uma bênção para acalmar o bebê e admito que permiti que minhas duas filhas dependessem dela para adormecer. Pretendo, no entanto, começar o processo de eliminá-la da vida da Alícia (assim como fiz com a Nicole que encontrou no dedão da mão esquerda o substituto para ela) por volta dos 6 meses. Vamos ver como vai ser dessa vez.

A última soneca do dia e também a hora de ir dormir à noite são os meus maiores desafios atualmente. Ela tem dificuldade de dormir e, por causa disso, temos tido episódios de muito choro no fim do dia. É estressante porque é o período do dia em que a casa fica agitada, a Nicole precisando de atenção, fazendo muito barulho (você já percebeu que nessa idade as crianças falam tudo gritando?!), correndo pela casa etc. Não tive muito sucesso ainda em fazer com que as duas vão pra cama à noite juntas (no mesmo quarto e no mesmo horário), mas à tarde (logo após o almoço quando a Nicole chega da escola) graças a Deus sim. Elas vão dormir bonitinhas, e 70 a 80% dos dias sem nem um "pio"!

O que normalmente acontece é a Alícia ir dormir entre 18:30 e 19:00 (como a Nicole fazia quando tinha a sua idade), mas depois de 30 a 45 minutos, justamente no horário da Nicole ir pra cama (provavelmente por causa do movimento dentro do quarto), ela acorda e não quer mais dormir. E chora por muuuuito tempo depois disso. Não consigo lembrar direito se tivemos esse problema com a Nicole, mas eu sei que é o 45-minute intruder. Se bem também que às vezes fico na dúvida se não é alguma dor (por causa do problema citado acima) ou mesmo o "witching hour" como já falei num dos posts. O fato é que ela chora bem brava.

O que acaba acontecendo é que ela só adormece novamente depois da mamada dos sonhos, ou seja, ela faz esta última mamada acordada e é colocada no berço bem sonolenta. Com a Nicole era diferente, ela dormia direto das 18:30/19:00 até 6:00/7:00 da manhã do dia seguinte (10 a 12 horas consecutivas), o que significa que ela fazia a mamada dos sonhos dormindo, exatamente como a Tracy Hogg fala que é pra acontecer. Com a Alícia consegui isso poucas vezes.

Por hoje é só, até o próximo post!

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Pais responsáveis educam juntos!

Minha sogra esteve na Expo Cristã deste ano e comprou o mais recente livro da Cris Poli - a Supernanny do SBT - publicado pela Editora Mundo Cristão. Chama-se Pais responsáveis educam juntos. Li o livro em apenas três dias. Nunca havia lido nenhum livro da Cris Poli, mas confesso que sempre gostei de assistir ao seu programa de TV. São raros os programas de TV hoje em dia que realmente acrescentam algo de positivo para as nossas vidas. E este era um deles.

O livro é de fácil leitura, escrito com uma linguagem bem simples e abrange variados temas relacionados à criação de filhos sem, contudo, se aprofundar em nenhum deles. Eu diria que o livro é um ponto de partida, como um pontapé inicial para estimular pais a mães a refletirem e se conscientizarem do seu papel na educação dos filhos.

Ao fim do livro ela faz uma pequena lista de livros que ela recomenda. E advinhem?? O Nana Nenê (de Robert Buckman e Gary Ezzo) está na relação. Fiquei feliz, hehe! Mas o que mais me chamou a atenção e o motivo de eu escrever esse post é a reflexão que ela faz sobre maturidade, ou seja, entre a importância de se preparar para a maternidade e permitir que, com a prática, todo esse conhecimento se transforme em sabedoria.

Reproduzo abaixo o trecho do livro em que ela fala sobre isso, espero que gostem!

A maturidade do casal

É preciso entender primeiro o que significa maturidade. Uma pessoa madura é alguém que, ao longo da vida, adquiriu experiência e atingiu certo nível de desenvolvimento em diferentes áreas. Tornou-se prudente, sensata, ponderada. Reflete antes de tomar decisões, e não age por impulso. A consequência desse processo é a transformação do conhecimento em sabedoria.

Precisamos alcançar maturidade em todas as áreas da vida, e quando falamos de educação de filhos isso adquire um peso especial, porque nos referimos à formação da personalidade de uma criança que Deus nos confiou para o trabalho de moldar e formar.

É fato que tanto o homem quanto a mulher devem se preparar ao máximo para a grande missão de se tornarem pais. Responsabilidade e informação podem ser estimuladas por meio de boa literatura, troca de experiências, palestras e conversas. Entretanto, por mais que estejamos teoricamente preparados, a paternidade envolve vivências e sentimentos absolutamente novos e subjetivos, e a maturidade para lidar com isso depende de diversos fatores. Um deles, e fundamental, claro, é a prática. Sem desmerecer todo o processo de tomada de consciência anterior e a informação, é no momento que tomamos nosso filho nos braços que devemos aplicar todo esse conhecimento. Aí as coisas se complicam devido ao envolvimento emocional durante esse longo processo de aprendizado, de corrigir o que dá errado e celebrar o que dá certo. Sem culpa, mas com a firme intenção de aprender e amadurecer.

Eu sempre trabalhei como educadora e já tinha larga experiência quando tive meu primeiro filho, e ainda assim fui pega de surpresa pela maternidade. O lado bom do sobressalto é que ele permitiu-me acumular experiências valiosas quando chegaram o segundo e o terceiro filho - eis a maravilha da prática. Não importa se você é pedagoga, psicóloga, médica, economista ou dona de casa, quando se trata de seu filho, a prática é diferente da teoria.

Aprendi muitas coisas com todos os meus filhos mas, com certeza, muito mais com o primeiro. Lembro-me de que houve um momento, quando Federico era bebê, em que ele não queria mais dormir no berço. Só aceitava o colo ou o carrinho. Eu, inocentemente, o colocava no carrinho e o balançava até que dormisse. Que erro! Agora ninguém conseguia dormri até que ele embalasse no carrinho. Cansados daquilo, por instinto, eu e meu marido decidimos colocá-lo no berço mesmo contra sua vontade e deixá-lo chorar até que se cansasse e pegasse no sono, sozinho. Foi uma medida radical, mas necessária. Foi assim que aprendemos que a criança precisa aprender a pegar no sono sozinha, no berço, desde bebê. A experiência adquirida nos ensinou a não cometer o mesmo erro com os outros dois filhos.

A maturidade vem quando o casal entende sua responsabilidade e se sente naturalmente comprometido com a educação dos filhos, consciente dos valores morais e espirituais que devem transmitir à criança. Esse deve ser o objetivo de todo casal.

(Extraído de Pais responsáveis educam juntos, Cris Poli, julho de 2011, p. 139 e 140)

Um abraço e até o próximo post!
Talita

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Relatos de parto normal - Tiago e Larissa

Olá Mamães! Faz muito tempo que não escrevo aqui e depois explicarei os motivos (veja aqui). Mas por enquanto vim escrever o relato dos meus partos também, para acrescentar à lista de relatos no blog e ajudar futuras mamães que estejam planejando o grande dia!

Relato de Parto do Tiago

Faz 3 anos e 9 meses que meu primogênito nasceu! Como o tempo passou rápido!
O Tiago foi planejado com muito carinho e durante toda gravidez já planejava ser uma mamãe proativa. Queria muito ter um parto normal porque não concordava com o fato dos médicos brasileiros fazerem partos por cesária simplesmente por comodidade, inventando razões falsas para fazê-los. Queria que tudo fosse o mais normal possível, mas não era radical em relação à anestesia e também não me importaria em ter uma cesária se REALMENTE fosse necessário. O importante era o Tiago nascer saudável.

A gravidez toda foi muito tranquila, sem sintomas desagradáveis e desconfortos. Desde o começo a minha médica havia concordado em respeitar a minha vontade de ter um parto normal e deixei bem claro que ficava preocupada com as estatísticas brasileiras de parto cesarianos (que na época era de 80% em hospitais particulares, sendo que a Organização Mundial da Saúde recomendava uma porcentagem de no máximo 15% - para casos de emergência). Ela entendeu bem que não queria desculpas esfarrapadas, apenas faria cesária se precisasse. Ela me explicou em quais situações precisaríamos fazer cesária e concordei.

Com quase 39 semanas ainda não sentia nadica de nada e na consulta vimos que ainda não tinha dilatação... apenas um dedinho. Com 40 semanas e 1 dia voltei para outra consulta e ainda não tinha mais do que 1 dedo, minha médica então descolou a minha bolsa para ver se acelerava o processo. Me avisou que talvez à noite começaria a ter contrações. Foi exatamente assim, às 4 da manhã comecei a sentir cólicas. Monitorei e vi que elas estavam espaçadas e irregulares. Mesmo assim, às 7 liguei para minha médica e a avisei.

Se fosse hoje, não teria feito nada, apenas esperado, porque hoje sei que eu não estava em trabalho de parto. Mas como eu tinha um cardiotoco marcado para às 10 da manhã, ela pediu para eu ir pra maternidade antes e de mala pronta.

Quando cheguei fiz o exame e este relatou que eu estava tendo contrações. Fui examinada por uma obstetra que falou que eu estava com 2 para 3 cm de dilatação. Minha médica, por telefone, então pediu para me internarem e me colocarem na ocitocina. Porém, até me internarem já não estava sentindo contração alguma, era tudo apenas uma preparação para o trabalho de parto. Meu corpo estava apenas se preparando.

A obstetra do centro obstétrico me examinou novamente e falou que eu estava com apenas 1 cm e meio e falou que eu não deveria estar lá. Agora, porém, já estava na ocitocina
e comecei a ter contrações induzidas. No começo fiquei animada porque não queria ter de voltar pra casa, e gostei do fato das contrações terem voltado. Fiquei um tempo tendo contrações moderadas e suportáveis, com visitas dos meus pais e sogros, fotos e tudo mais.

Minha médica chegou e me examinou de novo e eu estava com 3 cm. Depois disso as contrações começaram a ficar muito fortes e comecei a implorar para ir para a sala de parto Delivery Room. Fui transferida pra lá e entrei na hidromassagem com esperanças de que fosse aliviar um pouco a dor. Pra mim, não aliviou nada, eu estava desesperada de dor e comecei a falar com meu marido que queria uma cesária, que não ia aguentar. Ele falou que não queria não, que eu queria muito o parto normal e que eu ia conseguir. Me incentivou a continuar. Saí da banheira e a enfermeira ensinou o meu marido a fazer massagens nas minhas costas. Elas ajudavam um pouco.


Minha médica veio depois de 1 hora e eu estava com apenas 3 cm e meio. Falou então que ia aumentar a ocitocina porque as contrações não estavam fortes o suficiente. Achei que ela estava maluca e que eu ia morrer se ela aumentasse minha dor. Estava entrando em desespero. Falei pro meu marido que se ela voltasse depois de 1 hora de novo e me falasse que eu estava com apenas 4 eu ia pedir uma cesária. Depois de 1 hora ela voltou e eu estava apenas com 4 cm. Estava prestes a desistir quando ela falou que ia estourar minha bolsa e ver o que acontecia.

Assim que ela estourou dilatei para 5 cm e então olhei pra ela e implorei pela anestesia (que ela havia falado que só daria quando eu estivesse com 6 cm). Ela olhou para minha cara de sofrimento e concordou. Achei que não fosse aguentar esperar a anestesista chegar, estava insuportável.

Quando ela finalmente chegou tentou aplicar a pelidural e na primeira tentativa não conseguiu. Teve de tentar de novo. Mal dava tempo dela tentar porque minhas contrações vinham muito rápido e ela tinha que parar durante a contração, enquanto eu me segurava na minha médica tentando não enlouquecer! Finalmente conseguiu e dormi de tão exausta.

Quando acordei minha médica havia chegado para me examinar novamente e eu estava com 9 cm! Que alegria! Nestas alturas eu já estava extasiada de alegria, sem dor! Meu marido foi se trocar e minha médica deixou tudo pronto. Com a ajuda da anestesista, empurrei algumas vezes e, 8 horas após ter sido internada, meu lindo nasceu com 2.780 kilos! Todos da família entraram na sala para vê-lo, foi muito lindo! Ficamos um tempo com ele no quarto e pude amamentá-lo. Ele conseguiu mamar com muita facilidade!

Lembro de olhar para minha médica e falar pra ela que não conseguia imaginar como uma mulher conseguia chegar até o final sem anestesia. Perguntei para a anestesista se ela tinha noção do quão maravilhoso era o trabalho dela. Eu tinha vontade de beijá-la e abraçá-la e agradecer sem parar. rsrs.

Lição que eu aprendi com este parto:
Contrações não são sinal de trabalho de parto! Às vezes elas podem vir e de repente parar... é apenas o corpo se preparando. INDUÇÃO de parto é MUITO mais doloroso do que o trabalho de parto que vem naturalmente (pelo menos pra mim foi!)

Relato de Parto da Larissa (2 anos e 4 meses depois)

A gravidez da Larissa também foi sem muitos sintomas a não ser o cansaço e um pouquinho de enjôo (um pouco mais do que a do Tiago). Tive descolamento da bolsa com 7 semanas, o que formou uma hematoma muito grande que só foi totalmente absorvido pelo meu corpo com 15 semanas. Tive de ficar 2 semanas de repouso e isso foi muito ruim (já que tinha o Tiago para cuidar). Graças a Deus, minha sogra pôde me ajudar neste tempo.

Durante o final da gravidez já sentia contrações, acho que de tanto fazer esforço por ter que cuidar do Tiago. Sentia que a Larissa provavelmente iria nascer antes do que o Tiago (que só nasceu com 40 semanas e 2 dias por indução). Quando estava com 38 semanas a médica me examinou e eu estava com 2 para 3 cm de dilatação e como eu estava morando no interior, ela me avisou para sair correndo quando começasse a ter contrações porque ela provavelmente nasceria rápido (eu ia tê-la em São Paulo com outra médica). Achei melhor já ficarmos em São Paulo então e fui para a casa da minha sogra (com 38 semanas e 3 dias).

Com 38 e 6 dias tive consulta e estava com 3 cm. Minha médica descolou minha bolsa para acelerar o trabalho de parto. Na mesma noite (igual com o Tiago!) comecei a ter contrações. Começaram à meia-noite. Ela vinham com intensidade mas eram toleráveis. Comecei a monitorar o tempo entre elas com um aplicativo do iPod e vi que estavam vindo de 13 em 13 minutos. Logo começaram a vir de 8 em 8. Minha médica havia pedido para eu ir para a maternidade se estivesse tendo contrações cada 5 minutos, então fiquei esperando, mas logo comecei a achar que elas estavam intensas demais, que deveria ir!

Tentei ligar para a médica mas ela não atendeu (era umas 3 da manhã). Na segunda tentativa caiu na caixa postal. Tomei banho e acordei meu marido para irmos. Ele avisou seus pais que estávamos indo pra maternidade e fomos. Ainda estava tendo contrações a cada 8 minutos, mas eram bem intensas (e suportáveis). Entramos e fiz o cardiotoco. Tive 2 contrações nos 20 minutos de exame e fiquei com medo de ser mandada de volta pra casa!

Uma obstetra veio me examinar e ficou com cara de espanto! Falou, "Nossa, você está com 9 cm!! Temos de correr senão vai nascer aqui!" Olhei para meu marido chocada e comecei a rir! Não podia ser verdade que eu já estava com 9 cm! As contrações estavam suportáveis e espaçadas demais! Fiquei radiante! Meu marido foi correndo fazer a internação enquanto me preparavam. Quase não deu tempo para pegar a senha para assistir ao parto ao vivo pela internet e passar para meus pais nos EUA.

Me levaram para a sala de parto e minha médica chegou em 10 minutos (o hospital conseguiu falar com ela). O anestesista chegou junto e eu olhei pra eles e falei, "Será que preciso de anestesia? Estou tão bem!". Minha médica ficou chocada e me convenceu de que seria bom pelo menos um pouco, para a episio e o pós-parto (costurar e tudo mais). Deram um pouco de anestesia e eu ainda sentia as contrações, diferente do parto do Tiago. Enquanto isso minha médica foi ficar pronta e o anestesista falou para eu empurrar um pouco. Empurrei e ele rapidamente falou, "Não empurre mais não! Espere aí!".

Minha médica voltou e então empurrei umas 2 vezes e a Larissa nasceu! Foi tudo muito rápido e maravilhoso!! Mal podia acreditar!

A Larissa nasceu com 2.560 kilos, chorando MUITO (muito mais do que o Tiago), ao ponto de nem conseguir mamar de tanto que chorava. A pediatra que a examinou já nos preparou para o que depois iríamos confirmar: esta menina sabia o que queria!! rsrs. Depois de muito choro, eu finalmente consegui amamentá-la ela um pouco antes dela ser levada para o berçário.

Lições que aprendi com este parto: Esperar o trabalho de parto começar naturalmente é muito melhor! Também acho que se fosse hoje, teria insistido em não ter episio e nem anestesia, já que eu estava tão bem e tão próxima de ter a Larissa! Como não havia conversado com minha médica sobre isso antes, não pude defender muito minha vontade. Tive um pouco de desconforto com a episio depois deste parto por causa do esforço físico (exagerei). Alguns pontos inflamaram.

Espero ajudar algumas mamães com estes relatos! Lembro que adorava ler relatos de parto durante a gravidez e ficava animada em tentar ter parto normal. Hoje digo que vale à pena! Mas defendo muito deixar esperar o corpo entrar em trabalho de parto sozinho. Durante o trabalho de parto do Tiago, a dor era tão intensa que eu cheguei a me arrepender de ter engravidado! O que a dor faz com a gente! Mas tudo valeu muito à pena! Acho que depois do desconforto e da dor nos sentimos preparadas para qualquer coisa com nossos bebês! :)

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Pastoreando o coração - Parte 1 - Fundamentos


"Pastoreando o Coração da Criança" (Tedd Tripp), este é o título de um excelente livro que li há alguns meses e que estou estudando mais a fundo com um grupo de amigas. Vou aproveitar o resumo que fiz para o nosso estudo e revisar aqui com vocês os principais pontos que o livro aborda (do capítulo 1 ao 4). Espero que vocês sejam tão edificadas quanto e eu e se sintam desafiadas a pastorear o coração de seus filhos à luz da Bíblia! Beijos, Talita

Introdução

Tedd Tripp começa o livro pintando o cenário da triste realidade dos nossos dias: Na idade de 10 a 12 anos, muitos filhos já saíram de casa, ou seja, deixaram de efetivamente considerar a mãe e o pai como uma autoridade ou um referencial para as suas vidas. O motivo? Muitos têm filhos, mas não querem agir como pais! Ele diz que a igreja pediu emprestado ao mundo o velho método de criação do tipo "Obedeça, garoto, senão eu vou puxar sua orelha" e alerta que temos ignorado os meios e objetivos antibíblicos desse método. A situação, porém, não é sem esperança. Tripp afirma que é possível criar filhos com métodos santos tendo a Bíblia como único guia seguro.

Para isso é preciso compreender, à luz das Escrituras, dois conceitos cruciais:

O QUE É AUTORIDADE?
Os pais exercem autoridade sobre os filhos como agentes de Deus e devem ser autoridades que entregam suas próprias vidas. A autoridade de acordo com os princípios de Deus é sempre exercida em favor dos súditos; Jesus é o exemplo de "déspota benevolente". Tripp assegura que os filhos em geral não resistem à autoridade que é verdadeiramente gentil e altruísta.

O QUE É PASTOREAR?
Pastorear é ajudar os filhos a aprenderem o discernimento e a sabedoria. O autor focaliza o pastorear dos pensamentos, pois entende que os filhos necessitam entender não apenas "o que" fizeram exteriormente errado, mas também "por que" o fizeram, que é o aspecto interior. Nesse ponto ele ilustra com alguns conselhos antibíblicos que muitas vezes damos ou ouvimos pais darem a seus filhos (como ignorar o opressor ou lutar por nossos direitos) sem considerar o que Deus realmente pensa a respeito dessas questões.

Ele conclui essa parte lembrando que a lei de Deus não é fácil para o homem natural, Seu padrão é elevado e não pode ser alcançado à parte de Deus e da graça sobrenatural que vem dEle.

Capítulo 1 - Chegando ao âmago do comportamento

PRINCIPAIS BASES BÍBLICAS APRESENTADAS:
Provérbio 4:23
– Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração porque dele procedem as fontes da vida.
Marcos 7:21-22
– Porque de dentro do coração dos homens é que procedem os maus desígnios, a prostituição, os furtos, os homicídios, os adultérios, a avareza, as malícias, o dolo, a lascívia, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura.
Lucas 6:45
– O homem do bom tesouro do coração tira o bem, e o mau do mau tesouro tira o mal; porque a boca fala do que está cheio o coração.

Tripp lembra que o coração é o centro de controle da vida e defende que a questão básica a se observar não é o comportamento, mas as atitudes do coração. Ele diz que uma mudança de comportamento que não advém de uma mudança no coração não é recomendável; é condenável. Foi a hipocrisia que Jesus condenou nos fariseus! Os pais devem aprender a envolver os filhos (não reprová-los) e ajudá-los a ver que a forma como estão tentando aplacar a sede de sua alma é com coisas que não satisfazem.

Capítulo 2 - O desenvolvimento do seu filho: influências que moldam

PRINCIPAIS BASES BÍBLICAS APRESENTADAS:
Colossenses 2:8
– Cuidado que ninguém vos venha enredar com sua filosofia e vás sutilezas, conforme os rudimentos do mundo e não segundo Cristo.
Provérbio 12:15-16
– O caminho do insensato aos seus próprios olhos parece reto, mas o sábio dá ouvidos aos conselhos. A ira do insensato num instante se conhece, mas o prudente oculta a afronta.Nesse capítulo somos levados a pensar nas influências que moldam a vida dos filhos, sabendo que as maneiras como eles reagem aos diversos eventos e circunstâncias determinam o efeito delas.

As influências formativas citadas e exemplificadas pelo autor são:
- estrutura da vida familiar;
- valores familiares;
- papeis familiares;
- resolução de conflito familiar;
- como a família reage ao fracasso;
- história familiar.

Tripp apresenta dois erros comuns na forma de compreender essas influências formativas: a negação e o determinismo. Na visão dele, ambos são incorretos. E para combater o determinismo com roupagem cristã, o autor lembra que o barro não é meramente passivo nas mãos do oleiro, mas que ele reage ao seu toque! Em outras palavras, o barro responde à moldagem, ele aceita ou rejeita ser moldado. Da mesma forma, os filhos nunca são receptores passivos de moldagem; pelo contrário, são reagentes ativos.

Capítulo 3 - Orientação em direção a Deus
PRINCIPAIS BASES BÍBLICAS APRESENTADAS:
Provérbio 9:7-10
– O que repreende o escarnecedor traz afronta sobre si; e o que censura o perverso a si mesmo se injuria. Não repreendas o escarnecedor, para que te não aborreça; repreende o sábio e ele te amará. Dá instrução ao sábio e ele se fará mais sábio ainda; ensina o justo e ele crescerá em prudência. O temor do Senhor é o princípio da sabedoria e o conhecimento do Santo é prudência.
Romanos 1:18-19
– A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça; porquanto o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou.
Salmo 58:3
– Desviam-se os ímpios desde a sua concepção, nascem e já se desencaminham, proferindo mentiras.
Salmo 51:5
– Eu nasci na iniquidade e em pecado me concebeu a minha mãe.
Provérbio 22:15
– A estultícia está ligada ao coração da criança, mas a vara da disciplina a afastará dela.

O autor inicia o capítulo com a ilustração de um barco à vela dizendo que, assim como a direção de uma embarcação não é orientada pelo vento mas pela posição da vela, os seres humanos são criaturas dirigidas pela orientação dos seus corações. E que, portanto, é a reação do seu filho que demonstra se a vida dele está direcionada ou não a Deus. Essa é uma premissa trabalhada em todo o livro: as crianças são adoradoras, adoram Jeová ou os ídolos; nunca são neutras, nem mesmo no ventre materno. Que ídolos são esses? Os ídolos do coração, a conformidade ao mundo, à maneira terrena de pensar.

Prov. 22:15 aponta que algo está errado no coração da criança e requer correção. O remédio não é unicamente mudar a estrutura do lar, e sim tratar o coração. A questão, portanto, não é "ela vai adorar?", mas "a quem ela vai adorar?". Tripp enfatiza que seu filho só pode encontrar plena realização e felicidade ao conhecer e servir o Deus vivo e afirma que egoísmo e rebeldia não são fases passageiras! Longe de refletirem imaturidade, elas refltem a idolatria do coração delas.

Capítulo 4 - Você está no comando
PRINCIPAIS BASES BÍBLICAS APRESENTADAS:
Tiago 1:19-20
– Sabeis estas cousas, meus amados irmãos. Todo homem, pois, seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar. Porque a ira do homem não produz a justiça de Deus.
Provérbio 15:32
– O que rejeita a disciplina menospreza a sua alma, porém o que atende à repreensão adquire entendimento.
Provérbio 3:12
– Porque o Senhor repreende a quem ama, assim como o pai ao filho a quem quer bem.
Provérbio 13:24
– O que retém a vara aborrece a seu filho, mas o que ama, cedo o disciplina.

Neste capítulo Tedd Tripp nos lembra que nós pais também somos chamados à obediência! Não batemos/disciplinamos nossos filhos porque somos maus ou porque estamos com raiva, mas porque Deus diz que temos de fazê-lo. Este, sem sombra de dúvida, é um ponto central no livro. O autor continuamente nos lembra que os pais, tanto quanto os filhos, estão debaixo da lei e da autoridade divina. Assim, somos chamados por Deus para ser uma autoridade no treinametno dos nossos filhos. Esse chamado nos dá o direito e também a responsabilidade de educá-los.

Ser pai é diferente de ser conselheiro. Essa distinção é realmente muito importante de se fazer, pois o conselheiro apenas oferece opções. Tripp aponta que o pai assumir mera e simplesmente o papel de conselheiro pode lhe dar a aparência de estar sendo bondoso ou bem-educado, porém o que a criança aprende é que ela é quem decide e está no controle.

Outra distinção a se fazer é no âmbito das responsabilidades de educar. Tripp aponta que nossa cultura reduziu o conceito de criação de filhos à ideia de simplesmente cuidar deles. Criar filhos como Deus ordenou é uma tarefa intensiva, certamente não é do tipo que pode ser agendada convenientemente. Deuteronômio 6:6-7 nos lembra que essa é uma tarefa a ser feita ao acordar, andar, conversar, descansar, etc., ou seja, em todo o tempo! Isso é pastorear. É estar envolvido em ajudar seu filho a entender a vida, a si mesmo e as suas necessidades a partir da perspectiva bíblica. Muitos pais e mães não sentam juntos para discutir seus objetivos de criação para os filhos e não desenvolvem estratégias de longo e curto prazo. Por isso, a orientação normalmente ocorre como um subproduto de situações em que os filhos envergonham ou irritam os pais.

Educar é uma tarefa que requer humildade, nos lembra Tripp. Não há lugar para a ira! É necessário pedir perdão aos filhos quando reagimos pecaminosamente. Quando temos uma explosão de ira, a criança aprende o temor do homem e não o temor de Deus (Tiago 1:19-20).

Disciplina é a mais profunda expressão de amor (Prov. 3:12, Prov. 13:24, Apoc. 3:19, Heb. 12 e Prov. 19:18). O principal objetivo da disciplina não é vingar-se, mas corrigir. O motivo não é demonstrar sua frustração, mas resgatar seus filhos do caminho do perigo. A disciplina deve produzir crescimento, não dor. Como agente de Deus, o autor reforça, você não deve disciplinar por interesse próprio ou conveniência pessoal, mas por princípios absolutos da Palavra de Deus.

Até o próximo resumo!
Talita

Confira a parte 2 do resumo clicando em Objetivos e Métodos

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

3 meses de Alícia!




A Alícia completou 3 meses esta semana. Ela oficialmente deixou de ser um recém-nascido. = )

Uau, foi uma semana agitada por causa das vacinas que ela teve de tomar e também porque a levamos para furar a orelha! Mas não é sobre isso que quero falar, quero contar as novidades do último mês, que foi cheio de novos desafios, e compartilhar os passos que eu dei para superá-los.

Amamentação, Cólica e Noite Alongada
Continuamos com as seis mamadas por dia (6:00, 9:00, 12:00, 15:00, 18:00 e mamada dos sonhos, entre 20:30 e 22:00); em alguns dias são sete, mas somente quando ela está passando por um impulso de crescimento (growth spurt) que, conforme li, ocorre a cada 3 ou 4 semanas. Os horários das mamadas não são exatos, me permito uma variação de até 30 min para mais ou para menos. É o que recomendam os livros: o relógio é apenas um auxílio para nos servir, não é ele quem dita o que vou fazer, e sim o contexto da situação (uma mistura do horário do dia, os sinais que o bebê demonstra, as leituras que fiz e a minha própria experiência e intuição).

A Alícia já está com 14 para 15 semanas de vida e, portanto, na fase da Noite Alongada (9 a 15 semanas de vida), segundo o livro Nana Nenê. A recomendação deles para esta fase é que a mãe lactante fique atenta à sua produção de leite. Caso note uma queda que a preocupe, não deve deixar o bebê dormir por mais do que 10 horas à noite para restar tempo suficiente de dia para uma estimulação adequada. Por alguns dias eu andei notando uma queda na minha produção porque saímos muito da rotina neste último mês (falarei sobre isso mais adiante); a bagunça na rotina durante o dia aliada ao cansaço de noite deu nisso! A Alícia mamava com força e em poucos minutinhos ficava brava, chorando, impaciente porque não estava saindo mais nada. O problema foi rapidamente resolvido: por um ou dois dias deixei-a mamar dos dois lados.

Como vimos, a quantidade de leite que ela ingere durante o dia nesta fase já é suficiente para mantê-la dormindo longas horas à noite. Porém, a Alícia começou a acordar com frequência no meio da noite e apenas colocar a chupeta não estava sendo suficiente para ajudá-la a voltar a dormir. Das primeiras vezes, julguei que fosse fome e por isso amamentei-a, mas ela continuava chorando. E eu também não queria começar um novo hábito noturno! Por isso, tive de vencer o meu próprio cansaço e sono àquela hora da madrugada para investigar a verdadeira causa do problema. Este é o primeiro desafio: deixar de agir "no automático". Ao chorar percebi que ela se contorcia como se estivesse com dor. Bastava eu fazer massagem em movimentos circulares com os joelhos sobre o abdômen dela que ela logo acalmava e adormecia, não antes sem soltar alguns gases. Isso acontecia praticamente todas as noites e estava me incomodando.

O excesso de gases e a dificuldade de liberá-los estava claramente prejudicando o sono da minha filha e eu comecei a imaginar que talvez o uso contínuo da simeticona (de 8h e 8h) pudesse estar causando isso. Na verdade eu tinha duas opções: suspender o uso de vez ou aumentá-lo. Não consultei o pediatra e, como já usava simeticona há muitas semanas e o choro da madrugada parecia estar se agravando com o tempo, optei por suspender o uso por alguns dias e ver o que acontecia. Dentro de uma semana verifiquei um novo problema: ela começou a evacuar dia sim dia não e não mais todos os dias como fazia, e começou a ficar irritada durante o dia também.

Mandei um email ao pediatra para saber se deveria voltar a usar o anti-gases, mas ele disse que não havia relação entre evacuar e o uso da simeticona, e então explicou que nesta idade é comum o bebê ficar um ou dois dias sem evacuar e que eu deveria continuar com as massagens entre as mamadas para ajudá-la a soltar os gases. Passados mais alguns dias, a dificuldade de evacuar se agravou e quando já estava no 5º. dia sem evacuar consultei novamente o pediatra sobre o que deveria fazer. Ele respondeu prontamente que eu deveria colocar um supositório de glicerina infantil. Comprei-o no mesmo dia e o apliquei. Que alívio pra ela!

No dia seguinte o mesmo problema: nada de cocô. Esperei mais dois dias e, como não gosto de vê-la sofrer, usei o supositório de novo, dessa vez sem falar com o médico antes. Ufa, naquele dia ela fez cocô duas vezes - a segunda foi sem ajuda. E na manhã seguinte de novo! Hehe, nunca fiquei tão feliz de limpar uma fralda suja e fedida! Bem, já estamos no segundo dia dela sem evacuar novamente e estou orando para que esse problema se resolva definitivamente. Que Deus me dê sabedoria quanto ao que fazer! Sei que Deus pode curá-la, fazer com que os órgãos dela se desenvolvam adequadamente e funcionem com perfeição.

Quanto aos gases atrapalharem o sono da noite, parece que esta questão está solucionada e, portanto, não vejo mais a necessidade de usar a simeticona. Hoje em dia quando ela acorda de madrugada já consigo diferenciar o tipo de choro e sei que é apenas uma transição do sono (veja o tópico a seguir). Se ela não dividisse o quarto com a irmã e a nossa casa fosse grande o suficiente para que o choro dela não acordasse a família toda, eu a deixaria chorar um pouco no próprio berço até voltar a dormir sozinha. Foi isso que fiz com a Nicole e obtive resultados mais rápidos do que estou tendo hoje com a Alícia (em termos de sleep training: ensinar o bebê a dormir sozinho), porém a situação hoje é outra, preciso ser mais paciente e usar estratégias um pouco diferentes. Primeiro entro rapidamente e coloco a chupeta. Quando não funciona, a saída é tirá-la do quarto e colocá-la para dormir no moisés dentro do nosso closet!

Sono, Rotina e Paternidade Acidental
Se você acompanha este blog sabe como defendemos a implementação intencional de uma rotina previsível para o bebê. Não somos a favor da teoria de deixar o bebê ditar, através do choro, o horário de mamar ou de dormir porque entendemos, em suma, que ele não tem idade pra isso! Primeiro porque bebês não sabem o que é melhor para eles (é pra isso que servem os pais, para guiá-los e ensiná-los no caminho em que devem andar!). E segundo porque se forem criados como o centro das atenções, muito provavelmente terão sérios problemas no futuro (dentre eles, problemas na alma, de insubmissão e de relacionamentos no geral). Isso só pra citar alguns.

Junto com a premissa de que a rotina previsível é necessária para se ter um bebê tranquilo, feliz e bem ajustado à família, enfatizamos também a necessidade de abrir espaço para exceções. Ser flexível. Mas atenção a um perigo: os excessos! A flexibilidade não pode se tornar tão comum a ponto de se tornar o novo padrão, entendem a diferença? Quando lemos sobre o assunto tudo parece lindo e perfeito, mas colocar em prática esses princípios é mais difícil do que esperamos.

Com a Nicole tendi a ser mais rigorosa com os horários e evitei a todo custo fugir da rotina - fruto da insegurança normal de uma mamãe inexperiente, ficava tensa, ansiosa e frustrada quando as coisas fugiam do meu controle. Esta segunda experiência com a Alícia está sendo diferente por isso, mas há sempre o perigo de cair do outro lado do cavalo. É preciso equilibrar a equação! Este mês foi bem assim pra mim, me vi em situações de armadilha, entre intencionalmente planejar e priorizar a rotina da Alícia e "ficar de boa", agindo no improviso e saindo muito da rotina. O problema de ficar tranquila demais, sempre "deixando rolar" e improvisando frente aos desafios me trouxeram alguns problemas. A Tracy Hogg chama isso de paternidade acidental.

De maneira bem simples, paternidade acidental é quando reagimos em vez de agir. O resultado é a formação de hábitos hoje que precisarão ser eliminados amanhã. Para nós foi assim com o sleep training. Como a Alícia andava chorando muito por causa das cólicas, acabamos acostumando-a a dormir no colo. Foi sem querer querendo, como dizia nosso velho amigo Chaves. Às vezes era nas manhãs em que íamos para o trabalho (o Douglas ficava com ela no colo para que o choro dela não atrapalhasse a minha gravação), mas o mais comum era de noite porque não queríamos que o choro dela acordasse a Nicole. Em ambos os casos, segurar no colo era a "solução" mais simples e fácil para o problema em questão. Porém, atalhos normalmente são ilusão, pois o preço tem de ser pago mais cedo ou mais tarde: agora com custo x ou no futuro com custo x ao quadrado!

Experimentei os primeiros frutos ruins deste hábito esta semana e já estou trabalhando para desacostumá-la! O choro de resistência e protesto é inevitável. Ela chora brava e é só pegá-la no colo que ela para de chorar quase que imediatamente. Antes o dormir ou não no colo não causava tanto problema, pois todo recém-nascido dorme muito. Aliás, quanto mais novo mais ele dorme. A Alícia dormia em praticamente qualquer lugar, com barulho ou sem barulho, com luz ou sem luz - quase não fazia diferença, ela não se aguentava e já caía no sono!

Mas a minha "pitchuquinha" cresceu e agora já consegue passar muito mais tempo acordada. Adormecer naturalmente já não acontece com a facilidade de antes e é aí que o treinamento começa, pois dormir é uma habilidade aprendida. É essencial que ela aprenda a dormir sozinha, tanto de dia quanto de noite, para continuar sendo uma bebê calminha e acordando feliz e bem disposta. Reparei que havíamos estabelecido um hábito ruim esta semana quando ela começou repetidas vezes acordar no meio da soneca e aparentemente "não querer" dormir de novo.

Os autores do Nana Nenê alertam para o 45-minute intruder e explicam que o bebê acordar chorando de uma soneca curta é sinal de que ele não dormiu o suficiente. Bebês descansados acordam espertos e felizes, não irritados ou mal-humorados. O que acontece é que o PST (padrão de sono tranquilo) e PSA (padrão de sono ativo) alternam-se a cada 30-45 minutos e parece que nesta fase o bebê acorda justamente nesta transição. Muitas vezes basta esperar uns minutinhos e ele volta a dormir por conta, mas outras vezes não.

Aí é hora de entrar no quarto pra investigar antes de reagir. Eu costumo olhar a fralda, verificar a temperatura do corpo, observo a expressão do rosto e também fico atenta ao tipo de choro antes de tomar alguma decisão. Ah sim, e também vejo o relógio para saber em que ponto estamos na rotina. Se ficar evidente que ela só dormiu os primeiros 30-45 min da soneca, então sei que é hora de ensinar minha bebê a habilidade de voltar a dormir sozinha!

E isso envolve deixar chorar um pouco (CIO = cry it out). Veja bem, há muita polêmica sobre fazer isto ou não e a respeito das consequências negativas que esta prática pode ou não acarretar. Sou a favor de CIO, mas não estou defendendo que você abandone seu bebê aos prantos. Se decidir fazer CIO, o faça com discernimento e responsabilidade. E acho que se decidirem ir por esse caminho, o casal precisa estar plenamente de acordo e trabalhar em equipe. Também não vou tentar maquiar a realidade - é preciso sim muita determinação e força, os pais juntos precisam preparar os ouvidos e ficar calmos para poder passar essa tranquilidade ao bebê.

Vou fazer um breve relato sobre como foi para nós nos últimos dias.

Na última soneca de certa tarde a Alícia acordou chorando por volta das 16:20. Investiguei e verifiquei que a causa era o 45-minute intruder. Fiz o CIO, entrando de tempo em tempo para colocar a chupeta e tentar ajudá-la a voltar a dormir. Não funcionou, deu a hora da próxima mamada e ela ainda não tinha dormido. Então amamentei-a por volta das 17:40, troquei a fralda e a coloquei pra dormir em seguida, às 18:10. Ela adormeceu sozinha desta vez, mas dormiu por apenas 40-45 minutos, ou seja, novamente acordou na transição e começou a chorar, irritada.

Nesta hora meu marido estava em casa e a Nicole na cama deitada prontinha pra dormir, então decidimos levar a Alícia para o closet pra dormir no moisés. Ela continuou chorando. Era choro de resistência mesmo, se a pegássemos no colo ela parava de chorar na hora. Eu estava muito cansada nesta noite; pretendia dormir bem cedo e já tinha colocado o despertador para tocar às 21:30 (horário da mamada dos sonhos). Só que fiquei fazendo CIO até 20:30. Quando percebi que ela poderia estar com fome novamente, pois já haviam passado 2 horas desde a última mamada (e chorar é um baita esforço físico), adiantei o horário da mamada dos sonhos para 20:30. Eu estava exausta física e emocionalmente (a manhã e noite do dia anterior eu tinha feito CIO sozinha), então meu marido continuou com o CIO por mais uma hora até que às 21:30 ela finalmente cedeu e dormiu. Ufa, um verdadeiro alívio. Ela dormiu das 21:30 direto até 5:30.

Antes que você me pergunte se valeu a pena, deixe eu apresentar os resultados: o dia seguinte foi perfeito! Ela conseguiu adormecer sozinha em todas as sonecas, tirou sonecas longas de praticamente 2 horas cada (eu tive de acordá-la para todas as mamadas), acordou feliz depois de todas as sonecas e conseguiu dormir sozinha também à noite (sem dar um pio!). O melhor de tudo: dormiu direto das 18:30 às 5:45, com a mamada dos sonhos às 20:30. Delícia!

Confesso que no meio do processo, depois de muitas horas (ou mesmo minutos!) ouvindo seu bebê chorar passam várias dúvidas na nossa cabeça, a principal delas é: Será que estou fazendo certo? Meu marido chegou a me perguntar isso naquela noite. Confirmei que sim e ele foi fundo. Tinha certeza de que todas as necessidades dela haviam sido satisfeitas e que naquele momento era crucial que ela aprendesse a habilidade de dormir sozinha. Não estava abandonando-a, aliás, amava-a tanto a ponto de fazer algo que, apesar de doloroso, era o melhor para ela.

A minha convicção está baseada no tipo de amor que Deus, como Pai, tem por nós: Ele disciplina seus filhos movido por amor. Seu compromisso não é com a nossa felicidade momentânea. Sim, Ele nos quer ver felizes, mas acho que Ele se preocupa muito mais com o nosso caráter, por exemplo, e por isso nos ensina e nos corrige (Hebreus 12). Ele sabe que há certas lições que precisamos aprender para alcançarmos verdadeira paz e alegria no futuro. Enxergando sob essa perspectiva reter a disciplina seria o mesmo que desprezar seu filho ou não amá-lo de verdade.

Bem, por hoje é só. Para aqueles que ainda estão pesquisando e orando a respeito do assunto de CIO ou não, deixo uma palavra de direcionamento da Bíblia.

Tiago 1:15 - Se algum de vocês tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá livremente, de boa vontade; e lhe será concedida.

Um abraço, Talita

sábado, 17 de setembro de 2011

Relato de parto natural!

Olá! Conheci a Luciana na sala de espera enquanto aguardava a médica chamar para o que seria minha última consulta de pré-natal antes da Alícia nascer. Naquele dia fiquei impressionada com como ela estava bem informada a respeito do assunto. Como eu, ela também estava no último trimestre da gestação e teve um parto natural incrível.

Para mim a história dela é uma prova viva de como a informação adequada é fundamental para o preparo, sobretudo psicológico, de mamães (e papais) nessa experiência emocionante e única que é o nascimento de um filho! Infelizmente pela desinformação e, na maioria das vezes, pelo MEDO DA DOR muitas mulheres deixam de viver a emoção de dar à luz da maneira natural, como Deus planejou que fosse, e por isso o parto normal (ainda que com anestesia) é cada vez mais incomum nos dias de hoje, principalmente para quem tem plano de saúde.

Fiquei emocionada ao ler o relato da Luciana e, com a sua autorização, desejo hoje compartilhá-lo com vocês! Acredito que a maternidade proativa não é para somente depois que o bebê nasce. Começa muito antes. Se você ainda está grávida ou mesmo se nem se casou ainda, saiba que você já pode ir se preparando! Espero que as informações que ela compartilha despertem sua curiosidade de aprender e também o desejo de ser e fazer tudo o que Deus tem pra você.

Um abraço, Talita

Segue abaixo a versão resumida.
Relato de Parto Natural – Mamãe Luciana e Bebê João Gabriel
Sempre quis ter um parto normal e por isso, quando cheguei em São Paulo de Curitiba em 2009, já procurei uma ginecologista que tivesse bastante experiência. Não sabia ainda da dificuldade em encontrar tal profissional através do convênio de saúde, nem das armadilhas de médicos cesaristas por conveniência. Procurei na guia do convênio uma médica com consultório na minha rua, bem próximo de onde moro. Mesmo sem estar grávida na época e sem previsão de engravidar, logo perguntei à secretária quais hospitais ela atendia e se fazia parto normal. Eu não conhecia muitos hospitais em São Paulo, mas havia recebido boas referências do Hospital São Luiz, o mais próximo de onde moro. Enfim, aguardei bastante para a primeira consulta e tive boa impressão da médica, pois fui bem atendida.
Durante a gestação, a médica estava sempre disponível pelo celular e era muito atenciosa nas consultas, que duravam uns 45 minutos. Sempre deixei claro para ela que se tudo corresse bem com meu corpo e com o bebê, teria um parto normal, sem intervenções desnecessárias. Ela concordava, mas parecia bastante cautelosa, sem radicalismos. Avisei que se ela não pudesse participar do meu parto, eu teria assistência do médico de plantão, sem problemas, pois sabia que os protagonistas do parto seriam eu e o bebê. No início eu cogitava a “ajuda” da anestesia, porém ao me informar melhor, decidi por tentar o parto natural e acreditar na fisiologia do meu corpo, na perfeição com que Deus me criou. Orava sempre a Deus, pedindo para que tudo transcorresse de forma natural e perfeita.
Preparei muito meu marido, com informações sobre o parto, vídeos, textos, relatos, etc. Expliquei a ele que provavelmente eu ficaria quietinha durante o trabalho de parto, pois este é meu padrão de comportamento quando estou com dor. Gosto de ficar concentrada para amenizar a dor. Também expliquei que eu poderia pedir ou implorar por anestesia e que quando eu o fizesse, provavelmente seria no finalzinho do trabalho de parto. Meu marido era triatleta, então ilustrei para ele que o trabalho de parto seria como se fosse um maratona de 42km. Quando o atleta chega nos 40km, dá muita vontade de desistir por exaustão. Mas que era pra ele me incentivar, pois faltariam somente 2km e eu já teria percorrido grande parte do trabalho de parto. Sinceramente, eu achava que não estaria lúcida o suficiente neste momento, e por isso, deleguei a ele a responsabilidade por defender o meu parto natural, sem episiotomia, soros, anestésicos, etc. Tive o apoio integral dele, mesmo receoso em como saberia identificar se eu realmente não queria a anestesia, por exemplo.
Na sala de espera do consultório da médica conheci outra paciente, que teve uma filhinha de parto normal assistido pela minha médica e estava de 38 semanas da segunda filha, que provavelmente também chegaria por parto normal (e assim foi!). Isso me animou em ter minha médica acompanhando meu parto (e não o plantonista do hospital).
Com 37 semanas comecei a perder o tampão. Estava bastante ativa, caminhando bastante e preparando os detalhes finais (lembrancinhas, roupinhas, mala da maternidade, enfeite de porta, etc...). Fui à consulta semanal 3 dias depois, e foi constatado que era mesmo o tampão mucoso que estava sendo eliminado, o colo do útero já estava esvaecido e havia 2cm de dilatação. Tudo estava evoluindo bem. A família ficou na expectativa, mas eu não estava apreensiva. Era meados de julho e eu preferia que JG nascesse em agosto, pois não seria férias escolares e ele teria festinha de aniversário com os coleguinhas da escola hehehe Mas deixei rolar! Meus pais são de Curitiba e combinamos que aos primeiros sinais de TP, eles pegariam um avião ou ônibus para acompanhar o nascimento do primeiro netinho.
Com 38 semanas fizemos US e estava tudo perfeito com JG. Na consulta, estava com 2,5cm de dilatação e continuava perdendo o tampão. Com 39 semanas, fizemos outro US e foi constatada uma circular de cordão. Fiquei um pouco apreensiva com a reação da médica, pois sabia que circular de cordão (isoladamente) não é motivo para indicar cesárea, mas como ouvi muitas histórias de que médicos de convênio arrumam os mais diversos motivos para tal, torci para que minha medica fosse exceção à regra! Na consulta, ela não percebeu que o JG estava com circular, pois a foto estava na última página da US e não havia nada escrito no laudo. Fiquei em dúvida: comento ou não comento com ela? Hehehe Mas achei mais honesto comentar e fiquei surpresa com a afirmação dela que não havia problema algum, pois a circular é facilmente removida durante o parto. De qualquer forma, conversei com o João Gabriel para que ele se comportasse e tirasse aquele colar horroroso do pescoço hehehe assim mamãe ficaria mais tranquila.
A médica havia combinado comigo que eu ligaria para ela assim que os primeiros sinais de TP aparecessem. Ela explicou que eu sentiria contrações vindo das costas para o abdômen e que seriam ritmadas. Quando estivessem vindo a cada 10min era para eu me preparar para ir ao hospital e ela me encontraria lá. Eu completaria 40 semanas no dia 07/agosto (segundo a primeira US) ou no dia 09/agosto (segundo minha provável DUM, pois eu chutei uma data hehehe). Meus pais então decidiram comprar passagem aérea para o dia 08/agosto, chegariam ao meio-dia! Fiquei com receio de entrar em TP antes deles chegarem, mas eles garantiram que viriam de qualquer jeito.
Minha mãe é muito importante para mim, ela é muito doentinha e ficou cega há uns 8 anos. Meu pai estava vibrando muito com o primeiro netinho a caminho e por isso, queria muito que eles vivenciassem meu parto de perto. Como eles não poderiam ficar muito tempo em São Paulo, cogitei induzir meu parto caso JG não desse sinais até o dia 10/agosto. Comecei a ler sobre indução e não fiquei em paz, não era isso que eu queria para mim.
Resolvi “ajudar” JG a nascer naturalmente. Fui caminhar no parque com meu marido no dia 06/agosto, tiramos muitas fotos lindas, estávamos já em tom de despedida da barrigona. Fomos ao Outback comer coisinhas apimentadas. No dia 07/agosto fomos ao Shopping e caminhei muuuito. Já estava sentindo pressão na região pélvica e sentia cólicas fortes de vez em quando, mas eram passageiras. Resolvemos descansar quando chegamos em casa, pois era domingo a noite e no dia seguinte buscaríamos meus pais no aeroporto.
O grande dia chegou!
Acordei dia 08/agosto às 7h e de repente, senti uma cólica forte. Uns 15 minutos depois, outra. Uns 12 minutos depois, outra. Meu marido acordou, perguntou se eu estava bem, respondi que sim, mas que estava com cólica. Falei para ele voltar a dormir mais um pouco, pois JG poderia nascer naquele dia. Ele ficou um pouco preocupado, mas seguiu meu conselho e deitou mais um pouquinho. Monitorei as contrações por mais alguns minutos, mas como elas estavam irregulares, resolvi desencanar e deitei um pouco também.
10h levantei novamente, sentindo que as contrações estavam um pouco mais fortes. Resolvi ir para o chuveiro quente para aliviar as dores. Meu marido logo levantou também. 10h30 liguei para minha mãe para saber se já estavam no avião. Ela disse que sim, que chegariam 12h. Não falei para ela que estava com contrações, pois não queria que ficassem preocupados, porém ela sentiu no meu tom de voz que o netinho chegaria logo logo!
Eu não sabia se estava em TP ou eram pródromos, pois eu não sentia dores nas costas, somente fortes “cólicas menstruais” e para agravar, não estava monitorando o tempo em que elas vinham. Meu marido se arrumou, deu uma arrumadinha na casa pois meus pais ficariam hospedados aqui. Minhas dores estavam mais agudas e pedi para que ele fosse sozinho buscar meus pais no aeroporto, pois a cada dor, eu precisava me agachar, rebolar, etc. Então, percebi que devia estar sim em trabalho de parto! Hehehe
Moro bem perto do aeroporto de congonhas. João foi e voltou com meus pais em uns 30 minutos. Neste tempo, me arrumei (coloquei uma roupa confortável) e achei melhor não me maquiar, pois pensei que poderia ficar toda borrada hehehe (depois me arrependi, pois podia estar linda e ajeitada para a grande festa que foi o nascimento do meu filho!). Meu pai chegou super animado, conversando, e eu bem quietinha, concentrada. Quando ele entrou no meu quarto e me viu agachada, apoiada na cama, ele percebeu que o negócio era sério hehehe Minha mãe ficou o tempo todo com a bolsa no ombro, pronta para ir ao hospital.
Tentei ligar para médica e deixei recado na caixa postal. Era segunda-feira, dia em que ela fazia plantão em outro hospital. Ficamos mais 1h em casa, terminando de arrumar as malas e João explicando aos meus pais como usar a cafeteira, como ligar a máquina de lavar roupa, o chuveiro, etc... E eu doida pra ir pro hospital hehehe Mas estava calma e paciente. Enfim, esperei passar uma contração forte e partimos!
No carro, peguei meu celular para monitorar as contrações e fiquei surpresa de constatar que vinham a cada 3 minutos! Minha mãe, sentadinha do meu lado no banco de trás, sabia que eu estava prestes a parir e ficou bem quietinha, mas nervosa e preocupada, respeitou o meu momento (ela me conhece bem, sabe que não gosto de palpites hehehe).
Chegando no hospital São Luiz, às 14h, João foi estacionar, meu pai ficou com minha mãe e bagagens e eu fui dar entrada na emergência. Assinei a papelada tremendo de dor (aff!). No cardiotoco as enfermeiras logo viram que minhas contrações estava fortíssimas, a cada 2 minutos. João chegou e ficou comigo. Não senti dor nenhuma no exame de toque e logo percebi que estava bem dilatada. A primeira enfermeira chamou uma segunda para confirmar: estava com 7 para 8 de dilatação. O hospital conseguiu falar com minha médica e ela informou que sairia do plantão no outro hospital e viria me acompanhar.
Meus pais fizeram minha internação, enquanto eu e João subimos para a Labor Delivery Room. Enquanto João foi avisar a equipe de filmagem e vestir uma roupinha hospitalar laranja, eu perguntei umas 3 vezes para a enfermeira se já podia entrar na banheira hehehe Neste momento, comecei a gemer de dor, mas sem escândalo! Hehehe Quando encheu a banheira de hidromassagem, entrei e foi um alivio. João chegou e pedi a ele que telefonasse para todo mundo avisando que nosso pequeno João Gabriel estava chegando! Nos intervalos das contrações, conseguimos tirar algumas fotos e eu até esboçava sorrisos.
Na correria de ir para o hospital, não achei o pendrive com as músicas que eu havia separado para o parto e não deu tempo de gravar um CD. Então a enfermeira colocou numa rádio com músicas calmas, mas confesso que eu nem prestei atenção nas músicas. Estava muito concentrada! João orava, agradecendo o Senhor por tudo estar correndo bem, pela minha vida e do João Gabriel. Fiquei a maior parte do tempo de joelhos na banheira, apoiada numa barra e durante as contrações, eu balançava, rebolava, relaxava meu corpo. João jogava água nas minhas costas. Eu não queria massagem, apenas queria ele ali comigo, me apoiando.
Por 2 vezes, falei para o João que achava melhor tomar a anestesia. Estava receosa da dor que sentiria no expulsivo, já que as contrações eram bem intensas. Ele então, repetiu o que aprendeu durante meu “treinamento”: que eu iria me arrepender, que eu já estava nos 40km da maratona, faltava muito pouco. Dizia que eu era guerreira e iria conseguir, que ele estava orgulhoso de mim, que eu estava muuuito bem! Então eu dizia a ele: Tá certo, deixa rolar, vamos ver até quando eu aguento!
Eu estava 100% lúcida e achava engraçadinho vê-lo tão bem preparado e calmo naquele momento. Era tudo o que eu precisava! Não chamamos a enfermagem em nenhum momento, ficamos quase 2h ali, sozinhos, chamando o João Gabriel. Às 16h a enfermeira obstetra veio com um monitor cardíaco para escutar os batimentos do JG. Ainda na banheira, ela constatou que os batimentos haviam diminuído, mas falou para eu não me preocupar, pois isso era normal no expulsivo. Naquele momento, comecei a sentir vontade de fazer força. Ela disse que minha médica estava chegando. Então, minha bolsa estourou na banheira. Senti um ploc! Percebi que teria o parto que tanto pedi a Deus: natural!
Saí da banheira com a ajuda do João e fui caminhando até a cama. A equipe de enfermagem foi logo preparando a sala e a assistente da minha medica chegou, se apresentou, disse que minha medica já estava no hospital. Informei que estava sentindo uma vontade incontrolável de empurrar. Ela me examinou, estava totalmente dilatada e JG coroando. Minha médica chegou e ficou surpresa com minha tranquilidade. Conversamos enquanto ela preparava os materiais, ela disse que correu para chegar a tempo e chegou! Uns 10min antes do JG nascer hehehe
Não fizeram a episio, conforme solicitei nas consultas. Na hora, nem eu nem João lembramos de reforçar isso. Ainda bem que minha medica lembrou e me respeitou. Incrivelmente, nesta hora eu não sentia mais as contrações. Estava mergulhada em endorfina. Precisei que me avisassem quando as contrações estavam vindo. Fiz umas 3 forças (2 eu soltei o ar errado). Estava de olhos fechados, tentando controlar a euforia para me concentrar nas forças. Nisto, ouvi a enfermeira informando baixinho para a médica da bradicardia do bebê. Fiz então uma força enorme e saiu a cabecinha.
Falaram pra eu abrir os olhos e então 16h35 JG nasceu e veio logo para meus braços. Chorou fraquinho, assustado, com os olhos arregalados. O ergui, dei a ele as boas vindas, muito emocionada, eu repetia: “Bem-vindo, filho! Você está bem, meu amor? Tava gostoso na barriga da mamãe? Eu te amo, meu filho! Olha o papai, filho!” E meu marido se debulhando em lágrimas, mal conseguia fotografar o momento. A sorte é que contratamos a filmagem e o rapaz se prontificou a tirar algumas fotos com nossa câmera. Coloquei ele no meu peito, mas ele não quis mamar.
Levaram JG ao lado (na mesma sala) para examinar e João foi acompanhá-lo, ficou fazendo carinho no filhote, enquanto as médicas suturavam minha laceração de segundo grau (a episiotomia daria na mesma, porém não tive dor e incômodo algum na recuperação). Perguntei se teria que expulsar a placenta, elas riram e disseram que já havia saído. Nem senti, pois estava realmente anestesiada pela endorfina enquanto “admirava” meu filhotinho no colo.
Então, o trouxeram novamente para meu colinho, a pediatra informou que o APGAR foi 9/10, ele nasceu com 3,030kg, muito saudável. Ela disse que JG ficaria conosco ali por mais 1 horinha e depois iria para o berçário tomar banho. Eu e meu marido então aproveitamos essa 1horinha para agradecer a Deus pelo nosso grande presentinho, no apresentamos ao JG, vimos todo o corpinho dele e então, ele resolveu mamar, minutinhos depois do nascimento. Foi um momento mágico, muito especial.
João ligou para todos comunicando a chegada do nosso filhinho tão amado! Meus pais puderam subir para a sala de parto, conheceram o netinho e fizeram uma oração agradecendo nosso Deus. Minha sogra e meus tios estava aguardando JG no berçário. O levaram, eu almocei uma sopa bem gostosinha e João comeu a comidinha do hospital, pois eu estava com pouco apetite. Fui para o quarto às 18h e pedi que João não desgrudasse do nosso filhotinho.
Minha mãe ficou comigo no quarto enquanto todos babavam no berçário assistindo JG tomar o primeiro banho, que também foi filmado para que eu pudesse ver depois. 19h30 o trouxeram para o quarto e foi uma grande festa!!! Eu estava ótima, nova em folha.
Por tudo isso, recomendo muito a experiência do parto natural.
Luciana Magaldi, mãe de João Gabriel - Clique aqui para ver vídeo com mais fotos!