Durante o mês de julho, meu marido ficou em casa quase todas as manhãs para me ajudar a olhar a Nicole enquanto eu cuidava da Alícia e também tentava tirar uma ou duas horinhas para trabalhar (sim, em plena licença-maternidade, rs!), mas agora que as férias da Nicole acabaram, estamos entrando em uma nova rotina! Por isso estou aproveitando esse primeiro dia de nova rotina para contar um pouco sobre como foram os primeiros 40 dias de vida da Alícia.
Bem, estou muito contente com o desenvolvimento até aqui. Com isso não quero dizer que tem sido fácil, pois ter um bebê é sempre difícil e desafiador! Apenas que como é minha segunda experiência, eu estou mais tranquila com relação ao que fazer e ao que esperar de um recém-nascido. Foi muito tenso da primeira vez, pois lá no fundinho eu carregava o receio de estar fazendo algo "errado" e de me arrepender lá na frente. Como li muito e me preparei o máximo que pude antes da Nicole nascer, eu tinha na cabeça um monte de "regras" do que poderia / deveria ou não fazer (quanto à rotina do bebê). O medo era de errar feio e estragar tudo! É, mamães de primeira viagem realmente são exageradas em seus temores, rs!
Mas estamos aqui - todos felizes, sãos e salvos - e me sinto mais confiante com relação à rotina da Alícia. Abaixo descrevo um pouco sobre cada parte da rotina que estou implementando conforme ensina a Encantadora de Bebês (E.A.S.Y.).
Eat (Comer)
A primeira parte da rotina nesta fase é a amamentação. A Alícia mama muito bem. No hospital não fomos tão bem assim. Era alojamento conjunto (o bebê fica no quarto a maior parte do tempo), mas por uma série de fatores - dentre eles as visitas, o meu cansaço e a própria rotina da maternidade que não deu muito apoio com relação a isso - me impediu de amamentá-la a cada 3 horas como deveria ter feito. Pra ser sincera, eu acho que nos dois primeiros dias ela mamou apenas umas 3 ou 4 vezes por dia, o que é bem pouco considerando que um recém-nascido deve mamar no mínimo 7 ou 8! O resultado foi que ela perdeu mais peso do que deveria e, por causa da icterícia, tivemos de ficar um dia a mais na maternidade para ela fazer fototerapia.
Comecei a implementar o E.A.S.Y a partir do 3º. dia de vida. Os primeiros 4 a 5 dias de amamentar a cada 3 horas 24h por dia pra mim são os piores. Doi muito. Mesmo passando a pomada Lansinoh antes e depois das mamadas. A explicação para isso (segundo o Nana Nenê) é que durante esses primeiros dias de vida o bebê mama um líquido grosso, amarelado, rico em anticorpos e com 5x mais proteína do que o leite maduro. Chama-se colostro. Ele tem menos gordura e açúcar do que o leite mas, por ser grosso, exige maior tempo de digestão e deixa os seios doloridos. O bico dos meus seios não chegam a sangrar, porém aparecem bolhas brancas e ficam bem sensíveis ao toque (no banho ardem com a água batendo contra eles). A boa notícia é que isso passa! Antes da Alícia completar uma semana de vida, o meu leite já havia descido e amamentar deixou de doer!
A Alícia suga forte e na maior parte das vezes faz uma refeição completa em menos de 10 minutos. Eu sei que a maioria dos livros diz que o tempo de amamentação, principalmente no primeiro mês, chega a 30 minutos por vez, mas parece que as minhas filhas não precisam de todo esse tempo para mamar. Além disso, sigo a orientação da Encantadora de Bebês e dou apenas um lado por vez. Raras vezes precisei dar o outro lado também. Aprendi com o Nana Nenê que a sucção não-nutritiva não é recomendável e, por não querer virar uma "chupeta humana", tiro-a do peito para arrotar minutos após eu parar de ouvi-la engolir depois de 5 ou 6 sugadas.
Ela também golfa muito. O leite chega a esguichar, às vezes enquanto ela ainda está no peito (talvez porque ela mama rápido demais?) ou quando a coloco sobre o meu ombro para arrotar. A Nicole não golfava tanto leite ou com tanta frequência. Quando golfava normalmente era porque eu havia sem querer apertado a barriguinha dela na hora de trocar a fralda. Com a Alícia já tomei as devidas precauções como inclinar o berço e também não deixá-la em posição totalmente horizontal após as mamadas. Nem sempre funciona. Na verdade eu desconfio de que a posição inclinada não seja tão favorável pois faz a fralda apertar a barriga (principalmente se ambas estiverem cheias). Então tenho invertido a ordem, procuro trocar a fralda antes de mamar e também faço questão de não apertá-la muito na hora de colar o adesivo. Outra ideia que o meu marido teve é de interromper a mamada para fazê-la arrotar antes de prosseguir. Não consegui fazer isto muito bem ainda porque nunca fui muito boa para ajudar o bebê a arrotar (é difícil!).
Por que eu sei que 10 minutos de um seio só está sendo suficiente para alimentá-la? Por uma série de motivos. Primeiro porque li no Nana Nenê que, com a lactação já estabelecida e desde que o bebê sugue com força, é possível esvaziar os seios da mãe num tempo de 7-10 min. Outro motivo é que ela aguenta até a próxima mamada (os intervalos entre uma mamada e outra são de 2,5 a 3 horas). Também sei que ela está mamando o suficiente porque monitoro as fraldas, troco-a 7 a 8 vezes por dia. A lógica é esta: se as fraldas estão frequentemente molhadas e/ou encharcadas é porque a ingestão de líquidos está adequada. Por fim, o indicador mais importante: ela está ganhando peso! Pra falar a verdade, não sei ainda quanto ela ganhou pois a visita ao pediatra está agendada somente para a semana que vem, porém é notável que ela cresceu e engordou bastante!
Aliás, este é um fator interessante e quero aproveitar para fazer uma última observação. A Nicole eu também amamentei a cada 3 h desde o início, mas estabelecer horários fixos de amamentação eu só fui aprender a fazer um tempo depois, acho que no 2º. mês de vida. No início, se em vez de amamentar às 13:00 eu só conseguisse acordá-la e começar a mamada às 13:25, eu acabava considerando o horário de acordá-la novamente para a próxima mamada às 16:25 e não 16:00 como deveria. O problema é que muito provavelmente eu também teria dificuldade de acordá-la e outros 20-30 min se passariam. Assim, a mamada das 16:00 acabava acontecendo às 16:50, ou seja, quase uma hora depois. O atraso de uma mamada se refletia no horário da próxima (efeito dominó) e, por isso, além da rotina não ficar muito previsível, não era sempre possível garantir as 7-8 mamadas do dia (pois o dia só tem 24 horas!). Desta vez eu estabeleci horários fixos desde o início (6:00, 9:00, 12:00, 15:00, 17:00, 20:00, 23:00 e de madrugada quando/se ela acorda), incluindo o cluster feeding, que significa amamentar com intervalo menor entre 2 mamadas no final da tarde para, como diz a Encantadora, "encher o tanque" (a barriguinha do bebê) para ajudá-lo a dormir mais horas seguidas à noite. O Nana Nenê também explica que no fim do dia é normal o suprimento de leite materno ser menor e, por isso, também aconselha diminuir o intervalo entre as mamadas nessa hora do dia. Uma nota com relação à rotina: Depois de 5 semanas mais ou menos de cluster feeding adaptei os horários para conseguir fazer o dream feed (mamada dos sonhos) mais cedo. Não estava gostando de dar a última mamada do dia tão tarde, às 20:00; ela não dormia direito e acabava acordando novamente para a mamada dos sonhos (em vez de mamar dormindo como deveria). Então a rotina hoje está mais ou menos assim: 6:00, 9:00, 12:00, 14:00, 17:00, 19:00, 22:30 e de madrugada.
Activity (Atividade)
A segunda parte da rotina dela é ficar acordada. Para bebês recém-nascidos isso é um verdadeiro desafio. Aliás, tive MUITA dificuldade de acordar a Alícia para as mamadas durante as primeiras semanas de vida. Levantava-a, fazia cócega na orelha, abria o macacão para resfriar um pouco o corpo (pois o calor dá sono) e mesmo assim não funcionava toda vez. Eu chegava a ficar 20-30 min só tentando acordá-la. Às vezes eu queria simplesmente desistir e deixá-la dormir. Mas enfim o esforço valeu a pena pois aos poucos o corpo dela foi se ajustando e hoje em dia é comum ela acordar sozinha perto do horário de mamar. Isto é muito importante e fruto da AOP (alimentação orientada pelos pais) que o Nana Nenê ensina, pois faz parte do processo de "treinar" o metabolismo do bebê para mamar e ficar acordado nas horas certas (de dia!) até ele ser capaz de dormir a noite toda.
Nesta fase a Alícia ainda não consegue ficar acordada por mais de 40-50 minutos, o que inclui o tempo gasto mamando e a troca de fralda/roupa (ou o banho, 1x por dia). Também tomo o cuidado de não ficar com ela no colo durante todo o período acordada. Tanto o Nana Nenê quanto a Encantadora promovem o lema "Comece como quer terminar" (Start as you mean to go).
Sleep (Dormir)
A última parte da rotina nesta fase é dormir. O objetivo é que o bebê aprenda a dormir sozinho e no seu próprio berço e, para isso, às vezes é necessário deixá-lo chorar um pouco. Até o momento não tenho tido grandes dificuldades. Eu uso a chupeta e/ou a seguro (sem balançar) por alguns instantes, mas quando vejo que ela está calminha o suficiente coloco-a no berço ou no moisés para tirar a soneca. Normalmente ela já deu algumas bocejadas e os olhos delas estão fitos em alguma direção. Pra mim são os dois sinais mais claros de que ela já está pronta para embarcar no sono.
Nos dias em que ela está agitada e com dificuldade para dormir (ou quando temo que seu choro irá acordar a Nicole), deixo-a com a chupeta um tempo maior e ela acaba dormindo. No fim das contas ela sempre cospe a chupeta depois que adormece, mas quando dá entro no quarto antes disso acontecer e eu mesmo tiro-a da boca dela (ela resiste sugando-a com mais força!). Estou fazendo isso porque com a Nicole foi um problema; na ânsia por não ouvi-la chorar acabamos tornando-a dependente da chupeta. Tivemos dias e noites difíceis no começo porque toda vez que a chupeta caía da boca ela abria o berreiro!! Era muito estressante entrar no quarto várias vezes (inclusive durante a noite) para repô-la. Não queremos reviver esses episódios, então estou sendo bem mais cautelosa com a chupeta desta vez.
Além do soluço que a Alícia tem em praticamente todas as mamadas (e não sei como fazer para evitar!), ela também tem muitos gases e isso algumas vezes interrompe o seu sono. Como a Nicole fazia, ela se contorce de dor e chora. A diferença é que, além de massagear a barriguinha fazendo pressão com as perninhas dela dobradas, estou dando antigases (simeticona) a cada 8 horas conforme prescrito pelo pediatra. Não sei porque eu não fiz o mesmo com a Nicole! Quer dizer, até sei, eu quis evitar dar medicamento e tentei resolver o problema de outra forma (com massagem, bolsa de água quente e funchicórea), mas desta vez pesquisei melhor sobre a ação do antigases e resolvi dar. Estou vendo resultado, ele realmente a ajuda a eliminar os gases e ela sofre menos. Também verifiquei que a ação dele é cumulativa, então os resultados são melhores se ele é dado com consistência (e não somente quando ela tem dor).
Tivemos alguns dias, entre 18:00 e 22:00, em que a Alícia ficou bem nervosa e chorou além do normal. Num dos dias sabíamos que ela chorava de dor (gases), mas nos outros não sabíamos o que ela tinha. Ela simplesmente esperneava e chorava, por muito tempo! A ponto de pular a soneca. É o que alguns chamam em inglês de witching hour. Não se sabe bem o motivo mas pelo que li é comum bebês chorarem mais no fim do dia. Tivemos umas três ou quatro crises dessa até agora (no mesmo horário) e eu tenho entendido que não é o momento de deixar chorar (CIO = cry it out). Quando a Nicole era pequena eu não era muito flexível com relação a isso, não tive sabedoria para discernir as diferenças. Se não fosse fome, frio, calor, fralda suja ou outro motivo aparente, eu deixava chorar crendo que isso a ajudaria a dormir por conta própria (o grande objetivo). Claro que me partia o coração ouvi-la chorar tanto e por tanto tempo; eu entrava a cada 15 ou 20 min no quarto para tentar acalmá-la e repetir o processo de colocá-la pra dormir na esperança de que ela aprendesse logo. Deu certo, mas foi sofrido e sei que não é qualquer um que aguenta a pressão.
Com relação à tolerância ao choro, percebo que algo mudou em mim. Estou definitivamente mais tranquila. O choro da Nicole me apavorava e eu não conseguia raciocionar direito se ela estivesse chorando. Trinta segundos de choro me pareciam vários minutos!! E às vezes nem choro era, era só um resmungo mesmo, mas acho que os meus ouvidos ampliavam o som. Claro que outras vezes eram choro sim, e bem estridente também! Um dos motivos da mudança, sem dúvidas, é porque já passei por isso uma vez antes e, portanto, estou melhor preparada. Mas outro motivo igualmente relevante é que agora eu tenho de dividir a minha atenção. Não tenho só um bebê recém-nascido em casa, tenho mais uma filha de quase dois anos e que também precisa de mim. Quantas vezes precisei deixar a Alícia chorando por um ou dois minutos porque estava fazendo alguma coisa para/com a Nicole (exemplo, levando-a ao banheiro, dando banho, comida ou escovando os seus dentes)? Há situações em que simplesmente não dá para largar tudo e ir ver o bebê! Não sou duas! E isso é bom, tanto para mim quanto para elas. Quando finalmente consigo chegar até a Alícia para ver o que está acontecendo ela normalmente já "se resolveu" e não está mais chorando. Eu desconfiava mesmo de que em parte a "culpa" pelo fato das crianças serem exigentes fossem das mães que atendem a todos os choros prontamente!
Desta vez estou sendo mais flexível. Como sei que a Alícia já consegue dormir sozinha (porque ela o faz em praticamente todas as sonecas do dia), tenho me dado ao luxo de segurá-la e deixá-la dormir no meu colo nesses períodos tensos de fim dia. Na verdade quem tem feito isso é o meu marido já que nesta hora do dia ele já chegou do trabalho. A Valerie Plowman, do blog Chronicles of a Babywise Mom, estabelece uma hierarquia quanto às prioridades que dizem respeito ao sono do bebê: 1) dormir na hora certa (conforme a rotina), 2) dormir no local certo (no berço), 3) dormir da forma certa (sozinho). Por isso, antes de mais nada, é preciso que a Alícia durma na hora certa, ainda que isso signifique que ela vai dormir no colo. Sei que fazê-lo algumas vezes em situações atípicas como essas não é suficiente para pôr tudo a perder e faz parte da flexibilidade que tanto o Nana Nenê como a Encantadora enfatizam mas que, por algum motivo, mães de primeira viagem como eu não entendem. Isto está muito claro para mim hoje.
Uma surpresa agradável que tive neste primeiro mês da Alícia foram as noites alongadas. O Nana Nenê ensina a não acordar o bebê pra mamar durante a madrugada, mas deixá-lo acordar sozinho pois entre o 10º. dia e a 8a semana de vida ele já seria capaz de dormir a noite toda. A minha teoria é de que isso depende em grande parte do peso do bebê. Quanto menor o bebê mais difícil é porque seu estômago ainda não comporta uma quantidade suficiente de leite para ele ficar tantas horas sem mamar. À noite a Nicole acordava pra mamar após aprox. 5 horas de sono e batalhei bastante para ela finalmente conseguir dormir a noite inteira (de 7 pra 8 horas), o que só foi acontecer com 8 para 9 semanas de vida, ou seja, bem no limite do prazo que o livro havia dado. Já os resultados com a Alícia vieram bem mais rápido: com 11 e 12 dias ela dormiu de 6 a 7 horas seguidas pela primeira vez!! Tomei um susto quando acordei de manhã. Depois com 17 e 18 dias de novo. Que delícia pra mim! Com 24 e 25 dias de vida nova surpresa: foram 7 a 8 horas de sono ininterrupto dessa vez! E ela não tinha completado nem um mês de vida ainda.
Dormir a noite inteira não é uma constante ainda e nunca aconteceu por mais de quatro noites consecutivas. Aconteceu de novo com 33 dias (6 horas), com 38 dias (8,5 horas), com 39 dias (6,5 horas), com 40 dias (6 horas) e com 41 dias (7,5 horas). Mas as demais noites foram somente 5 horas ou menos de sono ininterrupto. Tenho percebido que o "sucesso" à noite varia de acordo com a qualidade das mamadas do dia e também da implementação da rotina. Se, durante o dia, eu consigo fazer todos os ciclos de "comer/ficar acordada/tirar soneca" direitinho e, assim, ela fica acordada o tempo adequado e ingere o suficiente de calorias, os resultados à noite são melhores. Mas com filha pequena e de férias em casa nem sempre é possível seguir a rotina perfeita, por isso fomos bem flexíveis neste primeiro mês.
You (Você)
No livro da Encantadora de Bebês, a Tracy Hogg enfatiza que a mãe separe períodos do dia para cuidar de si e o horário ideal é enquanto o bebê está dormindo. Por isso é tão importante que as sonecas sejam longas, de 1h30 a 2 horas por ciclo. No Nana Nenê e Educação de Filhos à Maneira de Deus, os Ezzos também falam da importância de investir no relacionamento que é a base da família: o relacionamento marido-mulher. Eles dizem que "bons cônjuges produzem bons pais" e eu concordo plenamente! Com dois filhos o desafio de manter o casamento saudável é ainda maior, por isso meu marido e eu já separamos algumas datas de nossas agendas, 1x por mês até o final do ano, para termos o nosso tempo sem as meninas. Ainda não sabemos qual será o programa cada mês, mas vamos "voluntariar" babás para ficarem com elas nesses dias, rs!
Bem, por hoje é só! Vou postando as novidades conforme elas acontecem.
