Bem-vinda!!

Bem-vinda ao nosso blog!
Aqui, mamães muito diferentes mas com um único objetivo compartilham suas experiências nesta grande aventura que é a maternidade! Nós queremos, acima de tudo, ser mamães sábias, que edificam seus lares e vivem com toda plenitude o privilégio de sermos mães! Usamos muitos dos princípios ensinados pelo Nana Nenê - Gary Ezzo, assim como outros livros. Nosso objetivo é compartilhar o que aprendemos a fim de facilitar a vida das mamães! Fomos realmente abençoadas com livros (e cursos) e queremos passar isso para frente!


"Com sabedoria se constroi a casa, e com discernimento se consolida.
Pelo conhecimento os seus cômodos se enchem do que é precioso e agradável"
Prov. 24:4,5

terça-feira, 12 de julho de 2011

Criança Doente

Até um ano e dois meses de idade minha filha não ficou doente. Não ficou MESMO. Teve uma única vez roséola e a febre durou dois dias, sem derrubá-la. Nem o apetite atrapalhou! Então, nos mudamos para Sorocaba e ela passou a ir para a escolinha.

Tudo mudou.
Em quatro meses, foram inúmeras consultas ao pediatra e pronto socorros, quatro antibióticos diferentes, anti-inflamatórios e um termômetro quebrado.
Eu sempre ouvi falar que criança que vai ao berçário fica mais doente e vulnerável, mas nada me preparou para o que aconteceu. Tinha acabado de me mudar para uma cidade estranha e meu marido, que sempre me ajudou com tudo, passou a sair as 5:00h da manhã e chegar depois das 19:00h. Toda semana eu tinha que faltar pelo menos um dia e, nos dias que comparecia, ficava com o coração na mão, sem saber se ela estava bem.
Para falar a verdade, fiquei muito assustada. Tive medo de que a fase não iria passar nunca! A impressão era de que o pesadelo não teria fim e que só minha filha tomava tanto antibiótico seguidamente. Melhorava, piorava, melhorava, piorava...
Os palpites atrapalharam mais do que ajudaram. Uns ficavam na minha cabeça dizendo que tinham um pediatra fantástico que resolveria todos os problemas. Outros já diziam para eu não me preocupar com nada, porque isso só aconteceria até os dois anos. Infelizmente, não se esqueciam de acrescentar que antibióticos deixam os dentes da criança bem mais frágeis, além de produzirem outros efeitos colaterais.
No auge do meu desespero eu clamei a Deus implorando que fizesse um milagre e que a Gi ficasse boa de uma vez por todas imediatamente. Ela não ficou, e depois de melhorar um pouco voltou a ficar resfriada.
Um dia, não sei nem dizer o porquê, uma vez que nada de especial aconteceu, tive um “click”. Como deve ser difícil para uma mãe lidar com um filho muito doente! De alguma forma, Deus dá força às mães e quando olhamos para traz, a dificuldade passou...mal nos lembramos dos detalhes.
E foi então que me acalmei. Percebi que aquilo que parecia “insuportável” já ocorria há quatro meses e eu me mantinha firme, alegre e serena. Deus fez o milagre desde o começo...só não foi do jeito que eu tinha pedido.
Quando o desespero passou e pude me acalmar, finalmente notei que a situação da Gigi é MUITO comum entre crianças. Só na igreja umas três ou quatro mães me disseram que a história delas é a mesma. No trabalho, mais duas. E todas disseram a mesma coisa: um dia passa e a criança adquire uma super resistência.
Imagino que você se pergunte como estamos hoje. Bem, viajamos uma semana para Bahia e o clima ajudou muito. A Gi passou uma semana excelente e voltou com a imunidade boa. Também passamos a usar uma vitamina e um antialérgico receitados pela pediatra que servem para aumentar a imunidade. Além disso, temos consulta marcada para agosto com um pediatra homeopata (nunca recorri à homeopatia antes, mas ante o número de conselhos, resolvi ceder).
Ela passou duas semanas sem ficar doente e agora teve um início de resfriado bem fraco, que foi só medicado com anti-inflamatório (não precisou de antibiótico).
Ah, e o mais importante: Deus continua me sustentando todos os dias.

domingo, 3 de julho de 2011

Parto normal vale a pena?

Sinto-me incrivelmente aliviada da Alícia ter nascido e de sentir meu corpo aos poucos voltando ao normal. Grande parte dos sintomas ruins se foram tão logo ela nasceu e, por isso, posso dizer com segurança que ela aqui fora está sendo mais fácil de lidar do que ela dentro de mim!

Quanto ao parto, quando me perguntam se foi normal de novo, eu brinco que "normal" foi o parto da Nicole. Esse aqui foi "anormal", rsrs! Costumam dizer que um parto nunca é igual a outro e, no meu caso, o dito popular realmente se confirmou. Tive experiências bem diferentes. As lembranças que tenho do nascimento da Nicole são de que tudo transcorreu tranquilamente, foi PARTO NORMAL com episiotomia e com anestesia. Já o parto da Alícia, um ano e dez meses depois, foi parto normal sem episiotomia e sem anestesia, ou seja, foi PARTO NATURAL!

Antes de prosseguir com o relato de minhas duas experiências, quero primeiramente fazer algumas considerações sobre o motivo da minha escolha pelo parto normal.

Por que parto normal e não cesária?

Como toda mulher é evidente que eu tinha medo da dor e estava muito apreensiva, mas mesmo assim, diante de tudo o que eu li e sobre o que me informei durante a gestação, me convenci de que o parto normal era, sem sombra de dúvida, a melhor opção - tanto pra mim como para o bebê - e por isso fazia questão de pelo menos tentá-lo! Na verdade eu tinha receio de ser enganada pelos médicos, ou seja, de ser induzida a fazer uma cesária desnecessariamente. Por isso pesquisei bastante sobre o assunto, conversei com pessoas diversas pra ouvir suas experiências e visitei uns quatro ou cinco médicos diferentes antes de optar por um.

Nas minhas pesquisas verifiquei que existe um movimento contra o excesso de cesarianas no nosso país. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que somente 15% dos partos sejam por meio de cesárias, mas no Brasil elas representam 43%! E a notícia mais estarrecedora é esta: a proporção de cesarianas no setor privado está em torno de 80% enquanto que no Sistema Único de Saúde (SUS) de 26%.

Não precisa ser muito inteligente para entender o porquê desse número altíssimo de cesárias no setor privado. Além da comodidade para a paciente de escolher o dia e a hora do nascimento do seu bebê, poder ir tranquilamente à maternidade com a malinha pronta e ser internada sem estresse, a futura mamãe ainda tem a vantagem de não precisar ficar ansiosa com relação a possivelmente ficar horas em trabalho de parto, sentindo a dor das contrações, como vemos nos filmes. Esse sem sombra de dúvidas é o maior medo da mulherada!

Com a cesária agendada, tudo é resolvido em cerca de 40 minutos, o que é extremamente vantajoso também para o médico - ele não precisará ser incomodado de madrugada, muito menos ter a dor de cabeça de cancelar e remarcar um monte de consultas durante a semana (ou outros compromissos pessoais de final de semana) para correr à maternidade se a gestante ligar dizendo que está em trabalho de parto. Não os julgo por isso, pois sei que a situação certamente não é fácil pra eles, principalmente no aspecto financeiro! Suponho que os planos de saúde, por serem empresas com fins lucrativos, pagam o mínimo possível.

Bem, o que aconteceu é que fui percebendo um padrão nas respostas das mulheres que tiveram cesária, o motivo alegado era normalmente algo do tipo "eu não tinha passagem", "eu não tive contrações ou dilatação" e "o bebê era muito grande". Daí quando eu perguntava com quantas semanas o bebê nasceu, a resposta era invariavelmente 38 ou 39. Duh!! É só pesquisar um pouquinho (inclusive sobre como é a situação em outros países) pra saber que essas desculpas são muito esfarrapadas!

A minha conclusão é que vai chegando o finzinho da gestação, e a gestante, já com barriga enorme, fica com aquele temor: "Meu Deus, como é que esse bebê vai sair daqui de dentro?". Se o médico, que é o profissional em quem ela está depositando toda a sua confiança e que a acompanhou durante o pré-natal, der qualquer indício, por menor que seja, de que o parto vai ser sofrido ou que pode haver alguma complicação, É ÓBVIO que ela vai aceitar o que ele disser e concordar rapidinho em fazer a cesária. Mas cá entre nós: Não é coincidência demais tantas cesárias serem agendadas muito antes das 40 ou 41 semanas de gestação? Como é que alguém pode saber se a mulher vai ou não vai ter passagem se ela nem entrou em trabalho de parto ainda? É óbvio que se as contrações ainda não começaram não haverá dilatação. E a desculpa do bebê ser muito grande é a pior. Em países como os EUA os bebês nascem muito maiores do que aqui no Brasil e nem por isso os médicos indicam a cesária.

Não estou aqui tentando afirmar que 100% das mulheres que fizeram cesária o fizeram desnecessariamente, em alguns casos acredito a cesária realmente seja a melhor e única solução. Como disse acima, de acordo com a OMS, até 15% ainda é aceitável. Aliás, graças a Deus que a medicina evoluiu e que existe essa possibilidade! Na época de nossas avós e bisavós, não havia outra opção e imagino que fosse mais comum haver complicações no parto, inclusive levando à morte da mãe e/ou do bebê. Mas dá para ver que muitos estão aproveitando o pavor que as mulheres têm de sentir dor (influenciadas principalmente por histórias que o povo conta, além de cenas de filmes e novelas) e manipulando a situação para benefício próprio, isso com certeza! Por isso precisamos ficar espertas.

Parto da Nicole - 29 de agosto de 2009

O nascimento da Nicole foi o "parto do sonhos": certamente muito mais fácil do que eu imaginava que seria, mas nem por isso menos emocionante ou sem surpresas - pra começar o susto de ter sido internada às pressas no sábado à tarde! Eu não estava preparada psicologicamente pra dar a luz duas semanas antes do previsto, muito menos com aviso prévio de apenas três horas! Era sábado e eu havia amanhecido com cólicas fortes. Elas eram fortes mas duravam poucos segundos, totalmente toleráveis. Quando elas vinham era só eu parar o que estivesse fazendo, me apoiar em algum lugar brevemente e me concentrar que logo passavam. Engraçado que junto com a cólica vinha a vontade de ir ao banheiro. Fiz o nº. 2 várias vezes naquela manhã e depois tomei um bom banho quente antes de sair com meus pais e sogra para ir a um laboratório do outro lado da cidade realizar o último ultrassom pois, como já estava completando 38 semanas naquele sábado, não podia esperar para fazê-lo em um dos laboratórios perto de casa.

Ao me examinar na última consulta de pré-natal, apenas dois dias antes, a médica verificou que eu já estava com 2 cm de dilatação. Quanto ao tampão mucoso, ele já tinha caído cinco dias antes. Apesar disso, eu ainda não sentia dor, apenas um incômodo quando a minha barriga enrijecia (eram as chamadas contrações de Braxton-Hicks). Após a consulta, meu marido, sabendo que eu já estava com dilatação, ficou todo eufórico e me fez ir à maternidade naquela mesma noite depois de constatar que a minha barriga estava enrijecendo a cada 10 minutos. A médica havia dito que eu precisava chegar com seis horas de antecedência pra poder tomar duas doses de antibiótico contra streptococcus antes do parto. Mas apesar disso, o que eu queria mesmo era chegar e ganhar o bebê, não ficar horas lá na cama do hospital deitada e sofrendo, esperando a dilatação evoluir para o parto! A dica mais frequente que eu ouvi em minhas conversas com outras mulheres que tiveram seus bebês por meio de parto normal era: "Aguente o máximo que você puder em casa, pois se você chegar na maternidade e estiver muito no início do trabalho de parto, vão colocá-la no sorinho e daí a tensão e dor da contração serão muito piores". Por isso fiquei chateada com meu marido naquela quinta-feira, meu plano era ir ao hospital somente quando não estivesse mais aguentando e naquela noite em específico nem dor eu sentia!

Então no sábado saí com meus pais e sogra em vez de com meu marido porque eles estavam ansiosos por ver a netinha pelo ultrassom; durante o caminho dentro do carro as contrações iam e vinham, algumas mais fortes e outras mais fracas, mas eram sempre toleráveis. O intervalo entre uma e outra ainda era de aprox. 10 minutos, então eu tinha tempo de sobra para me recompor da dor e me preparar psicologicamente para a próxima. Estava sol e o trânsito não estava bom, atrasamos e quando chegamos no laboratório já era perto do meio-dia; quase não deu tempo de fazer o exame que estava marcado para às 11:00 horas!

Nesse meio tempo também comecei a sentir uma dorzinha no pé das costas e continuei indo ao banheiro pra fazer o nº. 2 sempre que podia. Hoje quando me perguntam como é a dor da contração, eu digo que é como uma dor de barriga, você sente cólica e vontade de fazer força. Apesar da dor, eu não queria alarmar ninguém pois acreditava piamente que ainda não era hora, mas tenho uma sogra enfermeira que ficou de olho em mim o tempo todo, insistindo durante o caminho todo que fôssemos para a maternidade. Eu sorria e tentava disfarçar a dor, mas ela não se convencia! Bem, mesmo assim eu acho que disfarcei bem porque na hora do ultrassom, minha mãe perguntou à médica que fez o exame: "E aí, doutora, nasce hoje?" ao que ela respondeu: "Não, ela nem está tendo contrações ainda". Ha! Mal sabia ela!

Na volta pegamos engarrafamento novamente, já tinha passado das 14:00 horas e, cedendo à pressão da minha sogra, aceitei dar "só uma passadinha" na maternidade pra fazer o cardiotoco e medir a intensidade das contrações. Passei no pronto atendimento por volta das 15:00 horas e após fazer o exame de toque recebi a notícia de que, como eu já estava com 4 pra 5 cm de dilatação, precisaria dar entrada na minha internação para o parto porque o bebê nasceria dentro de três horas! "Mas já??", pensei. Não acreditava!

Não tinha trazido nada comigo, tudo tinha ficado em casa. Nem meu marido estava lá e tínhamos planejado que ele filmaria o parto. Apesar do susto, Deus foi bondoso comigo e me encheu de paz! Fiquei tranquila e tudo correu de uma maneira muito especial - deu tempo do Douglas chegar para assistir ao parto. E olha que ele ainda correu no shopping pra comprar o presentinho que combinamos que daríamos à médica que, diga-se de passagem, foi simplesmente excelente. Sou muito grata a ela!! Em pleno sábado à tarde ela chegou na maternidade super rápido (antes do Douglas). Uns 40 minutos depois, no máximo, ela fez o exame de toque eu já estava com 8 pra 9 cm de dilatação. A dor ainda estava totalmente suportável, eram fortes mas duravam 30-40 segundos e quando se iam eu ficava bem de novo. Na sala de parto ficamos conversando, ouvindo música e esperando. Me colocaram no tal do sorinho com ocitocina para acelerar as contrações assim que cheguei, mas tudo foi tão rápido que acho que nem deu tempo dele fazer muito efeito. Duas enfermeiras acharam engraçado porque toda vez que elas entravam na sala eu estava sorridente e papeando, mesmo com contrações e dor de parto.

Quando cheguei nos 10 cm de dilatação, tomei a anestesia, esperamos uma meia-hora para ela fazer efeito, romperam a minha bolsa e depois já fui instruída a começar a fazer força. Foi "pá-pum", acho que empurrei umas cinco vezes (ou menos) e a Nicole já nasceu, às 18:37. A parte ruim é que eu estava sem nada no estômago (não tinha almoçado) e a anestesia intensificou o meu enjôo, então na "reta final", digamos assim, eu comecei a vomitar. A gestação toda foi assim, se eu ficasse mais de 2-3 horas sem comer vomitava bile. Esta é a única lembrança ruim que eu tenho daquela sala de parto, pois fazer força pra ganhar a neném e vomitar ao mesmo tempo simplesmente não combinam!!

E por causa disso o "pós-parto" também foi muito ruim, pois continuei vomitando!! Quando cheguei no quarto depois da recuperação já eram 21:00 horas e o Douglas teve que ir embora porque meu plano só cobria hospedagem em enfermaria. Confesso que fiquei mal-humorada e estava exausta. Por causa da tontura (efeito da anestesia) por algumas horas não me deixaram comer, levantar, tomar banho ou ver e amamentar a Nicole. Essa parte foi beeeeem chata, foi uma noite conturbada para mim, chorei bastante mas depois tudo ficou bem de novo!


Parto da Alícia - 19 de junho de 2011


Como uma mulher "corajosa" que sou, depois da experiência sem dor do primeiro parto normal, comecei a pesquisar e ler a respeito de partos naturais. Na verdade a intenção era encontrar uma saída para não ter que repetir o episódio de náusea e vômito em pleno momento expulsivo do bebê já que passei tão mal na segunda gestação quanto na primeira. Eu sabia que a grande vilã tinha sido a anestesia. Falei acima que sou corajosa só pra desconstrair porque a verdade mesmo é que sou a pessoa mais medrosa e chorona que conheço - de verdade! Meus pais e marido que o digam, pode perguntar para eles! Alguns relatos que encontrei e li na internet me inspiraram, outros me deixaram apavorada. Afinal, quem em sã consciência deseja sentir dor, não é mesmo?

Comentei com a minha médica em algumas consultas de pré-natal que talvez gostaria de tentar o parto sem anestesia dessa vez. Ela me olhou com cara de perplexa e falou da preocupação com a episiotomia e da sutura em seguida. Eu perguntei se não dava pra tomar apenas a anestesia local já que no parto da Nicole, mesmo tendo tomado a geral, na hora da sutura eu senti dor e acabei tendo que tomar a anestesia local de qualquer maneira. Ela consentiu e não falamos mais no assunto, mas eu continuei insegura quanto ao que realmente eu queria.

Tive toxemia gravídica nas últimas três semanas de gestação, inchei muito e minha pressão, que sempre foi baixa, começou a subir. Precisei tomar remédio para hipertensão. Como a única cura para a toxemia, também conhecida como pré-eclâmpsia, que nada mais é do que uma reação do meu organismo ao hormônio da placenta, é o bebê nascer, minha médica começou a falar sobre a possibilidade de adiantar o parto tão logo fosse possível (a partir da 37ª semana).

Essa notícia não me agradou nem um pouco, pois minha mente logo traduziu "adiantar o parto" como "marcar uma cesária" ou "induzir o parto normal", o que inevitavelmente significaria fazer uso do tão temido "sorinho": a ocitocina. Se para muitas cogitar tentar o parto normal sem anestesia já beira à loucura, pensar em induzi-lo é certamente pior ainda!

O finzinho da gestação foi especialmente difícil pra mim. Aliás, por causa dos enjôos, dores e mal-estar constantes ela toda foi. O problema da toxemia só a tornou ainda pior. Sentia-me continuamente exausta, inchada, tendo que fazer e repetir exames praticamente toda semana... era uma loucura. Não tinha energia pra cuidar da Nicole ou trabalhar e não via a hora de dar logo à luz! A última consulta de pré-natal foi numa sexta-feira. O tampão mucoso não tinha saído e o meu colo do útero ainda estava fechado. A médica apenas mencionou que ele estava querendo começar a dilatar. Na volta para casa, talvez porque tinha acabado de fazer o exame de toque, senti umas duas daquelas cólicas mais fortes que comecei a sentir no dia em que ganhei a Nicole. Isso me deixou bem contente porque tive certeza de que não seria preciso induzir o parto, pois o meu próprio corpo faria o trabalho sozinho.

No dia seguinte continuei a tê-las mas elas ainda não eram regulares. Às vezes vinham a cada 10 minutos, às vezes a cada 15 e outras vezes passavam 30 ou 40 minutos e eu não tinha mais nenhuma! Elas também estavam bem toleráveis (fracas) e duravam poucos segundos. Na minha ansiedade de que estava chegando a hora, caí na besteira de contar para o meu marido. Meu primeiro erro, pois contar tão cedo só serviu para deixá-lo apreensivo. Deixe eu explicar o porquê. Depois de relatar, alguns meses antes, a uma amiga que é enfermeira de maternidade nos EUA, como foi a experiência do meu primeiro parto, ela brincou que essa segunda vez seria tão rápido que quem iria fazer o parto seria o meu próprio marido. Imaginem como ele ficou!!

Não deu outra: Antes mesmo do almoço, sem eu saber, o Douglas ligou para a médica que disse para irmos ao hospital. Depois ele contou para a mãe dele. Segundo grande erro. Ela falou não sei quantas vezes que eu estava tranquila demais pra alguém que estava pra ganhar neném e que se eu não fosse logo para o hospital a Alícia iria nascer dentro do carro! Quanta pressão! Bati o pé e disse que eu não iria para a maternidade ainda e pronto, não tinha conversa, mas era uma pressão doida dos dois. A tarde toda!

O Douglas ficava controlando com o relógio e a cada dez minutos + ou - perguntava: "Você teve outra contração?". Eu dizia que não, que avisaria quando tivesse, mas a sensação que eu ficava é que eles não acreditavam. Dali em diante o dia empacou, sabe quando ninguém quer fazer nada porque sente que a qualquer momento terão que sair às pressas para o hospital? Ficava um olhando para a cara do outro esperando o meu "sinal verde" de que já era hora. Já estava tudo dentro do carro, só esperando mesmo eu aceitar entrar nele pra sair.

Sinceramente? Se eu tivesse que nomear um único sentimento que fosse capaz de colocar tudo a perder eu escolheria a ANSIEDADE. Ela tira seu foco (das coisas importantes, pelo menos), o impede de usar a razão, exagera completamente os fatos e contamina quem está por perto, pra citar alguns prejuízos. Outras pessoas sem querer também contribuíram com a ansiedade geral que pairava sobre a minha casa naquele dia com frases do tipo: "E aí? Essa bebê nasce hoje ou não nasce?" e "Não vai enrolar dessa vez, hein, se estiver tendo contração vá pra maternidade".

Então eu finalmente cedi. Esse foi o terceiro erro do dia e o que mais trouxe consequências ruins! Se ao menos eu tivesse ficado em casa e esperado o amanhecer para ir à maternidade, tenho certeza de que chegaria lá "já ganhando", exatamente como eu queria! Mas não, tomada por apreensão, comi um lanche, tomei um banho e lá pelas 18:00 horas saí de casa.

Dei entrada no pronto atendimento por volta das 18:40 e, por causa da hipertensão gestacional, fiz mais uma vez todos aqueles exames a que já estava habituada - sangue, urina, USG com doppler e cardiotoco - e esperei sair o resultado. Continuei monitorando as contrações e agora elas vinham um pouco mais fortes, porém continuavam toleráveis e ainda estavam em intervalos de 7, 9 ou 13 minutos.

No exame de toque a obstetriz disse que eu estava com 2 para 3 cm de dilatação e por isso julgou que eu estivesse em início de trabalho de parto. Já estava bem tarde e eu muuuuito cansada. Queria muito ir pra casa. Insisti com a obstetriz pra me deixar ir prometendo que voltaria bem cedo na manhã seguinte, mas ela não quis saber! Como não haviam conseguido localizar a minha médica até então, achou melhor que o meu marido já desse entrada na internação enquanto aguardávamos a médica entrar em contato. Eram 23:46 horas do sábado à noite.

Fui para a LDR (Labor and Delivery Room) e tentei ligar para a médica para dizer a ela que tudo não passava de um grande mal-entendido, que ela não precisava vir tão logo porque não estava na hora ainda. Mas era tarde demais! Ela já estava no hospital, saindo do vestiário e andando em direção à sala de parto. Ela me examinou e, para minha surpresa, eu já estava com 5 cm. Mas estava de madrugada e, diferente da minha primeira experiência, não ficou conosco o tempo todo na sala. É evidente que ela teve um longo dia e precisava tentar descansar e dormir um pouco. Eu também não estava me aguentando de sono. No começo o Douglas até tentou ficar acordado fazendo massagem em mim enquanto ouvíamos música, mas no fim das contas ele também se entregou e resolveu tirar um cochilo. Quando a médica voltava pra me examinar, ela comentava que o colo do útero ainda estava alto, mas nós estávamos tão zonzos de sono que não entendemos que era pra ajudar empurrando quando a contração viesse. Esse foi o nosso quarto erro! Em vez de assumir uma postura ativa para ajudar no trabalho de parto e não precisar tomar ocitocina na veia, fiquei totalmente passiva esperando o meu corpo fazer todo o trabalho sozinho!

Por volta da 1:00 hora da manhã, a dilatação estava em 7 cm e às 2:00 em 8 cm, porém o colo continuava alto e eu não estava sentindo dor porque as contrações ainda eram bem espaçadas. Às 2:45, a médica mandou colocar ocitocina no soro para acelerar a evolução do parto. De hora em hora ela me examinava e, ao constatar que eu continuava com os 8 cm, pedia para aumentar a dosagem da ocitona. Mesmo assim, as horas foram passando e nada do colo do útero descer ou do tampão mucoso sair! Eu não aguentava mais fazer o exame de toque porque era muito doloroso e ouvir, vez após outra, que a dilatação continuava igual era frustrante. Eu estava esgotada, confusa e estressada com aquela situação.

Quando entre 5:00 e 6:00 horas da manhã a médica pediu para me darem a dosagem máxima de ocitona e mencionou que se o colo do útero não descesse logo, ela iria fazer uma cesária, eu fiquei ainda mais apreensiva. Na verdade eu cheguei a considerar a hipótese de fazer a cesária. Estava tão injuriada e cansada de ficar ali presa àquela cama de hospital que a possibilidade de acabar logo com tudo aquilo de uma forma rápida, com pouco esforço e indolor pareceu uma saída bem conveniente. Mas daí me lembrei da anestesia e de como é horrível vomitar. Já estava enjoada, sem nada no estômago, a única coisa que tinham liberado para eu comer foi um potinho de gelatina e suco por volta da 1:00 da manhã e isso já fazia horas; tomar anestesia pra uma cesária não iria ajudar. Também me lembrei de como valeu a pena ter parto normal da primeira vez e fiquei aflita de imaginar fazendo uma cesária agora!

Nesta hora o Douglas ligou para os meus pais; meu pai orou conosco pelo viva-voz do celular e nós fomos concordando com ele à medida que ele profetizava a bênção de Deus sobre o meu parto. Foi somente então que "a nossa ficha caiu" e o Douglas e eu nos mexemos pra tentar fazer alguma coisa. Tinha passado a noite toda no hospital pra nada? Claro que não! Eu não queria cesária de jeito nenhum e, apesar da certeza de que não existia absolutamente nada de errado com o meu corpo que pudesse impedir um parto normal e de saber que a situação só tinha chegado a esse ponto por erro meu mesmo (que fui para o hospital antes da hora), percebi que continuar brava e frustrada com a situação não iriam resolver a situação. Eu precisa me mexer.

Estávamos somente eu e meu marido ali na sala quando decidimos que eu começaria a empurrar junto com a contração. Queríamos surpreender a médica e deu certo! Quando por volta das 6:45 ela me examinou de novo, a dilatação já estava em quase 9 cm e parte do tampão mucoso saiu nas mãos dela. Ela pareceu satisfeita e anunciou que às 7:15 iriam estourar a bolsa.

Dali pra frente a evolução do parto foi tão intensa que eu tenho dificuldade de me lembrar dos detalhes. Empurrar junto com a contração me deixou exausta e as dores estavam ficando bem fortes - a ponto de me fazerem gemer, algo que eu não senti no parto anterior, pois nesta altura do trabalho de parto eu já tinha tomado a anestesia. Eram 7:35 e a médica ainda não tinha voltado para romper a bolsa, então o Douglas foi chamá-la pois percebeu que já estava na hora!

Daí em diante tudo aconteceu muito rápido. O intervalo entre as contrações diminuiu a ponto de eu não conseguir retomar o fôlego e me recuperar entre o fim de uma contração e o início da outra. Os gemidos de dor viraram um longo e alto berro. Até eu me assustei com a minha reação! Rapidinho eu perguntei à médica se ainda dava tempo de tomar a anestesia. Ela disse que sim e de repente a sala começou a ficar cheia de gente; o anestesista entrou, o Douglas teve que sair para trocar de roupa e começaram a esterelizar o ambiente para o momento do nascimento.

As contrações não paravam e eu estava emocionalmente abalada, não conseguia me concentrar em nada do que as médicas diziam para eu fazer. Estava levando bronca porque eu me contorcia toda, o que impedia a passagem do bebê, mas a dor estava tão forte que eu queria levantar e me jogar para fora da cama. Não tinha posição que aliviasse a minha tensão! Quando vi o anestesista ali do meu lado e imaginei que eu não conseguiria ficar parada tempo o suficiente para ele aplicar a raqui nas minhas costas, fiquei com medo e voltei atrás. Decisão louca, eu sei! Mas no momento da dor a gente não consegue pensar direito.

A contração seguinte me fez dar outro berro estridente. O Douglas ainda não tinha voltado, então eu levantei e abracei a médica chorando. De repente senti um aperto lá embaixo e tinha certeza de que era a cabecinha do bebê coroando. Fiquei eufórica e gritei: "Está saindo! Está saindo!".

Deitei com pressa e me estiquei com medo de machucar minha filha. Deus foi bondoso e misericordioso nesta hora: tive uns instantes de trégua entre as contrações. Eu sabia que duraria pouco também mas foi um alívio tão grande! Olhei e o Douglas já estava ali do meu lado de novo. Lembro-me de ter conseguido fechar os olhos, respirar fundo e perguntar à médica: "Está bem, o que é para eu fazer mesmo?". Ela repetiu as instruções, eu obedeci, empurrei com toda a minha força mais 1 ou 2x e... ufa, a Alícia nasceu, às 8:09 do domingo de manhã!

No fim das contas não deu tempo da médica me dar a anestesia local ou de fazer a episiotomia antes do nascimento, por isso tecnicamente foi um parto natural. Depois de eu conhecer minha filha, o Douglas ficou tentando me distrair com fotos que havia acabado de tirar dela enquanto a médica tentava tirar a placenta, mas eu não queria papo. Fiquei reclamando com ela e pedindo que me desse logo a anestesia local! Me sentia tão traumatizada pelo que acabara de acontecer que só queria chorar pra aliviar a tensão.

Quando finalmente tomei a anestesia e ela me deu os pontos, daí sim ficou tudo bem... quer dizer, quase. Continuei com a região abdominal bem dolorida e me deram medicação na veia, mas não precisei ficar horas na sala de recuperação como da outra vez. Praticamente assim que ela nasceu fui levada para o quarto e pude comer! E o melhor: dessa vez não tive qualquer enjôo ou vômito!

Se você leu até aqui provavelmente quer saber se eu acho que valeu a pena ter passado por todo esse sofrimento para ter a minha filha. Eu não preciso pensar duas vezes para afirmar que o parto normal sim, valeu MUITO a pena. Estaria arrependida hoje se tivesse cedido e pegado o atalho - ter aceitado fazer a cesária quando o processo ficou demorado e cansativo.

Já com relação ao parto natural (o fato de na hora "H"eu ter optado por não tomar a anestesia) eu não saberia responder de imediato com 100% de certeza. A resposta é: DEPENDE.

Confesso que fiquei bem estranha durante os primeiros dois dias após o parto, não queria falar sobre o assunto para não ter que me lembrar da experiência. Tinha sido horrível e eu ficava envergonhada só de pensar que eu me descontrolei e berrei como louca na hora da dor. Além disso, fiquei me martirizando e sentia certa revolta por tudo ter dado tão errado - ou pelo menos diferente de tudo o que eu havia planejado. Por isso não canso de repetir o conselho que recebi: se você está grávida e quer parto normal, não vá para o hospital cedo demais; chegar antes da hora e ficar lá por horas a fio é extremamente desgastante e mexe demais com as nossas emoções e capacidade de raciocínio. Mas depois do segundo dia os meus sentimentos mudaram com relação à experiência, comecei a sentir orgulho por ter conseguido essa proeza e consegui avaliar melhor os benefícios que esse parto "insano" me proporcionou.

Com o meu histórico de duas gestações difíceis, com incessante mal-estar e vômito (acho que só quem passou por isso consegue realmente entender como é ruim), não ter tomado anestesia e vivido 30 min de dor intensa nos "finalmentes" do trabalho de parto compensou sim, foi uma vitória! Hoje sinto satisfação ao lembrar e tenho aquela sensação de "missão cumprida".

Foi difícil? Sem dúvidas! Eu faria tudo de novo? Com exceção de ter ido tão cedo para o hospital (rsrs!), certamente que sim. O motivo? Passei por uma experiência que pouquíssimas mulheres nessa era moderna têm coragem de encarar e isso por si só faz-me sentir como uma guerreira!

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Gestação: nove meses de enjôo e mal-estar?

Faz algumas semanas que estou ensaiando publicar algo sobre as aflições de uma gestação com nove meses de enjôo e mal-estar. Estou com 36 semanas. Em várias das noites em que tive insônia, minha mente, recusando-se desligar para que eu pudesse dormir, escrevia e reescrevia em pensamento formas diferentes de expressar o que eu estava sentindo. Ainda bem que me segurei e mantive-me em silêncio esse tempo todo! Eu certamente teria me arrependido das duras palavras entaladas na minha garganta, rs. Pois é, o cansaço pelas noites mal-dormidas estava tão intenso que me deixou amargurada e revoltada com a situação. Bem que dizem que em meio à tempestade de nossas mudanças hormonais, nossas emoções ficam à flor da pele... mas quando vem a calmaria, ah que delícia que é recobrar a paz interior!

Hoje quero falar sobre um tema que pouco se fala: enjôos e mal-estar que se estendem além do primeiro trimestre de gravidez e vão até o fim da gestação. Pela minha experiência são poucas as mulheres que passam por isso, mas eu acho que só o fato de saber que elas não são as únicas já serve de consolo. É incrível pensar nesta necessidade humana de se sentir aceita e compreendida pelos seus pares, não é mesmo? Saber que outros viveram algo parecido com o que você está vivendo por si só já um alívio: a coloca em pé de igualdade com outras pessoas e a enche de forças e novo ânimo para superar os desafios da adversidade imposta. Quem sabe algum psicólogo algum dia não queira se aprofundar nesse tema de pesquisa? =)

A minha amargura era justamente essa. Pensava com revolta em ditos populares como "a mulher grávida está na sua plenitude" e "gravidez não é doença" porque me pareciam frases maldosas que tinham o objetivo de me fazer sentir mal por estar me sentindo mal! E durante aquelas conversas de banheiro então em que, numa tentativa de ser simpática comigo, a mulherada colocava toda aquela aura em volta da delícia que tinha sido para elas estarem grávidas, das saudades que sentiam do lindo barrigão e de como ficaram naturalmente maravilhosas durante essa fase!! Por um lado sentia-me culpada por não estar enxergando ou vivendo a tal da plenitude que toda mulher grávida TINHA QUE sentir; e por outro ficava irritada porque ninguém me compreendia ou parecia se importar que eu estava péssima, me sentia discriminada por não ter superado a fase dos enjôos ainda, que só deviam durar os três primeiros meses.

O fato é que longe de me sentir bela e maravilhosa com o super barrigão, eu me sentia DOENTE! Se não era uma coisa era outra... o mal-estar dos enjôos, os vômitos, as azias constantes, a irritação por ter que ir ao banheiro fazer xixi o tempo todo (e mesmo depois de fazer o aperto na bexiga não cessa), a fadiga extrema por causa da insônia (acordar de madrugada pra fazer xixi, ter que comer por causa do enjôo e não conseguir voltar a dormir é enlouquecedor!!), as câimbras, a inflamação lombar que trava as costas e faz você andar mancando nas manhãs frias, a dor nas costas e pernas por causa do peso da barriga... ufa, cansa só de falar!

Ah, e por falar em barriga... essa era outra frustração minha! Até o 6º. mês de gestação da Nicole nem os assentos preferenciais no trem eu conseguia porque as pessoas não notavam que eu estava grávida (no inverno a gente põe tanta blusa e casaco que disfarça a barriga). Nessa gestação da Alícia não está sendo diferente. Quer deixar uma grávida chateada?? Diga para ela que sua barriga está pequena, principalmente se ela já engordou 18 kg!! Que raiva que dava! Parece até que a feminilidade da mulher está no tamanho da barriga dela enquanto gestante - pura besteira, eu sei, mas esses comentários todos impactam e nos pressionam a seguir um certo padrão externamente imposto do que é bom/ruim, certo/errado, aceitável/inaceitável.

Bem, a conclusão a que chego é a mesma que o salmista chegou numa conversa que teve consigo mesmo há muitos e muitos séculos. Os tempos passaram e muita coisa mudou de lá pra cá, mas as crises internas humanas continuam as mesmas. Ele disse: "Por que você está assim tão triste, ó minha alma? Por que está assim tão perturbada dentro de mim? Ponha a sua esperança em Deus! Pois ainda o louvarei; ele é o meu Salvador e o meu Deus" (Salmo 43:5).

Quando não nos sentimos compreendidos, aceitos ou aprovados por homens, nem tudo está perdido. São em momentos assim que precisamos colocar nossa confiança em Deus e esperar nEle pois somente Ele poderá nos dar paz interior!

Sinto-me bem mais calma agora, confesso que os sintomas não foram embora (ontem tive crise de vômito de novo, essa manhã fortes dores de cabeça e tontura e continuo tomando remédio para controlar a pressão) mas a minha alma está esperando em Deus e isso por si só já me enche de uma paz indescritível! Sei que Ele está comigo e não me abandonará e O louvo porque sei que em breve a pequena Alícia estará em meus braços com muita saúde!!

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Visitando a escolinha da Nicole!

Essa semana tive uma experiência nova, fui passar uma manhã na escolinha da Nicole para saber como é seu dia de atividades lá. Desde que ela começou a ir, há 8-9 semanas, eu tinha vontade de fazer isso pra poder entender e acompanhar melhor o desenvolvimento da minha filha.

Deixei-a pela manhã no portão e fui pra casa buscar algumas coisinhas que faltaram na mala dela (como meu marido estava em viagem, eu dormi de domingo pra segunda nos meus pais). Quando voltei era 8:45 e as crianças já tinham tomado café da manhã e se preparavam pra mudar de sala. Combinamos de fazer o possível pra Nicole não me ver, para que ela pudesse agir naturalmente. Não deu certo. Muito esperta ela me viu espiando pelo lado de fora e, por mais que a professora tentasse distraí-la, ficou aquele chororô. Não sei se ela é manhosa assim na escola todas as vezes, mas essa última semana sem o papai em casa foi difícil e, pra completar, um dia antes dele viajar levamos-a ao pediatra para uma consulta de emergência porque ela tinha tido febre por três noites seguidas. Ele examinou-a e receitou xarope, antibiótico e rinossoro spray pra ajudar a eliminar o catarro. Ela chegou a ficar febril mais uma ou duas vezes depois disso e até hoje ainda não está totalmente recuperada. Vou dar o antibiótico até sexta pra completar os dez dias que o médico indicou caso ela não ficasse 100% boa até o sétimo. O fato dela estar doentinha esses dias afetou sua alimentação, o seu sono noturno (por causa das crises de tosse depois que eu dava o xarope) e, principalmente, o seu humor e comportamento.

Bem, então a Nicole me viu e depois de algumas tentativas sem sucesso de espiar de longe, eu resolvi aparecer e participar abertamente da aula. Nesse dia havia doze crianças presentes (acho que faltou somente uma) e estavam divididas em dois grupos de seis, com 2 professoras diferentes, descalças e sentadas num tapetão no chão. Mais tarde me explicaram que um grupo (o da Nicole) era o Nursery e o outro era o K1. O critério de divisão inicial é a idade, pelo que me explicou a professora do K1, mas algumas crianças apesar de já terem passado dos 2 anos (e às vezes estarem perto de completar 3) continuam no Nursery porque, segundo ela, não estavam prontas para o K1 ainda. Além das duas teachers, havia também uma nanny - é uma mocinha que ajuda principalmente na higiene pessoal das crianças, como trocar fralda, levar ao banheiro, assoar o nariz (havia muitas crianças resfriadas, inclusive a Nicole), dar o remédio, distribuir o suco na hora do lanche, tirar a temperatura (um menininho estava com febre), ajudá-los a calçarem os sapatos, lavar as mãos depois da atividade com tinta, escovar os dentes depois do almoço, etc. Eu achei bem legal a escola dispor de 3 pessoas para ficar o tempo todo cuidando desse grupinho de 12, ficou bem organizado assim.

Ali sentados no "green rug" e depois numa daquelas mesinhas de plástico (com o banco embutido) que ficava ao lado, o grupinho do Nursery fez várias atividades, todas elas lúdicas. Tiveram o momento de cantar, de ouvir história de um livrinho, de modelar massinha, de montar bloquinhos e repetir o nome das cores, de contar os números, de pintar com tinta no dedo o arco-íris numa folha, essas coisas. Puxa, não é fácil manter focado e organizado um grupo de seis pequeninos que se distrai facilmente, mas vi que estavam ativos participando e interagindo.

Aliás aqui vai um comentário adicional: não sei como a professora tem voz no final de cada dia... e olha que eu só acompanhei 1/2 período de aula! Achei-a muito competente e dedicada, gostei de ter conhecido a rotina das crianças e como a professora procura oportunidades de ensinar o tempo todo. Ela merece os meus parabéns. = )

A Nicole, com quase 1 ano e 8 meses, era a mais novinha do Nursery. Percebi que nem tudo ela acompanhava direito. Ela estava atenta a tudo e o que pediam pra ela repetir ela repetia, mas não era como outras crianças que estão lá há mais tempo e que vão à escola todos os dias (a Nicole por enquanto só vai 3x por semana) e, portanto, já sabem contar até cinco, conhecem os gestos e letra das músicas, o nome das cores, etc. Mesmo assim, ao conversar um pouco com a coordenadora do lado de fora, ela disse que a Nicole está indo super bem e que, por causa do estímulo que recebe em casa, é bem desenvolvida para a idade que tem. Não sei se ela disse isso só pra me agradar, mas é claro que fiquei radiante de ouvir esse feedback!

Um comentário bem curioso que preciso fazer é que de todo o grupo todo de doze crianças que estavam presentes, somente a Nicole e outra menina um ano mais velha que ela (também do Nursery) fazem xixi no banheiro! Todas as outras (inclusive as seis mais velhas do K1) ainda usam fraldas. Eu simplesmente não acreditei quando me disseram, a professora me explicou que os pais simplesmente não querem tirar a fralda ainda. Vai entender! Tá louco... alguém (obviamente as fabricantes de fralda) está ganhando muito dinheiro com isso. Não consigo entender uma mãe que prefira continuar usando fralda se a escola se dispõe a ajudar no processo de desfraldamento. Eu dou o duro pra Nicole sair logo das fraldas e, exceto à noite pra dormir, para as sonecas da tarde e dependendo de para onde vamos quando saímos, deixo-a sem fraldas. Em breve dedicarei um único post só pra falar disso, aguardem!

Outro comentário que preciso fazer é sobre a alimentação. Confesso que estava um pouco "com o pé atrás" com relação à informação que vinha na agenda de que ela almoçava bem na escola. Por dois motivos: em casa nem sempre ela come de tudo - a Nicole é um pouco seletiva, não é muito de experimentar alimentos novos, normalmente prefere os que já conhece e faz cara feia diante de legumes e verduras. O outro motivo era minha dúvida de como é que ela estaria almoçando bem (às 11:00-11:30) se eles davam lanche apenas 1 ou 2 horas antes (9:00 / 10:00)? Lá eu descobri a razão. O lanche no meio da manhã é uma fruta ou suco de fruta; no dia em que fui serviram suco natural de abacaxi, mas eles põem tão pouquinho no copo que só dá pra molhar o bico! Não é uma quantidade suficiente pra encher a barriga e atrapalhar o almoço. Quando dou suco pra Nicole costumo dar um copo cheio (porque ela ama suco) e ela toma tudo!

O momento do almoço em si também foi interessante. Separaram as crianças em duas mesinhas com banco embutido, colocaram nelas os super babadores de plástico com bolsos pra não cair comida do chão (achei bem prático!), fizeram a oração cantada agradecendo a Deus pelo alimento e serviram os pratinhos fundos com a comida toda misturada dentro. Naquele dia o cardápio era arroz, feijão e carne com legumes. Acredita que a Nicole comeu bem (e sozinha)?? Até o chuchu que estava misturado com a carne! Fiquei boba de ver. Acho que o segredo foi misturar tudo e deixar a comida bem molhadinha (com o caldo do feijão ou da carne), em casa eu costumo usar aqueles pratos com divisórias e coloco arroz, feijão, carne e legume separado. E ela nunca nem toca no legume! Agora já aprendi o que tenho de fazer, rs. = )

O curioso é que algumas crianças não comiam sozinhas, alguma professora tinha que sentar do lado e dar na boca. Comer sozinha, taí uma coisa que eu incentivei a Nicole a fazer desde cedo (talvez até cedo demais pelo que li a respeito depois, pois concedi na época uma liberdade - segurar a colher ou garfo - maior do que sua capacidade de lidar com ela no momento e isso trouxe certos desafios que precisaram ser corrigidos posteriormente). Aliás, hoje é difícil ela aceitar que eu ou alguém dê comida na boca dela, ela é bem independente nesse sentido.

Esse é um breve resumo da minha experiência na escola da Nicole. Fiz observações importantes e foi bom saber um pouco mais sobre o que se passa lá com a minha pequena. Me sinto mais confiante agora em levá-la pra escola e saber que ela será tão bem cuidada. A fase chata da adaptação praticamente passou e noto que em casa estamos colhendo os frutos do aprendizado que ela tem tido lá: ela está muito mais falante, repete um monte de palavras novas (até me surpreende às vezes) e está mais esperta (é uma esponjinha, absorve tudo muito rápido).

Agora estou ansiosa por receber seu 1º. "report card" (boletim) que deve vir na sua agenda amanhã. É tão gostoso acompanhar o progresso e desenvolvimento dela!

E você, mamãe leitora, conte-nos como foi sua experiência enviando seu filho pequeno à escola pela primeira vez, queremos ouvi-la!

Um abraço, Talita

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Eu tenho um chamado!

Após ler meu último post meu marido me disse rindo que eu parecia uma mulher depressiva prestes a cometer suicídio por causa de todos aqueles sintomas desagradáveis que eu descrevi, rs! A intenção certamente não era focar nos problemas, mas confesso que é muito mais fácil ficar remoendo sobre as dificuldades em vez de aguentar firme e focar os olhos na solução. Será que é só comigo?!

Nesta segunda-feira interpretei para uma pastora americana de Nebraska que nos desafiou a examinar para onde estamos olhando/focando nossa atenção. Ela se baseou no texto de Hebreus 12:1-3 que nos incentiva a correr com perseverança a corrida que nos é proposta, tendo os olhos fitos em Jesus, o autor e consumador da nossa fé. A questão central da mensagem era para onde nossos olhos estão voltados e como esse simples fato influencia tremendamente as nossas vidas.

Numa dessas manhãs (sinceramente não me lembro qual, aliás, ando muuuuito esquecida ultimamente!) acordei com uma canção no coração. Faz muito tempo que não a ouvia, por isso tenho certeza de que foi o Espírito Santo que me trouxe-a à memória, pois nada é por acaso, Deus tem um propósito em tudo o que Ele faz. Romanos 8:28 fala que "Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito"! A canção chama-se "Eu tenho um chamado" (Banda Quatro Por Um) e tem uma letra linda, inspiradora. Quero compartilhá-la com vocês hoje, pois ela me fez lembrar do chamado que Deus tem pra mim, justamente da "corrida que nos é proposta" de que Hebreus 12 fala.

Clique aqui para ouvi-la e ver o vídeo do youtube.

Segue a letra pra vocês acompanharem:

Eu não vou parar. A estrada é muito longa, vou continuar.
Mesmo em meio às lutas, eu não estou só. E Te sinto aqui!

A vida é mesmo assim, tantas aflições eu tenho que enfrentar,
Mas o Senhor está sempre a me proteger. Te sinto aqui!

Quando o vento sopra contra mim, os problemas tentam me abater,
Eu me lembro: o grande Eu Sou me enviou!

Eu tenho um chamado! Jamais vou me calar.
Eu tenho um chamado: o Evangelho anunciar.
Eu fui escolhido no ventre da minha mãe!
Eu sei que Deus não abre mão de mim não.

Há muito pra fazer, não há mais tempo pra olhar pra trás.

Embora os compositores provavelmente não tenham pensado especificamente no chamado que os pais têm de educar, acho que a letra tem tudo a ver com esta missão.

Aliás, Deus é mesmo perfeito, veja só: estou lendo um livro M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-O chamado "Pastoreando o Coração da Criança" (Tedd Tripp) e já faz algumas semanas que estou pra compartilhar os princípios que têm tocado a minha vida ao lê-lo, pois o livro é bom demais e a cada capítulo penso "puxa, todos os pais do mundo precisam ouvir e aprender isso daqui".

Pois bem, "coincidentemente" hoje li o capítulo 10, em que o autor trata sobre o alto preço a se pagar pelos pais que buscam uma vida de comunicação profunda com os filhos (tem tudo a ver com o chamado de anunciar o Evangelho: é ajudar os filhos a compreenderem a si mesmos, suas fraquezas, angústias, anseios, toda a complexidade da vida, a obra redentora de Jesus na Cruz, como funciona o Reino de Deus, os princípios da Palavra, etc.).

Na página 117 ele diz assim:

"O custo é grande: significa estar disponível e completamente engajado na arte de ser pai ou mãe. Há uma forma simples de saber o custo da comunicação profunda e plena: considerar a paternidade ou a maternidade como uma das tarefas mais importantes enquanto se tem filhos no lar. ESTE É O SEU CHAMADO. (...) NÃO HÁ NADA MAIS IMPORTANTE. Você só tem uma breve parte da vida para investir a si mesmo nesta tarefa. Tem somente UMA OPORTUNIDADE de fazer isso. Não pode voltar atrás e refazer. (...) Para cumprir bem a TAREFA de criar filhos, esta deve ser considerada PRIORITÁRIA, ou seja, o seu CHAMADO PRINCIPAL. (...) Ser pai ou mãe significará não poder fazer todas as coisas que poderia fazer se não criasse filhos" (grifos meu).

Considerar uma tarefa prioritária significa que ela terá mais importância que outras. Significa que se eu quero priorizar uma terei que abrir mão de outra (ainda que temporariamente). E a sociedade não aceita bem isso, aliás existe uma pressão tremenda sobre a mulher nos dias de hoje. Eu a sinto sobre mim. Você já reparou que como mulheres temos que ter formação acadêmica exemplar (formação superior, línguas, MBA, etc.), temos que ser profissionais conceituadas e extremamente bem-sucedidas (ganhar tão bem quanto os homens), precisamos ser bonitas (unhas feitas, cabelo escovado, pele sem manchas ou rugas, corpo em forma... e por aí vai), excelentes esposas, boas cozinheiras, donas de casa competentes (o lar precisa estar sempre impecável) e ainda ter tempo para educar os filhos?! Tá louco, precisaríamos de pelo menos 30 horas pra fazer tudo isso e acho que nem assim daríamos conta!!

Por isso temos que priorizar. A estrada é longa, mas os filhos não estarão conosco pra sempre. Eu estou disposta a pagar o preço para educá-los, estou ciente de que se quero realmente ser a mãe que Deus me criou pra ser, se quero fazer diferença na vida dos meus filhos durante os anos mais importantes de suas vidas, não poderei estar disponível para todas as outras atividades do meu interesse que irão surgir. Talvez signifique que eu tenha que abrir mão de hobbies, amizades, conquistas pessoais, profissionais ou acadêmicas, lazer, tempo de descanso, enfim, estou disposta a pagar o preço - 1º. porque é o chamado de Deus pra mim e 2º. porque quando Deus dá a missão Ele mesmo providencia os recursos.

Além disso, os benefícios (as bênçãos) serão ENORMES e altamente compensadores. É um investimento alto mas é o caminho da obediência, e como expõe o autor no fim do capítulo, o caminho da obediência é sempre o caminho da BÊNÇÃO! E sabe o que mais? Como fala na canção, mesmo em meio às lutas eu não estou só!

O chamado vem dEle e Ele está comigo!
Essa é a minha palavra de incentivo pra vocês hoje.

Ouçam a canção mais uma vez pelo menos, vale a pena!

sábado, 9 de abril de 2011

Uma gestação nunca é igual a outra?

Estou com 28 semanas de gestação e tenho ouvido essa afirmação de pessoas diferentes e há um bom tempo tenho me questionado quais estão sendo, de fato, as diferenças e as semelhanças desta para a última gestação. Na verdade percebo que a lista de semelhanças está muito mais longa, ou seja, está quase tudo igual mesmo.

Claro que com isso não pretendo dizer que esta gestação está idêntica à outra; é evidente que não sou mais a mesma pessoa de 2 anos atrás. As circunstâncias mudaram, meus pensamentos, prioridades e desafios do dia-a-dia são outros agora que tenho uma filha de 1 ano e 7 meses pra cuidar, então é claro que não daria para ser tudo igual mesmo. Por outro lado, no que diz respeito à gravidez em si, com exceção de uma ou outra diferençazinha, os sintomas são praticamente os mesmos. O que posso, com toda segurança, afirmar é que a minha REAÇÃO a eles está diferente.

Mesmo agora com 28 semanas (equivalente a 6 meses e 1 semana), os enjôos persistem e eu continuo tendo que comer a cada 2 horas. Não é à toa que na última consulta a balança mostrou que eu já tinha ganhado 14 quilos. Na gestação da Nicole eu ganhei 17 quilos em 9 meses, o que mostra que nesta gestação estou sendo menos cautelosa com o que como. Pra usar a expressão popular, eu "desencanei", rsrs. Antes eu não esperava chegar o dia da consulta para me pesar, vivia indo nas farmácias e anotava o peso no meu calendário de parede da cozinha, tinha tudo registrado na ponta do lápis. Com a Nicole em casa, tendo que conciliar com trabalho, igreja e uma infinidade de outras coisas, a preocupação com a qualidade dos alimentos que eu ingiro ou com o meu peso caiu para o fim da lista de prioridades. Eu lembro que na primeira gestação eu tinha toda aquela "neura" de diminuir o consumo de café, refrigerante e chocolate, e claro, escolhia lanchinhos saudáveis como castanhas, frutas, barrinhas de cereal. Mas agora? Hum, que nada! Não tenho tempo pra pensar nisso. Como o que for mais prático mesmo e fim de papo.

Outros SINTOMAS desagradáveis que eu tinha na outra gravidez e que tenho agora são azia intensa (me sinto um dragão, como se tivesse prestes a expelir fogo pela garganta!), câimbra na perna quando vou me espreguiçar deitada na cama, formigamento no braço se ele ficar elevado por algum tempo (ainda que a inclinação seja pequena), dores nas costas (especificamente na lombar, parece que tem algum nervo inflamado de um lado só) e insônia. Esse último é terrível. Vai chegando o fim da gravidez e raras vezes durmo mais de 3 ou 4 horas seguidas. Parece até que estou em treinamento, praticando para quando a Alícia nascer e eu tiver que amamentá-la a cada 3 horas! Acordo com um aperto na barriga (vontade de fazer xixi) e uma sensação de enjôo, azia e fome - tudo ao mesmo tempo! Mas essa vontade exacerbada de urinar não é exclusividade de quanto estou deitada, é o tempo todo. E se não vou ao banheiro, minha barriga logo endurece. Às vezes acabei de fazer xixi ou mal saí do banheiro e a sensação de ainda estar apertada permanece. Me deixa perplexa!

E por falar em aperto, eis uma DIFERENÇA desta para a outra gravidez: pode ser impressão minha, mas parece que as contrações de Braxton Hicks começaram mais cedo e são muito mais frequentes e incômodas agora. Quando comecei a tê-las, com 20 semanas, me lembro de ter estranhado e pensado "mas já?". A minha barriga nem aparecia direito ainda e já endurecia como que praticando para o parto. Se a Nicole nasceu de 38 semanas, fico imaginando como será que vai ser com a Alícia!

Está aí outra SEMELHANÇA nas duas gestações: o tamanho da barriga, estou grávida de 6 meses e muita gente da igreja ainda nem tinha percebido. Dois dias atrás mesmo, quando viu minha barriga uma pessoa me perguntou: "E aí, já está com 3 meses?". Ha, pode?! Essa foi uma das "decepções" que tive quando estava grávida da Nicole. Queria aproveitar todos os direitos públicos de filas e assentos preferenciais para gestantes, mas as pessoas mal notavam a minha barriga, ainda mais porque no inverno costumamos usar blusões ou jaquetas grandes que cobrem a nossa silhoueta!

Há outras SEMELHANÇAS desagradáveis e muito visíveis: acne no rosto, pescoço, ombros e costas! Parece que voltei a ser adolescente. Sabe aquelas espinhas internas doloridas que inflamam e que costuma-se ter na puberdade? Pois é, elas voltam quando estou grávida. Foi assim na gestação da Nicole e está sendo assim na gestação da Alícia. Horrível, eu sei. O cabelo e as unhas também são afetados, ficam mais frágeis, quebradiços e... bem, feios, pra ser mais exata. Hum... fazer o quê, né? Se não bastasse esses sintomas pra lá de chatos para qualquer mulher (afinal, quem gosta de sentir-se feia?!), ainda tem as alterações de humor. Fico mais irritada, sensível, quero reclamar (ou chorar) das circunstâncias desfavoráveis e, se não me policiar, acabo sendo uma chata mesmo.

Pra amenizar o meu "sofrimento psicológico", rsrs, tento me lembrar de um dos únicos sintomas que eu tive na última gestação e que não estou tendo agora: inflamação e sangramento da gengiva. Li a respeito na época e sei que é algo muito comum de acontecer com grávidas, você come o tempo todo, acaba escovando mais os dentes e mesmo assim, ou se acumulam alimentos entre os dentes, ou você escova os dentes tanto que acaba se machucando. Eu tive isso da outra vez e foi muito ruim. Dessa vez me planejei melhor. Quando pretendia engravidar de novo, parei de amamentar a Nicole e fiz tratamento dentário na região que inflamou da última vez e, inclusive, aproveitei também para arrancar os quatro dentes do ciso. Funcionou! Porque dessa vez, apesar de comer com muita frequência, estou livre de dores na gengiva. Ufa!

Bem, até aqui já contei 10 semelhanças e apenas 2 diferenças, mas há outras diferenças também. Na verdade, como quando falei a respeito da minha alimentação menos saudável, essas outras diferenças não referem-se a sintomas propriamente ditos, mas à minha própria atitude e comportamento durante a gestação. Uma delas é o tempo de descanso. Eu quase não estou descansando nesta gestação! Antes eu ia para o trabalho com o meu marido e não conseguia ficar com os olhos abertos durante o trajeto, sempre tirava um cochilo dentro do carro. Daí no trabalho ficava sentada a maior parte do tempo e quando voltava pra casa à noite também tratava de descansar, eu lembro que dormia bastante e era revigorante! Agora não, vou para o trabalho 3x por semana por meio-período e no restante do tempo fico com a Nicole e tento trabalhar de casa. Menina, é um desafio! Fico literalmente um "bagaço". E não precisa de muita coisa não, basta pegá-la do berço, deitá-la na cama, levá-la para o banheiro, sentar-me no chão pra brincar ou dar banho algumas poucas vezes e eu já estou acenando aquela bandeirinha branca de rendição e gritando "Socorro!". Se o processo de tirar as fraldas é cansativo porque tem que levar a criança ao banheiro o tempo todo, fazê-lo grávida então é quase loucura!

Em meio a tudo isso tenho me sentido um fracasso de mãe, parece que tudo do que eu me empenhei arduamente para conquistar no 1º. ano de vida da Nicole, eu estou perdendo em poucos meses. Me refiro a questões de comportamento. Eu não estou conseguindo estruturar a rotina da Nicole em casa - literalmente por preguiça minha, não vejo outra explicação, pois dá trabalho educar e ultimamente eu ando muito cansada! O fato é que estou concedendo muito mais liberdades do que ela poderia receber para a idade que tem e o resultado é uma criança exigente, manhosa, com dificuldade em obedecer e que não se contenta mais em brincar sozinha quando é preciso. Ela está indo para a escolinha agora e então são muitas influências externas novas e em casa, como não estou conseguindo ser firme o suficiente, o resultado só podia ser esse. Eu tenho esperança de que depois que o bebê nascer e eu estiver totalmente recuperada do parto e dormindo a noite toda novamente (com a Nicole isso aconteceu com 8 pra 9 semanas), terei mais disposição física e conseguirei correr atrás do tempo perdido e melhorar o meu desempenho como mãe!

Por todos esses motivos também é que reparo uma outra diferença no meu comportamento durante esta segunda gravidez: quase não tirei fotos da minha barriga! Na gravidez da Nicole eu tirava foto praticamente toda semana. Mas agora que estou quase sem tempo e ainda me sentindo feia, são raras as vezes que pego na câmera pra tirar uma fotinho sequer da barriga. Até para o agendamento dos exames que a médica pede estou um desastre porque me esqueço, um dia fiz ultrassom e esqueci de levar pra consulta, acredita? Se bem que memória ruim eu também tive na gestação da Nicole, agora só parece que está um pouco mais grave, rs!

Bem, pessoal, é isso. Espero que, se você estiver grávida e passando pelos mesmos sintomas e conflitos internos que eu, você se sinta confortada que não é a única! E lembre-se que tudo é uma fase, e esta também passará.

A alegria do Senhor é a nossa força!

Um abraço e até a próxima postagem!
Talita

sábado, 12 de março de 2011

Mudanças no comportamento a partir do 2º. ano de vida - Parte 2: EMOÇÕES

Além das mudanças advindas de sua recém-desenvolvida mobilidade, os primeiros 6 meses após completar seu 1º. aninho também foram marcados por expressões cada vez mais evidentes de sua personalidade e emoções. Uma palavra que resume bem essa fase (a respeito do qual os Ezzos também alertam no seu curso "Preparation for the Toddler Years: Parenting your 12 to 18 Month Old") é a IMPREVISIBILIDADE.

A Nicole está sempre a nos surpreender, até no que parece ser mais trivial. Num belo dia mostra-se fã de um único alimento colocado no prato e não quer nem saber de tocar nos outros, devora aquele ali, o escolhido do dia, como se fosse o melhor alimento do mundo. Mas no dia seguinte, ou mesmo na refeição seguinte, age como se nunca o tivesse comido e detém sua atenção em algum outro, que agora torna-se seu novo preferido. Vai entender?! Eu já desisti de tentar, apenas peço que Deus me dê sabedoria em cada situação pois realmente é muito difícil de prever!

Essa imprevisibilidade é de deixar as mamães com os cabelos em pé e é preciso ter tremedo jogo de cintura, além de muita, mas muuuuita paciência mesmo, para lidar com algumas das situações com que nos deparamos. Há certas atitudes (traquinagens, pra ser mais exata) da Nicole que eu pensei que uma criança só pudesse aprender se tivesse um irmãozinho maior para ensiná-la. Que nada, engano meu! Essas travessuras já vêm embutidas nela, bem que a Bíblia avisou, não é mesmo? Provérbios 22:15 diz que "a estultícia (insensatez) está ligada ao coração da criança". E está mesmo, deixe eu dar alguns exemplos que me deixam perplexas.

Como comentei no último post, tenho trabalhado com a questão dos limites fazendo o "rug time" 30 minutos todos os dias (período em que ela deve brincar dentro do limite do tapete da sala). A Nicole sabe exatamente o que é esperado dela para esse momento de atividade, mas vez ou outra quer testar os limites pra ver se é aquilo mesmo e se ela consegue não ter que ficar ali. Primeiro ela põe um pezinho pra fora do tapete e olha pra ver se eu estou olhando e se eu vou falar alguma coisa. Outras vezes joga algum brinquedo pra fora da área permitida e sai para buscá-lo (como quem diz "eu tenho um bom motivo pra sair"). Amigas, acreditem, se eu não ficar esperta ou for firme nessas horas, ela me dá o maior nó facinho!!

Como uma menininha tão doce e fofa poderia sequer cogitar a possibilidade de manipular sua tão dedicada mamãe?!

Haha, eu não sei, mas ela o faz!! E se eu bobear ela faz de mim gato e sapato! A primeira vez que me dei conta disso foi quando estávamos naquela fase difícil de alimentação. Sabe o que ela fazia para conseguir que eu a tirasse do cadeirão quando ela não queria comer? Fazia o sinal de "poo-poo" (comunicando que queria ir ao banheiro) porque ela sabia que eu não questionaria o pedido e agiria bem rápido. Fez isso várias vezes, eu sempre a levava ao banheiro e nada dela fazer! O mesmo quando chegava a hora de dormir, ela tentava de tudo (e ainda faz isso hoje em dia!): fazia o sinal de fome, de sede, de vontade de ir no banheiro... mas era tudo alarme falso, só queria mesmo era ganhar tempo e adiar o horário de ir dormir.

Exemplos dela tentar me manipular não faltam. Se a pegamos no flagra mexendo em algo que não deve (e ela sabe muito bem disso), já vi duas reações distintas: ou 1) ela congela e fica ali de costas (com o rosto escondido) torcendo para eu ir embora e esquecer o que vi ou 2) ela vira pra mim com um daqueles sorrisos amáveis, mostrando os dentes, pra tentar me distrair e fingir que nada aconteceu. Pode?! Como é difícil não dar risada nessas horas! Pode ser bonitinho vê-la fazendo isso hoje, mas daqui alguns meses ou anos certamente não será e corrigir ficará mais difícil também.

Eu ensinei o sinal de "Sorry" (pedido de desculpas) e faço-a a fazê-lo sempre que faz algo de errado, inclusive tentar me enganar, mas às vezes é tão mais fácil deixar aquilo pra lá. Preciso vencer a tentação de fazer vista grossa e lembrar da minha responsabilidade como mãe! Pois é, a Bíblia sempre tem razão! A estultícia está ligada ao coração da criança e, como pais que desejam o melhor para seus filhos e querem que eles sigam pelo caminho do bem, temos que disciplinar e corrigi-los para que tenham sensatez. É o que o final daquele provérbio bíblico diz: "mas a vara da correção (disciplina) a afugentará dela".

Como o objetivo desse post é falar das emoções, não tem como falar delas sem citar as famosas birras! Já reparou como elas são perpetuadas e incentivadas quando há público para elas? O que eu procuro fazer com a Nicole quando ela está contrariada é, em primeiro lugar, MANTER A CALMA (e às vezes isso é tão difícil!) pra então, com voz firme e amorosa, informar o que preciso que ela faça. Por exemplo, se eu a deitei no trocador e ela não quer cooperar, digo algo do tipo: "Nicole, a mamãe precisa que você fique quietinha agora pra eu poder trocá-la". E então, sem ceder aos seus gritos de protesto, começo a cantar alguma música pra ela. Normalmente ela para de chorar logo porque quer prestar atenção (ou cantar junto) e esquece que estava brava. Essa estratégia é boa pois muda o foco de tensão para algo divertido e a intenção é ajudá-la a desenvolver o tão almejado autocontrole (um fruto do Espírito!).

Não uso essa mesma estratégia toda vez, depende do contexto; normalmente não dou atenção ao gesto de manipulação (no caso a birra, ou o choro de manha) e a informo que choramingar é inaceitável. Se ela desobedece e continua, a isolo em algum canto (no berço, no cercadinho) até que ela se acalme, ou se ela estiver no "rug time" simplesmente viro as costas e a deixo lá. Nunca parei pra contar quanto tempo ela permanece brava, mas não deve durar mais que 1 ou 2 min, isso nos piores casos, pois como é assim desde sempre ela se conforma rápido, sabe que não vai ter plateia para sua ceninha de raiva.

No fundo no fundo sei que na maioria das vezes o problema é que ela ainda não sabe dominar suas próprias emoções. Por isso ressaltei no início que MANTER A CALMA é a melhor lição que você ensina para seu filho, pois ele irá imitá-la! Se você se descontrolar toda vez e gritar, ele vai aprender com seu comportamento: esse será o seu padrão de como lidar com as emoções. Então, por mais que eu sinta vontade de lhe dar uns tapas quando ela age assim, fazê-lo porque estou irritada é um péssimo hábito. Tenho que me lembrar o tempo todo que meu objetivo é ajudá-la a desenvolver o autocontrole, preciso compreender que se ela se descontrola e berra porque, por exemplo, eu confisquei algum objeto proibido, é porque ela ficou frustrada com a situação e ainda não sabe lidar com isso. E sou quem preciso ensiná-la como é o jeito aceitável de reagir!

Uma última observação que gostaria de fazer antes de finalizar é a respeito da escolinha. A Nicole começou a ir na escolinha na semana passada (não todos os dias, apenas 3x por semana e em regime de meio-período) e desde então ela ficou muito mais manhosa. Pede as coisas choramingando, não quer fazer as atividades comuns (resiste muito mais ao cercadinho, ao "rug time" e até à hora de dormir) e as coisas ficaram bem mais complicadas porque ela chora por qualquer coisa. Acho que é carência porque ela quer muito mais colo e atenção pra tudo, inclusive brincar. Parece que tudo o que ela não chorou lá na escolinha (na agenda veio que ela passou e se alimentou superbem todos os dias) ela está chorando aqui em casa. Estou esperando e pedindo a Deus que essa mudança brusca de comportamento seja algo temporário!

Um abraço e até mais!
Talita